quarta-feira, 17 de julho de 2019

Um Homem de Sorte - Crítica


Um Homem de Sorte, do diretor Billie August, que está na Netflix, tem cara de filme bibliográfico. Na verdade, passei vários minutos tendo certeza de que era uma história real. Mas, pesquisando sobre ele, descobri que é uma ficção criativa sobre a vida do próprio autor do livro no qual o roteiro foi baseado, Henrik Pontoppidan. A obra, inclusive, ganhou o Nobel de Literatura em 1917, principalmente pela forma como descreveu a sociedade da época.


O filme dinamarquês se passa no final do século 19 e conta a história de Per Sidenius (Esben Smed), um homem de família religiosa muito conservadora e humilde que não quer seguir a tradição dos irmãos de ter uma carreira no clero. Com uma inteligência acima da média, Per prefere o caminho da ciência e da engenharia. Estudando em Copenhague, o rapaz tenta implementar um projeto de energia elétrica que conta com o uso de recursos naturais ao invés de carvão. Neste processo para conseguir financiamento, Per passa a frequentar a casa da família Solomon e logo se interessa por Jakobe (Katrine Greis-Rosenthal), a filha mais velha e herdeira da fortuna.

Me disseram que Um Homem de Sorte era um filme incrível. Então fui com muita sede ao pote. É bom, mas nem de longe o que pensei que seria. A sensação que tive foi a de que saiu do nada e foi para o lugar nenhum. É uma produção sem um grande acontecimento ou um enorme plot twist. Nem mesmo há um antagonista, a não ser o próprio Per.



E por falar no protagonista, ele é interessante e complexo. Ao longo da produção nos desperta muitos sentimentos, dos melhores aos piores. Per tem paixão pelo que faz e muita inteligência, mas ao mesmo tempo é arrogante, não sabe perdoar e é volátil. Tem uma ganância profunda, mas não apenas por dinheiro e sucesso, mas em ter prestígio e ser admirado por seus grandes feitos. Tanto que o maior questionamento do filme é se os valores enraizados e a criação na infância realmente permeiam todo o caminho da pessoa e influenciam a vida adulta. Esben Smed fez um excelente trabalho como Per. Seus olhos realmente brilham quando fala do seu trabalho e há culpa e vergonha em si quando o assunto são os seus relacionamentos familiares e amorosos.

Há alguns problemas de roteiro em Um Homem de Sorte. Ele é tido como um gênio, mas pouco o mostra na faculdade, estudando e criando seu projeto. Além disso, a família Solomon o aceita de bom grado, mesmo que ele tenha uma religião diferente e uma origem mais humilde. Na verdade, essas coisas realmente não importam, mas quando temos em mente a época em que o filme passa, não sei se seria algo tão tranquilo. Toda questão psicológica e de traumas de Per ficam subentendidas, mas não tão claro se ele é daquela maneira por culpa da sua criação ou devido à própria personalidade. Imagino que no livro essas questões sejam melhor trabalhadas.



A ambientação é um dos maiores acertos do filme. A retratação da Dinamarca do fim do século 19 é lindíssima e os figurinos são muito acurados. O diretor montou uma fotografia que é um deleite visual, principalmente em grandes planos abertos, como na grande Copenhague, em Jutland, local de nascimento de Per, na Alemanha e em casas de campo.

Quem for assistir Um Homem de Sorte precisa estar preparado para a sua duração: 2h47. Na verdade, a produção foi concebida para ser uma minissérie, por isso o roteiro não se preocupa em correr ou resumir os acontecimentos. Eu acabei assistindo em dois dias, porque dormi no meio do filme. E pesquisando descobri que em vários festivais de cinema foi dividido em duas partes, para que a audiência tivesse um descanso. Não que seja algo extraordinariamente longo (alô, Senhor dos Aneis, Titanic e Ultimato!), mas não é um filme que te prende tanto a atenção em todo o momento.



De todo modo, Um Homem de Sorte é um drama sobre um homem que deixa sua maior virtude se tornar sua ascensão e também sua queda.

Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 15 de julho de 2019

Bookstragrams


Não sei vocês, mas eu sigo vários perfis literários no instagram (e inclusive o blog tem um: @casosacasoselivros. Segue a gente lá!).

São os chamados bookstragrams.

E, olha, tem muita lindeza por aí!

Por isso resolvi separar para vocês alguns dos perfis mais lindos e legais sobre literatura que eu conheço. É só clicar no @ que você vai ser direcionado para os perfis.


















Esse é o perfil da Biblioteca Pública de Nova York e tem muita coisa bacana. Nos destaques têm inclusive vários livros postados integralmente para que você possa ler.































Todos esses são estrangeiros. Quais instagrams literários brasileiros vocês indicam?

Teca Machado

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Hábitos curiosos de escritores


De perto ninguém é normal.

Nem mesmo os escritores (talvez principalmente eles!).

Conheça hábitos curiosos de alguns dos escritores mais famosos da humanidade.


Escrever em pé ou deitado?

Victor Hugo, autor de, entre outras obras, Os Miseráveis, só escrevia em pé, encostado em uma mesa. Já Marcel Proust, Truman Capote e George Orwell só conseguiam escrever deitados.

Nu

Alexandre Dumas, de O Conde de Monte Cristo, tinha uma técnica para não sair de casa até terminar um livro: Ele entregava suas roupas a um criado, que só podia lhe devolver assim que concluísse sua obra. Se quisesse sair, teria que ser pelado.

Pink Floyd

Douglas Adams, autor de O Guia do Mochileiro das Galáxias gostava de escutar música enquanto trabalhava. Shine On You Crazy Diamond, do Pink Floyd, tocou sem parar enquanto escrevia seu maior sucesso. O autor, que era amigo de David Gilmour, membro da banda, batizou o último álbum de estúdio do Pink Floyd, The Division Bell.

Esperança

Pablo Neruda, poeta chileno, só escrevia com tinta verde. Se recusava usar qualquer outra, porque o verde era um símbolo de sua fé em um futuro melhor. Ele até mesmo deixava a obra inacabada se não tinha mais tinta na mesma cor.

Tudo à mão

Graciliano Ramos, de Vidas Secas, escreveu todos os seus livros à mão, hábito que gostava de ter pela manhã. 

Venenos

Antes de se tornar a Rainha do Crime, Agatha Christie trabalhou em uma farmácia preparando remédios e venenos. Muito do que aprendeu nessa época foi insumo para suas histórias de mistério. 

HQs

Quem vê as histórias de George R. R. Martin em Game of Thrones nem imagina que ele é um fã de super-herói. Sempre que a inspiração desaparece, ele vai até a sua coleção de HQs – com centenas de exemplares – para espairecer a mente.

Escrita e malhação

Dan Brown acorda às 4h e faz ginástica. Às 5h, começa a escrever, mas, de hora em hora, faz uma pausa. Só que esse descanso é recheado de flexões, abdominais e alongamentos. Segundo ele, exercícios o ajudam a manter “o sangue e as ideias em constante movimento”.

*** 

Você sabe de hábito esquisito de algum outro escritor? Conta para mim nos comentários.

Teca Machado

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Nosso Último Verão - Crítica


O americano e o europeu têm fixação com o verão. Para eles é um período mágico em que tudo pode acontecer. Para a gente que tem calor basicamente 365 dias por ano, é um pouco estranho pensar nesses três meses como algo sensacional. E é sobre os amores, desamores e amadurecimento que essa estação pode trazer que o filme Nosso Último Verão, do diretor William Bindley, fala.


Produção original Netflix, é um entretenimento para aqueles dias em que você quer algo leve. Nosso Último Verão é bonitinho, mas não é inesquecível. Com uma pegada de Simplesmente Amor no sentido de que são várias histórias interligadas que acontecem num determinado período de tempo (mas sem o carisma e a profundidade desse clássico que é um dos meus filmes preferidos), conhecemos vários personagens que terminaram o ensino médio e passam um último verão juntos, porque depois disso cada um vai para uma faculdade em uma cidade diferente e nada mais será igual.

A história se passa em Chicago e são muitos os enredos. A proposta é focar no início da vida adulta, aquele período eufórico, assustador, divertido e no qual você não tem ideia do que fazer e do que vai acontecer. 



Temos o casal que termina o namoro para não ter um relacionamento à distância durante a universidade, os nerds que são confundidos com executivos e passam a viver como adultos, o casal que se gosta, mas não pensa em realmente criar laços por enquanto, o rapaz que quer aproveitar para pegar todas as meninas que não conseguiu durante o tempo de escola, a garota que vai trabalhar de assistente para uma estrela mirim, o cara que finalmente fica com a musa da sua vida, mas descobre que ela é um saco e outras subtramas.

Apesar de vários personagens, os protagonistas claramente são Griffin (K. J. Apa) e Phoebe (Maia Mitchell). E apesar de ter gostado do arco deles, o meu preferido foi o de Audrey (Sosie Bacon), que ao contrário dos amigos, não foi aceita por nenhuma faculdade e precisa trabalhar para se manter. Ela se torna assistente da fofa Lilah (Audrey Grace Marshall), cuja mãe tenta que ela seja uma estrela, mas tudo o que a meninas quer é ser criança.



Nosso Último Verão recebeu muitas críticas por soar superficial em vários momentos e ter vários clichês. Mas é como disse lá em cima: Ele não tenta ser um filme profundo ou cheio de metáforas. É uma história adolescente pura e simples, na qual você pode desanuviar a mente ao longos dos seus 100 minutos de duração.

Mas ninguém pode negar que é uma produção linda. Visualmente falando, Nosso Último Verão é um deleite. Pessoas bonitas, tomada bem-feitas de uma cidade belíssima, pores-do-sol espetaculares e figurinos bem pensados e bem-trabalhados.


Assista a esse filme naquele domingo preguiçoso, naquela sexta à noite em que você quer ficar no sofá comendo pipoca ou quando desejar algo leve para ver. Ninguém precisa de filmes marcantes e inesquecíveis todo o tempo e Nosso Último Verão é uma fuga a eles.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Feiras e festas literárias ao redor do mundo


Todo leitor se sente em casa quando rodeado por livros. E se for numa feira, então, melhor ainda.

Temos no Brasil algumas feiras literárias bem conhecidas e muito grandes, como a Bienal do Livro, que acontece em várias cidades - sendo as mais famosas de São Paulo e do Rio -, a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) e outras. Mas o mundo inteiro apresenta festivais, que além de viverem e respirarem livros e literatura, vão abrir um novo universo de conhecimento para você.

Frankfurt Book Fair — Alemanha


A Frankfurt Book Fair, na Alemanha, é considerada a maior feira de livros do mundo, com milhares de expositores e visitantes. Cada ano ela escolhe um país para ser o tema e a literatura dele é celebrada.


London Book Fair — Inglaterra


A London Book Fair realizada anualmente, é uma das mais conhecidas do mundo. Assim como a de Frankfurt, ela é temática e seleciona um país para ser o homenageado da vez.


Correntes d’Escritas — Portugal


Esse festival literário é bastante conhecido em toda Europa, sendo um dos mais tradicionais do continente. Reúne nomes importantes da literatura portuguesa e internacional e conta com conferências, teatros, tardes de autógrafos e mais.


Semana Negra de Gijón — Espanha


Celebrado em Gijón, na Espanha, é o maior festival literário ao ar livre da Europa. Durante vários anos foi voltado exclusivamente para romances policiais, chamados “novelas negras”. Hoje também tem livros de ficção científica, de fantasia e novelas históricas.


Rota das Letras — China


A Rota das Letras — Festival Literário de Macau é o primeiro a reunir escritores portugueses e chineses. A ideia central do é promover encontros entre as diferentes culturas, apresentar livros, organizar debates e palestras e incentivar traduções.


Feria Internacional del Libro de Guadalajara — México


Ela é considerada a maior feira literária da América Latina, assim como a maior em língua espanhola do mundo. Só perde em termos de público para a Frankfurt Book Fair, na Alemanha. 


Hay Festival — País de Gales


Além da edição original em Hay-on-Wye, no País de Gales, ele é realizado em 15 outros países, como México, Espanha, Líbano e Maldivas. Além de escritores, ele reúne ambientalistas, cientistas, e até comediantes, em um evento interessante e único.


Zee — Índia


O Zee é considerado o maior festival literário gratuito do mundo. Atrai autores de toda a região sul da Ásia, e tem como cenário um enorme palácio. No festival, é possível encontrar nomes bastante conhecidos da literatura, além de escritores recém-lançados e conta com dois concursos literários.

*** 

Quem aí quer ir em todas e mais algumas? A Hay me pareceu a mais fofa!

Teca Machado