sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Estarei Em Casa Para o Natal – Editora Burn Book


Uma das mais famosas músicas de Natal é I’ll Be Home For Christmas, gravada por Frank Sinatra em 1957 e que desde então ganhou inúmeras versões. E foi pensando nessa canção tão cheia do espírito natalino que Guilherme Cepeda e Lari Azevedo, criadores do portal Burn Book, criaram a primeira publicação do selo Burn Books, editora da Burn Company: Estarei Em Casa Para o Natal.


Essa é uma antologia de contos que tem a participação de 12 autores convidados, eu inclusa. Todos têm o tema de estar em casa para o Natal.

Quer conhecer quem são os escritores?

Ítalo Natã
Matheus A. Monteiro
Naila Barboni Palú
Nohane Carvalho
Raffa Fustagno
Raul Felipe Sennger
Rodrigo Ortiz Vinholo
Rodrigo Fonseca
Teca Machado
Vinícius Fernandes
Samyra Matt

Como o livro é inspirado numa música, nada mais natural do que ele ser extremamente musical. Então o título de cada conto é o nome de uma canção natalina. E o apanhado disso tudo se tornou uma playlist no Spotify, que você pode escutar aqui.

Meu conto é Querida, Está Frio Lá Fora, por causa da música Baby, It’s Cold Outside. Escolhi essa canção, na versão de Michael Bublé (meu muso!) e de Idina Menzel, porque minha história se passa no Polo Norte, mais especificamente na Lapônia, região da Finlândia que é conhecida como terra do Papai Noel. Quer lugar mais frio do que esse?

Arte para o meu conto, feita pela escritora e designer Thati Machado 

A pré-venda na Amazon abre agora dia 15, no domingo, em versão e-boook.

E vamos ter alguns exemplares na versão física, então se quiserem, é só falar comigo ou com os outros autores.

Curiosos para conhecer Estarei Em Casa Para o Natal?

Sei que eu estou dando pulinhos de alegria!

E que tal dar livros de presente nesse Natal? 

Se quiserem presentear alguma pessoa querida com comédias românticas divertidas e emocionantes, escrevi três: I Love New York, Je T’aime, Paris e o conto Conversas Literárias em Blogueiras.com. Todos em versão física e e-book.

Teca Machado

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Resgate do Coração - Crítica


Não é sempre que a gente quer assistir algo pesado, dramático, sofrência ou com significado profundo. Alguns dias a gente só deseja entretenimento leve e bonitinho. E para esses momentos uma boa dica é o filme original Netflix Resgate do Coração, do diretor Ernie Barbarash. A produção está sendo anunciada como filme de Natal (até porque o título em inglês é Hollyday in the Wild), mas posso dizer que é uma comédia romântica em que algumas cenas se passam nessa época do ano.


Em Resgate do Coração Kate (Kristin Davis) viaja sozinha para a Zâmbia, na África, no que deveria ser a sua segunda lua-de-mel. Assim que o filho (John Owen Lowe) sai de casa para a faculdade – literalmente no momento que ele vai embora – o marido (Colin Moss) pede o divórcio. Decidida a não ficar chorando, Kate parte para a viagem. Ao fazer um safári, ela e o piloto do avião, Derek (Rob Lowe), encontram um bebê elefante e vão ao seu resgate. Kate, então, descobre que há um orfanato de elefantes que faz um trabalho incrível no meio da reserva.

Sim, Kate e Derek são obviamente o par romântico e o filme não toma nenhum rumo inesperado. O roteiro é leve, descontraído e sem grandes reviravoltas e fatos inesperados. Mas isso não é problema, porque Resgate do Coração nunca prometeu nenhuma profundidade ou ser algo mais do que uma história doce e para deixar o coração quentinho. O enredo é cheio de fatos muito improváveis de acontecerem na vida real, mas que são convenientes para a história e a gente fica tão envolvido que nem questiona isso. Vi uma resenha sobre a produção que dizia “é bobo, mas adoravelmente bobo” e acredito que essas são palavras certeiras para descrevê-lo.




A química entre Kristin e Rob é muito boa. No início temos a impressão que vai ser mais um filme de “te amo, te odeio”, com um implicando com o outro, mas surge então uma relação de amizade e cumplicidade entre eles que vai evoluindo com o tempo. O roteiro não pede nada muito espetacular dos atores, mas eles se entregam à história e parecem se divertir em seus papeis. E apesar de interpretar o filho de Kristin, John Owen Lowe é filho de Rob Lowe, então há uma interação bacana entre eles.

Resgate do Coração tem uma carinha de filmes Halmark, mas melhor produzido. Os cenários são lindíssimos, com imagens muito bonitas da África, já que foi filmado na própria Zâmbia e na África do Sul. Quem pensaria num filme de Natal com essa ambientação? E o que falar dos elefantes? Eu sempre achei esses animais fantásticos – inclusive quase morri de emoção quando vi um ao vivo pela primeira vez – e Resgate do Coração só fez crescer ainda mais o meu amor.




Pesquisando sobre o filme, fiquei ainda mais encantada com a produção. Descobri que Kristin Davis trabalhou durante anos com o Sheldrick Wildlife Trust, programa de elefantes órfãos e de reabilitação de resgatados, e inclusive produziu um documentário sobre o assunto. Por isso ela foi a escolha certa para viver a protagonista. Ela pediu à Netflix que os elefantes usados no filme fossem tratados corretamente e se recusou a ter animais treinados nos sets. Havia dezenas de especialistas em comportamento animal, veterinários e restrições para que tudo feito da melhor forma possível para os elefantes.

Resgate do Coração é gracinha, bobinho, mas cheio de amor e de elefantes.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Fatos sobre o livro Mulherzinhas


Em 1994 Winona Ryder, Gabriel Byrne, Kirsten Dunst, Claire Danes, Christian Bale, Susan Sarandon e outros atores estrelaram Adoráveis Mulheres, filme baseado no livro Mulherzinhas, de Louisa May Alcott, publicado em 1868. Agora em 2019 (na verdade, no Brasil em janeiro de 2020, mas em outros países antes), a história ganha nova adaptação, da diretora Greta Gerwig, com grandes nomes no elenco, como Saoirse Ronan, Emma Watson, Thimothée Chalamet, Laura Dern e Meryl Streep. 

Mulherzinhas é considerado um clássico mundial. Mas vocês conhecem algo sobre a obra?

Edição de 2019, da Editora Planeta

1- Enredo

A é história das irmãs March - — Meg, Jo, Beth e Amy - quatro garotas com personalidades muito diferentes, que estão sob os cuidados da mãe, já que o pai foi para a Guerra Civil Americana.

2- Autobiografia

O livro é tido como uma autobiografia romantizada de Louisa May Alcott, já que ela se inspirou em eventos da sua vida e do seu convívio para escrever o romance. Inclusive há aqueles que acham que Jo, a protagonista, é seu alterego.

3- Feminismo e sororidade

Irmãs March em cena do filme de 2019

Mesmo que tenha sido escrito em 1868, o livro fala sobre a força das mulheres em uma época em que elas não podiam nem usar calças, quanto menos ter uma opinião. A autora abordou temas feministas de forma leve e aberta, além de mostrar muita sororidade entre as mulheres March. “A escritora não nega a sua condição de mulher, mas recusa a feminilidade tal como ela é definida pela sociedade em que vive. Desde sempre defensora do direito das mulheres à sua independência, preocupava-se com questões como a educação e a saúde das mulheres, a igualdade salarial e de oportunidades, o direito de voto”, afirma Celeste Simões, pesquisadora portuguesa que fez uma tese de doutorado sobre o livro.

4- Adaptações

Mulherzinhas foi adaptado inúmeras vezes para cinema, teatro e televisão e teve vários nomes diferentes: Adoráveis Mulheres, Quatro Destinos, Pequenas Mulheres e outros. A primeira versão da história foi contada em 1918, época do cinema mudo e preto e branco e a mais recente é a de 2019, dirigida por Greta Gerwig. Uma das adaptações, de 2018, é uma releitura da obra e se passa nos dias atuais, em tempos de internet e liberdade feminina. Além disso, é referência em várias produções. Os fãs de Friends, por exemplo vão se lembrar desse fato: Em um episódio, Rachel e Joey trocam seus livros preferidos. Ela lê Mulherzinhas e ela O Iluminado, e ele coloca o livro no congelador por ficar “assustado” com a história.

5- Continuações

Apesar de Mulherzinhas ser o volume mais conhecido, ele gerou mais três livros: Esposas Exemplares, continuação direta do original, Little Men, mostrando a vida de seus filhos quando crianças e Jo's Boys, mostrando a vida dos filhos de Jo e de suas irmãs, já adultos. Pelo que consegui encontrar, apenas Esposas Exemplares ganhou tradução para o português, mas aparentemente é uma edição um tanto rara.

*** 


Apesar de ter visto o filme de 1994 – e já saber partes importantes da trama -, fiquei muito animada para ver a nova adaptação e ler o livro. E vocês?

Teca Machado


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Uma Segunda Chance Para Amar - Crítica


Se tem uma coisa que eu amo nessa vida são filmes de Natal. E músicas também. Tanto que Last Christmas, junto com All I Want For Christmas, Baby It’s Cold Outside e outras são das minhas preferidas. Então é óbvio que fui com enormes expectativas assistir Uma Segunda Chance Para Amar, do diretor Paul Feig e escrito pela atriz ganhadora do Oscar Emma Thompson.


Baseado na música Last Christmas, de George Michael (tanto que esse é o título original do filme), aqui conhecemos Kate (Emilia Clarke), que tem o sonho de ser cantora, mas depois que teve um grave problema de saúde se tornou ácida, amarga e extremamente sarcástica. Ela trabalha como elfo numa loja de Natal e vive pulando de casa em casa, porque ninguém realmente consegue viver com ela muito tempo. E então ela conhece Tom (Henry Golding), que é totalmente o seu oposto. Um cara que consegue fazer com que ela enxergue o lado bom da vida e se torne quem era antes de ficar doente.

O filme tem uma fórmula acertada: A protagonista é Emilia Clarke, nossa eterna Daenerys Targaryen, que já provou que é ótima em comédias românticas/drama, tem o fofo e carismaticamente esquisito Henry Golding, músicas de George Michael durante várias cenas, uma história fofa, cenário natalino em Londres e aquele sotaque maravilhoso dos britânicos. Sim, a produção é encantadora, mas não atinge nem de longe todo o potencial que tem.




Uma Segunda Chance Para Amar fala sobre muito – até mesmo Brexit, xenofobia, homofobia e mais -, sem se aprofundar em nada, e isso prejudica a experiência do espectador. Até mesmo o enredo de Tom, com toda a questão de “olhe para cima” e outros detalhes parece que foram jogados ali só para ficar bonitinho. Em alguns momentos a impressão que tive foi que a edição cortou partes importantes, ainda que não essenciais, e ficou esse sentimento de que algo falta.

Mas o elenco coeso e carismático faz valer a pena. Emilia Clarke está ótima, com sua Kate mal-humorada, quebrada por dentro, mas adorável quando quer. Sua jornada pessoal – apesar de apressada – é gostosa de assistir. E as suas sobrancelhas, tão quietas e “normais” em Game of Thrones, são um show à parte em qualquer outro filme que ela faz. Elas parecem ter vida própria. Henry Golding é quase canastrão para mim, mas é fofo e tem boa química com Clarke. E ainda temos as sempre ótimas Emma Thompson e Michelle Yeoh. 




O visual de Uma Segunda Chance Para Amar é de encher os olhos, principalmente quando são cenas dentro da fantástica loja de natal de Santa (Yeoh), onde Kate trabalha. Suas roupas coloridas e malucas, assim como seu uniforme de elfo, são muito divertidos. E a trilha sonora é ótima. Conhecia poucas músicas de George Michael e do Wham!, mas nos últimos dias é tudo o que eu consigo escutar. O filme é um tributo ao cantor, que curiosamente faleceu em 2016, no Natal, época em que se passa a história.

Se você não assistiu ao trailer, por favor, não veja. Ele mostra quase tudo o que é importante sobre o filme e ainda, aos olhares mais atentos, dá dicas do plot twist. Eu já entrei no cinema desconfiada do que seria e apenas com 15 minutos de projeção já tinha certeza do que seria, então talvez seja isso que tirou um pouco do brilho de Uma Segunda Chance Para Amar para mim.


No fim das contas, é adorável, mas não atingiu minhas altas expectativas e nem se tornou meu filme tradicional de Natal – como Simplesmente Amor e O Amor Não Tira Férias.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Até Você Ser Minha - Resenha


Imagine a situação: Oito meses de gravidez, marido viajando, babá contratada e grávidas sendo assassinadas pela cidade. É de botar medo em qualquer um, certo? Adicione a isso o fato de que a babá é aparentemente perfeita, mas esconde muitos segredos, inclusive uma vontade louca de ser mãe. Essa é a premissa de Até Você Ser Minha, de Samantha Hayes, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca.

Foto @casosacasoselivros

Pode ler a resenha tranquilamente: Aqui não tem spoiler.

Apesar do título aparentemente fofo e com cara de romance, Até Você Ser Minha é um thriller. Sempre fui fã de um bom suspense, mas leio tanto o gênero que não são todas as vezes que o autor consegue me surpreender ou mesmo me fazer devorar a leitura. Mas Samantha Hayes fez isso com maestria. Quando entrei nas 50 páginas finais falei inocentemente: “vou ler só mais um capítulo e dormir”. Doce ilusão! A história entrou num ritmo tão alucinado que precisei ler tudo até o final. Fui dormir quase às 3h da manhã, mas valeu muito a pena.

É um livro interessante, com uma história diferente e com uma tensão que paira ao longo das 336 páginas, principalmente no terço final. Como é comum no gênero o começo pode ser um pouco maçante e o meio enrolado, cheio de pistas falsas – misturadas com as verdadeiras -, mas nada disso é ruim ou te faz querer abandonar a leitura (e se fizer, pense que no final tudo vai valer a pena!).

A história foca em três mulheres: Claudia, a assistente social grávida, Zoe, a babá, e Lorraine, a investigadora responsável pelos casos das grávidas assassinadas, e todas são narradoras. Os capítulos se alternam entre as personagens. Tanto o enredo de Claudia quanto o de Zoe são envolventes. O leitor quer acompanhar Claudia para saber se ela vai ficar bem e quer desvendar os mistérios que cercam Zoe. O mais desinteressante é o de Lorraine. Fala-se muito da sua vida pessoal e dos seus dramas familiares, o que parece um pouco sem propósito com tudo o que acontece ao redor. Isso foi algo que me incomodou um pouco na leitura. Mas então descobri que Até Você Ser Minha é o primeiro volume da série DCI Lorraine Fisher, que acompanha a policial em outros casos, por isso foram tantas páginas sobre a personagem em assuntos não relacionados à investigação. Os outros livros são What You Left Behind e You Belong To Me, que não foram lançados no Brasil (pelo menos não achei nada sobre o assunto).

Até Você Ser Minha é muito bem construído e a escrita de Samantha Hayes é ótima. Os personagens são complexos e a autora cria uma teia de desconfiança e suspense que permeia toda a história. É muito difícil não desconfiar de tudo e de todos. E quando chega o desfecho, todas as pontas são amarradas e a gente fica com essa cara:


Apesar de ler muitos livros de suspense policial, esse foi o primeiro com crimes contra grávidas. E isso me deixou um tanto surpresa, porque não é algo que seja corriqueiro no gênero. Foi muito interessante.

Até Você Ser Minha foi uma das leituras mais surpreendentes do ano.


Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Ford vs. Ferrari - Crítica


A velocidade é algo que move o ser humano. Sempre moveu. E as corridas automobilísticas começaram assim que os carros foram inventados, mas tomaram fôlego no pós-Segunda Guerra Mundial. E é 20 anos após esse período, em meados dos anos 1960, que passa o filme Ford vs. Ferrari, do diretor James Mangold (de Logan e Johnny & June).


Com Matt Damon e Christian Bale nos papeis principais, o filme conta a história real de quando a Ford decidiu entrar no ramo do automobilismo e tentou uma parceria com a Ferrari. Rechaçada por Enzo Ferrari, a montadora contratou Carroll Shelby (Damon), antigo piloto que se tornou designer de carros esportivos, para criar um automóvel que fosse capaz de vencer a Le Mans, corrida na França que dura 24 horas. Juntamente com Ken Miles (Bale), um piloto fora do comum, ele tenta colocar em prática essa construção que parece impossível.

Bale e Damon são excelentes em todos os papeis que fazem e aqui não seria diferente. Bale está se divertindo muito como Miles, com sua boca suja, temperamento difícil e amor absurdo pelo que faz. Já Damon é a personificação da lealdade, confiabilidade e trabalho em equipe. A química entre os dois é gigante e mostra o lado mais pessoal e humano das grandes corporações. É muito crível que eles são amigos de verdade, até mesmo quando estão se batendo (na briga mais tosca e engraçada que vi nos últimos tempos). Como preparação para o personagem, Bale teve aulas de direção de corrida, para ficar tudo o mais real possível. E o esforço valeu a pena, porque o resultado é fantástico. Tanto que o instrutor de Bale e coordenador de dublês disse que ele é o melhor e mais esforçado ator com que já trabalhou.



Mais do que focar apenas na criação do carro perfeito para a corrida, Ford vs. Ferrari mostra como o corporativismo interfere nas questões de criatividade, com Shelby tendo que lidar a todo instante com o vice-presidente da Ford e diretor da divisão de automobilismo Leo Beebe (Josh Lucas), claramente um “vilão” na produção. Enquanto Shelby e Miles têm a paixão e a visão, a Ford tem os olhos no dinheiro.

Essa é uma história muito bem contada. O roteiro Jez Butterworth é bem amarrado e com ótimo ritmo. Nem tão acelerado – apesar de estarmos falando de um filme de corrida – e nem lento. Está na medida certa, mostrando os dramas familiares de Miles e o seu psicológico durante as corridas, os problemas físicos de Shelby e seu bom coração, a relação que tenta ser equilibrada entre o corporativismo e a emoção e os percalços na construção da máquina perfeita num pequeno período de tempo. Apesar do clima pesado em alguns momentos, o filme tem um quê de engraçado, como em Perdido em Marte.



O visual de Ford vs. Ferrari é especial. Sem CGI aparente e usado o tempo inteiro, sua fotografia é muito crua e real. Os closes de Bale dentro do carro a 350 km/hora e o rosto sempre suado e com graxa, o choro descontrolado de Henry Ford II (Tracy Letts) ao experimentar a velocidade, as cores e composição da oficina de Shelby, os carros durantes as corridas e suas ultrapassagens, tudo isso cria uma identidade hipnotizante durante o longa. Eu fiquei apavorada e agoniada durante várias cenas de corrida, pensando “ok, agora eles vão morrer, não tem como controlar um carro nessa velocidade”. Os nervos ficam a flor da pele, não tem jeito. Tudo é muito bem feito e coreografado. 

E ainda tem a trilha sonora e a mixagem de som repleta de roncos de motor, barulhos de pneus ruído do vento e músicas e narrações de rádio.



Mesmo eu que não entendo nada de corridas, de carros, de rotação por minuto e regras do automobilismo, fiquei imersa em Ford vs. Ferrari. Estão apostando em algumas indicações ao Oscar 2020, principalmente em categorias técnicas, e eu espero muito que ganhe várias nomeações e prêmios.

Recomendo muito.

Teca Machado