quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Aquaman - Crítica


"Aquaman sucks", disse o Raj em The Big Bang Theory em determinado episódio (aquele do concurso de fantasias em que ele se veste como o personagem e usa um cavalo marinho como montaria). Bom, mal sabia ele que a Warner ia transformar o herói em algo totalmente diferente. Naquela época Aquaman não era o Jason Momoa e nem tinha virado esse badass rebelde cabeludo com olhos âmbar.


A convite de amigos, que ganharam ingressos da Warner, assisti Aquaman, do diretor James Wan, ontem numa sessão especial em Brasília e posso dizer que fiquei encantada. Tá, o roteiro não é dos mais profundos ou criativos e há muitos dos clichês da jornada do herói, mas a história é boa e prende a atenção.

Arthur (Momoa), conhecido como Aquaman, é filho de dois mundos opostos. Sua mãe é Atlanna (Nicole Kidman), rainha de Atlântica, o reino aquático, e seu pai é Tom (Temuera Morrison), um faroleiro da terra firme. Depois dos acontecimentos de Liga da Justiça, ele é procurado por Mera (Amber Heard), uma princesa dos mares que pede que reivindique seu trono, já que seu meio-irmão Orm (Patrick Wilson), rei de Atlântida, está juntando um exército para atacar a superfície, que polui suas águas, mata seus animais e é uma ameaça aos oceanos. Ao mesmo tempo um pirata que tem raiva de Aquaman deseja ardentemente vingança pela morte do pai.



O que mais chama a atenção em Aquaman é o visual. Digo sem sombra de dúvidas que é um deleite para os olhos. James Wan criou um mundo lindíssimo dentro das águas, com cores berrantes, luzes neons e escolhas nem sempre ortodoxas de paletas. E eu vi em IMAX, então vocês podem imaginar a explosão de imagens alucinantes que foi. Com suas cores, figurino (que dizem ser extremamente fiel ao original das HQs) e maquiagem (o que é aquele cabelo vermelho de A Pequena Sereia de Mera?), o filme flerta com o cafona. Mas é totalmente proposital e no fim das contas tudo combina, toda aquela mistura psicodélica. É tipo aquela sensação dos anos 1980: Era quase ridículo e brega, mas muito divertido e não podemos negar que adoramos. E mesmo que em alguns momentos, principalmente os de nado mais calmo, os efeitos de computação pareçam muito artificiais, de modo geral é muito bom.

Nunca imaginei que uma produção no fundo do mar teria tanta explosão, quebra pau e pancadaria. E fez sentido, mesmo que pareça estranho. As cenas de ação e luta (são várias, afinal, o Momoa é especialista nisso) são muito bem coreografadas e a câmera de Wan é frenética. Tanto que fiquei meio tonta em algumas sequências. O problema é que o diretor repete a fórmula de filmagem de batalhas várias vezes, o que quase transforma as lutas em algo cansativo.



Momoa é extremamente carismático e personifica perfeitamente o bruto, mas fofo, Arthur. Podemos dizer que ele nasceu para interpretar Aquaman e Khal Drogo de Game of Thrones. Se ele ficar só nesses mesmos papeis o resto da vida tudo bem para mim. Ele nem é de longe um bom ator, mas todo o seu charme e tamanho compensam, até porque o personagem não pede intensidade demais. E até a Amber Heard, que eu não morro de amores, me conquistou. A química entre eles não é a mais maravilhosa do mundo, mas funciona. Patrick Wilson faz um bom Orm. O ator definiu o personagem como um terrorista ecológico, só que eu ainda acrescento que é um megalomaníaco por poder. Ele é totalmente o contraste de Aquaman, tanto visualmente quanto de personalidade. E o outro vilão, Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), tinha tudo para ser um arco interessante, mas é deixado de lado, com pouco espaço para crescimento.

Um ponto que chama a atenção em Aquaman é o tom do filme, que pela primeira vez aproximou a DC do Universo Marvel. Ele é bem mais leve, com um toquezinho de comédia, completamente diferente de todo enredo e cores sombrias e sisudas demais, características do Zack Snyder. Arthur se leva a sério sem levar, por mais paradoxal que isso seja. Ele é bem-humorado, tem um coração do tamanho do mundo e faz mais cara de bravo do que é de verdade – a não ser quando está lutando pelo que acredita. Um pouco de risadas e sorrisos não tiram o brilho de um filme da DC e nem a ameaça de um fim do mundo.


E não posso deixar de falar da trilha sonora! Ela está sempre presente e tem ótimas músicas, que combinam perfeitamente com toda a ambientação do filme.

Aquaman é um filme ótimo (dentro da categoria de filmes de heróis, não espere uma produção para Oscars ou atuações dramáticas) e foi uma grata reformulação de um personagem que mesmo nas HQs era relegado ao segundo plano. A DC acertou e só nos resta esperar que continue assim.


Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 7



E o mês mais temido por mim do projeto um ano sem comprar livros chegou, passou e eu nem percebi. Estamos no mês 7 e até agora foi muito mais tranquilo do que eu imaginei que seria, mas o meu grande medo se chamava novembro, mais especificamente Black Friday.

Há anos tenho o costume de comprar muitos livros nessa data. Inclusive teve uma vez que comprei 21 exemplares. E imaginei que com os preços maravilhosos e uma lista de obras que quero ler que não para de crescer, fora o fato de que eu amooooo comprar, achei que seria uma prova de fogo cruel, mesmo tendo prometido para mim mesma que não iria cair em tentação. Bom, no fim das contas eu nem precisava ter medo porque foi bem facinho passar por isso, porque eu meio que esqueci e bloqueei o evento.

A minha sorte foi que eu trabalhei muito na semana pré-Black Friday, no dia específico e nos dias seguintes. E o melhor de tudo é que não trabalhei usando computador, porque se fosse a vontade de pelo menos dar uma olhadinha nas promoções seria maior do que eu. Tenho uma loja, então eu e meu marido ficamos por conta disso no período, enfurnados no shopping o dia todo. Na sexta-feira mesmo eu nem lembrei de olhar sites de nada e acabei perdendo descontos de algumas coisas que queria comprar, o que no fim das contas foi bom, porque não adquiri absolutamente nada.

Bom, para não dizer que não foi nada de nada, porque comprei marca-páginas de imã lindos que vendem na minha própria loja. (Relacionado a livro, mas não é livro, que fique bem claro).

Dizem que ignorância é uma benção e nesse caso foi bom demais. O que meus olhos não viram, meu coração e nem o meu projeto sentiram.

Confesso que vi no Facebook alguns amigos divulgando uma promoção do Submarino que dizia que os livros estavam a 99 centavos. Quase abri o link, mas fui firme e nem olhei.

Ponto para mim.


Foram 7 meses. Só faltam 5.

Teca Machado

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

As Viúvas - Crítica

Se tem Viola Davis e Liam Neeson no elenco, Steve McQueen (de 12 Anos de Escravidão) na direção e Gillian Flynn (autora de Garota Exemplar, um dos livros mais geniais que eu li já) no roteiro, pode ter certeza que vai ser um filme bom. Por isso mesmo sem ter visto nem ao menos o trailer, fui ao cinema assistir As Viúvas. E eu estava certa: O filme é muito bom! Com uma cena de abertura que mostra a força tanto do diretor quanto do enredo, a produção prende do início ao fim.


Inicialmente pode parecer que esse é apenas mais um filme de roubo. E roubo com mulheres, seguindo a onda de Oito Mulheres e Um Segredo. Mas As Viúvas é tão mais do que isso que é impossível comparar. Sim, há roubo na trama e mulheres que o realizam, mas há muito mais por trás disso, com uma história interessante, de empoderamento – ainda que sem levantar bandeira alguma do feminismo – e de se tornar protagonista da própria história em meio a homens fortes.

Logo após enterrar seu marido, Veronica (Viola Davis) recebe a visita de Jamal (Brian Tyree Henry), candidato a vereador de um distrito de Chicago. Segundo ele, Harry (Liam Nesson), falecido esposo dela, tinha uma quadrilha e morreu ao roubar U$ 2 milhões dele. Agora Veronica herdou a dívida e tem um mês para saldar o débito. Em posse de um caderno de Harry, onde explicava todos os golpes que já deu e que pretendia dar, ela vai atrás das outras viúvas, afirmando que juntas elas podem realizar um assalto que irá pagar a quantia e sobrar um bom montante para elas.



Por mais interessante que seja o roubo, a história das viúvas é muito mais instigante. Temos quatro mulheres diferentes – e mais uma que entra no grupo sob outras circunstâncias – que perdem com a morte do marido. Para começar, elas não sabiam ao certo o que eles faziam. Veronica tinha um casamento feliz, ainda que marcado por uma tragédia, e uma vida muito confortável financeiramente. Linda (Michelle Rodriguez) é mãe de dois filhos e vê sua loja ser tirada de si porque seu falecido marido a perdeu para o vício em jogo. Alice (Elizabeth Debicki) vivia um casamento abusivo e no qual dependia totalmente do marido, então passa a vender seu corpo para não perder o padrão. E Amanda (Carrie Coon) é uma dona de casa que ficou sozinha com um filho de quatro meses e não quer se envolver. E temos ainda Belle (Cynthia Erivo), que se torna a motorista do assalto. Logo no início McQueen criou uma montagem de cenas que mostra o assalto que deu errado e levou à morte dos cônjuges mesclada com a vida que levavam em família. Em poucos segundos o diretor e o roteiro mostram para o espectador o necessário para entender cada um dos núcleos. 

Ao mesmo tempo em que as mulheres se organizam, há q trama que envolve Jamal e Jack (Colin Farrell), também candidato a vereador, que é de família política, envolvido em corrupção. Apesar de parecer que tais histórias não se cruzam, elas são intrínsecas uma a outra e se amarram de maneira surpreendente.



O foco em As Viúvas são as mulheres. As protagonistas, principalmente Davis e Debicki, brilham. Elas crescem, se fortalecem e mostram que mesmo odiando tudo o que os maridos fizeram, não vão abaixar a cabeça para homens e sua vontade de intimidação. Viola Davis parece no mesmo papel de sempre, mas equilibrou uma mulher fria e racional, por vezes até mesmo grossa, com uma esposa que sofre e que tem um lado muito emocional, principalmente na relação com seu cachorrinho (um westie como o meu. Quase morri de paixão!). É um momento importante quando Veronica diz que elas irão fazer o roubo e ser bem-sucedidas porque ninguém acredita que são capazes. E elas são, com certeza são.

Além das quatro mulheres protagonistas, temos uma atuação sólida, ainda que curta, de Liam Neeson e Colin Farrell. E Daniel Kaluuya, de Corra!, mostra um lado psicopata e terrível. Sempre que ele estava em tela eu ficava muito nervosa, prova de que é um excelente ator.



As Viúvas mistura ação, reviravoltas, roubo, política, relacionamentos, momentos de tensão e mulheres incríveis. Mas a produção ainda toca em temas importantes, mesmo que por vezes de forma sutil. Há racismo, relação inter-racial, o estereótipo do negro pobre, a facilidade da compra de armas nos EUA, a violência policial contra negros e mães solteiras que precisam deixar seus filhos em casa para cuidar dos filhos de outras pessoas.

É um excelente filme que está sendo cotado ao Oscar, principalmente por roteiro, pela atuação de Viola – maravilhosa - Davis e direção de McQueen.




Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Leituras de novembro


Olá, dezembro!

Novembro acabou e o último mês do ano já fez sua entrada triunfal (isso significa que já posso assistir Simplesmente Amor, o melhor filme de Natal de todos os tempos?). E apesar de ter lido pouco esse ano até agora, porque eu trabalhei um monte e faltou tempo, mas sobrou livro, tive a sorte de ler histórias muito boas.

Novembro foram só duas leituras, mas adorei as duas.

Foto @casosacasoselivros


Quer ler as resenhas? É só clicar ali em cima no nome dos livros.

Uma Coisa Absolutamente Fantástica é uma ficção-científica super bacana e atual do irmão do John Green (se você não gosta do estilo do autor de A Culpa é das Estrelas, não se preocupe, porque Hank não tem nada a ver com ele) e Em Pedaços é uma releitura de A Bela e a Fera com um veterano de guerra com cicatrizes físicas e psicológicas e uma garota que busca redenção pelos seus erros. Lindo!


E vocês, quais livros leram em novembro? Algum desses?

Teca Machado