quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Dia Nacional do Livro


Você sabia que ontem, dia 29, foi o Dia Nacional do Livro?

E eu amo tanto essas histórias incríveis que decidi que tentaria levar para outras pessoas os sentimentos maravilhosos que tenho ao ler uma obra que mexe comigo.

Por isso me joguei no mundo da literatura e me tornei escritora, além de ser uma leitora compulsiva.

Já tenho publicado as comédias românticas I Love New York e Je T’aime, Paris, além do conto Conversas Literárias na antologia Blogueiras.com e o livro infantil A Revolução da Rapunzel, como parte do projeto A Revolução das Princesas, da Plan International.

Foto @casosacasoselivros



Estou produzindo Te Quiero, Madrid, terceiro livro da série de cidades, e um outro projeto que ainda não posso divulgar.

Conheça um pouco mais de cada um:

I Love New York

Alice cresceu apaixonada por Nova York. Mas sempre que tentava ir à Big Apple acontecia algo para atrapalhar seus planos. Quando um vídeo na internet fez com que ela virasse a piada de sua cidade e também do país, largou tudo e finalmente foi para Manhattan passar um tempo e tentar ser “esquecida por todos”. Estudando numa universidade americana, com novos amigos, um lindo namorado e um apartamento de cair o queixo, Alice pensou que tinha deixado o passado um tanto comprometedor para trás. Só que não foi bem assim que aconteceu. Ela não era mais anônima nem mesmo na nova cidade".

Je T’aime, Paris

Com um pai milionário encrencado com a Justiça e seus bens bloqueados, Ana Helena precisa aprender a viver com poucos recursos e decide se refugiar em Paris. Peraí! Como viver com pouco dinheiro em Paris? Não tem jeito! Arles acaba sendo a alternativa mais modesta. Mas a tranquilidade dessa pacata, porém charmosa, cidade do interior da França logo dá lugar a um turbilhão de acontecimentos envolvendo um novo amor, obras de arte importantes e homens tão ambiciosos que farão de tudo para colocar as mãos no que desejam.

A grande aventura leva Ana Helena de volta a Paris, com perseguições alucinadas, romance, estratégia, muita ação, drama e reviravoltas.

O que você faria para salvar um grande amor e alguns milhões de euros?

Blogueiras.com

Oito histórias. Oito protagonistas. Uma paixão em comum: blogar!
Nas páginas desse livro, você conhecerá oito garotas diferentes com um sonho em comum. Seja falando de livros, música, comportamento ou viagem, tudo o que elas querem é compartilhar interesses e fazer novos amigos. No caminho, contudo, elas descobrirão que a blogosfera tem muito mais a oferecer. Embarque com elas nessa aventura e viva o sonho intensamente. Bárbara, Amanda, Mafalda, Valentina, Lilia, Helena, Aline e Clara vão te surpreender.

A Revolução da Rapunzel

“Príncipes são sempre os heróis.” “Princesas nunca fazem nada, são frágeis e fracas.” Essas são frases de meninas e meninos na faixa dos sete anos e suas percepções refletem o que crescem ouvindo. Já era hora de atualizar essas histórias que pararam no tempo, trazendo uma perspectiva mais inclusiva para as crianças.

A convite da Plan International Brasil, escritoras e ilustradoras recriaram as histórias de Ariel, Bela Adormecida, Rapunzel e Cinderela com o objetivo de inspirar meninas a serem as heroínas de suas vidas. Nessas versões modernas, as princesas não são nada indefesas. São heroínas fortes e corajosas que montam em seus cavalos, lutam contra bruxas e dragões e salvam príncipes, que também precisam de ajuda. 

***



Se interessou por algum? Você pode comprar as versões digitais aqui ou as físicas comigo. É só dar um alô no meu instagram: @tecamachado e @casosacasoselivros.

Para comemorar o Dia Nacional do Livro, que tal me contar qual é o seu preferido ou aquele que te fez gostar de ler?

Teca Machado

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Heróis em action figures


E se o Homem de Ferro e o Capitão América tocassem música juntos? E se os personagens de Star Wars apostassem corrida? E se o Pantera Negra brincasse com cachorros fofos?

Bom, o fotógrafo japonês Hot.kenobi pensou isso e muito mais. E para fazer imagens dos seus super-heróis preferidos em meio a histórias alternativas, ele usou vários bonecos – action figures - de personagens que todos nós conhecemos e amamos.

O resultado? Super divertido! Vem ver:
















Você pode ver muitas outras criações do fotógrafo no seu instagram @hot.kenobi.

Vi no Bored Panda.

Teca Machado

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Romance Concreto - Resenha


Um chiuaua filhote muito doido, uma blogueira em decadência, uma loja de quinquilharias em demolição e um pedreiro bonitão. Quem pensaria que essa mistura daria um ótimo livro? Bom, a Aimee Oliveira pensou. E, realmente, Romance Concreto, sua obra lançada de forma independente na Amazon esse ano, é uma delícia de acompanhar.

Foto @casosacasoselivros

Nossa protagonista é Olivia Liveretti. A influencer digital de 19 anos já viu dias melhores. Era uma blogueira com mais de 2 milhões de seguidores e muito bem quista, até que deu um piti, o vídeo viralizou e sua credibilidade foi ao chão. Para piorar tudo, brigou com os pais, saiu de casa e está se virando sozinha. Até comprou um cachorro, o Django, para mostrar que é independente. Mas o que já estava abalado fica pior ainda quando descobre que a Kinki, a loja que foi uma das responsáveis por sua ascensão na internet, está sendo demolida. E ela, obviamente, vai tirar satisfação com um dos encarregados da obra.

De cara percebemos que Olivia é insuportável. Mas é muito claro que o livro é uma jornada de transformação da personagem, que vai descobrindo outros lados de si mesma, da fama e de pessoas com as quais nunca pensou se relacionar. Então a Olivia que nós conhecemos no começo da história vai sendo desfeita camada por camada, por mais que isso doa.

Foto: Arquivo pessoal da autora
E Jonas. Ah, Jonas! A Aimee criou aquele mocinho que a gente suspira e se apaixona. Queria dizer que na minha mente ele é tão lindo que até dói, haha. Bom moço, família, esforçado, inteligente... a lista é longa. E o relacionamento dele e de Olivia começa no melhor estilo cão e gato, com farpas trocadas e muito humor ácido por parte dos dois. Tem muita química rolando ali e a gente se diverte acompanhando. E além do casal protagonista, temos personagens secundários muito bons, a começar por Django, esse cachorro maravilhoso. Assim como Thaissa, amiga deles, a madame Adelaide e outros.

A escrita da Aimee Oliveira é muito gostosa. A obra é um chick lit, um dos gêneros que eu mais gosto (inclusive é o que eu escrevo). É leve, bem-humorado, muito divertido. É possível se pegar sorrindo para o livro várias vezes durante a leitura e até mesmo dando risadas em alguns trechos. No fim da leitura, o nosso coração fica quentinho, no melhor estilo de comédias românticas. 

Claro que Romance Concreto, como o próprio título já diz, é um romance. Mas ainda assim a autora fala de outras coisas e mostra a importância de viver também no mundo real, não apenas na internet. Olivia, que antes só dava valor para curtidas e seguidores, percebe que a vida é muito mais interessante do que ficar preocupada com as redes sociais e que nem tudo o que as pessoas mostram lá é realmente a realidade.

Romance Concreto é uma dica de leitura fofa, que vai te deixar com os olhos em formato de coração no final e que você vai ler rapidinho, tão cativante e envolvente a história é.


Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Playlists literárias


Música é um ótimo complemento para a literatura.

A criação de playlists para livros tem sido uma tendência entre autores.

Crédito: Pixabay

Mas se você, como eu, não consegue ler com música e acaba torcendo o nariz para essas listas de canções, não se preocupe. Você não necessariamente precisa escutar enquanto lê o livro. Pode deixar essa atividade para depois, como eu faço.

A ideia das playlists literárias é que as músicas conversem com o enredo, tanto nos ritmos quanto com as letras. 

Há ainda escritores que não só desenvolvem playlists com músicas já existentes, mas que as escrevem, cantam e gravam. Esse é o caso de obras em que a musicalidade é um dos temas centrais. Quem fez isso com maestria foi Mitch Albom no livro As Cordas Mágicas. O enredo gira em torno de Frankie Presto, um músico excepcional que fez sucesso mundial, então para deixar a obra ainda mais interessante, Albom entrou em contato com cantores profissionais que performaram as canções. Colleen Hoover fez o mesmo em Talvez Um Dia, no qual o cantor Grifin Petterson gravou as músicas escritas por Rigde, um dos protagonistas.

Para escutar essas duas maravilhosidades é só procurar no Spotify ou Youtube por The Magic Strings of Frankie Presto, para as músicas de As Cordas Mágicas, e Maybe Someday, para de Talvez Um Dia.

Muitos autores fazem listas não necessariamente com músicas que façam referência à história, mas que também foram suas inspirações enquanto escreviam. Essa é uma forma legal de o leitor poder sentir as mesmas emoções que ele teve ao escrever.

Veja alguns exemplos de livros com playlists:

Raio de Sol – Kim Holden
P.S.: Ainda Amo Você – Jenny Han
O Segredo de Ella e Micha – Jessica Soresen
Entre o Agora e o Nunca - J.A. Redmerski
Métrica – Coleen Hoover
A Playlist de Hayden - Michelle Falkoff
Blogueira.com – Antologia de contos brasileiros, da qual eu faço parte.

A TAG – Experiências Literárias, a Turista Literário, a Intrínsecos e outras caixas de assinatura de livros criam playlists para cada uma das obras que enviam mensalmente.


Qual sua playlist literária preferida? Quais outras você me indica?

Teca Machado


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

The Risk – O dilema de Brenna e Jake - Resenha


Sempre ouvi falar da série Amores Improváveis da Elle Kennedy, mas nunca tinha lido nada dela. Então a Editora Paralela, selo do grupo Companhia das Letras, me enviou um exemplar de The Chase – A busca de Summer e Fitz (leia a resenha aqui). Ele é o primeiro volume do spin-off da saga, chamado Briar U, que passa no mesmo universo e com personagens que conhecem os protagonistas anteriores. Amei The Case, mas posso dizer que amei ainda mais o segundo livro, chamado The Risk – O dilema de Brenna e Jake, que recebi da editora pelo Time de Leitores.

Fotos @casosacasoselivros

Em The Risk acompanhamos Brenna e Jake. Ambos já tinham aparecido no volume anterior, mas apenas agora têm a sua história desenvolvida. Brenna é melhor amiga de Summer e filha do treinador de hóquei do time da universidade de Briar U. Jake é a estrela do time de Harvard. Até mesmo já foi selecionado para jogar profissionalmente assim que os estudos terminarem. Eles são, basicamente, inimigos. Mas Brenna precisa de Jake. Para conseguir um estágio no machista campo jornalístico de esportes, pede que Jake seja seu namorado falso. Mas para cada vez que precisar interpretar o papel, ele quer um encontro de verdade depois.

Brenna é uma protagonista maravilhosa, totalmente badass. Já a conhecíamos e sabíamos que ela era incrível. Ela é considerada má, mas na verdade tem um coração mole. Dizem isso só porque ela é sarcástica, durona e não leva desaforo para casa. E Jake é confiante, engraçado, determinado e deliciosamente sexy e lindo. Teria tudo para ser arrogante, afinal, ele é tudo de bom e mais um pouco, mas é um cara tranquilo, que faz tudo pelas pessoas que gosta e que é provocador e muito divertido.

Os embates do casal principal são sempre ótimos, principalmente na fase em que ainda não estão se pegando. Eles se querem – muito! -, mas ninguém dá o braço a torcer. E depois que eles se relacionam, também é muito gostoso de acompanhar, porque a química é bacana e o sentimento é verdadeiro. E me deixa dizer uma coisa sobre eles: FUEGO! Eu realmente fiquei cativada por Brenna e Jake, assim como Summer e Fitz fizeram comigo em The Chase, ainda que de forma diferente.

Vários personagens que amamos no primeiro livro apareceram, como Hollis (o seu arco com a namorada doida-stalker-maravilhosa é um dos mais divertidos que já vi!), Summer e Fitz, ainda que tenham tido pouco destaque para o meu gosto, Hunter, Brooks e outros. The Risk é um livro fechado em si mesmo, do tipo que não é necessariamente preciso ler o anterior para acompanhar, mas é sempre bom fazer a leitura na ordem.

A escrita de Elle Kennedy é muito fluida, interessante e, quando percebemos, já passamos da metade do livro. Só não li mais rápido porque estava sem muito tempo livre, mas sempre que começava simplesmente não queria parar. O livro tem humor, sarcasmo, amor, sensualidade – sem pesar a mão na quantidade de cenas de sexo – e até mesmo drama, do tipo que deixa a garganta apertada.

E já podemos esperar pelo próximo volume, chamado The Play, que vai ter como foco Hunter, que teve o seu coração partido em The Case e se tornou um babaca. Parece que já foi lançado em inglês, e pelas resenhas que tenho lido estão dizendo que é o melhor da série Briar U até o momento. Alô, Editora Paralela, por favorzinho, já queremos a edição em português!

Foto @casosacasoselivros

The Risk – O dilema de Brenna e Jake, que tem uma capa maravilhosa de linda, me deixou com o coração quentinho e com vontade de abraçar o livro no fim da leitura.


Recomendo muito.

Teca Machado

P.S: Recebi dois exemplares de The Chase da Editora Paralela e vou fazer sorteio dele no instagram do blog @casosacasoselivros. Fique de olho!

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O Presente, de Cecelia Ahern - Resenha


Acho difícil encontrar alguém que não se emocionou com P.S. Eu Te Amo, livro da Cecelia Ahern que virou filme com Hilary Swank e Gerard Butler. E as obras da autora, publicadas no Brasil pela Editora Novo Conceito, geralmente têm esse efeito na gente. E com O Presente, uma das minhas leituras mais recentes, aconteceu a mesma coisa, ainda que o livro não tenha me encantado tanto.

Foto @casosacasoselivros e caneta @magpapelaria

Em O Presente conhecemos Lou, um homem extremamente ocupado, que faz malabarismos para conseguir fazer tudo o que precisa no trabalho – ao mesmo tempo que deixa família e amigos de lado – e que está lutando por uma promoção. Por ser um workaholic, nunca tem tempo para fazer tudo o que deveria. Certo dia, próximo ao Natal, Lou conhece Gabe, um mendigo na porta do escritório, e lhe oferece ajuda e um emprego. Mas Gabe é muito mais do que aparenta. Ele parece estar em vários lugares ao mesmo tempo e deixa Lou extremamente desconfortável, porque é um observador nato e aparenta saber seus segredos mais obscuros. Mas quando Gabe oferece a Lou algo que é uma mistura de mágica e milagre e que vai dar um jeito de criar tempo para que faça tudo o que gostaria, Lou nem pestaneja.

Apesar de amar a Cecelia, achei O Presente seu livro mais fraco entre todos os que li. Não é ruim, longe disso, é bom. Mas apenas isso: bom. A obra é confusa, prolixa e me deu a impressão de que a autora colocou histórias paralelas demais só para deixar a obra mais longa. Todo o enredo do menino que atirou o peru pela janela e os policiais, por exemplo, me deixou sem entender o motivo de estar ali que não fosse fazer volume.

Cecelia Ahern
E também tem o problema chamado Lou. Ele é um personagem difícil de engolir. É aquele tipo que você quer sacudir, dar uns tabefes e mandar largar de ser um babaca. Claro, todo o enredo fala do seu crescimento e redenção, mas é tão no fim que passamos páginas e mais páginas só com ódio dele.

Apesar do livro ser em grande parte bem real, com os problemas de conseguir a façanha de equilibrar o lado profissional e o pessoal da vida e entender que ela nem sempre é como a gente queria ou sonhou – e muito por culpa de nós mesmos -, quando o assunto é Gabe a obra tem um quê mágico. Mas, ao meu ver, tudo o que envolve o personagem é misterioso demais. Não temos explicação nenhuma de quem é, o que já fez e porque escolheu Lou. Ao final fica subentendido um pouco mais sobre ele, mas não achei o suficiente para a construção do personagem.

O Presente tem uma lição bonita, sobre fazer uma gestão de tempo melhor, passar bons momentos com as pessoas que você ama e não se preocupar apenas com trabalho. É sobre redefinir prioridades. E apesar do desfecho bem previsível, o livro fez várias lágrimas rolarem pelo meu rosto. Afinal, Cecelia geralmente tem esse poder. Essa mulher saber escrever para nos fazer chorar, é impressionante.

E ainda tem o fato de passar na época do Natal, que é um período lindo e que nos faz refletir um pouco mais sobre nossas vidas e sobre como o ano foi. Essa ambientação deixou o livro mais agradável e fez todo o sentido com o desenrolar da história.

Se você procurar resenhas de O Presente, vai ver que o livro é muito elogiado. Mas vou ser sincera e dizer que para mim a história não funcionou tão bem. Apesar de falar sobre milagres, simplesmente achei que faltou magia.


Recomendo, mas não efusivamente. Outros livros da autora são melhores.

Teca Machado


quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Coringa - Crítica


Eu nunca gostei de palhaços.

Meu pai fala que até hoje eu tenho medo deles. 

Mas medo não é a palavra certa. Aversão é mais assertivo.

Mas, confesso que depois de Coringa, do diretor Todd Phillips, voltei a ter medo de palhaços.


Brincadeiras à parte, Coringa é espetacular. Só pelo trailer e pelas primeiras imagens que vimos nos últimos meses já dava para saber que Joaquin Phoenix, na pele de um dos maiores vilões do Batman, está deslumbrante. E ao assistir ao filme isso fica ainda mais claro. É muito difícil que algum outro ator esse ano tenha se entregado tanto a um personagem e vivido o papel com tanto esmero. Se ele não ganhar o Oscar (e o filme não for indicado em outras categorias), claramente será preconceito da Academia aos filmes de heróis – ainda que herói seja a palavra exatamente oposta para descrever a produção.

Coringa é menos deprimente do que eu achei que seria, mas é muito mais perturbador do que eu estava esperando. É possível se sentir desconfortável do primeiro ao último minuto, mas é extraordinário.



Coringa mostra a jornada de Arthur Fleck (Phoenix), um palhaço/comediante com graves transtornos psicológicos cujos problemas se agravam por ser considerado um pária em uma sociedade à beira do caos. Tudo o leva a se tornar o Coringa.

O que difere o Coringa de Phoenix de outros é a construção do personagem e o fato de ser um filme solo. O vilão sempre foi o antagonista da história, coadjuvante do justiceiro morcego. Mas agora a produção é focada apenas nele e em toda a sua construção psicológica e pessoal. E que construção! A vertiginosa queda de Arthur Fleck é algo insano. Há toda uma crítica social e psicológica no filme, que nos faz pensar em como governos e pessoas tratam indivíduos como o protagonista.



Essa não é a primeira vez que a DC faz um filme sobre vilões. Esquadrão Suicida foi a primeira tentativa do estúdio – e tinha até o Coringa, mas, convenhamos, não deu muito certo. Um dos maiores problemas da produção foi tentar transformar os personagens em pessoas que eram más, mas que tinham um porquê, ao ponto de você sentir compaixão. Em Coringa sentimos compaixão, claro, já que Fleck é um homem totalmente quebrado, principalmente pelas pessoas ao seu redor. Mas em hora nenhum o enredo busca a sua redenção. Ele é o que é, simples assim, e o público vê o seu pior lado e pronto: sem redenção, sem um final feliz, sem pedir perdão. E isso é um dos maiores acerto do diretor, que também foi roteirista.

Apesar de parecer contraditório, Coringa é um filme muito poético. A trilha sonora espetacular, as danças feitas por Phoenix em momentos assertivos, as cores sombrias que Gotham sempre teve mescladas com as cores quentes do palhaço brigam e se complementam. Há uma mistura de complexidade e simbolismo em todo o tempo. E ao mesmo tempo que nos incomoda, nos instiga a continuar a assistir.


Mas mesmo com toda a poesia que traz, é um filme violento. Explicitamente em muitos momentos. E, não sei se com vocês que já assistiram foi assim, mas eu dei pulos de susto e até fechei os olhos em alguns momentos. Por isso e por tantos outros motivos Coringa tem censura 18 anos.

Coringa é nada menos do que excepcional e vale cada centavo da ida ao cinema.

Recomendo muito.

Teca Machado

P.S.: Phoenix está indescritível, mas meu Coringa preferido ainda é do Heath Ledger. E o de vocês?

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Melhores musicais


Olhando minhas playlists percebi uma coisa: 95% delas são trilhas sonoras de filmes (e os outros 5% são Queen, Tiago Iorc e a música Baby do Luis Fonsi, meu novo vício). E a verdade é só uma: Eu amo musicais – ou pelo menos filmes com muita música.

E como eles são minha paixão, fiz uma lista com meus musicais preferidos (o que é difícil, porque eu amo tantos!).

Cantando na Chuva


Se você torce o nariz para filmes clássicos, por favor não faça isso com esse.  A produção de 1952, do diretor Stanley Donen, é linda, divertida e no melhor estilo feel good movie. Ele conta com Gene Kelly – lindíssimo, diga-se de passagem, Debbie Reynolds – mãe de Carrie Fisher – e Donald O’Connor. Duvido você assistir e não querer sair sapateando.


La La Land


Essa lindeza de 2016, do diretor Damien Chazelle, estrelado por Ryan Gosling e Emma Stone, foi a playlist mais tocada no meu Spotify naquele ano. Ainda hoje escuto muito, afinal as músicas são todas incríveis. O filme é maravilhoso também, sendo um dos que eu mais amo na vida. Me dá inclusive vontade de aprender a tocar piano, mas eu sou uma negação musical.


Mamma Mia e Mamma Mia: Here We Go Again


O filme original de 2008 e a sua continuação de 2018 são, definitivamente meus queridinhos da vida e suas playlists tocam sem parar no meu celular, afinal músicas do ABBA nunca são demais. Assisto quando estou triste, quando estou feliz, quando estou doente e quando quero ver algo que vai deixar meu coração quentinho. E quem se cansa de ver Donna e os três possíveis pais de Sophie numa ilha grega linda? Ninguém, aposto.


Rocketman


A biografia de Elton John, do diretor Dexter Fletcher é com certeza um dos melhores filmes que assisti em 2019. Fico impressionada com o fato de nunca ter dado muito valor para as músicas do cantor. Pelo menos agora descobri que são incríveis e não paro de escutar. Fora que o longa também é extraordinário.


Bohemian Rhapsody


Já que estamos falando de biografia de cantores, como deixar meu Freddie Mercury de lado? O cantor é uma das minhas paixões e o seu filme, do diretor Bryan Singer, também é maravilhoso. Rami Malek com certeza mereceu o Oscar de Melhor Ator. Mas, nesse caso, prefiro a playlist com as músicas originais, porque por mais competente que Malek seja cantando, ninguém jamais será como Mercury.


O Rei do Show


Quer se empolgar com um filme lindo, atores maravilhosos e músicas ótimas? Então é o caso de O Rei do Show. O filme de Michael Gracey conta com Hugh Jackman, Zac Efron, Michelle Williams, Zendaya, Rebecca Fergunson e outros. É baseado na história real de P. T. Barnum, o inventor do circo, e a produção é, realmente, um espetáculo.


Moulin Rouge


Durante uma década esse foi meu musical preferido, assim como o filme favorito. Devo ter assistido mais de 40 vezes. Do diretor Baz Luhrmann, a história da cortesão vivida por Nicole Kidman e do escritor interpretado por Ewan McGregor, é um deslumbre visual e um tanto psicodélico e cheio de músicas animadas e emocionantes. E mesmo depois de tanto tempo, ainda me faz chorar.

*** 

E vocês, quais musicais me indicam? Também gostam desses que são os meus xodós?

Teca Machado

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Que Falta Você Me Faz - Resenha


Harlan Coben é um dos autores que mais aparecem por aqui. Já li tantos livros dele que nem sem quantos foram. E hoje trouxe a resenha de mais um: Que Falta Você Me Faz, publicado pela Editora Arqueiro.

Foto @casosacasoselivros

Pela capa e pelo título parece que o escritor saiu um pouco do seu gênero, o suspense policial, e foi para o romance. Mas não se deixe enganar. Essa é mais uma obra com a marca registrada de Coben, com reviravoltas, imprevistos e investigações. Que Falta Você Me Faz é um livro solo, apesar de fazer referência a Winston, personagem importante da série Myron Bolitar.

No enredo conhecemos Kat, uma policial de Nova York que há quase duas décadas perdeu os dois homens mais importantes da sua vida. O pai, também policial, foi assassinado, e Jeff, seu noivo, foi embora sem maiores explicações. Ele sumiu no mundo e não deixou nenhum rastro. Mas, quando uma amiga a inscreve num site de relacionamentos, ela vê o perfil de Jeff, mas com outro nome e passa a investigar. Paralelo a isso, um adolescente chamado Brandon procura Kat, acreditando que apenas ela pode ajuda-lo a encontrar sua mãe, que segundo ele está desaparecida e seu sumiço tem a ver com Jeff.

Como é comum nos livros de Coben, o passado influencia muito no presente do personagem e na sua percepção de mundo. Com Kat não seria diferente. Os dois acontecimentos traumáticos da sua vida foram de extrema importância para moldar sua personalidade e ditam muito das suas ações. A protagonista não chega a ser uma pessoa amargurada, mas tampouco é feliz. Vive de forma plácida e sem graça, um dia atrás do outro de forma a passar anos sem grandes emoções. Até que Brandon chega e dá um chacoalhão em Kat que a desperta. Ambos os personagens são muito bons, assim como o vilão, que não posso dizer quem é, mas quem ler o livro vai saber de quem estou falando.

As primeiras páginas são um tanto chatas, confesso. Não é um livro que começa frenético. Ele vai ganhando corpo aos poucos, o que é natural em livros policiais. O caso vai sendo montado com informações esporádicas. Não cai tudo no colo do leitor de uma só vez – até porque se fosse assim, qual seria a graça? Muitas vezes você fica se perguntando como todas as pontas serão amarradas. Mas não se preocupe: elas se amarram. Coben não é autor de deixar nada em aberto quando falamos de livros solos, como é o caso de Que Falta Você Me Faz. 

Esse é aquele tipo de leitura em que você mergulha. E sente raiva quando precisa pausar por algum motivo sem graça (tipo ir dormir!). O terço final da obra, principalmente, é extremamente interessante, até mesmo com cenas de tortura física e psicológica, extorsão, violência, perseguição e mais. Típico de Coben. Mas não é nada forte do tipo que vai assustar leitores mais sensíveis.

Uma discussão bacana que o livro traz são os perigos dos encontros virtuais. Claro que não é assim com tudo mundo, mas há inúmeros casos de golpes e problemas que surgem em sites de relacionamentos. E o autor levou isso a níveis altíssimos, com uma rede de crimes mirabolante, diga-se de passagem.

Que Falta Você Me Faz não é o meu livro preferido do escritor (se você está se perguntando qual, é Cilada e Não Conte a Ninguém), mas é muito bom, no nível dos seus melhores trabalhos, num enredo instigante e criativo.


Não é de se admirar que eu recomendo.

Teca Machado

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Ad Astra - Rumo às Estrelas - Crítica


Desde George Méliès, no começo do século passado, o homem vai ao espaço com a ajuda do cinema. São inúmeros os filmes que tratam do universo, da busca por vida em outros planetas, das viagens interestelares, do descobrimento daquilo que está ao redor e que nos torna tão infinitamente pequenos. E a mais nova produção nesse sentido é Ad Astra, do diretor James Gray e que tem Brad Pitt no papel principal.


Mas mais do que um filme de ficção científica e a típica história de “precisamos salvar a Terra”, Ad Astra é sobre relações. É quase um drama familiar. E, de certa forma, vai na contramão de basicamente todos os filmes do gênero. 

Num futuro não tão distante, a humanidade tem recursos e tecnologia suficiente para viagens interplanetárias longuíssimas e para criação de bases na lua e em Marte. Roy McBride (Brad Pitt) é um dos melhores astronautas que existem. Calmo, resignado e analítico, ele é perfeito para a profissão, pois não sucumbe sob pressão. Roy, então, recebe a ordem de viajar aos limites do sistema solar para averiguar o que aconteceu com seu pai, um astronauta tido como herói e lenda, que desapareceu tempo depois que embarcou com a missão de encontrar vida inteligente em outros lugares do universo.



Lógico que Ad Astra fala sobre os desafios das viagens no espaço, assim como o homem é impotente em se proteger de tudo o que vem de fora e é muito maior e perigoso do que a vida na Terra. Há cenas de tensão, de suspense, de foguetes, de naves e de astronautas no imenso e aterrorizante vácuo. Mas tudo isso faz parte de um enredo muito maior, da construção do personagem de Pitt e da sua incapacidade de se relacionar com outros.

Desde o início Roy deixa claro que prefere a solidão. Ele é um homem quebrado, cuja dor da falta do pai é muito mais profunda do que aparenta. Sua missão é para ajudar a Terra, lógico, mais é muito mais motivada pela sua busca de fechamento na relação com o pai, que mesmo quando estava presente não era realmente um pai. Essa ferida é um dos motivos que o impedem de ter relações saudáveis com outras pessoas, principalmente com a sua esposa, que sempre o achou distante.



Brad Pitt faz um trabalho excelente, que foca nas sutilezas das expressões em seu rosto. Na lágrima que cai quando ele menos espera, na pupila que dilata, na falta de emoções nos momentos de tensão, no olhar do ator. Ele traduz com delicadeza a profundidade e a sobriedade do personagem, assim como a vulnerabilidade, que todos ao redor não sabem que existe, já que ele é extremamente calmo e analítico. O filme ainda conta com a participação de Tommy Lee Jones, sempre ótimo, Donald Sutherland, Ruth Negga e uma pontinha muito pequena de Liv Tyler.

Ad Astra é visualmente lindo. Apesar de ser um filme com viagens interplanetárias e com espaço para o diretor “brincar” com isso, o uso de efeitos especiais megalomaníacos não existe. É tudo muito sóbrio e real. É possível acreditar que no futuro as missões universo adentro serão assim. Sem explosões, sem perseguições imensas de naves e tiros intergalácticos. De certa forma, o filme me lembrou visualmente O Primeiro Homem, protagonizado por Ryan Gosling. E também a frieza do personagem principal remete a Neil Armstrong.


Ad Astra não é excepcional, mas é um filme muito bom e que vale a pena ser assistido no cinema. 

A minha sessão foi normal, mas sei que várias salas XD estão com exibição da obra.

Recomendo bastante.

Teca Machado