sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Bohemian Rhapsody - Crítica


Uma lenda. É assim que podemos descrever Freddie Mercury. Bom, também podemos chama-lo de extraordinário, incrível, genial e outros adjetivos, mas ele foi uma lenda.

Freddie Mercury é uma figura que faz parte da minha vida. Com um pai roqueiro, cresci ouvindo o Queen. E sempre fui apaixonada pelas músicas, pela voz e pela dramaticidade de Mercury. Por isso fiquei muito ansiosa para assistir Bohemian Rhapsody, filme biografia não só do vocalista – apesar de ser a peça central -, mas de todo o quarteto. Assisti há dias, mas a sensação de arrepio ainda não passou. Quando as luzes do cinema acenderam tudo o que eu conseguia pensar era que eu estava maravilhada e que foi uma das melhores produções que assisti esse ano.


Bohemian Rhapsody tem uma linearidade cronológica e vemos Farrokh (nome real de Freddie) desperdiçado trabalhando no aeroporto, até que conhece Brian (Gwilym Lee) e Roger Ben Hardy) logo após o vocalista da banda que tinham sair e se oferecer para a vaga. A partir de então acompanhamos a ascensão do Queen – e a adição de John (Joseph Mazzello), o relacionamento de Freddie com Mary (Lucy Boynton), as criações, as brigas, a sexualidade do vocalista, a vida desregrada e cheia de sexo, drogas e festas de Mercury que culminam na descoberta da aids do cantor até o famosíssimo show da banda no Live Aid em 1985, que é considerada uma das maiores performances de rock da história.

Se tem uma coisa que podemos dizer de Rami Malek, que interpreta Freddie, é que o ator está extraordinário. Tudo bem que a prótese dentária que usa incomoda no início e parece falsa, mas depois a gente até esquece. Seus trejeitos, modo de falar, dançar, se mover pelo palco, tudo se assemelha incrivelmente a Freddie, principalmente nos momentos em que está no palco. Claro que Malek não tem a potência vocal de Mercury (bom, ninguém jamais vai ter), mas misturaram a voz do ator, com gravações originais e com a de mais um cantor e ficou muito boa. Se Malek não ganhar o Oscar de Melhor Ator no ano que vem vai ser uma injustiça tremenda.




Apesar de ser uma biografia que chamam de “chapa branca” (oficial do Queen e que pode tirar alguns dos momentos mais controversos da história), ela é considerada bem real, ainda que alguns fatos tenham sofrido pequenas mudanças para que cinematograficamente fique melhor. Mas os diretores Brian Singer e Dexter Fletcher não se furtaram de mostrar os escândalos da vida de Freddie e sua sexualidade, até porque fazer isso é basicamente apagar parte da personalidade do vocalista. Há cenas dos relacionamentos homossexuais dele, mas bem leve e nada que vá chocar a ninguém, assim como de consumo de drogas. Ele aparece chapado, louco e até mesmo há rastros de cocaína na mesa em certa cena, mas não é tão explícito. 

Freddie era uma diva, melodramático, insano, egoísta, dava ataques, mas ao mesmo tempo era genial, divertido e muito solitário, perdido em si mesmo. Fica bem claro que o Queen só era quem era por causa dele, mas também que Freddie só alcançou o que tanto desejou por causa de Roger, Brian e John. Os três foram importantes na formação dele, mas não podemos esquecer de Mary, o amor da sua vida, tanto que a música Love of My Life escreveu para ela. Sim, ele era gay, mas a sua relação com Mary ia além disso, tanto que ela é a única que sabe onde estão as cinzas do cantor e ele deixou grande parte dos seus bens para ela e seu filho, seu afilhado.




Há alguns problemas no filme, principalmente de roteiro. O ponto principal são os relacionamentos tão importantes ao protagonista que foram mal trabalhados. A sua relação com Mary parece superficial e não sentimos a profundidade do que realmente foi, assim como a interação com os outros membros da banda e sua família. Na direção Bohemian Rhapsody teve sérios revezes. Brian Singer saiu do projeto quando 2/3 dele já estavam filmados e Dexter Fletcher assumiu. O estúdio alegou problemas de saúde, mas foi divulgado na imprensa que ele e Malek tiveram muitos entraves por visões divergentes, além de o diretor se atrasar constantemente e não aparecer em vários dias de filmagem.

A fotografia do filme, assim como sua edição, é muito bonita. Os figurinos são iguais aos usados por Freddie, e é possível ver discretamente a passagem do tempo pelas roupas, dos anos 1970 aos 1980. E não podemos deixar de lado a trilha sonora, afinal, essa é uma produção altamente musical. Claro que há canções do Queen o tempo todo, algumas delas inclusive mostrando o processo de criação. Mais tempo é dedicado à música que dá título ao filme, que é uma das mais icônicas do mundo. E quando finalmente chegamos na sequência do show do Live Aid, MINHA NOSSA, como eu fiquei arrepiada! Há poucos meses assisti a apresentação real e foi tão precisamente histórica a versão do filme que é impossível não se emocionar. 



Para quem gosta do Queen, Bohemian Rhapsody é delicioso de assistir. Para quem não conhece o Queen, é uma ótima oportunidade para se apaixonar. E para quem não gosta, precisa ir ao cinema para se render à Freddie Mercury de uma vez por todas. Décadas se passaram, mas Queen nunca vai perder sua majestade.

Recomendo muito.

Teca Machado

6 comentários:

  1. Oi, Teca!

    Preciso assistir o filme pra ontem, parece ser mesmo extraordinário! Adoro o Queen e o Freddie mais do que perecia um filme dele <3

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  2. Oi
    estou bem curiosa para assistir o filme e estou lendo muitos elogios dele, parece ser muito bom, pena que vai demorar para assistir, já que não moro em lugar com cinema.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  3. Oi Teca,
    Estou roendo as unhas para ir ao cinema. Acho que vou me arrepiar, me emocionar e lembrar muito do meu pai.
    Foi ele quem me ensinou a amar o Queen. Será uma nostalgia maravilhosa!
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Poxa, parece um filme de primeira categoria mesmo! Não sou aficionado em rock mas sei da importância que o Freddie teve para o cenário da música mundial. Pelo visto, esse lado mais obscuro (por assim dizer) da vida dele se assemelha aos problemas enfrentados por outros artistas como Cazuza, Jimi Hendrix, Amy (<3) e outros. É difícil e bem pesado manter-se no topo.
    Adorei a resenha, beijos!!
    rapeizedinamica.biz

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  5. Oi Teca!!!!
    Acho que vou tentar ir ver essa semana ou semana que vem... To doidinha pra assistir!
    Meu amigo ja assistiu mas eu ainda não rs
    Adorei a sua resenha, pena que tenha algumas falhas de roteiro mas acho que vale a pena de qualquer forma, né?
    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  6. Eu não estava tão afim de assistir ao filme, apesar de curti muito a banda e ser fã do Freddie, estou vendo tantos comentários positivos e lendo tudo que você escreveu sobre o filme, acho que preciso assistir... Aliás, a caracterização e os cenários estão incríveis!!
    Beijos,
    www.dosedeilusao.com

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