quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Nailed It! - Crítica


Quando vejo televisão, se não estou na Netflix, provavelmente ela vai estar sintonizada no Discovery Home & Health. Gosto de deixá-la ligada no canal aos fins de semana e enquanto arrumo a casa ou faço algo que não precisa da minha atenção total, vejo coisas de noivas, de reforma/compra e venda de imóveis e comida. Ah, e como eu amo programas de comida! Não sou uma pessoa com mão para cozinhar, mas gosto de comer que é uma beleza. Então, como os shows culinários fazem muito sucesso há anos e não estão saturados ainda, é lógico que a nossa gigante de streaming preferida ia criar um reality show com o tema e ele é ótimo: Nailed It! (Ou Mandou bem!).

Melhor do que falar sobre ele, deixa eu mostrar um teaser do programa:


Baseado em posts de “expectativa versus realidade” do Pinterest, o diferencial de Nailed It! é que ele não procura o melhor confeiteiro, e sim o “menos pior”. No caso, os participantes são amadores (alguns muitos e outros mais ainda) e a cada episódio três pessoas lutam para reproduzir o bolo criado por um chef. O que se sair melhorzinho, leva U$ 10 mil.

A graça de Nailed It! é o fato de ninguém ter muita ideia do que está fazendo então encontramos “obras de arte” maravilhosas como essas:




É sempre uma surpresa o horror que vamos ver.

E se você não gosta de concursos culinários longos, como Masterchef, em que cada semana um participante é eliminado, Nailed It! tem a vantagem de que cada episódio é solo, com início, meio e fim. E são apenas 2 temporadas, com seis episódios a primeira e sete a segunda, sendo que cada um tem aproximadamente meia hora.

O programa é voltado para a comédia, tanto que a apresentação fica a comando da comediante Nicole Byer e do chef fixo Jacques Torres. Eles transformam o jogo em algo leve, divertido e, apesar de criticarem, são bem-humorados, não tão duros e cruéis como acontece nos realities do tipo.

Nicole Byer e Jacques Torres

E se você já assistiu e gostou do programa, a Netflix também lançou um especial de Natal e Ano Novo de Nailed It! e a versão mexicana. Além disso, há uma outra série no mesmo estilo, apesar de um pouco mais elaborada, que é Sugar Rush.

Nailed It! não vai realmente te acrescentar em nada, mas vai te divertir naqueles dias que você quer assistir algo para desestressar a mente e relaxar.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Comentários



E como acontece nos últimos quatro anos, fiz uma “live” no meu Facebook no dia do Oscar, comentando em tempo real o que estava acontecendo na cerimônia.

Em 2019 não podia ser diferente, né?

Se você vive em outro planeta e não está sabendo, ontem (24) aconteceu a 91ª primeira edição da noite mais importante do cinema. Mas deu até desânimo, porque foi um dos Oscars mais chatos dos últimos anos, apesar da quantidade de filmes bons. Sorte que tínhamos a Lady Gaga para salvar!

Então vamos lá?

1- O número de abertura foi uma apresentação do Queen, com alguns dos maiores sucessos da banda, mas quem é Adam Lambert na fila do pão perto de Freddie Mercury?
2- Adoro a edição que fazem com cenas dos maiores filmes do ano, não necessariamente os que estão concorrendo.
3- Em 2019, depois de muito tempo, não tivemos apresentador no Oscar por causa de uma treta com o Kevin Hart, mas Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph começaram um monólogo para apresentar a primeira categoria e pareceram quase as anfitriãs da cerimônia.
4- O primeiro Oscar da noite, para Melhor Atriz Coadjuvante, foi para Regina King, por Se a Rua Beale Falasse. E estava linda de branco!

Regina King
5- Helen Mirren e Jason Momoa no palco de rosa e brincando que os tempos mudaram: um deus havaiano e uma senhora inglesa podem usar rosa e ficar ótimos. Fofos!
6- Free Solo, sobre acreditar no impossível, ganhou como Melhor Documentário e o diretor quase soltou um palavrão no discurso. 
7- Categoria de Maquiagem e Penteado não foi surpresa ir para Vice. 
8- Melissa McCarthy e o moço que não descobri o nome vestidos e falando como a rainha Anne de A Favorita e Mary Poppins, concorrentes de Melhor Figurino. E quem levou foi para Pantera Negra. 
9- J. Lo está parecendo um globo de luz, mas quero ficar gata igual ela quando crescer. 
10- Pantera Negra ganhou mais um, de Design de Produção. A vencedora está igualzinha os personagens de Wakanda.
11- Depois de reclamarem, voltaram a categoria de Melhor Fotografia para a cerimônia, não para os comerciais. E quem levou foi Roma. 
12- Vocês viram a reação da Glenn Close ao ver a Melissa McCarthy no tapete vermelho? Impagável! 

Olha a cara da Glenn Close!

13- Daenerys na área! Estranho ver a Khaleesi morena e sem tentar tomar Westeros. Apresentou a primeira performance de músicas que concorrem. 
14- Uai, a tenista Serena Williams apresentou uma categoria. Achei que fosse só atores ou envolvidos com cinema. 
15- Ah, gente, adoro o James McAvoy. Ele é tão foto e excelente ator! Mas esse ano só apresentou mesmo uma categoria. 
16- Bohemian Rhapsody levou seus primeiros Oscars, com Melhor Edição de Som e Melhor Mixagem de Som. 
17- A Maya Rudolph está parecendo a cortina da casa da avó. 

Maya Rudolph, Tina Fey e Amy Poheler
18- Angela Basset está maravilhosa!
19- Javier Barden falou em espanhol para apresentar Melhor Filme de Língua Estrangeira e cutucou o Trump, dizendo que nenhum muro pode separar as pessoas e o talento. E quem levou foi Roma. 
20- Desceram do palco de guarda-chuva igual a Mary Poppins para apresentar a música do filme. Único momento da noite mais bem produzido. E a Beth Middler cantando é amor.
21- Não consigo gostar do Michael Keaton. Ele é muito esquisito. 
22- Bohemian Rhapsody ganhou mais um: Melhor Edição. 
23- Eu fico impressionada com como a Charlize Theron consegue ser tão maravilhosa com qualquer cabelo, qualquer roupa. 
24- Sem dúvida Mahershala Ali ganharia na categoria Melhor Ator Coadjuvante por Green Book. Ele arrasou!

Mahershala Ali ao receber o Oscar
25- Nossa, vou muito querer ir no Academy Museum que inaugura em breve. 
26- Pharrell está no Oscar de bermuda! 😂
27- Spider-man no Aranhaverso levou de Melhor Animação. Era realmente o favorito. 
28- Não sei se é o fato de não ter apresentador, mas o Oscar esse ano está TÃO chocho. A galera está com cara de bunda na plateia. 
29- O curta de animação Bao, que passa antes de Os Incríveis 2 ganhou. Bonitinho!
30- Um filme sobre menstruação ganhou como Melhor Documentário de Curta-Metragem e a diretora agradeceu dizendo que não estava chorando porque estava de TPM. 😂
31- “Imigrantes e mulheres são quem movem o mundo” - Não sei quem é o cara que falou, mas foi junto com o Diego Luna ao apresentarem Roma. 
32- Paul Rudd não envelhece um dia. Impressionante. 
33- Ah, Lady Gaga e Bradley Cooper no palco cantando Shallow. ESSA MULHER CANTA DEMAIS, mesmo super nervosa! Até arrepia! (Mas a apresentação dela de Till’ It Happens To You em 2016 foi muito mais emocionante e ela deveria ter ganho).


Assim a gente até chora de emoção!

34- Melhor Roteiro Original foi para Green Book. 
35- Olha, já vi gente feliz com o Oscar, mas o Spike Lee por Melhor Roteiro Adaptado por Infiltrado na Klan, está o mais feliz da vida. 
36- Brie Larson e Samuel L. Jackson pareceram se divertir muito no plano. 
37- Eita que Pantera Negra está ganhando vários. Agora levou de Melhor Trilha Sonora. E o moço que está agradecendo tem cara de 22 anos. 
38- Gaga ganhou por Melhor Música, lógico. E está linda de preto e uns diamantes gigantes (só consigo olhar para eles). Tão nervosa e humilde.

Cantora alcançou marco histórico após vitórias no Oscar, Grammy, Globo de Ouro, Bafta e Critics' Choice, tudo na mesma temporada. 
39- Esse ano o único realmente famosão que apareceu no “in memorian” foi o Stan Lee. 
40- Barbara Streisand, para quem não sabe, fez o papel da Lady Gaga no remake de Nasce Uma Estrela nos anos 1970.
41- Estou torcendo para o Rami Malek como Melhor Ator, mas acho que o Christian Bale leva. 
42- Aaaaaaah, deu Rami Malek!!!! Ele mereceu. Se transformou no Freddie Mercury. E fez um discurso lindo e o fofo, disse que Lucy Boynton, sua namorada e par romântico no filme, “capturou seu coração”. ❤️

Rami Malek recebendo o Oscar

43- Olivia Colman ganho de Melhor Atriz por A Favorita. A nova rainha Elizabeth em The Crown está realmente incrível. E fez um discurso engraçado e disse que quando trabalhava com faxina treinava que ganhava um Oscar. E olha só, ganhou!
44- Nos intervalos estão passando vários trailers de O Rei Leão, que estreia em julho, e eu só quero dizer que mesmo com 31 anos não tenho maturidade nenhuma para ver o Mufasa morrendo EM LIVE ACTION. 
45- Estava bem óbvio que Alfonso Cuarón ia ganhar de Melhor Diretor. 
46- Julia Roberts linda, plena e elegante de rosa. 

Julia Roberts divando de rosa

47- Fiquei tão feliz que Green Book ganhou de Melhor Filme! Ele aquece o nosso coração. Se ainda não viram, vejam!
48- Sem apresentador, a Julia Roberts encerrou no que pareceu uma improvisação. 
49- E para encerrar: O Oscar 2019 foi o mais chato dos últimos anos, uma cerimônia quadrada, conservadora e sem grandes efeitos. Deviam aprender com o Brit Awards e colocar o Hugh Jackman para dançar. O último legal foi quando o DiCaprio ganhou. 
50- Foi um prazer estar com vocês. Está o 92° Oscar. Beijo 😘

E vocês, o que acharam? Torceram para quem?

Para ver a lista completa de vencedores é só vir aqui.

Teca Machado

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A Favorita – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eis que chega ao fim mais uma maratona do Oscar aqui no blog! Todos os anos assisto – ou tento assistir – a todos os concorrentes da categoria Melhor Filme. E ontem vi o último da lista: A Favorita, do diretor Yorgos Lathimos. No final do post você encontra link para crítica de todos eles.


Apesar de ter gostado de A Favorita (não, não é a novela da Globo em que Patrícia Pilar e Claudia Raia cantam Beijinho Doce), achei que gostaria mais. Fui com muita sede ao pote, já que era uma história de 1700 – e eu amo enredos históricos – e com atrizes estupendas. Foi bacana, mas um dos menos preferidos por mim entre os concorrentes. Só que dizem os críticos especializados que tem muitas chances de levar o prêmio.

Baseado livremente numa história real, A Favorita tem como foco três mulheres: A rainha Anne, da Inglaterra (Olivia Colman), Lady Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone). Fragilizada física e psicologicamente, a rainha deixa nas mãos de Sarah, a quem conhece desde criança e confia sua vida, o governo do reino. Ela é quem viabiliza guerras – inclusive tem uma abordagem bem agressiva sobre um conflito com a França -, faz reuniões, cuida da contabilidade e toma todas as decisões importantes, manipulando a monarca para que a sua vontade seja feita. Além disso, é quem divide a cama com Anne. Até que chega Abigail, uma prima distante de Sarah, que já foi lady, mas a família viveu uma crise, então se vê obrigada a ser criada no castelo. Mas como é jovial, ingênua e encantadora, Abigail percebe que pode fazer uma escalada social e cair nas graças da rainha. Começa, então, a batalha entre Sarah e Abigail para ver quem é a favorita de Anne.



Não podemos dizer que o filme é engraçado, mas é uma sátira bem ácida da corte inglesa e seus costumes. Além disso, propõe um jogo de xadrez muito bem orquestrado pelas três mulheres, onde manipulação e coerção são muito bem aproveitadas. Nesse enredo o sexo feminino é o foco, já que os homens estão ao redor em quase mera figuração, a não ser Nicholas Hoult, como Harley, tipo um secretário do tesouro da corte e que é veementemente contra a guerra que Sarah está fazendo acontecer.

Yorgos é conhecido por trazer o inquietante e até mesmo repugnante para as telas, o que ele faz em A Favorita principalmente com cenas de vômitos – são várias, acredite. E a intenção é essa mesma, passar um desconforto ao espectador enquanto acompanha intrigas e política.



Colman, Weisz e Stone estão incríveis, em papeis complexos. Olivia Colman está estupenda como a rainha, nos causando desconforto a todo instante. Age como um bebê mimado na maior parte do tempo, mas vive um sofrimento físico e mental de grandes proporções. Sempre que Colman está em tela, entrega tudo de si, mesmo que sejam seus piores ângulos. E viverá mais uma rainha da Inglaterra em breve. Ela é quem interpreta a rainha Elizabeth nas próximas temporadas de The Crown. Weisz é até difícil comentar, porque são pouquíssimos os papeis em que a atriz não se destaca. Lady Sarah é complexa, manipuladora, sincera e passa a impressão de fria, porque mesmo em seus piores momentos não perde a pose e acredita que lágrimas são desnecessárias. Emma Stone começa destrambelhada e com o carisma que conhecemos e amamos, mas a sua personagem tem ambições gigantescas e não perde a chance. É quem mais muda com o passar do filme. Aliás, não sei se muda ou se realmente mostra quem sempre foi. O trio, muito coeso e com química, está concorrendo ao Oscar, com Colman como Melhor Atriz (apesar de eu achar que a protagonista é Sarah), e Weizs e Stone como Melhor Atriz Coadjuvante.

Um dos maiores acertos de Yorgos é o figurino, lindíssimo e ao mesmo tempo que remete ao período histórico, com a opulência, luxo e exageros – principalmente masculinos - tem um quê moderninho. As cores são sóbrias, principalmente das mulheres e representam muito bem a personalidade de cada uma das personagens. Além disso, o diretor brincou muito com a iluminação natural. Pesquisando sobre a produção, vi que ele usou quase que na totalidade apenas luz do sol e de velas, para criar uma sensação de maior realidade com a época.



Fato aleatório que em nada muda a sua percepção do filme, mas é interessante: Lady Sarah está na árvore genealógica tanto de Winston Churchill quanto da princesa Diana. Seu nome era Sarah Winston e o primeiro ministro do século XX inclusive nasceu no castelo que a rainha Anne mandou construir para ela. 

A Favorita está concorrendo aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Atriz (Olivia Colman), Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel Weizs), Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Montagem e Melhor Figurino de Arte.

Recomendo.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vice – Crítica – Maratona Oscar 2019


Rami Malek, eu estou torcendo por você, mas acho que o Oscar não será seu esse ano. Cheguei a essa conclusão ao final de Vice, do diretor Adam McKay, que está concorrendo à principal categoria do Oscar 2019. O Christian Bale no papel do protagonista está espetacular e eu não vou ficar nenhum pouco surpresa se ele ganhar.


Vice é um filme biográfico que mostra a trajetória de Dick Cheney (Bale), vice-presidente dos Estados Unidos no governo George W. Bush (Sam Rockwell). Aí você pensa: qual a importância de um vice-presidente para se feito um filme sobre ele, afinal, o cargo é quase simbólico – ou como dizem na produção, “é ficar sentado esperando o presidente morrer”? Bom, Dick Cheney foi muito mais do que apenas simbólico.

No longa, acompanhamos Cheney desde a juventude, quando teve muitos problemas com álcool, drogas e falta de compromisso. Era mediano apenas. Até que Linney (Amy Adams), sua esposa, lhe dá um ultimato e ele cria juízo. E começa aí a trajetória que o levou até a Casa Branca e o tornou responsável pela Guerra do Iraque e muitas outras coisas mais.



Muitos se perguntam como um homem como Cheney não chegou ao cargo máximo do país mais poderoso do mundo. Será mesmo que não chegou? Para aceitar ser vice, ele fez um acordo com Bush, no qual se tornou responsável por decisões mais importantes que o próprio presidente. E é impressionante como Bush foi retratado como um mané (essa é a melhor palavra que o descreve), manipulável e, basicamente, um burro – assim como toda população americana.

Geralmente biografias são com personalidades minimamente populares. É só lembrar do ano passado, quando Churchill foi celebrado em dois filmes e lutou contra vilões na II Guerra Mundial. Bom, aqui Cheney é o vilão. Se você pesquisar um pouquinho que seja sobre ele, vai descobrir fatos pouquíssimos lisonjeiros. E segundo dize, ele é ainda pior do que o filme mostrou. O filme, cujo roteiro também é de McKay, não tenta amenizar seus atos e nem humanizar a persona. Mostra seu lado ardiloso, manipulador, sedento de poder e frio (é, galera, ele foi o responsável pela tortura ser permitida, usando apenas um outro nome menos pesado). Em uma excelente cena final, com a quebra da quarta parede (quando o personagem fala diretamente com o público), isso fica ainda mais claro.


Claro, Cheney não é uma pessoa boazinha, mas podemos dizer que Linney é farinha do mesmo saco. Naquela relação um puxa o outro e estou para ver um casal que se merece mais do que eles.

Claro que a direção e o roteiro de Mckay são imprescindíveis, mas Vice não seria nada sem um elenco coeso e entregue. Christian Bale está, como eu disse lá em cima, nada menos do que espetacular. Sua atuação, seus trejeitos, seu olhar, tudo, é muitíssimo real. Fora que a forma física também, porque ele ganhou 33 quilos para viver esse papel e fez exercícios específicos para engrossar o pescoço. Amy Adams não fica atrás, assim como Sam Rockwell. Os três atores estão concorrendo ao Oscar, não é por menos. E apesar de não ter sido nomeado à premiação, Steve Carell merece elogios pela interpretação de Donald Rumsfield, mentor de Cheney.




Vice segue o estilo de Mckay que conhecemos em sua outra produção que concorreu ao Oscar: A Grande Aposta. Ele tem uma pegada engraçada, ácida, satírica e que muitas vezes foge da realidade (como a cena em que Cheney e Linney conversam na cama com frases shakespearianas ou quando no meio do filme créditos finais sobem). No letreiro inicial, afirmam que o filme é baseado numa história real. Bom, o máximo possível, porque Cheney é furtivo e eles fizeram seu melhor trabalho de pesquisa apesar de tudo. Acho que podemos dizer que McKay é um zueiro.

Cheney e Linney ainda estão vivos e muitíssimo bem. Eu gostaria muito de saber como eles se sentiram ao assistir Vice – se é que assistiram – e se viram retratados como a personificação do mal na Terra.


Vice está concorrendo ao Oscar 2019 nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Christian Bale), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Sam Rockwell), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Maquiagem e Penteado.

Recomendo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Roma – Crítica – Maratona Oscar 2019


Todos os anos tento assistir a todos os filmes que concorrem na categoria Melhor Filme do Oscar. Em 2019 eu me interessei por todos, menos um: Roma. Confesso que fui relutante assistir a produção do diretor Alfonso Cuarón, disponível na Netflix (Bom, pelo menos eu não ia gastar no cinema com um filme que não estava a fim de assistir). No fim das contas, não odiei, como achei que detestaria, mas também não gostei. Ficou naquele limbo de "ok, mas não veria de novo".


O pior foi o comecinho. Quando o letreiro começou, já revirei os olhos, porque até ele é devagar. Muito devagar. E o filme foi indo lento, num ritmo que me fez indagar para onde a história estava indo. Depois de um tempo me acostumei e inclusive me interessei pela história de Cleo (Yalitiza Aparicio). 

Roma segue um ano na vida dela, uma empregada doméstica de origem indígena, que no México dos anos 1970 trabalha para uma família de classe média e tem um carinho gigante pelas crianças da casa e é bem tratada por todos, mas ainda assim é quem faz todo o trabalho pesado, junto com Adela (Nancy García García).



Apesar de ser Cleo a protagonista, vemos outra mulher que lutar para se reerguer após tristezas, que é a sra. Sofía (Marina de Tavira), patroa. Ela e Cleo passam por situações semelhantes, apesar de cada uma com a sua particularidade, e tentam fazer o melhor com o que a vida deu e de certa forma se apoiam, o que é bonito de assistir.

O movimento da câmera – às vezes até mesmo inexistente -, a falta de cores, o jogo de sombra e luz, a importância dos filmes dentro do filme e a imobilidade dão um ar de realmente ser uma produção dos anos 1970. Uma cena em particular, dentro do hospital, com todos esses elementos, gera uma sensação de impotência tão grande que sofremos junto com a personagem.


No fim, fiquei com aquela cara de interrogação, de "ué, acabou?". Entendi o filme, mas sabia que ele tinha muito mais camadas psicológicas do que eu peguei de primeira, então pesquisei sobre a produção e passei inclusive a gostar mais dela e a entender melhor o propósito da obra.

Roma é quase autobiográfico. Cuarón escreveu pensando na sua infância e em Libo, a quem ele dedica o filme. Ela trabalhou com a sua família desde que ele tinha 9 meses e foi a sua versão real de Cleo. A casa em que o diretor cresceu ficava no bairro Roma (e eu aqui pensando que era na cidade italiana!), e o filme inclusive foi filmado numa construção que foi toda alterada para parecer a que ele morou. E essas são apenas algumas das particularidades da obra.


Roma é lento, é quase a vida real mesmo, todo em preto e branco e cheio de simbolismos. Definitivamente não é um filme para qualquer pessoa. Não achei que tem todo o esplendor que está sendo alardeado, mas também não é ruim como achei que seria. É apenas muito diferente do que estamos acostumados, tanto no ritmo quanto na temática. Acho que no fim das contas sou uma pessoa muito mais "filme pipoca" mesmo.

Roma é o primeiro filme da Netflix que chegou a maior premiação mundial do cinema. Isso só mostra a força do serviço de streaming.


Roma está concorrendo a: Melhor Filme, Melhor Atriz (Yalitiza Aparicio), Melhor Atriz Coadjuvante (Marina de Tavira), Melhor Diretor, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som.

Recomendo, mas não para todo mundo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Green Book: O Guia – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eu imaginava que Green Book: O Guia, do diretor Peter Farelly, seria bom. Mas a sensação que fiquei ao final do filme foi a de que ele foi muito mais do que isso. Incrível descreve melhor. Me deixou com o coração quentinho. É aquela produção que eu recomendo de olhos fechados.


Com Viggo Mortenssen (nosso eterno Aragorn, que em nada lembra o personagem, agora envelhecido e com uma barriga imensa) e Mahershala Ali, dois atores sensacionais, Green Book é uma história real. Nos anos 1960, período altamente racista nos EUA (E por acaso deixou de ser?), Doc Shirley (Ali), um negro gênio da música, famoso no meio erudita, vai fazer um tour pelo país e precisa de um motorista que o leve aos concertos. Contrata Tony Vallelonga (Mortenssen), um descendente de italianos brutamontes que trabalhava em boates de NY. Ao passar principalmente nos estados do Sul, ambos não podem ficar nos mesmos hotéis, já que “pessoas de cor” não tinham permissão de se misturar com os brancos. Por isso levam na viagem o Green Book, um guia para que negros pudessem saber onde eram bem-vindos. 

Apesar do tom engraçado do filme, trazido na maior parte das vezes por Tony, seu apetite infinito e tiradas sem noção, Green Book deixa um nó na garganta em vários momentos (a cena da discussão na chuva dói na alma). Doc é um gênio, incrível, educado e um lorde, mas é tratado de forma terrível por causa da sua raça.



O mais interessante do filme é a interação entre Doc e Tony, interpretada de maneira sublime por Mortenssen e Ali. A química é muito forte entre eles. Enquanto o músico é erudito, fino e inteligente ao extremo, Tony é um falastrão, sem modos, mas carismático. Difícil não sorrir com ele. Vemos a evolução de ambos. Tony, antes um racista velado, se torna o maior defensor de Doc. E Doc, tão rígido e sério, passa a se divertir com Tony. E o psicológico dos personagens é bem trabalhado, principalmente de Doc. Com o passar do tempo ele começa a se abrir com Tony e temos um vislumbre de quem é o homem por trás do talento ao piano, o que o moldou.

Num ano que o tema racismo está sendo muito falado no Oscar e com muitos atores, diretores e histórias negras sendo celebradas, Green Book se diferencia dos outros concorrentes (Pantera Negra, Infiltrado na Klan, Se a Rua Beale Falasse) por ser dirigido por um homem branco e contado pela perspectiva de um branco, o que gerou críticas antes do filme ser lançado e amenizadas depois. E quando descobri que Peter Farelly era o diretor, fiquei muito surpresa, porque ele é conhecido por filmes pastelões e nada sérios, como Débi e Lóide, Quem Vai Ficar Com Mary?, O Amor é Cego e Eu, Eu Mesmo e Irene. Quem diria que faria um filme tão delicado e sentimental quanto esse?


Apesar de ser baseado numa história real, parentes de Doc, ainda vivos, afirmam que a amizade entre a dupla nunca existiu e que o filme foi uma “cascata de mentiras”. Ao mesmo tempo, a família de Tony afirma o contrário, usando inclusive trechos de entrevistas do músico que confirmam isso. Seu filho, Nick Vallelonga, é um dos roteiristas.

Sendo verdade ou não, o que importa é que Green Book: O Guia é um excelente filme, um tapa na cara da plateia e divertido ao mesmo tempo que emociona. 


Não deixe de ouvir a trilha sonora. Está linda.

A produção está concorrendo ao Oscar 2019 por Melhor Filme, Melhor Ator (Mortenssen), Melhor Ator Coadjuvante (Ali) e Melhor Roteiro Original.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia (Assistido)

Teca Machado

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Mais Lindo Que a Lua - Resenha


Que a Julia Quinn é a musa literária de muita gente, todos nós sabemos. Difícil é encontrar alguém que não se apaixonou pelos Bridgertons (eu, por exemplo, ainda não consigo saber qual dos irmãos e seus cônjuges eu gosto mais). Mas Mais Lindo Que a Lua, primeiro volume da duologia Irmãs Lyndon, publicado pela Editora Arqueiro, não teve uma aceitação tão boa assim e foi criticado por muita gente.

Foto @casosacasoselivros

Em Mais Lindo Que a Lua, Robert, o conde de Macclesfield, e Victoria Lyndon, a filha do vigário, se apaixonam perdidamente à primeira vista. Depois de semanas intensas e incríveis, que os marcou profundamente, fazem planos para fugir e se casarem. Mas os pais de ambos, contra a união, dão um jeito de separar o casal. Sete anos depois, por acaso Robert e Victoria se reencontram. Todo aquele sentimento que nutriam ainda está ali, mas também as mágoas e ressentimentos que esses anos tiveram sobre eles.

A primeira metade da história é doce, sensível e te deixa com um sorriso nos lábios. Ver Victoria e Robert se apaixonarem é lindo, assim como o reencontro deles e a reconexão. Mas então chegamos na página cento e pouco e ao olhar para o livro vemos que ainda tem metade da história, quando tudo parecia que já se encaminhava para o final. E é aí que o negócio desanda, o que deixou muita gente por aí irritada.

Julia Quinn
Não vou dar spoilers do que acontece, claro, mas a reviravolta encontrada por Julia Quinn não foi das melhores. A impressão que tive foi a de que o livro precisava ficar mais longo e ter mais ou menos o mesmo tamanho de todos os outros que já escreveu, então colocou um plot twist que não foi bacana e que fez Robert cair muito no conceito dos leitores, principalmente das mulheres.

Amor à primeira vista é um dos assuntos mais explorados em literatura, cinema e séries, mas ao tentar inovar e dar uma nova cara ao tema, Julia Quinn perdeu um pouco a mão. E é triste falar isso, porque eu amo a autora, mas é verdade.

Mas um ponto interessante desse livro é que antes de a história começar, a autora nos diz que não acredita em amor à primeira vista, o que parece um pouco ilógico vindo da mulher que escreve romances o dia todo. Mas decidiu dar uma chance ao tema e realmente acreditou, desde a primeira página, que Robert e Victoria realmente se apaixonaram instantaneamente. E é fofo ela falar assim, como se eles realmente fossem pessoas reais, que ela conheceu.

Mais Lindo Que a Lua não é ruim, principalmente se levarmos em conta a primeira metade do livro, que é recheada da magia Quinn da qual estamos tão acostumados. É só que não é a melhor obra dela, então não vá com muita sede ao pote. Pesquisando sobre ele, descobri que foi escrito em 1997, 13 anos antes da autora iniciar a série dos Bridgertons, então percebemos que houve uma melhora surpreendente na sua maneira de contar histórias. Só que tudo o que amamos na escritora – sua escrita ágil, sua maneira de nos fazer amar e compreender os personagens, o humor sempre presente, sem tirar o peso dramático – está ali, então vale a pena a leitura.

O segundo volume, já publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, é Mais Forte Que o Sol, que tem como protagonista Ellie, a irmã de Victoria que já conhecemos e amamos em Mais Lindo Que a Lua.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Sex Education - Crítica


Séries adolescentes é o que mais vemos por aí. E um tema é bem constante nelas: Relacionamentos amorosos e sexo. Pode ser de forma mais humorística ou séria, mas o assunto nunca fica longe dos roteiros. Mas talvez nunca produção tenha tratado não só de sexo, mas de sexualidade, com tanta honestidade e ao mesmo tempo sensibilidade quanto Sex Education, da Netflix.


O show, com apenas oito episódios na primeira temporada e já renovado para a segunda, fala abertamente sobre tantos assuntos que envolvem sexualidade – a maioria inclusive tabus - que é até difícil citar todos.

O título da série remete às infames aulas de educação sexual, pouco comuns no Brasil, que as escolas americanas e inglesas geralmente têm. Sempre são mostradas com um professor constrangido tentando ensinar principalmente a anatomia do negócio enquanto os alunos não levam a sério e dão risadinhas. Mas Sex Education vai além disso. Nela conhecemos Otis (Asa Butterfield), um garoto virgem de 16 anos que entende muito mais se sexualidade do que qualquer outro adolescente. Por ser filho de terapeutas sexuais, cresceu aprendendo sobre o assunto, mesmo que indiretamente. Então, Maeve (Emma Mackey) tem a ideia de transformar Otis em um terapeuta sexual da escola e cobrar por isso.



Em meio a atendimentos dos colegas, que possuem os mais diversos problemas em relação ao assunto, Otis precisa lidar com suas próprias dificuldades, já que não consegue nem ao menor se tocar sem ter um ataque de pânico. E parte desses traumas vêm da sua mãe Jean (Gillian Anderson), que apesar de sempre se manter aberta ao filho e aos seus questionamentos, não percebe que o analisa a todo instante e invade a sua privacidade. A relação dos dois traz uma dinâmica muito interessante ao enredo.

O mais interessante de Sex Education é a parte psicológica dos personagens, seja dos protagonistas, seja dos que aparecem poucas vezes. Mesmo quando os problemas sexuais parecem de cunho fisiológico, Otis vai até a raiz da questão e descobre motivações muito mais profundas, o que o torna um ótimo terapeuta sem nem ao menos perceber. 



Asa Butterfield e Emma Mackey estão ótimos. Asa, que sempre fez papeis um pouco mais sérios (ele é o Hugo Cabret ❤), mostra ao espectador um outro lado seu nessa dramédia, sem medo e sem vergonha mesmo nas cenas mais constrangedoras (e acredite: há várias). Emma faz um papel que tinha tudo para ser estereotipado, mas o faz com gentiliza à personagem. Gillian Anderson também está muito bem, como a terapeuta descolada e muitas vezes avoada que tem também seus problemas. Mas é impossível falar de Sex Education sem dizer que o melhor personagem de todos é Eric, o melhor amigo de Otis, interpretado maravilhosamente por Ncuti Gatwa. Sendo um dos únicos gays da escola e membro de uma família religiosa e conservadora, Eric não tem medo de mostrar quem é. E o mais interessante é que onde mais encontra consolo e compreensão é dentro da igreja e de casa, onde sempre acreditou que não teria. Estou encantada por ele, seu sorriso gigantesco e quero ser sua melhor amiga para todo o sempre.


Sex Education pode assustar algumas pessoas. Apesar de ser uma série adolescente, tem bastante nudez e cenas de sexo, quase sempre no começo do episódio, com uma pegada quase catastrófica e cômica e que irá levar ao problema que Otis vai resolver. Mas essas cenas não são eróticas, pelo contrário. São quase descontraídas. E a Netflix contratou um coordenador de intimidade (juro que essa profissão existe) para que os atores não se sentissem constrangidos e para evitar problemas de abusos sexuais no set.

Mais do que falar sobre sexo, a série mostra a importância de se conhecer, de não simplesmente ceder às pressões e outras pessoas e de saber quem você é e se sentir completo, antes de colocar outra pessoa na jogada. 


Sex Education é divertida, leve e relevante. Aguardo ansiosamente a segunda temporada.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Infiltrado na Klan – Crítica – Maratona Oscar 2019


Chegou aquela época do ano que eu amo, vocês amam e nós amamos todos juntos: O Oscar!

E como já é tradição aqui do blog, vai começar a série de posts sobre filmes que concorrem na principal categoria da premiação. Desde o ano passado já assisti e fiz a crítica de algumas das produções para vocês, mas agora começou oficialmente a maratona que vai até 24 de fevereiro, data da 91a edição do prêmio.

A crítica de hoje é de Infiltrado na Klan, do diretor Spike Lee.


Nos anos 1970, um policial negro americano conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan, junto com outro policial judeu. Detalhe: a KKK odeia ambos. Se não fosse uma história real, seria um enredo absurdo. Infiltrado na Klan, é baseado no livro autobiográfico de mesmo nome de Ron Stallworth. 

Numa era pós-Martin Luther King, quando os negros americanos estavam lutando pelos seus direitos e liberdade, Ron (interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington) se tornou o primeiro policial negro da polícia de Colorado Springs. Muitas vezes lutando contra o preconceito dos próprios colegas e da comunidade negra, que tinha aversão (e ainda tem) pela corporação, Ron se tornou um agente infiltrado. Meio por acaso, começa contato telefônico com a Ku Klux Klan (chamada de Organização pelos membros), mas por óbvias razões não pode se encontrar com eles ao vivo. Entra aí Plip (Adam Driver), colega policial que finge ser Ron nas reuniões enquanto o verdadeiro conversa com eles ao telefone.



E se você só sabe por cima o que é o KKK, segue uma pequena descrição para te contextualizar melhor sobre a importância desse filme: “Ku Klux Klan, também conhecida como KKK ou simplesmente Klan, é uma organização que defende correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração, o nordicismo,  anticatolicismo e o antissemitismo, historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem”.

Apesar de ser uma história dos anos 1970, Spike Lee nas dá um filme muito atual. Tanto que ele disse em entrevistas que só faria o filme se pudesse inserir críticas e reflexões dos nossos dias, o que ele faz com maestria, principalmente nas cenas finais e reais de acontecimentos de 2017. É impossível não pensar no racismo cotidiano, no discurso de ódio, no extremismo e até mesmo nas fake news (um dos integrantes da Klan diz que o Holocausto não aconteceu, foi invenção da mídia). Em certo momento David Duke (Topher Grace), presidente nacional do KKK diz que deseja tornar a América grande outra vez. Te lembra alguém?



A jornada de Ron é clara desde o início. É uma cruzada contra o racismo. Mas a de Plip vai se desenhando. Ele é judeu, apesar de nunca ter vivido como um. E nunca se incomodou com o fato, porque é um homem branco que não sofre preconceito. Mas quando está na KKK, passa a enxergar o ódio do branco cristão de extrema direita. E a missão se torna sua tanto quanto é de Ron. Adam Driver (nosso amado Kylo Ren) entrega um ótimo Flip, mas acho exagero estar concorrendo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. John David  Washington está excelente como protagonista, se jogando de cabeça naquele universo racista sem se deixar abalar psicologicamente. Já Topher Grace viu meses e milhões de entrevistas de David Duke para interpretá-lo, mas se sentiu extremamente deprimido ao fim das filmagens, devido a tantas mensagens de ódio disfarçadas em carisma que o líder da Klan propagou – e propaga até hoje.

Spike Lee mistura um certo tipo de humor mordaz e sarcástico que deixa Infiltrado na Klan mais leve, mas não menos sério. Esse é um filme necessário, pesado em vários momentos e que te faz refletir como o ser humano consegue ser ruim, cego e insano.


Infiltrado da Klan concorre aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver), Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.

Recomendo muito.


Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia
Infiltrado na Klan (Assistido)

Teca Machado