quarta-feira, 20 de março de 2019

Projeto Um Ano Sem Comprar Livros – Meses 9 e 10




Em fevereiro o foco do blog estava no Oscar e em eu correr para terminar de assistir a todos os filmes, por isso a maioria dos posts ficou sendo sobre os concorrentes da categoria principal da noite e os livros que li no período. Acabei percebendo que não fiz o acompanhamento mensal do Desafio Um Ano Sem Comprar Livros, então agora vou fazer um duplo, do mês 9 e 10, que conta com janeiro e fevereiro. 

Não achem que eu abandonei o projeto: continuo firme e forte!


Janeiro teve um tantinho de tentações, porque quando estou em Brasília, onde moro, basicamente fujo de livrarias - afinal, o que os olhos não veem, o coração não sente -, mas passei vários dias em Cuiabá, na casa dos meus pais e meu pai e minhas sobrinhas não podem ver uma livraria que querem entrar (ai, que orgulho dessa galera!) e eu estava sempre com eles. Algumas vezes fui junto e em outras não. Eu estou bem forte no meu propósito, mas não preciso ficar me tentando demais, afinal, não sei qual é o meu limite.

Fevereiro foi tranquilo nesse aspecto, até demais. 

É o mês do meu aniversário e é bem comum eu comprar livros na época e dizer que é meu presente de mim para mim mesma (qualquer desculpa é desculpa para ser autopresentear com literatura, não é mesmo?), mas não foi o que aconteceu esse ano. Na verdade, nem lembrei de que me dou livros de aniversário, então nem precisei exercer meu autocontrole.

Acho que finalmente me acostumei a não comprar livros. Antes ficava doida quando via algum lançamento, agora estou mais tranquila. Claro que a vontade não passou – e acredito que nunca vai passar -, mas não estou sofrendo e isso é bom. 

Fevereiro não teve livros novos, mas recebi uma ótima notícia literária: Fui renovada para o Time de Leitores do Grupo Companhia das Letras!

A instituição tem vários selos, sendo os mais conhecidos deles a própria Editora Companhia das Letras, a Editora Seguinte, a Editora Paralela, a Editora Suma, a Editora Objetiva e a Editora Alfaguara.

Foto @casosacasoselivros

Ano passado recebi vários livros incríveis do grupo e mal posso esperar para ver quais vão ser os lançamentos de 2019!

Foram 10 meses. Só faltam 2.

Teca Machado

segunda-feira, 18 de março de 2019

The Umbrella Academy - Crítica


The Umbrella Academy, da Netflix, é uma série, estranha, divertida, quase non-sense, que trabalha o psicológico dos personagens, coloca dramas familiares ao mesmo tempo que insere cenas de ação com músicas animadas. Excêntrica é uma palavra para descrever. Tinha tudo para ser uma mistura ruim, mas é improvavelmente muito bom. 


Baseada nas HQs de mesmo nome de Gerard Way (ex-vocalista do My Chemical Romance) e do artista brasileiro Gabriel Bá, na Dark Horse Comics, a trama começa com o nascimento de 43 crianças no mesmo dia em 1989, concebidas de forma muito misteriosa. Sete delas, que tinham poderes, foram adotadas por Reginald Hargreeves (Colm Feore), que criou a Umbrella Academy e formou uma família de heróis. Mas como fruto de uma criação fria, rígida e cruel, os sete se tornaram altamente disfuncionais quando adultos e afastados um dos outros. Quando Reginald morre, eles se juntam para a despedida e, então, precisam evitar que uma catástrofe de proporções globais aconteça. 

O mote de The Umbrella Academy é o relacionamento entre os irmãos, que desde quando eram crianças é problemático. Cada um deles vive seus demônios internos, geralmente relacionados às suas habilidades, ou falta delas no caso de Vanya (Ellen Page, por quem eu tenho um ranço eterno e gratuito há anos). Com vidas pessoais atribuladas e perdidas, quando se juntam as diferenças e divergências entre todos ficam ainda mais evidentes.


Todos os irmãos têm arcos dramáticos interessantes e bem trabalhados, principalmente Cinco (Aidan Gallagher), que estava desaparecido há anos e retorna com notícias terríveis. O roteiro não deixa que nenhum seja esquecido - a não ser Ben (Justin H. Min), que já morreu, mas fica claro que saberemos em breve o que aconteceu com ele, assim como com o próprio Reginald, de quem no último episódio temos um vislumbre da sua história. Há ainda o arco de Hazel (Cameron Britton) e Cha-Cha (Mary J. Blige), que perseguem Cinco por motivos que vão sendo explicados durante a temporada.

O visual de The Umbrella Academy tem todo o toque de excentricidade que a história pede. Figurino, fotografia e cenas de ação, são todos um tanto estilosos e diferentões, com movimentos de câmera que parecem mudar de personagem para personagem e refletem muito das personalidades deles. E os efeitos especiais são muito bacanas, principalmente quando estamos falando de Pogo (Adam Godley), o assistente de Reginald, que é um chipanzé. Realmente tem a qualidade dos símios que aparecem em Planeta dos Macacos.

Irmãos Hargreeves quando crianças

Um dos meus pontos preferidos da série foi a trilha sonora e a maneira como foi encaixada no roteiro. Músicas principalmente antigas tocam em momentos inesperados, como quando Cinco está fugindo dos seus perseguidores dentro de uma loja de departamentos ao som de Don’ Stop Me Now, do Queen. Não consigo parar de escutar Dancing In The Moonlight, de Toploader, e I Think We’re Alone Now, de Tiffany, que é parte de uma excelente cena do primeiro episódio em que todos os membros da família dançam cada um em um cômodo (e os atores improvisaram os passos).


Os quadrinhos têm toda uma estranheza que, dizem, não ter sido passada para a série, apesar de que ela tem uma pegada “esquisita”. E apesar de se passar em 2019, é muito diferente do mundo em que vivemos hoje. Por exemplo, a tecnologia é inexistente, visto que não tem celulares, os carros são super antigos e as imagens são em fita-cassete. Mas, por outro lado, a robótica é altamente avançada (a mãe deles é um robô muitíssimo igual às pessoas) e o assistente de Reginald é um chipanzé que fala. 


A Netflix lançou The Umbrella Academy há algumas semanas e tem 10 episódios entre 40 e 50 minutos. A gente assiste rapidinho, ainda que na metade alguns momentos parecem meio lentos, ganhando fôlego nos episódios finais. A série ainda não foi renovada para a segunda temporada, mas provavelmente vai ser (e precisamos que seja, porque terminamos com um cliffhanger gigantesco).

Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de março de 2019

Livros sobre livros


Se você está aqui, podemos afirmar com certeza que você gosta de livros e de literatura, certo? Leituras fazem parte da sua vida. E quando a leitura fala sobre literatura? Fica melhor ainda! Provavelmente você já leu alguma obra que tem como foco essas histórias maravilhosas que amamos. Pensando nisso, trouxe um apanhado de livros que falam sobre livros.

1- Trilogia Mundo de Tinta, de Cornelia Funke – Resenha aqui


O mais legal dessa trilogia, composta por Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta, é que nela se realiza um dos maiores sonhos de todo leitor: trazer para o mundo real os personagens da história ou ser transportado para o universo literário. “Meggie e seu pai Mo têm uma habilidade especial: Tudo o que leem em voz alta vai para fora das páginas. Mas quando trazem para o mundo real Capricórnio, um terrível vilão, precisam consertar seus erros”. O primeiro volume foi transformando em filme e tem Brendan Fraser no papel principal.


2- Amor nas Entrelinhas, de Katie Fforde


Não sobre livros propriamente ditos, essa obra fala sobre o mercado editorial e quem trabalha nele. “Prestes a ficar desempregada, Laura Horsley acha que o convite para ajudar na organização de um festival literário veio bem a calhar. Mas quando recebe a missão de convencer o famoso escritor Dermot Flynn a comparecer ao evento, ela é dominada pelo pânico. Dermot é temperamental, nunca sai de casa e enfrenta um bloqueio criativo. É também o escritor favorito de Laura, além de extremamente atraente e dono de uma longa lista de conquistas amorosas”.


3- Um Best-Seller Para Chamar de Meu, de Marian Keyes – Resenha aqui


A irlandesa Keyes é famosa pelos seus livros divertidos, engraçados e que nos emocionam. Nesse enredo com três protagonistas não é diferente. “No seu caminho para o sucesso, a agente literária Jojo Harvey não esperava se apaixonar por um dos seus chefes – e justamente o casado. O romance de estreia de Lily Wright, cliente de Jojo, é um sucesso instantâneo, mas seu segundo livro se nega a sair de sua cabeça, enquanto lida com a culpa de ter roubado o namorado de sua melhor amiga. Enquanto isso, os e-mails hilários da recém-abandonada Gemma Hogan chamam a atenção de Jojo, que a aceita como cliente”.


4- O Nome da Rosa, de Umberto Eco


Esse é um famoso conhecido! Transformado em filme em 1983, com Sean Connery, pela sinopse você não pensa que é um livro sobre livros, mas é bastante. “Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano na Itália, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai o leitor por seu humor, crueldade e erotismo”.


5- Fahrenheit 451, de Ray Bradbury


Escrito logo após a Segunda Guerra Mundial, quando a propaganda nazista anti-intelectual estava muito viva na cabeça das pessoas, essa é uma distopia considerada clássica. “Num futuro incerto, mas próximo, um governo totalitário proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre.




E vocês, tem mais algum livro sobre livros para me indicar?

Teca Machado

sexta-feira, 1 de março de 2019

Os Números do Amor - Resenha


Não são tantos os livros que tratam de autismo e dos espectros da condição, mas Os Números do Amor, de Helen Hoang, da Editora Seguinte, que recebi como parte do Time de Leitores do Grupo Companhia das Letras, é um deles. A obra foi escolhida como o melhor romance no Goodreads Choice Awards em 2018 e já tem uma continuação prevista para esse ano ainda, mas focando a história de outros personagens que não os protagonistas.

Fotos @casosacasoselivros

Stella Lane é um gênio dos números. É tão apaixonada por matemática, que fez dela a sua carreira, na qual é muito bem-sucedida. Mas outros aspectos da sua vida não são tão bons assim. Como portadora da síndrome de Asperger, um dos espectros do autismo, é altamente funcional, mas tem muita dificuldade em se relacionar com outras pessoas e de participar de interações sociais. Nunca sabe o que dizer ou como se portar. Com sua família pressionando para que arrume um namorado, Stella decide que precisa aprender como manter um relacionamento. Assim, contrata os serviços de Michael Phan, afinal, quem melhor do que um acompanhante de luxo para passar seus conhecimentos para ela?

Sabe aquela leitura que deixa o seu coração quentinho? É assim com Os Números do Amor. Apesar das cenas mais calientes – sim, Michael faz Stella descobrir muitas coisas boas na vida e acompanhamos esse processo – o livro é muito fofo e cheio de amor, porque os protagonistas vão criando uma cumplicidade e descobrem que a necessidade um do outro é mútua.

Helen Hoang
Stella tem suas dificuldades de relacionamento e é autista, mas Michael, descendente de vietnamitas e anglo-saxão (uma mistura bem sexy, por sinal), também tem seus problemas, que Hoang vai nos revelando aos poucos, apesar de que muito é possível que o leitor desconfie com os passar das páginas. E ele não é um simples acompanhante que vai ensiná-la sobre sexo e pronto. Ele é muito mais complexo e completo do que isso. Ambos os personagens são muito bem construídos na narração alternada entre eles feita em terceira pessoa. E o núcleo do Michael é muito interessante porque sua família é ótima de acompanhar, principalmente suas inúmeras irmãs, sobre quem provavelmente é o próximo livro.

Há cenas de sexo, claro, afinal, é isso que Stella deseja aprender e é com isso que Michael trabalha, mas Hoang em hora nenhuma deixou pesado ou exagerou a mão. Esse não é o foco da história, e sim o respeito sem preconceito e o amor que cresce entre Stella e Michael.

Helen Hoang trata o autismo com uma delicadeza profunda. E isso é fruto da sua própria experiência. Já adulta a escritora descobriu ser portadora da mesma síndrome que Stella e relata sua dificuldade ao longo da vida, porque nunca recebeu um diagnóstico. Desse modo, a construção personagem é a de alguém que realmente entende a condição e isso faz toda a diferença.

A leitura é fluida, fofa e com certeza vai de deixar com um sorriso no rosto. Sei que me deixou.


Recomendo.

Teca Machado