sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A Favorita – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eis que chega ao fim mais uma maratona do Oscar aqui no blog! Todos os anos assisto – ou tento assistir – a todos os concorrentes da categoria Melhor Filme. E ontem vi o último da lista: A Favorita, do diretor Yorgos Lathimos. No final do post você encontra link para crítica de todos eles.


Apesar de ter gostado de A Favorita (não, não é a novela da Globo em que Patrícia Pilar e Claudia Raia cantam Beijinho Doce), achei que gostaria mais. Fui com muita sede ao pote, já que era uma história de 1700 – e eu amo enredos históricos – e com atrizes estupendas. Foi bacana, mas um dos menos preferidos por mim entre os concorrentes. Só que dizem os críticos especializados que tem muitas chances de levar o prêmio.

Baseado livremente numa história real, A Favorita tem como foco três mulheres: A rainha Anne, da Inglaterra (Olivia Colman), Lady Sarah (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone). Fragilizada física e psicologicamente, a rainha deixa nas mãos de Sarah, a quem conhece desde criança e confia sua vida, o governo do reino. Ela é quem viabiliza guerras – inclusive tem uma abordagem bem agressiva sobre um conflito com a França -, faz reuniões, cuida da contabilidade e toma todas as decisões importantes, manipulando a monarca para que a sua vontade seja feita. Além disso, é quem divide a cama com Anne. Até que chega Abigail, uma prima distante de Sarah, que já foi lady, mas a família viveu uma crise, então se vê obrigada a ser criada no castelo. Mas como é jovial, ingênua e encantadora, Abigail percebe que pode fazer uma escalada social e cair nas graças da rainha. Começa, então, a batalha entre Sarah e Abigail para ver quem é a favorita de Anne.



Não podemos dizer que o filme é engraçado, mas é uma sátira bem ácida da corte inglesa e seus costumes. Além disso, propõe um jogo de xadrez muito bem orquestrado pelas três mulheres, onde manipulação e coerção são muito bem aproveitadas. Nesse enredo o sexo feminino é o foco, já que os homens estão ao redor em quase mera figuração, a não ser Nicholas Hoult, como Harley, tipo um secretário do tesouro da corte e que é veementemente contra a guerra que Sarah está fazendo acontecer.

Yorgos é conhecido por trazer o inquietante e até mesmo repugnante para as telas, o que ele faz em A Favorita principalmente com cenas de vômitos – são várias, acredite. E a intenção é essa mesma, passar um desconforto ao espectador enquanto acompanha intrigas e política.



Colman, Weisz e Stone estão incríveis, em papeis complexos. Olivia Colman está estupenda como a rainha, nos causando desconforto a todo instante. Age como um bebê mimado na maior parte do tempo, mas vive um sofrimento físico e mental de grandes proporções. Sempre que Colman está em tela, entrega tudo de si, mesmo que sejam seus piores ângulos. E viverá mais uma rainha da Inglaterra em breve. Ela é quem interpreta a rainha Elizabeth nas próximas temporadas de The Crown. Weisz é até difícil comentar, porque são pouquíssimos os papeis em que a atriz não se destaca. Lady Sarah é complexa, manipuladora, sincera e passa a impressão de fria, porque mesmo em seus piores momentos não perde a pose e acredita que lágrimas são desnecessárias. Emma Stone começa destrambelhada e com o carisma que conhecemos e amamos, mas a sua personagem tem ambições gigantescas e não perde a chance. É quem mais muda com o passar do filme. Aliás, não sei se muda ou se realmente mostra quem sempre foi. O trio, muito coeso e com química, está concorrendo ao Oscar, com Colman como Melhor Atriz (apesar de eu achar que a protagonista é Sarah), e Weizs e Stone como Melhor Atriz Coadjuvante.

Um dos maiores acertos de Yorgos é o figurino, lindíssimo e ao mesmo tempo que remete ao período histórico, com a opulência, luxo e exageros – principalmente masculinos - tem um quê moderninho. As cores são sóbrias, principalmente das mulheres e representam muito bem a personalidade de cada uma das personagens. Além disso, o diretor brincou muito com a iluminação natural. Pesquisando sobre a produção, vi que ele usou quase que na totalidade apenas luz do sol e de velas, para criar uma sensação de maior realidade com a época.



Fato aleatório que em nada muda a sua percepção do filme, mas é interessante: Lady Sarah está na árvore genealógica tanto de Winston Churchill quanto da princesa Diana. Seu nome era Sarah Winston e o primeiro ministro do século XX inclusive nasceu no castelo que a rainha Anne mandou construir para ela. 

A Favorita está concorrendo aos Oscars de: Melhor Filme, Melhor Atriz (Olivia Colman), Melhor Atriz Coadjuvante (Rachel Weizs), Melhor Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Montagem e Melhor Figurino de Arte.

Recomendo.

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