terça-feira, 20 de junho de 2017

Lembra De Mim? – E se você acordasse tendo esquecido os últimos três anos?


Uma das certezas que tenho na vida é que sempre que tenho em mãos um livro da Sophie Kinsella vou rir. Suas histórias divertidas, cheias de amor, um pouco de politicamente incorreto e crescimento faz com que suas obras sejam a escolha perfeita quando quero relaxar. E isso aconteceu com Lembra De Mim?, da Editora Record.


Imagine acordar depois de um acidente e perceber que você esqueceu os últimos três anos da sua vida? Tudo bem, você tinha um emprego ruim, um namorado pior ainda, um apartamento minúsculo e uma aparência que não era das melhores, mas era a sua vida, ainda que na pior fase dela. E ao despertar no “futuro” você se descobre linda, rica, casada com o homem mais maravilhoso que já viu e em muito glamour. Isso é o que acontece com Lexi, a protagonista de Lembra De Mim?.

Após bater a cabeça, sua memória fica um tanto atrapalhada. E Lexi descobre que nos três anos que se passaram ela se reinventou, virou uma pessoa completamente diferente – e talvez nem tanto agradável. Sua vida é nova, mas a sua mente é a de três anos atrás, então ela precisa saber como se encaixar  nessa nova vida, que apesar de perfeita parece estar faltando algo, suas amigas, por exemplo. Ela não se sente bem na própria pele e precisa retomar o ritmo de onde parou.

Lembra De Mim? fala sobre amadurecimento, mudanças, crescimento, sobre como aquilo que mais desejamos talvez não seja o certo para nós. Lexi conseguiu tudo o que queria, mas a que custo? Ela se tornou uma pessoa feliz por causa disso?

A protagonista passa por muitos dilemas morais, principalmente porque ela percebe que seu eu dos últimos três anos não era a pessoa mais correta do mundo. E isso se reflete principalmente no romance do livro, que apesar de ser importante na história não é o foco da obra. Talvez algumas pessoas torçam o nariz para o casal por causa disso, mas Sophie Kinsella o construiu de forma muito doce (Sem dar spoilers, tudo o que posso dizer é: *suspiros*). Além do mais, com a Lexi sem memória podemos ver uma personagem que deseja consertar seus erros do passado e fazer as coisas diferentes nesse seu novo futuro.

Claro que apesar do tema mais sério, damos muitas risadas com Lembra De Mim? (quem aí já leu provavelmente deu algumas gargalhadas com o “Mont Blanc”...). Lexi é muito atrapalhada e deslumbrada com a nova vida, o que rende momentos engraçados. Como quando ela tenta dirigir, quando olha seu armário pela primeira vez ou quando dá um chilique dentro da loja porque a sua personal stylist quer que ela vista apenas tons pasteis e ela é uma mulher de cores. 

Mas, ao mesmo tempo em que rimos, nos condoemos com a sua situação. As pessoas ao seu redor não são tão sinceras sobre o passado, então Lexi está sempre perdida, sempre tentando recuperar o que foi perdido talvez para sempre. Deve ser terrível tentar acessar informações do seu cérebro, mas ele não colaborar! E quando descobrimos tudo o que levou a velha Lexi a se tornar a nova Lexi, nosso coração fica partido e passamos a compreender – ainda que não concordar – suas atitudes. Lexi é humana, muito crível e erra para caramba, mas também acerta. E é por tudo isso que o leitor a ama.


A escrita é leve, fluida, dinâmica e divertida, como sempre é o caso da Sophie Kinsella e chick-lits. Vemos a história pelos olhos da Lexi, então sentimos com ela e acompanhamos todo o seu atordoamento. Assim como ela não temos ideia do que aconteceu nos últimos três anos e precisamos descobrir pouco a pouco, por meio de migalhas que outros personagens nos dão.

O desfecho foi muito verdadeiro e isso ganhou pontos comigo. Sophie Kinsella foi muito sensata ao criar um final maduro e, ainda assim, feliz. Lembra De Mim? se tornou uma das leituras mais divertidas que fiz até agora em 2017.


Recomendo bastante.

Teca Machado 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

The Dress Shop: Disney no seu guarda-roupa


Quando eu era criança, não se tinha tanto acesso a fantasias como hoje. Minhas sobrinhas mesmo têm um zilhão de roupas de princesas. Aí eu fico triste porque passei a infância sem me vestir de Aurora e agora aos quase 30 anos está meio tarde para isso, né?

Mas eis que surge The Dress Shop para acabar com todos os meus problemas (aliás, acabar não, porque a loja fica em Orlando).




O estabelecimento é voltado para o universo Disney, com roupas e acessórios retrôs inspirados nos filmes e nas animações. Não são fantasias e sim releituras dos seus personagens preferidos. Não chega a ser um cosplay, mas é uma forma de levar a magia do estúdio para o seu dia a dia sem ter muito exagero.



Infelizmente, a The Dress Shop não fica por aqui: Fica em Disney Springs, um complexo de lojas e restaurantes da Disney, em Orlando. E ainda não tem loja on line, apesar de estar nos planos futuros da empresa. O jeito é esperar uma próxima viagem para lá para comprar várias coisas – inclusive essa bolsa de Zip, da Bela e a Fera <3.

Fonte: Hypeness

Teca Machado

terça-feira, 13 de junho de 2017

A Garota do Calendário: Agosto


Mais um mês chegou e A Garota do Calendário, de Audrey Carlan, publicado pela Verus Editora, me surpreendeu. Quem tem acompanhado minha saga de leitura sabe os altos e baixos que ando tendo com essa série. Agora no volume de Agosto o foco é muito mais na história de Mia do que no sexo, então as coisas começam a andar e a ter uma reviravolta mucho loca.


Leia a resenha dos volumes anteriores: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho e Julho.

Mia Saunders é uma garota de Las Vegas que precisou se tornar acompanhante de luxo para pagar uma dívida que seu pai contraiu com um agiota. A cada mês ela tem um trabalho com um cliente diferente, sendo que com alguns deles se envolve física e emocionalmente e outros não. Ela não é prostituta, mas quando decide dormir com os clientes ganha um bônus por isso. No mês de agosto Mia vai para o Texas com uma missão diferente: Precisa fingir ser irmã de Max, um magnata do petróleo, para que as ações da empresa não caiam na mão de investidores.

Agosto é um dos volumes mais diferentes dos outros, porque é o que menos foca em sexo até agora. A história de Mia se torna muito mais familiar aqui e esse é o foco. Max é um gentleman, um cara família e que faz de tudo para que Mia se sinta em casa. Ela acha estranho toda essa boa vontade, mas se deixa levar por essa acolhida, até que tem uma surpresa que vai mudar o rumo de toda a sua vida.

Audrey Carlan
A série A Garota do Calendário, apesar de ter mudado bastante o foco, ainda não é a coisa mais profunda e reflexiva do mundo. Mas a partir de agora o enredo ganhou uma densidade muito maior e a história fica bem mais interessante para um leitor que não foi ali a procura apenas das aventuras sexuais dessa mulher livre de amarras e mimimis. Tudo bem que o tal mistério que circunda todo o livro é extremamente óbvio e você descobre rapidinho sobre o que se trata, só a anta da Mia que não.

Encontramos aqui uma Mia mais madura – ainda que longe de ser madura de verdade – e que está começando a realmente enfrentar seus problemas de frente. Seu relacionamento com Wes está ganhando contornos mais sérios, principalmente porque agora ela se mudou para sua casa em Malibu. 

Como todos os meses, li Agosto de um dia para o outro e tive meus momentos de birra. Audrey Carlan e eu estamos com uma relação um tanto de amor e ódio, mas nesse volume até que nos entendemos bem. Agora fica a curiosidade de como esse novo fato da vida da Mia vai se encaixar na história.

E uma coisa que eu queria saber é: que universo é esse que vive a Mia em que só existem pessoas lindas, deslumbrantes, torneadas e ricas? Quero ir para essa realidade alternativa.




Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Os casais mais amores da literatura


Ah, o amor!

O que seria do Dia dos Namorados sem nossos crushs literários, não é mesmo?

Não sei vocês, mas eu sou uma das maiores periguetes literárias que existem, sempre me apaixonando e entregando meu coração para caras maravilhosos e incríveis que só são reais em livros. Torço, choro, me descabelo, sorrio e me derreto com os casais da literatura que fazem nossos corações palpitarem.

E para celebrar o romance do dia de hoje, fiz uma lista com os dez casais que eu mais amo no universo dos livros:

1- Claire e Jamie Fraser, da série Outlander, de Diana Gabaldon


Se você não sabe quem são essas duas maravilhosidades, por favor, pare o que está fazendo agora e vá correndo ler os livros ou assistir a série - que é bem fiel ao original. Esse é um casal que passa por todos – todos mesmos! – pepinos que podem existir e o amor deles é um negócio de louco (fora que o Jamie é um dos homens mais lindos do universo).


2- Sky e Holden, de Um Caso Perdido, de Colleen Hoover


Se tem uma coisa que a Colleen sabe fazer é partir nosso frágil coraçãozinho. Em Um Caso Perdido esse casal pode até ser adolescente, mas passa por situações tão trágicas, tão difíceis e tão cruéis, que é lindo ver como eles se apoiam, se amam e curam as feridas um do outro.


3- Feyre e Tamlin, de Corte de Espinhos e Rosas, de Sarah J. Maas


Como esse livro eu acabei de terminar e está muito fresco na minha memória, esse casal está com um pedaço especial do meu amor. Que história! Que incrível! Um amor que vai até as últimas consequências pelo bem estar um do outro em um mundo mágico e altamente perigoso.


4- Sofia e Ian, da série Perdida, de Carina Rissi


Taí o casal da literatura brasileira que você mais respeita! Sofia sem querer voltou no tempo e descobriu que o amor da sua vida é um lorde do século 18! Como não se apaixonar, rir e suspirar com os embates e enlaces de duas pessoas com tão pouco em comum, mas ao mesmo tempo com tanto amor?


5- America e Maxon, da série A Seleção, de Kiera Cass


Livros com triângulos amorosos sempre me deixam pulando de ansiedade com medo de eu ter escolhido o lado “errado”, mas nesse caso acertei. Esse casal tão amorzinho, fofo e sem mimimis deixou os meus olhos em formato de coração (por mais que em vários momentos eu tenha tido vontade de socar a cara da America).


6- Lily e Amon, da série Deuses do Egito, de Colleen Houck


Mais um casal que fez meu coração inchar de amor e ao mesmo tempo se partir em mil pedaços devido a todas as dificuldades que tiveram que passar juntos. Uma garota nova yorkina dos dias atuais e uma múmia de milhares de anos não é dos casais mais convencionais, mas tenho certeza que é dos mais lindos.


7- Suze e Jesse, da série A Mediadora, de Meg Cabot


Como no caso acima, é um casal fadado a não ficar junto. Afinal, ela é uma garota moderna e ele um fantasma de 150 anos que vive no seu quarto. Mas é uma das melhores histórias de amor que você pode encontrar, ainda mais quando ele se refere a ela como “mi hermosa”. Ai, mi corazón!


8- Elizabeth e Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen


Confesso, esse é um casal de quem ouço falar, mas não conheço tão a fundo. Vi filmes baseados na obra, mas ainda não li o livro. Só que mesmo assim sei que a relação de língua afiada, ainda que doce, de Elizabeth e Darcy é uma das que mais arrebanha corações mundo afora.


9- Lou e Will, de Como Eu Era Antes de Você, de Jojo Moyes


Essa destruidora de corações também conhecida como Jojo fez com que leitores do mundo inteiro se apaixonassem pela trágica história de Lou e Will, além de que derramassem muitas e muitas lágrimas. Nesse livro agridoce e muito lindo, o casal vai te fazer suspirar, chorar e gargalhar.


10- Linnet e Piers, de Quando a Bela Domou a Fera, de Eloisa James


Nesse romance de época afiado, divertido, sexy e muito emocionante, esse casal me conquistou por ter uma pegada de contos de fadas, mas estar longe de ser ingênuo ou ter uma mocinha indefesa. Todo momento que os dois estavam em “cena”, eram páginas e mais páginas de total deleite.


E para você, quem são os maiores casais da literatura?

Feliz Dia dos Namorados!

Teca Machado

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Corte de Espinhos e Rosas – Uma fantasia para favoritar


Vamos falar hoje sobre uma maravilhosidade chamada Corte de Espinhos e Rosas, da Sarah J. Maas, publicado pela Editora Galera Record?


Sabe aquele livro que te alucina, te deixa sem chão e sem direção? Foi assim que me senti durante toda a leitura. As últimas páginas eu li no metrô e tenho certeza que as pessoas olharam assustadas as caretas e os arquejos que eu fazia. Corte de Espinhos e Rosas é aquele tipo de leitura que te transporta, que te faz viajar e viver aquela história numa intensidade imensa. É uma obra que quando você termina, dá um suspiro e pensa “é por causa de livros assim que eu amo ler”.

Sarah J. Maas, mal te conheço, mas já te considero pacas! Sempre via a Izabela do blog Livros Ontem, Hoje e Sempre falar alucinadamente da autora, que é bem conhecida pela série Trono de Vidro.

Em Corte de Espinhos e Rosas temos uma das melhores histórias de fantasia que eu já li. É uma mistura de A Bela e a Fera com livros de guerra, intrigas e romance. A inspiração é muito clara: um príncipe – no caso Grão-Senhor – amaldiçoado juntamente com o seu povo e uma mocinha audaciosa e teimosa que é obrigada a viver com ele em suas terras.

No enredo os humanos foram escravizados pelo povo féerico (uma espécie de fadas) durante centenas de anos, até que eles se libertaram e uma guerra separou os territórios com uma muralha. As duas espécies não têm mais contato uma com a outra, ainda que os homens vivam temendo os terríveis féericos. Quinhentos anos depois, Feyre é uma garota humana que vive próxima à muralha e precisa caçar para que sua família não morra de fome. Ao matar um lobo na floresta, uma besta féerica aparece reclamando Feyre para si como forma de retratação, pois o lobo que ela matou era féerico e um tratado entre os povos exige que ela o acompanhe.


Então Feyre é arrastada para uma terra que ela conhecia apenas por meio de lendas e pensava ser terrível, mas é linda e mágica. A besta que a levou era um Grão-Féerico, um ser mágico que tem poder de transformação e é na verdade um homem lindíssimo chamado Tamlin, o senhor da Corte Primaveril, um lugar encantado e paradisíaco. Obrigada a conviver com seres que odiava, Feyre aos poucos vai se encantando por Tamlin e por seu povo, mas a frágil felicidade que está construindo pode ser ameaçada por uma terrível praga que assola a terra féerica.

A sinopse não faz jus a toda complexidade e criatividade do enredo de Corte de Espinhos e Rosas. Sarah J. Maas criou um universo lindo, rico, perigoso e muito sedutor. Aos poucos vamos conhecendo as terras féericas, suas tradições e suas maldições. É impossível não ser tragado para aquele mundo cheio de belezas e feras.

O livro é repleto de intrigas, de ação, de correria, e mistério, de romance e de dor. Nada está ali por acaso. Cenas que pareciam sem muito sentido, ganham explicações e motivo. Sarah J. Maas cria uma conexão incrível, com cada cena sendo a construção de um quebra-cabeça surpreendente que nos faz perder o fôlego no ato final da obra, que parte nossos corações milhares de vezes.

Feyre é uma protagonista forte, teimosa, preconceituosa, cheia de ódio no coração e, como ela própria diz, espinhos. Sua raiva por tudo e todos é justificada. E é lindo ver a personagem amadurecer e ter seu coração derretido por uma nova realidade. Ela vê surgir um amor tanto por Tamlin quanto por tudo que era inesperado. E Tamlin! Ah, gente, o Tamlin é maravilhoso. É bom, tem um coração incrível, mas ao mesmo tempo um temperamento forte. Meu lado periguete literária está quicando de paixão aqui.

Tanto os protagonistas quanto os personagens secundários foram muito bem construídos. Além de Tamlin e Feyre, temos Lucien, melhor amigo de Tamlin, Alis, governanta da casa, Rhysand, um bad boy muito surpreendente, Amarantha, a vilã terrível e insuperável, e muitos outros.

Corte de Espinhos e Rosas é narrado em primeira pessoa por Feyre, um grande acerto por parte da autora (mas eu não me incomodaria de ver a versão de Tamlin dos fatos). É uma leitura dinâmica, cheia de reviravoltas e muito incrível. O romance é muito bonito e ponderado, não surgiu de repente. E a forma como Sarah J. Maas constrói as cenas sensuais é ótima. Não pesa a mão, mas nos deixa na expectativa junto com Feyre. Sei que até eu estava apaixonada já, haha.

A série de Corte de Espinhos e Rosas é composta por seis volumes, mas no Brasil ainda só temos até o segundo, Corte de Névoa e Fúria.



Recomendo muito, afinal, se tornou um dos meus favoritos.

Teca Machado

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Princesas se tornam celebridades


Se fosse na vida real, seria Alice uma skatista? E Pocahontas uma frequentadora assídua de festivais de música? Provável. Mas uma coisa é certa: as vilãs estariam na primeira fila dos desfiles de moda fazendo cara feia.

A designer Andhika Muskin, de Jacarta, pega fotos reais de celebridades e por meio de manipulação de imagem coloca o rosto de princesas, príncipes e outros personagens de contos de fadas da Disney em situações bem reais.











Fonte: Bored Panda

Quem me dera encontrar na rua os príncipes! Quem me dera!

Teca Machado

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Uma Pergunta Por Dia – Jornada ao longo de 5 anos


Autoconhecimento.

Se você parar para pensar no assunto, você se conhece bem? Talvez sim, talvez não. Às vezes, colocar as coisas em papel te ajuda a criar uma perspectiva mais profunda de si mesmo, como no caso de diários e agendas. E os benefícios de se conhecer são inúmeros. Entender como você muda ao longo do tempo te ajuda a compreender a jornada e para onde você está indo, ou até mesmo te ajuda a mudar o percurso. Por isso, mais do que um livro interativo, a obra Uma Pergunta Por Dia, da Editora Intrínseca, é uma viagem sobre si mesmo e sobre os próximos cinco anos.


Como já diz o título altamente explicativo, Uma Pergunta Por Dia traz um questionamento para cada dia do ano para o leitor responder. Mas mais do que usar o livro por apenas 365 dias, há espaço para respostas num período de cinco anos. 

O grande tcham de Uma Pergunta Por Dia é te fazer pensar em coisas que você não refletiria no cotidiano e perceber como você muda – ou não – de um ano para o outro. Às vezes as perguntas são profundas, como o que é ética para você, quais são seus valores e como você define a sua espiritualidade, em outros casos são questionamentos mais simples, como qual foi a última coisa que você comeu, quantos palavrões você falou hoje e qual sua cor preferida. Mas, de qualquer modo, você para por alguns momentos e precisa pensar numa resposta sincera. 

Pergunta de hoje



O livro é quase uma espécie de diário de autoconhecimento, então é muito interessante que você seja verdadeiro consigo mesmo para se conhecer melhor. Se for o caso, faça como quando era criança e esconda seu exemplar dos outros moradores da sua casa (sei que eu fiz muito isso. Meu esconderijo preferido era debaixo do colchão, haha).

E o bacana é que você pode começar Uma Pergunta Por Dia em qualquer dia do ano, não precisa ser em 1º de janeiro. Não é como uma agenda que se você começar hoje, todos os meses anteriores ficarão em branco. No próximo ano eles serão preenchidos e assim por diante.



O difícil de Uma Pergunta Por Dia é criar o hábito de deixar atualizado. O meu mesmo está algumas semanas em atraso, mas pretendo colocar em dia hoje mesmo. Já dei a primeira volta no meu exemplar e comecei a comparar as respostas com o ano passado. Até agora nada muito diferente. Acredito que verei as diferenças de verdade quando passar mais do que um ano ou dois.

E para as mães, a Editora Intrínseca lançou Uma Pergunta Por Dia Para Mães, no mesmo estilo, mas voltado para a maternidade.



Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 6 de junho de 2017

Yellow


Sou uma grande defensora da literatura nacional (ainda mais porque eu sou uma escritora nacional, né? Por falar nisso, você pode conhecer meus livros aqui – versão física – e aqui – versão ebook). E sempre que surge a oportunidade de indicar alguém ou alguma obra não perco a chance. E hoje é ainda mais especial porque a indicação, no caso, é minha prima Helena Forte-Mussoi. 

Ao contrário de mim, que escrevo textos cheios de corações e amorzinhos e risadas, a escrita da Helena é mais forte, mais visceral, mais crua. E como eu gosto de tudo que é gênero, me delicio nos textos dela. O que eu trouxe hoje se chama Yellow, que faz parte de um concurso de contos. 

Leia, vote e compartilhe (o link para votação é esse):

Yellow – Helena Forte-Mussoi

“No dia seguinte ninguém morreu. - José Saramago, As Intermitências da Morte”

Prólogo

A cidade podre gangrenada até os ossos. Todos os minutos nascem dois e morrem quatro - exceto aqueles minutos em que nascem quatro e morrem dois. A cidade preta e cinza e em ebulição e suada e perecida e amarela sob o calor infernal, e de tanta sujeira chove preto. O preto na chuva e o amarelo no sol escaldante. A cidade feia.

No dia seguinte morreram quinhentos. No outro seiscentos, no quarto já mais não sei, e foi-se o quinto, foi-se o sexto, foram quarenta e dois dias debaixo de insolação desgraçada na cidade X banhados em sangue e vísceras, assim #3008 acompanha de dentro de casa através da fenda cúbica na parede, “janela”, chamam, janela? Pastiche. A janela não é janela, a casa não é casa, que fizeram eles, que fizeram?

I. Antes

Faltam cinco minutos para o Cogumelo.
Todo mundo morreu – exceto aqueles que não morreram. É guerra, A Guerra, A Guerra de Todas as Guerras, a guerra selada com o Cogumelo, “Doce Sonho”, chamam-no, desceu o doce sonho numa fúria silente e explodiu e arremessou todos para fora de seus sonhos salgados, sonhos afora e fogo adentro. A cidade em chamas. E choveu. Choveu preto. Dali em diante todas as tardes chove preto.

Doce Sonho zerou a terra. Eis o Apocalipse. 



II. #3008

Julia, o nome é Julia. Quimporta a estas horas, são mais é uma matilha de cães sarnentos embolorados moribundos. Numerados de 1 a 50887 os bravos sobreviventes do desastre nuclear, muito somos gratos ao Governo pelo acolhimento e pela realocação dos miseráveis nos lares claustrofóbicos com fendas cúbicas nas paredes – mas o nome, o nome é Julia, o dela, não o meu, veja lá se vou saber meu nome, ridículo.

Julia, código #3008, constata de sua grosseira janela o caos urbano, uns andam apressados a fugirem dos ladrões, uns são os ladrões a perseguirem os apressados, uns perderam os braços, uns as pernas, uns as moradias, uns o horário do trem, todos a humanidade. Não sei quem é quem ou o que é o quê ou muito de nada, mas sei de Julia, que se não soubesse não haveria quem narrasse os eventos, alguém tem de narrá-los, que remédio? Eu sei de Julia e eu sei do antes e do depois e do agora - enquanto isso chove preto.

III. Agora

Agora é tarde em toda a duplicidade do conceito 'tarde'. É tarde porque já se foi a manhã e é tarde porque não há mais nada que ninguém possa fazer para recuperar o que outrora chamavam “civilização”. A Guerra foi uma potência estúpida que se converteu em ato estúpido, todos sabíamos disso, que outro fim esperavam se não o fim do mundo? Estúpidos - quimporta a estas horas?

Agora é tarde, e Julia, vulgo #3008, cão-alfa, vislumbra o pós-Apocalipse nas ruas que já não são ruas, e nem nada é nada, e tudo pode ser tudo – eu, eu sei de tudo. Sei o que ela pensa, pensa que só se pode reconstruir por cima do destruído, uma camada limpa sobre a camada puída, e vamos nós à Revolução, qual Revolução?, a idealizada por ela, a que tomará forma daqui a umas longas oito horas, a que será executada dentro de uns efêmeros sessenta e três dias. Eu sei de tudo – enquanto isso chove preto.

IV. Oito horas depois

#3008 e a matilha revoltada saíram às ruas que não são ruas às altas horas da madrugada, cessou a chuva, também não há Sol, não há nada além de um monte de nada, nem cor há, só não há, a praça já não é praça, mas ainda é pública, isso ela é. 

Morte aos porcos!, Julia clama, Mas que diabo porcos?, esse foi #4587, ou outro qualquer, tanto faz, Os porcos que nos governavam, os que iniciaram a Guerra e continuaram a Guerra e nunca dela saíram, e trouxeram o mau presságio, e dele veio o Cogumelo, e reduzimo-nos a ruínas, mas não eles, ah, não eles, e cospem na nossa cara enquanto chove preto e morrem centenas e afundamos em anarquia. Porcos no poder!

Morte aos porcos e a todos nós, matilha de cães sarnentos embolorados moribundos, complacentes com o Caos, palermas. Morram!

Obedecer-lhe-emos, pois é claro, quem é que almeja ser palerma, se o cão-súdito jaz patético, ora, que ao menos morda, morda com força e arranque os pedaços cancerosos do organismo estragado, e tudo é câncer, tudo. Fogo! - e voltou a chover preto e parou. 

V. Oito horas depois das oito horas depois

Somos agora o Exército Amarelo debaixo do Sol Amarelo a nos torrar as entranhas, faz calor e os porcos se escondem por debaixo da terra enquanto os cães pisam sobre seus focinhos e conspiram contra os suínos, os malditos suínos que chamaram o Cogumelo. Morram!

E suamos torrencialmente e construímos as bombas, construir para destruir para reconstruir, “Maus Pesadelos”, chamam-nas, e recrutamos os caninos mais vorazes para carregarem-nas e os menos audaciosos para o repovoamento e os mais revoltados para chamarem os porcos para fora dos túneis subterrâneos, bem como eles chamaram o Cogumelo, malditos sejamos os guerreadores, malditos sejam os suínos e os caninos guerrilheiros em combate aos suínos, malditos sejamos.

VI. O sexagésimo quarto dia

Embarcaram os vorazes nos aeroplanos, “Yellow”, são chamados, a cor da esperança e do Sol assassino é o amarelo instaurado pela insolação e pelos soldados do Exército Amarelo. Berram os revoltados Porcos no poder! Morte aos porcos!, e farejam os suínos os insultos e chiam, Como ousam nos insultar a nós, que provemos comida e casa e água preta, que cultivamos a vida e acolhemos os cães sarnentos e promovemos a liberdade da matilha, como ousam!, e saem fulminantes do curral para corrigirem os maus caminhos dos berradores, e, pouco audaciosos, baixamos as cabeças e tomamos o lugar dos porcos no subsolo, e decolam os aeroplanos e porcos e cachorros travam batalhas furiosas.

***

Fogo!, atiram-se os cães-bomba de pára-quedas dos monomotores Yellow, e chovem os Maus Pesadelos sobre os bichos raivosos, e explode o chão, explode o ar, explodem os suínos e os caninos, explode tudo, explodiu o câncer, expurgo, e Fim. 

VII. Depois

E no dia seguinte ninguém morreu – enquanto isso chove preto.

*** 

Para votar, é só clicar aqui.

E esse papo todo de literatura te deu vontade de comprar vários e vários livros? Então essa é a sua chance: A Amazon está com a 2ª edição da sua Mega Oferta, com mais de 10 mil livros com até 80% de desconto e ofertas relâmpago com até 90%.


Bom demais ou bom demais?


Teca Machado

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Mulher Maravilha: Totalmente badass


SEGURA NA MINHA MÃO E VEM VER A CRÍTICA SOBRE A MULHER MARAVILHA!

Quando os créditos finais de Mulher Maravilha subiram, tudo o que eu conseguia pensar era: Obrigada, Gal Gadot. Obrigada, Zack Snyder e Patty Jenkins. Obrigada, DC. 



Sabe aquela sensação de alma lavada? Foi o que senti durante todo o filme que conta a origem da princesa de Tesmiscira, dirigido por Patty Jenkins e escrito por Zack Snyder e Allan Heinberg. Apesar de outros heróis da DC terem seus filmes e séries – Superman, Batman, Lanterna Verde e muitos outros -, tudo o que se tinha sobre a Mulher Maravilha era uma série dos anos 1970 estrelada por Lynda Carter. Algumas tentativas da história ser levada ao cinema foram feitas, mas nunca levadas adiante. Até que com o surgimento da Liga da Justiça e da leva de filmes de super-heróis, ela ganhou seu tão aguardado filme solo e em proporções épicas. 

Pela primeira vez temos uma mega produção que custou mais de U$ 100 milhões com uma super-heroína. E um dos maiores acertos do roteiro foi não focar essencialmente em “esse é um filme sobre uma mulher para outras mulheres”. Não, esse é um filme de super-herói. Ponto. Ela não está abaixo, não está acima, está ao lado dos outros super-heróis, principalmente os que estão na Liga da Justiça (e, convenhamos, em Batman Versus Superman ela deu um banho de realidade nos dois). A inspiração de Patty Jenkins para o ritmo do filme foi Batman Begins, Indiana Jones, Casablanca e, acreditem!, A Pequena Sereia.


"Para a guerra"

O fato de ela ser mulher é apenas um fato e isso é tratado de forma muito simples no filme e até mesmo leva a alguns dos momentos mais divertidos e singelos da produção, como quando ela pergunta com naturalidade com que roupa as mulheres vão para a batalha e quando diz que homens são necessários para procriação, não necessariamente prazer. Fala-se, ainda que de maneira clara, mas não querendo levantar bandeiras de feminismo, sobre o poder – ou a falta dele – das mulheres na sociedade e também de outros tipos de preconceitos e colonialismo, sobre povos destruindo povos.

"Etta Candy! Eu sou a secretária de Steve Trevor."

"O que é uma secretária?"

"Eu vou onde ele me manda ir e faço o que ele me manda fazer."

"Bom, de onde eu venho isso é chamado de escravidão."

"Eu realmente gosto dela. Eu gosto."

A história de Mulher Maravilha gira em torno da sua origem, mas não se prende a isso. O filme mostra como ela se transformou na princesa Amazona que vivia sob a proteção mágica da ilha de Temiscira em uma super-heroína que conhece – e entende – as piores e as melhores facetas dos seres humanos. Mais do que distribuir socos e pontapés (o que ela faz, acreditem), os princípios que geram a personagem são a justiça e o amor. Diana, seu nome “real” é extremamente bem construída, assim como seus personagens de apoio.

Acompanhamos Diana (Gal Gadot) desde criança na mítica ilha de Temiscira. Lá, sob a proteção da mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielson), e sua tia Antíope (Robin Wright), conhece a história da criação do seu povo e o seu propósito: lutar contra Ares, o deus da guerra. Quando já adulta resgata do mar o espião Steve Trevor (Chris Pine), que está em plena I Guerra Mundial. Ele conta o que está acontecendo fora da ilha encantada e Diana percebe que é seu dever ajudar a humanidade. Então ela deixa o conforto e a beleza das suas terras para encontrar o mundo cinzento, cruel e frio, muito pior do que ela poderia um dia imaginar. Sua missão é encontrar Ares e mata-lo para, enfim, restaurar a paz.



Pode parecer redundante, mas a Mulher Maravilha de Gal Gadot é simplesmente maravilhosa. A escolha do seu nome para o papel gerou polêmica na época, porque se tratava praticamente de uma estreante, ex-miss Israel, ex-modelo e ex-militar do exército israelense. Com carisma, charme, ingenuidade na medida certa e muito badass – além de uma beleza estonteante -, Gal Gadot personificou a Amazona, sem tentar se parecer com a sua predecessora e sem querer fazer alarde. E o mais incrível de tudo: em partes do filme ela estava grávida de 5 meses e ainda assim lutou muito! Gal Gadot é a Mulher Maravilha, ponto final.



E seu elenco de apoio também brilha. Chris Pine, um espião mentiroso que mesmo cético ainda acredita em fazer o bem maior para a humanidade, é um ótimo contrapeso para a protagonista, nos presenteando cenas maravilhosas de humor, de amor, de emoção e de ação. E não podemos esquecer do árabe Sammy (Said Taghmaoui), do irlandês Charlie (Ewen Bremner), do nativo-americano Chefe (Eugene Brave Rock) e da inglesa Etta (Lucy James), que formam uma força-tarefa com Diana e Steve na luta para pôr fim na guerra.

Ainda que com enredo bem amarrado e interessante, Mulher Maravilha peca na construção dos seus vilões. Ares é praticamente uma entidade da qual muito se fala, mas pouco aparece, Ludendorff (Danny Huston) é o oficial alemão que quer ganhar a guerra, mas não tem muita história por trás, e Dra. Veneno (Elena Anaya), que deveria ser a vilã total é pouco explorada, não se conta suas motivações e tem pouco espaço na trama. Mas, mesmo assim, o brilho do filme não se perde, porque se tem como vilão verdadeiro a guerra em si, não quem está por trás dela.



O visual de Mulher Maravilha é muito bonito. As cores alegres, claras e o sol de Temiscira são deixados de lado assim que Diana entra no mundo real, e entram aí as cores sombrias típicas da DC. O figurino também é lindíssimo (o que é aquele uniforme de Mulher Maravilha, gente?).

É planejado que Mulher Maravilha seja uma trilogia de filmes solos. Enquanto isso não é confirmado, poderemos ver a heroína em Liga da Justiça, que estreia no ano que vem.

"Eu não posso deixar você fazer isso"

"O que eu faço não é da sua conta"

Curiosidade: Apesar do título ser Mulher Maravilha, esse nome não é dito nenhuma vez durante o filme.

Recomento muitão.

Teca Machado