sexta-feira, 15 de junho de 2018

Reações Químicas - Resenha


Você gostava de química na época de escola?

Eu até gostava, mas nunca fui nenhum gênio no assunto. Mas isso não significa que não possa me identificar com uma personagem que seja.

Uma das minhas últimas leituras foi Reações Químicas, da escritora parceira Clara Savelli. O livro, publicado no Sweek (e que você pode conferir aqui), foi uma leitura divertida, bem rápida e cheia de reviravoltas.


Na história, Juliana estuda no EA, um internato no interior do Rio do Janeiro que é conhecido pelos métodos alternativos de ensino e laboratórios fantásticos. A garota de 17 anos é apaixonada por química e estuda muito, já que é a única bolsista da escola e precisa sempre manter suas notas altas. Até o momento, na reta final para o Enem, ela conseguiu seu objetivo e passou quase despercebida pelos colegas que tanto detesta. Mas a chegada de Vicente sacode seu mundinho tão organizado. Ele é um bad boy com passado conturbado, alvo de todas as fofocas do colégio e que por algum motivo está sempre no pé de Juliana. A nerd pouco quer com ele, mas o que pode fazer se o seu corpo insiste em ter reações químicas um tanto explosivas quando perto do rapaz?

Clara Savelli me conquistou logo nas primeiras páginas. Juliana é muito “gostável”, uma personagem carismática, ainda que reclamona e cabeça dura. Mas ela é inteligente, com um senso de humor único e muito leal a sua única amiga na escola, Karen, que também é um amorzinho. O mais interessante é que Juliana é humilde, mas não tem vergonha nenhuma do seu background. Pelo contrário, sente um orgulho enorme dos pais que fazem um esforço absurdo para que ela estude.

Clara Savelli
Vicente é um personagem dúbio. Não é aquele cara todo amorzinho pelo qual você cai de amores logo de cara. Ele transpira problemas e de início é arrogante e bem chato, para falar a verdade. Mas ele é alguém que passa por enormes transformações ao longo das páginas, evolui muito com o passar da história e passamos a entender o motivo de ele ser assim. E até mesmo caímos de amores, olha só!

O enredo é interessante e muito fluído. É aquele tipo de livro para ler bem rápido e ficar com um sorrisinho bobo no rosto ao final. Clara soube levar tudo num ritmo muito bom e em hora nenhuma fiquei cansada de Reações Químicas. Tem romance na medida certa, drama, amizade e até um pouquinho de tensão. Juliana e sua história me fizeram rir, suspirar e mesmo me emocionar.

Sabe aquele autor por quem você torce um monte? É o meu caso com a Clara Savelli. Não a conheço ao vivo, só pelas redes sociais e e-mails trocados, mas gosto da sua escrita, do que posta principalmente no Twitter e me identifico muito com ela, por isso fico aqui comemorando a cada vitória que alcança. Fiquei muito feliz quando no começo do ano ela me escolheu como uma das blogueiras parceiras para receber seus livros.

Reações Químicas vale muito a pena e está lá para todo mundo que quiser ler. É só acessar aqui no Sweek e se jogar nessa história fofa. E a Clara está escrevendo um spin-off dessa história, chamada de Síndrome de Salvador, que já começou a ser postado. E aproveite para participar o grupo de Leitores da Clara Savelli no Facebook e seguir o seu instagram.

Recomendo muito.

Teca Machado


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Deadpool 2 - Crítica


Está na hora de deixar o politicamente correto de lado por alguns minutos, porque vou falar de Deadpool 2!


O mais legal desse anti-herói, que o Ryan Reynolds tão lindamente interpreta, é a falta de seriedade com si próprio e com o filme que está fazendo – prova disso são as excelente cenas pós-crédito. Mas, ao mesmo tempo, ele se leva a sério. Apesar da falta de decoro, às vezes de bom gosto, e de reflexão mais profunda, toda produção é muito bem pensada, bem feita e costurada, ainda que com uma ou outra pequena falha de roteiro.

Deadpool 2 não sofreu com a maldição do segundo filme. Eu até mesmo gostei mais do que do primeiro. Ele não tenta ser épico – nunca tentou, nem mesmo nas HQs -, mas tenta ser o melhor que o mercenário tagarela pode ser. E é: escrachado, bizarro, por vezes obsceno, com um pezinho no nonsense e bastante quebra da quarta parada (quando o personagem fala com o espectador).



Depois de se tornar um super-herói bem requisitado no mundo, Deadpool está a toda na pancadaria e mutilação de bandidos. Mas um deles coloca tudo a perder e tira o mundo do protagonista dos eixos. Reviravoltas do destino o levam até Russell (Julian Dennison), um mutante adolescente sem controle que Cable (Josh Thanos Brolin) veio do futuro para exterminar.

Assim como no primeiro filme, Deadpool 2 tem seus momentos mais dramáticos, afinal, a vida do cara é pavorosa, mas não chegam realmente a partir nosso coração. Só ficamos meio pasmos, do tipo “isso aconteceu mesmo?”. Mas nosso herói não fica triste muito tempo, ele é sarcástico, zoeiro e maluco demais para isso.



Além dos personagens do filme anterior, como Vanessa (Morena Baccarin), Al Cega (Leslie Uggams), o taxista que quer ser herói Dopinder (Karan Soni), e os X-Men que aparecem Colossus (Stefan Kapicic) e Negasonic (Brianna Hildebrand), nesse volume a equipe de Deadpool cresce, com a X-Force, cuja personagem mais maravilhosa é Domino (Zazie Beetz), cujo superpoder é simplesmente a sorte. Há ainda a aparição muito rápida, mas engraçada de Terry Crews, o eterno pai do Chris, e até mesmo de Brad Pitt e Hugh Jackman. Acho que Deadpool e Reynolds finalmente realizaram o sonho de ter Wolverine na sua história.

Dá para rir bastante em Deadpool 2, dá para ficar meio horrorizado em alguns pedaços (pernas de bebê num homem adulto!) e dá para pegar muitas, mas muitas referências, tanto do mundo pop em geral, quanto da própria Marvel e da DC, a concorrente. Em certo momento ele até mesmo chama Cable de Thanos, já que Brolin há pouquíssimo tempo viveu o maior vilão da franquia. Por falar no ator, ele é ótimo, como sempre. Seu personagem é a antítese de Deadpool e a química entre eles é muito boa. Carrancudo, sempre com semblante fechado, e com uma história triste a tiracolo, seus motivos são de certa forma válidos (ainda que, pelo que eu pesquisei, completamente diferente das HQs).



O diretor David Leitch não pesa a mão nos efeitos especiais e sabe conduzir bem as cenas de ação, ainda que não faça nada inusitado ou extraordinário. Mas não tem problemas. Não assistimos Deadpool pela ação ou pancadaria e sim pelo seu senso de humor que nenhum outro personagem da Marvel teve a coragem de ter.

Não deixe de assistir as maravilhosas cenas pós-créditos e preste bastante atenção na abertura, com música de Celine Dion e muita falta de noção.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Comendo o livro de receitas


Que livros de receitas geralmente são deliciosos, metaforicamente falando, nós sabemos. Mas e quando eles são literalmente falando deliciosos?

A design alemã Korefe, juntamente com a Gerstenberg Publishing House, editora especializada em gastronomia, criou o The Real Cookbook, que é um livro de receitas que vira a própria receita!

O modo de fazer a lasanha está estampado na própria massa fresca. Você segue as instruções e a cada passo que segue, uma nova camada vai surgindo e as páginas do livro sumindo. No final, é só colocar no forno e em seguida comer seu livro.






Pena que não podemos comprar o The Real Cookbook. A Korefe fez uma edição especial para alguns clientes selecionados.

Acho que vou me inspirar e imprimir uma receita na massa de pão!

Fonte: Sem Medida

Teca Machado

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A Mulher Entre Nós - Resenha


E de repente cai na sua mão um thriller daqueles que deixam a mente assim:


Recebi da Companhia das Letras o livro A Mulher Entre Nós, de Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, do selo da Editora Paralela. Foi uma leitura alucinante, cheia de reviravoltas e que me deixou duvidando dos personagens em vários momentos. Tem coisa melhor do que um livro que mexe tantos com seus sentimentos?

A Mulher Entre Nós é aquele tipo de história da qual não podemos falar muito sobre a sinopse porque qualquer coisa a mais pode ser um spoiler que vai estragar grande parte da leitura. E eu odeio spoilers, então pode vir tranquilo para a resenha que aqui não tem.

Foto @casosacasoselivros

Temos no enredo duas mulheres muito diferentes. Nellie, jovem, loira, linda, prestes a se casar com Richard, o amor da sua vida. Tudo parece perfeito, tirando o fato de que recebe ligações anônimas muito estranhas. Já Vanessa é o contrário. É uma mulher recém-divorciada, que vive deprimida, sem amigos ou dinheiro, assim como vaidade. Ao descobrir que Richard, seu ex, vai se casar outra vez, o pouco de autocontrole que tinha vai para o espaço e ela tem uma nova meta de vida: impedir o matrimônio.

Essa parece apenas mais uma história de mulher ciumenta que irá fazer o inferno na vida da nova esposa, mas nada é o que parece. O próprio título do livro já nos dá a dica de que “ela não é quem você pensa”. Mas quem? É basicamente como se as autoras pegassem o livro e batessem com ele no meio da sua cara.

Sarah Pekkanen e Greer Hendricks
O leitor bola suas teorias, supondo o que está acontecendo com as migalhas de informações que as autoras dão. E então recebemos surpresas atrás de surpresas, muitas delas realmente improváveis. O que podemos aprender com essa história é que nem sempre o que lemos e o que nos dizem é.

Temas muito atuais são abordados, como o abuso, tanto físico quanto psicológico, e relacionamentos tóxicos. Não é uma história real, mas a sensação que fica é a de que o enredo é muito verossímil, que poderia acontecer com qualquer uma de nós.

Thriller é um gênero que gosto muito e leio com frequência, então sei que muitas vezes o início é bom, o meio arrastado e o final surpreendente e com a resolução dos mistérios. A Mulher Entre Nós não seguiu esse padrão. O nível foi alto o tempo todo, sempre com a sensação de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. O meio não foi enrolado, pelo contrário, temos uma revelação que muda tudo, toda a maneira que vemos a história. Esperava algo um pouco mais grandioso do final, mas ele não deixa a desejar, nos apresentando as últimas respostas que estavam em aberto, assim como um desfecho.

Com uma trama inteligente e que te envolve, A Mulher Entre Nós foi uma ótima leitura, daquele tipo que não vou esquecer ou superar tão cedo.

Obrigada, Companhia das Letras e Editora Paralela por essa leitura que tanto adorei.

Recomendo muito.

Teca Machado

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 1


Há um mês contei aqui para vocês sobre o meu projeto de ficar um ano sem comprar livros. Resumidamente, essa história começou como uma brincadeira, com amigos dizendo que eu deveria passar um ano sem livros novos porque tinha quase 200 deles na estante. Pensei bem no assunto e acabei assumindo esse compromisso. Minha motivação principal foi que tenho livros que quero muito ler que estão há tempos na estante que não saem de lá porque novos chegam e eu passo na frente da fila. E também para me ajudar a fazer uma desintoxicação de comprar, já que eu fico até coçando de vontade quando escuto que eles estão em promoção. Acho que vai me fazer bem.


O primeiro mês acabou e eu fiquei firme e forte no meu propósito.

Maio não foi tão difícil quanto eu achava que seria esse início, que é bem marcado pela abstinência (Não rolou nenhum sintoma, ufa!). Mas confesso que só foi tranquilo porque o grupo Companhia das Letras me enviou oito livros nesse período de tempo como parceria. Então isso acalmou o comichão de comprar livros.

Não nego que em vários momentos eu fiquei bamba. Principalmente quando chegava e-mails da Amazon – quase todo dia eles me falam que tal gênero está com desconto, com super promoção -, da Saraiva, da Cultura... Fora as editoras que vivem me falando sobre seus lançamentos.

Até mesmo fui num evento literário e não comprei nenhum livro (Caramba, estou muito orgulhosa de mim mesma!). 


Passei por livrarias sem nem olhar para eles, porque se eu parasse para ver pelo menos a vitrine eu fraquejaria. Então parecia uma louca tapando os olhos e virando para o outro lado.

Chegou uma caixa de assinaturas de livro infantil nesse período, mas ela não entra no projeto porque comprei fim de março, antes de fazer o projeto e só chegou agora, então eu não trapaceei.

Todos os meses farei um post aqui para que vocês saibam se continuo seguindo meu caminho ou se fraquejei.

Um mês já foi. Só faltam 11.

Torçam por mim.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Livros lidos em maio


Maio acabou, junho começou já com um feriado bacana para a gente gastar muitas horas lendo e eu consegui me perder em várias páginas nos últimos dias.

Vêm ver o que eu li em maio:

Fotos @casosacasoselivros

1- Origem – Dan Brown (Editora Arqueiro)
2- Prometida – Série Perdida – Carina Rissi (Verus Editora)
3- Reações Químicas – Clara Savelli (publicação independente)
4- A Mulher Entre Nós – Green Hendricks e Sarah Pekkanen (Editora Paralela)

Como vocês podem ver, uma leitura não tem nada a ver com a outra. Uma ficção de ação, cheia de dados históricos e arquitetônicos, um romance de época, um chick lit e um thriller. Gosto de misturar gêneros para não ficar presa apenas num tipo de história e enjoar desse universo. Fazendo assim, sinto que aproveito melhor cada uma das obras.

Prometida já tem resenha aqui e Origem tem vídeo resenha aqui, já os outros vão receber uma nos próximos dias.

E vocês, o que leram no último mês? Algum desses livros estão na sua pilha de lidos?

Teca Machado

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Safe - Crítica


Se tem um carequinha que eu adoro é o Harlan Coben. Já li tantos livros seus que eu nem sei dizer quantos. E sempre adoro e me surpreendo com as histórias, principalmente as que envolvem Myron Bolitar, seu protagonista mais famoso. Então fiquei ansiosa para assistir Safe, produção da Netflix que leva seu nome como criador e roteirista. Com apenas oito episódios, temos uma trama misteriosa que nos surpreende até os minutos finais, como é típico do autor.


Em Safe, após uma festa entre adolescentes regada a álcool e drogas, Chris (Freddie Thorp) é encontrado morto. Sua namorada Jenny (Amy James-Kelly) está desaparecida e ninguém têm ideia do que aconteceu. Desesperado com a falta de solução da polícia local, Tom (Michael C. Hall), um viúvo que ainda não se recuperou totalmente da perda da esposa, inicia uma busca frenética pela filha sumida ao lado do melhor amigo Pete (Marc Warren). Numa comunidade fechada e aparentemente muito segura próxima a Londres, Tom descobre que seus vizinhos e amigos escondem muito mais do que aparentam.

Apesar de ter visto vários sites e blogs dando mil estrelinhas e exaltando Safe, para mim faltou algo. Por vezes me pareceu um dramalhão. Senti, talvez, que Coben funcione melhor nos livros do que na televisão/cinema. Alguns episódios, principalmente a partir do quarto até o sexto ou sétimo, pareceram dar voltas e não chegar a lugar nenhum. Algumas subtramas, que estão lá para desviar a atenção do espectador das pistas principais, me pareceram supérfluas, algumas até mesmo sem resolução. Esses arcos dramáticos paralelos diminuíram um pouco o ritmo da história. Num livro isso é super válido, porque tem mais espaço para elaborar, principalmente porque temos um acesso mais universal aos personagens e seus pensamentos.



Michael C. Hall tem sido elogiado (menos o seu sotaque inglês bem falsificado) em um dos seus primeiros trabalhos depois da aclamada série Dexter. Ele trabalha de forma competente, mas não me pareceu espetacular. Não senti todo seu desespero pelo desaparecimento da filha durante todo o tempo. Quem podemos elogiar sem medo é Amanda Abbington, no papel de Sophie, interesse amoroso de Tom e investigadora da polícia local, e Audrey Fleurot, como Zoe, mãe de Chris e professora que está sendo acusada de pedofilia. 

Coben vai nos direcionando para locais que não imaginávamos e as peças do quebra-cabeça se juntam até, literalmente, o último minuto do último episódio. E essa capacidade de nos surpreender é algo que sempre gostei no autor. 



Quem já está acostumado com o estilo narrativo do autor consegue enxergar suas marcas em muitas passagens dos oito episódios. Por momentos me pareceu que ele colou trechos de várias histórias suas. Tanto que no início eu fiquei na dúvida se era um livro que tinha lido.

Safe é uma série interessante, com uma história que instiga, mas que pecou um pouquinho na execução e não me convenceu todo o tempo. Vale a pena assistir, ainda mais se for de uma vez só. Não há margens para uma nova temporada e pessoalmente eu acho que não precisa, porque seria esticar desnecessariamente a trama que está bem fechadinha.

Recomendo.

Teca Machado