sexta-feira, 22 de março de 2019

O Beijo Traiçoeiro - Resenha


Ano passado recebi da Editora Seguinte (Companhia das Letras) o livro A Missão Traiçoeira, de Erin Beaty. Mas descobri que era o segundo volume, então fui correndo ler O Beijo Traiçoeiro, primeira obra e que dá nome à série, que será uma trilogia.

Foto @casosacasoselivros

Sage Fawler não é uma dama, mas também não é plebeia. Vive num limbo feliz, porque se tem algo que ela não deseja é ser domada e ter a sua língua afiada calada. Mas quando chega o momento de se consultar com a casamenteira – é uma honra! - é recusada como noiva, para seu alívio. Em contrapartida, a mulher lhe oferece um emprego como sua aprendiz. Sage precisa ser seus olhos e ouvidos enquanto vão para a capital do país com uma comitiva de noivas para a alta nobreza, acompanhadas por uma escolta militar, a cargo do capitão Alex Quinn, já que o país está sofrendo invasões nas fronteiras.

O Beijo Traiçoeiro, apesar de se passar num mundo fictício e numa época que não sabemos qual, tem uma pegada de romance de época, com seus trajes vitorianos, costumes do século XIX e população dividida entre nobreza, militares e pessoas comuns de classes mais baixas. Mas, apesar disso, não é apenas um romance, porque mistura ação, conspiração, intriga e espionagem (ainda que seja só para formar bons pares). Tem toda uma trama política por traz de simples casamentos e isso é um dos maiores destaques do livro.

Erin Beaty
Apesar de muitos leitores criticarem Sage, eu gostei da personagem. Não foi a minha preferida da vida, mas ela não me fez passar muita raiva enquanto lia. De certa forma é inteligente, perspicaz e tem um bom coração. Claro, sua língua é maior do que a boca e muitas vezes ela é um tanto mal-agradecida e julga as garotas da comitiva que sonham com algo diferente que ela. 

Quem achei interessante foi Ash Carter, um dos oficiais da escolta, por quem Sage se afeiçoa de cara. Ela, então, percebe que ele é muito mais importante e complexo do que parece à primeira vista e ao mesmo tempo que vai se apaixonando por ele, o leitor também começa a ter uma quedinha pelo moço. Erin Beaty ainda desenvolve bem a personagem da casamenteira, que parece ter um cargo, digamos, fútil, mas fica bem claro que seu papel é político, importante e que de certa forma é quem administra o país sem que ninguém perceba.

Só que O Beijo Traiçoeiro é um livro com sororidade zero. Sage é exaltada por ser a diferente e acredita que quem quer se casar e gosta de roupas e maquiagem não merece sua atenção. E o núcleo masculino do livro parece pensar da mesma maneira. A autora nem mesmo discorre sobre as garotas, apenas tem destaque a que gosta da protagonista e a que a odeia. Faltou bastante irmandade aí.

Se você acha por causa do título e da capa que é um romance cheio de água com açúcar, você está errado. A parte cheia de amor acontece mesmo apenas no terço final, deixando o foco da história em todo o resto, o que nesse caso é muito bom, porque o enredo é interessante. Tem todo um suspense e coisas a descobrir que vão se entrelaçando nas páginas finais.

Um dos pontos negativos do livro é a ambientação. Sim, ela é bem interessante, diferente e gostei de a autora tem criado um novo mundo, com novas regras, mas não ficamos bem inseridos nele. Não há explicações ou contextualização e o leitor precisa ir entendendo à medida que as coisas acontecem, o que às vezes é confuso. Mas isso não atrapalha a leitura assim que você pega o jeito.


Apesar do que critiquei, O Beijo Traiçoeiro é uma ótima leitura, um livro que não conseguimos categorizar. O começo é um pouco mais lento, mas em pouco tempo você engata na história. A Missão Traiçoeira será uma das minhas próximas leituras e aí venho aqui contar para vocês o que achei.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 20 de março de 2019

Projeto Um Ano Sem Comprar Livros – Meses 9 e 10




Em fevereiro o foco do blog estava no Oscar e em eu correr para terminar de assistir a todos os filmes, por isso a maioria dos posts ficou sendo sobre os concorrentes da categoria principal da noite e os livros que li no período. Acabei percebendo que não fiz o acompanhamento mensal do Desafio Um Ano Sem Comprar Livros, então agora vou fazer um duplo, do mês 9 e 10, que conta com janeiro e fevereiro. 

Não achem que eu abandonei o projeto: continuo firme e forte!


Janeiro teve um tantinho de tentações, porque quando estou em Brasília, onde moro, basicamente fujo de livrarias - afinal, o que os olhos não veem, o coração não sente -, mas passei vários dias em Cuiabá, na casa dos meus pais e meu pai e minhas sobrinhas não podem ver uma livraria que querem entrar (ai, que orgulho dessa galera!) e eu estava sempre com eles. Algumas vezes fui junto e em outras não. Eu estou bem forte no meu propósito, mas não preciso ficar me tentando demais, afinal, não sei qual é o meu limite.

Fevereiro foi tranquilo nesse aspecto, até demais. 

É o mês do meu aniversário e é bem comum eu comprar livros na época e dizer que é meu presente de mim para mim mesma (qualquer desculpa é desculpa para ser autopresentear com literatura, não é mesmo?), mas não foi o que aconteceu esse ano. Na verdade, nem lembrei de que me dou livros de aniversário, então nem precisei exercer meu autocontrole.

Acho que finalmente me acostumei a não comprar livros. Antes ficava doida quando via algum lançamento, agora estou mais tranquila. Claro que a vontade não passou – e acredito que nunca vai passar -, mas não estou sofrendo e isso é bom. 

Fevereiro não teve livros novos, mas recebi uma ótima notícia literária: Fui renovada para o Time de Leitores do Grupo Companhia das Letras!

A instituição tem vários selos, sendo os mais conhecidos deles a própria Editora Companhia das Letras, a Editora Seguinte, a Editora Paralela, a Editora Suma, a Editora Objetiva e a Editora Alfaguara.

Foto @casosacasoselivros

Ano passado recebi vários livros incríveis do grupo e mal posso esperar para ver quais vão ser os lançamentos de 2019!

Foram 10 meses. Só faltam 2.

Teca Machado

segunda-feira, 18 de março de 2019

The Umbrella Academy - Crítica


The Umbrella Academy, da Netflix, é uma série, estranha, divertida, quase non-sense, que trabalha o psicológico dos personagens, coloca dramas familiares ao mesmo tempo que insere cenas de ação com músicas animadas. Excêntrica é uma palavra para descrever. Tinha tudo para ser uma mistura ruim, mas é improvavelmente muito bom. 


Baseada nas HQs de mesmo nome de Gerard Way (ex-vocalista do My Chemical Romance) e do artista brasileiro Gabriel Bá, na Dark Horse Comics, a trama começa com o nascimento de 43 crianças no mesmo dia em 1989, concebidas de forma muito misteriosa. Sete delas, que tinham poderes, foram adotadas por Reginald Hargreeves (Colm Feore), que criou a Umbrella Academy e formou uma família de heróis. Mas como fruto de uma criação fria, rígida e cruel, os sete se tornaram altamente disfuncionais quando adultos e afastados um dos outros. Quando Reginald morre, eles se juntam para a despedida e, então, precisam evitar que uma catástrofe de proporções globais aconteça. 

O mote de The Umbrella Academy é o relacionamento entre os irmãos, que desde quando eram crianças é problemático. Cada um deles vive seus demônios internos, geralmente relacionados às suas habilidades, ou falta delas no caso de Vanya (Ellen Page, por quem eu tenho um ranço eterno e gratuito há anos). Com vidas pessoais atribuladas e perdidas, quando se juntam as diferenças e divergências entre todos ficam ainda mais evidentes.


Todos os irmãos têm arcos dramáticos interessantes e bem trabalhados, principalmente Cinco (Aidan Gallagher), que estava desaparecido há anos e retorna com notícias terríveis. O roteiro não deixa que nenhum seja esquecido - a não ser Ben (Justin H. Min), que já morreu, mas fica claro que saberemos em breve o que aconteceu com ele, assim como com o próprio Reginald, de quem no último episódio temos um vislumbre da sua história. Há ainda o arco de Hazel (Cameron Britton) e Cha-Cha (Mary J. Blige), que perseguem Cinco por motivos que vão sendo explicados durante a temporada.

O visual de The Umbrella Academy tem todo o toque de excentricidade que a história pede. Figurino, fotografia e cenas de ação, são todos um tanto estilosos e diferentões, com movimentos de câmera que parecem mudar de personagem para personagem e refletem muito das personalidades deles. E os efeitos especiais são muito bacanas, principalmente quando estamos falando de Pogo (Adam Godley), o assistente de Reginald, que é um chipanzé. Realmente tem a qualidade dos símios que aparecem em Planeta dos Macacos.

Irmãos Hargreeves quando crianças

Um dos meus pontos preferidos da série foi a trilha sonora e a maneira como foi encaixada no roteiro. Músicas principalmente antigas tocam em momentos inesperados, como quando Cinco está fugindo dos seus perseguidores dentro de uma loja de departamentos ao som de Don’ Stop Me Now, do Queen. Não consigo parar de escutar Dancing In The Moonlight, de Toploader, e I Think We’re Alone Now, de Tiffany, que é parte de uma excelente cena do primeiro episódio em que todos os membros da família dançam cada um em um cômodo (e os atores improvisaram os passos).


Os quadrinhos têm toda uma estranheza que, dizem, não ter sido passada para a série, apesar de que ela tem uma pegada “esquisita”. E apesar de se passar em 2019, é muito diferente do mundo em que vivemos hoje. Por exemplo, a tecnologia é inexistente, visto que não tem celulares, os carros são super antigos e as imagens são em fita-cassete. Mas, por outro lado, a robótica é altamente avançada (a mãe deles é um robô muitíssimo igual às pessoas) e o assistente de Reginald é um chipanzé que fala. 


A Netflix lançou The Umbrella Academy há algumas semanas e tem 10 episódios entre 40 e 50 minutos. A gente assiste rapidinho, ainda que na metade alguns momentos parecem meio lentos, ganhando fôlego nos episódios finais. A série ainda não foi renovada para a segunda temporada, mas provavelmente vai ser (e precisamos que seja, porque terminamos com um cliffhanger gigantesco).

Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de março de 2019

Livros sobre livros


Se você está aqui, podemos afirmar com certeza que você gosta de livros e de literatura, certo? Leituras fazem parte da sua vida. E quando a leitura fala sobre literatura? Fica melhor ainda! Provavelmente você já leu alguma obra que tem como foco essas histórias maravilhosas que amamos. Pensando nisso, trouxe um apanhado de livros que falam sobre livros.

1- Trilogia Mundo de Tinta, de Cornelia Funke – Resenha aqui


O mais legal dessa trilogia, composta por Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta, é que nela se realiza um dos maiores sonhos de todo leitor: trazer para o mundo real os personagens da história ou ser transportado para o universo literário. “Meggie e seu pai Mo têm uma habilidade especial: Tudo o que leem em voz alta vai para fora das páginas. Mas quando trazem para o mundo real Capricórnio, um terrível vilão, precisam consertar seus erros”. O primeiro volume foi transformando em filme e tem Brendan Fraser no papel principal.


2- Amor nas Entrelinhas, de Katie Fforde


Não sobre livros propriamente ditos, essa obra fala sobre o mercado editorial e quem trabalha nele. “Prestes a ficar desempregada, Laura Horsley acha que o convite para ajudar na organização de um festival literário veio bem a calhar. Mas quando recebe a missão de convencer o famoso escritor Dermot Flynn a comparecer ao evento, ela é dominada pelo pânico. Dermot é temperamental, nunca sai de casa e enfrenta um bloqueio criativo. É também o escritor favorito de Laura, além de extremamente atraente e dono de uma longa lista de conquistas amorosas”.


3- Um Best-Seller Para Chamar de Meu, de Marian Keyes – Resenha aqui


A irlandesa Keyes é famosa pelos seus livros divertidos, engraçados e que nos emocionam. Nesse enredo com três protagonistas não é diferente. “No seu caminho para o sucesso, a agente literária Jojo Harvey não esperava se apaixonar por um dos seus chefes – e justamente o casado. O romance de estreia de Lily Wright, cliente de Jojo, é um sucesso instantâneo, mas seu segundo livro se nega a sair de sua cabeça, enquanto lida com a culpa de ter roubado o namorado de sua melhor amiga. Enquanto isso, os e-mails hilários da recém-abandonada Gemma Hogan chamam a atenção de Jojo, que a aceita como cliente”.


4- O Nome da Rosa, de Umberto Eco


Esse é um famoso conhecido! Transformado em filme em 1983, com Sean Connery, pela sinopse você não pensa que é um livro sobre livros, mas é bastante. “Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano na Itália, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai o leitor por seu humor, crueldade e erotismo”.


5- Fahrenheit 451, de Ray Bradbury


Escrito logo após a Segunda Guerra Mundial, quando a propaganda nazista anti-intelectual estava muito viva na cabeça das pessoas, essa é uma distopia considerada clássica. “Num futuro incerto, mas próximo, um governo totalitário proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre.




E vocês, tem mais algum livro sobre livros para me indicar?

Teca Machado

sexta-feira, 1 de março de 2019

Os Números do Amor - Resenha


Não são tantos os livros que tratam de autismo e dos espectros da condição, mas Os Números do Amor, de Helen Hoang, da Editora Seguinte, que recebi como parte do Time de Leitores do Grupo Companhia das Letras, é um deles. A obra foi escolhida como o melhor romance no Goodreads Choice Awards em 2018 e já tem uma continuação prevista para esse ano ainda, mas focando a história de outros personagens que não os protagonistas.

Fotos @casosacasoselivros

Stella Lane é um gênio dos números. É tão apaixonada por matemática, que fez dela a sua carreira, na qual é muito bem-sucedida. Mas outros aspectos da sua vida não são tão bons assim. Como portadora da síndrome de Asperger, um dos espectros do autismo, é altamente funcional, mas tem muita dificuldade em se relacionar com outras pessoas e de participar de interações sociais. Nunca sabe o que dizer ou como se portar. Com sua família pressionando para que arrume um namorado, Stella decide que precisa aprender como manter um relacionamento. Assim, contrata os serviços de Michael Phan, afinal, quem melhor do que um acompanhante de luxo para passar seus conhecimentos para ela?

Sabe aquela leitura que deixa o seu coração quentinho? É assim com Os Números do Amor. Apesar das cenas mais calientes – sim, Michael faz Stella descobrir muitas coisas boas na vida e acompanhamos esse processo – o livro é muito fofo e cheio de amor, porque os protagonistas vão criando uma cumplicidade e descobrem que a necessidade um do outro é mútua.

Helen Hoang
Stella tem suas dificuldades de relacionamento e é autista, mas Michael, descendente de vietnamitas e anglo-saxão (uma mistura bem sexy, por sinal), também tem seus problemas, que Hoang vai nos revelando aos poucos, apesar de que muito é possível que o leitor desconfie com os passar das páginas. E ele não é um simples acompanhante que vai ensiná-la sobre sexo e pronto. Ele é muito mais complexo e completo do que isso. Ambos os personagens são muito bem construídos na narração alternada entre eles feita em terceira pessoa. E o núcleo do Michael é muito interessante porque sua família é ótima de acompanhar, principalmente suas inúmeras irmãs, sobre quem provavelmente é o próximo livro.

Há cenas de sexo, claro, afinal, é isso que Stella deseja aprender e é com isso que Michael trabalha, mas Hoang em hora nenhuma deixou pesado ou exagerou a mão. Esse não é o foco da história, e sim o respeito sem preconceito e o amor que cresce entre Stella e Michael.

Helen Hoang trata o autismo com uma delicadeza profunda. E isso é fruto da sua própria experiência. Já adulta a escritora descobriu ser portadora da mesma síndrome que Stella e relata sua dificuldade ao longo da vida, porque nunca recebeu um diagnóstico. Desse modo, a construção personagem é a de alguém que realmente entende a condição e isso faz toda a diferença.

A leitura é fluida, fofa e com certeza vai de deixar com um sorriso no rosto. Sei que me deixou.


Recomendo.

Teca Machado

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Nailed It! - Crítica


Quando vejo televisão, se não estou na Netflix, provavelmente ela vai estar sintonizada no Discovery Home & Health. Gosto de deixá-la ligada no canal aos fins de semana e enquanto arrumo a casa ou faço algo que não precisa da minha atenção total, vejo coisas de noivas, de reforma/compra e venda de imóveis e comida. Ah, e como eu amo programas de comida! Não sou uma pessoa com mão para cozinhar, mas gosto de comer que é uma beleza. Então, como os shows culinários fazem muito sucesso há anos e não estão saturados ainda, é lógico que a nossa gigante de streaming preferida ia criar um reality show com o tema e ele é ótimo: Nailed It! (Ou Mandou bem!).

Melhor do que falar sobre ele, deixa eu mostrar um teaser do programa:


Baseado em posts de “expectativa versus realidade” do Pinterest, o diferencial de Nailed It! é que ele não procura o melhor confeiteiro, e sim o “menos pior”. No caso, os participantes são amadores (alguns muitos e outros mais ainda) e a cada episódio três pessoas lutam para reproduzir o bolo criado por um chef. O que se sair melhorzinho, leva U$ 10 mil.

A graça de Nailed It! é o fato de ninguém ter muita ideia do que está fazendo então encontramos “obras de arte” maravilhosas como essas:




É sempre uma surpresa o horror que vamos ver.

E se você não gosta de concursos culinários longos, como Masterchef, em que cada semana um participante é eliminado, Nailed It! tem a vantagem de que cada episódio é solo, com início, meio e fim. E são apenas 2 temporadas, com seis episódios a primeira e sete a segunda, sendo que cada um tem aproximadamente meia hora.

O programa é voltado para a comédia, tanto que a apresentação fica a comando da comediante Nicole Byer e do chef fixo Jacques Torres. Eles transformam o jogo em algo leve, divertido e, apesar de criticarem, são bem-humorados, não tão duros e cruéis como acontece nos realities do tipo.

Nicole Byer e Jacques Torres

E se você já assistiu e gostou do programa, a Netflix também lançou um especial de Natal e Ano Novo de Nailed It! e a versão mexicana. Além disso, há uma outra série no mesmo estilo, apesar de um pouco mais elaborada, que é Sugar Rush.

Nailed It! não vai realmente te acrescentar em nada, mas vai te divertir naqueles dias que você quer assistir algo para desestressar a mente e relaxar.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Comentários



E como acontece nos últimos quatro anos, fiz uma “live” no meu Facebook no dia do Oscar, comentando em tempo real o que estava acontecendo na cerimônia.

Em 2019 não podia ser diferente, né?

Se você vive em outro planeta e não está sabendo, ontem (24) aconteceu a 91ª primeira edição da noite mais importante do cinema. Mas deu até desânimo, porque foi um dos Oscars mais chatos dos últimos anos, apesar da quantidade de filmes bons. Sorte que tínhamos a Lady Gaga para salvar!

Então vamos lá?

1- O número de abertura foi uma apresentação do Queen, com alguns dos maiores sucessos da banda, mas quem é Adam Lambert na fila do pão perto de Freddie Mercury?
2- Adoro a edição que fazem com cenas dos maiores filmes do ano, não necessariamente os que estão concorrendo.
3- Em 2019, depois de muito tempo, não tivemos apresentador no Oscar por causa de uma treta com o Kevin Hart, mas Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph começaram um monólogo para apresentar a primeira categoria e pareceram quase as anfitriãs da cerimônia.
4- O primeiro Oscar da noite, para Melhor Atriz Coadjuvante, foi para Regina King, por Se a Rua Beale Falasse. E estava linda de branco!

Regina King
5- Helen Mirren e Jason Momoa no palco de rosa e brincando que os tempos mudaram: um deus havaiano e uma senhora inglesa podem usar rosa e ficar ótimos. Fofos!
6- Free Solo, sobre acreditar no impossível, ganhou como Melhor Documentário e o diretor quase soltou um palavrão no discurso. 
7- Categoria de Maquiagem e Penteado não foi surpresa ir para Vice. 
8- Melissa McCarthy e o moço que não descobri o nome vestidos e falando como a rainha Anne de A Favorita e Mary Poppins, concorrentes de Melhor Figurino. E quem levou foi para Pantera Negra. 
9- J. Lo está parecendo um globo de luz, mas quero ficar gata igual ela quando crescer. 
10- Pantera Negra ganhou mais um, de Design de Produção. A vencedora está igualzinha os personagens de Wakanda.
11- Depois de reclamarem, voltaram a categoria de Melhor Fotografia para a cerimônia, não para os comerciais. E quem levou foi Roma. 
12- Vocês viram a reação da Glenn Close ao ver a Melissa McCarthy no tapete vermelho? Impagável! 

Olha a cara da Glenn Close!

13- Daenerys na área! Estranho ver a Khaleesi morena e sem tentar tomar Westeros. Apresentou a primeira performance de músicas que concorrem. 
14- Uai, a tenista Serena Williams apresentou uma categoria. Achei que fosse só atores ou envolvidos com cinema. 
15- Ah, gente, adoro o James McAvoy. Ele é tão foto e excelente ator! Mas esse ano só apresentou mesmo uma categoria. 
16- Bohemian Rhapsody levou seus primeiros Oscars, com Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. 
17- A Maya Rudolph está parecendo a cortina da casa da avó. 

Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poheler
18- Angela Basset está maravilhosa!
19- Javier Barden falou em espanhol para apresentar Melhor Filme de Língua Estrangeira e cutucou o Trump, dizendo que nenhum muro pode separar as pessoas e o talento. E quem levou foi Roma. 
20- Desceram do palco de guarda-chuva igual a Mary Poppins para apresentar a música do filme. Único momento da noite mais bem produzido. E a Beth Middler cantando é amor.
21- Não consigo gostar do Michael Keaton. Ele é muito esquisito. 
22- Bohemian Rhapsody ganhou mais um: Melhor Edição. 
23- Eu fico impressionada com como a Charlize Theron consegue ser tão maravilhosa com qualquer cabelo, qualquer roupa. 
24- Sem dúvida Mahershala Ali ganharia na categoria Melhor Ator Coadjuvante por Green Book. Ele arrasou!

Mahershala Ali ao receber o Oscar
25- Nossa, vou muito querer ir no Academy Museum que inaugura em breve. 
26- Pharrell está no Oscar de bermuda! 😂
27- Spider-man no Aranhaverso levou de Melhor Animação. Era realmente o favorito. 
28- Não sei se é o fato de não ter apresentador, mas o Oscar esse ano está TÃO chocho. A galera está com cara de bunda na plateia. 
29- O curta de animação Bao, que passa antes de Os Incríveis 2 ganhou. Bonitinho!
30- Um filme sobre menstruação ganhou como Melhor Documentário de Curta-Metragem e a diretora agradeceu dizendo que não estava chorando porque estava de TPM. 😂
31- “Imigrantes e mulheres são quem movem o mundo” - Não sei quem é o cara que falou, mas foi junto com o Diego Luna ao apresentarem Roma. 
32- Paul Rudd não envelhece um dia. Impressionante. 
33- Ah, Lady Gaga e Bradley Cooper no palco cantando Shallow. ESSA MULHER CANTA DEMAIS, mesmo super nervosa! Até arrepia! (Mas a apresentação dela de Till’ It Happens To You em 2016 foi muito mais emocionante e ela deveria ter ganho).


Assim a gente até chora de emoção!

34- Melhor Roteiro Original foi para Green Book. 
35- Olha, já vi gente feliz com o Oscar, mas o Spike Lee por Melhor Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan, está o mais feliz da vida. 
36- Brie Larson e Samuel L. Jackson pareceram se divertir muito no plano. 
37- Eita que Pantera Negra está ganhando vários. Agora levou de Melhor Trilha Sonora. E o moço que está agradecendo tem cara de 22 anos. 
38- Gaga ganhou por Melhor Música, lógico. E está linda de preto e uns diamantes gigantes (só consigo olhar para eles). Tão nervosa e humilde.

Cantora alcançou marco histórico após vitórias no Oscar, Grammy, Globo de Ouro, Bafta e Critics' Choice, tudo na mesma temporada. 
39- Esse ano o único realmente famosão que apareceu no “in memorian” foi o Stan Lee. 
40- Barbara Streisand, para quem não sabe, fez o papel da Lady Gaga no remake de Nasce Uma Estrela nos anos 1970.
41- Estou torcendo para o Rami Malek como Melhor Ator, mas acho que o Christian Bale leva. 
42- Aaaaaaah, deu Rami Malek!!!! Ele mereceu. Se transformou no Freddie Mercury. E fez um discurso lindo e o fofo, disse que Lucy Boynton, sua namorada e par romântico no filme, “capturou seu coração”. ❤️

Rami Malek recebendo o Oscar

43- Olivia Colman ganho de Melhor Atriz por A Favorita. A nova rainha Elizabeth em The Crown está realmente incrível. E fez um discurso engraçado e disse que quando trabalhava com faxina treinava que ganhava um Oscar. E olha só, ganhou!
44- Nos intervalos estão passando vários trailers de O Rei Leão, que estreia em julho, e eu só quero dizer que mesmo com 31 anos não tenho maturidade nenhuma para ver o Mufasa morrendo EM LIVE ACTION. 
45- Estava bem óbvio que Alfonso Cuarón ia ganhar de Melhor Diretor. 
46- Julia Roberts linda, plena e elegante de rosa. 

Julia Roberts divando de rosa

47- Fiquei tão feliz que Green Book ganhou de Melhor Filme! Ele aquece o nosso coração. Se ainda não viram, vejam!
48- Sem apresentador, a Julia Roberts encerrou no que pareceu uma improvisação. 
49- E para encerrar: O Oscar 2019 foi o mais chato dos últimos anos, uma cerimônia quadrada, conservadora e sem grandes efeitos. Deviam aprender com o Brit Awards e colocar o Hugh Jackman para dançar. O último legal foi quando o DiCaprio ganhou. 
50- Foi um prazer estar com vocês. Está o 92° Oscar. Beijo 😘

E vocês, o que acharam? Torceram para quem?

Para ver a lista completa de vencedores é só vir aqui.

Teca Machado

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A Favorita – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eis que chega ao fim mais uma maratona do Oscar aqui no blog! Todos os anos assisto – ou tento assistir – a todos os concorrentes da categoria Melhor Filme. E ontem vi o último da lista: A Favorita, do diretor Yorgos Lathimos. No final do post você encontra link para crítica de todos eles.


Apesar de ter gostado de A Favorita (não, não é a novela da Globo em que Patrícia Pilar e Claudia Raia cantam Beijinho Doce), achei que gostaria mais. Fui com muita sede ao pote, já que era uma história de 1700 – e eu amo enredos históricos – e com atrizes estupendas. Foi bacana, mas um dos menos preferidos por mim entre os concorrentes. Só que dizem os críticos especializados que tem muitas chances de levar o prêmio.

Baseado livremente numa história real, A Favorita tem como foco três mulheres: A rainha Anne, da Inglaterra (Olivia Colman), Lady Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone). Fragilizada física e psicologicamente, a rainha deixa nas mãos de Sarah, a quem conhece desde criança e confia sua vida, o governo do reino. Ela é quem viabiliza guerras – inclusive tem uma abordagem bem agressiva sobre um conflito com a França -, faz reuniões, cuida da contabilidade e toma todas as decisões importantes, manipulando a monarca para que a sua vontade seja feita. Além disso, é quem divide a cama com Anne. Até que chega Abigail, uma prima distante de Sarah, que já foi lady, mas a família viveu uma crise, então se vê obrigada a ser criada no castelo. Mas como é jovial, ingênua e encantadora, Abigail percebe que pode fazer uma escalada social e cair nas graças da rainha. Começa, então, a batalha entre Sarah e Abigail para ver quem é a favorita de Anne.



Não podemos dizer que o filme é engraçado, mas é uma sátira bem ácida da corte inglesa e seus costumes. Além disso, propõe um jogo de xadrez muito bem orquestrado pelas três mulheres, onde manipulação e coerção são muito bem aproveitadas. Nesse enredo o sexo feminino é o foco, já que os homens estão ao redor em quase mera figuração, a não ser Nicholas Hoult, como Harley, tipo um secretário do tesouro da corte e que é veementemente contra a guerra que Sarah está fazendo acontecer.

Yorgos é conhecido por trazer o inquietante e até mesmo repugnante para as telas, o que ele faz em A Favorita principalmente com cenas de vômitos – são várias, acredite. E a intenção é essa mesma, passar um desconforto ao espectador enquanto acompanha intrigas e política.



Colman, Weisz e Stone estão incríveis, em papeis complexos. Olivia Colman está estupenda como a rainha, nos causando desconforto a todo instante. Age como um bebê mimado na maior parte do tempo, mas vive um sofrimento físico e mental de grandes proporções. Sempre que Colman está em tela, entrega tudo de si, mesmo que sejam seus piores ângulos. E viverá mais uma rainha da Inglaterra em breve. Ela é quem interpreta a rainha Elizabeth nas próximas temporadas de The Crown. Weisz é até difícil comentar, porque são pouquíssimos os papeis em que a atriz não se destaca. Lady Sarah é complexa, manipuladora, sincera e passa a impressão de fria, porque mesmo em seus piores momentos não perde a pose e acredita que lágrimas são desnecessárias. Emma Stone começa destrambelhada e com o carisma que conhecemos e amamos, mas a sua personagem tem ambições gigantescas e não perde a chance. É quem mais muda com o passar do filme. Aliás, não sei se muda ou se realmente mostra quem sempre foi. O trio, muito coeso e com química, está concorrendo ao Oscar, com Colman como Melhor Atriz (apesar de eu achar que a protagonista é Sarah), e Weizs e Stone como Melhor Atriz Coadjuvante.

Um dos maiores acertos de Yorgos é o figurino, lindíssimo e ao mesmo tempo que remete ao período histórico, com a opulência, luxo e exageros – principalmente masculinos - tem um quê moderninho. As cores são sóbrias, principalmente das mulheres e representam muito bem a personalidade de cada uma das personagens. Além disso, o diretor brincou muito com a iluminação natural. Pesquisando sobre a produção, vi que ele usou quase que na totalidade apenas luz do sol e de velas, para criar uma sensação de maior realidade com a época.



Fato aleatório que em nada muda a sua percepção do filme, mas é interessante: Lady Sarah está na árvore genealógica tanto de Winston Churchill quanto da princesa Diana. Seu nome era Sarah Winston e o primeiro ministro do século XX inclusive nasceu no castelo que a rainha Anne mandou construir para ela. 

A Favorita está concorrendo aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Atriz (Olivia Colman), Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel Weizs), Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Montagem e Melhor Figurino de Arte.

Recomendo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vice – Crítica – Maratona Oscar 2019


Rami Malek, eu estou torcendo por você, mas acho que o Oscar não será seu esse ano. Cheguei a essa conclusão ao final de Vice, do diretor Adam McKay, que está concorrendo à principal categoria do Oscar 2019. O Christian Bale no papel do protagonista está espetacular e eu não vou ficar nenhum pouco surpresa se ele ganhar.


Vice é um filme biográfico que mostra a trajetória de Dick Cheney (Bale), vice-presidente dos Estados Unidos no governo George W. Bush (Sam Rockwell). Aí você pensa: qual a importância de um vice-presidente para se feito um filme sobre ele, afinal, o cargo é quase simbólico – ou como dizem na produção, “é ficar sentado esperando o presidente morrer”? Bom, Dick Cheney foi muito mais do que apenas simbólico.

No longa, acompanhamos Cheney desde a juventude, quando teve muitos problemas com álcool, drogas e falta de compromisso. Era mediano apenas. Até que Linney (Amy Adams), sua esposa, lhe dá um ultimato e ele cria juízo. E começa aí a trajetória que o levou até a Casa Branca e o tornou responsável pela Guerra do Iraque e muitas outras coisas mais.



Muitos se perguntam como um homem como Cheney não chegou ao cargo máximo do país mais poderoso do mundo. Será mesmo que não chegou? Para aceitar ser vice, ele fez um acordo com Bush, no qual se tornou responsável por decisões mais importantes que o próprio presidente. E é impressionante como Bush foi retratado como um mané (essa é a melhor palavra que o descreve), manipulável e, basicamente, um burro – assim como toda população americana.

Geralmente biografias são com personalidades minimamente populares. É só lembrar do ano passado, quando Churchill foi celebrado em dois filmes e lutou contra vilões na II Guerra Mundial. Bom, aqui Cheney é o vilão. Se você pesquisar um pouquinho que seja sobre ele, vai descobrir fatos pouquíssimos lisonjeiros. E segundo dize, ele é ainda pior do que o filme mostrou. O filme, cujo roteiro também é de McKay, não tenta amenizar seus atos e nem humanizar a persona. Mostra seu lado ardiloso, manipulador, sedento de poder e frio (é, galera, ele foi o responsável pela tortura ser permitida, usando apenas um outro nome menos pesado). Em uma excelente cena final, com a quebra da quarta parede (quando o personagem fala diretamente com o público), isso fica ainda mais claro.


Claro, Cheney não é uma pessoa boazinha, mas podemos dizer que Linney é farinha do mesmo saco. Naquela relação um puxa o outro e estou para ver um casal que se merece mais do que eles.

Claro que a direção e o roteiro de Mckay são imprescindíveis, mas Vice não seria nada sem um elenco coeso e entregue. Christian Bale está, como eu disse lá em cima, nada menos do que espetacular. Sua atuação, seus trejeitos, seu olhar, tudo, é muitíssimo real. Fora que a forma física também, porque ele ganhou 33 quilos para viver esse papel e fez exercícios específicos para engrossar o pescoço. Amy Adams não fica atrás, assim como Sam Rockwell. Os três atores estão concorrendo ao Oscar, não é por menos. E apesar de não ter sido nomeado à premiação, Steve Carell merece elogios pela interpretação de Donald Rumsfield, mentor de Cheney.




Vice segue o estilo de Mckay que conhecemos em sua outra produção que concorreu ao Oscar: A Grande Aposta. Ele tem uma pegada engraçada, ácida, satírica e que muitas vezes foge da realidade (como a cena em que Cheney e Linney conversam na cama com frases shakespearianas ou quando no meio do filme créditos finais sobem). No letreiro inicial, afirmam que o filme é baseado numa história real. Bom, o máximo possível, porque Cheney é furtivo e eles fizeram seu melhor trabalho de pesquisa apesar de tudo. Acho que podemos dizer que McKay é um zueiro.

Cheney e Linney ainda estão vivos e muitíssimo bem. Eu gostaria muito de saber como eles se sentiram ao assistir Vice – se é que assistiram – e se viram retratados como a personificação do mal na Terra.


Vice está concorrendo ao Oscar 2019 nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Christian Bale), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Sam Rockwell), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Maquiagem e Penteado.

Recomendo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Roma – Crítica – Maratona Oscar 2019


Todos os anos tento assistir a todos os filmes que concorrem na categoria Melhor Filme do Oscar. Em 2019 eu me interessei por todos, menos um: Roma. Confesso que fui relutante assistir a produção do diretor Alfonso Cuarón, disponível na Netflix (Bom, pelo menos eu não ia gastar no cinema com um filme que não estava a fim de assistir). No fim das contas, não odiei, como achei que detestaria, mas também não gostei. Ficou naquele limbo de "ok, mas não veria de novo".


O pior foi o comecinho. Quando o letreiro começou, já revirei os olhos, porque até ele é devagar. Muito devagar. E o filme foi indo lento, num ritmo que me fez indagar para onde a história estava indo. Depois de um tempo me acostumei e inclusive me interessei pela história de Cleo (Yalitiza Aparicio). 

Roma segue um ano na vida dela, uma empregada doméstica de origem indígena, que no México dos anos 1970 trabalha para uma família de classe média e tem um carinho gigante pelas crianças da casa e é bem tratada por todos, mas ainda assim é quem faz todo o trabalho pesado, junto com Adela (Nancy García García).



Apesar de ser Cleo a protagonista, vemos outra mulher que lutar para se reerguer após tristezas, que é a sra. Sofía (Marina de Tavira), patroa. Ela e Cleo passam por situações semelhantes, apesar de cada uma com a sua particularidade, e tentam fazer o melhor com o que a vida deu e de certa forma se apoiam, o que é bonito de assistir.

O movimento da câmera – às vezes até mesmo inexistente -, a falta de cores, o jogo de sombra e luz, a importância dos filmes dentro do filme e a imobilidade dão um ar de realmente ser uma produção dos anos 1970. Uma cena em particular, dentro do hospital, com todos esses elementos, gera uma sensação de impotência tão grande que sofremos junto com a personagem.


No fim, fiquei com aquela cara de interrogação, de "ué, acabou?". Entendi o filme, mas sabia que ele tinha muito mais camadas psicológicas do que eu peguei de primeira, então pesquisei sobre a produção e passei inclusive a gostar mais dela e a entender melhor o propósito da obra.

Roma é quase autobiográfico. Cuarón escreveu pensando na sua infância e em Libo, a quem ele dedica o filme. Ela trabalhou com a sua família desde que ele tinha 9 meses e foi a sua versão real de Cleo. A casa em que o diretor cresceu ficava no bairro Roma (e eu aqui pensando que era na cidade italiana!), e o filme inclusive foi filmado numa construção que foi toda alterada para parecer a que ele morou. E essas são apenas algumas das particularidades da obra.


Roma é lento, é quase a vida real mesmo, todo em preto e branco e cheio de simbolismos. Definitivamente não é um filme para qualquer pessoa. Não achei que tem todo o esplendor que está sendo alardeado, mas também não é ruim como achei que seria. É apenas muito diferente do que estamos acostumados, tanto no ritmo quanto na temática. Acho que no fim das contas sou uma pessoa muito mais "filme pipoca" mesmo.

Roma é o primeiro filme da Netflix que chegou a maior premiação mundial do cinema. Isso só mostra a força do serviço de streaming.


Roma está concorrendo a: Melhor Filme, Melhor Atriz (Yalitiza Aparicio), Melhor Atriz Coadjuvante (Marina de Tavira), Melhor Diretor, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som.

Recomendo, mas não para todo mundo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado