terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Tartarugas Até Lá Embaixo - Resenha


Meu primeiro encontro com o John Green aconteceu em 2012, acho que como todo mundo, quando ele lançou A Culpa é das Estrelas e saiu quebrando corações mundo afora (sei que eu chorei tanto que minha mãe chegou a perguntar se eu estava bem). Desde então ele não lançou mais livros, - as editoras que publicaram os anteriores que ele havia escrito – até que chegou ao público no final do ano passado Tartarugas Até Lá Embaixo, da Editora Intrínseca. E, como sempre podemos esperar do John Green, esse não é apenas mais um young adult comum.


A graça no autor é que ele nunca entrega algo clichê – não que haja problema com clichês, eu mesma amo. Seus personagens são reais, com problemas, cheios de peculiaridades. Aza Holmes, por exemplo, protagonista de Tartarugas Até Lá Embaixo, é uma garota com um grave caso de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), assim como o próprio John Green, que afirma ser esse livro uma espécie de espelho de si próprio.

Aza é uma garota de 16 anos que, junto com a amiga Daisy, decide tentar solucionar o misterioso desaparecimento de um milionário de Indiana, onde vivem. Quem tiver qualquer pista sobre seu paradeiro irá receber uma quantia em dinheiro, o que ajudaria as duas garotas a irem para a faculdade. Davis, o filho do tal milionário, por quem Aza sempre teve uma quedinha, participou de um acampamento com ela anos antes, e acaba se reaproximando dele. E enquanto questões sobre a investigação, amizade, amor e até mesmo um réptil raro neozelandês acontecem, Aza precisa lidar com o seu maior problema: o TOC que muitas vezes a incapacita de viver, devido aos pensamentos que formam espirais infinitas sobre doenças, germes, bactérias e morte.

John Green
Muito mais do que um romance adolescente, Tartarugas Até Lá Embaixo é sobre conviver com uma doença que quase te leva ao extremo do desespero. Acompanhamos Aza e suas espirais de pensamento, em como ela consegue conectar tudo ao ponto de chegar a ter sérias crises de ansiedade. E como o próprio John Green explica que sempre conviveu com o TOC ele sabe do que escreve. Como sempre fez em seus outros livros, ele não romantiza o problema, mas fala de uma maneira muito real, crua, mas ainda assim sensível. Eu, que não sofro de TOC, ansiedade ou de outros distúrbios, me sentia aflita durante a leitura, dividindo com Aza seu sofrimento e entendendo porque ela simplesmente não conseguia parar. Até porque a história é contada do ponto de vista da garota e temos um acesso imenso ao seu íntimo, medo e obsessões (ou seria dos medos do próprio John Green?).

A história é interessante, mesmo que o caso do desaparecimento do milionário não tenha sido tão bem explorado. Ele foi realmente um pano de fundo para Aza, seus relacionamentos e seu TOC, não a parte mais importante da obra, mas ainda assim senti falta de algo mais profundo, talvez porque eu esteja acostumada a ler muitos thrillers policiais. Mas isso não tira em nada o brilho do livro. 


Aza é uma excelente personagem. É uma adolescente que sofre com os problemas normais da idade e ainda precisa lidar com o TOC e com a morte prematura do pai. Nos compadecemos dela várias vezes, mas enxergamos uma garota forte por trás disso tudo. Daisy me deu sentimentos contraditórios. Muitas vezes foi uma vaca, mas é uma amiga leal e doida por Aza, totalmente o oposto dela. Enquanto Aza se dobra em si mesma, chamando o mínimo de atenção possível e falando apenas o necessário, Daisy ama a própria voz, é extrovertida e é conhecida na internet por escrever fanfics de Star Wars onde Rei e Chewbacca vivem um romance. E ela sabe de todos os problemas de Aza e ainda assim tenta ao máximo diminuir as consequências que isso traz para a amizade entre elas. Davis é outro ótimo personagem. Mesmo que riquíssimo, é um rapaz humilde, que se importa com o irmão, com poesia e com as estrelas. Ele soube lidar com Aza e nunca quis mais dela do que a garota podia oferecer.

Claro que como falamos de John Green, há muitas filosofias – inclusive sobre o nome do livro -, pensamentos sobre vida, morte e mundo, referências ao universo pop, algo que o autor ama, e tudo isso de uma forma muito acessível a todo tipo de leitor. E, por mais incrível que pareça, mesmo falando de assuntos tão sérios, é um livro leve, engraçadinho, que ao mesmo tempo te deixa com um nó na garganta e triste quando acaba.

Quote do livro

Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Escritores famosos que tiveram dificuldades em ser publicados


Como sei que muitos blogueiros também são escritores (olha eu aqui também!), tenho a total certeza de que de vez em quando a carreira na literatura parece sem esperanças. Você trabalha arduamente, escreve, revisa, edita, procura alguém para publicar, depois tenta conseguir leitores e tudo isso é complicado. É um trabalho longo, difícil, quase impossível fazer o nome no meio editorial. Mas o segredo é não desistir.

Por exemplo, você acha que todos os autores que hoje são considerados best-sellers já começaram grandes? Claro que não. Para você ter ideia, a maioria demorou anos até alguém decidir publica-los, ouviu muitos nãos no meio do caminho e batalhou muito para chegar lá.

Para te inspirar a não desistir, veja alguns autores que tiveram uma longa jornada:

1- J. K. Rowling


Essa é uma das escritoras mais famosas do mundo e seu currículo de rejeição já foi bastante divulgado. Mas a autora de Harry Potter teve o manuscrito do primeiro livro recusado não uma ou duas vezes, e sim 12 vezes! Até que uma editora resolveu dar a chance e virou um fenômeno rapidamente no mundo inteiro, com série de livros, filmes, brinquedos, roupas, peça de teatro e até mesmo parques temáticos. Acho que tem alguns editores por aí chorando...


2- Robert Galbraith


Para quem conhece um pouco sobre J. K. Rowling sabe que esse é o seu pseudônimo na série The Cormoran Strike Mysteries. A autora quis permanecer anônima durante um tempo para ver a recepção do seu novo livro sem o peso do nome Rowling por trás, mas o mistério permaneceu por apenas três meses. De qualquer modo, o estreante Galbraith também foi rejeitado várias vezes, inclusive Rowling mostrou as cartas de recusa que recebeu, algumas dizendo até mesmo que para melhorar seria preciso fazer um curso de escrita! Se arrependimento matasse tinha gente morta por aí.


3- John Green


O autor de A Culpa é das Estrelas também demorou a estourar no mundo editoral. Seu livro mais conhecido foi o sexto que escreveu, e o que enfim o lançou no mercado editorial internacional. Foram quase 10 anos da primeira publicação – Quem é Você, Alasca? – até A Culpa é das Estrelas. Depois que sua obra vendeu bastante, as editoras correram atrás para conseguir os direitos dos livros anteriores.


4- Agatha Christie


A Rainha do Crime que, segundo o Guiness Book, é a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular mundial, uma vez que suas obras venderam cerca de quatro bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, foi rejeitada por seis editoras antes que uma a aceitasse. E, mesmo assim, quando seu primeiro livro foi publicado, vendeu apenas 2 mil cópias. Apenas seis anos e três romances depois Agatha começou a se tornar o fenômeno editorial que nos encanta quase 100 anos depois.


5- Stephen King


O mestre do terror teve um início difícil. Carrie foi seu primeiro livro, cujo esboço ele jogou no lixo por não gostar da história. Até que sua esposa tirou os papeis da lixeira e o mandou terminar. No entanto, 30 editoras recusaram seu original por acharem a história fraca e com tendência ao fracasso. Até que uma editora de médio porte aceitou a publicação, que não vendeu muito de início. Em seguida ele teve dificuldades de publicar um dos seus maiores sucessos, O Iluminado. Alguns anos depois King alcançou o sucesso que perdura até hoje.

*** 

E aí, esse era o ânimo que você precisava? Era o que eu queria!

Teca Machado


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Ernest Hemingway e seus ensinamentos literários


Você pode até não ter lido nenhum livro dele, mas com certeza já ouviu falar de Ernest Hemingway, um dos maiores escritores da literatura mundial. Autor de livros clássicos, como Paris É Uma Festa, O Sol Também Se Levanta, Por Quem os Sinos Dobram ou O Velho e o Mar, ele chegou até mesmo a ganhar o Prêmio Nobel da Literatura em 1954. E, além disso, teve uma vida cheia de emoções (dirigiu uma ambulância na I Guerra Mundial, foi jornalista na II, inventou o Mojito, sobreviveu a duas quedas de avião e foi recrutado como espião para a KGB). Então, quem melhor do que esse célebre escritor para nos ensinar um pouco mais sobre a arte da escrita? No livro Tempo de Viver, publicado no Brasil em 1969, podemos aprender muito com o mestre.

Que senhorzinho boxeador simpático!

Para Hemingway, escrever bem é escrever com sinceridade. “Para começar, escreva uma frase verdadeira. Se um homem está escrevendo uma estória, será verdadeiro e sincero em proporção à soma de conhecimentos da vida que ele possui […] Mas se continuar escrevendo sobre aquilo que não conhece, acabará por descobrir que não passa de uma fraude, de uma mistificação”. 

O escritor ainda dizia que era preciso observar que acontece hoje. E quando for escrever sobre o assunto, é preciso reconstruir todas as suas recordações até perceber exatamente qual foi a ação que provocou em você aquela emoção. E essa é a beleza que um livro precisa transmitir: sentimento, seja ele qual for. “Se eu berrar com você, procure imaginar tanto o que é que eu estou pensando como o que você sentiu quando eu berrei”, disse.

O certo, para Hemingway, é que quando for escrever um romance, crie pessoas vivas, não meros personagens. “Devem ser projetados a partir da experiência assimilada do escritor, de seu conhecimento, de sua cabeça, de seu coração e de todos os seus”. E quando falamos sobre isso voltamos a ponto da sinceridade, sobre ter vivido aquilo de verdade.

E quando ele diz para escutar as pessoas, a dica vale para tudo na vida, não só para escrever. “Quando as pessoas falam você deve escutá-las completamente. Não fique pensando no que vai responder, no que deve dizer a seguir. A maioria das pessoas não ouve”.

Todo escritor já passou por aquele momento em que pensa: “e agora? Como eu continuo a história?”. Hemingway dizia que lia os próprios livros para recobrar o ânimo e então lembrar que escrever cada um deles também foi difícil, assim como o atual. E quando a inspiração voltar tenha cuidado com o escrever demais. O escritor dizia que essa era a sua maior tentação. “Eu mantenho isso sob controle, então eu não preciso cortar palha e reescrever. Indivíduos que pensam que são gênios porque nunca aprenderam a dizer não a uma máquina de escrever são um fenômeno comum”. 

E por último, mas não menos importante, Ernest Hemingway dizia que para ser um escritor é preciso  produzir todos os dias. “Trabalho das 7h até o meio dia. Então vou pescar ou nadar ou qualquer outra coisa que eu queira. [...] Nunca pense sobre a história quando você não está trabalhando. [...] E pelo amor de Deus, escreva e não se preocupe com o que os outros vão dizer, ou se será uma obra-prima ou o que”. 

Se o mestre falou, quem sou eu para duvidar, certo?

Teca Machado

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Séries de livros nem tanto conhecidas que você deveria ler


Quem acompanha o instagram do blog (@casosacasoselivros) e a página do Facebook (/casosacasoselivros)  viu que eu estou lendo Corte de Névoa e Fúria, livro 2 da série Corte de Espinhos e Rosas, da Sarah J. Maas, publicado pela Galera Record, e que eu estou alucinada pela leitura! O primeiro volume já tinha virado a minha cabeça, mas esse segundo, ai, minha nossa, que coisa incrível, maravilhosa e sensacional! Já estou me preparando para ler Corte de Asas e Ruínas, último da trilogia. E como essa série é incrivelmente incrível, resolvi trazer hoje indicação de séries literárias que podem blow your mind e que talvez não sejam tão conhecidas quanto Harry Potter, Jogos Vorazes e Divergente.

1- Corte de Espinhos e Rosas – Sarah J. Maas (Galera Record)


Como já expliquei na introdução, a saga de Feyre é sensacional – e olha que eu estou no livro 2 ainda e já posso dizer que é uma das minhas preferidas DA VIDA. Amo fantasias, ainda mais quando misturam romance, ação, guerra, conspirações e muitos mais. Num mundo em que humanos e feéricos vivem separados depois da guerra, uma garota é levada para o reino dos imortais após sem querer matar um deles. Lá ela descobre um novo mundo, muito mais cheio de belezas, amores e horrores do que havia imaginado. Por favor, não deixe de ler!


2- Hopeless – Colleen Hoover (Galera Record)


Composta por três livros – Um Caso Perdido, Sem Esperança e Em Busca de Cinderela -, essa foi uma série que entrou profundamente no meu coração. Não é uma história real, mas poderia muito bem ser. Não deixe uma sinopse simples te enganar: Hopeless vai destroçar e remendar seu coração inúmeras vezes. Sky, no último ano da escola, conhece Dean Holder, um rapaz que tem uma reputação tão ruim quanto a dela. E apesar do medo inicial que sente dele, algo começa a surgir, mas Sky passa a descobrir verdades sobre si mesma que a deixam sem chão.


3- Mundo de Tinta – Cornelia Funke (Editora Seguinte)


Anos atrás assisti Coração de Tinta, com o Brendan Fraser, e amei. Logo depois descobri que era um livro e me aventurei por suas páginas sem medo de ser feliz. Os volumes são Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta. Mo tem a língua encantada, ou seja, tudo o que lê em voz alta salta das páginas do livro para o mundo real, enquanto algo que estava próximo a ele vai para dentro da história. Quando lê para a filha Meggie um livro pouco conhecido, um dos maiores vilões da literatura ganha vida, enquanto sua esposa desaparece.


4- Os Legados de Lorien – Pittacus Lore (Editora Intrínseca)


Essa série é mais conhecida pelo filme Eu Sou o Número Quatro, que é o título do primeiro livro. Muita gente não gostou da produção, por isso não se aventurou na leitura, mas eu garanto que a série inteira, que conta com sete livros e 15 e-books curtinhos de contos extras, é incrível e vai aumentando a qualidade com o passar dos volumes. John Smith sabe que é um alien na Terra, um lorieno cujo planeta foi destruído pelos mogadorianos, que agora perseguem os últimos da sua espécie no nosso planeta. Nove crianças e seus guardiões estão espalhados pelo mundo treinando, se preparando para a guerra. Mas quando chega a vez de John ser caçado, ele decide que está na hora de acabar com isso.


5- Estilhaça-me – Tahere Mafi (Editora Novo Conceito)


Composta por Estilhaça-me, Incendeia-me e Liberta-me, essa foi uma das séries mais incríveis que já li. Basicamente devorei os três livros, mais o conto extra, e simplesmente não conseguia parar de pensar nos personagens. Juliette é uma garota longe do normal. O seu toque mata as pessoas. Nem mesmo seus pais a quiseram, por isso foi trancafiada numa cela. Quando ganha um companheiro de prisão, Adam, Juliette passa a ter mais notícias do mundo lá fora, que está aos poucos acabando. Quando ambos são liberados, Juliette precisa retomar a vida e tomar várias decisões.

*** 

Foi difícil escolher apenas 5 séries. Ficaram de fora os romances de época, que eu amo de paixão; A Seleção, de Kiera Cass, que não acrescentei porque acho bem conhecida; a trilogia Legend, de Marie Lu, que ainda não li o último livro; Deuses do Egito, de Colleen Houck, que amo mas só li o primeiro; os Percy Jacksons, do Rick Riordan, que são bem famosos; A Mediadora, de Meg Cabot, também já quase um clássico; As Crônicas de Nárnia, do meu amorzinho C. S. Lewis e muito, muito mais.

Vocês já leram algum desses? Têm mais alguma série para me indicar?

Teca Machado


segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Rei do Show - Crítica


Desde criança, quando meu pai me apresentou filmes como Grease, Cantando na Chuva e todo sapateado de Fred Astaire, sou apaixonada por musicais. Toda aquela aura de dança, música, de dançar no meio da rua – e as pessoas participarem -, a alegria de um musical, me encanta tão profundamente que tudo o que eu mais queria era viver num deles. Tanto que sempre que estou correndo escutando música me imagino num musical, inclusive danço, o que provavelmente me deixa ridícula, mas, quem se importa? Então, é claro que eu não poderia deixar de assistir O Rei do Show, do diretor estreante Michael Gracey.


Há mais ou menos um ano vi La La Land, aquela lindeza sem precedentes, e desde então a playlist do filme não saiu da minha cabeça (inclusive o Spotify me disse que foram as músicas que eu mais escutei em 2017). Mas agora tenho feito o mesmo com as canções de O Rei do Show. Antes mesmo de ver o filme já tinha começado a ouvir exaustivamente This Is Me, que toca no trailer. E agora canto e escuto o dia inteiro as outras. E se tem algo em que filme acertou foi na trilha sonora, que está divina. Não chega talvez a ser a de La La Land, mas é excelente – e tem os mesmos compositores, por isso vemos tanta qualidade.

O Rei do Show nos conta uma história real do século XIX, de forma que tenho certeza que foi açucarada, pois li um pouco sobre o protagonista e ela era, na melhor das palavras, um salafrário, apesar de gênio. P. T. Barnum (Hugh Jackman) foi o inventor do circo como temos hoje. Saiu de uma infância pobre, conseguiu se casar com a filha do ex-patrão do pai (Michelle Williams) e a levou para uma vida de dificuldades financeiras, mas muitíssimo amor. Quando perde o emprego mais uma vez, Barnum tem a ideia de montar um museu de curiosidades, que posteriormente virou um show, com pessoas exóticas, excluídas, que metem medo, como gêmeos siameses, a mulher barbada, anões, albinos, negros trapezistas – numa época em que eles eram recém-libertos nos EUA, o homem mais gordo do mundo e outros. Mas nem tudo era verdade, como o mais alto da Terra usava pernas de pau, mas era cheio de magia e, no fim das contas, não é isso que mais importa?




Se hoje já temos um mundo teoricamente tolerante – bem teoricamente mesmo – imagine naquela época, por volta de 1840. Os artistas, e o próprio Barnum, sofriam reprimendas e preconceito, mas ao mesmo tempo encantavam o público. Além da mensagem de aceitar o outro, o diferente, O Rei do Show fala sobre autoaceitação, como fica muito claro numa das músicas principais This Is Me (“I am brave, I am proof, I am who I’m meant to be, This is me”). Então, isso faz dele um filme atemporal, com uma mensagem específica, sem ficar levantando bandeiras de forma politizada ou chata.

Hugh Jackman é um dos meus atores preferidos. Além da vida pessoal discreta e sem escândalos, ele é um profissional versátil. Quem imaginaria que o violento e agressivo Wolverine é também o doce Jean Valjean de Os Miseráveis e o empreendedor carismático Barnum em musicais? Além de ter uma interpretação excelente, com canto e dança de qualidade, fico mais impressionada ainda pelo fato de ele ter gravado parte de O Rei do Show enquanto tratava de um câncer de pele.



Apesar de Jackman ser o protagonista, todo elenco dá um peso maior à história. Zack Efron, que voltou às origens de High School Musical, tem uma química excelente com seu colega. A cena em que dançam e cantam juntos é ótima. Michelle Williams é aquela moça doce que nos faz querer ser amiga dela e Zendaya, trapezista do show e par de Efron, também está ótima. E não podemos esquecer de Keala Settle, a mulher barbada e a incrível voz por trás de This Is Me, e Rebecca Ferguson, que eu adoro, como a cantora de ópera Jenny Lind e tem uma das músicas mais lindas da vida (mas que infelizmente ela dubla).

Mesmo que em alguns momentos o roteiro tenha pecado pela falta de profundidade, O Rei do Show tem uma história que prende o espectador. Não entra a fundo em várias questões que podiam ser melhor trabalhadas, como os relacionamentos, as manifestações contra os artista, Barnum mesmo com dinheiro não ser aceito pela alta sociedade e mais, mas é um ótimo entretenimento, assim como Barnum criou o conceito do seu empreendimento.




O Rei do Show é um espetáculo visual, como não poderia deixar de ser, principalmente nos momentos musicais. Tudo milimetricamente ensaiado, com as câmeras nos lugares certos. O figurino, a maquiagem, as cores alegres do picadeiro e os cartazes vintage encantam, tudo isso junto com as músicas tocando e nos fazendo entrar na atmosfera da história. Impossível não sorrir junto, o que nos leva a concordar com a frase que o P. T. Barnum real disse: “A arte mais nobre é fazer os outros felizes”. E, no fim das contas, não é isso que o cinema também faz?

Recomendo muito.

Teca Machado 


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O Ano Em Que Li Um Livro de Cada País: Projeto de Ann Morgan


Vá até a sua estante, veja os títulos e me diga uma coisa:

Há livros de vários países ou apenas predominantemente de língua inglesa – e talvez portuguesa, porque a nossa literatura nacional tem crescido muito?

Provavelmente a maioria dos seus livros são americanos e ingleses, né?

Mas, calma, eu não estou te julgando, nem nada do tipo. Essa é a tendência editorial no nosso país – e em muitos e muitos outros, na verdade.

E a escritora britânica Ann Morgan percebeu isso também em sua realidade, por isso decidiu fazer algo diferente: ler obras de todos os lugares do mundo. A experiência virou uma palestra do TED Talks, chamada O Ano Em Que Li Um Livro de Cada País.

Ela conta que se descobriu uma “xenófoba literária desinformada”, mesmo sendo uma pessoa que lia muito. Ao observar sua biblioteca pessoal percebeu que quase todas suas leituras vinham da língua inglesa. Só que como eu disse mais acima, isso não era estritamente culpa dela. Apenas 4,5% de ficção, dramaturgia e poesia vendidos no Reino Unido são traduzidos de outras línguas.

Ann Morgan
Então, ela pegou como base a lista de nações reconhecidas pela ONU e chegou a uma contagem de 196 países. Criou um blog chamado A Year of Reading the World, que acabou se tornando a palestra. 

Ann percebeu que não conseguiria sozinha. Afinal, como saber o que ler do Malawi (juro que isso é um país)? Então pediu indicações de amigos, de leitores e de todo mundo que passasse pelo seu caminho. Podia ser alguma obra clássica do país, algo que estava na moda, um livro que foi sucesso de vendas e assim por diante. 

Em alguns casos foi mais fácil. No Brasil, por exemplo, temos uma literatura extensa. Daqui ela leu durante o desafio A Casa dos Budas Ditosos, do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. Mas depois a lista cresceu e conta atualmente mais de um livro por país, tendo lido dos brasileiros Água Viva, de Clarice Lispector, Jubiabá e A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado, Dom Casmurro, de Machado de Assis, Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles, e Joias de Família, de Zulmira Ribeiro Tavares. Mas em outros países, principalmente os fechados politica e culturalmente para o mundo, ela teve mais dificuldade. Em alguns casos, a tradição é contar histórias apenas oralmente, o que dificultou seu trabalho. A escritora comenta que muitas vezes precisou da ajuda de voluntários que traduziram para ela alguns livros, como de Porto Príncipe.

Mais do que aumentar sua bagagem de conhecimento, ela percebeu que se mais pessoas fizessem o mesmo, os editores do mundo inteiro também começariam a publicar obras de todos os lugares.

“Pouco a pouco, aquela longa lista de países com a qual comecei o ano passou de uma lista enfadonha e acadêmica de nomes de lugares para entidades vivas, pulsantes. Não estou sugerindo que seja possível obter uma visão completa de um país lendo apenas um livro. Mas, cumulativamente, as histórias que li naquele ano me tornaram mais atenta do que nunca à riqueza, diversidade e complexidade do nosso extraordinário planeta”, disse Ann Morgan na palestra do TED Talks.

A experiência gerou um livro

E A Year of Reading the World não foi sua primeira experiência do tipo: Em 2011 ela passou o ano lendo apenas literatura feminina.

Ann Morgan escreveu um livro sobre sua experiência chamado Reading the World: Confessions of a Literary Explorer (Lendo o Mundo: Confissões de uma Exploradora Literária), também chamado nos EUA de The World Between Two Covers (O Mundo Entra Duas Capas). Veja aqui a lista de todos livros lidos por ela no desafio.


Fiquei super interessada, apesar de não termos o livro dela em português ainda. E também achei a ideia de ler o mundo muito bacana. Não digo que vou fazer um projeto do tipo, mas vou procurar ler autores de mais países.

Teca Machado

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O Canalha, série Os Irmãos Chandler - Resenha


Lááááááá em 2010, no meio de uma viagem, o livro que estava lendo acabou – e naquela época eu levava um só por vez. Hoje levo uns 4, só por via das dúvidas, haha. Então fui numa livraria e achei O Bom Partido, de Carly Phillips (resenha aqui). Nunca tinha ouvido falar, mas gostei da capa e levei. Eis que adorei o livro e descobri que fazia parte de uma série chamada Os Irmãos Chandler e que esse era o segundo da trilogia, mas não tinha problema porque eram histórias independentes. Só que não era uma série muito conhecida no Brasil, então demorei a achar o livro 1, que se chama O Solteirão (resenha aqui), e, enfim, o terceiro e último,  O Canalha, que hoje trago a resenha.

Fotos @casosacasoselivros

Os irmãos Chandler, da cidade de Yorkshire Falls, no Estado de Nova York, são conhecidos por não quererem se amarrar a mulher nenhuma. Bom, eram conhecidos. Roman, o mais novo, se casou, assim como Rick, o filho do meio. Só sobrou o mais velho e mais discreto dos irmãos, Chase. Jornalista, editor do jornal da cidade, ele nunca procurou amor. Quando o pai deles morreu muito cedo, Chase se viu na obrigação de cuidar da família, de criar os irmãos e aliviar o peso da mãe. Anos depois, quando surge a oportunidade de ir para Washington escrever o que talvez seja a matéria da sua vida, ele encontra Sloane, a filha do Senador que está concorrendo à vice-presidência do país e que esconde um segredo que pode colocar a vida dela em perigo. Mesmo sem querer, Chase se vê pela primeira vez encantado por uma mulher, o que pode acabar com todas suas convicções sobre relacionamentos.

Por causa do título, achei que Chase fosse realmente um canalha, mas ele está muito longe disso. Discreto, vivendo sua vida de modo simples, ele nunca foi de se envolver com muitas mulheres. Apenas com algumas poucas e sempre deixando muito claro que não havia compromisso. Ele é tão focado em prover para toda família que esqueceu de pensar em si mesmo. Nunca enganou ninguém, é muito ético e certinho, tanto que às vezes chega a dar raiva. O título em inglês faz mais sentido, que é The Heartbraker, que significa O Destruidor de Corações.

Carly Phillips
Sloane foi uma boa protagonista feminina. Apesar de todo drama que vira seu mundo de cabeça para baixo, ela não ficou apenas se lamentando. Foi atrás do que queria, investigou por si própria os segredos de família e, no meio do caminho, ainda conheceu um cara bacana que bagunçou ainda mais sua vida já caótica. Ela e Chase combinaram muito e rolou química.

Mesmo que O Canalha seja sobre Chase, temos muito dos outros irmãos e da mãe deles, que é ótima e altamente intrometida, afinal, ela fingiu desde o primeiro livro um problema grave de coração para fazer os filhos se casarem e lhe darem netos.

A história é divertida, leve e mesmo que por vezes clichê – alguém duvida de um final feliz? – é bem interessante e ótima para clarear a mente. É aquele livro que a gente pega para ler depois de uma leitura mais pesada, que vai te fazer sorrir e suspirar.

O Canalha, assim como os anteriores da série, tem uma pegada mais hot. Bom, não hot, porque esse não é o foco do livro, mas tem cenas mais calientes. Não a ponto de ser exagerado e nem pesado, mas não é recomendado para leitores tão novinhos.

A única coisa que me deixou triste em O Canalha é que a Editora Essência mudou a identidade visual da capa. Os outros dois volumes eram com ilustrações dos irmãos Chandler e nesse último usaram o mesmo padrão da original, que achei mais feia.

Série Os Irmãos Chandler

Não só O Canalha, mas toda série Os Irmãos Chandler, é divertida, por isso recomendo para vocês.

Teca Machado