quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Formação Literária


Quais livros fazem parte da sua formação literária, da sua vida de leitor?

Algumas pessoas começam a ler mais cedo, outras um pouco mais tarde, mas não importa. Todos temos aqueles livros que fizeram com que nos apaixonássemos pela primeira vez, que nos arrebataram tão profundamente do mundo real que vivemos aquilo com os personagens.

Como eu me interessei desde muito criança por literatura, as obras que me construíram como leitora são um pouco mais juvenis. Só que isso não importa, porque acredito que são histórias que devem ser lidas em qualquer idade.

1- Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne



Eu sei, volta e meia falo da importância que esse livro teve na minha vida. Na verdade ele foi o primeiro que li do autor e o que me deixou mais encantada, mas todos dele são incríveis. Lembro que tinha uns oito ou nove anos e fiquei tão maravilhada com o enredo e com a magia da literatura que me deu um estalo: decidi que sempre estaria rodeada por livros.


2- Série Harry Potter, de J. K. Rowling


Estou sendo super clichê, porque crianças do mundo inteiro afirmam que a série os fez gostar de ler. Mas quando li o primeiro, o livro ainda não tinha esse hype todo. Estava fazendo sucesso, mas ainda era uma coisa contida. Claro que fiquei doida com todo o universo de Hogwarts. E o mais bacana é que eu cresci junto com Harry, Hermione e Rony. Eu tinha 11 anos quando li o primeiro e a medida que foram lançados ano a ano sempre tínhamos a mesma idade.


3- O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas


Essa história é um pouco mais adulta do que as anteriores, mas como eu li uma edição pocket, era uma versão menorzinha e com um linguajar mais fácil. Com 12 anos conheci Edmond Dantès e acompanhei seu caminho de vingança contra todos que o traíram. E que caminho! Já se passaram 18 anos desde nosso primeiro contato, li centenas de livros nesse meio tempo, mas O Conde de Monte Cristo continua sendo um dos meus preferidos.


4- As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis


Quando tinha 11 anos vi na biblioteca da igreja toda coleção de Nárnia para empréstimo. Achei o título do primeiro engraçado, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, e resolvi que queria ler. Mal sabia que estava dando início a uma das sagas mais incríveis já escritas. Aslam, Pedro, Lúcia, Edmundo e Suzana se tornaram meus melhores amigos e passei alguns anos imersa em Nárnia. Até hoje quando me perguntam para qual mundo literário eu gostaria de ir, a resposta imediata é Nárnia.


5- HQs da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa


Não são livros, mas considero literatura. Antes mesmo de ser alfabetizada eu “lia” a Turma da Mônica. O hábito de ler alguns gibis antes de dormir foram de quando eu tinha uns quatro anos até uns 15 mais ou menos. Na casa dos meus pais ainda temos edições de 1990, 1991, algumas raridades. Meu amor por leitura com certeza tem semente nos personagens da Rua do Limoeiro.

***


E vocês, quais livros fizeram parte da sua construção literária?

Teca Machado

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Frases finais


Tão importante quanto a frase que abre um livro, é a que fecha. Às vezes ela só faz sentido dentro de um contexto, mas em alguns casos ela é impactante tendo você lido ou não a obra. 

Por isso separei aqui citações inteligentes e interessantes que terminam uma história. Mas fiquem tranquilos, escolhi trechos sem spoiler.

1. “Os humanos me assombram.”
A Menina Que Roubava Livros, Markus Zusak



2. "As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco."
A Revolução dos Bichos, de George Orwell



3. "Eu me conheço — ele gritou — mas isso é tudo."
Este Lado do Paraíso, de F. Scott Fitzgerald



4. "Querido — disse Valentine —, o conde não acaba de nos dizer que a sabedoria humana cabe inteira em duas palavras? — Esperar e ter esperança."
O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas



5. “Tudo estava bem.”
Harry Potter e as Relíquias da Morte, de J. K. Rowling



6. "...que cada vida afeta a outra, e a outra afeta a seguinte, e que o mundo está cheio de histórias, mas todas as histórias são uma só."
As Cinco Pessoas Que Você Encontra no Céu, de Mitch Albom



7. "Afinal, amanhã é outro dia."
E o Vento Levou, de Margaret Mitchell



8. “Mas o que é o oceano senão uma multidão de gotas?”
Atlas de Nuvens, de David Mitchell



9. "Eles tinham uma vida comum, cheia de coisas comuns. Se é que o amor pode ser chamado de comum."
Ruína e Ascensão - A Conjuradora do Sol Vive (Grisha, Livro 3), de Leigh Bardugo



10. “E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado”.
O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald





Qual frase final impactante você lembra? Conta para mim.

Teca Machado

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Céu Sem Estrelas - Resenha


Sabe aquele livro que você tem vontade de pegar o protagonista, dar um abraço e falar “calma, vai ficar tudo bem”? Foi assim que me senti com Céu Sem Estrelas, de Iris Figueiredo, publicado pela Editora Seguinte. Recebi a obra em parceria com o grupo Companhia das Letras e achei uma leitura delicada, sensível e que trata de temas muito importantes.

Foto instagram @casosacasoselivros

No enredo acompanhamos dois protagonistas: Cecília e Bernardo. Cecília acabou de fazer 18 anos e sua vida não podia estar mais bagunçada. Demitida no dia do seu aniversário, teve uma briga tão imensa com a mãe que foi expulsa de casa. Sem teto, pede abrigo para Iasmin, sua melhor amiga. Assim, começa a se aproximar de Bernardo, seu irmão por quem sempre teve uma paixonite, mas nunca disse para ninguém. Já Bernardo é um jovem que tem dinheiro, boa aparência, uma família que o ama, estuda numa faculdade federal, mas sente que sua vida está incompleta, que falta algo nela. E percebe que talvez em Cecília é onde irá encontrar.

Cecília tem mágoas mais profundas do que aparenta à primeira vista. Por ser gorda, não se sente nem perto de bonita e isso a magoa, porque nunca encontra roupas bonitas ou que fiquem bem no seu corpo. Além disso, tem problemas de abandono. Nunca soube quem é o seu pai, sua mãe sempre preferiu que a filha estivesse longe e quando dava problemas a mandava para a casa da avó. E tudo se agravou ainda mais depois que a mãe preferiu ficar do lado do marido do que da filha. A garota tem ansiedade, se autoflagela, tem ataques de pânico e se sente em um beco sem saída.

Iris Figueiredo
Nos momentos em que tudo parecia estar contra a personagem, eu queria chegar até ela e dizer que era linda, que importava e que tudo nessa vida passa - seja o ruim, seja o bom - passa. Apesar de não me identificar com ela e com os seus problemas, senti uma empatia muito grande. Felizmente Cecília tinha ao seu lado a avó, que é uma fofa, e suas amigas, principalmente Iasmin e Rachel.

Iris Figueiredo fala de forma doce sobre assuntos muito sérios, principalmente sobre saúde mental. Além de ansiedade, depressão, se cortar e sentimento de abandono, há uma pitada de racismo, muita de gordofobia (a tia de Cecília está sempre fazendo comentários sobre seu peso e sua maneira de comer), machismo e vale a pena falar o fato de que muitos homens não têm com quem conversar sobre assuntos mais profundos. Bernardo é introspectivo e busca entender o que sente e o seu lugar no mundo, mas seus amigos – que são melhor descritos como colegas – zombam dele, só querem saber de festas, mulheres e bebidas. O livro está cheio de representatividade, com uma protagonista fora do padrão de beleza e personagens secundários deficientes, negros, homossexuais e outros. E tudo isso é falado de forma muito natural. A autora não levanta nenhuma bandeira, mas insere isso na obra sem alarde, sem preconceitos.

Céu Sem Estrelas tem romance, mas Iris não nos força um relacionamento exagerado entre eles. Cecília e Bernardo constroem aos poucos e de forma tímida o que têm, e isso é uma delícia de acompanhar. Ambos comentem erros, que levam a sérias consequências, mas faz parte do processo de amadurecimento.

A história é contada em primeira pessoa pelo ponto de vista dos dois protagonistas, o que é ótimo para ter uma visão mais geral dos acontecimentos. Gosto de quando ambos passam pela mesma situação e vemos como cada um se sente em relação a isso. A escrita é fluida, assim como o ritmo do enredo. Eu só não li mais rápido porque pausei todas as leituras para estudar para um concurso que estava chegando.


Céu Sem Estrelas toca o coração e vale a pena cada página.

Recomendo.

Teca Machado

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Nasce Uma Estrela - Crítica


Shallow, Music To My Eyes, Always Remember Us This Way, I’ll Never Love Again. Se você já assistiu Nasce Uma Estrela, com Lady Gaga e Bradley Cooper, sabe do que estou falando. Essas são (apenas algumas) músicas da trilha sonora desse filme incrível, que provavelmente veremos no Oscar 2019 em algumas categorias.


Quarto remake da história que foi contada pela primeira vez em 1937, recontada em 1954 e mais uma vez filmada em 1976, o enredo não tem nada de diferente ou espetacular. Mas a forma como Bradley Cooper, que além de um dos protagonistas é o diretor e assina o roteiro em conjunto com Eric Roth e outros, é íntima, real, delicada, sem medo de mostrar o universo dos personagens, assim como seus demônios pessoais.

Nasce Uma Estrela mostra a ascensão de Ally (Gaga), uma cantora que se apresenta em bares de drag queens e que se resignou ao fato de que sua aparência, principalmente seu nariz, não a levará ao estrelado, mesmo tendo um talento extraordinário. Até que Jackson Maine (Cooper), um cantor consagrado, mas com sérios problemas de bebida e drogas, a conhece e se encanta tanto pela garota quanto pela forma que canta. Com um relacionamento complicado e intenso, enquanto a carreira de um está começando a do outro está em queda.



Essa é a estreia de Cooper como diretor, mas isso não fica evidente em nenhum momento. O jogo de câmeras é inovador, os diálogos bem trabalhados, as músicas ótimas. Somos levados ao palco, sentimos a energia e emoção de quem está diante de milhares de fãs, assim como a sua paixão real pela música. O longa proporciona uma experiência intimista e muito pessoal de como é ser uma estrela.

O enredo não corre e acompanhamos o passo a passo de Ally e Jackson, ainda que nem tudo seja mostrado, com algumas coisas subentendidas. Os diálogos são interessantes e inteligentes e mesmo com todos os demônios que ele encara, o casal se entende e se completa num nível muito profundo de lealdade. A mudança que Ally vai sofrendo no meio do caminho é gradual e isso dói em Jackson, dói no público, dói em todos. Somos tão envolvidos naquele universo que compartilhamos com os personagens todas suas vitórias e dores.



Bradley Cooper está num nível de atuação nas alturas. Acredito que podemos esperar uma indicação pelo seu trabalho nas premiações do ano que vem. Sua postura melancólica, seu ar cansado e pesado, a voz mais arrastada e embargada de quem carrega o mundo nas costas mesmo que ele tenha sido deixado aos seus pés. E a gente fica mais impressionado ainda ao saber que o papel foi tão importante e difícil para ele porque o próprio foi viciado em bebida e drogas, mas está limpo desde os 29 anos. E é incrível como canta, toca e interpreta as músicas (sim, ele mesmo é quem canta e inclusive escreveu algumas delas). Quem diria que existe um senhor cantor dentro dele! Lendo sobre o filme, vi que Gaga incentivou que eles cantassem ao vivo durante as cenas, não dublassem as versões de estúdio. Não posso deixar de falar de Sam Elliott, como irmão de Jackson, que faz um papel típico da sua carreira, mas de forma intensa e que merece atenção.

E o que falar da Lady Gaga, minha gente? Quando aquela mulher abre a boca para cantar impossível não arrepiar todinha! Mais do que uma cantora, ela é realmente uma estrela. Vários momentos fiquei emocionada. Quando ela canta Shallow, no início tímida e vai crescendo no palco. Minha nossa, é incrível. Assim como a cena final, que nos deixa embasbacados. E eu li que a apresentação é ainda mais carregada dramaticamente porque poucas horas antes de filmar, uma amiga da cantora faleceu, então ela colocou todo o sentimento que tinha naquele momento tão intenso. Vemos no longa uma Gaga diferente da que estamos acostumadas. Ela está sem maquiagem nenhuma, com o cabelo na cor natural e sem os exageros aos quais estamos acostumados, então vemos seu talento cru e bruto.



Não sei se ela vai ser indicada como Melhor Atriz em 2019, mas com certeza podemos dizer que continuando assim ela vai ganhar uma estatueta mais cedo ou mais tarde (e eu tenho certeza que ela vai levar por Melhor Música por alguma da trilha sonora, o que irá reparar a injustiça de 2016 quando ela mereceu por Till It Happens To You e deram para o Sam Smith).

As cenas de show de Nasce Uma Estrela foram filmadas em festivais que aconteceram de verdade, então o público e toda animação não são computação gráfica, inclusive em alguns casos pediram que a plateia gritasse “Ally” para dar ainda mais veracidade. Uma delas foi no Choachella em 2017, onde Gaga se apresentou. É interessante que o público pagou apenas U$ 10 para assistir e tiveram os celulares confiscados para que nenhuma cena do filme caísse na mídia. Eles também estiveram no Glastonbury Festival, no palco do Saturday Night Live e num festival de country na Califórnia, onde espremeram uma apresentação de Cooper entre outras reais e filmaram numa tomada só de 10 minutos que entrou na íntegra no filme, que é a cena de abertura.

Nasce Uma Estrela é um filme que emociona, mexe com a gente e que merece uma ida ao cinema. Agora a playlist do filme está tocando em modo repeat no meu Spotify e sei que vai ficar assim uns bons meses (como foi com La La Land, O Rei do Show, Mamma Mia...).

Recomendo demais.

Teca Machado

P.S.: O cachorrinho que o casal tem no filme é realmente o cachorro de Bradley Cooper <3 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Lululux: Conjunto narrativo de jantar


O Casos, Acasos e Livros andou meio abandonadinho, eu sei. Acontece que passei dois meses estudando para um concurso e minha vida literária/cinematográfica teve que ser colocada em pausa. Nesse tempo fui pouquíssimo ao cinema e não li e nem assisti séries – imaginem meu desespero sem essas atividades, que são algumas das que mais amo na vida. Então faltou conteúdo e tempo para escrever aqui, além de visitar blogs amigos. Mas a prova já passou e eu estou de volta com posts três vezes por semana.

Com frequência trago aqui livros com formatos inusitados. E hoje descobri um que tem uma proposta muito bacana, ainda mais para quem gosta de receber amigos em casa. 

O Lululux, da editora Lote 42 e do designer e autor Gustavo Piqueira, tem o formato de um jogo de jantar. A obra, que é chamada de “conjunto narrativo de jantar”, é feita artesanalmente, formando 34 peças impressas em serigrafia, que juntas formam uma história. A obra se divide entre vinte guardanapos, seis jogos americanos e oito porta-copos, cada um deles numerados, assim o leitor não se perde.

Fotos: Divulgação



Os guardanapos mostram as reflexões noturnas de Lux Moreira, o protagonista, um entusiasta da tecnologia e de inovações nas relações de trabalho que tenta dar uma guinada na carreira após um relacionamento fracassado. Os porta-copos têm uma pegada mais leve, com as postagens do personagem nas redes sociais, que gosta de publicar frases de celebridades como Bruce Lee, Walt Disney e Rodrigo Faro (eclético ele, não?). Os jogos americanos mostram palestras de desenvolvimento pessoal que Lux promove em uma padaria.



Piqueira conta que a inspiração veio por conta das previsões sobre o fim do livro. “Ninguém diz que o jogo de jantar vai acabar, está todo mundo usando guardanapos, até onde eu sei. É um investimento garantido: quem não gostar do livro vai poder usar em uma macarronada”.

A Lote 42 é independente e tem outras obras com projeto gráfico diferentão, como o Queria Ter Ficado Mais, em formato de cartas, o Indiscotíveis, em formato de vinil e o Seu Azul, também de Piqueira, que é cheio de recursos tipográficos e gráficos e usa areia na capa para representar o mal-estar da história ao leitor.


  

O Lululux está à venda no site da editora aqui, mas infelizmente no momento está esgotado. E o legal é que o preço dele é bem bacana: R$ 49,90.

O Lululux junta duas coisas maravilhosas: jantar com amigos e literatura.

Teca Machado

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Despertar – Série Espiral do Desejo - Resenha


Quem gosta de romances levanta a mão! A resenha de hoje é sobre um romance adulto – um outro nome para livros hot, haha.

Entre os livros que recebi da parceria com o grupo Companhia das Letras nos últimos meses veio Despertar, de Nina Lane, da editora Paralela. Esse, que é o primeiro volume da série Espiral do Desejo, diferencia um pouco dos romances comuns, porque o foco é um casal já apaixonado, estabelecido, casado e feliz. Geralmente no gênero conhecemos os protagonistas separados, eles vão se apaixonando – e a gente junto – e aí ficam juntos no final. Ou não.

Foto @casosacasoselivros

Dean e Olivia já estão casados há alguns anos e são muito felizes. o relacionamento é baseado em muito amor, desejo e companheirismo. Mas, desde o início, eles decidiram que não teriam filhos. Quando um alarme falso de gravidez acontece, feridas aparecem e se instala uma grave crise conjugal, que em muitos momentos parece sem saída. Olivia conhece facetas desconhecidas do marido, que abalam ainda mais o casamento e eles descobrem que talvez só o amor não seja suficiente para ficarem juntos.

Gostei de Despertar, mas não foi um livro que amei ou que nunca vou esquecer. Foi interessante a maneira como Nina Lane começou o livro, com o casal já estável. Foi um livro fácil de ler e as páginas passaram rápido, assim como os capítulos, em geral curtos. É possível sentir o amor entre eles, o desejo real, e saber que eles cresceram juntos e se ajudaram ao longo do caminho.

Foi muito bacana que a autora alternou os pontos de vista. O livro quase todo acontece pelo olhar de Olivia, mas há alguns capítulos, principalmente no terço final da história, que é Dean quem conta. E isso é muito bom para vermos o enredo de forma mais completa e sabermos se as impressões que Olivia tem de Dean estão certas.

Mas tive alguns problemas com a leitura. Os protagonistas não me convenceram muito, por isso não consegui me conectar tanto com a história. Dean é lindo, bem sucedido e o porto seguro de Olivia. Ele sempre foi o lado “forte” do casal. Mas, apesar de realmente ser tudo isso, não me apaixonei, não fui arrebatada por ele. Algo me pareceu fora do lugar. Em muitos momentos tive a impressão de que ele gostava dessa posição superior a da esposa. E Olivia se coloca no posto de mulher indefesa e se sente confortável lá. Se esconde em seus medos e fica na sua bolha de segurança, sendo que muitas vezes podia ter resolvido seus problemas de forma simples, mas ficou se remoendo eternamente. E o passado traumático da personagem, eu esperava algo muito mais profundo. Claro que não foi fácil, mas não achei tão terrível e traumatizante quanto ela deixou a entender durante tantos e tantos capítulos.

As cenas mais calientes foram inúmeras. Em alguns momentos, principalmente no começo do livro, até demais. Parecia até que o relacionamento deles se baseava nisso. Nina Lane não mede palavras e escreve cenas de sexo sem pudor – sem pudor mesmo! -, o que no começo achei um pouco estranho, já que não estava muito acostumada com autores que realmente falam o que está acontecendo sem usar linguagem figurada.


Nina Lane termina o livro com um gancho gigante para o próximo, nos deixando extremamente curiosos pelo segundo volume. Espiral do Desejo é uma série com cinco livros e ao contrário do que tem sido moda, todas as obras serão sobre o mesmo casal Dean e Olivia. Eu gostei deles, mas fico me perguntando: Tem assunto para tantas páginas sobre eles?

 

A sequência de Despertar, chamado Desejar, já foi publicada e eu inclusive também recebi da Companhia das Letras e em breve vou ler. E o livro três, Declarar, está quase saindo do forno. Apesar dos pontos negativos quero saber como continua a saga dos protagonistas.

Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Papillon – Filme - Crítica


Quando eu era bem novinha, meu pai disse que Papillon, de Henri Charrière, baseado em fatos reais, era o melhor livro que ele tinha lido na vida. Sempre fiquei curiosa com a história e até mesmo lembro da capa do livro, mas não podia ler, ainda era muito criança. Meu pai perdeu o livro, esqueci dele, até que há dois meses vi o trailer do remake (em 1973 foi lançada a primeira versão cinematográfica da história, com Dustin Hoffman) e voltei a me interessar. Ganhei o livro do meu pai, mas o filme foi lançado no final de semana passado e não deu tempo de ler, afinal, são 800 páginas. Então decidi assistir antes de me aventurar pela obra literária.


Papillon, do diretor Michael Noer, é muito bonito visualmente. Os planos em que pega as paisagens da América Latina, a fotografia, os detalhes dos desenhos de um dos personagens, tudo é da qualidade hollywoodiana que estamos acostumados. O cineasta soube dosar momentos de ação, com lutas e correria, com cenas psicológicas e mais introspectivas – destaque para a sequência em que o protagonista está quase enlouquecendo na solitária. O roteiro tem um ótimo ritmo, sem correr demais e sem ser muito lento, nos dando tempo para absorver todas as nuances da história.

Charlie Hunnam – que me lembra demais o Channing Tatum -, vive Henri Charrière, conhecido como Papillon, por ter uma borboleta (papillon é o nome do animal em francês) tatuada no peito. Na Paris de 1931, Papillon é um golpista, assaltante, que vive rodeado de gangsters e do submundo. Ele é bem-sucedido em seus roubos, até que armam para que seja acusado de um assassinato. A pena naquela época era ser enviado para a Guiana Francesa, colônia do país, para que fizesse trabalhos forçados em condições pavorosas até o fim da sua vida. No caminho, Papillon conhece Degas (Rami Malek), um falsário milionário, a quem ele protege em troca de dinheiro para uma fuga mirabolante.



O enredo é muito interessante. A verdade é que o público gosta de uma história de fuga – e quanto mais mentirosa, melhor. E Papillon foi incansável em suas tentativas. Cada escapada frustrada resultava em anos de solitária, mas ele se recusou a ficar trancafiado, ainda mais injustamente (bom, mais ou menos, né, porque ele era criminoso). Apesar de ser um malandro, o público se pega torcendo para que o protagonista escape e deixe tudo aquilo para trás.

Charlie Hunnam está muito bem como Papillon. Ele é um ator que ainda não é muito conhecido, apesar de papeis importantes em grandes produções. Ainda não emplacou, mas acredito que é só uma questão de tempo. Ele tem a habilidade necessária para filmes de ação – é só ver a cena de luta, em que ele briga com uma galera totalmente pelado -, mas soube dar a fragilidade necessária para os momentos mais profundos, psicológicos e sentimentais. Seu corpo passa por transformações, devido aos anos de confinamento, e é visível em seus olhos e em seu porte todo o peso da prisão. Rami Malek também faz um bom trabalho, apesar de que sempre pega papeis “esquisitos” (mal posso esperar para vê-lo como Freddie Mercury dia 1º de novembro).


 

A amizade de Papillon e Degas é muito bonita, assim como a sintonia entre os dois atores. Ela começa como oportunismo, mas a dupla se torna amiga, sendo extremamente leais – e algumas pessoas dizem que até algo mais, mas não sexualmente, apenas com um sentimento muito intenso de pessoas em situações terríveis. Essa interação foi bem trabalhada por todo o filme, e acredito que mais do que sobre as tentativas de fuga, Papillon é sobre a relação dos dois.

Papillon tem alguns problemas, como o fato de que todo mundo fala um inglês maravilhoso mesmo sendo francês (cadê aquele sotaque lindo, minha gente?). Mas isso é normal de Hollywood e a gente deixa passar esse detalhe, até mesmo esquece depois de alguns minutos. Outra coisa, que reclamaram em relação ao filme anterior, é que tudo é muito limpo. Sim, as prisões são terríveis e pavorosas, mas as cenas não mostram sujeira, imundície e podridão, apesar de dar a entender. Até mesmo quando Papillon passa anos na solitária, sem colocar o pé para fora, sua cela parece limpa, assim como ele mesmo.



Algo muito questionado, aí sendo um problema da história em si, não do filme, é que hoje sabe-se que Charrière deu uma exagerada boa em vários trechos da sua biografia. Ele mesmo assumiu um tempo depois que apenas 70% era real, e depois que usou história de outros prisioneiros como sua. Sendo verdade ou não – e provavelmente não é – a narrativa de Papillon é interessante, prende o espectador e fala sobre determinação, amizade, lealdade, resiliência e não se deixar abalar.

Recomendo muito.

Teca Machado


quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 5


E se passou o quinto mês do projeto um ano sem comprar livros.

Setembro foi um mês morno para esse desafio que eu me auto impus (com um tantinho de pressão dos amigos e marido). 


Não ganhei nenhum livro, não teve nenhum evento literário e também não fiquei me coçando toda para comprar novos exemplares. Seria esse um sinal de que estou amadurecendo? Acho que não. 

Até mesmo ler eu li pouco, porque a vida está corrida. Trabalho, estudo, abri um quiosque de papelaria, e ainda preciso passear com o cachorro, enfim, sobra pouco tempo para ficar desejando livros tão ardentemente.

Mas confesso que estou sofrendo um tantinho com filmes que estão no cinema e que são baseados em livros. O negócio é que eu sempre gosto de ler o original antes de ir ao cinema (às vezes não dá, principalmente quando eu não sabia que era um livro) e alguns que vão estrear não tenho na estante e não posso comprar, aí estou nessa de “quero, não quero assistir ao filme”.

Um dos exemplos é Asiáticos Podres de Ricos, que estreia no Brasil dia 1º de novembro e cuja obra, de Kevin Kwan, foi lançada no Brasil pela Editora Record. Estou me coçando para ler, mas pretendo continuar forte e não desistir do desafio. Ele tem uma pegada de história que gosto muito, já que pelo que li de resenhas é quase um Gossip Girl que passa na Ásia.

Outro que está fazendo isso comigo é Um Pequeno Favor, livro de Darcey Bell, da Bertrand Brasil, e que já está passando nos cinemas brasileiros. Ele é tido como o sucessor de Garota Exemplar, que é um dos meus livros – e filmes - preferidos da vida, e já vi o trailer e amei. Fiquei tão curiosa que acho que não vou aguentar esperar até maio (!) do ano que vem para me jogar nessa história.

A sorte é que o terceiro filme baseado em livro que quero ver tenho o exemplar em casa. Ainda bem que eu comprei Dumplin’, de Julie Murphy, publicado pelo Brasil pela Editora Valentina, na última leva de livros antes do desafio. A história, que foi comprada pela Netflix, conta é de uma garota plus-size, filha de uma ex-miss, que se inscreve num concurso de beleza.

E não é porque eu não posso comprar que vocês não podem:


Bom, Dumplin’ eu vou conseguir ler antes do filme, já Asiáticos Podres de Ricos e Um Pequeno Favor eu estou na dúvida se assisto mesmo sem o livro ou se espero até o ano que vem. Dúvida cruel. O que vocês fariam?

Foram 5 meses. Só faltam 7.

Self-five de parabéns para mim

Teca Machado

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Buscando... - Crítica


De vez em quando você assiste a algo despretensiosamente e encontra uma boa surpresa. Foi o que aconteceu com Buscando..., do diretor Aneesh Chaganty. Queria ir ao cinema sexta-feira, não tinha nada que me interessasse, mas acabamos assistindo Buscando..., porque meu marido escutou na CBN uma crítica boa do Thiago Bellotti, do canal Meus Dois Centavos. E como confiamos nele, fomos ao cinema. Melhor decisão.


A história não é revolucionária, mas a maneira como é contada, assim como as reviravoltas, são, o que o transformam num filme muito bom e muito diferente.

Em Buscando... somos apresentados à família Kim. Após perder a esposa para o câncer, David (John Cho) cuida sozinho da filha Margot (Michelle La). Eles possuem uma relação boa, mas distante desde que a mãe se foi. Quando a garota de 16 anos, desaparece e a polícia não consegue respostas, David decidi fazer uma investigação por si próprio, buscando informações no computador de Margot ao traçar seu rastro digital. David descobre que pouco conhecia da filha, dos seus amigos e da sua vida.


Um dos pontos principais do filme é que ele é todo contato por meio de telas de computador, estilo o terror Amizade Desfeita. Todas as conversas acontecem por Facetime, e-mails, vídeos, fotos, iMessage, ligações de Skype e outros recursos tecnológicos. No começo isso pode parecer estranho – eu mesma ficava pensando que sentiria falta de planos cinematográficos mais tradicionais -, mas Chaganty tocou isso de forma genial. Tanto que o tempo de filmagem foi curtíssimo: 13 dias. Mas a pós-produção demorou dois anos, porque foi preciso animar por tecnologia todo o longa, que vai desde o sistema operacional do Windows 95 até o macOS da Apple.

Além de ser extremamente bem feito, o roteiro é muito inteligente. O diretor, que também é um dos roteiristas, nos leva a pistas falsas, pistas verdadeiras e caminhos tortuosos, que muitas vezes nos deixam de queixo caído. Em todo o tempo há tensão, até porque o espectador constantemente é enganado pelo enredo. É difícil descolar os olhos da tela.

É interessante ver muitas semelhanças com a internet real: mobilização por meio de hashtags, pessoas que mentem para atrair atenção, teorias da conspiração, pessoas que atacam outras gratuitamente, adolescentes que postam vídeos idiotas para conseguir audiência, fakenews e muito mais. Buscando... é altamente atual, o que de certa forma faz com que não seja um filme atemporal. Talvez daqui 5, 10, 15 anos, as pessoas vão olhar os programas, o Facebook e outras tecnologias e achar altamente ultrapassado.


John Cho é uma surpresa. Conhecido pelos besteiróis que fez mais novo (Madrugada Muito Louca e American Pie) e mais recentemente por ser Sulu, na nova franquia de Star Trek, ele realmente interpreta um pai atormentado. Sua dor o deixa um pouco entorpecido, ao mesmo tempo que maníaco para descobrir o paradeiro de Margot. Ele faz loucuras e toma atitudes perigosas, mas é impossível não pensar que ele está fazendo certo, já que precisa tomar as rédeas da situação. Vale comentar também a atuação de Debra Messing, a eterna Grace de Will & Grace, a detetive responsável pelo caso da família Kim. Ela mostra que não é uma atriz apenas de comédia, em um trabalho que mostrou seu potencial para abrir horizontes para novos gêneros.

Buscando... parece um quebra-cabeça que vai se construindo aos poucos, até formar um quadro completo e inesperado. A maneira de contar a história por meio de telas de dispositivos pessoais torna o enredo mais intimista, o que faz o espectador se sentir parte da família Kim. E mesmo sendo um filme de ficção, ele poderia muito bem ser real.


Vale ressaltar que a Sony Pictures fez um trabalho imenso ao traduzir TUDO o que aparece em tela para o português, não apenas as legendas. Em poucos países a distribuidora trabalhou dessa maneira, então podemos nos considerar sortudos. Quem sabe inglês não ficaria tão perdido se não estivesse na nossa língua, mas como muitas vezes as imagens passam rápido, apenas alguém fluente no idioma pegaria tudo – e olha lá. Então o estúdio optou por nos dar uma experiência mais incrível para o filme, e posso dizer que valeu muito a pena.

Recomendo muito.

Teca Machado