quinta-feira, 27 de julho de 2017

Livros da Teca


Na terça-feira foi o Dia Nacional do Escritor. E, não sei se vocês sabem, eu sou uma escritora! <3

Bom, sou escritora, jornalista, blogueira, mãe de cachorro, dona de casa, esposa, Youtuber em produção e mais mil coisas.

E hoje, para quem não sabe, eu quero apresentar meus livros: I Love New York, Je T’aime, Paris e Blogueiras.com.

I Love New York


Alice cresceu apaixonada por Nova York. Mas sempre que tentava ir à Big Apple acontecia algo para atrapalhar seus planos. Quando um vídeo na internet fez com que ela virasse a piada de sua cidade e também do país, largou tudo e finalmente foi para Manhattan passar um tempo e tentar ser "esquecida por todos".

Estudando numa universidade americana, com novos amigos, um lindo namorado e um apartamento de cair o queixo, Alice pensou que tinha deixado o passado um tanto comprometedor para trás. Só que não foi bem assim que aconteceu.

Ela não era mais anônima nem mesmo na nova cidade.


Je T’aime, Paris


Com um pai milionário encrencado com a Justiça e seus bens bloqueados, Ana Helena precisa aprender a viver com poucos recursos e decide se refugiar em Paris. Peraí! Como viver com pouco dinheiro em Paris? Não tem jeito! Arles acaba sendo a alternativa mais modesta. Mas a tranquilidade dessa pacata, porém charmosa, cidade do interior da França logo dá lugar a um turbilhão de acontecimentos envolvendo um novo amor, obras de arte importantes e homens tão ambiciosos que farão de tudo para colocar as mãos no que desejam. 

A grande aventura leva Ana Helena de volta a Paris, com perseguições alucinadas, romance, estratégia, muita ação, drama e reviravoltas. 

O que você faria para salvar um grande amor e alguns milhões de euros?


Blogueiras.com


Oito histórias. Oito protagonistas. Uma paixão em comum: blogar!

Nas páginas desse livro, você conhecerá oito garotas diferentes com um sonho em comum. Seja falando de livros, música, comportamento ou viagem, tudo o que elas querem é compartilhar interesses e fazer novos amigos. No caminho, contudo, elas descobrirão que a blogosfera tem muito mais a oferecer. Embarque com elas nessa aventura e viva o sonho intensamente. Bárbara, Amanda, Mafalda, Valentina, Lilia, Helena, Aline e Clara vão te surpreender. 

Uma antologia de contos feita por Adrielli Almeida, Larissa Azevedo, Mariana Mortani, Mari Scotti, Raffa Fustagno, Teca Machado, Thati Machado e Thays M. de Lima

*** 

E aí, gostaram? São livros divertidos, leves, para rir, para chorar e para se emocionar. <3

E você pode encontrar todos eles em e-book na Amazon – inclusive no Kindle Unlimited:

E em livro físico:


Se joga!

Teca Machado


quarta-feira, 26 de julho de 2017

A loka da papelaria e seus bloquinhos


Não sei vocês, mas eu sou A LOKA da papelaria, dos papeizinhos, dos bloquinhos e caderninhos.

Uso como desculpa que eu sou escritora, que eu sou jornalista, para sair comprando um monte. 

No fim das contas eu nem uso todos, nem tanto por dó, mas por nem ter como e onde usar, haha.

Dando uma arrumada na minha gaveta de bloquinhos, encontrei 22 deles, isso fora os que nem são tão bonitinhos que eu uso mais no trabalho e no dia a dia. 


Tem da Mulher Maravilha, de Panda, do Glee, de A Culpa é das Estrelas, da Cinderela/Bela Adormecida, de O Caderninho de Desafios de Dash e Lily, de Brasília, da Bíblia, de bichinhos, em estilo agenda, em capa de couro, em capa de madeira de reflorestamento e de vários lugares do mundo, como dos EUA, de Florença, de Veneza e de Barcelona, além de um monte da Renner (porque quase sempre que vou lá acabo comprando um bloquinho para mim ou para a minha irmã, que também tem essa paixão).





Esse da Bela Adormecida/Cinderela é uma lindeza porque ele tem essas duas capas, cada lado de uma princesa. E metade das páginas é azul e metade cor-de-rosa. Esse eu não tive coragem de usar ainda, hahaha. Comprei dentro da Disney.



O de A Culpa é das Estrelas eu uso como caderno de anotação de livros lidos durantes os anos. Tem a minha lista desde 2009, que foi quando eu comecei a registrar o que lia.


Como ter coragem de usar esse bloquinho? Ele é todo de pano, trabalho completamente artesanal, que a minha irmã trouxe de presente para mim de Veneza. As páginas por dentro são de papel reciclado.


O da Bíblia tem aquela capa emborrachada gostosinha de passar a mão e suas páginas têm versículos. Meu pai trouxe de presente para mim de uma viagem porque ele sabe o quanto eu gosto de papeizinhos (e sempre que eu viajo compro para ele também, que vive tentando roubar bloquinhos meus, haha).



E esse xodozinho tem cada página de um jeito e acho a coisa mais fofinha do mundo. Sei que é maldade arrancar as páginas, mas de vez em quando faço isso quando quero mandar um recadinho ou uma cartinha mais doce.






Meu sonho da vida é ter uma papelaria MEGA LINDA e vender as coisas mais fofas do universo. O problema é que eu vou querer tudo para mim, hahaha.

E vocês, também têm coleção de bloquinhos?

Teca Machado

terça-feira, 25 de julho de 2017

Toda Luz Que Não Podemos Ver – Vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015


O que costumamos ver em filmes, séries, livros ou mesmo na História em geral é como os nazistas e alemães eram vilões cruéis durante a II Guerra Mundial. Mas será que todos eles eram mesmo? Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, publicado pela Editora Intrínseca, é um livro que desmistifica um pouco disso. É uma obra delicada, doce, bonita, crua e muito real que vai dar nós e mais nós na sua garganta e, quem sabe, fazer escorrer algumas lágrimas.


Várias histórias são contadas, mas as principais são de Marie-Laure e Werner, dois jovens que crescem em meio à guerra, que molda suas personalidades e ações. Marie-Laure é uma garota francesa que ficou cega aos 6 anos. Mas isso nunca foi empecilho para ela, pois seu pai, o chaveiro-mestre do Museu de História Natural de Paris, fez com que não tivesse medo do mundo ao construir uma maquete do seu bairro. Werner é um órfão alemão extremamente curioso e inteligente que aprendeu sozinho a consertar rádios e outras ferramentas que usam a Física, o que chamou a atenção dos generais nazistas.

Quando a França é invadida pela Alemanha, Marie-Laure e o pai, que está a serviço do museu carregando a peça mais preciosa – e amaldiçoada, fogem para Saint Malo, uma cidade litorânea, para a casa do tio Etienne, um soldado da I Guerra Mundial que ficou traumatizado e tem fobia de sair de casa. Já Werner é obrigado a se envolver em assuntos da guerra, pois ninguém sabe encontrar rádios clandestinos como ele.

A cidade de Saint Malo

Toda Luz Que Não Podemos Ver acompanha esses dois personagens tão diferentes, mas que passam por tristezas enormes devido à batalha que cada vez mais se aproxima do ápice. Marie-Laure luta pela sobrevivência durante a ocupação alemã na sua cidade e Werner luta contra a sua consciência ao ser obrigado a fazer coisas que não deseja. “É certo fazer algo porque todos estão fazendo?”, a voz da sua irmã Jutta ecoa em sua mente durante todo o treinamento. De várias maneiras improváveis suas vidas são interligadas, fazendo uma conexão que nem mesmo eles sabiam que existia.

Anthony Doerr
Esse não é um livro fácil de ser lido, apesar dos capítulos muito curtos. Tem muita descrição, muitos cortes na história - do tipo que quando o enredo de um dos protagonistas está começando a pegar fogo, o capítulo corta para o outro e assim por diante. É o chamado “page turner”, que faz o leitor sempre querer ler a próxima página. Mesmo eu, que leio numa velocidade considerada rápida, me prendi ao livro durante 20 dias, quase um recorde de tempo. E não é porque a história não é interessante, muito pelo contrário, é porque é um pouco pesado, a ponto de você não conseguir ler 50, 60 páginas de uma vez só – e o livro todo chega a 500.

Não pense que é apenas mais uma história de guerra, porque não é. Não é a toa que a obra ganhou o Prêmio Pulitzer de Ficção em 2015. Anthony Doerr pesquisou incansavelmente sobre aqueles dias, sobre como era viver uma ocupação e como era ser obrigado a ser nazista. Tanto que ele demorou 10 anos para concluir a escrita do livro.

A menina cega, o rapaz nazista com peso na consciência, um diamante amaldiçoado, um tio com agorafobia, a guerra rolando solta: tinha tudo para ser piegas, mais um romance em plena luta. Mas não é. Longe disso. É cheio de sensibilidade e amor, principalmente o familiar. A relação de Marie-Laure com o pai e com o tio-avô é lindíssima, assim como a de Werner com a irmã. É do tipo que aquece o coração.


Toda Luz Que Não Podemos Ver é divido em várias partes, que alternam entre passado e futuro, ainda que sempre escrito no presente, nos dando uma sensação de urgência, de estar vivendo com os personagens aqueles dias de II Guerra Mundial. 

É uma leitura recomendadíssima onde aprendemos que ser vilão – ou não – é algo muito subjetivo e que há nesse mundo muito mais do que não podemos ver, mas que está lá.


Teca Machado

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Aonde posso ir com o meu pet? O MapaDog te fala


A dica de hoje é para o pessoal de Brasília, mas em breve para várias capitais!

Imagine a seguinte situação: Você está na rua com o seu cachorro e de repente um amigo liga chamando para tomar um café. Você não tem tempo de ir para casa deixar o seu cão, mas não quer deixar de encontrar essa pessoa. Como saber se o estabelecimento aceita a presença de pets? Acessando o MapaDog.

Essa é a Mafalda, o motivo de tudo isso (Créditos: MapaDog)

O MapaDog é uma plataforma colaborativa de mapeamento de locais pet-friendly em Brasília e arredores. É um espaço de busca, divulgação e regras de cada estabelecimento. Eles estão no Instagram (@mapadog), no Facebook (/mapadogbrasil) e com site (mapadog.com).

A criação da ferramenta surgiu de uma necessidade pessoal de Júlia Hueb e Igor Vendas, dois amigos meus. “Sempre queríamos sair com a nossa pug Mafalda, mas não sabíamos onde ela era bem-vinda e nem as políticas e regras de cada local. Procurávamos essas informações, mas sempre eram notícias pontuais e antigas, com poucos lugares. Tínhamos que ficar ligando pra confirmar as informações”, conta Júlia. Conversando com amigos que também têm cachorros, viram que era também uma demanda de várias outras pessoas.

Xerife, embaixador do MapaDog (Créditos: MapaDog)

Eles procuraram sites e aplicativos que pudessem contar as informações da região de forma completa, mas não encontraram, então se indagaram: "Por que nós mesmos não criamos essa plataforma?". O casal se juntou a Nathalia Lima, uma amiga designer de sites que tinha a mesma necessidade deles, pois adotou uma vira-lata que a acompanha por todo lado. 

“Queremos que o MapaDog se torne uma ferramenta para unir cada vez mais pessoas e cachorros e que essa convivência possa ser feita em harmonia com aqueles que não têm animais”, afirma Igor Vendas. Segundo eles, o lifestyle pet-friendly é uma tendência mundial e é preciso difundir essas informações e desmistificar o convívio dos pets em locais sociais.

Por enquanto o MapaDog só contempla o DF, mas o mapeamento das principais capitais do Brasil já começou a ser feito e vai ser lançado junto com o aplicativo daqui alguns meses.

Calvin ontem, no lançamento do site em Brasília, felizão pela amiga Mafalda

O Calvin, meu cachorrinho, é o melhor amigo da Mafalda, a pug da Júlia e do Igor, então agora eles vão poder sair ainda mais juntos, não só para parques (assim que o Calvin aprender que não pode marcar território em todo e qualquer lugar, hahaha).

Teca Machado


sexta-feira, 21 de julho de 2017

O Livro da Menina – Sobre livros, séries, celebridades e casos


Se tem algo que o mundo bloguístico e literário me deu ao longo desses anos foram amigos. Conheci pessoas de vários locais do Brasil que compartilham as mesmas paixões e as mesmas loucuras. Foi o caso da Raffa Fustagno, do blog A Menina Que Comprava Livros. A conheci porque participamos do projeto Blogueiras.com, uma antologia de contos sobre esse universo (Por falar nisso, tenho as últimas unidades do livro! Corram que estão acabando!). Seu conto “E a Vida Me Trouxe...” é divertidíssimo e foi um dos meus preferidos. Além disso, a Raffa publicou O Livro da Menina. Nas últimas semanas a Babilonia Cultura Editorial, que publicou a obra, me enviou um exemplar de parceria e vim contar para vocês o que achei. Já vou dar um spoiler: ADOREI!


Sabe aquele livro que junta um conteúdo super bacana com uma identidade visual toda maravilhosa? É o caso de O Livro da Menina! Impossível não se derreter com as ilustrações, com a diagramação e com os jogos dentro das páginas. Sim, além de ser uma obra de leitura de não ficção, é uma obra interativa, com vários passatempos e jogos, tudo relacionado a literatura e a cinema. A Babilonia Cultura Editorial está de parabéns por nos entregar esse livro tão lindo!

A Raffa gosta de contar casos. Conta como foram suas Bienais – um monte, diga-se de passagem -, como foi criado o Evento da Menina, que acontece quase todos os meses no Rio de Janeiro, quais seus livros preferidos, as histórias de pessoas sem noção que já passaram pelo seu caminho e, as minhas passagens preferidas, como conheceu alguns dos maiores autores e artistas da atualidade.




Raffa tem uma veia meio stalker, hahahaha. Mas, sabe, eu também teria se morasse no Rio, onde vai muita celebridade, e minha casa fosse pertinho do Copacabana Palace! Ela tem histórias incríveis, como quando pediu umas 10 vezes para o Johnny Depp falar “oi”, na vez que seguiu de táxi o elenco de Se Beber Não Case no melhor estilo “siga aquele carro” ou na sua lua-de-mel que quis ir para Madrid só para ver uma peça do Ricardo Darín e ainda encontrou com ele no metrô.

Como para quem ama livros os escritores são tipo nossos rock stars, a Raffa tem histórias maravilhosas de quando conheceu essas pessoas. No seu “currículo” estão Nicholas Sparks, Harlan Coben (caraaaaaaaaa, ele ama o carequinha que nem eu! <3), Kiera Cass (que ela entrevistou dentro do quarto dela no hotel e ainda saiu para jantar junto!), John Green, Thalita Rebouças, Pedro Bandeira, Brittainy C. Cherry, John Green, Anne Rice e muito muito mais.




E a maneira como Raffa conta casos é muito divertida, parece que você está lá com ela! Sua escrita é informal, é como se você estivesse lendo o livro de uma amiga – e no meu caso foi mesmo, haha. Seu humor é daquele tipo que eu mais gosto, que ri de si mesmo, que é irônico e que sabe aproveitar o melhor de todas as situações, sejam elas boas ou bizarras.

E para quem está começando nesse mundo de literatura e de conhecer atores e músicos, ela dá dicas de como aproveitar bem uma Bienal, de como stalkear e ser mais provável de conseguir um autógrafo e foto e quais livros você pode ler quando estiver numa bad, quando levar um fora e muito mais.

O Livro da Menina foi uma leitura que eu terminei em menos de dois dias e senti o coração quentinho, com aquela sensação que sempre tenho quando finalizo um livro que tenho certeza que vai ganhar um lugar especial na minha lista de amados.


E, fiquem atentos, a Raffa me enviou um livro autografado para sortear para vocês! Na semana que vem sai o sorteio.

Desejo todo sucesso do mundo para a Raffa – porque ela merece – e recomendo O Livro da Menina de todo o meu coração para os meus leitores.

Teca Machado

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Pedra de memes foi enterrada para futuras gerações


Me digam uma coisa: Qual seria a graça da vida sem memes?

Pensando que as futuras gerações talvez não sejam agraciadas com a maravilhosidade que são essas piadinhas (eu, inclusive, já fui transformada em meme por algum ser humano que eu não tenho ideia de quem seja e nem imagino onde conseguiu minha foto – veja o meme aqui), o 9Gag, um dos maiores memezistas (?) do mundo, criou o #FunLegacy, o primeiro monumento ao humor. O site enterrou uma pedra de 4 metros de altura e 24 toneladas no meio de um deserto não identificado. Nela estão gravados os 9 melhores memes de todos os tempos, segundo os fãs do site, para que no futuro saibam que além de inteligentes nós éramos bem humorados. A ideia foi comemorar o 9º aniversário do portal, que aconteceu em maio.



Foram quase 650 mil usuários de 114 países que escolheram os 9 memes, todos norte-americanos – ou seja, Gretchen, forninho, Nazaré e Bhaskara, Chapolin e outras lindezas dos brasileiros – também conhecidos como Reis dos Memes - ficaram de fora. Os eleitos foram: Dick Butt, Friendzone, We need AIR support, World vs USA, PPAP, Doge (shiba inu), Salt Bae, Shit just got real e Hardest name in Africa. 

Segundo a chefe de operações do 9Gag, Lilian Leong, eles não divulgaram a localização da pedra de memes porque a ideia é que fique lá por centenas de anos, para realmente futuras gerações. Se eles dissessem onde está, fãs e curiosos poderiam tentar desenterrar. Tudo o que se sabe é que está em algum deserto europeu.




Seria muito mais sensacional se lá pelo ano de 3.486 encontrassem memes com a Gretchen, hahahahaha.

Teca Machado

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Círculo: Muito potencial num roteiro fraco


Sabe aquele filme que tem tudo para ser ótimo, uma história que pode ser explorada de maneiras incríveis e um elenco renomadíssimo, mas que, no fim das contas, é um filme um tanto morno? Isso foi o que aconteceu com O Círculo, do diretor James Ponsoldt, baseado no livro homônimo de Dave Eggers, que também foi roteirista da produção. Eu esperava muito mais de um longa que tem Tom Hanks, Emma Watson e John Boyega.


O Círculo é uma empresa a la Google, a la Apple e a la Facebook que é o sonho de qualquer jovem. Todos desejam trabalhar lá, inclusive Mae (Emma Watson), uma garota que se sente desperdiçada num call center. Até que a sua amiga Annie (Karen Gillian), que faz parte da cúpula do Círculo, consegue uma vaga para Mae no serviço de atendimento ao cliente. Ela entra num novo mundo, onde a empresa realiza festas, tem redes sociais, interação com todos, planos de saúde, esportes e milhões de outras regalias. Mas, aos poucos, Mae vai cada vez mais fundo nesse mundo corporativo que mais parece uma seita e que acredita que “segredos são mentiras”, onde a privacidade é vista com maus olhos, tanto que a protagonista faz parte de um experimento de se expor diariamente 24 horas por dia, a ponto de basicamente destruir a sua vida pessoal.

A ideia de O Círculo como crítica social é ótima. Estamos diminuindo a nossa privacidade em nome do compartilhar, do divulgar. Até que ponto isso é saudável? Mas o que poderia ser um incrível filme no melhor estilo Black Mirror tem o seu mote principal insosso com personagens mal desenvolvidos, roteiro um tanto preguiçoso e um final quase bobo e muito previsível. Mae conversa bastante com Ty (John Boyega), um dos fundadores da empresa que viu seu trabalho ser desvirtuado. E enquanto eles poderiam ter feito um estrago de proporções épicas, fazem algo simplesmente ok e esperado, nada diferente do que já vimos em outros filmes por aí. E o personagem de Boyega aparece minimamente, a ponto de você pensar que ele tinha um papel importante, mas que foi cortado na edição deixando tudo um pouco desconexo.




Várias subtramas são inseridas, mas nunca continuadas ou explicadas, como toda a questão antitruste e de investigação, o mistério do túnel que Ty leva Mae e diz “isso é pior do que eu pensava”, mas não explica o que é, Annie estar bem, ativa e saudável e de repente virar um zumbi amargo e assim por diante.

Tom Hanks é Bailey, o CEO do Círculo. Um showman, uma mistura de Steve Jobs e Mark Zuckerberg com coachs. Ele vende a ideia de privacidade zero como transparência. Um mundo com segredos é um mundo corrupto, afinal, você se porta melhor quando sabe que os outros estão olhando. E seu personagem, que poderia ser muito melhor explorado, aparece pouco em cena. E Emma Watson tem um ar meio perdido o tempo todo. A mesma cara de apática quando feliz, quando triste, quando realizada. O grande problema não é a sua atuação em si, mas a direção que não soube aproveitar a atriz e o roteiro cheinho de furos.



Vale ressaltar a ótima atuação de Bill Paxton, como pai de Mae que sofre de esclerose. Ele e Glenne Headly deram toda delicadeza e sensibilidade que a interpretação da doença necessitava. E é triste pensar que no início do ano Paxton faleceu.

Só que mesmo com todas essas críticas negativas, O Círculo é um filme que de certa forma nos faz pensar em como a tecnologia, redes sociais e compartilhamentos estão enraizados em quem somos hoje. Além disso, vemos também as consequências que o viver “privacy free” acaba tendo. 

A visual do filme é muito bonito. O Círculo é realmente de encher os olhos, uma empresa clara, cheia de luz do sol, muito verde e construções modernas. E os efeitos gráficos de quando Mae interage virtualmente também são bem bacanas.


Tenho certeza que o livro é muito mais interessante que o filme, com um aprofundamento muito maior aos personagens e à crítica social intermitente sobre a forma como tratamos a nossa privacidade – no caso a falta dela.


Eu não odiei O Círculo, como muita gente por aí, mas também não adorei. Daria uma nota 6, bem mediana. Não vale uma ida ao cinema, mas quem sabe vale um Netflix daqui uns meses. Recomendo só um pouquinho.

Teca Machado