sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Court of Frost and Starlight - Resenha


Sarah J. Maas, sei que esse ano já tinha lido dois livros seus (dois calhamaços, na verdade), mas eu estava com saudades! E deu para matar um pouquinho com A Court of Frost and Starlight, sua novela, que passa entre os três livros da série Corte de Espinhos e Rosas e os próximos da saga, que terão como foco as irmãs de Feyre. 

Foto @casosacasoselivros

Mais do que um conto e menos do que um livro, a novela é tipo um recorte de tempo, no qual a autora nos mostra como estão todos depois do desfecho de Corte de Asas e Ruínas, e nos encaminha para os novos volumes. Acredito que não seja um livro obrigatório, mas eu sempre gosto de ler essas histórias “a mais”. Eu li em inglês, porque uma amiga que mora na Inglaterra me mandou de presente, mas nas próximas semanas a Galera Record, que publica as histórias da Maas, vai lançar esse volume em português também, chamado de Corte de Gelos e Estrelas.

Depois de todo caos e guerra e mortes do livro três, tudo ficou bem. Bom, não tanto assim. A batalha deixou cicatrizes profundas, não só nos habitantes de Prythian, mas em toda Corte Noturna, principalmente nas irmãs Archeron. Em A Court of Frost and Starlight, todos se preparam para o Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano e aniversário de 21 anos de Feyre. Entre as compras de presentes, jantares e tempo juntos, todos carregam dores e traumas, mas tentam seguir em frente e reconstruir esse mundo novo, ainda muito frágil.

Um dos pontos mais interessantes dessa novela é termos pontos de vista de outros personagens além de Feyre. Eu amo a protagonista – apesar de às vezes querer sacudi-la -, mas depois de três livros enormes e densos é ótimo ver como outros personagens pensam e se sentem. Rhysand tem vários capítulos dedicados a ele, o que é ótimo, já que se tem um crush literário nessa vida é o Grão-senhor da Corte Noturna. Assim como sua parceira, os trechos dele estão em primeira pessoa. E também temos alguns de Cassian, nosso general que é “um bebê ilyriano”, de Mor e de Nesta, todos esses em terceira pessoa. Elain e Az não ganharam pontos de vista, mas acredito que é porque o próximo volume vai ser sobre Cassian, Nesta e Mor.

Feyre e Rhys são amorzinhos, e temos um pouco mais dessa relação tão íntima e de cumplicidade deles. Maas dá a entender que o seu arco está fechado, apesar de que ainda serão parte muito importante dos próximos volumes, o foco da saga mudou. Mas, antes de finalizar, caramba, eles fazem sexo na mente! QUE COISA MAIS LOUCA É ESSA? #feyshandforever

O que falar de Nesta? Para mim, ela é uma personagem mal interpretada por muita gente. Sim, ela é insuportável, grosseira e um tanto cruel, mas é uma força da natureza. Não podemos desprezar Nesta e toda sua grandiosidade. Afinal, uma das coisas que mais falam dela é que tem o porte de “uma rainha sem trono”. Ela é complexa e muito bem construída, além destruída por dentro num nível em que ninguém consegue imaginar. Estou muito ansiosa pelo livro que terá ela como foco, principalmente depois do aperitivo que Maas nos deu, com um trecho do momento em que ela é transformada em feérica e, gente, é insano. Fora que poderemos esperar que o romance dela com Cassian comece a se desenrolar. O guerreiro ilyriano, assim como todos, está quebrado, precisa lidar com muito, mas tenta curar sua dor da maneira que sabe melhor, sendo engraçado, bem humorado e na presença da sua família. 

Foto @casosacasoselivros

Mor promete muito, porque em A Court of Frost and Starlight conhecemos o momento em que ela quase morreu, a extensão do seu medo e rancor pelo pai e pelo herdeiro da Corte Outonal. Só sei que quero mais dessa feérica incrível e diva. Amren perdeu quase todo seu poder, mas nenhum pouco da atitude e continua maravilhosa. Elain e Az tem pouco sobre eles mostrado na novela, mas acho a relação deles fofa – e espero de coração que não vire um romance, porque acho que eles são almas parecidas, mas não no sentido de paixão. Além disso, Lucien, de quem eu gosto apesar dos pesares com Tamlin, acho que merece um final feliz com a sua parceira. E por falar no Grão-senhor da Corte Primaveril, ele, sim, está destroçado. Não lembra nem remotamente aquela espécie de rei que conhecemos no primeiro livro. Acho que Maas ainda tem algo na manga para seu arco dramático. É esperar para ver.

Vi muita gente reclamando de A Court of Frost and Starlight. Entendo o porquê das críticas, apesar de não compartilhar da opinião, já que gostei bastante. Como estávamos acostumados com livro frenéticos, cheios de reviravoltas, mortes e o escambau, é de estranhar um pouco que nessa novela não aconteça nada muito de explodir a cabeça. Temos um livro mais introspectivo com todos os personagens, curando suas feridas, querendo que elas pelo menos se cicatrizem e não doam tanto. Tá, confesso que tem muitas sequências da Feyre preocupada com a compra de presentes, mas isso não chegou a me incomodar, como com muita gente. Há alguns ganchos, mesmo que sutis, sobre a próxima parte da saga e, é claro, acho que vai desandar tudo de novo.




    

Feyre e Rhys, foi incrível acompanhar a história de vocês e quero que continuem por perto, porque tem um espaço bem grande no meu coração por vocês. Mas também quero conhecer melhor os outros personagens da Corte Noturna.

Recomendo muito.

Teca Machado

P.S.: Nossas capas são muito mais bonitas do que as estrangeiras, né?

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Seguindo os Fatos - Crítica


Duvido – mas duvido mesmo – que você não conheça o BuzzFeed. Esse portal de notícias que cresceu no mundo inteiro e fala sobre os mais variados temas, como histórias bizarras que bombaram no Twitter, testes de “monte suas férias dos sonhos e diremos que tipo de pessoa você é” e matérias políticas e filosóficas. Ou seja: mais eclético impossível. E agora está ganhando um espacinho na Netflix, com os minidocumentários Seguindo os Fatos, que segundo eles próprios, explora cultura, política e os cantos esquisitos da internet.


Claro que em se falando do portal, não podemos esperar algo pesado ou denso demais. Acho que mais do que documentários, podemos chamar de reportagens mais extensas. São episódios de cerca de 18 minutos sobre temas diferentões e polêmicos. Acompanhamos o jornalista designado seguindo realmente os fatos, para mostrar ao público de forma franca e sem preconceito assuntos no mínimo surpreendentes. Ele conversa com seus editores, dialoga com o público e é algo tão próximo do espectador que a gente se sente ali com ele. E por mais que o BuzzFeed geralmente tenha uma linha engraçadinha, irônica e que adora memes, nessa série eles mantém a seriedade e um viés mais jornalístico.


Nessa primeira parte, com sete episódios disponíveis, somos apresentados a alguns assuntos super interessantes. No primeiro deles já damos de cara com algo que eu mesma nunca tinha ouvido falar: ASMR, que são vídeos muito famosos de efeitos sonoros que teoricamente relaxam as pessoas, principalmente sussurros. Existe um mundo gigante que gira em torno disso e a gente nem sabe. Só sei que eu me senti como a jornalista responsável pela matéria, agoniada e sem saber como reagir a isso, rindo de nervoso.

Há ainda episódios dedicados aos intersexo, que são as pessoas antes conhecidas como hermafroditas, aos sobrevivencialistas negros, grupo que se prepara para o fim do mundo e catástrofes, aos direitos masculinos, homens que se sentem subjugados pelas feministas, às prostitutas e outros. Um que assisti e me deixou com sentimento de medo foi sobre conteúdos falsos, que mostram como hoje é possível manipular também imagens em vídeo de forma tão perfeita que não sabemos mais o que é real ou não.



Não somos os mesmos de antes e depois de assistir Seguindo os Fatos. Você vai se sentir incomodado e cutucado, mas o seu universo vai se expandir e vai saber mais sobre um assunto do qual você nunca parou para pensar muito antes ou nem sabia da existência.

Recomendo.

Teca Machado

P.S.: Eu ainda não consegui superar o ASMR e achei muito bizarro a mulher lambendo o microfone, hahahaha.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Sea Prayer – Novo livro ilustrado de Khaled Hosseini


Não sei vocês, mas se tem alguém que já me fez chorar nessa vida é o Khaled Hosseini. Chorei várias vezes com O Caçador de Pipas (apesar de ter detestado o final), chorei algumas vezes com O Silêncio das Montanhas e me desidratei de tanto chorar com A Cidade do Sol. E eu nem li o novo livro dele ainda, mas já sei que esse homem vai me fazer – adivinhem! - chorar de novo.

Housseini lançou há menos de 10 dias Sea Prayer, seu primeiro livro ilustrado. Ele é inspirado naquela tristíssima foto de 2015 do garoto sírio que morreu afogado no Mar Mediterrâneo enquanto sua família refugiada tentava escapar do país. Segundo o autor, esse é uma obra como se fosse o ponto de vista do pai do garoto. 


Sea Prayer foi escrito em formato de carta. Trata-se de um diálogo entre pai e filho às vésperas de uma jornada importante, de vida ou morte. Housseini comentou ao New York Times que ele começou a escrever e a história, assim como a voz dos personagens, simplesmente surgiu de forma simples e, ele espera, melódica.

Quem ilustrou o livro foi o artista Dan Willians. Ele usou principalmente aquarela para evocar um sentimento universal de compaixão e sensibilidade. Ele brinca muito com a luz, que segundo ele é um elemento importante da obra, porque traz esperança. Pouco foi divulgado do lado de dentro de Sea Prayer, mas pela capa podemos ver que é lindíssimo.


Já quero chorar com essa imagem.

Hosseini disse que ele escreveu o livro não apenas para manter viva a memória de Alan Kurdi, o garotinho sírio, mas também para fazer um tributo aos milhares de refugiados que perderam suas vidas no mar. “Que isso seja um lembrete do enorme desespero que força as pessoas a arriscar tudo o que têm”. 

O dinheiro arrecadado com a venda do livro será revertido para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados e à Fundação Khaled Hosseini. A ideia é financiar os esforços de socorro aos refugiados em todo o mundo.

"Tudo o que eu posso fazer é orar"

A Globo Livros já comprou os direitos de publicação de Sea Prayer, mas ainda não há notícia do título em português e nem da data de publicação. Só se sabe que ele terá uma edição especial colorida e de capa dura.

Preparados para chorar?

Teca Machado



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Sierra Burgess É Uma Loser - Crítica


Ah, a Netflix e seus filmes adolescentes que fazem pessoas de qualquer idade acharem um amorzinho! Depois de A Barraca do Beijo, Para Todos Os Garotos Que Já Amei, Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata e O Plano Imperfeito (que eu ainda não vi), chegou a vez de Sierra Burgess É Uma Loser, do diretor Ian Samuels e roteiro de Lindsey Beer.


Ok, o filme está recebendo muitas críticas de catfish (quando você finge na internet ser outras pessoas), de o homossexual ser extremamente caricato, de uma protagonista ter atitudes um tanto malvadas e justificar tudo pelo peso e inseguranças e até mesmo a comunidade surda se manifestou quando a personagem finge não ouvir. Mas, de forma geral, é filme é legal e bonitinho, ainda que termine da maneira mais clichê possível e imaginável.

Muita gente criticou o fato de que Sierra (Shannon Purser, a Barb de Stranger Things), fora dos padrões de beleza, mas que aparenta estar muito bem com isso, finge ser Veronica (Kristine Froseth), a líder de torcida linda e desejada. Por mais que seja atual, com a questão de troca de mensagens e conversa de vídeo, o filme é uma releitura do clássico Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand (se você não se lembra dessa história, é de um escritor que se apaixonou, mas se achava feio, com o nariz muito grande, e pedia para que outro homem fizesse declarações de amor para a garota, fingindo ser ele).




Em Sierra Burgess É Uma Loser, Sierra é inteligente, espirituosa, não se importa com a opinião dos outros sobre si mesma. Ao receber mensagens de Jamey (Noah Centineo, o Perter K. de Para Todos Os Garotos Que Já Amei) por engano, Sierra deixa o garoto acreditar que ela é Veronica. Ele se encanta com sua personalidade e suas palavras, mas pensa que do outro lado da tela está a linda líder de torcida. Quando a relação deles vai evoluindo e Jamey deseja ver Sierra, receber fotos, ela convence Veronica a fazer parte da farsa. Sierra irá ajudá-la a estudar e parecer mais inteligente e Veronica irá fingir ser quem se corresponde com Jamey.

O filme é uma comédia romântica, é engraçadinho, te faz sorrir em vários momentos e tem uma música fofa, mas não chega a ser inesquecível ou deixar seu coração quentinho. Um dos maiores problemas foi a incoerência de Sierra em alguns pontos. Na primeira cena temos ela dizendo para o espelho “você é um animal magnífico” e não se importando nenhum pouco com a aparência, quando com o passar da produção ela se mostra insegura com o peso, rosto e se sente até mesmo ressentida com os pais por não ser tão incrível quanto eles. Fora que ela sempre foi uma pessoa bacana e de bom coração, quando na verdade toma algumas atitudes muito questionáveis, como, além do óbvio de enganar Jamey, se vingar da amiga que acha que quer roubar seu namorado numa ação muito mesquinha e não avisá-la que o ex quer apenas se aproveitar do seu corpo.



Mas a relação de amizade que as meninas criam é bonita. Temos uma popular cruel que passa a se abrir com a nerd esquisita, que percebe que “até que ela é legal” e não parece ter vergonha de se relacionar com a garota. A amizade parece verdadeira e apareceu de forma natural quando duas pessoas sem nada em comum passam a se conhecer sem muros construídos entre elas.

A escolha do elenco foi muito bem feita. Apesar de ter ficado pouco tempo em Stranger Things, Shannon Purser sempre teve fãs, e Sierra é alguém com quem o público consegue se identificar – isso quando não está sendo amarga. Ela é estranha, mas é divertida, inteligente e doce. Noah Centineo é o novo queridinho da comédia romântica e seu charme faz corações palpitarem. Kristine Forseth é linda e transitou muito bem entre megera e uma garota que vai mudando, começando uma amizade improvável com a maior loser da escola. RJ Cyler, que faz Dan, o melhor amigo de Sierra, me incomodou um pouco. Forçado, caricato e não é uma pessoa boa.

Como em várias produções da Netflix, Sierra Burgess É Uma Loser tem referências aos anos 1980, principalmente no elenco. Os pais de Sierra são Lea Thompson, a mãe de McFly na saga De Volta Para o Futuro, e Alan Ruck, o melhor amigo de Ferris em Curtindo a Vida Adoidado. Então para aqueles que se sentem nostálgicos, temos uma pitada da época cheia de glitter e cabelos horríveis. Só que senti falta de um aprofundamento neles. Ficou claro para mim que no roteiro explicava melhor o que faziam e a relação com a filha, mas na edição cortaram.


A mensagem de se apaixonar por alguém pelo que é, não pela aparência, é tema muito usado em comédias românticas e aqui não é exceção. Um ponto positivo é que apesar de “feia”, ninguém – nem ela mesma - tenta mudar a aparência de Sierra (a não ser quando Veronica tira sua sobrancelha, o que passa longe de uma makeover) e ela termina exatamente como começou: linda em sua particularidade. Tudo bem que em vários momentos vemos uma Sierra horrível, mas por dentro, mas que depois volta a ter a beleza interior.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 4



Quatro meses do meu desafio autoimposto de passar um ano sem comprar livros já passaram. E apesar da felicidade de já ter passado um terço, fica a tristeza de só ter passado um terço. Ai, Jesus, ainda faltam oito longos meses – no meio dos quais tem a Black Friday, momento em que eu realmente terei a minha força de vontade testada.

Confesso que agosto teve um agravante na minha abstinência: Bienal do Livro de São Paulo. Eu não fui (até porque ir durante um desafio desses é pedir para que eu caia em tentação e caia com gosto) por causa do trabalho, mas fiquei aqui quase morrendo ao ver a compra dos amiguinhos que foram.

Tantos livros bons em promoção, tantos lançamentos, tantos amigos e conhecidos publicando obras novas. Ai, fiquei só na vontade. Eu tenho uma lista no celular de “livros a comprar” e olha, essa lista está enorme. E por estar passando o ano sem adquirir nenhum novo – a não ser ganhando – fico aqui só acrescentando nomes. Quero só ver o estrago que vai ser quando eu puder voltar ao normal...

Por falar nisso, meu marido me falou esses dias que de nada adianta eu passar um ano sem comprar livros e na primeira oportunidade ano que vem comprar mil reais de uma vez só. Isso me passou pela cabeça, só que claro que eu não vou fazer, mas só porque acho que tomaria uma bronca, hahaha.

Mas agosto não passou totalmente sem adição para a minha estante: ganhei um livro do meu pai. Vi o trailer de Papillon e lembrei que quando eu era criança ele dizia a obra que inspirou essa adaptação era a melhor que já tinha lido na vida. Então sempre fiquei curiosa pela história meio biográfica de Henri Charrière, principalmente por ter uma vibe meio O Conde de Monte Cristo, que eu amo. Quando perguntei para o meu pai se ele ainda tinha o exemplar que leu nos anos 1970 para me emprestar, me disse que em algum momento a obra se perdeu. E como ele é quase tão doido por livros quanto eu (de onde vocês acham que eu puxei essa paixão?), comprou um e me deu, com a promessa de que depois que eu terminar vou dar para ele ler. 

Foto @casosacasoselivros

De qualquer modo, o quarto mês do desafio um ano sem comprar livros terminou e eu continuo firme e nem tanto forte na minha meta que vai até maio do ano que vem.

Foram 4. Só faltam 8.



Teca Machado


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Destruir para ler


Se você é um apaixonado por livros, provavelmente quase morre do coração quando ele amassa, rasga, macha ou sofre qualquer outro mau. Mas e se para ler o livro você precisasse destruí-lo?

Essa é a proposta da designer Helen Friel para a edição especial do conto “The Imp of the Perverse”, em português chamado de “O Demônio da Perversidade”, de Edgar Allan Poe.

Fotos: Site oficial de Helen Frien

A proposta vem por causa do conteúdo da história. Ela discute a voz dentro de todos nós que nos faz cometer coisas que sabemos que não devemos e que não irão nos levar a nenhum lugar bom, como ficar à beira de um precipício, apertar o botão vermelho e mutilar e destruir livros. Afinal, isso sim é uma perversidade sem fim, né?

Helen Friel fez cada página perfurada em um sistema de rede com textos em falta. Os leitores devem seguir as instruções simples para rasgar e dobrar os pedaços específicos para revelar os parágrafos completos. Pesquisando um pouco sobre ela vi que é especialista em livros interativos e engenharia de papel.



Essa destruição é projetada para dar ao leitor sentimentos conflitantes. “Eles mantêm o livro em sua forma perfeita? Ou irá desfrutá-lo e desmanchá-lo?”, questiona a artista.

Pelo que pudemos ver nas fotos, não parece que o livro fica tão ruim assim, só não fica como no original. Você teria coragem?


Teca Machado

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Dias de Despedida - Resenha


E se os seus três melhores amigos morressem num acidente de carro e você se sentisse culpado? Como seguir em frente, como sobreviver sozinho? Essa é a premissa do lindo, tocante e ótimo Dias de Despedida, de Jeff Zentner, que recebi da Editora Seguinte (Companhia das Letras). Pegue um lencinho e se prepare que lágrimas virão.

Foto @casosacasoselivros


Um pouco antes de as aulas voltarem, Carver perdeu seus três melhores amigos Mars, Eli e Blake. Eles estavam a caminho de encontrar com o garoto, que estava impaciente e mandou uma mensagem perguntando onde estavam. Nesse meio tempo, eles sofreram um acidente de carro e no celular de Mars, o motorista, encontraram uma mensagem meio digitada com uma resposta a Carver. Ele se culpou, a irmã de um dos garotos também, assim como algumas das famílias. Além de sofrer um luto profundo recheado de vazios e ataques de pânico, Carver agora precisa se preocupar com um processo criminal que o pai de Mars, um juiz, pediu que fosse aberto para investigar se o garoto teve intenção de matar os amigos ou não. Em meio a um furacão tão profundo, Carver só pode contar com Jesmyn, a namorada de Eli, sua irmã Georgia, o terapeuta dr. Mendez e vovó Betsy, avó de Blake, que lhe pede que organize um “dia de despedida”, uma forma de homenageá-lo e compartilhar memórias do garoto.

Dias de Despedida foi um livro que me deixou deitada na BR atropelada por emoções. Foi uma história que me fez sentir, me fez sorrir, me fez chorar – várias vezes - e me fez ficar arrasada pelas vidas perdidas de forma tão prematura. Claro que eu sei que nada disso aconteceu, mas Zentner escreve de forma tão real, tão humana, que é impossível não se envolver e acreditar em tudo aquilo.

Jeff Zentner (Gente, achei bem gato!)
Em vários momentos tudo o que eu queria era dar um abraço em Carver. O garoto perdeu algumas das pessoas que mais amava no mundo e ainda precisou lidar com a culpa que ele mesmo se impôs e que outras pessoas despejaram sobre ele. Ele teve carinho e apoio de algumas poucas outras, mas nunca se sentiu merecedor disso. Ele foi um ótimo protagonista, que me fez importar com a sua situação e chorar junto.

Zentner criou o enredo de uma maneira que misturou o presente de tristeza e luto com o passado sorridente. A cada vez que Carver faz um dia de despedida com a família dos seus amigos, temos acesso a flashbacks do passado onde conhecemos melhor cada um dos garotos que perderam a vida. Eles são ótimos, eles completam Carver e cada um tem uma história própria que nos faz ficar triste por ter sido tão curta.

Além de Carver e seu grupo de amigos, que se chamava Trupe do Molho, há ótimos personagens secundários. O dr. Mendez é um profissional e pessoa incrível, que me fez querer ser amiga e paciente dele. Georgia é a melhor irmã que Carver poderia ter. E a vovó Betsy é um docinho, é aquela senhorinha que eu quero amassar e apertar. Jesmyn é uma fofa e muito coerente com tudo o que diz e fala. E ainda há a família de Eli e o pai de Mars, cujas atitudes grosseiras são compreensíveis devido ao tamanho da sua dor.

O autor soube trabalhar muitos temas delicados em meio ao luto. Homossexualidade, abandono infantil, problemas psicológicos, racismo, amizade, perdão, esperança e mais. Gostei do fato de que Zentner não nos forçou goela abaixo um romance e nem uma resolução de problemas, ele não insiste em ficar tudo bem e rápido. Essa é uma cura que demanda muito tempo e nunca será completamente cicatrizada.

Dias de Despedida é sensível, é musical e poético, é uma prosa que vai aquecer seu coração, mesmo em meio a tanta dor. Ao terminar, é impossível não pensar em como devemos aproveitar a vida, dizer àqueles que amamos como nos sentidos, porque nunca sabemos quando será o último dia.


Recomendo muito.

Teca Machado



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata - Crítica


Sabe aquele filme que quando termina te deixa com um sorriso no rosto e o coração quentinho? Foi assim que me senti no fim de Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme da Netflix com a Lily James (amo!) e dirigido por Mike Newell, de Harry Potter e o Cálice de Fogo.


Com um título inusitado e que chama a atenção, a história é de uma delicadeza e sensibilidade sem fim. Baseado no livro homônimo de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, temos um enredo de ficção que se passa num período histórico real. E tirando o fato de que temos em 1946 uma mulher jovem, solteira, extremamente bem sucedida e admirada (o que definitivamente não acontecia naquela época), tudo ali poderia ter acontecido.

Numa Inglaterra pós II Guerra, onde tudo e todos estão se reconstruindo, Juliet Ashton (Lily James) despontou como um sucesso do mundo literário. Em meio a uma turnê, que definitivamente não queria fazer, e a um namorado loiro, lindo e americano (Glen Powell), Juliet recebe uma carta de um estranho chamado Dawnsey (Michiel Huisman), da ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha. Ele diz que encontrou seu nome e endereço num livro antigo e pede que faça a gentileza de enviar um livro, que ele não consegue encontrar onde mora. A escritora se sente atraída pela carta, pela maneira do rapaz escrever, e passa a se corresponder com ele. Assim descobre a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, criada no local durante o período da ocupação nazista. Encantada com a história, Juliet vai para Guernsey conhecer essas pessoas e suas reuniões e se envolve com eles muito mais do que imaginou.



O roteiro – e imagino que o livro – fala sobre amor, claro. Alguma dúvida que que Juliet e Dawnsey se apaixonariam? Mas isso é plano de fundo, é consequência de toda jornada da protagonista e do que ela encontrou em Guernsey. Há pessoas tentando seguir em frente, ainda marcadas profundamente, mas que sorriem, sentem prazer na companhia uma das outras e da vida simples, de uma “família” que se uniu para proteger aqueles que amam. Fala-se sobre os horrores que a ilha passou na ocupação, de partir o coração quando escravos que foram usados na construção de fortes quando de crianças pedem ajuda, assim como se debate sobre o peso da suástica: seriam todos os nazistas iguais? E há ainda a admiração de uma mulher pela outra. Juliet imerge na história de Elizabeth (Jessica Brown Findlay), a criadora da sociedade literária e uma pessoa extraordinária. Em momento nenhum a protagonista a enxerga como uma rival, mas alguém em quem se inspirar.

O elenco brilha. Lily James está vivendo seu momento, fazendo um filme atrás do outro. E sua doçura passa para os personagens. Juliet é carismática, nos faz sorrir, vai atrás do que quer, mesmo que possa parecer um pouco intrometida. Michiel Huisman (se você está tentando lembrar de onde o conhece, ele foi um dos Daarios de Game of Thrones) também está muito bem, como um homem cheio de abnegação, um coração do tamanho do mundo e lealdade. Tom Courtenay é Eben, o “inventor” da torta de casca de batata, Penelope Wilton vive Amelia, a anfitriã das reuniões e quem mais sofreu entre eles, Katherine Parkinson interpreta Isola, excêntrica e maravilhosa, e ainda há Jessica Brown Findlay como Elizabeth, quem uniu a todos. E não podemos esquecer de Matthew Goode, no papel de melhor amigo e editor de Juliet.



A fotografia de Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é linda, nos transportando para os anos 1940, para a Londres do período e para a ilha de Guernsey (bom, mais ou menos, porque não foi filmado lá). As cores, o figurino e as locações, tudo é um lindo tem uma luz maravilhosa.

Fiquei morrendo de vontade de ler o livro que originou o livro. E uma curiosidade: Mary Ann Shaffer, autora, entregou seu livro para os editores. Durante o processo, descobriu um câncer agressivo e pediu que Annie Barrows, sua sobrinha, fizesse as edições e mudanças solicitadas. Muito doente para continuar, Mary Ann disse à Annie que ela era a escolhida por ser a outra escritora da família. A autora morreu pouco antes do lançamento e não pôde ver sua obra virar best-seller.


Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é um filme para entrar no seu coração e te deixar com um nó na garganta – e talvez até mesmo com umas lágrimas rolando.

Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Leituras de agosto


Agosto, também conhecido como “o mês vai longo do ano”, terminou. Apesar de ser comprido, não li tanto assim. A vida de adulto é dura, o tempo para leitura diminui, mas a gente não para nunca.

Eu fiz três leituras bem boas, diferentes entre si. Quase foram quatro. Faltavam 15 páginas do livro que estava lendo, mas dormi antes de terminar, então vai contabilizar para setembro.




As três obras já ganharam resenha, então se ficou interessado em saber um pouco mais sobre cada um deles é só clicar no nome.

E o que vocês leram esse mês? E o que pretendem ler em setembro?


Sinto que vou começar o mês bem, já que inicio hoje Court of Frost and Starlight, de Sarah J. Maas. Esse volume é o que chamam de “novela”, uma história mais curta da série Corte de Espinhos e Rosas, que vai introduzir a saga nova, focada nas irmãs de Feyre. Esse livro ainda não foi lançado no Brasil, mas a minha amiga Sarah Bailey, que mora em Londres, me mandou um exemplar em inglês e eu quase surtei de emoção.

Teca Machado