segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Infiltrado na Klan – Crítica – Maratona Oscar 2019


Chegou aquela época do ano que eu amo, vocês amam e nós amamos todos juntos: O Oscar!

E como já é tradição aqui do blog, vai começar a série de posts sobre filmes que concorrem na principal categoria da premiação. Desde o ano passado já assisti e fiz a crítica de algumas das produções para vocês, mas agora começou oficialmente a maratona que vai até 24 de fevereiro, data da 91a edição do prêmio.

A crítica de hoje é de Infiltrado na Klan, do diretor Spike Lee.


Nos anos 1970, um policial negro americano conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan, junto com outro policial judeu. Detalhe: a KKK odeia ambos. Se não fosse uma história real, seria um enredo absurdo. Infiltrado na Klan, é baseado no livro autobiográfico de mesmo nome de Ron Stallworth. 

Numa era pós-Martin Luther King, quando os negros americanos estavam lutando pelos seus direitos e liberdade, Ron (interpretado por John David Washington, filho de Denzel Washington) se tornou o primeiro policial negro da polícia de Colorado Springs. Muitas vezes lutando contra o preconceito dos próprios colegas e da comunidade negra, que tinha aversão (e ainda tem) pela corporação, Ron se tornou um agente infiltrado. Meio por acaso, começa contato telefônico com a Ku Klux Klan (chamada de Organização pelos membros), mas por óbvias razões não pode se encontrar com eles ao vivo. Entra aí Plip (Adam Driver), colega policial que finge ser Ron nas reuniões enquanto o verdadeiro conversa com eles ao telefone.



E se você só sabe por cima o que é o KKK, segue uma pequena descrição para te contextualizar melhor sobre a importância desse filme: “Ku Klux Klan, também conhecida como KKK ou simplesmente Klan, é uma organização que defende correntes reacionárias e extremistas, tais como a supremacia branca, o nacionalismo branco, a anti-imigração, o nordicismo,  anticatolicismo e o antissemitismo, historicamente expressos através do terrorismo voltado a grupos ou indivíduos aos quais eles se opõem”.

Apesar de ser uma história dos anos 1970, Spike Lee nas dá um filme muito atual. Tanto que ele disse em entrevistas que só faria o filme se pudesse inserir críticas e reflexões dos nossos dias, o que ele faz com maestria, principalmente nas cenas finais e reais de acontecimentos de 2017. É impossível não pensar no racismo cotidiano, no discurso de ódio, no extremismo e até mesmo nas fake news (um dos integrantes da Klan diz que o Holocausto não aconteceu, foi invenção da mídia). Em certo momento David Duke (Topher Grace), presidente nacional do KKK diz que deseja tornar a América grande outra vez. Te lembra alguém?



A jornada de Ron é clara desde o início. É uma cruzada contra o racismo. Mas a de Plip vai se desenhando. Ele é judeu, apesar de nunca ter vivido como um. E nunca se incomodou com o fato, porque é um homem branco que não sofre preconceito. Mas quando está na KKK, passa a enxergar o ódio do branco cristão de extrema direita. E a missão se torna sua tanto quanto é de Ron. Adam Driver (nosso amado Kylo Ren) entrega um ótimo Flip, mas acho exagero estar concorrendo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. John David  Washington está excelente como protagonista, se jogando de cabeça naquele universo racista sem se deixar abalar psicologicamente. Já Topher Grace viu meses e milhões de entrevistas de David Duke para interpretá-lo, mas se sentiu extremamente deprimido ao fim das filmagens, devido a tantas mensagens de ódio disfarçadas em carisma que o líder da Klan propagou – e propaga até hoje.

Spike Lee mistura um certo tipo de humor mordaz e sarcástico que deixa Infiltrado na Klan mais leve, mas não menos sério. Esse é um filme necessário, pesado em vários momentos e que te faz refletir como o ser humano consegue ser ruim, cego e insano.


Infiltrado da Klan concorre aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver), Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.

Recomendo muito.


Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia
Infiltrado na Klan (Assistido)

Teca Machado

4 comentários:

  1. I watched Bohemian Rhapsody a few days ago and think it totally deserves an Oscar.

    www.fashionradi.com

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  2. eu adorei esse filme, infelizmente o tema ainda é mt atual mesmo, e precisamos chamar a atenção para o absurdo do racismo e intolerancia. boa historia e atores maravilhosos

    www.tofucolorido.com.br
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    Respostas
    1. Oi, Lívia!
      Excelente, né?
      Realmente, ele chama a atenção para o tema mega atual e ainda triste.

      Beijooos

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