segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Legítimo Rei - Crítica


Muitos são os filmes baseados em fatos históricos, mas já não são tantos os que se preocupam com a fidelidade e com o que realmente aconteceu. Segundo David Mackenzie, diretor de Legítimo Rei, original Netflix disponível desde o dia 5 de novembro, esse foi um cuidado que ele teve. O objetivo era contar um pedaço muito importante da história da Escócia sem fugir da realidade. Isso talvez tenha tirado um pouco do “coração” e da emoção do enredo, mas encontramos um filme muito bom, que nos transporta para o meio das lutas e batalhas de Robert de Bruce.


O título da produção em inglês é muito melhor. Outlaw King, que é Rei Fora da Lei, transcreve bem quem foi Robert de Bruce. Depois de batalhas e derrotas, em 1300 os lordes escoceses juram lealdade ao Rei Edward (Stephen Dillane, o Stannis de Game of Thrones). Robert de Bruce (Chris Pine) é um deles, pois acredita que se ajoelhar e humilhar é melhor do que continuar o derramamento de sangue numa guerra que não pode ganhar. A sua família é uma das que teriam direito à coroa da Escócia, mas a Inglaterra tomou as terras para si, subjugou a população e impediu a nação de ter um soberano próprio. Quando Wallace, o símbolo da resistência, é esquartejado, o povo começa a se inflamar contra a Inglaterra. Bruce, então decide desonrar seu juramento, é proclamado rei e passa a lutar pela libertação da Escócia.

Se você já assistiu Coração Valente, de Mel Gibson, sabe quem é Robert de Bruce, mas tem uma imagem mais vilanesca dele. Enquanto Legítimo Rei se preocupa com a veracidade dos fatos, Coração Valente é mais focado na bravura e emoção (e qualquer um que sabe um pouco de história sabe que é cheio de licença poética). Bruce é mostrado como o traidor de Wallace, mas aqui vemos outra faceta, mais acurada do personagem histórico. Um homem sério e certo, que se importou com o povo mais do que com o título. “Eu sou o rei dos escoceses e não o rei dessas terras”, disse em certo momento.



Bruce não teve uma tarefa fácil. O exército inglês era, na melhor das hipóteses, esmagador. Numeroso, rico, bem treinado e bem potente. Já o de Bruce era bem menor e em uma emboscada foi reduzido a 50 soldados. Então, os escoceses decidem jogar pesado e passam a reconquistar sua terra com ações não convencionais.

Apesar do tema muito interessante e que poderia trabalhar muito o lado emocional de Bruce, o roteiro pecou nesse aspecto. Bruce em vários momentos é apático. E o problema não é necessariamente Chris Pine, que trabalha muito bem em vários filmes, mas uma junção das duas coisas. Ele não está ruim e tem momentos inspirados. E por falar no Pine, estou lá de boa distraída vendo o filme e de repente dei de cara com ele peladão de frente saindo da água, haha.



Muito foi falado da atuação de Florence Pugh, que interpreta Elizabeth Burgh, esposa de Robert. Não achei tão excepcional assim, a não ser em certa cena em que pressionam sua personagem. Mas não podemos deixar de citar a interpretação de Aaron Taylor-Johnson, o Quicksilver de Os Vingadores: Era de Ultron. Ele é louco, com olhos esbugalhados e sedento por sangue e vingança. É de arrepiar.

E por falar em sangue, David Mackenzie não poupa o espectador nesse sentido. Há sangue espirrando, lama, suor. A cena de batalha final, principalmente, é pesada. O diretor soube retratar muito bem a Idade Média, que era violenta, desse tanto e um pouco mais. As roupas são acuradas com a época, assim como as construções e as cores bege, marrom e cinza predominando. Mas, em compensação, quando a sequência é num plano aberto, mostrando as lindíssimas paisagens escocesas, é de perder o fôlego com tanto verde exuberante.



Legítimo Rei tem um enredo real muito interessante. É um ótimo filme histórico e que vale muito a pena ser assistido na Netflix.

Recomendo.

Teca Machado


sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Resenha


E se você estivesse voltando para casa às 3h da manhã e desse de cara com um robô gigante e imóvel de três metros, vestindo uma armadura tipo de guerreiro chinês e que apesar de parecer ser de metal estar morno ao toque? Esse é o início de Uma Coisa Absolutamente Fantástica, de Hank Green, que recebi da Editora Seguinte (Grupo Companhia das Letras).

Foto @casosacasoselivros

Se o sobrenome dele é familiar, é porque é mesmo. Hank é irmão de John Green, aquele que fez o mundo inteiro chorar com A Culpa é das Estrelas e com quem divide um vlog muito famoso chamado Vlogbrothers. Mas se você não gosta do estilo meio trágico de John e por isso não se interessou pelo livro de Hank, pode ficar tranquilo, porque a escrita deles só tem de parecido o tom bem-humorado e muitas vezes sarcástico. Enquanto John foca em dramas, Hank escreve ficção-científica, com uma pegada new adult.

April May é uma designer de 23 anos que mora em Nova York e tem um emprego que odeia, mas que suporta para que consiga morar em Nova York. Ao voltar do trabalho de madrugada, ela dá de cara com o que acredita ser uma escultura e dá o nome carinhoso de Carl. Mesmo sendo 3h da manhã, chama seu melhor amigo Andy para fazer um vídeo com a estátua. No dia seguinte ele viraliza no mundo inteiro, porque há “Carls” em mais de 60 cidades e ninguém sabe o que são, de onde vieram ou qual o objetivo deles. A garota alcança fama em proporções astronômicas e precisa lidar com tudo o que ela traz – e não são só flores - ao mesmo tempo que tenta desvendar o mistério que envolve essa situação.

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Uma Coisa Absolutamente Fantástica nos prende desde a primeira página. Narrado pela própria April, é quase como se ela tivesse sentado conosco num sofá para contar sua história. É intimista ao extremo e logo de cara ela já nos fala que vai contar da sua maneira, que é dramática e quem em vários momentos vamos querer socar a sua cara (o que é bem verdade), porque não vai esconder seus lados mais feios. E isso de conhecermos o pior de April fez com que muita gente detestasse a protagonista, mas esse foi um dos motivos que mais me fez gostar dela. Sua transparência e falta de medo de mostrar seus defeitos para o leitor a tornou muito humana. Os personagens secundários também são muito bons e importantes para a história.

Um dos pontos mais bacanas é que apesar de ser um livro divertido e com um enredo super diferente, o autor trabalha questões importantes e que fazem refletir. É cheinho de críticas! Como a fama muda a pessoa, o vício em se tornar famoso e se manter relevante nas mídias sociais - que funcionam em velocidade da luz -, o endeusamento de celebridades e, principalmente, como um discurso inflamado pode apresentar o pior das pessoas. Tanto que em vários momentos eu consegui enxergar o que vivemos nos últimos meses no país, claro que tirando as devidas proporções. 

Outro ponto foi a representatividade sem transformar isso numa bandeira. April mora com a sua amiga-quem-sabe-namorada-mas-ninguém-tem-certeza Maya, que é negra, inteligente e bem-sucedida na carreira. Além disso, April é bissexual, como deixa claro desde o princípio, e fica extremamente incomodada quando sua agente pede que escolha se mostrar como ou lésbica ou hétero, já que bissexual não pega bem para a mídia, que a define como confusa e indecisa.


Hank Green escreve de forma rápida, divertida e a história não cai na mesmice. Tem um ritmo muito bom, que faz você devorar as páginas, porque alguns capítulos terminam com cliffhangers. A história me envolveu de um tanto que pela primeira vez na vida perdi minha estação de metrô de tão imersa que estava na história. O autor criou um enredo tão intenso que, apesar de ser caracterizado como ficção-científica, me sentia parte de tudo aquilo. Mesmo que o tema de “são aliens ou não?” não seja inovador, há muita criatividade no livro e situações que te deixam pensando “Whaaaaaaaaaat?”.

Digo sem medo que adorei Uma Coisa Absolutamente Fantástica e que foi uma estreia sensacional de Hank Green no mundo da literatura. Mal posso esperar para ler mais!


Recomendo bastante.

Teca Machado


quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 6




6 meses.

6 meses sem comprar livros.

Queria dizer que eu ESTOU MUITO DE PARABÉNS.

Vou até dar um self-five em mim mesma, porque estou orgulhosa.


Mas não posso ficar com orgulho demais, porque 6 meses está só metade do caminho. Afinal, o nome do desafio é “um ano sem comprar livros”.

Mas tem ficado cada dia mais fácil, porque acho que o período de abstinência já passou. Aquele tremilique e coceira de “preciso comprar aquele livro”. O começo é sempre mais complicado, quando ficamos mais tentados em cair em tentação. E eu não caí. Amém.

Fora que andei ganhando e recebendo uns livros do grupo Companhia das Letras, então acalmou um pouco meu siricotico de ter livros novos. E no fim das contas até agora não consegui diminuir a estante de livros não lidos (ainda mais porque 2018 está sendo um ano que o meu tempo de leitura diminuiu drasticamente).

Em outubro recebi dois pacotes com livros, o que ajuda muito no desafio.

O grupo Companhia das Letras me enviou cinco dos seus lançamentos: O Homem de Areia, de Lars Kepler; Graça e Fúria, de Tracy Banghart; Os Números do Amor, de Helen Hoang; A Missão Traiçoeira, segundo livro da série que começou com O Beijo Traiçoeiro, de Erin Beaty; e Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?, sobre o cantor Chorão, de Graziela Gonçalves.

Foto @casosacasoselivros

E no ano passado participei do grupo de leitoras beta da editora Coerência, que precisava escolher um livro por meio de um concurso cultural. No fim das contas eu e a outras meninas votamos em Meridial, de Miya Hortenciano, e em Entre Laços e Conflitos, de Helô Delgado. Os dois eram muito bons e empataram, então a editora decidiu publicar ambos, que recebi agora. Fiquei super feliz de fazer parte dessa escolha e ver as histórias prontas e impressas.


Estou aqui toda alegrinha feliz, mas deveria me preocupar. Entramos no mês de novembro, quando acontece o evento que eu mais temo desde que comecei esse desafio: a Black Friday. Desde 2013 eu compro muitos, mas muito livros nessa data. É a época do ano que eu mais me jogo nas compras. Teve um ano que comprei quase 20. Mas em 2018 será nenhum. Eu ouvi um amém? Amém!

Prometo me manter forte. Prometo não cair em tentação. Prometo nem abrir e-mails anunciando promoções. Prometo nem entrar nos sites só para dar uma olhadinha (o que os olhos não veem, meu desafio não sente). Prometo ignorar essa data. Prometo que não vou abandonar o desafio, por mais que doa.

Foram 6 meses. Só faltam 6.


Teca Machado

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

The Man In The High Castle - Crítica


Vivemos tão focados na Netflix que acabamos esquecendo de séries que não estão disponíveis na plataforma ou que não sejam produções originais dela. The Handmaid’s Tale, da Hulu, (preciso terminar de assistir urgente!), Game of Thrones, da HBO, são exemplos de enredo que se sobressaíram mesmo não estando lá. A Amazon Prime está lançando séries muito boas – e menos conhecidas – que merecem a nossa atenção. Durante o feriado eu e meu marido começamos uma da empresa chamada The Man In The High Castle.


Essa resenha não será muito profunda ou completa, porque não deu tempo de ver tudo, mas ficou aqui uma vontade absurda de maratonar todos os episódios, o que já é um bom indício. Trago para vocês a primeira impressão dessa produção que é baseada no livro de mesmo nome de Phillip K. Dick, autor de Blade Runner e outras obras de ficção científica muito conhecidas.

Imaginem como seria o mundo, como seriam os Estados Unidos, se o Eixo (Alemanha, Japão e outros países) tivesse vencido a 2ª Guerra. Essa é a premissa de The Man In The High Castle. Os Aliados foram subjugados pelos nazistas e o território americano foi dividido em três partes. A costa leste (Nove York) é governada pelos alemães, a costa oeste (São Francisco) ficou com os japoneses e há uma zona neutra entre as duas. Americanos vivem sob o medo e a tortura frequente desses conquistadores, por isso há a Resistência, que está em posse de um filme que mostra imagens muito diferentes daquelas que são apresentadas ao povo, onde os vencedores são os Aliados e Hitler foi morto. Começa, então, uma perseguição a Juliana Crain (Alexa Davalos), que sem querer recebeu o filme e é envolvida nesse jogo político.




The Man In The High Castle não tem um orçamento enorme, mas é muito bem feita, principalmente a ambientação e o figurino. A fotografia remete sempre a tons escuros, acinzentados, que em muito espelham o estado de espírito dos americanos que vivem sob domínio alemão e japonês. É bizarro observar a Times Square repleta de propagandas nazistas, suásticas e lemas do partido emoldurando o que hoje seriam propagandas variadas, assim como ver as ruas de São Francisco se torna estranho com a quantidade de ideogramas japoneses. 

Até onde pude assistir, os personagens são bem trabalhados, principalmente Juliana. Ela é jogada numa teoria da conspiração perigosíssima e se vira com o que aconteceu, sem ficar de mimimi, mas também sem fazer milagres. Vale ressaltar o arco de Joe Blake (Luke Kleintank), que acabou de entrar na Resistência, Frank Frink (Rupert Evans), namorado de descendência judia de Juliana e obergruppenfürer John Smith (Rufus Sewell, em mais um papel de vilão), um nazista com alto cargo no governo alemão.

Os episódios têm um bom ritmo, alguns um pouco mais lentos do que outros, mas nada muito devagar. E em geral eles terminam com um cliffhanger que basicamente te obriga a assistir o próximo. E como estamos falando de um cenário de pós-guerra, não espere muitos momentos felizes. Pelo contrário. Saiba que seu coração ficará partido várias vezes.




Impossível não criar mil teorias sobre o que aconteceu, sobre o porquê de ter um filme com imagens reais. Mas são reais para mim, seriam reais para aquele universo paralelo deles? Os americanos estão sendo enganados enquanto o resto do mundo vive a queda do nazismo? Ou tudo o que está lá é verdade e o filme é apenas uma ficção? Enfim, são muitas perguntas que fazemos logo nos primeiros momentos e que esperamos serem respondidas. Felizmente a série já está na terceira temporada, cada uma com 10 episódios e foi renovada para a quarta, então ainda há muito o que ser discutido e descoberto.

E um ponto interessante: Edelweiss, música de A Noviça Rebelde, é usada na abertura de The Man In The High Castle, num tom sinistro e que dá o tom da série.

Recomendo e vou continuar assistindo.

Teca Machado


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Primeiro Homem - Crítica


Ryan Gosling, Damien Chazelle e Justin Hurwitz se juntam mais uma vez depois de La La Land em O Primeiro Homem. Ator, diretor e compositor trabalham num filme bem diferente do anterior, cheio de música, dança e cor. Agora o foco é uma história real, por vezes cheia de burocracia e o espetáculo se dá por meio da inteligência e do trabalho duro.


O Primeiro Homem é baseado no livro de mesmo nome de James R. Hansen, uma biografia de Neil Armstrong. Assim que fiquei sabendo do filme, fiquei impressionada com o fato de que até hoje ninguém tinha feito uma produção sobre ele ou sobre a primeira visita à lua. Apesar de ser um homem que realizou um dos maiores feitos da humanidade (além de ser o primeiro a pisar na lua, ele foi extremamente importante em todo o processo desde o início), não espere um protagonista envolvente. Já tinha ouvido dizer que Neil foi um cara pouquíssimo carismático, que os americanos se identificavam muito mais com Buzz Aldrin do que com Neil, mas agora ficou claro o porquê.

Ryan Gosling dá o tom que o comandante da Apolo 11 pede. Introspectivo, soturno, fechado em suas emoções. Apesar de as câmeras estarem a todo tempo o seguindo bem de perto, de forma às vezes até mesmo invasiva, pegando os detalhes do seu rosto, é difícil conhecer quem realmente é por baixo de toda casca na qual se enterrou. É engraçado que vemos um homem destemido, com uma calma fria, mas que não tem coragem de conversar com os filhos sobre se vai voltar para casa ou não. Logo de início já vemos Neil sofrendo uma perda pessoal, que molda ainda mais sua personalidade fechada, e mesmo que em alguns momentos temos vislumbres de um pai divertido e marido apaixonado, ele entra em si mesmo – e no trabalho - cada vez mais, a cada perda que sofre ao longo do caminho.



É interessante que Chazelle mostra o programa espacial como ele foi, sem endeusar a Nasa e seus dirigentes. Outros filmes sobre o espaço fariam uma edição com cenas do treinamento dos astronautas com uma música animada no fundo, dando a entender uma passagem de tempo e evolução do trabalho. Mas o diretor não faz isso. Ele opta por mostrar a burocracia, as horas intermináveis de estudos e de funcionários no escritório, os erros – que foram inúmeros – e tudo o que levou até o grande feito. Isso talvez torne o filme mais lento e ligeiramente menos interessante para os espectadores que amam o estilo hollywoodiano de ser, mas também o transforma em algo muito mais real.

As cores de O Primeiro Homem são frias, escuras e a fotografia da vida normal de Neil é quase mundana de tão normal. Mas é no espaço e durante as missões que o visual deslumbra. Dentro dos foguetes você sente a claustrofobia das viagens ao espaço – ainda mais daquelas nos anos 1960. É pequeno, apertado, cheio de fios aparecendo, botões por todos os lados, telas com imagens de computador das mais antigas e muitos cálculos feitos a mão num caderninho. E durante aterrissagens e decolagens, tudo sacode – MUITO -, faz barulho e eu só conseguia pensar que as estruturas eram tão frágeis e quase amadoras que iam se despedaçar.



E, então, chegamos nas cenas da lua. Minha nossa, que fotografia incrível! É o astro como nunca vimos, quase personalizado. As cenas em que Neil anda, observa e reflete na lua, enquanto usa o capacete com visor dourado contra radiação, são um deleite visual. E tem uma carga ainda mais dramática pelo fato que o diretor optou por ser uma sequência silenciosa. Depois de todo o barulho do lançamento do foguete e da câmera em movimento, encontramos a calma e o silêncio quase opressor do espaço, onde percebemos quão pequenos somos e temos uma maior mostra de emoções por parte de Neil.

Apesar de O Primeiro Homem não ser um filme musical, onde Justin Hurwitz mostra todo seu talento (Ah, as músicas de La La Land!), a música é presente em momentos chave e quem conhece seu trabalho enxerga a assinatura do compositor.


Senti falta de outros arcos dramáticos, que não o de Neil. Nem mesmo sua esposa Janet (Claire Foy) tem destaque que não seja em relação ao marido. Seus amigos, seus colegas e até mesmo Buzz Aldrin (Corey Stoll), são pouquíssimo desenvolvidos. Buzz, que foi tão importante no processo, é simplesmente apresentado a Neil numa conversa e fica por isso mesmo. E entendo a escolha do diretor em focar apenas no protagonista, afinal o filme se chama O Primeiro Homem e ele é uma biografia de Armstrong, não a história de como o homem chegou à lua.

A sensação que fica ao final do filme é que Neil era um cara chato, frio demais. Mas entendemos que se não fosse pela sua falta de emoção, pela sua calma enervante e foco no trabalho, dificilmente o homem teria pisado no satélite em 1969. Neil pode não ter sido a alma da festa, mas ele realmente foi uma pessoa extraordinária.

Recomendo.

Teca Machado

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Formação Literária


Quais livros fazem parte da sua formação literária, da sua vida de leitor?

Algumas pessoas começam a ler mais cedo, outras um pouco mais tarde, mas não importa. Todos temos aqueles livros que fizeram com que nos apaixonássemos pela primeira vez, que nos arrebataram tão profundamente do mundo real que vivemos aquilo com os personagens.

Como eu me interessei desde muito criança por literatura, as obras que me construíram como leitora são um pouco mais juvenis. Só que isso não importa, porque acredito que são histórias que devem ser lidas em qualquer idade.

1- Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne



Eu sei, volta e meia falo da importância que esse livro teve na minha vida. Na verdade ele foi o primeiro que li do autor e o que me deixou mais encantada, mas todos dele são incríveis. Lembro que tinha uns oito ou nove anos e fiquei tão maravilhada com o enredo e com a magia da literatura que me deu um estalo: decidi que sempre estaria rodeada por livros.


2- Série Harry Potter, de J. K. Rowling


Estou sendo super clichê, porque crianças do mundo inteiro afirmam que a série os fez gostar de ler. Mas quando li o primeiro, o livro ainda não tinha esse hype todo. Estava fazendo sucesso, mas ainda era uma coisa contida. Claro que fiquei doida com todo o universo de Hogwarts. E o mais bacana é que eu cresci junto com Harry, Hermione e Rony. Eu tinha 11 anos quando li o primeiro e a medida que foram lançados ano a ano sempre tínhamos a mesma idade.


3- O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas


Essa história é um pouco mais adulta do que as anteriores, mas como eu li uma edição pocket, era uma versão menorzinha e com um linguajar mais fácil. Com 12 anos conheci Edmond Dantès e acompanhei seu caminho de vingança contra todos que o traíram. E que caminho! Já se passaram 18 anos desde nosso primeiro contato, li centenas de livros nesse meio tempo, mas O Conde de Monte Cristo continua sendo um dos meus preferidos.


4- As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis


Quando tinha 11 anos vi na biblioteca da igreja toda coleção de Nárnia para empréstimo. Achei o título do primeiro engraçado, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, e resolvi que queria ler. Mal sabia que estava dando início a uma das sagas mais incríveis já escritas. Aslam, Pedro, Lúcia, Edmundo e Suzana se tornaram meus melhores amigos e passei alguns anos imersa em Nárnia. Até hoje quando me perguntam para qual mundo literário eu gostaria de ir, a resposta imediata é Nárnia.


5- HQs da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa


Não são livros, mas considero literatura. Antes mesmo de ser alfabetizada eu “lia” a Turma da Mônica. O hábito de ler alguns gibis antes de dormir foram de quando eu tinha uns quatro anos até uns 15 mais ou menos. Na casa dos meus pais ainda temos edições de 1990, 1991, algumas raridades. Meu amor por leitura com certeza tem semente nos personagens da Rua do Limoeiro.

***


E vocês, quais livros fizeram parte da sua construção literária?

Teca Machado

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Frases finais


Tão importante quanto a frase que abre um livro, é a que fecha. Às vezes ela só faz sentido dentro de um contexto, mas em alguns casos ela é impactante tendo você lido ou não a obra. 

Por isso separei aqui citações inteligentes e interessantes que terminam uma história. Mas fiquem tranquilos, escolhi trechos sem spoiler.

1. “Os humanos me assombram.”
A Menina Que Roubava Livros, Markus Zusak



2. "As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco."
A Revolução dos Bichos, de George Orwell



3. "Eu me conheço — ele gritou — mas isso é tudo."
Este Lado do Paraíso, de F. Scott Fitzgerald



4. "Querido — disse Valentine —, o conde não acaba de nos dizer que a sabedoria humana cabe inteira em duas palavras? — Esperar e ter esperança."
O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas



5. “Tudo estava bem.”
Harry Potter e as Relíquias da Morte, de J. K. Rowling



6. "...que cada vida afeta a outra, e a outra afeta a seguinte, e que o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são uma só."
As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu, de Mitch Albom



7. "Afinal, amanhã é outro dia."
E o Vento Levou, de Margaret Mitchell



8. “Mas o que é o oceano senão uma multidão de gotas?”
Atlas de Nuvens, de David Mitchell



9. "Eles tinham uma vida comum, cheia de coisas comuns. Se é que o amor pode ser chamado de comum."
Ruína e Ascensão - A Conjuradora do Sol Vive (Grisha, Livro 3), de Leigh Bardugo



10. “E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado”.
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald





Qual frase final impactante você lembra? Conta para mim.

Teca Machado