sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O Ceifador - Resenha


No ano passado eu via todo mundo falando sobre o tiro que foi o livro O Ceifador, de Neal Shusterman, publicado pela Editora Seguinte (Companhia das Letras). Eu fiquei interessada, mas eram tantas obras para ler, tão pouco tempo, que acabei deixando passar. Ainda mais porque já tinha lido do autor Fragmentados e tinha gostado, apenas isso, não ótimo. Há um tempinho recebi da editora A Nuvem, livro dois da série Scythe, continuação de O Ceifador. E decidi que era a hora de me aventurar na leitura, começando pelo primeiro. Melhor decisão de agosto.

Foto @casosacasoselivros

A premissa de O Ceifador é diferente. A distopia com um toque de ficção científica nos mostra um mundo no futuro onde todos os problemas do planeta, inclusive a morte, foram resolvidos. A Nimbo-Cúmulo, uma evolução da Nuvem de dados que temos hoje, tomou consciência e faz a gestão do planeta. Mas algo que ela não conseguiu solucionar foi a superpopulação. A morte deixou de acontecer, mas os nascimentos não pararam. Então foi criada a Ceifa, um órgão autônomo no qual os membros, chamados ceifadores, têm permissão e ordem para coletar – uma palavra mais bonita para matar – e manter o número de pessoas no mundo estável. A morte passou a ser a exceção, não a regra.

Apesar de ser uma profissão nobre, ninguém quer ser ceifador, ninguém deseja matar. Mas eles são necessários. E Citra e Rowan, dois adolescentes, são escolhidos pelo Ceifador Faraday para serem seus aprendizes, mesmo contra sua vontade. O treinamento é rigoroso, cruel e mexe com a sanidade deles, mas apenas um será escolhido no final para o cargo.

Neal Shusterman
O livro é narrado em terceira pessoa por Citra e Rowan, então temos acesso irrestrito aos dois personagens. Há ainda no início de cada capítulo trechos do diário de ceifadores famosos, o que nos dá uma visão mais ampla da Ceifa e do mundo. Os dois protagonistas são pessoas comuns, jogadas num jogo político cruel e árduo, do qual não querem participar, mas também não desejam deixar para trás. A personalidade de ambos é diferente, mas compartilham de um senso de dever e ética apurados, o que os leva a serem escolhidos como aprendizes. Claro que erram pelo caminho, mas aprendem e fazem limonada do limão que receberam.

Além deles, há outros personagens interessantes, como o ceifador Faraday, a quem me apeguei muito durante a leitura, a ceifadora Curie, famosa por grandes coletas e que leva o nome de Grande Dama da Morte, e o ceifador Goddard, não tão ético quanto os anteriores e que gosta de realizar massacres e se diverte no cargo. Todos eles são profundos, com intensidades diferentes e modos de trabalhar. Goddard é vilão, é cruel e mata por esporte, mas consegue deslumbrar aqueles ao seu redor – até mesmo o leitor! – e nos cria sentimentos contraditórios.

O mundo que Neal Shusterman criou parece maravilhoso. Não tem doenças, não tem mortes (se você morreu, é só ressuscitar), nem nada ruim. Até mesmo depressão e outros distúrbios do tipo foram solucionados. Mas, como Faraday constantemente afirma, a mortalidade mostrava o pior – mas também o melhor do ser humano. E isso é algo a se pensar. No que eles chamavam de Era da Mortalidade, as pessoas eram mais intensas, mais felizes, as criações musicais e artísticas tinham mais sentimento e a sensação de não saber quando seria seu último dia na Terra nos faz correr atrás dos sonhos. Nesse universo, nem mesmo há religiões, então não existe o sentimento de busca e plenitude que ela dá. A imortalidade traz tédio, marasmo, os anos parecem dias e as décadas passam sem grandes acontecimentos. A vida se torna banal.

Segundo volume da série Scythe

A trama é complexa – mas não ao extremo, e muito bem amarrada. Trata-se de uma série, então ele termina com um gancho para o próximo volume, só que com um enredo de certa forma fechado, com alguns arcos resolvidos. Há ação, há conflitos internos e questionamentos sobre o que é humanidade. Neal Shusterman escreve de forma crível. O mundo é utópico, mas entramos tão a fundo na leitura que vivenciamos tudo aquilo. Os rumos que o enredo toma são surpreendentes e as páginas voam em nossas mãos.

O Ceifador é tiro, é bomba, é berros. Foi um livro que me prendeu da primeira à última página, me deixando extremamente curiosa pela continuação. Só não digo foi que foi a melhor leitura do ano até o momento porque em 2018 teve Corte de Névoa e Fúria e Corte de Asas e Ruínas, e eles estão na minha lista de favoritos da vida inteira. Mas foi um livro muito incrível. Mas foi um livro muito incrível. E os direitos cinematográficos foram comprados há um tempo e a adaptação está em produção, mas em estágios tão iniciais que não há quase nenhuma notícia sobre ela.

E deixa eu contar uma coisa para vocês: A Amazon está em promoção até o dia 2 e os livros da série Scythe estão com muito desconto e frete grátis:


E se você quer, além desses, ver os outros descontos da Book Friday, é só vir aqui.

Recomendo demais. E agora vou rumo ao volume dois, A Nuvem, que dizem ser ainda mais épico.

Teca Machado

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Great News - Crítica


Se tem Tina Fey como produtora, roteirista ou atuando, já tem a minha atenção. Para mim ela é um dos melhores nomes das séries de comédia da atualidade, principalmente se estamos trabalhando com o nonsense (Unbreakable Kimmy Schmidt é o melhor exemplo dos últimos anos). Essa semana quando abri a Netflix apareceu a recomendação de Great News, da qual ela é produtora executiva. Vi o trailer e me interessei muito, principalmente por ter no elenco Andrea Martin, a tia Voula de Casamento Grego. O resultado é que já vi vários episódios e adorei.


Em Great News Katie (Briga Heelan) é uma jornalista, produtora do jornal The Breakdown, que há três anos luta para conseguir uma posição de destaque na emissora, mas é fadada a matérias fúteis e sem importância. Até que a sua mãe Carol (Andrea Martin), decide voltar a estudar e para conseguir créditos extras começa a fazer estágio no trabalho da filha. O maior problema disso é que Carol não respeita espaço pessoal, nem de Katie e nem de ninguém, enquanto a filha tenta desesperadamente de desvencilhar das ações superprotetoras da mãe. Mas Carol  é carismática, sem noção no melhor sentido e conquista a todos, principalmente Chuck (John Michael Higgins), âncora do programa e intragável com todos os outros colegas, e a dinâmica de trabalho surpreendentemente dá certo.


O roteiro é afiado e há muitas piadas rápidas, algumas sutis, algumas escrachadas, que falam sobre posição da mulher, trabalho, jornalismo, sistema midiático americano, relação de mãe e filha, relacionamentos no trabalho, cultura pop (“Afinal, quem é esse Snapchat?”, pergunta Chuck logo nos primeiros episódios) e muito mais. E, é claro, há uma pequena carga dramática. É uma produção que dá para rir e dá para sorrir. É aquele tipo pastelão que você assiste no fim do dia quando precisa limpar a mente e não pensar em nada.

O elenco tem muita química, principalmente Heelan e Martin, que são totalmente críveis como mãe e filha. As interações entre elas são deliciosas e é possível sentir em Katie o constrangimento por tudo o que a mãe fala, como quando em plena reunião de pauta diz que a filha tem irritação em “certos lugares”. Mas a ama de paixão e ainda que inconscientemente está adorando essa proximidade diária entre elas e todo o cuidado, ainda que exagerado.



John Michael Higgins dispensa elogios e acredito que ele nasceu para interpretar âncoras sem noção de jornais fictícios (Quem aí lembra dele maravilhoso em A Verdade Nua e Crua?). Nicole Richie está bem como Portia, a co-âncora que dá as ideias mais esdrúxulas de pauta - que sempre sobram para Katie -, que é a futilidade em pessoa, mas que possui uma profundidade e uma inteligência que só vista quando ela deseja. E Portia e Chuck têm interações deliciosas, já que se odeiam descaradamente. E há ainda Greg (Adam Campbell), o chefe do jornal, com quem Katie possui uma relação pouco convincente de sentimentos não resolvidos que é de praxe em comédias e é meio dispensável.



Com episódios de apenas 22 minutos e enredo ágil, Great News é uma série para se assistir rapidamente. São duas temporadas, mas infelizmente ela foi cancelada nos Estados Unidos devido à baixa audiência. Só que a Netflix a colocou em seu catálogo e está distribuindo como produção original, então há rumores de que pode voltar a ser gravada, para a nossa alegria.

Great News é boa pedida para quem gosta de The Office, Veep, Unbreakable Kimmy Schmidt e 30 Rock, assim como de Tina Fey.



Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Insta Novels – Biblioteca Pública de Nova York


Como os celulares hoje contém nossa vida inteira, nada mais natural do que lermos e-books neles também. Mas já pensou ler um livro inteirinho pelo Instagram? Como isso seria possível? A Biblioteca Pública de Nova York pensou num jeito de levar as histórias para ainda mais perto de você.


Junto com a agência de publicidade Mother, a instituição lançou no final da semana passada o Insta Novels. Nesse projeto os stories do Instagram trazem obras completas dentro da plataforma, como um livro digital, dentro do perfil da biblioteca (@nypl).

O primeiro título do projeto é Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol. A história foi dividida em partes, que são publicadas diariamente nos stories. Além dos textos, há algumas ilustrações e animações, que tornam a experiência ainda mais bacana.

Aí você se pergunta: Mas os stories ficam no ar apenas 24h. E se não der tempo? E se eu me esquecer? Fico com a leitura pela metade? Não, a biblioteca pensou nisso também, pois todas as imagens ficam salvas na ferramenta “Destaques” e podem ser acessadas a qualquer momento. Eles até fizeram um tutorial de como ler pelo Insta Novels, para tirar qualquer dúvida ou reserva que as pessoas tenham sobre ler no Instagram.

As obras ficam em destaque para ler quando quiser.

Alice no País das Maravilhas é só o primeiro livro. O projeto promete sempre trazer novos títulos, principalmente clássicos. Assim que a obra de Lewis Carroll terminar, será a vez de A Metamorfose, de Franz Kafka, e o conto O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman.

Como estamos falando da Biblioteca Pública de Nova York, os livros do Insta Novels são em inglês, então é preciso ter um conhecimento pelo menos médio do idioma.


Se o Instagram tomou muito do tempo que as pessoas usavam para ler, por que não se juntar a ele e fazer com elas leiam dentro da plataforma?

Teca Machado


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Vidas à Deriva - Crítica


Filmes de sobrevivência são muitos e quase sempre meu coração fica apertado de tristeza. E a gente já assiste preparado para sofrer. Por isso eu soube desde o início que Vidas à Deriva, do diretor islandês Baltazar Kormákur, destruiria o meu coração, afinal, eu vi o trailer e só por ele já fiquei triste. E a produção, que está nos cinemas não me decepcionou, já que me emocionou, arrasou e me envolveu na tragédia.


Inspirado na história real de Tami Oldham e Richard Sharp, Vidas à Deriva é uma espécie de contos de fadas que deu errado. Em 1983 Tami (Shailene Woodley) trabalha em empregos que a possibilitam se manter viajando. Quando chega ao Taiti, conhece Richard (Sam Claflin), um velejador espírito livre assim como ela. Com muito em comum, eles se apaixonam. Meses se passem até que um amigo de Richard pede que ele leve seu veleiro de luxo à Califórnia, numa viagem de seis mil milhas pelo Oceano Pacífico. Então começa uma aventura com cara de lua-de-mel antecipada, mas o que eles não contavam era com um furacão que os alcança em pleno mar, destrói parte do barco, como o rádio e o motos, deixa Richard machucado e com Tami precisando sozinha guiar a embarcação à deriva numa região sem terra firme, sem rota de aviões e de embarcações.

Essa é uma história de superação, desespero e inteligência para continuar sobrevivendo com recursos muito escassos. Tami é forte, pensa rápido, improvisa e tenta se virar com o que tem, mas o roteiro não nos impõe uma personagem irreal, quase uma super-heroína, pelo contrário. Ela se desespera, chora, berra, tem seus momentos de desistência e teimosia quase infantil, mas Richard sempre a impulsiona a ir para frente, já que com costelas quebradas e o fêmur fraturado ele é, como o próprio diz, um peso morto. Tudo o que pode fazer é ser motivacional, mesmo que a sua situação seja muito crítica.



Kormákur acertou na maneira que montou Vidas à Deriva, com a primeira cena do longa já ser Tami acordando num barco um tanto destruído, alagado em vários pontos e se desesperando ao não encontrar Richard entre os destroços. E, então, vai alternando flashbacks do passado, de a partir do momento que Tami chega ao Taiti e vai gradativamente até quando o furacão faz seu estrago, no final do filme. Então uma tensão é criada, porque enquanto o casal está feliz, se conhecendo e se apaixonando, sabemos que em breve a tragédia irá chegar. Os planos próximos e ao longe ajudam a criar a atmosfera de solidão do veleiro errante, num mar calmo e ensolarado que se torna uma força indestrutível quando as tempestades chegam. E a fotografia é lindíssima, o que torna tudo ainda mais sofrido.



Shailene Woodley, que também é produtora executiva do filme, está excelente (não que não esteja em outras atuações da sua carreira). Sua cena inicial é visceral, trágica e podemos sentir todo desespero da personagem. E essa enxurrada de sentimentos e emoções de Tami pode ser vista sempre que estamos nas sequências do “presente”. Destaque para a cena da chuva, em que comemora como uma criança a chegada de água potável enquanto está sentada nua no convés e quando se desespera ao ficar na dúvida se uma embarcação que passou por eles é alucinação ou não. Sam Claflin tem menos destaque do que a sua colega, já que seu personagem fica mais parado e em sofrimento, mas não menos ator. Ele também está ótimo em seu papel. A química entre eles existe e é visível em tela.



Um ponto um pouco negativo são as cenas de flashback. Apesar de muito importantes para contar a história e criar o clima de cumplicidade entre os dois que vemos depois do furacão, elas são um pouco lentas, recheadas de clichês (não que eu ligue para eles) e não parecem tão profundas.

Vidas à Deriva vai te fazer sofrer e ficar agoniado com tanto sofrimento, mas é uma história muito bonita sobre amor, cumplicidade e força para sobreviver as situações mais adversas. E em julho a Astral Cultural publicou o livro de Tami Oldham que inspirou o filme.


Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Good Girls - Crítica


Good Girls é aquela série que entrou de fininho na Netflix, mas que deveria ganhar a sua atenção. Algumas pessoas estão chamando de Breaking Bad às avessas, outras dizem que é uma mistura de Desperate Housewives com Oito Mulheres e Um Segredo e até mesmo há quem fale que é uma nova versão de Thelma & Louise. Só sei que é divertida, com protagonistas fortes e prende a atenção com um roteiro inteligente.


Em Good Girls três amigas estão passando por dificuldades financeiras, além de problemas nas vidas pessoais. Meio que na brincadeira uma delas fala que poderiam assaltar um supermercado, afinal, seria fácil, mas acabam colocando o plano em prática. Elas precisavam de U$ 30 mil para resolver os problemas, só que a quantia arrecadada é de meio milhão de dólares, que veio de um sistema corrupto do qual a empresa participava. Agora elas estão envolvidas com o esquema e precisam se aprofundar no mundo de crime, mesmo contra a vontade. Ou não.

Lançada pela NBC e comprada e distribuída pela Netflix, pelo trailer Good Girls pode parecer uma série leve, superficial para você ver rapidinho e se divertir. Sim, ela diverte, mas é muito mais do que aparenta à primeira vista. Temas mais sérios são discutidos, mesmo que de forma sutil às vezes, como quando ao fingirem ser ajudantes de uma senhorinha as duas garotas brancas ficam sentadas enquanto a negra trabalha e aponta esse fato, a doença da filha de uma das mulheres, assim como o tratamento público de saúde, infidelidade, luta por custódia,  bullying, assédio sexual – e um quase estupro e não se identificar com o próprio gênero. E tudo isso apenas nos primeiros episódios. E não podemos não falar do girl power que a série mostra, em que três mulheres tomam as rédeas da situação e transformam o limão que a vida deu numa belíssima caipirinha (ainda que uma caipirinha ilegal, mas, enfim).



Além de um ótimo roteiro de Jenna Bans, que também é a criadora da série, Good Girls tem um elenco que nos envolve na história. Christina Hendricks (Mad Men) é Beth, mãe de quatro, dona de casa e se desespera ao saber que o marido tem um caso e não vem pagando as contas da casa. Mae Whitman (The Duff) é Annie, irmã mais nova de Beth, trabalha no supermercado e pode perder a custódia da filha para o ex-marido rico e bem sucedido. Retta (Parks and Recreation) é Ruby, garçonete que luta todos os dias para que sua filha consiga ter um tratamento bom para uma doença muito séria de pulmão. É muito difícil falar mal do trabalho das atrizes, porque elas estão muito bem na série, e tem uma química muito bacana. As personagens não têm nada de parecidas, são opostos, mas funcionam muito bem juntas nesse trio desajustado.

As três são extremamente carismáticas, tanto que nos pegamos torcendo por elas, mesmo quando elas tomam gosto pelos assaltos e talvez não sejam mais tão good girls. As motivações iniciais são válidas, por isso não torcemos o nariz para o assalto (La Casa de Papel feelings). Há uma linha bem tênue e muito borrada entre ser mocinha e ser vilã e acaba que as três protagonistas não são nem uma coisa, nem outra. Elas são apenas mulheres tentando resolver os problemas nos quais se encontram.



Good Girls pode ser descrita como uma comédia dramática. Algumas situações beiram o nonsense (tipo o primeiro assalto delas e o fato de manterem um refém na casa da árvore dos filhos de Beth) e arrancam algumas risadas. Mas há também momentos mais tristes, mais tensos, que dão aquele nozinho na garganta da gente.

A série tem um ritmo bom, sem cair num ritmo mais lento e sem encher de ação demais. Há plot twists aqui e ali, o que nos deixa sempre interessado. O final da temporada deixa pontas soltas, mas isso é extremamente normal para séries, principalmente para uma que já está confirmada uma segunda temporada, ainda sem data. São 10 episódios de 40 minutos para serem assistidos rapidinho.

Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Para Todos Os Garotos Que Já Amei – Filme - Crítica


Quando terminei de ler Para Todos Os Garotos Que Já Amei, de Jenny Han (Editora Intrínseca), meus olhos ficaram em formato de coração. Achei lindo, achei fofo, achei leve, achei gracinha. Por isso tinha a certeza de que se o filme baseado na obra seguisse a mesma linha, não teria como ser ruim. A Netflix disponibilizou a produção própria no seu catálogo na última sexta-feira e como eu estava empolgada há meses para assistir, não perdi tempo e me joguei na história no fim de semana.


Em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, da diretora Susan Johnson, Lara Jean (Lana Condor) escreve cartas todas as vezes que se apaixona tão intensamente que tudo o que pode fazer é colocar esse sentimento para fora nas folhas de papel. Aos 16 anos ela tem cinco cartas de amor, todas escondidas no seu armário. Misteriosamente – ou não tanto assim – as cartas são enviadas para os remetentes. Lara Jean se desespera, porque um deles é Josh (Israel Broussard), seu vizinho, amigo e ex-namorado da sua irmã mais velha, e outro é Peter (Noah Centineo), o “rei” do colégio. Para despistar Josh e para fazer ciúmes na ex-namorada de Peter, ele e Lara Jean fingem estar namorando. A garota que sempre foi invisível e tímida e que gostava de viver dentro da imaginação agora é o centro das atenções e finalmente passa a ter experiências reais, não em livros.

O filme conseguiu me passar toda atmosfera que senti ao ler o livro. A casa da família de Lara Jean é aconchegante, as cores usadas e misturadas dão um ar de bagunça organizada, o guarda-roupa, principalmente de Lara Jean, é retrô e espelha bem a sua personalidade. Lana Condor foi uma ótima escolha para viver a protagonista. Ela é doce, inocente e fofa, mas com o passar da história passa a desabrochar, a sair da sombra de Margot (Janel Parrish, a Mona de Pretty Little Liars), sua irmã mais velha que foi para a faculdade em outro país e que sempre foi a encarregada da casa, já que a mãe das meninas morreu muito cedo. Impossível não sorrir com Lana e sua Lara Jean, assim como a sua química com Noah Centineo.




Um dos maiores acertos da história, não só do filme, mas do livro também, é a família de Lara Jean e a interação entre eles. Margot é pragmática e basicamente cuida para que tudo continue funcionando na casa. Kitty (Anna cathcart) é a caçula das irmãs e é a mais engraçada e vida loka, o alívio cômico na medida certa. John Corbett é o pai, dr. Covey, que se viu de repente com três meninas em casa e e é um excelente pai. Queria um pouco mais de Corbett em cena, porque é aquele pai maravilhoso que todos gostaríamos de ter. E apesar de não ficar tão explícito no filme, é lindo ver a cultura coreana, já que a mãe das meninas era do país e muito disso foi levado para a alimentação, roupas, casa e modo de viver.

Não espere grandes surpresas ou reviravoltas. É de uma comédia romântica americana para adolescentes que estamos falando. Há vários clichês do gênero – como a invisível começar a namorar o popular e eles se apaixonarem -, mas nós os adoramos, certo? É uma produção leve e isso funciona, porque Para Todos Os Garotos Que Já Amei nunca se propôs a ser um filme cult ou profundo, mesmo que em momentos há assuntos mais sérios a serem tratados, como o luto, a partida de um pai ou o vazamento de vídeos íntimos.



Apesar de termos presente algo tão retrô quanto cartas ou jukebox em restaurantes, o filme sabe em que época passa e deixa isso muito claro. Há mensagens de celulares, instagram, conversas por vídeo e mais da tecnologia moderna. Os objetos mais vintages dão um ar talvez mais intimista e pessoal para a história. E deixam a fotografia da produção ainda mais bonita (sério, que fotografia linda!), assim como os planos e cortes em que foram filmados.

O filme é uma boa adaptação do livro e consegue manter a essência do original e ainda assim fazer com quem não leu a trilogia de Jenny Han se apaixone por Lara Jean e suas cartas. Claro que alguns pedaços foram retirados da história, porque infelizmente a linguagem do cinema não comporta todos os detalhes de um livro, mas isso não comprometeu o enredo e nem a interação entre Lara Jean e Peter. Foi o tipo de adaptação cinematográfica que me deixa feliz.



E assim que os créditos finais começam a rolar, assista um pouquinho mais, porque há uma cena que dá gancho para a continuação - ainda não confirmada -, já que a história original é uma trilogia.


Recomendo muito.

Teca Machado

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Interferências - Resenha


Poder ler a mente das pessoas parece que resolveria vários dos nossos problemas. Mas como Connie Willis nos mostra no livro Interferências, que recebi da Suma Editora (Companhia das Letras), conhecer a mente dos outros talvez não seja uma ideia tão boa assim.

Foto @casosacasoselivros.com

Em Interferências estamos num futuro não muito distante, quando as pessoas conectadas emocionalmente podem se ligar ainda mais por meio de um procedimento médico chamado EED. Essa cirurgia abre as vias neurais do casal permitindo que um envie sentimentos e emoções para o outro, para que possam realmente sentir o amor entre si. Briddey é pega de surpresa quando seu namorado há apenas seis meses Trent sugerem que façam um EED, mas aceita, afinal, isso os tornará ainda mais próximos. Ambos trabalham numa empresa de telecomunicações onde é difícil guardar segredos, por isso todos ficam sabendo o que eles pretendem fazer, inclusive C.B., o recluso gênio da tecnologia que tenta a todo custo impedir que Briddey se submeta a isso, assim como a sua família. Quando finalmente realiza o procedimento, algo dá errado e ela se conecta a outra pessoa.

Interferências é uma mistura de romance com ficção científica, o que pelo que eu pude pesquisar é um gênero do qual Connie Willis gosta bastante. O livro até mesmo tem uma pegada um tanto Black Mirror, porque há uma crítica social presente, mesmo que ainda leve, sobre a forma incessante como nos comunicamos por meio de mensagens, textos, ligações e como sempre precisamos estar disponíveis para os outros, além da falta de privacidade. 

Connie Willis
Gostei do livro, apesar de ter algumas ressalvas. A história é interessante e com uma premissa diferente. Imagine ter acesso aos sentimentos da pessoa que você ama? Isso pode ser tanto bom quanto ruim. Briddey, mesmo com uma passividade quase debilitante em vários momentos, é uma personagem a se gostar, assim como de C.B., um cara que tem o coração do tamanho do mundo e ajuda sempre que necessário. Uma boa palavra para descrevê-lo é encantador.

Mas o meu amor pelos personagens termina aí, porque de resto é só o ranço. Trent é um babaca de marca maior que desde o começo não me convenceu e a família da protagonista é simplesmente insuportável. É uma relação tóxica, abusiva. Aparecem de surpresa sua casa, seu trabalho, seus jantares, tudo (na verdade invadem mesmo). Se intrometem em todos os aspectos da vida de Briddey e não lhe dão um momento de paz. É quase ridícula a maneira como sua irmã Mary Clare trata a filha com cuidado excessivo, assim como Kathleen tem encontros com homens por todos os aplicativos de namoros disponíveis e parece uma criança pedindo conselhos. E mesmo quando Briddey diz que não pode falar no momento, continuam insistindo, sem dar nenhuma espécie de espaço para a garota.

Interferências é narrado em terceira pessoa, sempre do ponto de vista de Briddey, e é recheado de diálogos, o que é sempre bom, mas o ritmo me incomodou um pouco. Às vezes você fica 20, 30 páginas no mesmo assunto e tem a impressão de que não sai do lugar. Há trechos supérfluos que poderiam ser facilmente retirados. Esse é um livro de mais de 450 páginas que em certos momentos fica estagnado, tanto que demorei um bom tempo para finalizar a leitura.


Mas toda crítica social é importante e válida, sobre como a comunicação exagerada e em tempo real tem o seu lado ruim. Sei que a maneira que Connie Willis retratou esse assunto foi um tanto exagerada, para criar mesmo uma hipérbole, por isso tudo parece ainda “mais”, ainda “maior”. Em certos momentos chega até mesmo a ser desesperador o tanto que Briddey perde sua privacidade, quando nem mesmos seus pensamentos e sentimentos são um lugar seguro para ser si própria. Por isso é impossível não se indagar se estamos seguindo nesse caminho e o qual ruim isso vai ser para a sociedade.

Há tiradas divertidas, referências ao mundo pop (Beyonce fez um EED!) e diálogos ágeis e inteligentes. Apesar de poder se considerado uma comédia romântica no melhor estilo cara nerd desengonçado fica com a garota linda que é muita areia para o seu caminhão, o foco não é tanto o amor, e sim tudo pelo que Briddey passa. 

Recomendo.

Teca Machado




quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A Barraca do Beijo – Filme - Crítica


O bonde dos atrasados passou e só essa semana consegui assistir o queridinho da Netflix A Barraca do Beijo, filme baseado no livro homônimo de Beth Reekles. E, sim, é bem adolescente, engraçadinho e fofo, como o título e o pôster da produção sugerem, e sim, eu adorei. Podemos dizer que é um prazer culposo.


Um dos pontos mais legais de A Barraca do Beijo é que o livro estourou um tempo atrás no Wattpad. E, pasmem, Beth Reekles tinha apenas 15 anos quando começou a publicar a história. É um dos livros de maior sucesso da plataforma e hoje também já foi muitíssimo assistido na Netflix.

Em A Barraca do Beijo, do diretor Vince Marcello, Lee Flynn (Joel Courtney) e Shelly Evans (Joey King) se conhecem a vida inteira. Eles inclusive nasceram no mesmo dia, na mesma hora e no mesmo hospital e suas mães eram melhores amigas há décadas. Então nada mais natural do que eles serem também melhores amigos, inseparáveis. Shelly sempre teve uma queda por Noah (Jacob Elordi), irmão mais velho de Lee, mas nunca levou isso para frente, já que havia uma regra entre eles de que parentes um do outro eram proibidos para namorar. Quando durante um festival da escola, Shelly e Noah se beijam na Barraca do Beijo, descobrem algo que sempre esteve guardado dentro de si mesmos, mas não podem levar isso adiante para não magoar Lee.



Todas as vezes que temos histórias sobre melhores amigos, de uma forma ou de outra eles terminam juntos, o que acaba propagando a premissa de que homens e mulheres não conseguem manter amizade sem pelo menos um deles nutrir sentimentos platônicos. Em A Barraca do Beijo isso não acontece. Lee e Shelly são realmente amigos e um fica feliz pelo outro quando há alguma conquista amorosa. A grande questão de que estando juntos eles magoariam Lee é porque há um pacto entre os amigos e quando ele é quebrado, mentiras passam a fazer parte de uma relação que sempre foi muito honesta.

Mesmo que o romance entre Shelly e Noah seja importante para o filme, porque ele faz parte do amadurecimento da protagonista, o mais importante ali é a amizade. Mais do que seu amor por Noah, a relação de uma vida inteira com Lee é o imprescindível para Shelly e eu adorei ver isso, encontrar amigos que são realmente amigos, irmãos, que cuidam um do outro com um carinho imenso.



Joey King é uma gracinha e em muitas vezes me lembrou a Rory Gilmore fisicamente. Ao mesmo tempo é forte e inocente, uma adolescente normal e somos convencidos disso em todas as cenas. Ela é divertida e nos diverte ao mesmo tempo que emociona. Joel Courtney também. A amizade e carinho entre ele e Joey parece que vai para fora da tela e é bem competente. Jacob Elordi é o mais fraco dos três – ainda que lindo! Suas habilidades de interpretação são bem medianas, mas a gente releva. A Barraca do Beijo não é uma história cheia de profundidade, ainda que tenha seus momentos mais intensos, por isso não é necessário exigir tanto dos atores. Senti que ficou faltando trabalhar melhor o personagem Noah, mas nesse caso foi culpa do roteiro. E o legal é que apesar de não terem a mesma idade de Shelly, Lee e Noah – 16 e 18 anos -, os três atores são bem jovens. Joey tem 19 anos, Jacob 21 e Joel 22 (Sim, o irmão “mais velho” é um ano mais novo que o caçula). Joey e Jacob estão namorando desde as filmagens. Segundo dizem, foi amor à primeira vista e até mesmo já falam em casamento. Fofo, né?

Para quem sabe um pouquinho de cinema dos anos 1980, vai perceber que a mãe dos garotos é Molly Ringwald, de O Clube dos Cinco e de A Garota de Rosa Shocking. E a música que cantam no baile, uma versão de Don’t You (Forget About Me), tocou no filme clássico de Molly. E em uma forma de homenagem, na cena da detenção os alunos no fundo da cena estão vestidos como os personagens de O Clube dos Cinco. 



O cenário do filme é bem bonito. Temos ali o melhor da Califórnia e do Hollywood Sign. Deu até vontade de conhecer! Que tal acessar esse link e pesquisar hotéis em Los Angeles para a sua próxima viagem?

A Barraca do Beijo é um filme bonitinho, que merece todo esse hype ao seu redor. Vale a pena assistir, principalmente se você gosta de produções adolescentes sobre crescimento e amadurecimento.

Para comprar o livro que deu origem ao filme, clique aqui:


Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Explicando, série da Netflix - Crítica


Meu marido anda numa fase de séries mais sérias, de documentários e de produções que agreguem alguma coisa (o que às vezes me deixa doida, porque eu adoro também uma produção bem “pipoca”, que a gente não precisa pensar muito, só se divertir). E assim acabamos descobrindo Explicando, da Netflix, que já ganhou minha atenção.


Explicando são documentários bem curtos, com entre 15 e 20 minutos cada episódio, sobre temas interessante, muitas vezes de difícil entendimento ou mesmo  polêmicos. Cada quarta-feira o serviço de streaming coloca novos episódios no ar e, até o momento já são 14. Segundo o site, serão ao todo 20 nessa primeira temporada.

Tudo bem que muita gente torce o nariz quando escuta a palavra “documentário”, mas não faça isso para Explicando. Ela tem um conceito muito interessante, leve, convidativo e até mesmo com bom humor. Há imagens, gráficos, entrevistas com especialistas e pessoas que possam agregar com o assunto. É uma linguagem bem de redes sociais, ainda que muito jornalística e com várias referências da cultura pop, quando pertinente (por exemplo, no episódio sobre monogamia há cenas de comédias românticas). Não é nada muito aprofundado ou extenso, mas contém muita informação e você termina realmente mais esclarecido.



E mesmo que o tema seja mais complexo e desperte paixões, como maconha, desigualdade entre negros e brancos e criptomoeda, há todo um cuidado do roteiro para não escolher lados, doutrinar e enfiar goela abaixo do espectador uma visão de mundo. Há fatos históricos, científicos e muitíssima pesquisa. E isso acaba criando um espaço para discussões e opiniões. Como o próprio nome da série já diz, eles estão apenas explicando determinado assunto.

A produção é da Netflix junto com o Vox, que é um site jornalístico que tem como objetivo “explicar as notícias”.  Eles também têm podcasts (que já fiquei interessada e coloquei no meu celular) e um canal no Youtube, com mais de quatro milhões de inscritos na mesma linha da série, mas mais focado em matérias e com vídeos mais curtos. Se você ficou interessado, além da série no streaming, o canal chama Vox e o podcast é Today, Explained.



Explicando é descontraída, inteligente e envolvente. Assisti apenas dois episódios e já estou apaixonada. Comecei com o tema monogamia e astrologia, mas já estou de olho em outros. Até agora os episódios são, além desses dois, sobre vida extraterrestre, ponto de exclamação (sim, eles fizeram um episódio sobre essa pontuação), K-Pop, diferença de riqueza entre negros e brancos, críquete, mercado de ações, falência das dietas, maconha, campeonato de games, tauagem e DNA projetado.

Explicando foi uma ótima descoberta na Netflix e que vale muito a pena. Veja aqui o trailer:


Recomendo.

Teca Machado


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Finding Love In a Coffee Shop - Resenha


Nas últimas semanas resolvi me aventurar em leituras no Wattpad. Sei que tem muitos livros ótimos, muitos livros bons e muitos livros ruins, por isso precisamos garimpar um pouco. Como era a minha primeira experiência, resolvi procurar alguma obra bem pontuada e com muitas leituras. Acabei chegando em Finding Love In a Coffee Shop, de Jordan Lynde, que já conta com mais de nove milhões de leituras. Posso dizer que comecei com o pé direito na plataforma.

Foto @casosacasoselivros

Finding Love In a Coffee Shop tem como protagonista Katie, uma garota de 22 anos viciada em café que desde os 17 cuida sozinha do irmão mais novo Dustin, já que a sua mãe morreu num incêndio e o pai foi preso por dirigir embriagado e atingido uma adolescente. Ela se vira para dar conta de tudo financeiramente. Trabalha em dois empregos, faz faculdade e se desdobra. Quando a sua avó deixa de herança uma casa grande num bairro chique, a pequena família se muda para a nova residência. Bem próximo há um pequeno café, onde Katie toma o melhor café da sua vida e conhece Will, o dono da loja que é insanamente bonito e incrivelmente gentil. Mas Will esconde muito mais do que os seus lindos olhos azuis mostram.

A leitura foi rápida, fofa e divertida. Mesmo falando de alguns temas mais pesados, como uso e vício em drogas, acidente de carro, incêndio e problemas financeiros e problemas de relacionamento familiares, é um livro leve, do tipo de romance chick lit.

Os personagens são bem bacanas. Katie tem um bom coração, apesar de ser cabeça-dura e teimosa e às vezes meio burra, se recusando a ser feliz quando as oportunidades estão bem na cara dela. Will é o típico mocinho por quem vamos nos apaixonar, apesar do passado um tanto sombrio. É até meio difícil acreditar que o cara que foi é o mesmo no qual se transformou. É bondoso, fofo e tem um ótimo senso de humor, além de lindo de doer, claro. Dustin é um adolescente normal, bem maduro para a idade, apesar de alguns erros bem idiotas que comete, e é o coração, enquanto Katie é a razão. Mas não podemos deixar de comentar sobre Matt, o irmão mais velho de Will que é de longe o melhor personagem de todos. Seu senso de humor, alegria e tiradas irônicas são as melhores. Eu sorri todas as vezes em que ele apareceu.

Apesar de ter gostado de Finding Love In a Coffee Shop, o livro tem muitos problemas. Provavelmente por ter sido escrito de forma “picada”, muitas questões que podiam ter sido melhor trabalhadas foram deixadas de lado e algumas soluções para os problemas apresentados foram preguiçosas. As ideias eram muito boas, mas as execuções nem tanto. Ao final de cada capítulo Jordan Lynde colocava comentários sobre sua correria e seus dias, e pelo que pude entender, ela demorou muito tempo para escrever a história, às vezes com semanas entre um capítulo e outro, e sso acabou prejudicando a estruturação do enredo. E acredito que ela começou o livro sem ter ideia de como continuar, porque várias vezes a autora disse que tinha várias ideias, mas não sabia por qual caminho seguir.

A história foi envolvente e eu realmente fiquei interessada, com vontade de saber como terminaria. E quando acabou fiquei com um sorrisinho no rosto e o coração quentinho, porque foi fofo.


Como vocês podem ver pelo nome, o livro é em inglês, mas a linguagem é bem tranquila. De vez em quando eu olhava no Google Tradutor uma palavra ou outra, mas mesmo se não olhasse dava para entender pelo contexto. Ler em outra língua é uma ótima maneira para não esquecer o que você já aprendeu, aumentar o vocabulário e estudar gramática, ao mesmo tempo que lê uma história legal.

Se você se interessou, é só clicar aqui para ler. 

Recomendo.

Teca Machado

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Mamma Mia: Here We Go Again - Crítica


Se alguém me dissesse que eu poderia participar de um filme durante a minha vida, eu responderia sem sombra de dúvidas que o escolhido seria Mamma Mia e Mamma Mia: Here We Go Again. Esses musicais são o remédio para qualquer dia ruim, para qualquer doença, para qualquer momento. Esperei ansiosamente pela sequência, que assisti essa semana, do diretor Ol Parker, e, é claro, saí do cinema com um sorriso no rosto e um nó na garganta.


O primeiro Mamma Mia é um dos meus filmes preferidos e Mamma Mia: Here We Go Again entrou também nessa lista, apesar do original estar acima desse segundo volume. Um dos maiores acertos do roteiro foi mesclar passado e presente, além de escalar um elenco ótimo para viver nossos personagens preferidos na juventude.

Em Mamma Mia: Here We Go Again, Sophie (Amanda Seyfried) está prestes a reinaugurar o hotel da mãe Donna (Meryl Streep), totalmente reformado. Para a festa de abertura, convida seus três pais Harry (Colin Firth), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard) e as amigas da mãe, Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski), enquanto precisa lidar com a distância do namorado Sky (Dominic Cooper), que está em NY num curso de hotelaria. Memórias da juventude da mãe surgem, e assim podemos conhecer melhor Donna e o período em que conheceu os três homens da sua vida.



Já conhecemos – e amamos! – o elenco do primeiro filme. Como não elogiar muito Meryl DIVA Streep, Amanda Seyfried, Stellan Skarsgard, Colin Firth, Pierce Brosnan, Christine Baranski e Julie Walters? Todo charme e todo carisma estão de volta e eu sorri toda vez que cada um deles apareceu em cena. Mas quem rouba a cena em Here We Go Again é a adorável Lily James. A atriz é um sopro de ar fresco, contagiante. Sou fã dela desde Cinderela e a cada filme que faz fico mais encantada. Ela soube personificar a jovem Donna, perdida sobre o que queria fazer da vida, mas completamente certa das suas convicções e liberdade. Acredito que não poderiam ter escolhido alguém melhor para viver a protagonista. E, além de tudo, ainda sabe cantar e dançar.


O restante do elenco jovem também faz muito bem seu trabalho. Alexa Davies e Jessica Keenan Wynn, que vivem Julie e Tanya quando novas, me fizeram acreditar que definitivamente eram Christine Baranski e Julie Walters décadas atrás. Só senti que ficaram pouco tempo em tela. Queria mais e mais delas! Assim como dos três pais, Hugh Skinner (Harry), Josh Dylan (Bill) e Jeremy Irvine (Sam). Cada um com seu relacionamento com Donna e personalidade que em muito lembrou dos atores mais velhos. Todos eles contribuíram para que as cenas de flashback fossem incríveis, principalmente os números musicais (Waterloo e Why Did It Had To Be Me? são sequências excelentes).






Um dos pontos mais incríveis de Mamma Mia como um todo, não apenas desse filme, é que o foco do filme é o relacionamento entre mãe e filha, não tentar descobrir quem é o pai biológico. E também não é o amor romântico, mas da família que escolhemos ter (Tem coisa mais linda do que o amor dos pais por Sophie e da amizade que eles têm entre si?). E o roteiro é feito de uma maneira, ainda mais em Here We Go Again, que fica impossível para qualquer um julgar Donna por ter dormido com os três e não saber de quem engravidou. Sabemos que a sociedade tem um peso diferente para as mulheres, mas isso não acontece aqui e é maravilhoso. Além disso, há um personagem abertamente gay e isso é apenas um fato, não algo que o define.

Claro, há alguns furos de roteiro, como o fato de que Cher (maravilhosa e lotadíssima de cirurgias plásticas), apenas três anos mais velha do que Meryl Streep, ser mãe dela. Fora que no primeiro filme Donna dá a entender que a mãe morreu e era uma católica conservadora, mas Ruby (Cher) está bem viva e com um show em Las Vegas. E Andy Garcia faz uma aparição bem pequena, mas bacana, e, quem diria, sabe cantar.



Cenários, músicas, figurino, danças, tudo é lindo, empolgante, além de brega e exagerado (o que a gente ama!), e nos faz querer estar ali junto de todos eles, desejando que todos sejam de verdade, não apenas fictícios. Há músicas clássicas do ABBA que não foram usadas no anterior, assim como a regravação de algumas do primeiro, além de outras menos conhecidas. A sequência de Dancing Queen e Mamma Mia são pontos altos.

Mamma Mia é considerado um “fell good movie” e essa afirmação não poderia ser mais verdadeira. A carga dramática de Here We Go Again é maior, principalmente na cena final (Sério, como não querer chorar com aquela música e aquela sequência?), mas isso não nos impede de sorrir e amar essa história.


Já quero assistir de novo. E de novo. E de novo. A playlist já está tocando no meu Spotify incansavelmente desde segunda-feira. Ah! E não deixe de assistir a cena pós-crédito, que tem cara de que foi improvisada e é ótima.

Recomendo muito muito, demais, bastante.

Teca Machado