quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Green Book: O Guia – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eu imaginava que Green Book: O Guia, do diretor Peter Farelly, seria bom. Mas a sensação que fiquei ao final do filme foi a de que ele foi muito mais do que isso. Incrível descreve melhor. Me deixou com o coração quentinho. É aquela produção que eu recomendo de olhos fechados.


Com Viggo Mortenssen (nosso eterno Aragorn, que em nada lembra o personagem, agora envelhecido e com uma barriga imensa) e Mahershala Ali, dois atores sensacionais, Green Book é uma história real. Nos anos 1960, período altamente racista nos EUA (E por acaso deixou de ser?), Doc Shirley (Ali), um negro gênio da música, famoso no meio erudita, vai fazer um tour pelo país e precisa de um motorista que o leve aos concertos. Contrata Tony Vallelonga (Mortenssen), um descendente de italianos brutamontes que trabalhava em boates de NY. Ao passar principalmente nos estados do Sul, ambos não podem ficar nos mesmos hotéis, já que “pessoas de cor” não tinham permissão de se misturar com os brancos. Por isso levam na viagem o Green Book, um guia para que negros pudessem saber onde eram bem-vindos. 

Apesar do tom engraçado do filme, trazido na maior parte das vezes por Tony, seu apetite infinito e tiradas sem noção, Green Book deixa um nó na garganta em vários momentos (a cena da discussão na chuva dói na alma). Doc é um gênio, incrível, educado e um lorde, mas é tratado de forma terrível por causa da sua raça.



O mais interessante do filme é a interação entre Doc e Tony, interpretada de maneira sublime por Mortenssen e Ali. A química é muito forte entre eles. Enquanto o músico é erudito, fino e inteligente ao extremo, Tony é um falastrão, sem modos, mas carismático. Difícil não sorrir com ele. Vemos a evolução de ambos. Tony, antes um racista velado, se torna o maior defensor de Doc. E Doc, tão rígido e sério, passa a se divertir com Tony. E o psicológico dos personagens é bem trabalhado, principalmente de Doc. Com o passar do tempo ele começa a se abrir com Tony e temos um vislumbre de quem é o homem por trás do talento ao piano, o que o moldou.

Num ano que o tema racismo está sendo muito falado no Oscar e com muitos atores, diretores e histórias negras sendo celebradas, Green Book se diferencia dos outros concorrentes (Pantera Negra, Infiltrado na Klan, Se a Rua Beale Falasse) por ser dirigido por um homem branco e contado pela perspectiva de um branco, o que gerou críticas antes do filme ser lançado e amenizadas depois. E quando descobri que Peter Farelly era o diretor, fiquei muito surpresa, porque ele é conhecido por filmes pastelões e nada sérios, como Débi e Lóide, Quem Vai Ficar Com Mary?, O Amor é Cego e Eu, Eu Mesmo e Irene. Quem diria que faria um filme tão delicado e sentimental quanto esse?


Apesar de ser baseado numa história real, parentes de Doc, ainda vivos, afirmam que a amizade entre a dupla nunca existiu e que o filme foi uma “cascata de mentiras”. Ao mesmo tempo, a família de Tony afirma o contrário, usando inclusive trechos de entrevistas do músico que confirmam isso. Seu filho, Nick Vallelonga, é um dos roteiristas.

Sendo verdade ou não, o que importa é que Green Book: O Guia é um excelente filme, um tapa na cara da plateia e divertido ao mesmo tempo que emociona. 


Não deixe de ouvir a trilha sonora. Está linda.

A produção está concorrendo ao Oscar 2019 por Melhor Filme, Melhor Ator (Mortenssen), Melhor Ator Coadjuvante (Ali) e Melhor Roteiro Original.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia (Assistido)

Teca Machado

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Mais Lindo Que a Lua - Resenha


Que a Julia Quinn é a musa literária de muita gente, todos nós sabemos. Difícil é encontrar alguém que não se apaixonou pelos Bridgertons (eu, por exemplo, ainda não consigo saber qual dos irmãos e seus cônjuges eu gosto mais). Mas Mais Lindo Que a Lua, primeiro volume da duologia Irmãs Lyndon, publicado pela Editora Arqueiro, não teve uma aceitação tão boa assim e foi criticado por muita gente.

Foto @casosacasoselivros

Em Mais Lindo Que a Lua, Robert, o conde de Macclesfield, e Victoria Lyndon, a filha do vigário, se apaixonam perdidamente à primeira vista. Depois de semanas intensas e incríveis, que os marcou profundamente, fazem planos para fugir e se casarem. Mas os pais de ambos, contra a união, dão um jeito de separar o casal. Sete anos depois, por acaso Robert e Victoria se reencontram. Todo aquele sentimento que nutriam ainda está ali, mas também as mágoas e ressentimentos que esses anos tiveram sobre eles.

A primeira metade da história é doce, sensível e te deixa com um sorriso nos lábios. Ver Victoria e Robert se apaixonarem é lindo, assim como o reencontro deles e a reconexão. Mas então chegamos na página cento e pouco e ao olhar para o livro vemos que ainda tem metade da história, quando tudo parecia que já se encaminhava para o final. E é aí que o negócio desanda, o que deixou muita gente por aí irritada.

Julia Quinn
Não vou dar spoilers do que acontece, claro, mas a reviravolta encontrada por Julia Quinn não foi das melhores. A impressão que tive foi a de que o livro precisava ficar mais longo e ter mais ou menos o mesmo tamanho de todos os outros que já escreveu, então colocou um plot twist que não foi bacana e que fez Robert cair muito no conceito dos leitores, principalmente das mulheres.

Amor à primeira vista é um dos assuntos mais explorados em literatura, cinema e séries, mas ao tentar inovar e dar uma nova cara ao tema, Julia Quinn perdeu um pouco a mão. E é triste falar isso, porque eu amo a autora, mas é verdade.

Mas um ponto interessante desse livro é que antes de a história começar, a autora nos diz que não acredita em amor à primeira vista, o que parece um pouco ilógico vindo da mulher que escreve romances o dia todo. Mas decidiu dar uma chance ao tema e realmente acreditou, desde a primeira página, que Robert e Victoria realmente se apaixonaram instantaneamente. E é fofo ela falar assim, como se eles realmente fossem pessoas reais, que ela conheceu.

Mais Lindo Que a Lua não é ruim, principalmente se levarmos em conta a primeira metade do livro, que é recheada da magia Quinn da qual estamos tão acostumados. É só que não é a melhor obra dela, então não vá com muita sede ao pote. Pesquisando sobre ele, descobri que foi escrito em 1997, 13 anos antes da autora iniciar a série dos Bridgertons, então percebemos que houve uma melhora surpreendente na sua maneira de contar histórias. Só que tudo o que amamos na escritora – sua escrita ágil, sua maneira de nos fazer amar e compreender os personagens, o humor sempre presente, sem tirar o peso dramático – está ali, então vale a pena a leitura.

O segundo volume, já publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, é Mais Forte Que o Sol, que tem como protagonista Ellie, a irmã de Victoria que já conhecemos e amamos em Mais Lindo Que a Lua.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sex Education - Crítica


Séries adolescentes é o que mais vemos por aí. E um tema é bem constante nelas: Relacionamentos amorosos e sexo. Pode ser de forma mais humorística ou séria, mas o assunto nunca fica longe dos roteiros. Mas talvez nunca produção tenha tratado não só de sexo, mas de sexualidade, com tanta honestidade e ao mesmo tempo sensibilidade quanto Sex Education, da Netflix.


O show, com apenas oito episódios na primeira temporada e já renovado para a segunda, fala abertamente sobre tantos assuntos que envolvem sexualidade – a maioria inclusive tabus - que é até difícil citar todos.

O título da série remete às infames aulas de educação sexual, pouco comuns no Brasil, que as escolas americanas e inglesas geralmente têm. Sempre são mostradas com um professor constrangido tentando ensinar principalmente a anatomia do negócio enquanto os alunos não levam a sério e dão risadinhas. Mas Sex Education vai além disso. Nela conhecemos Otis (Asa Butterfield), um garoto virgem de 16 anos que entende muito mais se sexualidade do que qualquer outro adolescente. Por ser filho de terapeutas sexuais, cresceu aprendendo sobre o assunto, mesmo que indiretamente. Então, Maeve (Emma Mackey) tem a ideia de transformar Otis em um terapeuta sexual da escola e cobrar por isso.



Em meio a atendimentos dos colegas, que possuem os mais diversos problemas em relação ao assunto, Otis precisa lidar com suas próprias dificuldades, já que não consegue nem ao menor se tocar sem ter um ataque de pânico. E parte desses traumas vêm da sua mãe Jean (Gillian Anderson), que apesar de sempre se manter aberta ao filho e aos seus questionamentos, não percebe que o analisa a todo instante e invade a sua privacidade. A relação dos dois traz uma dinâmica muito interessante ao enredo.

O mais interessante de Sex Education é a parte psicológica dos personagens, seja dos protagonistas, seja dos que aparecem poucas vezes. Mesmo quando os problemas sexuais parecem de cunho fisiológico, Otis vai até a raiz da questão e descobre motivações muito mais profundas, o que o torna um ótimo terapeuta sem nem ao menos perceber. 



Asa Butterfield e Emma Mackey estão ótimos. Asa, que sempre fez papeis um pouco mais sérios (ele é o Hugo Cabret ❤), mostra ao espectador um outro lado seu nessa dramédia, sem medo e sem vergonha mesmo nas cenas mais constrangedoras (e acredite: há várias). Emma faz um papel que tinha tudo para ser estereotipado, mas o faz com gentiliza à personagem. Gillian Anderson também está muito bem, como a terapeuta descolada e muitas vezes avoada que tem também seus problemas. Mas é impossível falar de Sex Education sem dizer que o melhor personagem de todos é Eric, o melhor amigo de Otis, interpretado maravilhosamente por Ncuti Gatwa. Sendo um dos únicos gays da escola e membro de uma família religiosa e conservadora, Eric não tem medo de mostrar quem é. E o mais interessante é que onde mais encontra consolo e compreensão é dentro da igreja e de casa, onde sempre acreditou que não teria. Estou encantada por ele, seu sorriso gigantesco e quero ser sua melhor amiga para todo o sempre.


Sex Education pode assustar algumas pessoas. Apesar de ser uma série adolescente, tem bastante nudez e cenas de sexo, quase sempre no começo do episódio, com uma pegada quase catastrófica e cômica e que irá levar ao problema que Otis vai resolver. Mas essas cenas não são eróticas, pelo contrário. São quase descontraídas. E a Netflix contratou um coordenador de intimidade (juro que essa profissão existe) para que os atores não se sentissem constrangidos e para evitar problemas de abusos sexuais no set.

Mais do que falar sobre sexo, a série mostra a importância de se conhecer, de não simplesmente ceder às pressões e outras pessoas e de saber quem você é e se sentir completo, antes de colocar outra pessoa na jogada. 


Sex Education é divertida, leve e relevante. Aguardo ansiosamente a segunda temporada.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Infiltrado na Klan – Crítica – Maratona Oscar 2019


Chegou aquela época do ano que eu amo, vocês amam e nós amamos todos juntos: O Oscar!

E como já é tradição aqui do blog, vai começar a série de posts sobre filmes que concorrem na principal categoria da premiação. Desde o ano passado já assisti e fiz a crítica de algumas das produções para vocês, mas agora começou oficialmente a maratona que vai até 24 de fevereiro, data da 91a edição do prêmio.

A crítica de hoje é de Infiltrado na Klan, do diretor Spike Lee.


Nos anos 1970, um policial negro americano conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan, junto com outro policial judeu. Detalhe: a KKK odeia ambos. Se não fosse uma história real, seria um enredo absurdo. Infiltrado na Klan, é baseado no livro autobiográfico de mesmo nome de Ron Stallworth. 

Numa era pós-Martin Luther King, quando os negros americanos estavam lutando pelos seus direitos e liberdade, Ron (interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington) se tornou o primeiro policial negro da polícia de Colorado Springs. Muitas vezes lutando contra o preconceito dos próprios colegas e da comunidade negra, que tinha aversão (e ainda tem) pela corporação, Ron se tornou um agente infiltrado. Meio por acaso, começa contato telefônico com a Ku Klux Klan (chamada de Organização pelos membros), mas por óbvias razões não pode se encontrar com eles ao vivo. Entra aí Plip (Adam Driver), colega policial que finge ser Ron nas reuniões enquanto o verdadeiro conversa com eles ao telefone.



E se você só sabe por cima o que é o KKK, segue uma pequena descrição para te contextualizar melhor sobre a importância desse filme: “Ku Klux Klan, também conhecida como KKK ou simplesmente Klan, é uma organização que defende correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração, o nordicismo,  anticatolicismo e o antissemitismo, historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem”.

Apesar de ser uma história dos anos 1970, Spike Lee nas dá um filme muito atual. Tanto que ele disse em entrevistas que só faria o filme se pudesse inserir críticas e reflexões dos nossos dias, o que ele faz com maestria, principalmente nas cenas finais e reais de acontecimentos de 2017. É impossível não pensar no racismo cotidiano, no discurso de ódio, no extremismo e até mesmo nas fake news (um dos integrantes da Klan diz que o Holocausto não aconteceu, foi invenção da mídia). Em certo momento David Duke (Topher Grace), presidente nacional do KKK diz que deseja tornar a América grande outra vez. Te lembra alguém?



A jornada de Ron é clara desde o início. É uma cruzada contra o racismo. Mas a de Plip vai se desenhando. Ele é judeu, apesar de nunca ter vivido como um. E nunca se incomodou com o fato, porque é um homem branco que não sofre preconceito. Mas quando está na KKK, passa a enxergar o ódio do branco cristão de extrema direita. E a missão se torna sua tanto quanto é de Ron. Adam Driver (nosso amado Kylo Ren) entrega um ótimo Flip, mas acho exagero estar concorrendo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. John David  Washington está excelente como protagonista, se jogando de cabeça naquele universo racista sem se deixar abalar psicologicamente. Já Topher Grace viu meses e milhões de entrevistas de David Duke para interpretá-lo, mas se sentiu extremamente deprimido ao fim das filmagens, devido a tantas mensagens de ódio disfarçadas em carisma que o líder da Klan propagou – e propaga até hoje.

Spike Lee mistura um certo tipo de humor mordaz e sarcástico que deixa Infiltrado na Klan mais leve, mas não menos sério. Esse é um filme necessário, pesado em vários momentos e que te faz refletir como o ser humano consegue ser ruim, cego e insano.


Infiltrado da Klan concorre aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver), Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.

Recomendo muito.


Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia
Infiltrado na Klan (Assistido)

Teca Machado

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O Homem de Areia - Resenha


Senta que lá vem resenha de um livro sensacional!

Se você gosta de thrillers policiais, essa história é para você. E se você não gosta, essa história é para você também, para começar a amar muito o gênero. E pode vir tranquilo que aqui no blog não rolam spoilers.

Foto @casosacasoselivros

Estou falando de O Homem de Areia, de Lars Kepler (pseudônimo do casal sueco Alexander e Alexandra Ahndoril), da Editora Alfaguara (Companhia das Letras). Quando abri o pacote enviado por eles, na hora que vi a capa e a sinopse do livro já fiquei ansiosa pela leitura. Sabia que seria ótima, mas não imaginei que seria tanto. Foi a ponto de eu descer na minha estação no metrô, sentar num banquinho e ficar lá mais 20 minutos porque faltavam poucas páginas para terminar e eu precisava saber o final.

Um dos maiores diferenciais de O Homem de Areia é que nesse caso o livro já começa com o serial killer Jurek Walter preso. Desde o começo sabemos que ele é o responsável pelos sequestros e mortes de um caso pavoroso que ficou a cargo do detetive Joona Linna. Mas então um homem desnorteado aparece numa ponte, com hipotermia e machucado. Ele é Mikael Kohler-Frost, uma das vítimas de Jurek que sumiu há 13 anos e foi dado como morto há 7. Enquanto investiga onde Mikael esteve todo esse tempo, Jonna e a policial Saga Bauer se envolvem profundamente nesse caso aparentemente sem sentido, mas que ganha contornos cada vez mais sombrios.

O enredo de O Homem de Areia é criativo e muito bem escrito. Eu me pegava lendo páginas e mais páginas porque ficava extremamente envolvida com a história. Thriller policial é um gênero que leio muito, então várias vezes nem fico surpresa com as reviravoltas. Mas não foi esse caso. Por mais que alguns pontos eu tenha desconfiado, a maioria foi surpreendente e me deixou presa, me fazendo perguntar quase seria o final e a motivação de tudo aquilo.

Lars Kepler, o casal Alexander e Alexandra
Jonna Linna é um personagem recorrente de Lars Kepler. Como O Homem de Areia é o quarto livro da coleção do detetive, imaginei que talvez não fosse entender tão bem a história pessoal dele, mas como é comum no gênero, as obras são independentes e os autores nos contextualizam sobre o personagem. 

Com capítulos curtos (curtos mesmo, consigo contar nos dedos de uma mão quantos são os com mais de duas páginas), a leitura de O Homem de Areia é ágil e passa voando, mesmo com as suas 450 páginas. Como temos muitos pontos de vista em terceira pessoa, a história fica muito completa e conseguimos ver o todo. Alguns fatos podem parecer que estão lá sem muito propósito, mas Kepler não deixa nada ao acaso. Mesmo que algo pareça irrelevante, serve para construir o psicológico dos personagens.

E por falar neles, são muito bem construídos. Jonna, é claro, tem destaque e é ótimo ler sobre ele. Mas o enredo de Saga rouba a cena. É muitíssimo interessante e ela tem camadas que vão sendo descascadas tal qual uma cebola. Se tem uma personagem feminina forte e badass nessa vida ela se chama Saga Bauer. Jurek Walter é também digno de nota e um mistério a maior parte do tempo. Infelizmente não há capítulos com seu ponto de vista, mas isso é proposital, senão muito do livro seria revelado antes da hora.

Os livros da série de Joona Linna são:

O Hipnotista (2010)
O Pesadelo (2011)
A Vidente (2013)
O Homem da Areia (2014)
Stalker - O Regresso do Hipnotista (2014)
Kaninjägaren (2016) – Sem título em português.

Infelizmente a série não está completa no Brasil. A Intrínseca publicou o primeiro e o segundo (que dizem ser ótimos também!), não consegui achar nada sobre o terceiro (a não ser em editoras de Portugal) e agora a Alfaguara lançou o quarto. Sobre quinto e o sexto não tive nenhuma notícia.

No final de O Homem de Areia fiquei com aquela cara de “uau, que livro” e a sensação que só faz crescer o meu amor pela literatura. É um dos melhores do gênero que li nos últimos tempos. E se você ficou interessado pode ler um trecho do livro aqui: O homem de areia - Trecho gratuito

Recomendo muito.


Teca Machado

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Dicas de Florença com livro Inferno, de Dan Brown


Dando continuidade à nossa volta ao mundo por meio de livros, filmes e séries, hoje vamos passear por Florença, Itália, pelos pontos de Inferno, de Dan Brown, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro em 2013.




Para ver os outros posts dessa série é só acessar aqui:

Inferno, que virou filme com Tom Hanks e Felicity Jones, tem como protagonista o nosso simbologista preferido, Robert Langdon. Ele e Siena Brooks estão com o tempo cronometrado. Eles buscam pistas na pintura de Botticelli chamada Mapa do Inferno, inspirada em A Divina Comédia, de Dante Alighieri. O objetivo é impedir a liberação de um vírus mortal que irá afetar o mundo todo. O cenário principal é Florença, mas eles passam por outras cidades também. Só que falar sobre isso é spoiler, então vamos nos ater à cidade italiana.


Florença vale muito a visita. É cheia de atrações, mistérios, pequenas ruas e construções. Você sente que voltou alguns séculos no tempo. Ao visitar o local você respira arte, não só nos museus incríveis, castelos e fortalezas, mas também na rua e em feiras. Lá foi o berço do Renascimento, então a cidade vibra cultura e beleza.

E se você estiver pensando em passar as próximas férias na região, pode conhecer ótimos hotéis aqui.  Além de ser prático e rápido, com todas as opções na mesma página, você consegue ver comentários e avaliações de hóspede.

Preparados para conhecer os pontos turísticos dessa cidade incrível e medieval da Toscana? 

Torre da Badia e Museu Bargello


O livro começa no prólogo, com esses dois monumentos sendo mencionados em uma cena que desencadeia toda a trama de Inferno. 

A Badia foi o primeiro mosteiro da cidade e sua torre se destaca na paisagem porque é uma das construções mais altas de Florença. Dentro da igreja há muitas obras de arte e à sua frente está o Museu Bargello, uma antiga prisão da cidade que hoje é considerado o segundo museu mais importante da região.


Porta Romana



Enquanto fogem de perseguidores, Langdon e Sienna passam pela Viale Niccolo Machiavelli, uma das avenidas que caem na Porta Romana.

Nos tempos medievais, Florença era murada. Hoje a maior parte desses muros foi destruída, mas felizmente a Porta Romana, um portal feito em 1326 para ser a principal entrada para a parte histórica da cidade, continua de pé, assim como a praça na sua frente com a escultura de mármore, chamada Dietrofront, do artista Pistoletto.


Jardins Boboli


Palazzo Piti, dentre do dos jardins Boboli


Para chegar à parte histórica de Florença mais rápido, Langdon e Sienna atravessam os jardins Boboli até a Ponte Vecchio. 

Com mais de 45 mil m2, os jardins foram projetados por ordem da família Médici e serviu de modelo para muitas cortes europeias. Lá há lagos, obras de arte, grutas, fontes, terraços e muito o que se ver. 


Corredor Vassari



Mapa do Corredor Vassari

Essa estrutura é importante para a fuga dos protagonistas. Correndo nos jardins de Boboli, Langdon afirma que passar pelo Corredor Vassari é a forma mais rápida e discreta de chegar ao Palazzo Vecchio.

Este corredor com mais de um quilômetro de extensão foi projetado por Vassari, um dos arquitetos responsáveis pelos Jardins de Boboli. Ele servia como passagem secreta entre o Palazzo Pitti, nos jardins, e a sede administrativa do Grão-ducado no Palazzo Vecchio, sem que ele precisasse caminhar no meio da população e nem precisasse de escolta de segurança. Ele passa pelos jardins, pela ponte Vecchio, pela Galleria degli Uffizi e por torres até o Palazzo. Apesar de ter muitas pinturas que não couberam no Uffizi, ele não é aberto ao público. Mas é possível fazer visitações com guias.

Ponte Vecchio



A ponte de pedestres, uma das mais famosas do mundo, é palco da correria de Langdon e Sienna. Enquanto os perseguidores acham que eles vão passar por ela para ir até a parte histórica da cidade, eles estão acima, passando pelo Corredor Vassari.

Séculos atrás funcionava ali um mercado de carnes, mas hoje podemos ver inúmeras lojas, muitas joalherias inclusive. Um fato que correu na ponte Vecchio foi a razão que Dante Alighieri se exilou. Um assassinato aconteceu, uma guerra política se instaurou e ele saiu da cidade.


Palazzo Vechio


Salão dos Quinhentos

O Palazzo Vecchio é um dos cartões postais de Florença (aliás, quase tudo na cidade é, já que é TÃO linda). E lá acontecem muitos fatos de Inferno, que envolvem principalmente o incrível Salão dos Quinhentos, com seus afrescos gigantescos no teto e muitas obras e esculturas.

O palácio foi a sede do governo italiano e hoje funciona como prefeitura da cidade, além de ter um museu nas suas dependências.


Piazza della Signoria



O Palazzo Vecchio fica na Piazza della Signoria, a praça mais famosa de Florença e basicamente um museu a céu aberto. Langdon e Sienna passam por ela, apesar de não ter tanta importância para a história.

Uma réplica de Davi, de Michelangelo, se encontra na piazza, assim como Hércules e Caco, de Bandinelli, e Fontana de Netuno, de Ammannati. Também na praça está a Loggia de Lanzi, um espaço coberto onde ficavam os soldados o Grão-Duque Cosimo I.


Museu Casa di Dante



Claro que o Museu Casa di Dante não ficaria fora desse roteiro, já que o poeta é basicamente um personagem do livro. Os protagonistas vão ao local para procurar um manuscrito de A Divina Comédia, mas não consegue, porque está fechado.

E isso é um fato a se observar: Na Itália a maioria dos museus não abre às segundas-feiras.


Chiesa de Santa Margherita dei Cerchi



Na construção, conhecida como Igreja de Dante, Sienna e Langdon desvendam mais pistas sobre o poeta.

Nela está enterrada Beatrice Portinari, a mulher por quem ele foi apaixonado a vida toda. A igreja é hoje local visitado pelos fãs de Dante.


Piazza del Duomo e Batistério de San Giovanni


Catedral Del Duomo

Batistério de San Giovanni

Teto do Bastistério

Em Inferno, Langdon e Sienna seguem pistas que os levam para a Pizza de Duomo, onde está o Batistério de San Giovanni. 

A praça é um dos centros turísticos de Florença, pois é nela que se encontra a Basílica de Santa Maria del Fiore, também conhecida como o Duomo de Florença, cuja cúpula é o símbolo da cidade. O Batistério faz parte do complexo da catedral. Lá foram batizadas muitas personalidades italianas, inclusive o próprio Dante. Muita gente acha o Batistério ainda mais bonito do que a catedral, pois seu interior requintado e portas de bronze com cinco metro de altura são muito imponentes.

Dan Brown ainda cita outros locais de Florença. Apesar de não terem cenas da trama neles, valem muito a visita: 

Galleria degli Uffizi



O maior museu de arte da Itália, com uma coleção Renascentista como em nenhum outro lugar do mundo. É um dos mais importantes do país.


Galleria dell'Accademia


Pequeno museu onde está o original David, de Michelangelo. Muita gente deixa essa visita de lado por achar que não é muito importante, afinal, já uma réplica da estátua na Piazza Della Signoria. Mas posso dizer sem sombra de dúvidas que Davi é uma das coisas mais lindas que eu já vi. Ela é tão imponente, incrível, detalhada e poderosa que você tem vontade de chorar ao olhar para ela.


Piazza Santa Croce e Basílica de Santa Croce


É a principal igreja franciscana de Florença onde estão os túmulos de algumas personalidades italianas. Na praça há uma famosa estátua de Dante.

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Inferno, de Dan Brown, é um livro incrível que passa numa cidade incrível! Vale tanto a visita quanto a leitura.

Florença está na região da Toscana e é um sonho campestre (ficou cafona isso, mas é verdade). Há várias cidades e vilarejos ao redor e dá vontade de passar vários dias explorando o local. Se pretende visitar Florença ou a Toscana, conheça aqui no Booking várias opções de hotel para se hospedar.

Na próxima semana, continuando a série de viagens literárias e cinematográficas, vamos passear pela Escócia com Outlander, de Diana Gabaldon. Não perca!

Teca Machado