terça-feira, 30 de abril de 2013

Brilhantemente chato – Livro Um Mundo Brilhante


A premissa do livro Um Mundo Brilhante, de T. Greenwood, é interessante e chama a atenção. Ben Bailey, um professor universitário adjunto de dia e barman de noite, encontra na manhã pós Halloween um garoto nativo americano (índio) morto na neve em frente a sua casa. Após procurar ajuda, chamar a ambulância e conhecer Shadi, a irmã mais velha do rapaz, Ben sente-se na obrigação de desvendar esse crime, pois a polícia tratou como mais um caso de índio bêbado que morreu de frio. Sendo assim, ele passa a dar uma de detetive e vai descobrindo aos poucos que essa morte tinha muito mais do que aparentava. 


Um Mundo Brilhante parece um livro policial de suspense e mistério, mas não é. É bem chatinho e o caso do assassinato fica mais de fundo da história do que de foco. Eu, sinceramente, me decepcionei. Lutei para terminar as mais de 300 páginas.

O livro foca demais em Ben, afinal, ele é o narrador. Mas o personagem é um bundão, na falta de uma palavra mais delicada. Insatisfeito, frustrado e sem coragem para ser um homem de verdade, ele vai levando a vida e ficando cada vez mais infeliz. Além disso, leva consigo um trauma de uma tragédia da sua infância que parece que nunca vai ser curado. E o problema disso tudo é que vai arrastando para a sua infelicidade Sara, sua noiva com quem não tem intenção nenhuma de casar. 

A Sara é outra que eu queria muito falar mal! Mandona, egoísta e manipuladora. Uma típica filhinha de papai e mamãe que sempre teve tudo o que quis, inclusive Ben, a quem ela trata como um objeto ou, na melhor da hipóteses, um animal de estimação.

Ben e Sara, além de autodestrutivos, vão destruindo um ao outro com o passar do livro. O porquê de eles ainda estarem juntos é um mistério, pois a faísca que existia entre eles há muito se extingui. Devia ser simples comodidade ou aquela teimosia de “eu não quero fracassar, fico aqui nem que seja a pior coisa do mundo”. Ben fala a todo o momento que ele era a maior decepção da vida da noiva e que ele destruiu a felicidade que Sara tinha antes de conhecê-lo, pois ela era uma das pessoas mais alegres e positivas que ele já tinha visto. Olha, difícil imaginar isso com o humor insuportável dela.

Essa é a autora T. Greenwood

Shadi, por quem obviamente Ben se apaixona, é completamente diferente de Sara. Calma, serena e com um humor leve, a garota é tudo o que Ben acreditava querer da vida. Mas mais do que amor, a atração que um sentia pelo outro vinha do fato de que compartilhar tristezas e cicatrizes é muito mais profundo. 

Um Mundo Brilhante mal fala sobre a resolução do crime, foca demais na indecisão de Ben. Sabem aquele vídeo do teatro dos Melhores do Mundo do Hermanoteu na Terra de Godah (Aqui)? O hebreu olha o mar aberto e fica “Vou, não vou, vou, não vou. O mar fechou e eu fiquei”. É bem isso que acontece com o Ben. Ele é tão indeciso, inativo e molóide que não se movimenta. Olha o que acontece e fica com tanta preguiça de ir para frente que aceita as consequências de continuar estático. Pior que eu conheço muitos homens assim...

Vi na internet muita gente falando bem do livro, que é introspectivo, que foca nos sentimentos, que é profundo e blá, blá, blá. Sinceramente, isso é papo de quem quer parecer intelectual.

Mas não posso dizer que o livro é fantasioso. Ele é bem cru, real, principalmente o final. Eu tive a sensação de sair do nada para o lugar nenhum, mas é o que acontece com muita gente, então, é a vida, né?

Mas uma coisa eu falo bem de Um Mundo Brilhante: A capa. Gente, ela é toda brilhante, cheia de purpurina cintilante. É claro que eu ia amar algo assim, né?

Desculpem, mas dessa vez eu não recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Filme fiel ao livro – Um Porto Seguro


Sabe quando você gosta muito mesmo de um livro e é doido para ver ele transformado em filme? Aí alguém faz isso. Ao mesmo tempo em que você se sente extremamente empolgado porque os seus personagens amados vão ganhar vida, também sente uma certa apreensão porque não são poucas as histórias trazidas para o cinema que assassinaram o original, chegando até mesmo a mudar o final, o nome dos protagonistas e algumas das melhores cenas. Felizmente, esse não foi o caso de Um Porto Seguro (Que eu comentei o livro aqui).


Em Um Porto Seguro eu não queria mesmo que mudassem muito da história. Esse é um dos meus livros preferidos do autor, o homem que mais estraga a vida das mulheres Nicholas Sparks, e também DA VIDA (Exagerada! Mas é verdade). Saí quase saltitando do cinema ao perceber que foi bem fiel ao livro, que é tão bom. Acho que o fato de o próprio Nicholas Sparks ser o produtor contribuiu muito para isso.

Aaah, o amor...

Quando falei sobre o livro aqui, expliquei o enredo. Se você não viu, não lembra ou está com preguiça de ler aquele post inteiro, segue um resuminho: Katie (A loirinha bonitinha de voz anasalada de Rock of Ages Julianne Hough) está fugindo do seu passado. Não se sabe ao certo o que ela fez, mas a polícia está atrás da garota. A cena inicial do filme é ela correndo e entrando num ônibus sem um destino certo. Ela acaba na pequena cidade de Southporth. Idílica, linda, minúscula, com muito verde, pântano e mar, é o local ideal para recomeçar a vida. E é o que ela faz. Logo conhece a sua vizinha bisbilhoteira Jo (Cobie Smulders, de How I Met Your Mother) e o dono do supermercado local Alex (O insanamente lindamente gostoso bonito Josh Duhamel), um viúvo com dois filhos pequenos que faz tudo pelas crianças. Ele e Katie começam um relacionamento intenso, mas sempre há a sombra do passado da garota.

Alex, seus filhos e Katie

Um Porto Seguro é a oitava adaptação para o cinema de Nicholas Sparks, então é de se esperar que tenha uma paixão arrebatadora que surge de um olhar entre duas pessoas lindas e predestinadas a ficarem juntas (Exemplos: O Diário de Uma Paixão, Querido John, Um Amor Para Recordar, Um Homem de Sorte). E, ah, como eu adoro isso! É de fazer suspirar. Confesso que é muito mais um filme para mulheres do que para homens, mas homens deviam se aproveitar de histórias desse autor para pegarem algumas dicas. Nicholas Sparks nos entende tanto que eu tenho quase certeza que ele era mulher e fez operação de mudança de sexo.

Katie e sua vizinha Jo

A fotografia de Um Porto Seguro é lindíssima. Acharam o cenário ideal para um filme tão doce (Com uma pitadinha de suspense). Olhando a praia, as árvores do local, o caminho que Katie e Jo pegam para ir para casa, o pântano onde Katie e Alex fazem canoagem, tudo isso dá uma vontade imensa de largar tudo e ir morar num lugar desses (Eu quase fiz isso, sério).

Um Porto Seguro tem uma trilha sonora bem bonita, assim como Um Homem de Sorte (Falei sobre as músicas aqui).

Cena mega linda!

Lendo sobre o filme na internet, vi muitos críticos (90% homens) falando que é mais da mesma fórmula, que os personagens são reféns de um destino pré-determinado, que mostra o ideal americano (Ainda mais que o clímax passa na festa de 4 de julho). Sabe o que eu acho? É tudo um bando de mal amado que não sabe aproveitar uma história de amor bem escrita, bem amarrada e sensível. Dê uma chance a esse gênero de filme que eu tenho certeza que você não vai ser arrepender.

Katie fugindo no início

Do diretor Lasse Hallström, o mesmo de Amor Impossível (Que eu comentei aqui) e Querido John, Um Porto Seguro tem um final surpreendente, assim como o livro. Por saber que Nicholas Sparks adora um fim meio trágico, a gente nunca sabe como ele vai terminar, mas sempre torcendo pelo “E viveram felizes para sempre”. Nesse caso, você só vai saber se assistir.

Típico de Nicholas Sparks

Recomendo muito mesmo. Entrou na minha lista de filmes preferidos.

Teca Machado

sábado, 27 de abril de 2013

Os 10 elevadores mais inusitados do mundo


Elevador não é o meu lugar preferido no mundo. Já discorri sobre as minhas aventuras nessas pequenas caixas metálicas voadoras nesse post aqui. Esses dias um colega ficou preso quase uma hora com mais nove pessoas no elevador de serviço do prédio que eu trabalho (Que, diga-se de passagem, não tem nenhum sistema de ventilação e a minha cidade é extremamente quente. Ou seja, suor, calor e quase pânico). Ainda bem que eu não estava lá.

Mas nem todo elevador é uma caixinha cinza, apertada e sem graça. Alguns arquitetos gostam de inovar em todos os sentidos, principalmente nesses espaços que muitas vezes são deixados de lado pelo pessoal de design. Mas um viva para aqueles profissionais que fazem de tudo para que a experiência de subir e descer andares seja a mais prazerosa e inesquecível possível.

O site do jornal O Globo listou há alguns dias os 10 elevadores mais inusitados do mundo. Seguem eles abaixo (Clique na imagem para aumentar):

1- Berlim, Alemanha – O AquaDom tem 25 metros de altura e está dentro do maior aquário cilíndrico do mundo. O diâmetro é de 11 metros. Ele está localizado no Radisson Blu Hotel em Berlim-Mitte.




2- Falkirk, Escócia. É um elevador de barcos rotativo que foi inaugurado em 2002. A roda tem um diâmetro total de 35 metros.



3- Estocolmo, Suécia. O Skyview é um teleférico construído no lado sul do Ericsson Globe, em Estocolmo. É, atualmente, o maior edifício hemisférico no mundo. Tem forma de uma grande bola branca, com diâmetro de 110 metros.




4- Bürgenstock, Suíça. O Hammetschwand (Duvido que você consiga falar isso) é o elevador mais alto da Europa. Pode subir 153 metros em um minuto.



5- Wulingyuan Zhangjiajie, China. O elevador de Bailong está situado ao lado de uma grande encosta de Wulingyuan Zhangjiajie (Também duvido que você consiga falar isso) e tem 330 metros de altura. Alega-se a ser o mais alto e mais pesado elevador ao ar livre do mundo. 




6- Missouri, EUA. Uma das atrações de St. Louis, Missouri, é o Gateway Arch. Para ir para o topo do arco, os passageiros entram em uma cápsula que possui cinco lugares.


7- Lisboa, Portugal. O elevador de Santa Justa, também conhecido como elevador do Carmo, conecta as ruas baixas à Praça do Carmo.



8- Salvador, Brasil. O elevador Lacerda é um dos cartões-postais da cidade e está situado na Praça Cayru, ligando a Cidade Baixa à Cidade Alta. O mais famoso elevador da Bahia transporta cerca de 900 mil passageiros por mês (28 mil por dia). Tem altura de 72 metros.



9- Stuttgart, Alemanha. Esse elevador é do museu da Mercedez-Benz e leva os visitantes de um andar até outro em no máximo 30 segundos.



10- Izmir, Turquia. O Asansör ("Elevador" em turco) foi construído em 1907 como um trabalho de serviço público por um rico banqueiro judeu e comerciante. O objetivo era facilitar a passagem entre a linha costeira estreita de Karata e a encosta.




Queria ir no 1, 3, 4, 5, 6 e 9. “Só”.

Assim até quem tem medo de elevador perde o pavor.

Teca Machado

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Quantas vezes você já lavou as suas mãos hoje? – Contágio, um caos totalmente plausível


Mais um filme de fim dos tempos essa semana. Mas, diferente de Oblivion (Que eu comentei aqui), Contágio não mostra o mundo pós-apocalíptico, e sim o momento em que a catástrofe acontece. É impossível assistir sem se preocupar pelo menos um pouquinho com a transmissão de vírus letais e desconhecidos. Germofóbicos que assistiram esse longa devem ter entrado em pânico e ficado sem tocar nada e nem ninguém por uns dias (Eu mesma fiquei contanto quantas vezes toco o rosto por minuto – E eu acabei de coçar o nariz, droga!).



Contágio é um filme que incomoda pelo fato de que é plausível e perfeitamente apto a acontecer na vida real (Ainda mais no último mês em que se tem falado do novo tipo de gripe aviária, que muitos dizem ser pior do que a anterior). Mais do que filmes de terror e suspense com mortos, monstros, espíritos e outros seres sobrenaturais, Contágio assusta pelo fato de que um vírus é dificílimo de ser mantido em “cativeiro” e que o ser humano é muito mais perigoso do que qualquer uma dessas coisas. 

Em busca de uma vacina

Quando instado ao pânico, o homem se transforma num animal e segue apenas seus instintos de sobrevivência. Thomas Hobbes estava certo ao dizer que os seres humanos no estado de natureza estão inerentemente em uma "guerra de todos contra todos", e a vida neste estado é em última instância "desagradável, bruta, e curta”. Contágio mostra bem isso. Quando o pânico e o medo passam a tomar conta da sociedade, todas as leis e a ordem que regem o mundo são postas ao chão, pois todos querem um antídoto, independente dos meios que precisam para fazer isso.

As cidades viram o caos

Contágio começa com Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) voltando para os EUA depois de uma viagem à China. Dois dias após, o que parecia ser apenas uma gripe mata a mulher e seu filho e as condições da morte são estranhas. Outras pessoas ao redor do mundo começam a ter os mesmos sintomas e a falecer. Logo a doença se espalha em proporções astronômicas e o que era uma simples preocupação da OMS (Organização Mundial de Saúde) e do Governo americano se torna situação de emergência matando milhões de pessoas. Começa assim uma corrida pela descoberta da cura da MEV-1 (Nome dado ao vírus), enquanto tentam descobrir de onde a doença veio. Por mais que as autoridades tentem não colocar medo nas pessoas, o caos se instala e a situação perde o controle.

A paciente zero na China

O interessante de Contágio é que não mostra a visão do apocalipse eminente apenas de um personagem, mas de vários deles que estão em esferas diferentes da sociedade. Mitch Emhoff (Matt Damon) é um pai de família, viúvo de Beth, que é imune a doença e tenta a todo custo preservar a filha. Dr. Ellis Cheever (Laurence Fishburne) está a frente das pesquisas e da organização dos doentes junto com a Dra. Erin Mears (Kate Winslet) e a Dra. Ally Hextall (Jennifer Ehle). A Dra. Leonora Orantes (Marion Cotillard), membro da OMS, vai ao lugar inicial da doença tentar descobrir de onde surgiu e acaba refém. Enquanto isso, Alan Krumwiede (Jude Law, seu lindo!) é um repórter e blogueiro que mais cria o medo do que ajuda em alguma coisa.

Matt Damon como Mitch Emhoff

Como o filme é de Steven Soderbergh, já era de se esperar uma reunião de grandes estrelas e nenhum protagonista. Ele soube aproveitar todos os atores sem focar mais em um ou em outro. A fotografia do filme é sempre meio soturna, invernal e com cores sóbrias. Isso mostra o estado de espírito dos personagens. As únicas partes coloridas e alegres são quando mostram cenas da viagem de Beth para a China, antes de tudo isso acontecer.

Marion Cotillard, uma das estrelas do time de Soderbergh

Fica claro desde o início que o contágio da MEV-1 é feita pelo contato direto. Então, o toque passou a ser algo evitado pelas pessoas. O diretor utilizou recursos de close up em objetos e mãos que dão ainda mais aflição ao espectador. Mostra os doentes tocando comida, copos, corrimãos e pessoas. Você sabe que o vírus está ali, apesar de não vê-lo (Óbvio), e isso deixa uma certa apreensão e pensamento de “Eu nunca mais vou tocar em nada. Eu nunca mais faço nada sem desinfetar as mãos. Eu nunca mais pego na mão de ninguém”.

Busca alucinada pela cura do Dr. Cheever e da Dra. Hextall

Contágio é muito bom e um tanto aterrorizante.

Recomendo.

Teca Machado

P.S.: Quantas vezes você já lavou as suas mãos hoje?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Astronauta – Dia da Literatura Infantil


Não existe nada como a imaginação de uma criança. Elas já são por natureza mais inventivas do que o do resto da população. Se for uma que gosta de ler, então, ninguém segura.

No dia 18 de abril, quinta-feira passada, foi o Dia da Literatura Infantil. Para comemorar, algumas escolas fizeram trabalhos envolvendo o tema.

Em Governador Valadares - MG, cidade dos meus pais e onde eu ainda tenho tios, primos e a minha avó, a escola da minha prima Ana Clara pediu para que as crianças escrevessem livrinhos. Ela, que tem 7 anos e é extremamente inteligente, escreveu uma tão bonitinha que quis compartilhar com vocês:

Título: O astronauta
Autora e ilustradora: Ana Clara Franco Mendes


"Um astronauta foi para o espaço e ele acabou preso na lua, ele ficou lá dez anos e ele teve um treco no cérebro.

E pior o foguete estava sem gasolina, como ele vai voltar para casa? Ele vai ter que pegar pedras de asteroide e depois pegar pó de lua, brilho de estrela, tinta de saturno, poeira de saturno e luz do sol.

E você pensa que ele é bobo? Fez tudo isso e claro que ele ficou muito cansado e você acha que ele conseguiu voltar para casa? Não conseguiu, não adiantou nada, ele não sabia pôr a gasolina no foguete e a pilha também tinha acabado.

Como que o foguete vai funcionar? 


E ele teve um treco no cérebro de novo e pior também teve uma embolia pulmonar.

Ele devia ir para o hospital, mas na lua, como ele vai para o hospital? Eu acho que devia ter uma ambulância no espaço.

Aí um amigo dele que também era astronauta foi no espaço, e você acha que ele também ficou preso?  Não, foi lá e resgatou o amigo, depois ele foi para o hospital, não morreu, mas encerrou sua carreira”.

Essa é a Ana Clara, escritora de O Astronauta

Só me digam uma coisa: De onde uma criança de 7 anos tirou a “embolia pulmonar”? Haha.

Meus tios sempre incentivaram a Ana Clara a ler, a escrever, a ver filmes e a ter joguinhos educativos. Isso fez toda a diferença na alfabetização dela.

Por isso leitura e cultura são tão importantes para a formação de uma criança, de uma pessoa. Eu sou uma ferrenha incentivadora da literatura (Então, por favor, leiam os livros que eu escrever, haha. E já tem um quase saindo do forno, em fase de diagramação e revisão! Em breve vocês vão conhecer a Alice, minha protagonista. AGUARDEM!).

Teca Machado

quarta-feira, 24 de abril de 2013

“Sou vilão e isso é bom” – Detona Ralph


Detona Ralph, desenho da Disney, tem como a primeira cena um grupo de ajuda anônimo onde os participantes são vilões de videogames conhecidos pelo público com 20 anos ou mais (Rei de Copas, do Mário, aquele cara parecendo um besouro, do Sonic e outros). É lá que Ralph, um demolidor do jogo de 8 bits Conserta-Tudo-Felix-Jr, conta as amarguras de ser não ser querido por ninguém, já que o mocinho e protagonista foi o Felix Jr ao longo dos seus 30 anos trabalhando no jogo. Ele não se importa de ser o vilão, afinal, é apenas um trabalho, mas o problema é que seus colegas o discriminam também na vida real (Real entre aspas, né?), quando o expediente acaba depois do último Game Over do dia. Tudo o que ele é quer é ser amado e não precisar morar no lixão.



Quando o mocinho, no caso o Felix Jr, vence o jogo, ele ganha uma medalha. Para mostrar que no fundo tem um coração bom, Ralph decide que quer uma medalha de qualquer jeito, mesmo que tenha que ir para outro jogo. O problema é que ele escolhe um de super realidade de atiradores em primeira pessoa que mostra um mundo invadido por alienígenas-insetos terríveis, que são letais para outros jogos como vírus de computador. Após bagunçar tudo por lá, Ralph e um dos aliens vão parar no adorável Sugar Rush, um jogo de corrida onde tudo é doce, rosa, colorido e cheio de açúcar. Como Ralph está longe de ser delicado, ele praticamente coloca o jogo abaixo sem querer.

Reunião dos vilões anônimos

Logo que chega ao Sugar Rush, um bug da programação no formato de menininha chamada Vanellope Von Schweetz rouba a medalha de Ralph. Enquanto brigam e se odeiam, vão criando uma relação de amizade super fofa do grandalhão e da cuti cuti. Ela quer participar da corrida, mas por ser bug, ninguém deixa. Então o grande vilão e demolidor a ajuda.

Layout do jogo do Ralph

Apesar de usar videogames em filmes não ser totalmente original, Detona Ralph conseguiu inovar em muitos aspectos. É interessante ver como após o fliperama fechar os personagens dos jogos ganham vida, tipo Toy Story. Eles pulam de um jogo para o outro utilizando uma estação de trens que passa pelos fios dos equipamentos. Sacada genial.

A estação central dos jogos

A parte visual de Detona Ralph foi muito bem bolada. Todos os jogos e ambientes têm a sua característica marcante. No Conserta-Tudo-Felix-Jr e outros jogos mais antigos, os personagens são feitos com traços simples e movimentos “quebrados”, já os mais novos são muito mais complexos. Em determinado momento, Felix Jr conhece Calhoun, guerreira do jogo dos alienígenas-insetos, e comenta “Nossa, olha que alta definição o seu rosto”.

Personagens principais

O mundo do Sugar Rush é um deleite a parte. Você fica com vontade de lamber a tela da televisão (Mas eu juro que não fiz isso). Não posso deixar de comentar a torcida de docinhos nas corridas (Minha sobrinha de quatro anos fica enlouquecida toda vez que ela aparece). As arquibancadas são cheias de caramelo, balinhas, pirulitos e marshmallows que torcem pelo seu corredor preferido. É muito bonitinho!

Visual do Sugar Rush

Como Detona Ralph é da Disney, óbvio que tinha que ter um fundo de moral com o grandalhão tendo um bom coração, um final mega feliz e uma princesa (Mesmo que fora dos moldes padrões). Mas tudo bem, nós já esperamos isso mesmo do estúdio (E gostamos dele talvez por esse motivo). É um desenho engraçadinho, divertido e ótimo para desanuviar a mente em todas as idades.

Ela é só um pouco maior que a cabeça dele, haha

Eu assisti dublado e acho que foi melhor do que no original.  No inglês John C. Reilly foi Ralph, Sarah Silverman foi Vanellope, Jack McBrayer foi Felix e Jane Lynch foi Calhoun. Tirando a última, não gosto dos outros. Em português Ralph foi Tiago Abravanel, Vanellope foi Marimoon e Felix Jr o ex-CQC Rafael Cortez. 

Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 23 de abril de 2013

A Terra destruída mais uma vez - Oblivion


Hollywood adora acabar com a Terra. Se for para destruir Nova York, mostrando a Estátua da Liberdade sucumbindo, melhor ainda. Frio, calor, meteoros, zumbis, máquinas revoltadas, doenças, alienígenas, guerras nucleares, maremotos, terremotos... As maneiras de dar um fim no planeta e na humanidade são várias. O mais novo lançamento do tipo é Oblivion, com Tom Cruise, que está à frente de bilheteria no mundo inteiro.


A premissa do filme no início não é nenhuma invenção da roda, mas depois vai ficando bem mais interessante. Em 2017, aparecem os Scavs (Ou Saqueadores), alienígenas que vão de planeta em planeta invadindo e drenando os seus recursos naturais (Etês sempre são assim: Ou querem nossos recursos ou simplesmente querem nos matar). Quando é a vez da Terra, eles atacam primeiro a Lua. Depois que o satélite é despedaçado, o globo terrestre perde todo o seu ritmo natural e acontecem terremotos, maremotos e outras calamidades que matam grande parte da humanidade. Então chega a hora dos alienígenas descerem no solo para terminarem o serviço. Os homens não se rendem com facilidade e uma guerra nuclear é armada para acabar com os invasores. A humanidade vence a guerra, mas perde o seu planeta.

O que sobrou dos prédios de NY

Aqueles que não morrem são realocados em Titã, uma das luas de Saturno. Para sobreviver no espaço é preciso transformar a água do mar da Terra em energia nuclear, por isso há máquinas nos oceanos fazendo isso. Em 2077, 60 anos depois do ataque, cabe a Jack (Tom Cruise, num papel que lhe cabe muito bem) e a Vika (Andrea Riseborough, muito boa também) ficar na destruída Terra e fazer a manutenção dos equipamentos e afastar deles os Scavs remanescentes. Uma equipe eficiente que garante a sobrevivência em Titã.

Jack e as máquinas que drenam o mar

Para que não revelem informações relevantes aos Scavs caso sejam capturados, Jack e Vika têm a sua memória apagada. Ela vive bem com isso, mas ele sempre sonha com uma mulher (Olga Kurylenko), numa Nova York pré-destruição que ele nem ao menos chegou a conhecer.

Tom Cruise, como em todo filme de ação, todo estourado

Faltando apenas duas semanas para cumprirem o seu tempo de missão na desolada Terra, Vika não vê a hora de se juntar ao resto das pessoas. Jack não quer sair do planeta. Ele sente amor e carinho pelo lugar, sabe que é o seu lar e não quer abandoná-lo, principalmente quando vai ao seu refúgio secreto, uma cabana num lago onde guarda objetos que encontra pelas suas andanças. Quando uma nave não identificada caí na Terra e Jack encontra como sobrevivente a mulher com quem sonha, vai descobrindo verdades que não foram ditas a ele e a Vika.

Vika é o centro do comando na Terra

A história de Oblivion é interessante e tem um fechamento muito legal. Eu gostei muito do filme (Meu namorado não gostou nem um pouco, mas dou um desconto porque ele detesta ficção-científica, coisa que eu amo). Apesar da história da destruição trazida por aliens, o enredo é bem diferente daquilo que estamos acostumados a ver. 

Jack e a mulher dos seus sonhos. Literalmente.

O visual de Oblivion é impecável. A Terra acabada tem um quê de melancolia, mas sem ser exagerada. As cores predominantes são sóbrias. A casa acima das nuvens da Jack e Vika é um deleite arquitetônico (Da piscina, então, nem se fala!). Minimalista, recheada de branco, cinza e azul, ela é quase impessoal, não fosse a foto do casal. As naves são futurísticas sem serem muito caleidoscópicas. O diretor Joseph Kosinski (De Tron – O Legado) fez um excelente trabalho nesse sentido (Ainda mais porque ele é também arquiteto).

A casa da equipe eficiente

Muitos críticos acharam a história de Oblivion fraca. Eu não concordo. Acredito que foi bem amarrada e com explicações coerentes. Talvez foca um pouco demais no triângulo amoroso criado e na vida que Jack tenta lembrar, mas não achei cansativo e nem menos monótono, pelo contrário.

A nave de Jack que parece bolhinha de sabão

Um ponto negativo foi que Morgan Freeman (Um dos melhores do universo) e Nikolaj Coster-Waldau (De Game of Thrones), ambos excelentes atores, foram mal utilizados e são quase como figurantes de luxo. Acho que os personagens deles poderiam ter sido mais bem explorados.

Vika

Há umas semanas, ao perguntarem ao Tom Cruise quando ele vai parar de fazer filmes de ação, ele respondeu que talvez quando chegar aos 100 anos. Espero que ele cumpra a promessa, porque ele é um dos melhores do segmento e mostra isso em Oblivion.

Recomendo muito.

Teca Machado