segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Fatos sobre o livro Mulherzinhas


Em 1994 Winona Ryder, Gabriel Byrne, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale, Susan Sarandon e outros atores estrelaram Adoráveis Mulheres, filme baseado no livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, publicado em 1868. Agora em 2019 (na verdade, no Brasil em janeiro de 2020, mas em outros países antes), a história ganha nova adaptação, da diretora Greta Gerwig, com grandes nomes no elenco, como Saoirse Ronan, Emma Watson, Thimothée Chalamet, Laura Dern e Meryl Streep. 

Mulherzinhas é considerado um clássico mundial. Mas vocês conhecem algo sobre a obra?

Edição de 2019, da Editora Planeta

1- Enredo

A é história das irmãs March - — Meg, Jo, Beth e Amy - quatro garotas com personalidades muito diferentes, que estão sob os cuidados da mãe, já que o pai foi para a Guerra Civil Americana.

2- Autobiografia

O livro é tido como uma autobiografia romantizada de Louisa May Alcott, já que ela se inspirou em eventos da sua vida e do seu convívio para escrever o romance. Inclusive há aqueles que acham que Jo, a protagonista, é seu alterego.

3- Feminismo e sororidade

Irmãs March em cena do filme de 2019

Mesmo que tenha sido escrito em 1868, o livro fala sobre a força das mulheres em uma época em que elas não podiam nem usar calças, quanto menos ter uma opinião. A autora abordou temas feministas de forma leve e aberta, além de mostrar muita sororidade entre as mulheres March. “A escritora não nega a sua condição de mulher, mas recusa a feminilidade tal como ela é definida pela sociedade em que vive. Desde sempre defensora do direito das mulheres à sua independência, preocupava-se com questões como a educação e a saúde das mulheres, a igualdade salarial e de oportunidades, o direito de voto”, afirma Celeste Simões, pesquisadora portuguesa que fez uma tese de doutorado sobre o livro.

4- Adaptações

Mulherzinhas foi adaptado inúmeras vezes para cinema, teatro e televisão e teve vários nomes diferentes: Adoráveis Mulheres, Quatro Destinos, Pequenas Mulheres e outros. A primeira versão da história foi contada em 1918, época do cinema mudo e preto e branco e a mais recente é a de 2019, dirigida por Greta Gerwig. Uma das adaptações, de 2018, é uma releitura da obra e se passa nos dias atuais, em tempos de internet e liberdade feminina. Além disso, é referência em várias produções. Os fãs de Friends, por exemplo vão se lembrar desse fato: Em um episódio, Rachel e Joey trocam seus livros preferidos. Ela lê Mulherzinhas e ela O Iluminado, e ele coloca o livro no congelador por ficar “assustado” com a história.

5- Continuações

Apesar de Mulherzinhas ser o volume mais conhecido, ele gerou mais três livros: Esposas Exemplares, continuação direta do original, Little Men, mostrando a vida de seus filhos quando crianças e Jo's Boys, mostrando a vida dos filhos de Jo e de suas irmãs, já adultos. Pelo que consegui encontrar, apenas Esposas Exemplares ganhou tradução para o português, mas aparentemente é uma edição um tanto rara.

*** 


Apesar de ter visto o filme de 1994 – e já saber partes importantes da trama -, fiquei muito animada para ver a nova adaptação e ler o livro. E vocês?

Teca Machado


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Uma Segunda Chance Para Amar - Crítica


Se tem uma coisa que eu amo nessa vida são filmes de Natal. E músicas também. Tanto que Last Christmas, junto com All I Want For Christmas, Baby It’s Cold Outside e outras são das minhas preferidas. Então é óbvio que fui com enormes expectativas assistir Uma Segunda Chance Para Amar, do diretor Paul Feig e escrito pela atriz ganhadora do Oscar Emma Thompson.


Baseado na música Last Christmas, de George Michael (tanto que esse é o título original do filme), aqui conhecemos Kate (Emilia Clarke), que tem o sonho de ser cantora, mas depois que teve um grave problema de saúde se tornou ácida, amarga e extremamente sarcástica. Ela trabalha como elfo numa loja de Natal e vive pulando de casa em casa, porque ninguém realmente consegue viver com ela muito tempo. E então ela conhece Tom (Henry Golding), que é totalmente o seu oposto. Um cara que consegue fazer com que ela enxergue o lado bom da vida e se torne quem era antes de ficar doente.

O filme tem uma fórmula acertada: A protagonista é Emilia Clarke, nossa eterna Daenerys Targaryen, que já provou que é ótima em comédias românticas/drama, tem o fofo e carismaticamente esquisito Henry Golding, músicas de George Michael durante várias cenas, uma história fofa, cenário natalino em Londres e aquele sotaque maravilhoso dos britânicos. Sim, a produção é encantadora, mas não atinge nem de longe todo o potencial que tem.




Uma Segunda Chance Para Amar fala sobre muito – até mesmo Brexit, xenofobia, homofobia e mais -, sem se aprofundar em nada, e isso prejudica a experiência do espectador. Até mesmo o enredo de Tom, com toda a questão de “olhe para cima” e outros detalhes parece que foram jogados ali só para ficar bonitinho. Em alguns momentos a impressão que tive foi que a edição cortou partes importantes, ainda que não essenciais, e ficou esse sentimento de que algo falta.

Mas o elenco coeso e carismático faz valer a pena. Emilia Clarke está ótima, com sua Kate mal-humorada, quebrada por dentro, mas adorável quando quer. Sua jornada pessoal – apesar de apressada – é gostosa de assistir. E as suas sobrancelhas, tão quietas e “normais” em Game of Thrones, são um show à parte em qualquer outro filme que ela faz. Elas parecem ter vida própria. Henry Golding é quase canastrão para mim, mas é fofo e tem boa química com Clarke. E ainda temos as sempre ótimas Emma Thompson e Michelle Yeoh. 




O visual de Uma Segunda Chance Para Amar é de encher os olhos, principalmente quando são cenas dentro da fantástica loja de natal de Santa (Yeoh), onde Kate trabalha. Suas roupas coloridas e malucas, assim como seu uniforme de elfo, são muito divertidos. E a trilha sonora é ótima. Conhecia poucas músicas de George Michael e do Wham!, mas nos últimos dias é tudo o que eu consigo escutar. O filme é um tributo ao cantor, que curiosamente faleceu em 2016, no Natal, época em que se passa a história.

Se você não assistiu ao trailer, por favor, não veja. Ele mostra quase tudo o que é importante sobre o filme e ainda, aos olhares mais atentos, dá dicas do plot twist. Eu já entrei no cinema desconfiada do que seria e apenas com 15 minutos de projeção já tinha certeza do que seria, então talvez seja isso que tirou um pouco do brilho de Uma Segunda Chance Para Amar para mim.


No fim das contas, é adorável, mas não atingiu minhas altas expectativas e nem se tornou meu filme tradicional de Natal – como Simplesmente Amor e O Amor Não Tira Férias.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Até Você Ser Minha - Resenha


Imagine a situação: Oito meses de gravidez, marido viajando, babá contratada e grávidas sendo assassinadas pela cidade. É de botar medo em qualquer um, certo? Adicione a isso o fato de que a babá é aparentemente perfeita, mas esconde muitos segredos, inclusive uma vontade louca de ser mãe. Essa é a premissa de Até Você Ser Minha, de Samantha Hayes, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.

Foto @casosacasoselivros

Pode ler a resenha tranquilamente: Aqui não tem spoiler.

Apesar do título aparentemente fofo e com cara de romance, Até Você Ser Minha é um thriller. Sempre fui fã de um bom suspense, mas leio tanto o gênero que não são todas as vezes que o autor consegue me surpreender ou mesmo me fazer devorar a leitura. Mas Samantha Hayes fez isso com maestria. Quando entrei nas 50 páginas finais falei inocentemente: “vou ler só mais um capítulo e dormir”. Doce ilusão! A história entrou num ritmo tão alucinado que precisei ler tudo até o final. Fui dormir quase às 3h da manhã, mas valeu muito a pena.

É um livro interessante, com uma história diferente e com uma tensão que paira ao longo das 336 páginas, principalmente no terço final. Como é comum no gênero o começo pode ser um pouco maçante e o meio enrolado, cheio de pistas falsas – misturadas com as verdadeiras -, mas nada disso é ruim ou te faz querer abandonar a leitura (e se fizer, pense que no final tudo vai valer a pena!).

A história foca em três mulheres: Claudia, a assistente social grávida, Zoe, a babá, e Lorraine, a investigadora responsável pelos casos das grávidas assassinadas, e todas são narradoras. Os capítulos se alternam entre as personagens. Tanto o enredo de Claudia quanto o de Zoe são envolventes. O leitor quer acompanhar Claudia para saber se ela vai ficar bem e quer desvendar os mistérios que cercam Zoe. O mais desinteressante é o de Lorraine. Fala-se muito da sua vida pessoal e dos seus dramas familiares, o que parece um pouco sem propósito com tudo o que acontece ao redor. Isso foi algo que me incomodou um pouco na leitura. Mas então descobri que Até Você Ser Minha é o primeiro volume da série DCI Lorraine Fisher, que acompanha a policial em outros casos, por isso foram tantas páginas sobre a personagem em assuntos não relacionados à investigação. Os outros livros são What You Left Behind e You Belong To Me, que não foram lançados no Brasil (pelo menos não achei nada sobre o assunto).

Até Você Ser Minha é muito bem construído e a escrita de Samantha Hayes é ótima. Os personagens são complexos e a autora cria uma teia de desconfiança e suspense que permeia toda a história. É muito difícil não desconfiar de tudo e de todos. E quando chega o desfecho, todas as pontas são amarradas e a gente fica com essa cara:


Apesar de ler muitos livros de suspense policial, esse foi o primeiro com crimes contra grávidas. E isso me deixou um tanto surpresa, porque não é algo que seja corriqueiro no gênero. Foi muito interessante.

Até Você Ser Minha foi uma das leituras mais surpreendentes do ano.


Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Ford vs. Ferrari - Crítica


A velocidade é algo que move o ser humano. Sempre moveu. E as corridas automobilísticas começaram assim que os carros foram inventados, mas tomaram fôlego no pós-Segunda Guerra Mundial. E é 20 anos após esse período, em meados dos anos 1960, que passa o filme Ford vs. Ferrari, do diretor James Mangold (de Logan e Johnny & June).


Com Matt Damon e Christian Bale nos papeis principais, o filme conta a história real de quando a Ford decidiu entrar no ramo do automobilismo e tentou uma parceria com a Ferrari. Rechaçada por Enzo Ferrari, a montadora contratou Carroll Shelby (Damon), antigo piloto que se tornou designer de carros esportivos, para criar um automóvel que fosse capaz de vencer a Le Mans, corrida na França que dura 24 horas. Juntamente com Ken Miles (Bale), um piloto fora do comum, ele tenta colocar em prática essa construção que parece impossível.

Bale e Damon são excelentes em todos os papeis que fazem e aqui não seria diferente. Bale está se divertindo muito como Miles, com sua boca suja, temperamento difícil e amor absurdo pelo que faz. Já Damon é a personificação da lealdade, confiabilidade e trabalho em equipe. A química entre os dois é gigante e mostra o lado mais pessoal e humano das grandes corporações. É muito crível que eles são amigos de verdade, até mesmo quando estão se batendo (na briga mais tosca e engraçada que vi nos últimos tempos). Como preparação para o personagem, Bale teve aulas de direção de corrida, para ficar tudo o mais real possível. E o esforço valeu a pena, porque o resultado é fantástico. Tanto que o instrutor de Bale e coordenador de dublês disse que ele é o melhor e mais esforçado ator com que já trabalhou.



Mais do que focar apenas na criação do carro perfeito para a corrida, Ford vs. Ferrari mostra como o corporativismo interfere nas questões de criatividade, com Shelby tendo que lidar a todo instante com o vice-presidente da Ford e diretor da divisão de automobilismo Leo Beebe (Josh Lucas), claramente um “vilão” na produção. Enquanto Shelby e Miles têm a paixão e a visão, a Ford tem os olhos no dinheiro.

Essa é uma história muito bem contada. O roteiro Jez Butterworth é bem amarrado e com ótimo ritmo. Nem tão acelerado – apesar de estarmos falando de um filme de corrida – e nem lento. Está na medida certa, mostrando os dramas familiares de Miles e o seu psicológico durante as corridas, os problemas físicos de Shelby e seu bom coração, a relação que tenta ser equilibrada entre o corporativismo e a emoção e os percalços na construção da máquina perfeita num pequeno período de tempo. Apesar do clima pesado em alguns momentos, o filme tem um quê de engraçado, como em Perdido em Marte.



O visual de Ford vs. Ferrari é especial. Sem CGI aparente e usado o tempo inteiro, sua fotografia é muito crua e real. Os closes de Bale dentro do carro a 350 km/hora e o rosto sempre suado e com graxa, o choro descontrolado de Henry Ford II (Tracy Letts) ao experimentar a velocidade, as cores e composição da oficina de Shelby, os carros durantes as corridas e suas ultrapassagens, tudo isso cria uma identidade hipnotizante durante o longa. Eu fiquei apavorada e agoniada durante várias cenas de corrida, pensando “ok, agora eles vão morrer, não tem como controlar um carro nessa velocidade”. Os nervos ficam a flor da pele, não tem jeito. Tudo é muito bem feito e coreografado. 

E ainda tem a trilha sonora e a mixagem de som repleta de roncos de motor, barulhos de pneus ruído do vento e músicas e narrações de rádio.



Mesmo eu que não entendo nada de corridas, de carros, de rotação por minuto e regras do automobilismo, fiquei imersa em Ford vs. Ferrari. Estão apostando em algumas indicações ao Oscar 2020, principalmente em categorias técnicas, e eu espero muito que ganhe várias nomeações e prêmios.

Recomendo muito.

Teca Machado

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Peaky Blinders - Crítica


Sabe aquela série que você tem vontade de ver, coloca na lista da Netflix, até ensaia um começo, mas ela vai ficando e ficando e ficando e você sempre acha coisas mais interessantes para ver primeiro? Comigo Peaky Blinders foi assim. Mas agora que comecei, simplesmente não quero parar e já vi três temporadas.


Apesar de ser da BBC, é divulgada como uma Original Netflix, então todas as cinco temporadas estão lá disponíveis (e já foi renovada para a sexta). Teve seu início em 2013, sempre com 6 episódios de cerca de uma hora por temporada.

Essa é uma série dramática de ficção histórica. Os Peaky Blinders realmente existiram e eram uma gangue inglesa de família cigana que atuou na região de Birmingham, comandando esquemas ilegais de apostas, corridas de cavalos, contrabando de bebidas e muito mais. Eles usavam navalhas em seus chapéus, chamados de “peaky” e, em brigas, essas lâminas cegavam seus oponentes.



O enredo gira em torno da família Shelby, comandada por Thomas (Cillian Murphy), que apesar de não ser o irmão mais velho, é o cérebro, estrategista e chefe. É um personagem extremamente inteligente, ambicioso, frio e, ainda assim tem um coração até bom. Tudo o que faz é pelo bem da sua família e pela sua sede de poder. Ambição é uma palavra que encaixa bem com Thomas. E é com seus irmãos Arthur (Paul Anderson), Ada (Sophie Rundle), John (Joe Cole) e Finn (Harry Kirton), além da tia Polly (Helen McCrory) que toca os negócios. E o relacionamento entre eles é o que move a série.

Os pontos positivos da série são inúmeros. A começar com o roteiro. Muito bem escritos, os episódios te prendem do começo ao fim. E é difícil ver apenas um por vez. Os arcos são bem estruturados, principalmente nos personagens centrais. Há drama, suspense, reviravoltas, corações partidos, laços familiares estreitos e mais. É o tipo de série que apesar de eles serem uma gangue “malvada”, vamos dizer assim, tudo o que queremos é torcer pelos Shelby.



Outro destaque de Peaky Blinders é o elenco. Cillian Murphy está extremamente espetacular na pele de Thomas. Sua atuação é sem defeitos e parece que ele nasceu para o papel. Sua aparência exótica ao mesmo tempo que comum (e eu o acho estranhamente lindo) encaixa muito bem na série. Seus irmãos também são excelentes atores, principalmente Paul Anderson. E vale um destaque para Helen McCrory, como uma personagem feminina muito forte, bem construída e com voz ativa nos negócios, apesar de a série começar nos anos 1920. Além disso, há várias participações de atores de peso, como Tom Hardy, Adrien Brody e muitos outros.

A fotografia de Peaky Blinders é digna de cinema. As cenas em que os Shelby andam na Birmingham pós-Primeira Guerra Mundial, efervescendo em indústrias, são lindíssimas. A série mostra uma Inglaterra que não estamos acostumados a ver em filmes de época. Aparecem as regiões trabalhadoras, ciganas, das classes consideradas baixas, e faz isso de uma maneira muito bonita. O figurino também é muito bem trabalhado. Tanto que a série é considera muito acurada historicamente, porque há um cuidado muito grande em design de produção.



Apesar de passar no início do século XX, a trilha sonora é muito atual, com músicas escolhidas a dedo. Há canções de Radiohead, Artic Monkeys, The Black Keys e outras bandas. Inclusive David Bowie era fã e pouco antes de morrer deu permissão que uma música do seu último álbum, nem mesmo lançado na época, entrasse na série, durante a terceira temporada.

Resumindo, Peaky Blinders é uma série envolvente e muitíssimo bem escrita e produzida.

Recomendo muito.

Teca Machado

P.S.: Só a título de curiosidade. Thomas Shelby fuma e bebe muito. Cillian Murphy contabilizou que até agora fumou mais de 6 mil cigarros no set. Eles são herbais, sem nicotina, tabaco e outras toxinas, mas ainda assim, são cigarros. E bebeu uísque na série 213 vezes.


segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Um Passado de Presente - Crítica


Adorável e para deixar o coração quente. É assim que podemos descrever Um Passado de Presente, da diretora Monika Mitchell, produção de Natal da Netflix. Sim, temos aqui mais um filme fofo, sem grande orçamento, com visual bonito, estrelado por Vanessa Hudgens e que passa nessa época do ano. É cheio de clichês, mas é uma boa diversão para quem gosta de longas do tipo.


Em Um Passado de Presente, conhecemos Brooke e Sir Cole (Hudgens e Josh Whitehouse). Ela é uma professora de Ohio que vive em 2019 e é totalmente desiludida com o amor, depois que o seu ex-namorado a traiu e trocou por outra. Cole é um cavaleiro inglês dos anos 1300, que após um encontro com uma feiticeira é enviado para a nossa época. Ele tem até a véspera de Natal para descobrir qual é a sua missão como cavalheiro, para então conseguir voltar para casa.

Claro que o filme é cheio de clichês (quem mulher moderna e desacreditada no amor não se apaixonaria por um cavaleiro medieval bonitinho cheio de boas maneiras e que sabe cozinhar?), mas é exatamente isso que ele prometa ser e nunca tentar ser algo mais. É aquele tipo de história que a gente assiste quando quer uma certeza de final feliz, de algo fofo e do que é chamado de feel good movies.



Um Passado de Presente é bem rapidinho, apenas 90 minutos, e isso faz inclusive que o enredo seja um pouco corrido. Alguns aspectos poderiam ser melhores trabalhados se houvesse mais tempo, como a questão da vida de Sir Cole na sua época, o arco de David (Jean-Michel Le Gal) e suas dificuldades como pai sozinho de 4 crianças e mesmo aprofundar um pouco mais em quem em Brooke. 

Outro problema é que entre Cole vir do passado, ser levemente atropelado por Brooke no futuro e até ele concluir sua missão, se passam sete dias, que são preenchidos com atividades cotidianas, como maratonar filmes (e aí a Netflix faz propaganda de suas outras produções de Natal), ir ao supermercado e cozinhar. Uma ou outra sequência realmente serve para o caminhar da história. Mas, mesmo assim não tira o brilho de simpatia e coração quentinho que Um Passado de Presente tem.



Vanessa Hudgens nasceu para interpretar garotas como Brooke, Stacy e Lady Margareth (as duas últimas personagens do seu filme de Natal de 2018, A Princesa e a Plebeia). Ela está extremamente confortável na pele da mocinha de comédias românticas – ainda mais as natalinas. E é super gostoso ver como ela se encaixa bem no gênero. Josh Whitehouse é um tanto caricato e um pouco forçado em alguns momentos, mas seu Sir Cole é fofo, gentil e a gente se apaixona juntamente com Brooke.

Obviamente o visual do filme é muito bonito. Se tem algo que a Netflix sabe fazer é criar um mágico clima de Natal em suas produções. A vontade que dá é a de empacotar tudo o que se tem e ir morar na cidadezinha de Brooke ainda esse ano. Tudo é lindo e arrumado, inclusive as pessoas. 


Para apreciar o filme em sua totalidade, o espectador precisa deixar algumas coisas de lado, como o fato de que apenas após ver Brooke dirigindo Cole ele sabe dirigir e apesar de não ser um ótimo motorista, chega inteiro em seu destino, a peruca horrorosa da feiticeira (Ella Kenion), ele – um desconhecido meio doido e com uma armadura – ir morar na casa dela horas após se conhecerem e outros pequenos pontos. Mas, Um Passado de Presente é adorável até mesmo nas suas imperfeições.

Pegue a pipoca, prepare o sorriso e de sinta aconchegado com essa produção tão bonitinha.

Recomendo.

Teca Machado


sexta-feira, 22 de novembro de 2019

A Lavanderia – Crítica


Meryl Streep, Antonio Banderas, Gary Oldman e Steven Soderbergh. Todos esses são nomes de muito peso em Hollywood. E eles estão juntos em A Lavanderia, filme original Netflix, baseado no livro Secrecy World, de Jake Bernstein, sobre o escândalo dos Panama Papers, que falaram sobre evasões fiscais, lavagem de dinheiro e esquemas de corrupção.


A Lavanderia é uma história ficcional baseada em fatos reais. Por meio de narração com quebra da quarta parede (quando os personagens falam diretamente com o público), somos levados a entender as consequências desse esquema financeiro que acontece desde os anos 1970. Aconteceu a divulgação anônima de 11,5 milhões de documentos secretos do escritório de advocacia Mossack Fonseca sobre o assunto. Os envolvidos tentaram inclusive proibir o lançamento do filme, mas perderam essa batalha na justiça e a Netflix o colocou no catálogo há alguns dias.

São vários enredos que de forma didática ensinam sobre o mercado financeiro. Desde a criação do dinheiro até as evasões fiscais e corrupção dos Panama Papers, que inclusive envolvem a brasileira Odebrecht. Ramon Fonseca (Antonio Banderas) e Jürgen Mossack (Gary Oldman) conversam com o espectador, nos levando a essa jornada. O tipo de construção da narrativa, o humor presente e as animações em A Lavanderia lembram muito as produções de Adam McKay, como A Grande Aposta e Vice. Então mesmo que o tema seja um pouco denso, é possível entender perfeitamente o que está acontecendo e até mesmo se torna uma história leve. Soderbergh conseguiu fazer um filme informativo e de certa forma com humor sobre um assunto geralmente tão chato. E isso não é para qualquer pessoa.



Um dos enredos é o de Ellen (Meryl Streep), que após a morte do marido em um acidente de barco tenta receber o seguro, mas descobre que a seguradora faz parte de um esquema de empresas offshore e passa a investigar o assunto. O seu arco dramático é de longe o mais interessante, ainda que em vários momentos seja deixado de lado para contarem outras histórias.

Streep é do tipo que nunca conseguimos botar defeitos e aqui temos mais um exemplo de como ela pode fazer qualquer papel. Ela nos convence sempre, seja uma senhora de luto tentando descobrir esquemas fraudulentos, seja uma editora de revista, seja uma mulher que mora na Grécia e não sabe quem é o pai da sua filha. Ela é maravilhosa e tê-la no elenco já é um bom sinal de que o filme será bom.



Banderas e Oldman também estão ótimos. Ambos estão claramente se divertindo em seus papeis. Poderiam ser odiosos e terríveis, mas a junção de um roteiro bem escrito com atuações excelentes com uma pitada de humor e sarcasmo fez com que fossem ótimos narradores.

A Lavanderia é muito bem dirigido, com enredo interessante e atuações excelentes. 

Recomendo.

Teca Machado