sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Resenha


E se você estivesse voltando para casa às 3h da manhã e desse de cara com um robô gigante e imóvel de três metros, vestindo uma armadura tipo de guerreiro chinês e que apesar de parecer ser de metal estar morno ao toque? Esse é o início de Uma Coisa Absolutamente Fantástica, de Hank Green, que recebi da Editora Seguinte (Grupo Companhia das Letras).

Foto @casosacasoselivros

Se o sobrenome dele é familiar, é porque é mesmo. Hank é irmão de John Green, aquele que fez o mundo inteiro chorar com A Culpa é das Estrelas e com quem divide um vlog muito famoso chamado Vlogbrothers. Mas se você não gosta do estilo meio trágico de John e por isso não se interessou pelo livro de Hank, pode ficar tranquilo, porque a escrita deles só tem de parecido o tom bem-humorado e muitas vezes sarcástico. Enquanto John foca em dramas, Hank escreve ficção-científica, com uma pegada new adult.

April May é uma designer de 23 anos que mora em Nova York e tem um emprego que odeia, mas que suporta para que consiga morar em Nova York. Ao voltar do trabalho de madrugada, ela dá de cara com o que acredita ser uma escultura e dá o nome carinhoso de Carl. Mesmo sendo 3h da manhã, chama seu melhor amigo Andy para fazer um vídeo com a estátua. No dia seguinte ele viraliza no mundo inteiro, porque há “Carls” em mais de 60 cidades e ninguém sabe o que são, de onde vieram ou qual o objetivo deles. A garota alcança fama em proporções astronômicas e precisa lidar com tudo o que ela traz – e não são só flores - ao mesmo tempo que tenta desvendar o mistério que envolve essa situação.

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Uma Coisa Absolutamente Fantástica nos prende desde a primeira página. Narrado pela própria April, é quase como se ela tivesse sentado conosco num sofá para contar sua história. É intimista ao extremo e logo de cara ela já nos fala que vai contar da sua maneira, que é dramática e quem em vários momentos vamos querer socar a sua cara (o que é bem verdade), porque não vai esconder seus lados mais feios. E isso de conhecermos o pior de April fez com que muita gente detestasse a protagonista, mas esse foi um dos motivos que mais me fez gostar dela. Sua transparência e falta de medo de mostrar seus defeitos para o leitor a tornou muito humana. Os personagens secundários também são muito bons e importantes para a história.

Um dos pontos mais bacanas é que apesar de ser um livro divertido e com um enredo super diferente, o autor trabalha questões importantes e que fazem refletir. É cheinho de críticas! Como a fama muda a pessoa, o vício em se tornar famoso e se manter relevante nas mídias sociais - que funcionam em velocidade da luz -, o endeusamento de celebridades e, principalmente, como um discurso inflamado pode apresentar o pior das pessoas. Tanto que em vários momentos eu consegui enxergar o que vivemos nos últimos meses no país, claro que tirando as devidas proporções. 

Outro ponto foi a representatividade sem transformar isso numa bandeira. April mora com a sua amiga-quem-sabe-namorada-mas-ninguém-tem-certeza Maya, que é negra, inteligente e bem-sucedida na carreira. Além disso, April é bissexual, como deixa claro desde o princípio, e fica extremamente incomodada quando sua agente pede que escolha se mostrar como ou lésbica ou hétero, já que bissexual não pega bem para a mídia, que a define como confusa e indecisa.


Hank Green escreve de forma rápida, divertida e a história não cai na mesmice. Tem um ritmo muito bom, que faz você devorar as páginas, porque alguns capítulos terminam com cliffhangers. A história me envolveu de um tanto que pela primeira vez na vida perdi minha estação de metrô de tão imersa que estava na história. O autor criou um enredo tão intenso que, apesar de ser caracterizado como ficção-científica, me sentia parte de tudo aquilo. Mesmo que o tema de “são aliens ou não?” não seja inovador, há muita criatividade no livro e situações que te deixam pensando “Whaaaaaaaaaat?”.

Digo sem medo que adorei Uma Coisa Absolutamente Fantástica e que foi uma estreia sensacional de Hank Green no mundo da literatura. Mal posso esperar para ler mais!


Recomendo bastante.

Teca Machado


8 comentários:

  1. Oi, Teca
    Sua resenha me anima e muito porque eu não gosto do Green, e fico com medo de ler algo parecido dele com o irmão, mas já vi que não é bem o caso. Eu ainda não me interessei pela obra mas vou tentar lê-la qualquer dia desses.
    Beijo!

    http://www.capitulotreze.com.br/

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  2. Fiquei curiosa sim, gostei da sua resenha e a leitura parece ser ótima!

    www.coisasdepriscila.com
    Instagram l Beijo.
    Nos encontramos toda seg, qua e sex.

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  3. ah adorei conhecer esse titulo, pelo o que vc descreveu do começo para uma ficção cientifica super bacana

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  4. É minha leitura atual e estou adorando também. A leitura é muito fluída e divertida.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  5. Oi Teca,

    Bom saber que o livro do Hank é muito bom.
    Confesso que de primeira não fiquei muito entusiasmada para ler, mas depois de ver alguns comentários, fiquei curiosa.

    Bjs e um bom fim de semana!
    Diário dos Livros
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  6. Amo livros criativos, que dá pra perceber que o autor realmente explorou esse seu lado sabe? Fiquei com vontade de ler esse. Bjs

    www.mayaravieira.com.br

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  7. Oiii Teca

    Estava com muito receio de encarar esse livro, nunca consegui me afeiçoar à narrativa do John Green, mas Hank parece ter construído uma trama bacana e eu gostei dessa leveza da narrativa que consegue tratar temas importantes sem perder a jovialidade da história.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  8. Que legal, esse eu ainda nao conhecia
    Beijos,
    www.paaradateen.com

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