sexta-feira, 22 de junho de 2018

Aos Dezessete Anos - Resenha


Há tempos escuto as pessoas elogiarem Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira, mas nunca li o livro. Quando a Editora Seguinte (Companhia das Letras) me enviou Aos Dezessete Anos, segundo romance de autora, vi como sinal para conhecer finalmente um pouco mais dessa escritora. E em pouquíssimas páginas entendi porque tanto amor por ela: sua escrita é doce, delicada, interessante e muito fluída.

Fotos @casosacasoselivros

Na obra, Angie e Marilyn são mãe e filha e ambas tiveram a vida mudada drasticamente aos 17 anos. Marilyn se tornou mãe nessa idade e Angie encontrou pistas de que seu pai, que acreditava ter morrido antes do seu nascimento, pode estar vivo. Angie sai então numa busca pela família que sempre achou que estava perdida e nesse caminho descobre muito do seu passado e da sua mãe, que nunca conversou sobre o assunto.

Tanto Marilyn quanto Angie narram capítulos e esse foi um dos maiores acertos do livro, porque as histórias das duas garotas são contadas simultaneamente. A vida de Marilyn e como engravidou faz parte de quem Angie é, então é impossível acompanhar a saga de uma sem saber a da outra. Para entender as duas, para compreender quem são e as suas atitudes, o passado importa.

As duas protagonistas são carismáticas e gostáveis, cada uma a sua maneira. Marilyn é uma garota infeliz, cuja mãe sempre obrigou a seguir a carreira de atriz, quando essa claramente não era a sua paixão. Quando encontra o amor aos 17 anos no jovem James, sua vida finalmente ganha cor e ela vislumbra um futuro até então desconhecido. Para Angie, a mãe sempre foi o suficiente. Marilyn nunca deixou que nada faltasse à menina, principalmente amor. Mas o vazio do pai que nunca conheceu esteve presente (tanto que muitas vezes age de forma egoísta e imatura). Essa sombra em sua vida afetou até mesmo o relacionamento com Sam, o namorado, que a acompanha na busca de suas raízes. Sam é um garoto doce e por quem torcemos. E é impossível falar dos personagens sem citar James, que aos poucos ganha nosso coração, e Justin, seu irmão mais novo e sempre presente.

Apesar de ser um romance, esse não é o foco de Aos Dezessete Anos. Tanto Angie quanto Marilyn vivem um, mas as relações familiares são o foco. Com o passar das páginas podemos refletir sobre sonhos, futuro, amadurecimento, escolhas e racismo. James é negro, Marilyn é loira, mas isso nunca foi impedimento para eles, nem mesmo se fala sobre isso. Ava Dellaire aborda o tema de forma tão natural que em momento algum o enredo faz com que isso seja uma bandeira pela qual lutar. Estamos falando aqui do relacionamento entre dois jovens e pouco importa a cor deles. O assunto é sim abordado e de uma maneira que nos choca, sendo cruel, mas ainda assim a autora coloca toda sua sensibilidade e verdade nas páginas.


Com capítulos que vão do presente ao passado e uma história muito bem amarrada, Aos Dezessete Anos foi um livro que me emocionou, cativou e me fez até mesmo derramar algumas lágrimas que eu definitivamente não estava esperando. É um livro leve, sem grandes pretensões, mas ao mesmo tempo é intenso e muito verdadeiro. Não é uma história real, mas poderia ser, tão realista a autora criou seu enredo.

Ava Dellaira ganhou meu coração, assim com essa capa linda e que tanto tem a ver com a obra.

Recomendo muito.

Teca Machado


quarta-feira, 20 de junho de 2018

The Alienist - Crítica


Não sei vocês, mas eu adoro histórias ambientadas em séculos passados, principalmente nos anos 1800 e pouco. Os romances de época são uma das minhas paixões da vida, assim como sou alucinada por Outlander, que passa na Escócia de 1843. E tem muitos e muitos outros enredos históricos que me agradam. Mas tem um mais recente que ganhou meu coração e merece sua atenção: The Alienist, série da Netflix, mas produzida pela TNT. 


Alienista era o termo usado séculos atrás para definir pessoas que estudavam a psique humana, quando ainda não se falava sobre psicologia ou psiquiatria. Na série conhecemos o Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), um alienista que está envolvido na resolução do caso de meninos prostitutos que estão sendo assassinados por um serial killer nos idos de Nova York em 1880. Ele conta com a ajuda do ilustrador jornalístico John Moore (Luke Evans) e de Sara Howard (Dakota Fanning), a primeira mulher a trabalhar para a polícia, como secretária do comissário local.

Paralelamente à busca de fatos do caso, utilizando de artifícios legais e ilegais, às vezes um tanto imorais, tentando entrar na pele e na mente do criminoso que está basicamente esquartejando os garotos, vemos o trabalho de Laszlo junto às pessoas alienadas. E ainda acompanhamos a luta de Sara frente ao machismo daquela época (que perdura até mesmo hoje), uma mulher inteligente, ambiciosa – no melhor sentido da palavra – que deseja fazer a diferença.



Um dos maiores acertos de The Alienist é o roteiro bem estruturado, com um ritmo certeiro, nem tão lento, nem tão rápido, dando tempo ao espectador de digerir todas informações e todas descobertas que fazem ao longo do caminho. Fala-se bastante de psicologia, mas de maneira bem comedida, sem cansar quem assiste e é leigo no assunto.

Algumas pessoas descrevem a série como um terror psicológico, mas acho o termo meio pesado, vejo mais como suspense. Não dá medo, mas uma tensão crescente com toda aquela situação, quando vamos conhecendo a mente doentia por trás dos assassinatos.

Apesar de sempre associar Daniel Brühl ao nazista de Bastardos Inglórios, sei que ele é um excelente ator. E como Laszlo mostra seu talento, muitas vezes apenas com olhares e micro expressões. Brühl está muito bem e parece que nasceu para esse papel. Dakota Fanning foi uma criança prodígio (quem não se lembra dela toda fofa, pequenininha, ao lado de Sean Penn em Uma Lição de Amor?) e mostra que sua vocação é real. Sua Sara é determinada, forte, séria e sóbria, sem se deixar abalar pelo ambiente masculino e pesado onde vive. Seu maior medo é mostrar-se frágil, o que realmente não é. Luke Evans está muito confortável em seu papel de cafajeste, mas ainda assim sentimental.



A ambientação de The Alienist é incrível. Figurino e cenário impecáveis. Não tentam glamorizar a época e nem o ambiente dos bordeis e prisões do período. Há todo um cuidado do design de produção com as cores, as luzes e as sombras. Há realmente uma atmosfera de suspense que condiz com o roteiro.

The Alienist é baseada no romance policial homônimo publicado pelo americano Caleb Carr em 1994. Apesar da série ter sido distribuída como limitada – ou seja, com apenas uma temporada – e nada se dizer sobre termos mais episódios, veículos especializados dos Estados Unidos têm dito que a season 2 pode ser possível, porque Caleb Carr publicou mais um volume da saga, chamado de The Angel of Darkness, lançado em 1997.



The Alienist é uma série muito boa, que vai te prender e torcer para ter mais episódios. Fiquei bem curiosa para ler o livro que originou o roteiro.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A Ruína Dourada - Catarse


Têm muitos autores nesse Brasil afora que são mais do que excelentes, mas precisam da nossa ajuda para colocar seus filhos no mundo. Esse é o caso de A Ruína Dourada, escrito por Gabriel Davini e com toda parte visual feita por Milena Buzzinaro. O livro está com um projeto de financiamento coletivo no Catarse para ser lançado na Bienal do Livro, de 3 a 15 de agosto.


Milena e Gabriel entraram em contato comigo para conhecer o projeto. Como gostei da premissa do livro, da simpatia deles e por já ter colocado meu livro Je T’aime, Paris no Catarse, achei que seria extremamente válido divulgar esse trabalho super bacana.

Vem conhecer um pouco da história:



"A Ruína Dourada - Noite Zero abre as portas para uma trilogia fantástica, que narra a batalha de vida e morte entre os Campeões escolhidos das 9 nações.

Eleitos pelas estrelas, cada um deles carrega o destino de um povo. Caso vençam, seu país terá 900 anos de glória e prosperidade. Mas se perderem, serão 900 anos de suplícios e provações. Que a batalha comece!

Diferente de outros livros, essa batalha é narrada por 9 pontos de vista diferentes. Todos os Campeões são protagonistas em pé de igualdade nessa batalha. Escolha e torça para o seu favorito!

Mas o que é a Ruína Dourada?

A Ruína Dourada é um grande evento que acontece uma única vez a cada 900 anos: 9 campeões, escolhidos pelas estrelas para representar os seus povos, precisam matar uns aos outros numa grande competição. Somente 1 pode sair vivo.

O vencedor leva ao seu povo sorte e prosperidade pelos próximos 900 anos, enquanto as nações derrotadas são condenadas a quase mil anos de provações e sofrimento. Ao longo das eras, antigos campeões mudaram o mundo ao vencerem a Ruína Dourada. Agora, cada país terá uma nova chance de tomar as rédeas do destino.

Nessa era, há 9 novos campeões: os representantes de Allure, Umbra, Shaka, Oberon, Lafiore, Jahri, Kamali, Crisália e Diemera.

Alguns se prepararam para isso pelos últimos 9 séculos, acumulando conhecimentos e preparando estratégias por gerações, enquanto outros sequer sabiam da existência da Ruína Dourada. Todos porém possuem fortes motivos para saírem vivos desse conflito e tentarão, cada um ao seu modo, levar a vitória de volta ao seu povo.”



Ficou interessado? Eu fiquei!

Eles convidaram artistas de todo o país para ilustrarem seus personagens preferidos e as imagens vão fazer parte dos brindes do Catarse. Um dos desenhos é da minha amiga Carol Espilotro (que acabou de fazer um Rhysand, de Corte de Espinhos e Rosas, maravilhosão aqui).

Tenho certeza que A Ruína Dourada vai ser um livro muito bacana que merece ser conhecido por todo mundo. Estou doida para ler!

Clique aqui para participar do financiamento do coletivo e conhecer a fundo o projeto.

Teca Machado

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Reações Químicas - Resenha


Você gostava de química na época de escola?

Eu até gostava, mas nunca fui nenhum gênio no assunto. Mas isso não significa que não possa me identificar com uma personagem que seja.

Uma das minhas últimas leituras foi Reações Químicas, da escritora parceira Clara Savelli. O livro, publicado no Sweek (e que você pode conferir aqui), foi uma leitura divertida, bem rápida e cheia de reviravoltas.


Na história, Juliana estuda no EA, um internato no interior do Rio do Janeiro que é conhecido pelos métodos alternativos de ensino e laboratórios fantásticos. A garota de 17 anos é apaixonada por química e estuda muito, já que é a única bolsista da escola e precisa sempre manter suas notas altas. Até o momento, na reta final para o Enem, ela conseguiu seu objetivo e passou quase despercebida pelos colegas que tanto detesta. Mas a chegada de Vicente sacode seu mundinho tão organizado. Ele é um bad boy com passado conturbado, alvo de todas as fofocas do colégio e que por algum motivo está sempre no pé de Juliana. A nerd pouco quer com ele, mas o que pode fazer se o seu corpo insiste em ter reações químicas um tanto explosivas quando perto do rapaz?

Clara Savelli me conquistou logo nas primeiras páginas. Juliana é muito “gostável”, uma personagem carismática, ainda que reclamona e cabeça dura. Mas ela é inteligente, com um senso de humor único e muito leal a sua única amiga na escola, Karen, que também é um amorzinho. O mais interessante é que Juliana é humilde, mas não tem vergonha nenhuma do seu background. Pelo contrário, sente um orgulho enorme dos pais que fazem um esforço absurdo para que ela estude.

Clara Savelli
Vicente é um personagem dúbio. Não é aquele cara todo amorzinho pelo qual você cai de amores logo de cara. Ele transpira problemas e de início é arrogante e bem chato, para falar a verdade. Mas ele é alguém que passa por enormes transformações ao longo das páginas, evolui muito com o passar da história e passamos a entender o motivo de ele ser assim. E até mesmo caímos de amores, olha só!

O enredo é interessante e muito fluído. É aquele tipo de livro para ler bem rápido e ficar com um sorrisinho bobo no rosto ao final. Clara soube levar tudo num ritmo muito bom e em hora nenhuma fiquei cansada de Reações Químicas. Tem romance na medida certa, drama, amizade e até um pouquinho de tensão. Juliana e sua história me fizeram rir, suspirar e mesmo me emocionar.

Sabe aquele autor por quem você torce um monte? É o meu caso com a Clara Savelli. Não a conheço ao vivo, só pelas redes sociais e e-mails trocados, mas gosto da sua escrita, do que posta principalmente no Twitter e me identifico muito com ela, por isso fico aqui comemorando a cada vitória que alcança. Fiquei muito feliz quando no começo do ano ela me escolheu como uma das blogueiras parceiras para receber seus livros.

Reações Químicas vale muito a pena e está lá para todo mundo que quiser ler. É só acessar aqui no Sweek e se jogar nessa história fofa. E a Clara está escrevendo um spin-off dessa história, chamada de Síndrome de Salvador, que já começou a ser postado. E aproveite para participar o grupo de Leitores da Clara Savelli no Facebook e seguir o seu instagram.

Recomendo muito.

Teca Machado


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Deadpool 2 - Crítica


Está na hora de deixar o politicamente correto de lado por alguns minutos, porque vou falar de Deadpool 2!


O mais legal desse anti-herói, que o Ryan Reynolds tão lindamente interpreta, é a falta de seriedade com si próprio e com o filme que está fazendo – prova disso são as excelente cenas pós-crédito. Mas, ao mesmo tempo, ele se leva a sério. Apesar da falta de decoro, às vezes de bom gosto, e de reflexão mais profunda, toda produção é muito bem pensada, bem feita e costurada, ainda que com uma ou outra pequena falha de roteiro.

Deadpool 2 não sofreu com a maldição do segundo filme. Eu até mesmo gostei mais do que do primeiro. Ele não tenta ser épico – nunca tentou, nem mesmo nas HQs -, mas tenta ser o melhor que o mercenário tagarela pode ser. E é: escrachado, bizarro, por vezes obsceno, com um pezinho no nonsense e bastante quebra da quarta parada (quando o personagem fala com o espectador).



Depois de se tornar um super-herói bem requisitado no mundo, Deadpool está a toda na pancadaria e mutilação de bandidos. Mas um deles coloca tudo a perder e tira o mundo do protagonista dos eixos. Reviravoltas do destino o levam até Russell (Julian Dennison), um mutante adolescente sem controle que Cable (Josh Thanos Brolin) veio do futuro para exterminar.

Assim como no primeiro filme, Deadpool 2 tem seus momentos mais dramáticos, afinal, a vida do cara é pavorosa, mas não chegam realmente a partir nosso coração. Só ficamos meio pasmos, do tipo “isso aconteceu mesmo?”. Mas nosso herói não fica triste muito tempo, ele é sarcástico, zoeiro e maluco demais para isso.



Além dos personagens do filme anterior, como Vanessa (Morena Baccarin), Al Cega (Leslie Uggams), o taxista que quer ser herói Dopinder (Karan Soni), e os X-Men que aparecem Colossus (Stefan Kapicic) e Negasonic (Brianna Hildebrand), nesse volume a equipe de Deadpool cresce, com a X-Force, cuja personagem mais maravilhosa é Domino (Zazie Beetz), cujo superpoder é simplesmente a sorte. Há ainda a aparição muito rápida, mas engraçada de Terry Crews, o eterno pai do Chris, e até mesmo de Brad Pitt e Hugh Jackman. Acho que Deadpool e Reynolds finalmente realizaram o sonho de ter Wolverine na sua história.

Dá para rir bastante em Deadpool 2, dá para ficar meio horrorizado em alguns pedaços (pernas de bebê num homem adulto!) e dá para pegar muitas, mas muitas referências, tanto do mundo pop em geral, quanto da própria Marvel e da DC, a concorrente. Em certo momento ele até mesmo chama Cable de Thanos, já que Brolin há pouquíssimo tempo viveu o maior vilão da franquia. Por falar no ator, ele é ótimo, como sempre. Seu personagem é a antítese de Deadpool e a química entre eles é muito boa. Carrancudo, sempre com semblante fechado, e com uma história triste a tiracolo, seus motivos são de certa forma válidos (ainda que, pelo que eu pesquisei, completamente diferente das HQs).



O diretor David Leitch não pesa a mão nos efeitos especiais e sabe conduzir bem as cenas de ação, ainda que não faça nada inusitado ou extraordinário. Mas não tem problemas. Não assistimos Deadpool pela ação ou pancadaria e sim pelo seu senso de humor que nenhum outro personagem da Marvel teve a coragem de ter.

Não deixe de assistir as maravilhosas cenas pós-créditos e preste bastante atenção na abertura, com música de Celine Dion e muita falta de noção.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Comendo o livro de receitas


Que livros de receitas geralmente são deliciosos, metaforicamente falando, nós sabemos. Mas e quando eles são literalmente falando deliciosos?

A design alemã Korefe, juntamente com a Gerstenberg Publishing House, editora especializada em gastronomia, criou o The Real Cookbook, que é um livro de receitas que vira a própria receita!

O modo de fazer a lasanha está estampado na própria massa fresca. Você segue as instruções e a cada passo que segue, uma nova camada vai surgindo e as páginas do livro sumindo. No final, é só colocar no forno e em seguida comer seu livro.






Pena que não podemos comprar o The Real Cookbook. A Korefe fez uma edição especial para alguns clientes selecionados.

Acho que vou me inspirar e imprimir uma receita na massa de pão!

Fonte: Sem Medida

Teca Machado

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A Mulher Entre Nós - Resenha


E de repente cai na sua mão um thriller daqueles que deixam a mente assim:


Recebi da Companhia das Letras o livro A Mulher Entre Nós, de Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, do selo da Editora Paralela. Foi uma leitura alucinante, cheia de reviravoltas e que me deixou duvidando dos personagens em vários momentos. Tem coisa melhor do que um livro que mexe tantos com seus sentimentos?

A Mulher Entre Nós é aquele tipo de história da qual não podemos falar muito sobre a sinopse porque qualquer coisa a mais pode ser um spoiler que vai estragar grande parte da leitura. E eu odeio spoilers, então pode vir tranquilo para a resenha que aqui não tem.

Foto @casosacasoselivros

Temos no enredo duas mulheres muito diferentes. Nellie, jovem, loira, linda, prestes a se casar com Richard, o amor da sua vida. Tudo parece perfeito, tirando o fato de que recebe ligações anônimas muito estranhas. Já Vanessa é o contrário. É uma mulher recém-divorciada, que vive deprimida, sem amigos ou dinheiro, assim como vaidade. Ao descobrir que Richard, seu ex, vai se casar outra vez, o pouco de autocontrole que tinha vai para o espaço e ela tem uma nova meta de vida: impedir o matrimônio.

Essa parece apenas mais uma história de mulher ciumenta que irá fazer o inferno na vida da nova esposa, mas nada é o que parece. O próprio título do livro já nos dá a dica de que “ela não é quem você pensa”. Mas quem? É basicamente como se as autoras pegassem o livro e batessem com ele no meio da sua cara.

Sarah Pekkanen e Greer Hendricks
O leitor bola suas teorias, supondo o que está acontecendo com as migalhas de informações que as autoras dão. E então recebemos surpresas atrás de surpresas, muitas delas realmente improváveis. O que podemos aprender com essa história é que nem sempre o que lemos e o que nos dizem é.

Temas muito atuais são abordados, como o abuso, tanto físico quanto psicológico, e relacionamentos tóxicos. Não é uma história real, mas a sensação que fica é a de que o enredo é muito verossímil, que poderia acontecer com qualquer uma de nós.

Thriller é um gênero que gosto muito e leio com frequência, então sei que muitas vezes o início é bom, o meio arrastado e o final surpreendente e com a resolução dos mistérios. A Mulher Entre Nós não seguiu esse padrão. O nível foi alto o tempo todo, sempre com a sensação de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. O meio não foi enrolado, pelo contrário, temos uma revelação que muda tudo, toda a maneira que vemos a história. Esperava algo um pouco mais grandioso do final, mas ele não deixa a desejar, nos apresentando as últimas respostas que estavam em aberto, assim como um desfecho.

Com uma trama inteligente e que te envolve, A Mulher Entre Nós foi uma ótima leitura, daquele tipo que não vou esquecer ou superar tão cedo.

Obrigada, Companhia das Letras e Editora Paralela por essa leitura que tanto adorei.

Recomendo muito.

Teca Machado

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 1


Há um mês contei aqui para vocês sobre o meu projeto de ficar um ano sem comprar livros. Resumidamente, essa história começou como uma brincadeira, com amigos dizendo que eu deveria passar um ano sem livros novos porque tinha quase 200 deles na estante. Pensei bem no assunto e acabei assumindo esse compromisso. Minha motivação principal foi que tenho livros que quero muito ler que estão há tempos na estante que não saem de lá porque novos chegam e eu passo na frente da fila. E também para me ajudar a fazer uma desintoxicação de comprar, já que eu fico até coçando de vontade quando escuto que eles estão em promoção. Acho que vai me fazer bem.


O primeiro mês acabou e eu fiquei firme e forte no meu propósito.

Maio não foi tão difícil quanto eu achava que seria esse início, que é bem marcado pela abstinência (Não rolou nenhum sintoma, ufa!). Mas confesso que só foi tranquilo porque o grupo Companhia das Letras me enviou oito livros nesse período de tempo como parceria. Então isso acalmou o comichão de comprar livros.

Não nego que em vários momentos eu fiquei bamba. Principalmente quando chegava e-mails da Amazon – quase todo dia eles me falam que tal gênero está com desconto, com super promoção -, da Saraiva, da Cultura... Fora as editoras que vivem me falando sobre seus lançamentos.

Até mesmo fui num evento literário e não comprei nenhum livro (Caramba, estou muito orgulhosa de mim mesma!). 


Passei por livrarias sem nem olhar para eles, porque se eu parasse para ver pelo menos a vitrine eu fraquejaria. Então parecia uma louca tapando os olhos e virando para o outro lado.

Chegou uma caixa de assinaturas de livro infantil nesse período, mas ela não entra no projeto porque comprei fim de março, antes de fazer o projeto e só chegou agora, então eu não trapaceei.

Todos os meses farei um post aqui para que vocês saibam se continuo seguindo meu caminho ou se fraquejei.

Um mês já foi. Só faltam 11.

Torçam por mim.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Livros lidos em maio


Maio acabou, junho começou já com um feriado bacana para a gente gastar muitas horas lendo e eu consegui me perder em várias páginas nos últimos dias.

Vêm ver o que eu li em maio:

Fotos @casosacasoselivros

1- Origem – Dan Brown (Editora Arqueiro)
2- Prometida – Série Perdida – Carina Rissi (Verus Editora)
3- Reações Químicas – Clara Savelli (publicação independente)
4- A Mulher Entre Nós – Green Hendricks e Sarah Pekkanen (Editora Paralela)

Como vocês podem ver, uma leitura não tem nada a ver com a outra. Uma ficção de ação, cheia de dados históricos e arquitetônicos, um romance de época, um chick lit e um thriller. Gosto de misturar gêneros para não ficar presa apenas num tipo de história e enjoar desse universo. Fazendo assim, sinto que aproveito melhor cada uma das obras.

Prometida já tem resenha aqui e Origem tem vídeo resenha aqui, já os outros vão receber uma nos próximos dias.

E vocês, o que leram no último mês? Algum desses livros estão na sua pilha de lidos?

Teca Machado