quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para Um Crime – Crítica (Maratona Para o Oscar 2018)


Podemos dizer que Três Anúncios Para Um Crime é um filme sobre raiva. Raiva, dor, vingança, culpa e medidas desesperadas, tudo isso pontuado por um humor negro que aparece em momentos estratégicos. Não espere leveza, sensibilidade e muito menos redenção. O foco aqui é o pós-tragédia, é como a pessoa fica depois de um crime tão bárbaro e cruel que ficou sem solução. O diretor Martin McDonagh não poupa o público, assim como seus atores entregam todo sentimento presente nos personagens.


Mildred Hayes (Frances McDormand) é uma mãe de luto e com muito ódio. Sete meses se passaram desde que sua filha foi estuprada, morta e queimada. As autoridades locais não encontraram nem mesmo um suspeito e parece que deixaram o caso de lado. Mildred, então, coloca anúncios em três outdoors para cobrar justiça do xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson). O pequena cidade de Ebbing repudia a ideia, porque o xerife é amado e está com câncer terminal, mas Mildred não mete as consequências para aliviar a dor do luto e da culpa.

Frances McDormand se entrega. A sua Mildred é completamente crível. É cheia de dor, raiva, exala culpa, não tem medo de ninguém, é rude e tem um humor negro e uma força que não se vê todos os dias. Seu papel é complexo, cheio de nuances e questionamentos e muitas vezes diz muito com o silêncio. Ela não é uma personagem para o público gostar, mas faz com que a gente sinta muito pela sua dor, pela vida desgraçada que tem levado. É capaz que leve para casa o Oscar de Melhor Atriz, já que ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e outros prêmios.



Apesar de ser o foco de Três Anúncios Para Um Crime, nem só de McDormand se faz o filme. Woody Harrelson está ótimo, com muita gente dizendo que está no melhor papel da sua carreira. Apesar de ser o foco dos outdoors de Mildred, ele é quem mais compreende os atos da mãe de luto, inclusive pede para que ela continue, e sente culpa por não conseguir levar o caso em frente. Em meio a tudo isso, luta contra seu câncer terminal e sofre por saber que em breve irá deixar a esposa e as filhas que tanto ama. E há ainda a ótima atuação de Sam Rockwell, como o policial Dixon. É cheio de ódio, raiva e desequilíbrio. É fácil desgostar do personagem logo de cara, apesar de ser uma espécie de alívio cômico em certos momentos. Mas quando conhecemos o ambiente em que vive e foi criado, compreendemos – apesar de não perdoar – seus atos. 

Um ponto negativo foi o pouco uso de Pete Dinklage (O Tyrion, de Game of Thrones). Tive a impressão de que o seu papel era maior, mas na edição acabaram cortando suas cenas. Ele basicamente foi apenas o “anão da cidade”, um cara que foi álibi de Mildred em certo momento e pronto. Um ator tão bom num papel tão sem propósito.



Três Anúncios Para Um Crime não é uma história policial, onde o roteiro busca solucionar o caso. Ele quase é um pano de fundo para o tema principal: raiva. Não sobre o perdão, mas sobre se apegar a raiva e deixar com que ela te amadureça, te faça buscar autoconhecimento, para, quem sabe, seguir em frente.

Esse é um filme interessante, diferente do que estamos acostumados a ver e que vai te fazer questionar muito ao final. Ele não chega a ser baseado numa história real, mas tem um fundo de verdade. Um pai nos anos 1990 perdeu a filha no Texas e começou a colocar cartazes cobrando justiça, pois tudo levava a crer que o marido havia matado, mas ninguém havia sido preso.



A produção está concorrendo ao Oscar nas categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz – Frances McDormand, duplamente em Melhor Ator Coadjuvante - Woody Harrelson e Sam Rockwell, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora Original. Ele já ganhou três Globos de Ouro (Melhor Atriz para McDormand, Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell, Melhor Filme Dramático), cinco Baftas (Melhor filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e outros.

Recomendo.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação – Assistido! (Crítica aqui)
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime – Assistido!
Corra!

Teca Machado

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Geografia De Nós Dois - Resenha


Há alguns anos comecei a ler A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista, da Jennifer E. Smith, à tarde e terminei à noite, de tanto que gostei. Foi uma leitura fofa, divertida, bonitinha que me encantou, por isso desde então compro os livros da autora, publicados no Brasil pela Galera Record, sem nem ao menos me preocupar se gostei da sinopse ou não. E esse foi o caso do livro A Geografia De Nós Dois.

Fotos instagram @casosacasoselivros

Lucy mora num luxuoso prédio em Nova York, no vigésimo quarto andar, e Owen no subsolo, já que seu pai é o administrador do edifício, mas não se conhecem. Num dia particularmente quente em Manhattan acontece um apagão e os dois se veem presos no elevador. Depois que são resgatados passam o resto do dia juntos, entre sorvetes distribuídos de graça, lances de escada, festas nas ruas sem energia elétrica e terraços olhando as estrelas. No manhã seguinte cada um segue seu caminho, não em NY, pois a vida leva os dois jovens a lados opostos dos oceanos. Por meio de poucos e-mails e vários cartões postais, Lucy e Owen descobrem que mesmo longe fisicamente não conseguem esquecer as deliciosas horas do blecaute.

A Geografia De Nós Dois foi uma leitura muito bonitinha, ainda que A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista seja o meu preferido. A autora alterna os pontos de vistas e somos apresentados à realidade, medos, inseguranças e alegrias tanto de Lucy quanto de Owen, o que deixou a história mais rica, até porque eles passaram o livro quase todo separados, com comunicação escassa, e seria impossível um saber o que o outro estava vivendo.

Jennifer E. Smith
Tanto Lucy quanto Owen vão amadurecendo durante as páginas, já que a vida dos dois vira de ponta cabeça e eles precisam se adaptar a novas realidades, tanto familiares quanto de moradia. Ao mesmo tempo que o leitor torce pelo casalzinho que se viu poucas vezes, também fica com vontade de dar umas boas sacudidas neles. Tem hora que tudo o que eu queria fazer era falar “vem cá, meu bem, deixa eu explicar para você sobre como as coisas são”.

Claro que o amor entre o casal é parte importantíssima do livro, mas enxergo muito mais como foco o crescimento de cada um, assim como a relação familiar deles. Lucy, apesar de ter 16 anos, praticamente mora sozinha. Os pais viajam muito, os irmãos já foram para a faculdade, e ela passa muitos dos seus dias solitária, até que os pais se mudam e a levam com eles. Há muito amor ali, mas falta de comunicação, daí vem um relacionamento truncado, cheio de altos e baixos. Já Owen acabou de perder a mãe e com isso o pai ficou sem rumo. Enquanto ele tenta se recuperar do baque, o garoto pega a responsabilidade de tentar manter as coisas estáveis. Tanto Lucy quanto Owen passam a conhecer melhor os pais, a si próprios e a entender que a distância pode ser necessária para crescerem.

É uma história simples, sem grandes reviravoltas, mistérios ou um romance trágico, mas é escrito com delicadeza, sensibilidade e muito amor. A Geografia De Nós Dois foi uma leitura Young Adult que me deixou suspirando, ainda que por vezes angustiada (poxa, vida, precisa ser tão maldosa assim de vez em quando?), mas que aqueceu o coração.

Veja aqui as resenhas de outros livros de Jennifer E. Smith:

Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Like a Woman: Livraria comemorativa do Dia da Mulher


A gente sabe que tem muito mais autores homens do que mulheres por aí. Inclusive, muitas mulheres usam pseudônimos ou apenas as iniciais para conseguir entrar no mundo literário sem sofrer preconceito, tanto por parte de editoras quanto de leitores. Faça um teste: Vá até a sua estante e veja quando dos livros são de escritoras. Depois veja quantos deles são de outro gênero que não romance ou poesia. Poucos, né?

Pensando na representatividade feminina na literatura – não só em romances, mas em todos os gêneros – a Editora Penguin, do Reino Unido, vai abrir uma livraria temporária chamada Like a Woman em Londres. Ela vai funcionar de 5 a 9 de março para comemorar o Dia Internacional da Mulher e o centenário do Representation of the People Act, que foi uma reforma eleitoral do país que permitiu, entre outras coisas, que as mulheres votassem.


Segundo os organizadores, serão livros de mais de 200 escritoras que “irão celebrar a persistência das mulheres que buscaram mudanças: aquelas que lutam, que são rebeldes e que gritam #comouma mulher”.

Os títulos serão divididos em grupos, como “o impacto que a autora teve na sociedade, História ou cultura”, “leitura essencial feminista”, “para inspirar jovens leitoras”, “mulheres para prestarmos atenção” e “aquelas que realizam mudanças”.

Zaina Juma, gerente criativa da Penguin. disse que esse é um espaço onde leitores poderão encontrar escritoras incríveis, ativistas e pioneiras para se inspirar a seguir em frente e promover mudanças como uma mulher. “A voz de mulheres sendo ouvidas e levadas a sério é a chave para conseguirmos igualdade de gênero e com a livraria Like a Woman estamos criando um local onde essas vozes serão elevadas e celebradas”. 

Vários eventos literários vão acontecer no local e parte dos lucros irão para a Solace Women’s Aid, uma instituição de suporte a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Os consumidores poderão também comprar livros e doar para a instituição.

Com informações de The Guardian UK.

E você, tem o costume de ler autoras mulheres?

Teca Machado


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O Destino de Uma Nação – Crítica (Maratona para o Oscar 2018)


Há alguns meses quando assisti Dunkirkcrítica aqui - fiquei fascinada com essa história da II Guerra Mundial que nem foi citada nos meus tempos de escola. E agora, com O Destino de Uma Nação, do diretor Joe Wright, temos o mesmo enredo, sob outra perspectiva: a política. E mesmo sendo um filme que poderia ser denso, altamente focado em estratégias de guerra, temos uma produção que humaniza uma figura histórica e nos mostra como Churchill não fez um tratado de paz com Hitler, conseguiu salvar 400 mil soldados britânicos e, assim, ter avançado na batalha contra os nazistas.


O Destino de Uma Nação é baseado em fatos reais e tem Winston Churchill como protagonista, incrivelmente interpretado por Gary Oldman, irreconhecível. No meio da II Guerra Mundial, Hitler ganhava terreno na Europa, inclusive estava muito melhor posicionado do que os Aliados. Após ser convocado a substituir o primeiro-ministro que estava no poder, mesmo contra a vontade de muitos, inclusive do Rei George VI (Ben Mendelsohn) – pai da Rainha Elizabeth e o mesmo vivido por Colin Firth em O Discurso do Rei – Churchill assumiu o cargo no momento mais sombrio da batalha, daí o nome do filme em inglês, Darkest Hour. A Inglaterra estava quase a mercê dos nazistas, rodeada por tropas inimigas, que já tinham atingido a França e encurralado centenas de milhares de soldados na praia de Dunquerque, do outro lado do Canal da Mancha. Coube a Churchill tomar decisões extremas e muito ousadas, tanto que não tinha apoio nem mesmo do seu conselho de guerra.



Mais do que uma maquiagem impecável que transformou Oldman em Churchill (se você não lembra quem é o ator, ele é o Comissário Gordon do Batman de Christopher Nolan), a atuação dele é também impecável. A maneira como se porta, fala, murmura, anda, para em pé, é o Churchill quase sem tirar nem por. Claro que o roteiro deu uma romantizada na personalidade caótica que era o político, mas ainda assim é bem real de acordo com os livros e as reportagens da época. Churchill era um homem ousado, quase louco, que não era bem quisto pelos seus colegas, mas que conquistou a população britânica com as suas manobras na II Guerra. É quase certo que Oldman leve o Oscar na categoria Melhor Ator (Além de Melhor Filme e Melhor Ator, O Destino de Uma Nação está concorrendo a Melhor Design de Produção, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Cabelo e Maquiagem).

Apesar de ser o protagonista e sem dúvida a estrela do filme, nem só de Oldman vive O Destino de Uma Nação. Lily James, muito carismática e doce, se transforma numa espécie de olhos do povo. Como secretária pessoal de Churchill, que aprende a lidar com a sua personalidade única, entendemos como a população da época enxergava o primeiro-ministro. Há também a excelente Kristin Scott Thomas, no papel de Clemmie, esposa dele, e Stephen Dillane como o Visconde Halifax, que era a primeira opção para ocupar o cargo antes de Churchill.




Não é a toa que o filme está concorrendo como Melhor Design de Produção e Fotografia. O visual de O Destino de Uma Nação é denso, é muito britânico, é real. O diretor brinca com as cores sóbrias, com as luzes, com o jogo de câmeras, ora por cima de tudo, ora por baixo, ora perto, ora longe, e com a própria figura de Churchill.

O roteiro pegou uma história real e a transformou palatável para o público, que por vezes poderia se sentir perdido com assuntos estratégicos de guerra e política de um país que não o seu. Os diálogos são densos e há sempre uma tensão no ar, afinal, Hitler está chegando à Inglaterra com toda sua força e os soldados britânicos estão esperando e morrendo na praia de Dunquerque. É um filme histórico que entretêm, ainda que não seja considerado tão comercial.



O Destino de Uma Nação e Dunkirk se complementam de forma magnífica, cada um mostrando um lado da História, mesmo que Joe Wright e Christopher Nolan tenham estilos tão distintos.

Recomendo muito.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação - Assistido
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime
Corra!

Teca Machado

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Canal Teca Machado: Autores que devastam meu coração


Você já teve o coração destruído por um autor desalmado?

Eu já!

Milhões de vezes na verdade.

E foi pensando nisso que hoje fiz para o Canal Teca Machado um ranking com os cinco autores mais destruidores de corações.



Algum desses cinco já te partiu o coração?

Quem mais fez isso com você?

Aproveite para se inscrever aqui no canal e assistir aos vídeos antigos e aos novos, que aparecem toda sexta.

Teca Machado

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pets – A Vida Secreta dos Bichos: Crítica


Se eu já sempre gostei de animações, depois que tive sobrinhas e elas passaram da fase Peppa Pig e Backyardigans para os desenhos mais interessantes, passei a ver ainda mais dessas produções. Há um tempão elas me pediam para assistir Pets – A Vida Secreta dos Bichos, do diretor Chris Renaud e da Illumination Entertainment, a mesma que nos presenteou com Meu Malvado Favorito e seus minions. Demorei, mas finalmente vi o longa e me apaixonei loucamente (até porque eu amo cachorros!).


Pets – A Vida Secreta dos Bichos mostra que quando os donos saem de casa os animais têm uma vida ativa e altamente social. Fazem festas, vão para o apartamento dos amigos, saem de casa, se divertem, roubam comida e muito mais. E um deles é o cão Max, que tem uma vida perfeita em NY com sua dona. Só que um belo dia ela adota mais um cachorro, Duque, um gigante desastrado que Max odeia na mesma hora. Os dois disputam território e numa reviravolta se perdem e se afastam do conforto do lar. Enquanto tentam voltar para casa e encontram uma gangue de bichinhos desprezados e revoltados que moram no esgoto, os amigos da dupla, principalmente Gigi, tentam a todo custo encontrar os cachorros perdidos.



O humor está presente, mas não é do tipo inteligente e adulto, como vemos em Meu Malvado Favorito, Shrek, Divertidamente e outras animações cheias de piadas que apenas o público mais velho vai entender. Não chega a ser um filme totalmente infantil, porque a história fofa e engraçada atinge todas as idades, mas as tiradas cômicas são mais simples. Só que isso não tira mérito da história super divertida e que entretêm em todos os minutos, seja com fofura, seja com nonsense, seja com bom humor.

O visual é uma gracinha, lembrando bastante Meu Malvado Favorito (em certo momento dá para ver um easter egg: Gru passeando no parque em que os cachorros estão). Muitas cores, muita iluminação e muitos animais bonitinhos, mesmo o pessoal da gangue do esgoto.




Cada animal tem uma personalidade única e bem trabalhada, ainda que de certa forma caricata. Max é bonzinho, popular, mas às vezes egoísta, o típico protagonista que é bom, mas erra e em seguida busca redenção. Duque é o grandão que passou por situações difíceis, mas tenta não se abalar. Gigi é fofa, inocente e maluca. Bola de Neve é o coelhinho mais surtado e doidão que você já viu e que merece um filme só dele contando como foi sua vida, desde que foi abandonado pelo dono que trabalhava com mágica até virar o chefe do esgoto.

As vozes no português são de Danton Mello, Luis Miranda, Tatá Werneck (irreconhecível) e Tiago Abravanel. Fizeram um bom trabalho. Mas vou querer assistir de novo no legendado, porque tem grandes nomes da comédia, como Louis C.K., Eric Stonestreet (o Cam de Modern Family), Kevin Hart, Jenny Slate e Ellie Kemper (de Unbreakable Kimmy Schmidt).



As situações pelas quais os pets passam enquanto tentam voltar para casa ou enquanto procuram os amigos perdidos são completamente absurdas e altamente divertidas. É aquela animação que não veio com grandes pretensões e por isso mesmo é tão maravilhosa. Não tenta ser mais do que é, é incrível naquilo que se propôs e promete um final feliz e bonitinho.

E quando termina é impossível não se perguntar o que o seu animal faz quando você não está em casa.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Livros que me fizeram sentir ressaca literária


O carnaval acabou e fica aqui a ressaca

E ela pode ser moral, física ou apenas literária, que é o meu caso!

Você sabe o que é ressaca literária?

Fotos @casosacasoselivros

Você pode ver um post mais explicativo aqui ou ficar só no resumão: É quando após terminar um livro que mexeu muito com seus sentimentos você não conseguir começar outro logo em seguida. É um período de hiato em que o leitor fica ali só curtindo a dor e a alegria de ter terminado uma história fantástica – ou desoladora. É não ter ânimo ou coragem de entrar em outro universo literário, porque você está profundamente imerso no anterior. (Veja aqui um post sobre como curar a ressaca)

Até que eu não sou de fazer hiatos no período de ressaca, mas fica aquele sentimento de “nunca mais vou ler algo tão incrível” e o livro seguinte perde um pouco do brilho.

E para aproveitar esse período de quarta-feira de cinzas e toda ressaca moral, física e literária, nada mais propício do que falar hoje sobre cinco livros que com certeza vão te ressacar:

1- Corte de Névoa e Fúria – Sarah J. Maas (Editora Galera Record)


S.O.C.O.R.R.O. Essa palavra define. Na verdade, toda a série deixa a gente de ressaca literária, mas o livro 2 está de parabéns. Eu nem tinha terminado ainda a leitura e já me sentia atropelada por sentimentos, esmagada, incrível, revoltada, angustiada, suspirando e cheia de amor. Eu terminei de ler há mais de um mês e simplesmente não consigo seguir em frente sem a Feyre e sem o maravilhoso Rhysand. Se prepare que essa ressaca é de matar, então é melhor tomar uns Engovs antes!


2- A Viajante do Tempo – Outlander – Diana Gabaldon (Editora Arqueiro)


Se eu falasse palavrão teria soltado pelo menos mil quando terminei essa leitura. Minha nossa! O que foi esse livro? Diana Gabaldon me deu quase 700 páginas de um enredo incrível, maravilhoso, desolador e cheio de reviravoltas. Devastada é uma boa palavra para descrever como me senti no fim. Já li até o 4 da série e, apesar de muito bons, nenhum volume chegou aos pés de A Viajante do Tempo. E só de lembrar dos efeitos da história sobre mim já sinto a ressaca de novo.


3- A Culpa é das Estrelas – John Green (Editora Intrínseca)


Esse é antigo, é clichê e já passou a modinha, mas, meu Deus, como eu fiquei de ressaca! Quando terminei chorava tanto que a minha mãe perguntou se eu estava bem. Senti que um caminhão de sentimentos tinha me atropelado e eu fiquei feliz em continuar deitada no asfalto pensando na dor e na alegria que senti ao ler esse livro. John Green pegou meu coração, rasgou, emendou e pisoteou de novo. E eu deixo ele fazer isso quando quiser de novo.


4- Ninfeias Negras – Michel Bussi (Editora Arqueiro)


Quem gosta de um bom thriller e uma história com reviravoltas de cair o queixo vai se deixar embebedar e ressacar por esse enredo de Bussi. Eu simplesmente não esperava aquele final e tudo o que aconteceu. Parecia que eu tinha bebido e ele sacudido a minha cabeça. Quando terminei a leitura passei alguns minutos parada olhando para a parede pensando “realmente, livros assim me fazem amar ainda mais a literatura”.


5- Um Caso Perdido – Colleen Hoover (Editora Galera Record)


Já que estamos falando aqui sobre ficar devastados, dona Colleen tem o dom divino de fazer isso com a gente, não importa em qual livro. Mas o que me deixou com mais ressaca e sem vontade de seguir em frente por causa de uma história tão impactante foi Um Caso Perdido. Eu não estava esperando. Um trem descarrilhado me pegou sem eu nem saber que estava sentada nos trilhos. A ressaca foi brava. E quando li Sem Esperanças, que é o mesmo enredo sob outro ponto de vista, senti tudo como na primeira vez.

*** 



Vocês já leram esse livros e ficaram com ressaca? 
Quais obras te ressacaram?

Teca Machado