segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Resumão do Oscar


O que tem aqui todo ano na segunda-feira pós-Oscar?

RESUMÃO DA TECA!

Hahahahaha.

Vou postando na internet em tempo real e no dia seguinte coloco tudo o que rolou de interessante aqui para vocês, porque nem todo mundo tem paciência para ver a cerimônia que dura umas três horas e tanto.

Vem comigo!

1- Justin SEXY Timberlake deu start no Oscar quando entrou no teatro cantando e dançando Can't Stop The Feeling. OSCAR 2017, JÁ ESTOU TE AMANDO! 
2- Justin achou sua esposa Jessica Biel no meio do público e deu uma agarrada nela no meio da música. 



3- Jimmy Kimmel, o apresentador, deu uma faladinha de Trump sem citar nomes. #tortadeclimão
4- Ok, agora ele citou o Trump. 
5- "Os negros salvaram a Nasa e os brancos salvaram o jazz". 
6- La La Land está concorrendo a 14 Oscars. A mesma idade do diretor Damien Chazelle, segundo Kimmel. 
7- Meryl MARVILHOSA Streep está concorrendo ao 20º Oscar (recorde!) e foi aplaudida por todos de pé. 


8- Kimmel diz que fica tenso ao fazer um discurso no Oscar e saber que o presidente dos EUA vai fazer um comentário no Twitter. 
9- E quem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi Mahershala Ali, de Moonlight. 
10- Ainda não vi a maravilinda Sofia Vergara e seu marido bonitão. Cadê eles?
11- Quem diria que Esquadrão Suicida ia ganhar um Oscar? Levou por Melhor Maquiagem. 
12- Animais Fantásticos e Onde Habitam também ganhou um, de Melhor Figurino (La La Land já perdeu um, mas ainda tem outros 13 para tentar). 
13- Katherine Jonhson, a protagonista da vida real de Estrelas Além do Tempo, tem 98 anos e está lá no palco toda linda. 
14- Kimmel contou uma piada. Todo mundo riu. Mel Gibson que estava no canto da tela riu segundos depois #lag
15- A música de Moana foi cantada. Let It Go mandou beijos de saudades, Disney. 
16- Reciclaram a pira olímpica como o sol do cenário do palco de Moana. 
17- MENTIRA QUE CHOVEU DOCE! Meu sonho da vida. 


18- Jackie Chan <3 
19- É da Viola, minha genteeeeeeeeee! Sua maravilhosa. Levou por Melhor Atriz Coadjuvante. 
20- Os discursos da Viola Davis são sempre incríveis. 


21- Passa ano, entra ano e o Chris Evans continua lindo. 
22- Charlize Theron NUNCA erra e SEMPRE está linda, diva, suprema. 


23- Fui fazer pipoca e perdi um pedaço do Oscar! Mas tudo bem, era só o prêmio de Melhor Mixagem de Som. 
24- O diretor iraniano de O Apartamento, que ganhou Melhor Filme Estrangeiro, não foi na cerimônia. No discurso que enviou disse que foi em respeito ao seu povo e o das outras 64 nações que foram proibidas por Trump de entrar nos EUA. 
25- Enquanto passava a música de Moana, achei que os dançarinos tinham acertado um pano na cara da cantora. Agora com os memes vi que não estava louca. 


26- Ó, que surpresa, Disney ganhou Melhor Animação. Zootopia levou. Eu ainda não vi. 
27- Dakota Johnson está parecendo uma gema de ovo metalizada. 


28- La La Land ganhou seu primeiro socar: design de produção. Foi merecido!
29- Queria eu estar nesse ônibus de turistas que foi levado de surpresa ao Oscar. 
30- A moça ganhou um beijinho do Ryan Gosling. Eu morria do coração. E o Denzel "casou" um casal. 


31- O cara tirou uma selfie com o Oscar no Mahershala #mito
32- Peraí! Dr. Estranho não ganhou por Melhores Efeitos Especiais? Oi?
33- Seth Rogen, De Volta Para o Futuro também moldou minha infância. 
34- AI, MEU DEUS! O DELORIEN ESTÁ NO PALCO!


35- Realmente, o Mel Gibson parece o meu pai. 
36- Numa homenagem ao cinema, apareceram Lázaro Ramos e Seu Jorge. 
37- O garotinho de Lion é a ala da fofura de 2017. 
38- Jimmy Kimmel e o menino de Lion refizeram a cena icônica de O Rei Leão, hahaha. 


39- Jimmy Kimmel mandou tweets para o Trump. Inclusive disse que a Meryl Streep mandou oi. 
40- City of Stars, meu coração é seu. 
41- John Legend é o nome  no cenário musical hoje. 


42- Por que Ryan Gosling e Emma Stone não cantaram?
43- Coitados dos filmes que concorreram com La La Land em trilha sonora...
44- Amo várias músicas que estão concorrendo a Melhor Canção Original, não consigo decidir para quem torço (e quem levou foi City of Stars). 


45- Jennifer Aniston não está com uma fenda no vestido, está é faltando um pedação mesmo.
46- Ah, a seção dos que morreram em 2016 :( Vai ser tão longa e triste!
47- O russo de Star Trek, Gene Wilder, o brasileiro Héctor Babenco, Debbie Reynolds e Carrie Fisher. O coração até dói. 


48- Por que Jimmy Kimmel zoa tanto Matt Damon?
49- Tá, confesso, eu dei uma dormidinha, mas acho que não perdi nada importante. 
50- Ô, Casey Affleck, você é tão bonito, porque essa barba tão horrorosa? Eu adoro barba, mas não essa sua. 
51- Amy Adams, pena que esqueceram você esse ano!
52- Acho que a Amy Adams pagou peitinho. Ou foi impressão?
53- Todo mundo achou que Um Limite Entre Nós ia levar como Melhor Roteiro Adaptado, mas ainda bem que foi Moonlight, porque foi tããão chato...
54- Não para de chover doces na cerimônia! Queria estar lá!



55- Halle Berry está a fuça da Diana Ross jovem.  


56- O Damien Chazelle tem 32 anos e um Oscar de Melhor Diretor por La La Land, fora a indicação por Whiplash. E eu aqui com 29 e nem fiz um vídeo decente no YouTube. 
57- Sinto tanta falta de ver Jack Nicholson na primeira fila do Oscar. 
58- Brie Larsson está apenas deslumbrante. 


59- O tom do azul dos olhos de Casey Affleck é uma coisa de doido. 
60- O Aragorn tem quase 60 anos???


61- Chocada que Denzel Washington não levou, mas o Casey Affleck deu muito show em Manchester À Beira-Mar. 
62- Affleck disse que quem o inspirou a ser ator foi o Denzel e o veterano chorou. Ou será que chorou porque perdeu?
63- Ben Affleck emocionou pelo irmão. 
64- Leeeeeeeeeo DiCaprio, você por aqui. Saudades. <3
65- Emma Stone levou por Melhor Atriz. Está tão maravilhosa! Amo ela desde Minhas Adoráveis Ex-Namoradas e A Mentira. 


66- Os indicados a Melhor Filme são todos tão diferentes uns dos outros!
67- La La Land como Melhor Filme, essa lindeza que tocou meu coração. Merecido. 
68- Aconteceu o mesmo que no Miss Universo: LERAM O CARTÃO ERRADO COM O VENCEDOR! Não foi La La Land, foi Moonlight. Deram para o apresentador o cartão do prêmio anterior, que era da Emma Stone. Todo mundo já estava no palco e teve que descer. 

O momento fatídico em gifs:


O pessoal da La La Land mostrando o nome certo do cartão



Agora o bafão em vídeo:


Considerações finais do Oscar 2017

1- Eu ia já falar que estava total sem muita emoção esse ano sem poder torcer pelo DiCaprio e tals, ATÉ QUE ANUNCIARAM QUE LA LA LAND ERA O VENCEDOR DE MELHOR FILME, MAS NA VERDADE ERA MOONLIGHT. 
2- O Oscar é o novo Miss Universo. 
3- Steve Harvey (apresentador do Miss que anunciou a Colômbia, quando a vencedora era a Filipinas) mandou lembranças. 
4- Os americanos estão MUITO bravos com o Trump e falaram isso no Oscar 80 vezes.
5- La La Land não levou Melhor Filme, mas foi o favorito da noite. 
6- Moonlight foi o único filme que não vi porque faltou tempo. 
7- Oscar sem torcer pelo DiCaprio não tem graça.

UPDATE: A produção de 2017 serviu mais uma torta de climão: No In Memorian colocou a foto de uma mulher viva. O.O

E aí, o que acharam do bafão do ano?

#OscaréonovoMissUniverso


Teca Machado

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo – Maratona Oscar 2017


Figuras escondidas. Esse é o nome original do filme Estrelas Além do Tempo, do diretor Theodore Melfi, que faz parte dos indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2017. O título no inglês faz muito mais sentido – e mostra muito melhor a essência do filme – do que a versão brasileira. Mas o que eu posso dizer é que se trata de uma história muitíssimo bem contata e com grandes atuações.


O mais incrível é que estamos falando sobre um filme baseado numa história real (assim como Lion e Até O Último Homem), o que deixa o enredo ainda mais interessante – e por vezes revoltante, principalmente nas sequências em que vemos a força da segregação racial nos EUA nos anos 1960.

Estrelas Além do Tempo gira em torno de três mulheres altamente inteligentes e negras que trabalharam na Nasa como matemáticas (isso significa fazendo todos os cálculos a mão) em plena corrida espacial. Elas mudaram o rumo dos acontecimentos, ajudando até mesmo a colocar o homem no espaço e na Lua. Mas não era simples ser mulher e ser negra nessa época, ainda mais num ambiente tão pesado. E a cada obstáculo que aparecia no caminho delas (e eles foram muitos), a vontade de crescer e se impor era ainda maior.



O enredo foca mais em Katherine Gobles (Taraji P. Henson), um gênio da matemática desde criança. Quando ela é designada para o setor mais importante da Nasa, o que fazia os cálculos dos foguetes, precisa enfrentar o racismo de estar numa sala só de brancos e só de homens, a única outra mulher é a secretária. E o preconceito fica bem claro quando a superiora de Katherine, interpretada por Kirsten Dunst, diz para ela que precisa se comportar, afinal, nunca tiveram uma funcionária negra naquela sala. Além disso, o banheiro para “colored ladies” ficava em um prédio a 800 metros, fazendo com que a protagonista tivesse que correr mais de 1,5 quilômetros apenas para fazer xixi.

Suas melhores amigas e colegas de trabalho são Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe). Dorothy foi considerada uma das mentes mais brilhantes que já passaram pela Nasa. Quando seu trabalho ficou ameaçado pela chegada de um computador que fazia cálculos muito mais rápidos, ela foi a única que aprendeu a trabalhar nele. E Mary Jackson, que já tinha duas graduações nas áreas de exatas, foi a primeira mulher negra a se tornar engenheira espacial.



As três atrizes protagonistas são excelentes. Não há absolutamente nada para se criticar no trabalho delas, tanto que Octavia Spencer é uma das indicadas ao Oscar de Atriz Coadjuvante. A sua personagem é uma das que mais enfrenta e luta contra o preconceito, sambando na cara de quem a ofende com pequenas frases que querem dizer muito nas entrelinhas. Dá vontade de ser amiga delas, lutar com elas pelos seus direitos e comemorar todas as conquistas.

No elenco de apoio, além de Kirsten Dunst, estão Kevin Costner, como um dos chefões da Nasa e superior direto de Katherine, e Jim Parsons, colega arrogante que parece um Sheldon ainda mais mal humorado do que o normal. O personagem de Costner é de extrema importância para o crescimento de Katherine dentro da Nasa e ele o faz como sempre fez: bem feito.



Um dos maiores trunfos de Estrelas Além do Tempo é que o filme não cai no vitimismo e é muito bem humorado. Poderia ser assim dramático, já que material para isso tem. Apesar da segregação por vezes escancarada e por vezes velada pelas quais as personagens passam, tudo isso só faz com que tenham mais ambição e mais vontade de mostrar o seu valor. 

Com a fotografia muito bonita e um figurino de babar (sou suspeita, amo os anos 1960), a trilha sonora só deixa a produção ainda mais leve e divertida. Não é uma comédia, mas tem um timing cômico muito bom, principalmente com o trio principal.


Estrelas Além do Tempo, que foi baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, publicado no Brasil pela Harper Collins, é um dos melhores filmes que estão concorrendo ao Oscar esse ano (Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado).

Livro que deu origem ao filme

Katherine, Mary e Dorothy - Personagens e mulheres reais

Recomendo muito.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Estrelas Além do Tempo – Assistido!
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo

Teca Machado



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Manchester À Beira-Mar – Maratona Oscar 2017


Vamos continuar a maratona do Oscar com nó na garganta.

Passei o tempo quase todo de Manchester À Beira-Mar com vontade de chorar. Chorar pela vida de Lee Chandler (Casey Affleck), cujo sofrimento foi um dos maiores que já vi. Chorar pela vida que ele poderia ter tido. Chorar pela pessoa que ele teve que se tornar para não morrer de tristeza. Chorar pela sua solidão de certo modo autoimposta. O filme, que está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Filme, é uma viagem dentro da dor de Lee.


Manchester À Beira-Mar, do diretor Kenneth Lonergan, que também assina o roteiro, é um filme sobre perdas, sobre como seguir em frente quando a culpa é totalmente sua. O perdão dos outros pode até vir e ajudar a aliviar um pouco o fardo, mas se você próprio não se deu o perdão, nada mais adianta.

Na história acompanhamos Lee Chandler (Affleck), um zelador de prédios em Boston totalmente antissocial, solitário e com tendência a violência sem motivo. Quando recebe a notícia de que seu irmão Joe (Kyle Chandler) faleceu, Lee precisa voltar à sua antiga cidade, Manchester, para lidar com a burocracia de enterrar o irmão e descobre que se tornou tutor do sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges). Apesar dos fantasmas do passado que rondam Lee pelas ruas de Manchester, ele precisa enfrentar muito mais do que estava preparado.



O filme não é cheio de ação e mesmo os diálogos são curtos e escassos – o contrário de Um Limite Entre Nós, que comentei ontem e tem monólogos que duram infindáveis minutos. Muito é dito pelos olhos dos atores, pela linguagem corporal e pelas curtas frases cheias de significado, mesmo quando não aparentam ter importância nenhuma. Isso pode afastar algumas pessoas do cinema, principalmente as que preferem blockbusters. Mas Manchester À Beira-Mar é paciente, é calmo, é doloroso e é devastador. O roteiro de Lonergan “engole” o espectador, já que nos grudamos a Lee, principalmente quando descobrimos, num timing perfeito do filme, o motivo de ele ser tão traumatizado e machucado.

O diretor optou por não nos mostrar de cara toda a história por trás de Lee, e isso é um grande trunfo no enredo. Ele vai sendo explicado por meio de flashbacks que aparecem nas horas mais oportunas. Não é um grande mistério, mas as peças do quebra-cabeça vão se juntando. Muito é contado e explicado por meio do não dito, por meio de frases aparentemente aleatórias.


Casey Affleck é um dos favoritos a levar o Oscar de Melhor Ator. E com motivos! No início achamos que sua atuação é apática e sem grande interesse, mas com o passar do filme vamos descobrindo a complexidade do personagem, como Casey passou o tom que era preciso a cada cena e entendemos que o seu trabalho foi magnífico. Seu papel é dificílimo de ser interpretado. Torço por ele e por Andrew Garfield, de Até O Último Homem (Comentei aqui).

O protagonista faz um trabalho incrível, mas o elenco de apoio por trás dele ajuda a erguer ainda mais o filme. Lucas Hedges, o sobrinho, nem parece um ator estreante, tanto que está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Ele faz um Patrick aparentemente indiferente à morte do pai, mas mostra todo o seu sentimento contido no momento em que tem um surto ao ver carnes no freezer, uma alusão ao pai que está num freezer do necrotério até o inverno passar e ele poder ser enterrado. Michelle Williams, que interpreta a ex-mulher de Lee, passa pelo mesmo que Nicole Kidman em Lion (Comentei aqui). Pouco aparece, mas em uma cena específica – extremamente dolorosa de assistir - o motivo da sua indicação ao Oscar como Atriz Coadjuvante fica claro.



O filme está concorrendo em seis categorias (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e em si já é considerado um vencedor, pois é o primeiro filme produzido para streaming que concorre as principais categorias da premiação. Ele foi produzido pela Amazon.

Recomendo.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Estrelas Além do Tempo
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar – Assistido!

Teca Machado


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um Limite Entre Nós – Maratona Oscar 2017


Fiquei cansada. Bem cansada. Um Limite Entre Nós, do diretor e ator Denzel Washington, é um filme que cansa o espectador. Diálogos muitíssimo longos e nenhuma ação, epifanias e ressentimentos e amarguras, além de muita injustiça e atuações fantásticas. Esse é mais um dos filmes indicados ao Oscar em 2017.


Um Limite Entre Nós é e não é filme. É e não é teatro. O enredo é a adaptação da peça Fences (Cercas) dos anos 1980 e que ganhou vários prêmios no segmento. No que foi transformada em roteiro para cinema, o diretor, que também faz o papel do protagonista, optou por manter a aura do teatro. Ela não chega a ser uma peça filmada, mas também não chegar a ser um filme comum. Os personagens são poucos, os cenários menos ainda e tudo gira em torno de conversas, debates e discussões. Conversas que mais parecem monólogos, na verdade. E são nesses momentos que Denzel Washington e Viola Davis mostram toda a força dramática que têm.

A história gira em torno de uma família de Pittsburgh nos anos 1950 que precisa enfrentar os problemas que negros dos EUA na época eram submetidos. Injustiças no trabalho e na vida comum, além de serem considerados inferiores. O pai é Troy (Denzel), um homem completamente amargurado com a vida que tem, mesmo que viva em razoável conforto financeiro e tenha uma esposa que ama. Rose (Viola) é a típica mulher da época, que vive pelo marido e pelos filhos, que deixa seus sonhos de lado para cuidar dos outros. E há ainda o filho mais velho Lyons (Russel Hornsby), um bom vivant, Cory (Jovan Adepo), o caçula que morre de medo do pai, Gabe (Mykelt Williamson), irmão de Troy com problemas mentais, e Jim Bono (Stephen Henderson), amigo do patriarca.



Troy não chega a ser um vilão, nem mesmo um anti-herói, mas não é de causar simpatia no público. Apesar de que em momentos que conta passagens da sua vida é possível se solidarizar com esse homem sofrido – e que faz sofrer aqueles ao seu redor. Ele, no fim das contas, se tornou um espelho do pai que tanto odiava e desprezava. O ambiente em que viveu o moldou.

Não há dúvidas que Denzel e Viola fazem um trabalho magistral. E pela segunda vez! Anos atrás ambos participaram da peça de teatro que originou a produção. As duas indicações ao Oscar são mais do que justas. E falam por aí que Viola é a favorita (óbvio, é a diva Viola, né, gente) na categoria Atriz Coadjuvante. Denzel, apesar de queridinho de todo mundo (porque ele é muito maravilhoso, convenhamos) talvez não leve, porque dizem que Casey Affleck está com mais chances. 



Como o filme é todo sustentado por monólogos e discussões, excelentes atores são o que seguram o espectador nas 2h18 de produção. Só eles – e o fato de que eu me comprometo a assistir todos os filmes indicados na categoria para trazer para vocês – me fizeram continuar assistindo.

A cerca em questão, que é o nome do filme em inglês e da peça, é uma metáfora muito bem utilizada no filme. Troy passa o tempo quase todo construindo uma cerca, ou enrolando para construir a bendita. Ela pode ser usada para manter do lado de fora quem não pode entrar. Ou manter do lado de dentro aqueles que estão dentro dos seus limites. E essas duas opções de analogias são utilizadas por essa família de certa forma presa em sua etnia e em seus problemas.


O filme não é ruim, pelo contrário. Só que Um Limite Entre Nós tem aquele estilo que crítico de cinema e de teatro gosta, o que muitos podem achar chato (eu confesso que achei meio chato. Foi um filme muito longo...). As chances de levar a estatueta com o maior prêmio da noite são pequenas, mas Viola, Denzel e o roteiro adaptado estão mais do que no páreo.

Recomendo só para quem curte o gênero.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Estrelas Além do Tempo
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós – Assistido!
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar

Teca Machado

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lion: Uma Jornada Para Casa – Maratona Oscar 2017


Continuando a maratona para o Oscar 2017, o filme de hoje é daqueles que vai fazer você chorar e ao mesmo tempo fazer o seu coração se encher de amor: Lion – Uma Jornada Para Casa, do diretor Garth Davis.


Assim como outros dois indicados (Estrelas Além do Tempo e Até o Último Homem), Lion é baseado numa história real, do livro Uma Longa Jornada Para Casa, de Saroo Brierley, que é o protagonista dessa história comovente.

Saroo (o incrivelmente fofo e talentoso Sunny Pawar) é um garotinho indiano de cinco anos que venera o irmão mais velho Gudu (Abhishek Bharate). Muito pobres e de um pequeno vilarejo no interior da Índia, eles ajudam a mãe com bicos, pequenos roubos e trabalhos infantis. Até que certo dia, quando acompanha o irmão num emprego, Saroo se perde acidentalmente de Gudu e vai parar em Calcutá, a mais de 1600 quilômetros de casa. Ele chega numa cidade gigante, sem nem saber falar a língua e precisa sobreviver.



Nosso garotinho passa por maus – muito maus – bocados, daqueles de partir o coração, até que é adotado por Susan e John (Nicole Kidman e David Wenham), um casal australiano muito bondoso que o leva para a Tanzânia.

Vinte anos se passam. Saroo (agora interpretado por Dev Patel, de Quem Quer Ser Um Milionário?) é adulto, mas o vazio de ter se perdido da família biológica fica. Ele não é ingrato a Susan e John, muito pelo contrário, os ama de coração. Só que a dor de imaginar o desespero de sua mãe e de Gudu faz com que Saroo comece uma busca tecnológica por eles. O problema é que ele não lembra o nome da sua cidade, da sua mãe e nem de onde ele veio. Na época, em 2008, surge o Google Earth e Saroo se torna obsessivo nessa procura.



O grande trunfo de Lion é contar uma história comovente sem cair no piegas. O diretor e o roteirista Luke Davies souberam dar o tom certo ao filme, tanto no primeiro ato, com Saroo criança passando por dificuldades, quanto no segundo, com ele já adulto em busca do que ficou para trás. O filme arranca lágrimas sim, principalmente no final, mas não é um dramalhão, não apela para os clichês do cinema. Garth Davis mistura o passado e o presente de Saroo na mesma cena, nos mostrando a obsessão do protagonista.

O pequeno Sunny Pawar é um diamante. Impossível não se apaixonar pelo garotinho logo nos primeiros minutos de filme. Tudo o que o espectador quer é colocar ele no colo e dizer que vai ficar tudo bem. Ele trabalha muito direitinho e foi uma excelente escolha do diretor. E Dev Patel também. Aquele rapaz franzino de Quem Quer Ser Um Milionário? cresceu e se tornou um ator muito bom, que externou bem o sentimento de perda e vazio que o personagem pedia. Seu olhar fica perdido, obsessivo, triste, alegre. Ele externa muita coisa só com os olhos. O que achei estranho foi a indicação dele ao Oscar na categoria Ator Coadjuvante, sendo que é o protagonista.



Nicole Kidman, mesmo que subaproveitada no filme, é a atriz que sempre foi. Ela não aparece muito e eu passei vários minutos me perguntando porque ela foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Até que em uma cena específica ela traz toda a carga dramática que existe dentro de si e entendemos o porquê da indicação. 

Rooney Mara, como Lucy, namorada de Saroo também foi subaproveitada e seu envolvimento com o protagonista parece quase mecânico. Não por causa dela, mas por causa dessa pequena falha de roteiro.  Outro furo na história foi a pouca explicação da relação de Saroo com o irmão adotivo Mantosh (Divian Ladwa), indiano adotado por Susan e John, mas que era extremamente problemático, ao contrário de Saroo que se adaptou bem na nova família.



Lion é um daqueles filmes que marcam a gente, principalmente por ser uma história real e por sabermos que a cada ano mais de 80 mil crianças se perdem dos pais na Índia e acabam nas mãos de pessoas más ou no sistema público, que é terrível. Vale muito a pena assistir.

E uma curiosidade: Apenas no letreiro final realmente entendemos o título do filme. E é maravilhoso.

O livro no qual o filme de baseou, publicado pela Editora Record no Brasil

Recomendo muito.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa – Assistido!
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar

Teca Machado