quarta-feira, 31 de julho de 2019

Flipop 2019 - Festival de Literatura Pop



Quem aí gosta de festivais literários com a presença de autores nacionais e internacionais e muita conversa sobre nosso tema preferido?

Então aproveite que começa em São Paulo na sexta-feira a terceira edição Flipop - Festival de Literatura Pop - criado pela Editora Seguinte, selo do Grupo Companhia das Letras, com foco em jovens leitores.

E quando eu falo que vários escritores estarão presentes, é porque são vários mesmo. A programação conta com 57 autores de 14 editoras. Além da Seguinte, participam ainda Aleph, Astral Cultural, Avec Editora, Duplo Sentido Editorial, Editora Planeta Brasil, FTD Educação, Grupo Editorial Record, Harper Collins Brasil, Morro Branco, Plataforma 21, Rico Editora, Rocco e os parceiros Agência Página 7, LabPub e Turista Literário.

Nas mesas os autores vão discutir temas como a importância da representatividade, os clássicos juvenis, k-pop, afrofuturismo, a volta das comédias românticas e até questões de mercado como financiamento coletivo e publicação independente. 

Entre os convidados estão duas estrangeiras: a americana Erin Beaty, que lançou O Beijo Traiçoeiro (resenha aqui) e A Missão Traiçoeira, e a canadense Kristen Ciccarelli, de A Caçadora de Dragões (resenha aqui) e A Rainha Aprisionada, todos pela Seguinte. 

Alguns dos autores brasileiros presentes na programação do Flipop são Carina Rissi, Paola Aleksandra, Aimee Oliveira, Clara Savelli, Ray Tavares, Larissa Siriani. Thati Machado, Babi Dewet, Bruna Vieira, Clara Alves Matheus Souza, Maurício Negro, Jarid Arraes, Thalita Rebouças, Pedro Bandeira, Luisa Geisler, Duda Porto de Souza, Eric Novello, Iris Figueiredo, Luly Trigo e Socorro Acioli e vááááários outros.

O evento acontece no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Em paralelo, e em parceria com a CCSP, acontece também a mostra Pop Cinema, Ficções / Fricções da Adolescência, uma seleção de filmes para e sobre o adolescente.

Olha como foi legal o evento do ano passado:


Veja abaixo a programação completa do Flipop:

SEXTA-FEIRA, 2 DE AGOSTO
14h: Abertura

A Equipe Seguinte dá boas-vindas a todos e divulga uma novidade.

14h15 às 15h30 - O que a História não contou

As pessoas e as vozes que os livros não nos apresentam, mas que têm muito a nos ensinar.
Convidados: Duda Porto de Souza, Jarid Arraes e Lavínia Rocha / Mediação: Pétala Souza

15h45 às 17h - Histórias.com

A internet como personagem e cenário das histórias.

Convidados: Clara Alves, Lola Salgado e Ray Tavares / Mediação: Iris Figueiredo

17h15 às 18h30 - O que torna um livro juvenil em um clássico?

Um debate sobre os livros que marcaram jovens por gerações e como os livros de hoje se transformam em clássicos no futuro. 

Convidados: Carla Bitelli, Luana Chnaiderman e Pedro Bandeira / Mediação: Tatiany Leite

18h45 às 20h - A primeira vez a gente nunca esquece – Literatura e experiências jovens

Autores de destaque no cenário YA nacional falam sobre juventudes, diversidade e o papel da literatura na formação de identidades.

Convidados: Ale Santos, Bárbara Morais, Olívia Pilar e Vitor Martins / Mediação: Mayra Sigwalt

20h15 às 21h30 - Os jovens salvam o dia

Na ficção e na vida real, a juventude à frente dos movimentos de mudança.
Convidados: Eric Novello, Luly Trigo e Samir Machado de Machado / Mediação: Bruna Miranda

14h15 às 15h30 - As grandes sagas juvenis e o que nos ensinam até hoje

Os impactos que sagas como Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo causaram no mercado e o que as mantêm vivas até hoje.

Convidados: Ana Yassuda, Bárbara Morais e Frini Georgakopoulos / Mediação: Paula Drummond

15h45 às 17h - Como contar nossas histórias?

Os perigos de uma narrativa única e a importância de ter representatividade sem estereótipos.

Convidados: Jonas Maria, Lavínia Rocha e Thaís Rodriguez / Mediação: Thati Machado

17h15 às 18h30 - Eu entendi essa referência!

Como as referências à cultura pop podem transformar a experiência de leitura.
Convidados: Cínthia Zagatto, Juan Jullian e Leonardo Antan / Mediação: Sofia Soter

18h45 às 20h – Crowdfunding

Financiamento coletivo e a participação direta do público na publicação.

Convidados: Ian Fraser, Larissa Siriani e Luciana Fracchetta / Mediação: Felipe Castilho

20h15 às 21h30 - Outras formas de publicar

Formas independentes de publicação, seus prós e contras.

Convidados: Aimee Oliveira, Clara Savelli e Victor Lopes / Mediação: Laura Pohl

SÁBADO, 3 DE AGOSTO

14h15 às 15h30 - Às margens da literatura

Histórias e vivências que merecem mais espaço nos livros.

Convidados: Andreza Delgado, Maurício Negro e Mel Duarte / Mediação: Bruna Miranda

15h45 às 17h - Uma mesa traiçoeira

A autora americana Erin Beaty fala sobre seus livros "O beijo traiçoeiro" e "A missão traiçoeira", cujas histórias misturam aventura, romance e espionagem.

Convidada: Erin Beaty / Mediação: Tamirez Santos

17h15 às 18h30 - K-pop nos livros

Os coreanos encantaram o cenário musical e passaram para a literatura. Você já encontrou seu ias nos livros?

Convidados: Babi Dewet, Gaby Brandalise e Thaís Midori / Mediação: Melissa Ery

18h45 às 20h - Representação do jovem na mídia

Como livros e filmes retratam os jovens, e a diferença entre escrever para os diferentes formatos.

Convidados: Luly Trigo, Matheus Souza e Thalita Rebouças / Mediação: Keka Reis

20h15 às 21h30 - Abrindo o coração na internet

Como ser vulnerável e falar sobre sentimentos para milhões de pessoas.
Convidados: Bruna Vieira, Guilherme Pintto e Matheus Rocha / Mediação: Frini Georgakopoulos

14h15 às 15h30 - Desvendando referências no YA: Intertextualidade, referências e retellings

As obras YA frequentemente fazem referências diretas e indiretas a outros livros e autores, e por vezes são novas versões de velhas histórias. Este bate-papo pretende discutir este fenômeno de intertextualidade e refletir sobre a importância de lançar uma nova ótica sobre narrativas já conhecidas, bem como a de estabelecer conexões improváveis entre segmentos literários.

Convidados: Felipe Castilho e Mayra Sigwalt / Mediação: Beatriz Sanz

17h15 às 18h30 - Escrever é profissão?

Uma conversa sobre a carreira de escritor, a trajetória e as dificuldades encontradas pelas autoras.

Convidados: Aline Valek, Luisa Geisler e Socorro Acioli/ Mediação: Jana Bianchi

18h45 às 20h - Romances de época

As mudanças do gênero e suas histórias apaixonantes.

Convidados: Babi A. Sette, Carina Rissi e Paola Aleksandra / Mediação: Larissa Siriani

20h15 às 21h30 - Conversas na mesa de jantar

As relações familiares nos livros e como o crescimento do jovem é influenciado por isso.

Convidados: Breno Fernandes, Cidinha da Silva e Iris Figueiredo / Mediação: Lucas Rocha

DOMINGO, 4 DE AGOSTO

14h15 às 15h30 - A mágica por trás das histórias

A escritora canadense Kristen Ciccarelli fala sobre seus livros "A Caçadora de Dragões" e "A Rainha Aprisionada". A saga mostra um reino onde contar histórias atrai dragões, e uma garota precisa matar o pior deles para escapar de um acordo que ameaça seu futuro.

Convidada: Kristen Ciccarelli / Mediador: Tamirez Santos

15h45 às 17h - Sacis, vampiros e lobisomens

Um bate-papo sobre a fantasia brasileira através de diferentes gerações. O que faz dos vampiros e lobisomens algo tão nosso quanto mulas sem cabeça e sacis?

Convidados: Felipe Castilho, Giulia Moon e Johnatan Marques / Mediador: Eric Novello

17h15 às 18h30 - A família que a gente escolhe

Contando histórias onde os amigos são a maior rede de apoio.

Convidados: Fernanda de Castro Lima, Lucas Rocha e Luisa Geisler / Mediador: Arthur Tertuliano

15h45 às 17h - A volta das comédias românticas

Um dos gêneros mais famosos da ficção voltou, dessa vez com mais diversidade e representando todas as formas de amor. Os autores discutem suas histórias favoritas e quais eles ainda querem ver por aí. (Gravação de episódio para o podcast Wine About It.)

Convidados: Clara Alves, Olívia Pilar e Vitor Martins / Mediador: Bruna Miranda e Mayra Sigwalt

17h15 às 18h30 - O futuro é negro: o afrofuturismo no Brasil e no mundo

Como uma visão afrocentrada na literatura traz novas possibilidades para a negritude como protagonista de sua história e herdeira de suas tradições. 

Convidados: Ale Santos e Fabio Kabral / Mediador: Petê Rissatti

*Com informações da assessoria

Infelizmente moro em Brasília e não consigo ir ao Flipop, mas se você mora em São Paulo, essa é uma excelente oportunidade. Se joga!

Teca Machado

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Felicidade Por Um Fio - Crítica


Mulheres sempre devem estar perfeitas. Pelo menos é isso que a maioria de nós escuta a vida toda. E foi assim com Violet (Sanaa Lathan), protagonista de Felicidade Por Um Fio, filme original Netflix. E ela ainda sempre ouviu da sua mãe que precisava estar ainda mais perfeita, por ser uma mulher negra, que é mais observada e cobrada do que as brancas. Seu cabelo alisado sempre esteve impecável, mas por causa de um erro no salão, Violet precisou raspar a cabeça. E começa aí o seu desespero – ou libertação.

A produção, da diretora Haifaa Al-Mansour (a título de curiosidade, a primeira mulher da Arábia Saudita a ser cineasta), é baseada no livro homônimo da escritora Trisha Thomas. Pode parecer que fala principalmente sobre transição capilar (período em que a mulher deixa seu cabelo natural crescer da raiz até que atinja um comprimento ideal para o chamado big chop, o corte que tira todas as pontas lisas). Mas Felicidade Por Um Fio é sobre se aceitar, autodescoberta e perceber quem é você mesma por baixo de todas as camadas de perfeição forçada que a sociedade impôs. O filme ainda trata sobre racismo – afinal, a não aceitação dos cabelos afros vem principalmente daí – e machismo.

A cena em que Violet raspa os próprios cabelos é impactante, pois expõe frustração e tristeza acumuladas há anos. Depois de desastres relacionados ao cabelo, ao seu relacionamento que ela achava que viraria um noivado e ao trabalho, Violet fica bêbada e arrasada e em meio a lágrimas e maquiagem borrada decide que chegou o momento da libertação. Sanaa Lathan se desfaz dos fios de verdade em frente às câmeras e emociona. É aquele tipo de cena que faz valer o filme inteiro e toca principalmente aquelas pessoas que já se sentiram presas à ditadura do cabelo perfeito. E, então, a protagonista precisa se redescobrir e abrir mão da vaidade que esteve sempre presente no seu dia.




É interessante quando ela conhece Will (Lyriq Bent), que produz cosméticos naturais para cabelo, mas o grande trunfo que ele traz para o filme é Zoe (Daria Johns), sua filha. Ao contrário de Violet, cuja mãe sempre a obrigou a estar com os cabelos alisados, a garotinha exibe com orgulho o seu, tudo isso com o apoio do pai, que a incentiva a se amar e que afirma que é linda exatamente desse jeito. E isso impacta profundamente a protagonista: Como seria sua autoaceitação se sua mãe a tivesse tratado como Will trata Zoe?

Por ser considerada uma comédia romântica, é claro que o roteiro coloca romance entre Violet e Will. Mas ele parece que está lá para cumprir tabela. Felicidade Por Um Fio é uma jornada sobre Violet e inserir mais alguém na equação é desnecessário. Tanto que o desenvolvimento desse relacionamento é um tanto fraco comparado ao resto do filme.




Sanaa Lathan faz um excelente trabalho, principalmente na cena já dita em que ela raspa a cabeça. A atriz fica bem com qualquer tipo de cabelo – inclusive sem ele – e a medida que a personagem vai encontrando confiança, sua beleza é ainda mais realçada. Em alguns momentos, principalmente no início, ela exagera na atuação, ficando um tanto forçada e caricata, mas a medida que Violet sobre impactos da vida, ela se suaviza.

Felicidade Por Um Fio acerta em vários aspectos e um deles é a representatividade. Alguma vez você já viu um filme sobre uma mulher negra e seu empoderamento com o cabelo? A produção trata com delicadeza e sensibilidade um tema que para muitas pessoas pode parecer fútil, mas que na verdade é parte importante do processo de confiança de uma pessoa.


Seja você uma pessoa que sempre lutou contra a natureza do seu cabelo ou não, assista Felicidade Por Um Fio e conheça essa história sobre aceitação e liberdade.

Recomendo.

Teca Machado



sexta-feira, 26 de julho de 2019

Nove Regras a Ignorar Antes de se Apaixonar - Resenha


Depois de um livro tão pesado quanto Objetos Cortantes, da Gillian Flynn (resenha aqui), decidi que era o momento de ler algo mais leve. Então qual gênero? Um romance de época, é claro. Depois de três anos, tirei da estante Nove Regras a Ignorar Antes de se Apaixonar, de Sarah MacLean, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro. E essa foi uma ótima escolha.

Foto @casosacasoselivros

Na obra, conhecemos Calpúrnia Hartwell. Aos 28 anos é considerada uma solteirona. Apesar de ser filha de um conde e ter uma reputação imaculada, não atende aos padrões de beleza da Inglaterra de 1830, então sempre foi deixada de lado. Com o tempo se conformou com o papel que a sociedade lhe deu. Até que escuta dizerem que é uma mulher passiva e sem graça. Sem nada a perder, Callie decide listar tudo o que gostaria de fazer, já que passou da idade de encontrar um marido e a reputação não ter tanta importância mais. Para completar a lista ela conta com ajuda do marquês de Ralston, Gabriel, o seu objeto de adoração há 10 anos e um dos maiores libertinos de Londres. Em troca, Callie vai ajudá-lo a inserir sua meia-irmã na alta roda da aristocracia londrina. Mas, é claro, o acordo entre eles toma outro viés e eles descobrem que quebrar as regras juntos é muito mais divertido.

Apesar de ouvir muitos elogios à MacLean, ainda não havia lido nada da autora. E agora percebi que as pessoas têm razão. Ela é ótima! Sua escrita é envolvente e seus personagens altamente carismáticos, não só os protagonistas, mas também os secundários – dois dos quais têm livros focados neles. Capúrnia é maravilhosa. Apesar de no início não ter autoconfiança e deixar que as pessoas a diminuam, a cada regra que ignora e parte em suas aventuras, fica mais independente, poderosa e linda. Algo dentro de si muda e ela passa a brilhar. O leitor que já gostava dela, se apaixona pela sua nova versão. Assim como Gabriel. 


E por falar no marquês, que homem! É o tipo de mocinho de romance de época que nos faz suspirar. É um libertino com péssima reputação, mas na verdade não é tão ruim quanto as pessoas pensam, porque vive um trauma. E, apesar de sangue quente, é leal com aqueles que ama, ousado e muitíssimo bem-humorado (além de um sem-vergonha, no melhor sentido da palavra).

Um dos pontos mais interessante de Nove Regras a Ignorar Antes de se Apaixonar é que Callie passa por um processo de autodescoberta e de liberdade recém-adquirida e encantadora. Além disso, questiona privilégios masculinos e todos os itens da sua lista revertem a algo que só homens são autorizados a fazer, como beber uísque, fumar charuto e montar de pernas abertas. Callie é, no fim das contas, feminista e luta para viver intensamente, como acredita que o outro sexo faz.

A narrativa em terceira pessoa ora traz a visão de Callie, ora a de Gabriel. E Nove Regras a Ignorar Antes de se Apaixonar é divertido. As aventuras de Callie para poder riscar os itens da sua lista são super gostosos de acompanhar e nos deixam com um sorriso no rosto, torcendo para que ela consiga viver intensamente depois de tantos anos deixada nos cantos dos salões de baile.

Além disso, o livro é caliente. Callie e Gabriel vivem alguns momentos bem intensos. E o bacana é que MacLean não é pesa a mão. E apesar de as cenas eróticas poderem durar páginas, a autora faz de uma maneira sensual e que não fica cansativo. Fora que também não exagera na quantidade delas. 

Nove Regras a Ignorar Antes de se Apaixonar é primeiro volume da trilogia Os Números do Amor. Os outros são Dez Formas de Fazer um Coração Derreter e Onze Leis a Cumprir na Hora de Seduzir. Todos são livros independentes, mas é sempre bom ler na ordem.

Série Os Números do Amor


Recomento muito.

Teca Machado

quarta-feira, 24 de julho de 2019

The Last Czars - Crítica


A História russa, principalmente pré-revolução, sempre foi uma das que mais me envolveram (até porque o desenho Anastasia é um dos meus preferidos) e me deixaram curiosa. Toda a opulência, riqueza e orgulho dos czares transformaram os Romanovs numa das famílias reais mais influentes da Europa nos 300 anos em que a dinastia ficou no poder. Então eu obviamente me apaixonei à primeira vista quando vi na Netflix o trailer de The Last Czars, que entrou no catálogo esse mês.


Em seis episódios, a série mostra o reinado do último czar da Rússia, Nicolau II (Robert Jack), que assumiu o trono do império em 1984 e ficou até 1918, quando eclodiu a Revolução Russa. Acompanhamos a sua trajetória familiar – o casamento com Alexandra (Susanna Herbert), as filhas, a dificuldade de ter um herdeiro do sexo masculino e a sua enfermidade, o relacionamento com o monge Rasputin (Ben Cartwright) – e o seu caminho desastroso como o líder máximo de um império poderoso, como era a Rússia na virada do século. E também há o arco de Pierre (Oliver Dimsdale), que trabalhou anos com os Romanovs e anos depois procura a princesa Anastasia.

Um dos pontos mais bacanas de The Las Czars é a mistura de interpretação de atores – excelentes, diga-se de passagem - com depoimentos de historiadores. Temos nomes como Douglas Smith, que escreveu recentemente uma biografia sobre Rasputin, e Simon Sebag Montefiore, pesquisador e autor do livro Os Romanovs. Assim, a produção ganha mais corpo em sua narrativa e fica com ar documental. A série é bem precisa historicamente – na medida que uma produção pode ser -, apesar de que os russos reclamaram de alguns fatos, como o casamento de Nicolau e Alexandra ser afetuoso, sendo que russos são um tanto mais frios uns com os outros.



É triste ver Nicolau. Ele era um homem suscetível à opinião e aos conselhos de outras pessoas. Apesar das boas intenções e de se esforçar, a falta de carisma e de pulso firme, aliados com a influência da esposa e de Rasputin, o levaram à queda da família Romanov. E mesmo com todos os seus defeitos, é inevitável sentir compaixão. Ele foi o líder errado, num momento histórico errado, rodeado pelas pessoas erradas. E como sabemos como terminou a sua vida, fica ainda mais angustiante ver como suas decisões são péssimas.

E por falar em Rasputin, Douglas Smith o descreve da seguinte maneira no primeiro episódio: “Rasputin é, provavelmente, uma das figuras mais emblemáticas do século 20. Seu passado é nebuloso e repleto de lendas”. É um personagem para admirar pela sua complexidade. A maneira como manipula Alexandra, como governa o país enquanto Nicolau está longe, como convence as pessoas de que era um enviado por Deus mostra como suas camadas são inúmeras. E Ben Cartwright faz um trabalho excepcional na pele do monge louco.


Romanovs na vida real

Encontramos ali um design de produção impecável. Não podíamos esperar menos de uma série que fala sobre os Romanovs. As caracterizações são impecáveis, assim como figurinos, montagem e cenários. É possível perceber a preocupação em contextualizar o período. Ainda assim, é inegável a "americanização" do produto final – até porque é falada em inglês e não há nenhum ator russo.

The Last Czars é uma excelente abordagem sobre uma Rússia tardiamente moderna, seus erros irreparáveis e como um governante fraco pode levar milhões à morte. Ainda que saibamos o desfecho dos Romanovs, é difícil não se lamentar.

Recomendo muito.

Teca Machado

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Um Homem de Sorte - Crítica


Um Homem de Sorte, do diretor Billie August, que está na Netflix, tem cara de filme bibliográfico. Na verdade, passei vários minutos tendo certeza de que era uma história real. Mas, pesquisando sobre ele, descobri que é uma ficção criativa sobre a vida do próprio autor do livro no qual o roteiro foi baseado, Henrik Pontoppidan. A obra, inclusive, ganhou o Nobel de Literatura em 1917, principalmente pela forma como descreveu a sociedade da época.


O filme dinamarquês se passa no final do século 19 e conta a história de Per Sidenius (Esben Smed), um homem de família religiosa muito conservadora e humilde que não quer seguir a tradição dos irmãos de ter uma carreira no clero. Com uma inteligência acima da média, Per prefere o caminho da ciência e da engenharia. Estudando em Copenhague, o rapaz tenta implementar um projeto de energia elétrica que conta com o uso de recursos naturais ao invés de carvão. Neste processo para conseguir financiamento, Per passa a frequentar a casa da família Solomon e logo se interessa por Jakobe (Katrine Greis-Rosenthal), a filha mais velha e herdeira da fortuna.

Me disseram que Um Homem de Sorte era um filme incrível. Então fui com muita sede ao pote. É bom, mas nem de longe o que pensei que seria. A sensação que tive foi a de que saiu do nada e foi para o lugar nenhum. É uma produção sem um grande acontecimento ou um enorme plot twist. Nem mesmo há um antagonista, a não ser o próprio Per.



E por falar no protagonista, ele é interessante e complexo. Ao longo da produção nos desperta muitos sentimentos, dos melhores aos piores. Per tem paixão pelo que faz e muita inteligência, mas ao mesmo tempo é arrogante, não sabe perdoar e é volátil. Tem uma ganância profunda, mas não apenas por dinheiro e sucesso, mas em ter prestígio e ser admirado por seus grandes feitos. Tanto que o maior questionamento do filme é se os valores enraizados e a criação na infância realmente permeiam todo o caminho da pessoa e influenciam a vida adulta. Esben Smed fez um excelente trabalho como Per. Seus olhos realmente brilham quando fala do seu trabalho e há culpa e vergonha em si quando o assunto são os seus relacionamentos familiares e amorosos.

Há alguns problemas de roteiro em Um Homem de Sorte. Ele é tido como um gênio, mas pouco o mostra na faculdade, estudando e criando seu projeto. Além disso, a família Solomon o aceita de bom grado, mesmo que ele tenha uma religião diferente e uma origem mais humilde. Na verdade, essas coisas realmente não importam, mas quando temos em mente a época em que o filme passa, não sei se seria algo tão tranquilo. Toda questão psicológica e de traumas de Per ficam subentendidas, mas não tão claro se ele é daquela maneira por culpa da sua criação ou devido à própria personalidade. Imagino que no livro essas questões sejam melhor trabalhadas.



A ambientação é um dos maiores acertos do filme. A retratação da Dinamarca do fim do século 19 é lindíssima e os figurinos são muito acurados. O diretor montou uma fotografia que é um deleite visual, principalmente em grandes planos abertos, como na grande Copenhague, em Jutland, local de nascimento de Per, na Alemanha e em casas de campo.

Quem for assistir Um Homem de Sorte precisa estar preparado para a sua duração: 2h47. Na verdade, a produção foi concebida para ser uma minissérie, por isso o roteiro não se preocupa em correr ou resumir os acontecimentos. Eu acabei assistindo em dois dias, porque dormi no meio do filme. E pesquisando descobri que em vários festivais de cinema foi dividido em duas partes, para que a audiência tivesse um descanso. Não que seja algo extraordinariamente longo (alô, Senhor dos Aneis, Titanic e Ultimato!), mas não é um filme que te prende tanto a atenção em todo o momento.



De todo modo, Um Homem de Sorte é um drama sobre um homem que deixa sua maior virtude se tornar sua ascensão e também sua queda.

Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Bookstragrams


Não sei vocês, mas eu sigo vários perfis literários no instagram (e inclusive o blog tem um: @casosacasoselivros. Segue a gente lá!).

São os chamados bookstragrams.

E, olha, tem muita lindeza por aí!

Por isso resolvi separar para vocês alguns dos perfis mais lindos e legais sobre literatura que eu conheço. É só clicar no @ que você vai ser direcionado para os perfis.


















Esse é o perfil da Biblioteca Pública de Nova York e tem muita coisa bacana. Nos destaques têm inclusive vários livros postados integralmente para que você possa ler.































Todos esses são estrangeiros. Quais instagrams literários brasileiros vocês indicam?

Teca Machado