sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O Primeiro Homem - Crítica


Ryan Gosling, Damien Chazelle e Justin Hurwitz se juntam mais uma vez depois de La La Land em O Primeiro Homem. Ator, diretor e compositor trabalham num filme bem diferente do anterior, cheio de música, dança e cor. Agora o foco é uma história real, por vezes cheia de burocracia e o espetáculo se dá por meio da inteligência e do trabalho duro.


O Primeiro Homem é baseado no livro de mesmo nome de James R. Hansen, uma biografia de Neil Armstrong. Assim que fiquei sabendo do filme, fiquei impressionada com o fato de que até hoje ninguém tinha feito uma produção sobre ele ou sobre a primeira visita à lua. Apesar de ser um homem que realizou um dos maiores feitos da humanidade (além de ser o primeiro a pisar na lua, ele foi extremamente importante em todo o processo desde o início), não espere um protagonista envolvente. Já tinha ouvido dizer que Neil foi um cara pouquíssimo carismático, que os americanos se identificavam muito mais com Buzz Aldrin do que com Neil, mas agora ficou claro o porquê.

Ryan Gosling dá o tom que o comandante da Apolo 11 pede. Introspectivo, soturno, fechado em suas emoções. Apesar de as câmeras estarem a todo tempo o seguindo bem de perto, de forma às vezes até mesmo invasiva, pegando os detalhes do seu rosto, é difícil conhecer quem realmente é por baixo de toda casca na qual se enterrou. É engraçado que vemos um homem destemido, com uma calma fria, mas que não tem coragem de conversar com os filhos sobre se vai voltar para casa ou não. Logo de início já vemos Neil sofrendo uma perda pessoal, que molda ainda mais sua personalidade fechada, e mesmo que em alguns momentos temos vislumbres de um pai divertido e marido apaixonado, ele entra em si mesmo – e no trabalho - cada vez mais, a cada perda que sofre ao longo do caminho.



É interessante que Chazelle mostra o programa espacial como ele foi, sem endeusar a Nasa e seus dirigentes. Outros filmes sobre o espaço fariam uma edição com cenas do treinamento dos astronautas com uma música animada no fundo, dando a entender uma passagem de tempo e evolução do trabalho. Mas o diretor não faz isso. Ele opta por mostrar a burocracia, as horas intermináveis de estudos e de funcionários no escritório, os erros – que foram inúmeros – e tudo o que levou até o grande feito. Isso talvez torne o filme mais lento e ligeiramente menos interessante para os espectadores que amam o estilo hollywoodiano de ser, mas também o transforma em algo muito mais real.

As cores de O Primeiro Homem são frias, escuras e a fotografia da vida normal de Neil é quase mundana de tão normal. Mas é no espaço e durante as missões que o visual deslumbra. Dentro dos foguetes você sente a claustrofobia das viagens ao espaço – ainda mais daquelas nos anos 1960. É pequeno, apertado, cheio de fios aparecendo, botões por todos os lados, telas com imagens de computador das mais antigas e muitos cálculos feitos a mão num caderninho. E durante aterrissagens e decolagens, tudo sacode – MUITO -, faz barulho e eu só conseguia pensar que as estruturas eram tão frágeis e quase amadoras que iam se despedaçar.



E, então, chegamos nas cenas da lua. Minha nossa, que fotografia incrível! É o astro como nunca vimos, quase personalizado. As cenas em que Neil anda, observa e reflete na lua, enquanto usa o capacete com visor dourado contra radiação, são um deleite visual. E tem uma carga ainda mais dramática pelo fato que o diretor optou por ser uma sequência silenciosa. Depois de todo o barulho do lançamento do foguete e da câmera em movimento, encontramos a calma e o silêncio quase opressor do espaço, onde percebemos quão pequenos somos e temos uma maior mostra de emoções por parte de Neil.

Apesar de O Primeiro Homem não ser um filme musical, onde Justin Hurwitz mostra todo seu talento (Ah, as músicas de La La Land!), a música é presente em momentos chave e quem conhece seu trabalho enxerga a assinatura do compositor.


Senti falta de outros arcos dramáticos, que não o de Neil. Nem mesmo sua esposa Janet (Claire Foy) tem destaque que não seja em relação ao marido. Seus amigos, seus colegas e até mesmo Buzz Aldrin (Corey Stoll), são pouquíssimo desenvolvidos. Buzz, que foi tão importante no processo, é simplesmente apresentado a Neil numa conversa e fica por isso mesmo. E entendo a escolha do diretor em focar apenas no protagonista, afinal o filme se chama O Primeiro Homem e ele é uma biografia de Armstrong, não a história de como o homem chegou à lua.

A sensação que fica ao final do filme é que Neil era um cara chato, frio demais. Mas entendemos que se não fosse pela sua falta de emoção, pela sua calma enervante e foco no trabalho, dificilmente o homem teria pisado no satélite em 1969. Neil pode não ter sido a alma da festa, mas ele realmente foi uma pessoa extraordinária.

Recomendo.

Teca Machado

14 comentários:

  1. Oi Teca!
    Muito interessante, e realmente, como não fizeram um filme sobre ele antes? rs
    Confesso que filmes que se passam no espaço não são os meus preferidos, mas quem sabe um dia eu dou uma olhada nesse?
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  2. Oi, Teca!
    Quero muito assistir esse filme por conta do Ryan. Adoro esse ator!
    Beijos
    Balaio de Babados

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  3. Oi Teca,
    Ainda não assisti ao filme e na verdade, não tinha nem detalhes dele como você apresentou, só sabia que era do Ryan Gosling, rs.
    E estava com saudade dele, já faz meses desde La La Land!!!
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  4. Oi Teca, tudo bem??

    Não sabia deste filme, mas parece-me uma boa premissa. Confesso que não achei lá muito essas coisas do filme La la land, mas eu gosto muito do ator e pretendo ver esta parte dele sendo trabalhada sem muito romance. Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com/

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  5. Oi, Teca.
    Gosto muito desse ator, geralmente faz filmes bons.
    Esse até parece um pouco chato, mas a realidade muitas vezes é assim.
    Quero ver o filme logo.
    Bela resenha.
    Abraços.
    Diego || Diego Morais Viana

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  6. Oi, Teca!

    Adorei a resenha! Quero muito ver o filme, e é interessante que o grande homem que foi o primeiro a pisar na lua tenha essa personalidade, mas como você mesma disse, capaz que se não fosse esse seu jeito calmo, frio e centrado, não teria dado certo.

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com

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  7. Apesar de ter odiado lalaland, gosto do ator e a temática parece boa. Pela rainha Elizabeth, acho que vale a pena tentar ver.
    Voltei com o blog e estou com postagens diárias este mês; se puder, passe por lá.
    Bj e fk c Deus.
    Nana
    http://procurandoamigosvirtuais.blogspot.com

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  8. Oi Teca! Não é o tipo de filme que eu costumo assistir, apesar de o ator ser muito bom. Fico imaginando ele interpretando um personagem tão frio, quando tenho na mente a imagem dele sendo um homem apaixonado em outro filme. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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  9. Oi
    não tinha conhecimento desse filme, apesar dele não ser carismático, parece ser uma história que vale a pena ser assistida por conta da história, eu gosto do Ryan.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  10. Oi Teca,

    Não sabia do filme, e achei interessante explorar o personagem exatamente como foi na vida real. Mesmo ele não sendo carismático trás uma veracidade maior.
    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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  11. Tenho que confessar que só por ter Ryan no elenco, eu aqui já quero ver RSRSRSR
    Gostei muito da resenha e agora já sei mais o que esperar do filme ;)
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com/

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  12. Oi Teca,
    Essa definição do personagem parece o próprio Ryan kkkk
    Ja tinha achado que Gravidade trouxe cenas lindíssimas, agora já fiquei curiosa pra esse também.
    Adoro o trabalho do Damien e ansiosa para que ele e Justin aprontaram dessa vez.

    até mais,
    Nana e Leticia - Canto Cultzíneo

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  13. Eu amo esse assunto do filme e to doidaaa pra ir ver sério e nem é só pelo Ryan hahahahahahhahaha

    Beijos
    Próxima Primavera

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  14. Gente, eu simplesmente amo o Ryan e todos os filmes que ele faz, ele é um ótimo ator! Eu confesso que não curto muito filme desse tipo, ainda mais retratando os anos 60 essas coisas, sem contar que eu adoro uma teoria da conspiração e acho que essa visita a lua foi forjada de cabo a rabo, mas eu adoraria ver meu Ryan nesse filme, tenho certeza que ele está um arraso como sempre.
    Beijo!

    http://www.capitulotreze.com.br

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