quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Manchester À Beira-Mar – Maratona Oscar 2017


Vamos continuar a maratona do Oscar com nó na garganta.

Passei o tempo quase todo de Manchester À Beira-Mar com vontade de chorar. Chorar pela vida de Lee Chandler (Casey Affleck), cujo sofrimento foi um dos maiores que já vi. Chorar pela vida que ele poderia ter tido. Chorar pela pessoa que ele teve que se tornar para não morrer de tristeza. Chorar pela sua solidão de certo modo autoimposta. O filme, que está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Filme, é uma viagem dentro da dor de Lee.


Manchester À Beira-Mar, do diretor Kenneth Lonergan, que também assina o roteiro, é um filme sobre perdas, sobre como seguir em frente quando a culpa é totalmente sua. O perdão dos outros pode até vir e ajudar a aliviar um pouco o fardo, mas se você próprio não se deu o perdão, nada mais adianta.

Na história acompanhamos Lee Chandler (Affleck), um zelador de prédios em Boston totalmente antissocial, solitário e com tendência a violência sem motivo. Quando recebe a notícia de que seu irmão Joe (Kyle Chandler) faleceu, Lee precisa voltar à sua antiga cidade, Manchester, para lidar com a burocracia de enterrar o irmão e descobre que se tornou tutor do sobrinho adolescente Patrick (Lucas Hedges). Apesar dos fantasmas do passado que rondam Lee pelas ruas de Manchester, ele precisa enfrentar muito mais do que estava preparado.



O filme não é cheio de ação e mesmo os diálogos são curtos e escassos – o contrário de Um Limite Entre Nós, que comentei ontem e tem monólogos que duram infindáveis minutos. Muito é dito pelos olhos dos atores, pela linguagem corporal e pelas curtas frases cheias de significado, mesmo quando não aparentam ter importância nenhuma. Isso pode afastar algumas pessoas do cinema, principalmente as que preferem blockbusters. Mas Manchester À Beira-Mar é paciente, é calmo, é doloroso e é devastador. O roteiro de Lonergan “engole” o espectador, já que nos grudamos a Lee, principalmente quando descobrimos, num timing perfeito do filme, o motivo de ele ser tão traumatizado e machucado.

O diretor optou por não nos mostrar de cara toda a história por trás de Lee, e isso é um grande trunfo no enredo. Ele vai sendo explicado por meio de flashbacks que aparecem nas horas mais oportunas. Não é um grande mistério, mas as peças do quebra-cabeça vão se juntando. Muito é contado e explicado por meio do não dito, por meio de frases aparentemente aleatórias.


Casey Affleck é um dos favoritos a levar o Oscar de Melhor Ator. E com motivos! No início achamos que sua atuação é apática e sem grande interesse, mas com o passar do filme vamos descobrindo a complexidade do personagem, como Casey passou o tom que era preciso a cada cena e entendemos que o seu trabalho foi magnífico. Seu papel é dificílimo de ser interpretado. Torço por ele e por Andrew Garfield, de Até O Último Homem (Comentei aqui).

O protagonista faz um trabalho incrível, mas o elenco de apoio por trás dele ajuda a erguer ainda mais o filme. Lucas Hedges, o sobrinho, nem parece um ator estreante, tanto que está concorrendo ao Oscar na categoria Melhor Ator Coadjuvante. Ele faz um Patrick aparentemente indiferente à morte do pai, mas mostra todo o seu sentimento contido no momento em que tem um surto ao ver carnes no freezer, uma alusão ao pai que está num freezer do necrotério até o inverno passar e ele poder ser enterrado. Michelle Williams, que interpreta a ex-mulher de Lee, passa pelo mesmo que Nicole Kidman em Lion (Comentei aqui). Pouco aparece, mas em uma cena específica – extremamente dolorosa de assistir - o motivo da sua indicação ao Oscar como Atriz Coadjuvante fica claro.



O filme está concorrendo em seis categorias (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e em si já é considerado um vencedor, pois é o primeiro filme produzido para streaming que concorre as principais categorias da premiação. Ele foi produzido pela Amazon.

Recomendo.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Estrelas Além do Tempo
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar – Assistido!

Teca Machado


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um Limite Entre Nós – Maratona Oscar 2017


Fiquei cansada. Bem cansada. Um Limite Entre Nós, do diretor e ator Denzel Washington, é um filme que cansa o espectador. Diálogos muitíssimo longos e nenhuma ação, epifanias e ressentimentos e amarguras, além de muita injustiça e atuações fantásticas. Esse é mais um dos filmes indicados ao Oscar em 2017.


Um Limite Entre Nós é e não é filme. É e não é teatro. O enredo é a adaptação da peça Fences (Cercas) dos anos 1980 e que ganhou vários prêmios no segmento. No que foi transformada em roteiro para cinema, o diretor, que também faz o papel do protagonista, optou por manter a aura do teatro. Ela não chega a ser uma peça filmada, mas também não chegar a ser um filme comum. Os personagens são poucos, os cenários menos ainda e tudo gira em torno de conversas, debates e discussões. Conversas que mais parecem monólogos, na verdade. E são nesses momentos que Denzel Washington e Viola Davis mostram toda a força dramática que têm.

A história gira em torno de uma família de Pittsburgh nos anos 1950 que precisa enfrentar os problemas que negros dos EUA na época eram submetidos. Injustiças no trabalho e na vida comum, além de serem considerados inferiores. O pai é Troy (Denzel), um homem completamente amargurado com a vida que tem, mesmo que viva em razoável conforto financeiro e tenha uma esposa que ama. Rose (Viola) é a típica mulher da época, que vive pelo marido e pelos filhos, que deixa seus sonhos de lado para cuidar dos outros. E há ainda o filho mais velho Lyons (Russel Hornsby), um bom vivant, Cory (Jovan Adepo), o caçula que morre de medo do pai, Gabe (Mykelt Williamson), irmão de Troy com problemas mentais, e Jim Bono (Stephen Henderson), amigo do patriarca.



Troy não chega a ser um vilão, nem mesmo um anti-herói, mas não é de causar simpatia no público. Apesar de que em momentos que conta passagens da sua vida é possível se solidarizar com esse homem sofrido – e que faz sofrer aqueles ao seu redor. Ele, no fim das contas, se tornou um espelho do pai que tanto odiava e desprezava. O ambiente em que viveu o moldou.

Não há dúvidas que Denzel e Viola fazem um trabalho magistral. E pela segunda vez! Anos atrás ambos participaram da peça de teatro que originou a produção. As duas indicações ao Oscar são mais do que justas. E falam por aí que Viola é a favorita (óbvio, é a diva Viola, né, gente) na categoria Atriz Coadjuvante. Denzel, apesar de queridinho de todo mundo (porque ele é muito maravilhoso, convenhamos) talvez não leve, porque dizem que Casey Affleck está com mais chances. 



Como o filme é todo sustentado por monólogos e discussões, excelentes atores são o que seguram o espectador nas 2h18 de produção. Só eles – e o fato de que eu me comprometo a assistir todos os filmes indicados na categoria para trazer para vocês – me fizeram continuar assistindo.

A cerca em questão, que é o nome do filme em inglês e da peça, é uma metáfora muito bem utilizada no filme. Troy passa o tempo quase todo construindo uma cerca, ou enrolando para construir a bendita. Ela pode ser usada para manter do lado de fora quem não pode entrar. Ou manter do lado de dentro aqueles que estão dentro dos seus limites. E essas duas opções de analogias são utilizadas por essa família de certa forma presa em sua etnia e em seus problemas.


O filme não é ruim, pelo contrário. Só que Um Limite Entre Nós tem aquele estilo que crítico de cinema e de teatro gosta, o que muitos podem achar chato (eu confesso que achei meio chato. Foi um filme muito longo...). As chances de levar a estatueta com o maior prêmio da noite são pequenas, mas Viola, Denzel e o roteiro adaptado estão mais do que no páreo.

Recomendo só para quem curte o gênero.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
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Estrelas Além do Tempo
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós – Assistido!
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar

Teca Machado

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Lion: Uma Jornada Para Casa – Maratona Oscar 2017


Continuando a maratona para o Oscar 2017, o filme de hoje é daqueles que vai fazer você chorar e ao mesmo tempo fazer o seu coração se encher de amor: Lion – Uma Jornada Para Casa, do diretor Garth Davis.


Assim como outros dois indicados (Estrelas Além do Tempo e Até o Último Homem), Lion é baseado numa história real, do livro Uma Longa Jornada Para Casa, de Saroo Brierley, que é o protagonista dessa história comovente.

Saroo (o incrivelmente fofo e talentoso Sunny Pawar) é um garotinho indiano de cinco anos que venera o irmão mais velho Gudu (Abhishek Bharate). Muito pobres e de um pequeno vilarejo no interior da Índia, eles ajudam a mãe com bicos, pequenos roubos e trabalhos infantis. Até que certo dia, quando acompanha o irmão num emprego, Saroo se perde acidentalmente de Gudu e vai parar em Calcutá, a mais de 1600 quilômetros de casa. Ele chega numa cidade gigante, sem nem saber falar a língua e precisa sobreviver.



Nosso garotinho passa por maus – muito maus – bocados, daqueles de partir o coração, até que é adotado por Susan e John (Nicole Kidman e David Wenham), um casal australiano muito bondoso que o leva para a Tanzânia.

Vinte anos se passam. Saroo (agora interpretado por Dev Patel, de Quem Quer Ser Um Milionário?) é adulto, mas o vazio de ter se perdido da família biológica fica. Ele não é ingrato a Susan e John, muito pelo contrário, os ama de coração. Só que a dor de imaginar o desespero de sua mãe e de Gudu faz com que Saroo comece uma busca tecnológica por eles. O problema é que ele não lembra o nome da sua cidade, da sua mãe e nem de onde ele veio. Na época, em 2008, surge o Google Earth e Saroo se torna obsessivo nessa procura.



O grande trunfo de Lion é contar uma história comovente sem cair no piegas. O diretor e o roteirista Luke Davies souberam dar o tom certo ao filme, tanto no primeiro ato, com Saroo criança passando por dificuldades, quanto no segundo, com ele já adulto em busca do que ficou para trás. O filme arranca lágrimas sim, principalmente no final, mas não é um dramalhão, não apela para os clichês do cinema. Garth Davis mistura o passado e o presente de Saroo na mesma cena, nos mostrando a obsessão do protagonista.

O pequeno Sunny Pawar é um diamante. Impossível não se apaixonar pelo garotinho logo nos primeiros minutos de filme. Tudo o que o espectador quer é colocar ele no colo e dizer que vai ficar tudo bem. Ele trabalha muito direitinho e foi uma excelente escolha do diretor. E Dev Patel também. Aquele rapaz franzino de Quem Quer Ser Um Milionário? cresceu e se tornou um ator muito bom, que externou bem o sentimento de perda e vazio que o personagem pedia. Seu olhar fica perdido, obsessivo, triste, alegre. Ele externa muita coisa só com os olhos. O que achei estranho foi a indicação dele ao Oscar na categoria Ator Coadjuvante, sendo que é o protagonista.



Nicole Kidman, mesmo que subaproveitada no filme, é a atriz que sempre foi. Ela não aparece muito e eu passei vários minutos me perguntando porque ela foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Até que em uma cena específica ela traz toda a carga dramática que existe dentro de si e entendemos o porquê da indicação. 

Rooney Mara, como Lucy, namorada de Saroo também foi subaproveitada e seu envolvimento com o protagonista parece quase mecânico. Não por causa dela, mas por causa dessa pequena falha de roteiro.  Outro furo na história foi a pouca explicação da relação de Saroo com o irmão adotivo Mantosh (Divian Ladwa), indiano adotado por Susan e John, mas que era extremamente problemático, ao contrário de Saroo que se adaptou bem na nova família.



Lion é um daqueles filmes que marcam a gente, principalmente por ser uma história real e por sabermos que a cada ano mais de 80 mil crianças se perdem dos pais na Índia e acabam nas mãos de pessoas más ou no sistema público, que é terrível. Vale muito a pena assistir.

E uma curiosidade: Apenas no letreiro final realmente entendemos o título do filme. E é maravilhoso.

O livro no qual o filme de baseou, publicado pela Editora Record no Brasil

Recomendo muito.

*** 

Melhor Filme 2017 – Oscar
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Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa – Assistido!
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
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Teca Machado

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Até o Último Homem – Maratona Oscar 2017


Essa semana teremos uma avalanche de filmes! Começo hoje a maratona do Oscar! Sempre assisto aos indicados na categoria Melhor Filme e vou fazendo isso em semanas ou mesmo meses. Mas dessa vez dei uma enrolada boa. Então os próximos dias até o Oscar, no domingo, serão dedicados a cinematografia.

Hoje vou falar sobre Até o Último Homem, do diretor Mel Gibson.


O diretor e ator estava sumido há alguns anos, principalmente devido a polêmicas da sua vida pessoal, mas em Até o Último Homem ele volta em sua melhor forma. Fui ao cinema com baixas expectativas porque apesar de não ter muito preconceito contra gêneros de filmes, guerra não é meu preferido. O que encontrei foi muito mais do que um filme sobre guerra. Foi um filme sobre convicção, sobre fé, sobre dar o melhor de si.

Em 1937 Desmond Doss (Andrew Garfield), um americano, se alistou para a II Guerra Mundial. Mas por causa de convicções pessoais e religiosas, ele fez uma promessa a Deus de que nunca nem sequer encostaria numa arma. Mas como fazer isso estando no exército, em plena guerra? Seu caminho foi ser médico da unidade em que se encontrava e usar uma emenda que diz que o soldado não precisa usar armas, mas isso não significa que não sofreu até chegar lá. Durante o treinamento Doss passou por um inferno nas mãos de superiores e mesmo colegas. Mas mal sabia ele que o verdadeiro inferno seria ao chegar ao Japão, na famosa batalha de Okinawa.



O mais incrível é que Até o Último Homem é baseado numa história real. E de acordo com reportagens, muito do que o personagem real fez não foi acrescentado ao filme porque as pessoas não iriam acreditar que ele havia realmente feito isso. Mas tudo foi documentado com depoimentos de colegas, sargentos, coronéis e outros que estavam lá.

Andrew Garfield foi de uma entrega tremenda ao papel. O jeito caipira, meio bobo, mas completamente firme no que acredita, faz com que fiquemos encantados por Doss. Ele até nos faz rir em vários momentos. A primeira metade do filme, do alistamento e do treinamento é uma construção do caráter do personagem, para que na segunda metade, na batalha, possamos entender como ele conseguiu realizar tudo o que fez durante aqueles dias infernais. Segundo o IMDb, o filho de Desmond Doss compareceu as filmagens e chorou ao ver a atuação de Garfield devido a semelhança tanto física quanto de personalidade com seu pai. A indicação ao Oscar de Melhor Ator é justa.



Há muitos nomes conhecidos como coadjuvantes. Sam Worthington (Avatar) é o capitão Glover, Hugo Weaving (Matrix) é o pai de Doss, um ex-militar que lutou na I Guerra Mundial, Vince Vaughn (Penetras Bons de Bico) é o sargente Howell, uma espécie de alívio cômico na pesada história, Luke Bracey (O Melhor de Mim) é Smitty, um dos colegas de Doss, e Teresa Palmer (A Escolha) é a noiva de Doss, Dorothy. Todos esses nomes ajudam a construir o personagem de Doss e a entender quem é realmente o rapaz franzino que nem deveria estar nas Forças Armadas.



Um dos maiores acertos de Mel Gibson como diretor foi o de não romantizar a guerra ou a violência. Em muitos filmes vemos a batalha com olhos quase enevoados, não entendemos plenamente a extensão do sofrimento não só físico, mas psicológico, que a guerra traz aos envolvidos. Só que Gibson não fez isso. Até o Último Homem é um filme muito forte nesse quesito, com explosões, mortos, amputações, membros despedaçados, vísceras e sangue, tudo sem censura para que possamos ver o que aquilo realmente era e como Doss foi incrível no que precisava fazer. É quase um documentário. Dizem que é uma das maiores – e mais reais – cenas de guerra desde a abertura de O Resgate do Soldado Ryan.


Até o Último Homem, que tem seis indicações ao Oscar, não é um filme fácil de assistir – a guerra nunca é fácil -, mas é um filme necessário. A história de Doss, de certa forma um pacifista em meio ao caos, tem muito o que nos ensinar sobre fé, seja ela qual for a sua, e convicção própria e ficar firme em suas crenças.

Recomendo muito.

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Melhor Filme 2017 – Oscar
Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Até o Último Homem – Assistido!
Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
Manchester à Beira-Mar

Teca Machado


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Ninfeias Negras – Monet, mistério e reviravoltas


Que tiro, senhoras e senhores!

Que tiro!

Fiquei atordoada com o livro Ninfeias Negras, de Michel Bussi, que recebi em parceria com a Editora Arqueiro.

Kit recebido em parceria com a Editora Arqueiro

Esse thriller policial me cativou logo na primeira página. O autor joga tantas informações, cria uma teia de acontecimentos tão intrincada que durante a leitura tudo o que eu pensava era “como que esse homem vai amarrar tudo isso no final e dar sentido?”. E ele dá. Ô, se dá.

Por mais que você tente, por mais que você se esforce, por mais que você seja atento, é muito difícil, mas muito difícil mesmo descobrir o final antes da hora. Uma coisa ou outra você até pode desconfiar pelo caminho, mas o grande tcham da reviravolta não. E esse foi o maior acerto da narrativa de Bussi.

Ninfeias Negras não tem o ritmo mais acelerado do mundo. No meio a leitura fica até um pouco lenta. Assim como os policiais emperram na investigação do assassinato em torno do qual gira toda a história, nós ficamos atolados com eles. Parece que a investigação, assim como o livro, não vai parar em lugar nenhum. Mas garanto que vai, é só você não desistir.

Michel Bussi
A obra tem como cenário Giverny. Uma pequena cidade perto de Paris onde estão os Jardins de Monet. Um dos lugares mais importantes do Impressionismo, o vilarejo recebe multidões diariamente que desejam conhecer o local imortalizado pelas pinturas do grande artista.

E é nesse ambiente bucólico, lindo e calmo que acontece um assassinato. Um notável médico da região é encontrado morto. Ele foi esfaqueado, apedrejado e afogado. Enquanto a polícia investiga o que aconteceu numa cena do crime com pistas que parecem levar a lugar nenhum e para todos os lados ao mesmo tempo, acompanhamos três mulheres de Giverny que de certa forma estão ligadas aos acontecimentos: Uma garota egoísta de 11 anos que é um gênio da pintura, uma professora de 36 anos que é mentirosa e uma velha octogenária malvada que observa a tudo e a todos do alto da sua torre.

Mais do que um thriller policial de mistério, Ninfeias Negras é uma homenagem a Monet, um passeio pela história tanto do Impressionismo quanto do pintor. Em vários momentos da leitura me peguei com o celular na mão procurando as pinturas mencionadas e os locais reais que o autor descreveu com tanta perfeição. Me senti nos jardins de Monet e juro que não queria sair de lá (mesmo com um assassino rondando por ali...).

Ninfeias Negras foi aquele tipo de leitura que quando terminei falei: “É por causa de livros assim que eu amo a literatura”. A obra fez tudo o que um livro deveria fazer: Me levou para lugares distantes, me envolveu, me deixou curiosa, me ensinou – sem parecer uma aula – e me surpreendeu de um modo que eu nunca esperava. E se um livro mexe com seus sentimentos, ele cumpriu o seu papel.


Ninfeias Negras foi um dos melhores suspenses que já li.

Recomendo muito.

Teca Machado


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Literatura Por Mulheres + Livros da Teca


Ontem saiu o resultado da enquete do evento Literatura Por Mulheres, que está sendo organizado pelo blog Academia Literária DF.

Fico muito feliz em anunciar que esse ano serei uma das três autoras convidadas!


Ainda não posso divulgar maiores informações, mas já adianto que vai ser no dia 11 de março em Brasília. Se você mora no Distrito Federal vou adorar te ver por lá nesse bate-papo que vai ter sorteio de livros.

Quero agradecer a todos - amigos, conhecidos e desconhecidos - que votaram para que eu pudesse participar do evento. Foram mais de 350 votos cheios de amor.

Obrigada de coração a todo mundo que ajudou na campanha!

E já que estamos falando de livros, quer aproveitar e adquirir o seu Je T’aime, Paris e seu I Love New York? É muito fácil!


É só entrar no www.livrosdateca.com. Lá você tem a versão impressa dos dois e ainda alguns brindes. E se quiser a versão e-book, é só entrar aqui na Amazon (E se você tem o Kindle Unlimited pode ler ele de graça).

Para acompanhar todos os passos da minha aventura literária, é só curtir a fanpage.

Au revoir!

Teca Machado

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

La La Land: Cantando as Estações – Maratona Oscar 2017


Poesia.

Poesia pura.

É assim que eu vejo La La Land: Cantando as Estações, do diretor Damien Chazelle, o mesmo de Whiplash (Comentei aqui).


Há cerca de 10 dias estou tentando colocar em palavras o que senti assistindo La La Land. Estou maravilhada por um filme como há tempos não acontecia. Foi mágico, foi musical, foi colorido, foi tocante, foi dolorido, foi agridoce.

Como boa fã de musicais antigos (Cantando na Chuva é um dos meus preferidos da vida), La La Land foi uma torrente de referências. O diretor, que também escreveu o filme, acertou em cheio ao homenagear as produções mais velhas, mas tendo em mente que o público hoje é outro. A mistura de uma pegada de musical dos anos de ouro de Hollywood com uma história moderna foi o que fez La La Land saltar aos olhos dos espectadores. Pudemos encontrar ali o melhor dos dois mundos.




E se você não gosta de musicais e não quer assistir por causa disso: deixa de ser bobo. La La Land não é como Os Miseráveis, que em quatro horas de filme há apenas duas frases sem serem cantadas. A música faz parte da história, mas não é toda ela. Tirando a sequência inicial, quando em um engarrafamento as pessoas saem dos carros e começam a cantar e dançar, a música aparece em La La Land em momentos específicos, ela é quase uma personagem. Tem um propósito de estar em cada cena que aparece, em cada melodia tocada.

A história mostra a relação de Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling). Ela é uma aspirante a atriz que trabalha como barista num café dos estúdios Warner Bros enquanto faz testes e espera encontrar sua grande chance. Ele é um músico de jazz purista e apaixonado, que acredita no gênero e não quer deixa-lo morrer.




O elenco foi um grande acerto. Eles cantam, dançam, sapateiam e dão o seu melhor. Não são os melhores cantores e muito menos os melhores dançarinos, mas tudo isso faz parte do charme do filme, dessa descoberta dos personagens e de como levarem a sua vida e a relação. A indicação ao Oscar é mais do que justa. Não posso dizer se eles ganharem a estatueta também é justo porque ainda não assisti a todos da disputa, mas até agora acredito que sim (Tanto que ganharam o Globo de Ouro e Emma Stone o Bafta).



A beleza de La La Land, além de estar na história relativamente simples, mas muitíssimo bem contada, está em todo o conjunto. Nas cenas de dança e canto, no figurino sempre colorido e alegre (e lindo!) de Emma Stone, na química e cumplicidade entre os protagonistas, na fotografia maravilhosa e na trilha sonora incrível (Em 10 dias acho que já escutei o álbum no Spotify cerca de 100 vezes. Juro).

Um fato interessante é que Emma Stone não tem formação de ballet clássico, como a maioria das atrizes, e Ryan Gosling não sabia tocar piano. Mas no fim das contas ambos aprenderam, treinaram, praticaram e fizeram suas próprias cenas. Em uma entrevista Gosling contou que o diretor não queria fazer cortes nas cenas em que ele tocava piano, então não teve outra alternativa a não ser tocar  - e tocar bem! Outra curiosidade que me deixou de queixo caído é que Damien Chazelle tem apenas 32 anos e muitos prêmios e indicações no currículo.



La La Land: Cantando as Estações é aquele tipo de filme que vai ficar marcado para sempre em mim e entrou na minha lista de preferidos. Não é a toa que tem 14 indicações ao Oscar de 2017.

Recomendo demais, muito, um monte.


*** 

Todos os anos tento assistir aos indicados ao Oscar de Melhor Filme. Clique nos que estão marcados com link para ler a resenha:

Melhor Filme 2017

Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Um Limite Entre Nós
A Qualquer Custo
La La Land - Cantando Estações – Assistido!
Manchester à Beira-Mar

Teca Machado