quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata - Crítica


Sabe aquele filme que quando termina te deixa com um sorriso no rosto e o coração quentinho? Foi assim que me senti no fim de Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme da Netflix com a Lily James (amo!) e dirigido por Mike Newell, de Harry Potter e o Cálice de Fogo.


Com um título inusitado e que chama a atenção, a história é de uma delicadeza e sensibilidade sem fim. Baseado no livro homônimo de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, temos um enredo de ficção que se passa num período histórico real. E tirando o fato de que temos em 1946 uma mulher jovem, solteira, extremamente bem sucedida e admirada (o que definitivamente não acontecia naquela época), tudo ali poderia ter acontecido.

Numa Inglaterra pós II Guerra, onde tudo e todos estão se reconstruindo, Juliet Ashton (Lily James) despontou como um sucesso do mundo literário. Em meio a uma turnê, que definitivamente não queria fazer, e a um namorado loiro, lindo e americano (Glen Powell), Juliet recebe uma carta de um estranho chamado Dawnsey (Michiel Huisman), da ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha. Ele diz que encontrou seu nome e endereço num livro antigo e pede que faça a gentileza de enviar um livro, que ele não consegue encontrar onde mora. A escritora se sente atraída pela carta, pela maneira do rapaz escrever, e passa a se corresponder com ele. Assim descobre a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, criada no local durante o período da ocupação nazista. Encantada com a história, Juliet vai para Guernsey conhecer essas pessoas e suas reuniões e se envolve com eles muito mais do que imaginou.



O roteiro – e imagino que o livro – fala sobre amor, claro. Alguma dúvida que que Juliet e Dawnsey se apaixonariam? Mas isso é plano de fundo, é consequência de toda jornada da protagonista e do que ela encontrou em Guernsey. Há pessoas tentando seguir em frente, ainda marcadas profundamente, mas que sorriem, sentem prazer na companhia uma das outras e da vida simples, de uma “família” que se uniu para proteger aqueles que amam. Fala-se sobre os horrores que a ilha passou na ocupação, de partir o coração quando escravos que foram usados na construção de fortes quando de crianças pedem ajuda, assim como se debate sobre o peso da suástica: seriam todos os nazistas iguais? E há ainda a admiração de uma mulher pela outra. Juliet imerge na história de Elizabeth (Jessica Brown Findlay), a criadora da sociedade literária e uma pessoa extraordinária. Em momento nenhum a protagonista a enxerga como uma rival, mas alguém em quem se inspirar.

O elenco brilha. Lily James está vivendo seu momento, fazendo um filme atrás do outro. E sua doçura passa para os personagens. Juliet é carismática, nos faz sorrir, vai atrás do que quer, mesmo que possa parecer um pouco intrometida. Michiel Huisman (se você está tentando lembrar de onde o conhece, ele foi um dos Daarios de Game of Thrones) também está muito bem, como um homem cheio de abnegação, um coração do tamanho do mundo e lealdade. Tom Courtenay é Eben, o “inventor” da torta de casca de batata, Penelope Wilton vive Amelia, a anfitriã das reuniões e quem mais sofreu entre eles, Katherine Parkinson interpreta Isola, excêntrica e maravilhosa, e ainda há Jessica Brown Findlay como Elizabeth, quem uniu a todos. E não podemos esquecer de Matthew Goode, no papel de melhor amigo e editor de Juliet.



A fotografia de Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é linda, nos transportando para os anos 1940, para a Londres do período e para a ilha de Guernsey (bom, mais ou menos, porque não foi filmado lá). As cores, o figurino e as locações, tudo é um lindo tem uma luz maravilhosa.

Fiquei morrendo de vontade de ler o livro que originou o livro. E uma curiosidade: Mary Ann Shaffer, autora, entregou seu livro para os editores. Durante o processo, descobriu um câncer agressivo e pediu que Annie Barrows, sua sobrinha, fizesse as edições e mudanças solicitadas. Muito doente para continuar, Mary Ann disse à Annie que ela era a escolhida por ser a outra escritora da família. A autora morreu pouco antes do lançamento e não pôde ver sua obra virar best-seller.


Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é um filme para entrar no seu coração e te deixar com um nó na garganta – e talvez até mesmo com umas lágrimas rolando.

Recomendo muito.

Teca Machado

10 comentários:

  1. Oi, Teca!

    Eu adorei esse filme! É romântico, sensível, um drama que nos envolve por completo. Não esperava que a história contasse com fatos da guerra, e a combinação ficou muito boa, deixando assim o filme bem equilibrado. Lendo a sua resenha já fiquei na vontade de assistir de novo!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com/

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    1. Como não amar, né?
      Até eu estou com vontade de ver de novo, haha.

      Beijooos

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  2. eu to completamente apaixonada por esse filme!!! é uma fofura demais, muito sensível, eu adoro essa ambientação de época pós 2 guerra e com tema de livros entao mais apaixonante ainda!

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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    1. É para deixar o coração quentinho de amor, né?
      <3

      Beijoooos

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  3. Oi Teca, tudo bem?
    Tá bem de boy essa moça, hein? HAHAHA!
    Adorei a crítica, me deixou super curiosa pra conferir. Eu admito que o título me causou certa estranheza, não tinha levado muito a sério a trama, mas agora (sabendo mais a respeito) eu quero conferir.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Tá muito bem de boy: dois gatos!
      Hahahaha
      O título eu acho bacana demais, por chamar a atenção.
      Assiste, você vai gostar!

      Beijooos

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  4. Já está na minha lista pra assistir :)

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  5. Oi Teca, eu amei esse filme. O romance, o drama, a fotografia como vc citou, tudo! Quando terminei fiquei com vontade de ler o livro tb!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Gente, não conheço UMA pessoa que não tenha amado demais esse filme!

      Beijooos

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