sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O Ar Que Ele Respira - Resenha


Vem aqui curtir uma sofrência comigo!

Vinícius de Moraes e Toquinho disseram que “é melhor ser alegre do que triste, alegria é a melhor coisa que existe”. E eles têm razão, mas vai me dizer que de vez em quando você não gosta de ler um livro ou ver um filme triste? Sei que eu sim. É bom também. E já tinham me dito que a autora Brittainy C. Cherry era boa na sofrência, assim como a Colleen Hoover, que eu já conheço e amo. Então li O Ar Que Ele Respira, da Cherry, publicado pela Editora Record, e vi que ela gosta bem de uma tristeza mesmo.
Foto @casosacasoselivros

No livro conhecemos Elizabeth. Depois da morte repentina do marido, ela volta para a cidade onde eles moravam, numa tentativa de seguir em frente e promover uma vida normal para a sua filhinha, enquanto lida com as lembranças do casamento feliz que tinha. Ao retornar para a sua antiga casa, descobre que tem um novo vizinho. É justamente Tristan, o cara que ela conheceu ao atropelar seu cachorro no momento em que chega na cidade. Ele é bruto, grosso e agressivo e todo mundo da pequena cidade a alerta para ficar longe dele. Mas Elizabeth se sente atraída. Não só porque ele é lindo – porque é! -, mas porque ela vê em seu olhar uma tristeza parecida com a sua, de um nível muito profundo e que vai corroendo por dentro.

O Ar Que Ele Respira é aquele tipo de livro que fala com o seu coração e mexe com os seus sentimentos. Você tem que ir preparado para ler tristeza, luto, superação, recomeços e várias outras emoções que envolvem a perda de um ente querido. Confesso que não foi tão impactante para mim como são os livros da Colleen Hoover (muitas pessoas comparam as obras das duas autoras). Senti um bom nó na garganta em várias passagens e em uma ou outra escorreu uma lagrimazinha. Mas diferente de outros do gênero eu não me senti deitada na BR só atropelada por emoções.

Brittainy C. Cherry
Os personagens criados por Cherry são ótimos, mas acho que precisam urgente de terapia. Elizabeth é uma protagonista para se gostar. Mesmo com o mundo caindo ao seu redor, ela tenta se manter firme e forte pela filha. E apesar de que em momentos desmorona – porque ninguém é de ferro – ela o faz sempre pensando no melhor da sua família. E o fato de ter insistido em alguém que toda a cidade rechaça mostra o quanto o seu coração é bom, apesar das perdas. Tristan, debaixo de todo esse exterior grosseiro e amedrontador nada mais é do que um homem machucado, devastado e que falta ânimo para seguir em frente. E Elizabeth vai desconstruindo toda essa parede quase intransponível que o vizinho construiu ao redor de si. E a filhinha dela? Coisa mais fofa do mundo! Também me encantei por Faye, a melhor amiga de Elizabeth, que é – e digo isso no melhor sentido - uma desinibida, desbocada e louca. Trouxe um pouco de leveza para a história.

A escrita de Cherry é fluida e gostosa. O livro tem mais de 300 páginas, mas a leitura passa voando. A história vai envolvendo de forma que é difícil parar de ler. A narrativa é em primeira pessoa, alterando os narradores, que é algo que eu amo. A autora aborda o amor, a amizade e a cura de várias maneiras e mostra Elizabeth e Tristan construindo uma relação. Não é do tipo “ah, te beijei uma vez. Acho que esqueci todos os meus problemas e agora estou pronto para outra”.

Gostei muito de O Ar Que Ele Respira, mas descobri rapidinho algumas das reviravoltas. Não sei se porque realmente estava muito óbvio ou porque eu leio bastante o gênero e consigo enxergar para onde o enredo vai. Além disso, há vários clichês na obra. Não que isso me incomode, na verdade.

O Ar Que Ele Respira é o primeiro da série Elementos, na qual cada história é individual e tem um dos quatro elementos como mote. Os próximos são A Chama Dentro de Nós, O Silêncio das Águas e A Força Que Nos Atrai.


Recomendo.

Teca Machado 


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Casamento às Cegas - Crítica


Alô, alô!

Todo mundo aí curtindo o Carnaval?

Para quem gosta da bagunça, ótimo. É só ir curtir nos bloquinhos e festas. Mas para quem, como eu, gosta da paz e sossego e usa esses dias para colocar as leituras, séries e filmes em dia, ótimo também. Tem muita coisa para ler e assistir. Essa lista é sempre infinita.

E hoje vim indicar para vocês uma série perfeita para maratonar no Carnaval. É o tipo de programa para limpar a mente, com zero necessidade de queimar neurônios e divertida. É a melhor caracterização do conceito “é ruim, mas é bom”.

Estou falando de Casamento às Cegas, da Netflix.


Esse é um reality show no formato de experimento. A sensação que dá ao assistir é que estamos dentro de Black Mirror, porque é algo muito doido e mesmo chocante. 

A premissa é a de descobrir se o amor é realmente cego. Você conseguiria se apaixonar – e mesmo pedir em casamento – alguém que você nunca viu ou sabe as características físicas, mas com quem conversou incansavelmente por dias?

Cabines onde os participantes ficam e conversam


A produção selecionou 30 solteiros da mesma cidade que desejam encontrar o amor. Eles têm 10 dias para conversar dentro de cabines onde não podem se ver, apenas ouvir. Aqueles que se apaixonarem e decidirem seguir em frente ficam noivos. E apenas, então, podem se ver. Em seguida saem para uma pré-lua-de-mel, para descobrirem se o amor acompanha a parte física, passam a morar juntos e se casam. Tudo isso num intervalo de apenas um mês.

Segundo Chris Coelen, criador e produtor executivo de Casamento às Cegas, hoje as pessoas procuram relacionamentos pelos apps, que são mais focados em aparência do que qualquer outra coisa e dificilmente há profundidade. Então ele pensou “e se tirássemos os dispositivos tecnológicos, como conseguiríamos fazer com que eles sem concentrassem na conexão com outras pessoas”. Assim surgiu o experimento.



O mais interessante é ver como os sentimentos funcionam. Como a pessoa está pré-disposta a encontrar alguém, já está muito mais aberta a tudo. Além disso, conversam com a intenção de criar laços e se aprofundar um na vida do outro, tudo isso sem interferências externas. Não há celular, telefones, televisão, nada do mundo real. Os participantes ficam focados 24h por dia naquilo. Então, pensando dessa forma não é de se estranhar (tanto) que as pessoas passam a se amar loucamente num período muito curto.

É bizarro ver que em apenas 4 dias já falam “eu te amo”, se pedem em casamento e em como numa quinzena é tudo tão profundo – segundo eles próprios – que afirmam nunca poder viver sem a outra pessoa e estão fazendo juras eternas de amor.



Mas, é lógico, que é o tipo de programa que apresenta tretas. Estamos falando de relacionamentos, então é mais do que óbvio que atritos vão acontecer. Mulheres que se apaixonam pelo mesmo cara, homens que só são sinceros de verdade depois do pedido de casamento, aqueles que não gostaram tanto da aparência do noivo, famílias que não aprovam o relacionamento, casais interraciais, questionar se devem ou não fazer sexo logo de cara e muito mais.

É difícil assistir Casamento às Cegas sem ficar embasbacado com as situações, com os sentimentos envolvidos, com as decisões dos casais. A série é totalmente viciante e um completo guilty pleasure. Se é fake ou não, aí já não sei, mas a verdade é que a gente se envolve com a série.

São 9 episódios já disponíveis na plataforma e o último será liberado no dia 27, encerrando a primeira temporada.


E aí, você participaria de um experimento do tipo?

Recomendo.

Teca Machado

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

A Princesa Guerreira - Resenha


Falar de um livro que a gente amou já é bom. Agora falar de um livro que a gente amou e que foi escrito por uma amiga é melhor ainda, né? É o caso de A Princesa Guerreira, da Naila Barboni Palú. Apesar das 600 páginas, eu devorei a história e quando não estava lendo ficava pensando em quando poderia chegar em casa para continuar a leitura. É bom desse tanto.

Foto @casosacasoselivros

A Princesa Guerreira é um livro de fantasia, ótimo para quem gosta de histórias de certa forma medievais que acontecem em outros universos. Lá somos apresentados à princesa Coco. Mas ela não é uma nobre comum: é também uma guerreira, capitão de um dos setores do exército do reino de Durga. Logo após o baile da sua maioridade, seu tio dá um golpe de estado, mata o rei e quer a todo custo fazer o mesmo com Coco. Com a ajuda da sua avó, Coco foge até o reino vizinho de Stesha, onde o príncipe herdeiro Darius promete ajudá-la a reconquistar o trono que é seu por direito. Mas essa tarefa pode ser mais difícil do que parece, já que o exército está dividido, a cabeça de Coco está a prêmio e há magia envolvida.

É sempre bom lermos histórias com protagonistas femininas fortes. E Coco é uma delas. Uma boa forma de descrevê-la é badass. Apesar de ser princesa e de ter crescido com todas regalias que o título prevê, ela se submeteu ao exército por vontade própria, cresceu com méritos e trata a todos do reino – sejam duques, sejam trabalhadores do castelo – da mesma maneira. Ela é a narradora, então vemos tudo o que acontece pelos seus olhos, o que nos ajuda ainda mais a entrar na história (e eu amo livros narrados em primeira pessoa. Acho que fica muito mais pessoal o enredo).

Foto: Arquivo pessoal
E o Darius, o que falar dessa delícia em formato de príncipe? Enquanto lia, perguntava para a Naila como que fazia para ter um desses para mim, haha. Ele é um ótimo personagem, do tipo que a gente se apaixona. Tudo bem que é o clichê de príncipe encantado, mas é um excelente clichê, todo cheio de sorrisos sedutores, cafajestagem e bondade, além de inteligência e lealdade.

Claro que apesar de ser um livro de aventura, tem romance no meio. Coco e Darius têm química e uma ligação muito forte. Coco demora a dar o braço a torcer e cair nos braços do príncipe. Eu mesma estava quase entrando no livro, dando umas sacudidas nela e dizendo “querida, se você não pegar logo, eu pego”. E a relação deles é linda e se desdobra de forma doce e apaixonante.

A Princesa Guerreira não focou apenas no casal protagonista. A autora criou personagens secundários muito incríveis. Coco tem um grupo de amigos do exército que é aquele pessoal de quem você quer ser amiga. Leais, engraçados, debochados e prontos para defenderem aquilo que acreditam, não importando se a vida deles está em risco. Destaque especial para Sebastian, o melhor amigos de Coco, e Kenan, extremamente leal à sua princesa e à sua amiga.

Apesar da quantidade de páginas, o ritmo do livro é muito bom. Não corre demais e também não é lento. Geralmente em obras tão grandes o miolo fica arrastado, mas não foi o caso. Em todos os momentos me vi presa na história e quando percebia já tinha lido 50, 100 páginas de uma só vez. O enredo é interessante, instigante e mesmo com vários elementos comuns ao gênero é diferente e muito bem escrito. Além de ter várias reviravoltas. As cenas de batalhas e lutas são muito boas. Não têm detalhes ao extremo e são fáceis de acompanhar.

Foto: @casosacasoselivros

A Princesa Guerreira é uma aventura que nos leva a mundos incríveis, magia, relacionamentos profundos de amizade e amor e nos traz muitos sentimentos com o passar da leitura.

O livro é publicação independente, então se você se interessou, pode comprar o exemplar digital pela Amazon ou o físico com a própria Naila. E a autora nos presenteou com dois contos, que se passam após o livro, chamados Herdeiros e Kenan e Brian. Curtinhos e fofos, dão aquele gostinho de quero mais.


Recomendo muito.

Teca Machado

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

The Good Place – Episódio final


Quem me conhece sabe: Eu sou simplesmente apaixonada por The Good Place (Falei sobre a série aqui). E depois de 4 temporadas ela chegou ao fim algumas semanas atrás. Como eu estava com dó de terminar e me despedir, enrolei para assistir ao último capítulo. Mas não teve jeito. Finalizei na semana passada e posso dizer que estou deitada na BR atropelada por inúmeras emoções.


The Good Place é criação de Michael Schur, também conhecido por Brooklyn 99, Parks and Recreation e The Office. A série é uma comédia que explora a vida após a morte de maneira leve, mas se mostrou produção que debate ética, filosofia, bondade, luto e uma infinidade de outros assuntos sérios, sempre tratados com bom-humor, referências ao mundo pop, uma pitada de nonsense e bastante acidez. Foi ousada, original, cheia de reviravoltas e ao mesmo tempo que parte seu coração também o deixa quentinho.

A primeira temporada foi excelente, a segunda muito boa, a terceira foi boa, mas inferior se comparada às anteriores e a quarta ótima, fechando com chave de ouro. Mesmo com poucos episódios – 13 por temporada – e curtos – cerca de 20 minutos – o enredo final foi criativo, interessante e muito coerente com tudo o que aconteceu e com o que a série representa, principalmente nos últimos quatro episódios, com destaque para o final.


Nossos personagens principais tiveram fins felizes, mas agridoces, como Kristen Bell já tinha dito antes da série chegar ao fim. Spoiler adiante, então, cuidado!

Depois de salvar a humanidade do sofrimento eterno e da aniquilação, o quarteto Eleanor (Kristen Bell), Chidi (William Jackson Harper), Tahani (Jameela Jamil) e Jason (Manny Jacinto), juntamente com Michael (Ted Danson) e Janet (D’Arcy Carden) finalmente vai para o Lugar Bom. E passam centenas de milhares de anos em plena felicidade. Mas quando se sentem completos, sem nada mais a realizar, passam pelo portal que devolve a essência da pessoa ao universo de forma pacífica e calma. 


O mais interessante é que o primeiro a tomar a decisão foi o maluco Jason, que se certa forma se tornou um monge, seguido pelo indeciso Chidi, dessa vez muito certo das suas convicções. Eleanor teve um arco muito interessante porque antes de passar pelo portal ajuda outras pessoas – algo que vai contra tudo o que ela era na Terra e mesmo durante um tempo no pós-vida. A série mostra que existe redenção e que mesmo o mais egoísta pode se transformar. Janet por não ser humana, continua seu trabalho no Lugar Bom, ao passo de Tahani decide se transformar em Arquiteta e ajudar outras pessoas. Mas o melhor final foi o de Michael. O Arquiteto/demônio sempre teve uma fascinação pela humanidade, mas nunca pôde experimentar viver. Até os últimos momentos, em que ele é transformado em humano e enviado à Terra (e nesse momento lágrimas de emoção e felicidade rolam pelo nosso rosto). 



No fim das contas, o mote de The Good Place sempre foi a bondade e como ela muda o mundo. E isso ficou subentendido nos minutos finais. Após Eleanor, extremamente em paz, ser desintegrada, uma de suas partículas que foi devolvida ao universo toca um rapaz que ao jogar fora uma carta endereçada a outra pessoa, mas tinha sido colocada em sua caixa de correio, decide mudar de ideia e entregar para ao destinatário certo, que é Michael. Animadíssimo, o recém-humano que agradece efusivamente a boa ação. Isso mostra que a partícula de bondade tem efeitos eternos e faz do mundo um lugar melhor.


E apesar do meu coração ter se partido, ao mesmo tempo foi acalentado com um final tão sereno, terno, delicado e coerente com todas as quatro temporadas. Quase impossível não chorar ou pelo menos não ficar com um nó gigante na garganta.

E, sim, como eles sempre disseram: “everything is fine”.


Se você não assistiu ainda The Good Place, faça um favor a si mesmo e vá correndo maratonar a quatro temporadas na Netflix.

Recomendo demais.

Teca Machado


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

P.S. Ainda Amo Você – Sequência de Para Todos Os Garotos Que Já Amei: Crítica do filme


Impossível ler/assistir P.S. Ainda Amo Você, segundo livro/filme da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei e não ficar dividido entre Peter K. e John Ambrose. Sei que eu fiquei no livro e fiquei mais uma vez no filme da Netflix, que está no catálogo desde o último dia 12 de fevereiro. A produção, do diretor Michael Fimognari, é fofa. Mas só isso. Perdeu um pouco da doçura e encanto do primeiro filme e foi muito apressada em relação ao clímax.


Em Para Todos Os Garotos Que Já Amei, Lara Jean (Lana Condor), uma romântica inveterada, viu sua vida virar de ponta cabeça quando sua irmã Kitty (Anna Cathcart) envia as cartas de amor que escreveu anos antes para cinco garotos para quem foi apaixonada. Agora em P.S. Ainda Amo Você, Lara Jean está feliz e namorando com Peter K. (Noah Centineo), mas o último garoto a quem escreveu responde: John Ambrose (Jordan Fisher). Insegura sobre o seu relacionamento com Peter, de quem é tão diferente, e reencontrando um amor de infância que tem gostos tão parecidos com os seus, a garota vive um triângulo amoroso.

Quem leu o livro percebe o quanto o filme perdeu em relação ao original. Além de ser diferente em vários aspectos – a começar com o reencontro de Lara Jean e John Ambrose. A obra de Jenny Han P.S. Ainda Amo Você mantém a mesma fofice de Para Todos Os Garotos Que Já Amei e amarra bem todos os acontecimentos. O filme, infelizmente, foi inferior ao anterior e ao livro. O roteiro correu muito e ficou difícil se conectar até mesmo com Lara Jean, que parece mais inocente e insegura que o normal. Peter K. não age tão babaca quanto no livro, apesar de aparentar indiferença em vários momentos e a briga do casal parece boba e apenas uma desculpa para que Lara Jean possa se interessar por outra pessoa. A relação dela com John Ambrose que é tão linda no livro perdeu muito, assim como a amizade com Stormy (Holland Taylor). A percepção da protagonista de sobre quem é o seu grande amor é apressada e sem tanta reflexão. Até mesmo a narrativa do pai dela (John Corbett) se apaixonando pela vizinha (Sarayu Blue) foi apressada e perdeu o charme.




Talvez por o roteiro ter apostado mais em querer fazer humor, no estilo comédia romântica clichê, tirou o foco do que realmente importava: as relações de Lara Jean com aqueles à sua volta. Kitty continua o alívio cômico dos filmes e é sempre uma delícia/irritação quando aparece. A gente tem vontade de matar, ao mesmo tempo que quer cuidar dessa criatura.

O elenco é um ponto muito positivo nessa franquia. Lana Condor é a perfeita Lara Jean, assim como Noah Centineo é a personificação de Peter K. Só acho que com o tempo que passou do primeiro filme Noah ficou com cara de homem já, enquanto Lana continua parecendo uma adolescente. Minha mãe estava ao meu lado enquanto eu assistia e disse que ela parecia uma criança. A excelente adição ao grupo foi Jordan Fisher. No primeiro filme teve uma cena pós-créditos em que John Ambrose aparecia e era um ator loiro com cara de almofadinha bom moço (e pelo livro era como eu imaginava o personagem), mas que bom que mudaram para Jordan Fisher. Juro que quando ele sorri a gente sorri junto. Carismático, lindo e educado, dá para entender o motivo de Lara Jean ter ficado tão dividida.



Esse foi o primeiro longa de Michael Fimognari como diretor. E talvez seja por isso que o filme perdeu em relação ao primeiro. Ele é conhecido no meio cinematográfico por ser diretor de fotografia, inclusive foi o responsável por esse filme, pelo anterior e por produções como Dr. Sono, A Maldição da Residência Hill, Antes Que Eu Vá e outros. É engraçado olhar a lista do que já fez e perceber que trabalhou na fotografia majoritariamente de produções de terror, mas ter esse olhar doce que Para Todos Os Garotos Que Já Amei pede. E disso não podemos reclamar: P.S. Ainda Amo Você continua visualmente lindo.


Recomendo o filme para quem assistiu ao primeiro e para aqueles que gostam de comédias românticas adolescentes.

Teca Machado


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa - Crítica


Você percebe que um filme de ação tem as mãos de uma mulher quando no meio de uma sequência de luta uma personagem oferece à outra um elástico de cabelo. E há essa cena em Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa, da diretora Cathy Yan, nos cinemas desde o último final de semana.


Na verdade, a produção como um todo foi pensada com uma pegada mais feminista – ou mesmo feminina. É só termos como exemplo o próprio título: A emancipação de Arlequina. No enredo, a protagonista, vivida por Margot Robbie, e o seu “pudinzinho”, também conhecido como Coringa, terminaram seu relacionamento. Ela quer se livrar da fossa, do sentimento de ter sido largada (ainda que aquela seja uma relação totalmente tóxica e problemática), e assim se emancipar e ser dona do próprio nariz. O problema é que enquanto estava com o Coringa, Arlequina colecionou inimigos, pois fazia o que queria sem consequências, já que tinha a proteção de um dos maiores vilões de Gotham. Agora precisa sobreviver a todos. Enquanto isso, ela se junta a policial Renee Montoya (Rosie Perez), a Canário (Jurnee Smollett-Beel) e Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) para ajudar Cassandra Cain (Ella Jay Basco).

Um dos pontos mais bacanas desse filme, que é uma espécie de spin-off de Esquadrão Suicida, de 2016, é mostrar uma nova versão de Arlequina. Enquanto no primeiro ela era uma mulher que mudou tudo em si para agradar o Coringa e foi extremamente sexualizada, agora a personagem se liberta, se encontra e reescreve o próprio destino, tudo isso ao lado de outras anti-heroínas fortes, poderosas e totalmente badass.



Para conseguir esse feito, Margot Robbie, que além de protagonizar é uma das produtoras, lutou para que tudo fosse muito diferente do que foi visto em Esquadrão Suicida. Sua intenção era que a personagem não fosse mais vista como um objeto de desejo, por isso a atriz exigiu do estúdio que toda equipe fosse feminina, com diretora, produtora, figurinista e trilha sonora cantada apenas por mulheres. Além disso, doou parte de seu dinheiro como produtora para que o filme pudesse acontecer. E valeu a pena.

Aves de Rapina é um filme muitíssimo divertido, despretensioso e ousado. O público não chega a gargalhar, mas ri e dá vários sorrisos. Ao contrário do que estamos acostumados a ver em Gotham – sempre sombria, escura, lúgubre, triste -, aqui conhecemos o lado leste da cidade, com mais cor, brilho e vida. A direção de arte e fotografia merece destaque, principalmente em cenas de luta. Quando Arlequina chega atirando com balas de confete, glitter e fumaça colorida é um deleite para os olhos (assim como o figurino amalucado da protagonista).



Margot Robbie tem um carisma enorme se esbalda como Arlequina, parece se divertir a cada momento e a produção tem a personalidade dela. A personagem ao mesmo tempo que é infantilizada e avoada, tem uns lapsos de brilhantismo e coerência. Várias críticas negativas disseram que o ritmo acelerado e com falta de foco da protagonista era um ponto negativo, mas eu vi como positivo. E todo o elenco, principalmente o feminino, foi bem escolhido. Rosie Perez, Jurnee Smollett-Beel, Mary Elizabeth Winstead e Ella Jay Basco vivem personagens completamente diferentes, mas juntas têm química, sororidade e exalam ar de amizade, juntamente com Robbie. Ewan McGregor vive o vilão, de forma caricata, mas que funciona com a pegada do filme.

A cenas de luta foram muito bem coreografadas e fazem todo sentido. As mulheres usam suas características físicas, como serem mais leves e ágeis, a seu favor. Usam o peso do próprio homem como alavanca, por exemplo. Quem coordenou todas as sequências do tipo foi Chad Stahelski, diretor da franquia John Wick, por isso há tantas cenas de lutas fantásticas.



Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa é irreverente, divertido e colorido. Vale muito a ida ao cinema.

Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Comentários do Oscar 2020


Como todas as vezes nos últimos anos, na noite passada, durante a transmissão do Oscar, fiz comentários no meu Facebook e trouxe para vocês.

Apesar de não ter conseguido trazer a crítica de todos os concorrentes a Melhor Filme, assisti a todos e vi a cerimônia todinha.

Vamos lá?

Oscar 2020

1- Janelle Monáe fez o número de abertura, com participação de Billy Porter. Foi divertido, colorido e englobou um pouco de cada um dos concorrentes a Melhor Filme. Ótimo começo!
2- Um ponto legal é que ela falou da força das mulheres, e ainda mais ela própria: mulher, negra e queer.

Janelle Monáe e Billy Porter

3- Apesar de mais uma vez a noite não ter anfitrião, Steve Martin e Chris Rock fizeram o discurso de abertura. Tiveram umas piadas boas e falaram mais uma vez sobre o “Oscar so white”, quase sem concorrentes negros e asiáticos – a não ser Parasita – nas categorias principais.
4- Primeiro Oscar da noite: Brad Pitt, como Melhor Ator Coadjuvante, por Era Uma Vez... Em Hollywood.
5- Amo Brad Pitt e acho ótimo ator, mas entre a galera que estava concorrendo com ele (Tom Hanks, Al Pacino, Anthony Hopkins...), não era o melhor. Desculpa, Brad.
6- Zero surpresa que Toy Story 4 ganhou por Melhor Animação.
7- Melhor Curta de Animação quem ganhou foi Hair Love, uma das coisas MAIS LINDAS e delicadas que vi. Você pode assistir essa coisa fofíssima aqui.

Cena de Hair Love, que ganhou como Melhor Curta de Animação

8- Claro que Josh Gad ia zoar o John Travolta por ter falado o nome da Idina Menzel errado e ele certo.
9- E por falar nela, apresentou Into The Unknow com nove “Elsas” de várias partes do mundo. Muito legal! Só uma pena que não tinha representantes nem da América do Sul, nem da África.
10- Keanu Reeves tem a mesma cara há uns 20 anos. Como consegue? E é tão simpático e fofo. E ainda levou a mãe como acompanhante na premiação. Não é à toa que a internet é doida por ele.
11- Parasita ganhou por Melhor Roteiro Original! Gostei! Feliz que entre candidatos norte-americanos ele levou.
12- Eu amei Jojo Rabbit e fiquei feliz que levou de Melhor Roteiro Adaptado.
13- Shia LaBeouf apresentando um prêmio? Estou admirada, até onde eu saiba ele é persona non-grata em Hollywood.
14- O ator Zack Gottstagen entrou para a história. Foi o primeiro apresentador com Síndrome de Down a entregar um prêmio. Estava ao lado de LaBeouf, com quem contracenou no filme The Peanut Butter Falcon. Mas estão criticando que LaBeouf não teve paciência no palco com Zack.

Shia LaBeouf e Zack Gottstagen

15- Oscar da Design de Produção foi para Era Uma Vez... Em Hollywood, que está realmente muito bonito.
16- Adoráveis Mulheres levou o Oscar de Melhor Figurino. Zero surpresa. As roupas são lindas!
17- A abertura para falar sobre Melhor Documentário foi bem interessante e bonita.
18- É, não foi a vez do Brasil de novo. Democracia Em Vertigem não ganhou. Mas parece que esse American Factory, que levou o prêmio, é muito bom.
19- Quero assistir Learning To Skateboard In a Warzone (If You Are a Girl), que ganhou de Melhor Documentário Curta-Metragem. Esse título é maravilhoso e o discurso da diretora também!
20- Laura Dern ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante. Não assisti aos filmes de todas as outras concorrentes, mas ela realmente arrasou em História de Um Casamento.
21- Como uma fã fervorosa de trilhas sonoras, amei o clipe sobre músicas de filmes. Só não entendi porquê levaram o Eminem para se apresentar. Beleza ele ganhou Oscar com essa canção, mas qual o motivo de ele estar lá esse ano? Aparentemente até a galera da plateia não entendeu nada – e nem a internet.

Eminem cantou Lose Yourself

E Martin Scorsese aproveitou para tirar um cochilinho.

22- Acabei de descobrir que em 2003, quando o Eminem ganhou o Oscar por Lose Yourself, ele não foi. Não se apresentou e nem recebeu em mãos o prêmio. Esse ano ele finalmente foi.
23- Salma Hayek já foi indicada, mas nunca ganhou o prêmio. Ao apresentar uma categoria ao lado de Oscar Isaac pegou o braço dele e disse: “Eu posso agora oficialmente dizer que eu segurei um Oscar nesse palco". Ao que ele respondeu “Agora o Oscar não está tão branco”.

Salma e Oscar

24- Ford Vs. Ferrari ganhou por Melhor Edição de Som. Vocês assistiram? O filme é muito bom!
25- 1917 ganhou seu primeiro Oscar: Melhor Mixagem de Som.
26- Não sei vocês, mas eu odeio com força o Will Ferrell. Quem o chamou para apresentar um prêmio?
27- Melhor Fotografia também não foi surpresa: 1917. O filme ganhou nessa categoria em várias premiações.
28- Ford Vs. Ferrari ganhou mais uma categoria técnica: Melhor Edição.
29- Em dezembro o Museu do Cinema abre em Los Angeles. Será que eu vou querer ir? Será?
30- Chyntia Erivo, concorrendo como Melhor Atriz e Melhor Canção Original, fez uma apresentação muito bonita de Stand Up, do filme Harriet.
31- Amei Rebel Wilson e o James Corden vestidos de Cats zoando o filme e falando que sabem a importância dos efeitos especiais. Hahaha.

James Corden e Rebel Wilson, que participaram de Cats, que foi muitíssimo criticado, principalmente pelos efeitos especiais

32- Chocada que 1917 ganhou Melhores Efeitos Especiais, sendo que concorreu com O Rei Leão, Vingadores Ultimato e Star Wars. Não que não fosse bom, é excelente, mas ganhar de O Rei Leão, que criaram uma tecnologia nova e ficou tão real que me incomodou os bichos falando? Não fez sentido.
33- O Escândalo levou por Melhor Maquiagem. Fofo que os ganhadores estão agradecendo especialmente a Charlize Theron - protagonista do filme, que transformada para viver o papel.
34- Parasita ganhou como Melhor Filme Estrangeiro, obviamente. E o diretor Bong Jong Ho disse estar feliz que a categoria mudou de nome: Melhor Filme Internacional.
35- Elton John no palco cantando I’m Gonna Love Me Again. Fiquei bem triste que nem Rocketman nem o Taron Egerton foram indicados.
36- Três maravilhosas no palco: Gal Gadot, Brie Larson e Sigourney Weaver. Falaram sobre o poder da mulher e como todas são super-heroínas. Apresentaram a primeira maestro a conduzir a orquestra do Oscar.

Três heroínas: Brie Larsson, Sigourney Weaver e Gal Gadot

37- E, coincidentemente ou não, quem ganhou foi a responsável por Coringa. A profissional ficou tão feliz por ter ganhado que deu gosto de ver! Destacou que mulheres, garotas, mães, filhas, devem produzir, fazer, se fazerem ouvir.
38- I’m Gonna Love Me Again, de Elton John ganhou como Melhor Canção. Fiquei muito feliz! Elton e Bernie no palco juntos é um deleite para quem assistiu ao filme e sabe da relação dos dois. ❤️
39- Bong Joon Ho, de Parasita, ganhou como Melhor Diretor. Ele nem conseguiu acreditar. Ele dedicou a Martin Scorcese, também concorrente, e quem ele admira e estudava na época de faculdade.
40- Kobe Bryant foi o primeiro a ser lembrado na seção In Memoriam. Para quem não sabe, ele ganhou o Oscar de Melhor Curta-metragem de Animação em 2018, com Dear Basketball.
41- Joaquin Phoenix ganhou como Melhor Ator, por Coringa, como era esperado. E fez um discurso incrível sobre direto dos animais e injustiças, sobre como o ser humano pode ser melhor e sobre ele ter tido uma segunda chance em Hollywood. Você pode ver o discurso completo aqui.

Joaquin Phoenix recebendo o Oscar como Melhor Ator por Coringa

42- Renée Zellweger, seguindo o fluxo das apostas, levou Oscar como Melhor Atriz, por Judy. Quero muito assistir.
43- Jane Fonda, toda maravilhosa no palco, para entregar o principal prêmio da noite. Não canso de admirar essa mulher maravilhosa que é presa quase toda semana por causa de participação em protestos a favor do meio ambiente. 
44- Chocando a todos, Parasita levou para casa o prêmio de Melhor Filme. Ninguém da equipe acreditava. Foi a primeira vez que um filme de língua não inglesa ou produção não americana ganhou na categoria.
45- A carinha de Bong Joon Ho olhando o próprio Oscar é a coisa mais bonitinha que você vai ver hoje.


E esse sorriso e cara de "não acredito que é meu?" do Bong Joon Ho?

46- No meio do discurso dos produtores de Parasita, as luzes começaram a apagar e a música a tocar, indicando que o tempo dele acabou, mas a plateia começou a gritar e pedir que deixassem a equipe terminar de falar. Foi lindo!
47- A academia fez uma mudança nos votantes do Oscar nos últimos dois anos, o que explica essa mudança de rumo nos indicados e ganhadores. Senti o Oscar levemente mais inclusivo. Mas só levemente. Ainda tem um longo caminho a trilhar.

Eu gostei bastante de Parasita, mas não tanto para ganhar o principal prêmio. Achei diferente, interessante e com bons plot twists. Mas acreditei que quem ganharia era 1917, que é uma obra de arte cinematográfica. Apesar de tudo, minha torcida estava para Jojo Rabbit.


E você, assistiu aos filmes? O que achou dos vencedores?

Veja a lista completa dos vencedores aqui.

Ano que vem tem mais comentários do Oscar!

Teca Machado

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Jojo Rabbit - Crítica


Entre os concorrentes do Oscar 2020 na categoria Melhor Filme, com certeza o menos falado é Jojo Rabbit, do diretor Taika Waititi. O que é uma pena, porque ele com certeza é o meu preferido entre os participantes. A produção, baseada no livro Caging Skies, de Christine Leunens, é um tanto difícil de definir, mas com certeza é extremamente importante, irreverente e diferente dos outros candidatos. É uma crítica satírica ao nazismo que aquece o seu coração ao mesmo tempo que o destroça.


O filme se passa no último ano da II Guerra Mundial. Ali somos apresentados a Johannes Betzler (Roman Griffin Davis), mais conhecido como Jojo Rabbit, um menino alemão com 10 anos que como a maioria das crianças alemãs da época participa da juventude hitlerista. Ele leva política a sério e idolatra Hitler, tanto que o Führer é o seu amigo imaginário (interpretado maravilhosamente pelo próprio Waititi). Jojo acredita que judeus são monstros com chifres, que dormem de ponta-cabeça como morcegos e que hipnotizam e entram nos cérebros dos alemães. Por isso a sua surpresa quando descobre que Rosie, sua mãe (Scarlett Johansson), está escondendo uma menina judia em casa. O garoto fica num dilema: entregar Elsa (Thomasin McKenzie) para a gestapo e correr o risco de ele e sua mãe serem presos (ou mortos) ou ficar em silêncio fingindo que não sabe de nada com medo de a maléfica judia fazer algo contra ele?

Apesar do tema dramático – e do tom que ele toma principalmente no terço final – Jojo Rabbit é um filme de comédia. Não, falar que é comédia não exemplifica o que é a produção. É quase como se A Menina Que Roubava Livros fosse um filme satírico e leve. Não é de fazer gargalhar, mas em vários momentos me peguei sorrindo. E eu definitivamente ri em vários momentos com a persona totalmente apatetada e burra de Hittler fruto da imaginação de uma criança. E não só o Führer é satirizado. Toda a equipe nazista que cuida da cidade é um tanto tonta e completamente satirizada. Sam Rockwell, Rebel Wilson e Alfie Allen estão ótimos – como já era de se esperar - e levam o nazismo a outro nível. Apesar desse tom bem-humorado, o roteiro, que é do próprio Waitiki, não pesa a mão na comicidade, que acontece apenas nos momentos certos.




O elenco é muitíssimo bem afiado. Roman Griffin Davis, apesar de apenas 12 anos, tem um timming excelente, um sorriso carismático, um olhar inocente e uma paixão avassaladora pelo que acredita. A transformação pela qual seu personagem passa é imensa e o ator mirim soube carregar muito bem esse peso. Tanto que foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator. Outra integrante do elenco jovem é Thomasin McKenzie, que não pode ser descrita com outra palavra além de maravilhosa. Alguns críticos disseram que apesar de Johansson estar incrível, McKenzie deveria ter sido indicada. E por falar em Johansson, Rosie é espetacular. Cuida sozinha de Jojo, está sempre bem-humorada apesar de todos os pesares da vida, seu sorriso é constante e tem uma visão lúdica da vida que lembra um pouco Guido (Roberto Benigni), de A Vida é Bela. E além de tudo ela representa a resistência alemã, aqueles que de alguma forma se opuseram ao nazismo. E é impossível não falar de Waititi como Hitler. Sempre que está em tela é um divertimento. Em entrevista ele afirmou que sempre que dirigia Davis o fazia vestido como o personagem. Lendo sobre a produção, vi que o diretor é parte judeu e quando questionado de porque interpretaria o homem que foi responsável pelo massacre do seu povo, sua resposta foi “quer melhor f***-se ao cara do que esse?”. 

A fotografia de Jojo Rabbit é lindíssima. Quem imaginaria que a Alemanha nazista, com a guerra acontecendo a todo vapor seria tão colorida e alegre? E na verdade era. Waititi pesquisou e descobriu que o país estava sempre festivo, como no filme, para evocar uma sensação de celebração e vitória no povo, mesmo que estivesse perdendo a guerra.




Waititi, que é mais conhecido por ter dirigido Thor: Ragnarok, era o diretor – e roteirista - para Jojo Rabbit. Seu olhar apurado, sensível, cômico e ao mesmo tempo inocente deu ao filme alma. Numa crítica no IMDb, o usuário diz que o diretor sabe quando fazer piada nas ações e crenças nazistas e quando deixar que os horrores da II Guerra Mundial batam profundo no público. Foi exatamente o que eu senti.

Apesar de a guerra ter acontecido há tantas décadas, Jojo Rabbit tem uma mensagem política muito importante para os dias atuais. Ele é um paralelo com o presente, já que fala sobre casos de xenofobia, adoração de líderes políticos – de ambos os lados, viu? -, de supremacia das forças armadas e de preconceitos. Trata-se de um lembrete do que não podemos deixar acontecer outra vez. É o filme de guerra mais diferente que já assisti.


Prepare o seu coração, porque é uma viagem incrível.

Além de Melhor Filme, Jojo Rabbit está concorrendo ao Oscar nas categorias: Melhor Atriz Coadjuvante (Scarlett Johansson), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Figurino, Melhor Design de Produção e Melhor Montagem.

Recomendo muito.