quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Peter Pan: Resenha de clássicos da literatura


No início do ano decidi que em 2018 leria clássicos da literatura mundial. Escolhi cinco obras que estavam há tempos na minha estante e que sempre me despertaram a curiosidade: Orgulho e Preconceito – Jane Austen, Os Miseráveis – Victor Hugo, Paris É Uma Festa – Ernest Hemingway, Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll e Peter Pan – J. M. Barrie. Se quiser saber um pouco mais sobre essa minha meta, é só vir aqui no Canal Teca Machado e assistir ao vídeo que fiz sobre o assunto. E o primeiro clássico que li dessa lista foi Peter Pan.

Fotos @casosacasoselivros

Todos nós sabemos a história do menino que nunca queria crescer. Peter Pan vivia na Terra do Nunca com os Meninos Perdidos, sempre em pé de guerra com os piratas, principalmente com Capitão Gancho, e em harmonia com fadas e sereias. Certa noite, ao visitar Londres, Peter chama três crianças para irem como ele, Wendy, João e Miguel, que se aventuram nessa ilha da fantasia durante um tempo.

Antes de mais nada, precisamos ter em mente que Peter Pan é fruto da sua época: 1904, quando a peça foi apresentada pela primeira vez, para um tempo depois se tornar um livro. Então temos alguns conceitos que hoje já foram revistos. Por exemplo, Wendy é a única menina entre os Meninos Perdidos e cabe a ela ser a mãe, a cuidar de tudo, a não trabalhar fora de casa. Entre suas tarefas estão costurar, cozinhar, dar remédios, ajudar quando se machucam e assim por diante, enquanto eles vão para guerras, batalhas e aventuras. Ela é a voz de juízo entre tantos garotos, a segurança que eles precisavam.


Peter Pan nunca foi um mocinho típico. Traiçoeiro e muito manipulador, o personagem principal do livro é um péssimo exemplo para todos os outros meninos. Peter é egoísta, zombeteiro e completamente ardiloso, talvez tanto quanto seus terríveis inimigos piratas. Mas ao mesmo tempo é leal e justo. E enquanto o Capitão Gancho é descrito como bonito, elegante e muito educado, Peter é o extremo oposto. Muito se fala durante as páginas sobre os bons modos do capitão e como ele se sente culpado quando os deixa de lado.

Peter Pan foi um livro escrito para crianças, mas J. M. Barrie não nos poupa de mortes e sofrimentos. Pelo contrário, até os descreve com bastante detalhes. Várias vezes somos apresentados aos Meninos Perdidos andando com facas, participando de lutas e perdendo um membro ou outro, assim como os piratas e os índios que vivem na Terra do Nunca.

Há muita analogia durante a história, muitas das quais os leitores mais jovens podem passar despercebidos. Até eu como adulta passei por várias delas! A Terra do Nunca é um lugar para onde todas as crianças vão durante seus sonhos. Elas conhecem Peter, mesmo que nunca tenham estado com ele. Ele é como o amigo imaginário que todos tivemos um dia.


Claro que estamos falando de uma fantasia, mas Peter Pan tem várias passagens nonsense mesmo no mundo real, fora da ilha. Por exemplo, as crianças têm uma babá canina, o pai deles passa semanas em uma casinha de cachorro como forma de punição por ter sido responsável pela fuga dos filhos, a mãe deles “vasculha” suas mentes enquanto dormem e muito mais.

Talvez Peter Pan seja menos maluco do que Alice no País das Maravilhas, mas isso não significa que seja menos psicológico. Acho que dá para estudar muito e ter várias referências e reflexões em livros de psicologia infantil. Há muitos sentimentos durante o livro, como afeição, amizade, egoísmo, raiva, ciúmes, medo, instinto materno e traição.

A história flui, é uma leitura relativamente rápida, principalmente por causa da linguagem. Apesar de ser do início do século passado. J. M. Barrie escreve de forma atemporal – não só sua gramática, mas também o tipo de história – e em pouco tempo chegamos ao fim da saga de Wendy, Peter e dos Meninos Perdidos. O mais interessante é que narrador conversa com o leitor, não é apenas onisciente. Ele é como um pai contando uma história para o filho antes de dormir, dando suas opiniões e falando sobre o que aconteceu no melhor estilo “vou te contar esse trecho, mas se prepare que ele é triste”.

Livos clássicos que vou ler em 2018

Peter Pan foi um bom livro, uma boa maneira de começar a minha meta de leitura de clássicos em 2018. E essa minha edição da Editora Zahar está mais do que linda! O box do qual faz parte tem também Alice no País das Maravilhas, O Mágico de Oz e Contos de Fadas, além de vir numa caixinha que brilha no escuro.

Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Pantera Negra: Crítica


Ao longo de 10 anos e 18 filmes a Marvel veio se reinventando, ainda que muitas vezes usando a mesma fórmula – origem do herói, piadinhas e a junção de vários deles mesmo em filmes solo. Podemos ver algumas produções um pouco mais diferentes, como Guardiões da Galáxia, que apesar do bom humor em muito se distancia do universo do estúdio, Capitão América – Guerra Civil, que é mais denso e coloca herói contra herói, e, agora, o mais politizado e sério Pantera Negra.


Para começar a falar como Pantera Negra é um passo a frente de tudo já feito, ele é o primeiro filme de proporções hollywoodianas (foram U$ 200 milhões investidos na produção e já quase meio bilhão arrecadado em duas semanas) com elenco majoritariamente negro, além de um diretor negro, Ryan Coogler, que também esteve a frente de Creed. Além disso, o protagonista T’Challa, o Pantera Negra (Chadwick Boseman), tem uma história diferente do que é contado normalmente: o negro pobre do gueto que se tornou herói e deu a volta por cima. Não. T’Challa é o príncipe, agora rei, de Wakanda, a nação africana mais desenvolvida, tecnológica e avançada do mundo.

O enredo começa logo após Capitão América – Guerra Civil, quando o rei T’Chaka (John Kani) morre durante um ataque na ONU e cabe a T’Challa assumir o lugar do pai, tanto como líder soberano quanto como Pantera Negra. Wakanda é um país riquíssimo do material mais poderoso da Terra e escondido do resto do mundo. T’Challa precisa aprender a ser rei enquanto Killmonger (Michael B. Jordan) aparece com discurso de ódio e vontade de tomar o trono e tornar Wakanda o país que rege todas as nações do mundo, já que é militar e tecnologicamente mais avançado.




O discurso de Killmonger como vilão é altamente válido e político. Ele deseja que negros em todos os lugares tenham a chance e a vida que eles têm em Wakanda, que todos os países sejam beneficiados pelo avanço que possuem. É um argumento muito real, porém feito de forma extremista e recorrendo a violência. Killmonger deseja que Wakanda seja colonizadora, fazendo com que todo o mundo se curve a seus pés. Então T’Challa vive a encruzilhada: Deve seu país continuar escondido, porém seguro e solitário, ou se firmar como uma potência e ajudar a melhorar o mundo?

Pantera Negra tem um visual lindíssimo. Construíram uma Wakanda bonita, avançada tecnologicamente, mas ainda fiel às suas raízes africanas. Não tentaram americanizar uma região que é obviamente o mais longe possível disso. Nem os Estados Unidos nem a Europa são o foco do filme e isso é muito bom de se ver. O vestuário, o cenário, as tradições, as cores, tudo remonta tribos que existem e foram representadas de forma real e nenhum pouco caricaturada.




Outro ponto forte de Pantera Negra é o elenco, muito coeso e afiado. Chadwick Boseman soube personificar o herói altruísta, mas ainda é o homem cheio de defeitos, inseguranças que vive debaixo do traje. Michael B. Jordan é uma boa surpresa. De lutador profissional de boxe em Creed a Tocha Humana no Quarteto Fantástico, o ator cresceu muito e nos apresenta um vilão com o qual é quase possível se identificar. O elenco feminino, porém, merece destaque. Há Nakia (Lupita Nyong’o), ex-namorada de T’Challa e altamente envolvida em questões políticas e de assistência social, Shuri (Letitia Wright), irmã do rei e a encarregada do laboratório de Wakanda, uma espécie de Q de 007, e as Dora Milaje, guarda real composta apenas por guerreiras mulheres poderosas e lideradas pela general Okoye (Danai Gurira). Eu ouvi girl power? Ouvi, sim senhor! Então, além da representatividade negra no cinema, Pantera Negra é cheinho de representatividade feminina, que mostra que as mulheres podem ser muito mais do que apenas interesses amorosos e familiares dos protagonistas homens.



Esqueça Thor Ragnarok e seus piadas constantes (não que eu não goste, eu adoro!). Pantera Negra é sério, é político, é mais denso e profundo. Claro que há o alívio cômico em certos momentos, muitos deles protagonizados por Martin Freeman, o agente da CIA que vai parar em Wakanda.

Pantera Negra é um filme de ação que vai marcar gerações, além de ser um ótimo entretenimento e ligação com outras produções do Universo Marvel, principalmente pelo que pudemos ver nas cenas pós-créditos.

Agora é esperar abril ansiosamente quando poderemos assistir Os Vingadores: Guerra Infinita.

Recomendo muito.

Teca Machado


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

La Casa de Papel - Crítica

“Você precisa assistir La Casa de Papel”.

A essa altura você com certeza já escutou essa frase de alguém. E vai escutar de mim também: Você precisa assistir La Casa de Papel.


A Netflix comprou os direitos de exibição da série espanhola, criada por Alex Pina, sem muito alarme, e a disponibilizou no catálogo no finzinho do ano passado, mas em pouquíssimo tempo se tornou um fenômeno no Brasil e no mundo. A Netflix reestruturou os episódios: antes tinham 1h10 cada, mas passou a ter de 40 a 50 minutos, o “normal” de séries. Os 9 episódios originais da primeira parte viraram 13, que já estão disponíveis no serviço de streaming, e os próximos vem em abril, apenas mais seis, que hoje estão disponíveis apenas na Espanha enquanto a gente fica aqui se coçando para saber como vai terminar.

Em La Casa de Papel um grupo de bandidos invade a Casa da Moeda espanhola para realizar o maior roubo já visto: mais de 2 bilhões de euros. O Professor (Álvaro Morte, que é a cara do Bruno Mazzeo) juntou oito pessoas com habilidades específicas - como força bruta, hacker, falsificação, arrombamento, liderança e muito mais - para que colocassem o plano perfeito e milimetricamente planejado em ação. Todos os assaltantes têm nomes de cidades para que suas identidades sejam protegidas: Tokio (Úrsula Corberó, uma das atrizes de maior sucesso hoje na Espanha), Rio (Miguel Herrán), Nairóbi (Alba Flores), Berlim (Pedro Alonso), Moscou (Paco Tous), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García Ruiz). Eles tomam a instituição, fazendo 67 pessoas de reféns, enquanto a polícia tenta resolver a situação com o menor número possível de baixas, principalmente civis.




O grande tcham de La Casa de Papel foi como o roteiro conseguiu fazer com que o público torcesse tanto pelos bandidos quanto pelos mocinhos. É impossível assistir aos episódios sem querer que os assaltantes se deem bem, porque além das interações dentro da Casa da Moeda temos flashbacks do passado de cada um deles, criando assim uma empatia com o espectador ao conhecermos suas histórias. Ao mesmo tempo, do outro lado da lei temos a inspetora Raquel (Itziar Ituño), uma mulher forte, que vive num ambiente profissional machista, que denunciou o marido por maus tratos e que lida com o descrédito a todo tempo e tenta a todo custo liderar a operação que pretende acabar com o assalto. Então acabamos torcendo por ela também, que além de tudo começa um relacionamento com Professor, sem saber que ele é o cérebro de tudo.


La Casa de Papel fez sucesso devido a um número imenso de acertos, a começar pelo roteiro. O enredo em muito lembra os grandes filmes de Hollywood de assalto – como Onze Homens e Um Segredo e Um Golpe de Mestre -, mas ao mesmo tempo tem a alma latina em si, com dramas familiares e de relacionamento acontecendo enquanto todo o plano se desenrola. Cada dia dentro da Casa da Moeda é repleto de emoções. Cheio de tiros, ação e muitas, mas muitas reviravoltas de cair o queixo, o espectador se vê compelido e assistir mais um episódio e mais um e mais outro e assim por diante, até que, quando percebe acabou.




As atuações são outro ponto muito positivo. Entre os reféns há muitos figurantes, mas os oito assaltantes, Professor, Raquel, Arturo (Enrique Arce) - aquela praga que só estraga tudo! -  e Mônica (Esther Acebo) são o centro. Em nenhum momento eles deixam perder a emoção do assalto do século e nos fazem acreditar, mesmo que em momentos o plano beire o absurdo. A maioria deles é surtada (gente, tem homem mais louco do que o Berlim ou risada mais louca que a do Denver?), mas a gente se apega totalmente.

A produção tem toda a qualidade de um filme Hollywoodiano, seja nas cenas coreografadas de lutas e tiros, seja nos relacionamentos. A fotografia condiz muito com a história, assim como toda identidade visual (aquela máscara de Dali me dá agonia, haha).




A trama de La Casa de Papel é complexa, mas muito genial, e faz com que o certo e o errado se confundam o tempo inteiro. Há mesmo entre os assaltantes discussões sobre ética, como por exemplo: eles podem até sequestrar, mas nunca matar, assim como eles irão produzir o próprio dinheiro, para, no fim das contas, não roubar realmente ninguém. Por toda essa espécie de moralidade que Tókio, Rio, Berlim, Nairóbi, Moscou, Denver, Helsinque, Oslo e o Professor mostram acabamos torcendo para que o plano perfeito dê certo.

Recomendo muito.

Teca Machado


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Síndrome de Salvador no Sweek – Novo livro da Clara Savelli


Ler livros bons já é ótimo.

Ler livros bons e de graça é melhor ainda.

E a Clara Savelli, parceira do blog e autora de muitas obras bacanas - Mocassins e All Stars, Acampamento de Inverno Para Músicos (nem tão) Talentosos, Tiete! e outras - acabou de postar um livro todinho e muito bacana no Sweek (plataforma de leitura), o Reações Químicas, e vai começou outro, chamado Síndrome de Salvador, que é do mesmo universo.

O Reações Químicas foi considerado um estouro na plataforma, que é super bacana e está investimento muito no Brasil e sempre tem concursos literários, eu mesma já participei de alguns. Então podemos esperar o mesmo de Síndrome de Salvador.

Vem ver a sinopse:



Nicole tinha o colégio inteiro nas mãos... Até tudo começar a ruir.

Seu reinado como líder dos herbalistas começa a ser questionado quando Liz, uma novata, dá com a língua nos dentes e estraga o que era para ter sido o plano perfeito.

Em uma conspiração da vida, seu pai resolve escolher logo esse momento para avisar que vai se casar de novo e que, pior, quer que ela seja a madrinha.

Como cereja do bolo, seu novo parceiro no laboratório de biologia é o maior pé no saco da história. Nicole acredita que ela e Tiago só podem ter algum tipo de incompatibilidade biológica, mas então por que toda vez que está ao seu lado parece que ela está desenvolvendo uma síndrome? 

*** 

As postagens de capítulos serão todas as quintas-feiras e você já pode ler o primeiro aqui.

Enquanto Síndrome de Salvador não termina, a gente pode ir lendo Reações Químicas que está completo aqui.

Teca Machado

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para Um Crime – Crítica (Maratona Para o Oscar 2018)


Podemos dizer que Três Anúncios Para Um Crime é um filme sobre raiva. Raiva, dor, vingança, culpa e medidas desesperadas, tudo isso pontuado por um humor negro que aparece em momentos estratégicos. Não espere leveza, sensibilidade e muito menos redenção. O foco aqui é o pós-tragédia, é como a pessoa fica depois de um crime tão bárbaro e cruel que ficou sem solução. O diretor Martin McDonagh não poupa o público, assim como seus atores entregam todo sentimento presente nos personagens.


Mildred Hayes (Frances McDormand) é uma mãe de luto e com muito ódio. Sete meses se passaram desde que sua filha foi estuprada, morta e queimada. As autoridades locais não encontraram nem mesmo um suspeito e parece que deixaram o caso de lado. Mildred, então, coloca anúncios em três outdoors para cobrar justiça do xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson). O pequena cidade de Ebbing repudia a ideia, porque o xerife é amado e está com câncer terminal, mas Mildred não mete as consequências para aliviar a dor do luto e da culpa.

Frances McDormand se entrega. A sua Mildred é completamente crível. É cheia de dor, raiva, exala culpa, não tem medo de ninguém, é rude e tem um humor negro e uma força que não se vê todos os dias. Seu papel é complexo, cheio de nuances e questionamentos e muitas vezes diz muito com o silêncio. Ela não é uma personagem para o público gostar, mas faz com que a gente sinta muito pela sua dor, pela vida desgraçada que tem levado. É capaz que leve para casa o Oscar de Melhor Atriz, já que ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e outros prêmios.



Apesar de ser o foco de Três Anúncios Para Um Crime, nem só de McDormand se faz o filme. Woody Harrelson está ótimo, com muita gente dizendo que está no melhor papel da sua carreira. Apesar de ser o foco dos outdoors de Mildred, ele é quem mais compreende os atos da mãe de luto, inclusive pede para que ela continue, e sente culpa por não conseguir levar o caso em frente. Em meio a tudo isso, luta contra seu câncer terminal e sofre por saber que em breve irá deixar a esposa e as filhas que tanto ama. E há ainda a ótima atuação de Sam Rockwell, como o policial Dixon. É cheio de ódio, raiva e desequilíbrio. É fácil desgostar do personagem logo de cara, apesar de ser uma espécie de alívio cômico em certos momentos. Mas quando conhecemos o ambiente em que vive e foi criado, compreendemos – apesar de não perdoar – seus atos. 

Um ponto negativo foi o pouco uso de Pete Dinklage (O Tyrion, de Game of Thrones). Tive a impressão de que o seu papel era maior, mas na edição acabaram cortando suas cenas. Ele basicamente foi apenas o “anão da cidade”, um cara que foi álibi de Mildred em certo momento e pronto. Um ator tão bom num papel tão sem propósito.



Três Anúncios Para Um Crime não é uma história policial, onde o roteiro busca solucionar o caso. Ele quase é um pano de fundo para o tema principal: raiva. Não sobre o perdão, mas sobre se apegar a raiva e deixar com que ela te amadureça, te faça buscar autoconhecimento, para, quem sabe, seguir em frente.

Esse é um filme interessante, diferente do que estamos acostumados a ver e que vai te fazer questionar muito ao final. Ele não chega a ser baseado numa história real, mas tem um fundo de verdade. Um pai nos anos 1990 perdeu a filha no Texas e começou a colocar cartazes cobrando justiça, pois tudo levava a crer que o marido havia matado, mas ninguém havia sido preso.



A produção está concorrendo ao Oscar nas categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz – Frances McDormand, duplamente em Melhor Ator Coadjuvante - Woody Harrelson e Sam Rockwell, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora Original. Ele já ganhou três Globos de Ouro (Melhor Atriz para McDormand, Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell, Melhor Filme Dramático), cinco Baftas (Melhor filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e outros.

Recomendo.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação – Assistido! (Crítica aqui)
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime – Assistido!
Corra!

Teca Machado

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Geografia De Nós Dois - Resenha


Há alguns anos comecei a ler A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista, da Jennifer E. Smith, à tarde e terminei à noite, de tanto que gostei. Foi uma leitura fofa, divertida, bonitinha que me encantou, por isso desde então compro os livros da autora, publicados no Brasil pela Galera Record, sem nem ao menos me preocupar se gostei da sinopse ou não. E esse foi o caso do livro A Geografia De Nós Dois.

Fotos instagram @casosacasoselivros

Lucy mora num luxuoso prédio em Nova York, no vigésimo quarto andar, e Owen no subsolo, já que seu pai é o administrador do edifício, mas não se conhecem. Num dia particularmente quente em Manhattan acontece um apagão e os dois se veem presos no elevador. Depois que são resgatados passam o resto do dia juntos, entre sorvetes distribuídos de graça, lances de escada, festas nas ruas sem energia elétrica e terraços olhando as estrelas. No manhã seguinte cada um segue seu caminho, não em NY, pois a vida leva os dois jovens a lados opostos dos oceanos. Por meio de poucos e-mails e vários cartões postais, Lucy e Owen descobrem que mesmo longe fisicamente não conseguem esquecer as deliciosas horas do blecaute.

A Geografia De Nós Dois foi uma leitura muito bonitinha, ainda que A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista seja o meu preferido. A autora alterna os pontos de vistas e somos apresentados à realidade, medos, inseguranças e alegrias tanto de Lucy quanto de Owen, o que deixou a história mais rica, até porque eles passaram o livro quase todo separados, com comunicação escassa, e seria impossível um saber o que o outro estava vivendo.

Jennifer E. Smith
Tanto Lucy quanto Owen vão amadurecendo durante as páginas, já que a vida dos dois vira de ponta cabeça e eles precisam se adaptar a novas realidades, tanto familiares quanto de moradia. Ao mesmo tempo que o leitor torce pelo casalzinho que se viu poucas vezes, também fica com vontade de dar umas boas sacudidas neles. Tem hora que tudo o que eu queria fazer era falar “vem cá, meu bem, deixa eu explicar para você sobre como as coisas são”.

Claro que o amor entre o casal é parte importantíssima do livro, mas enxergo muito mais como foco o crescimento de cada um, assim como a relação familiar deles. Lucy, apesar de ter 16 anos, praticamente mora sozinha. Os pais viajam muito, os irmãos já foram para a faculdade, e ela passa muitos dos seus dias solitária, até que os pais se mudam e a levam com eles. Há muito amor ali, mas falta de comunicação, daí vem um relacionamento truncado, cheio de altos e baixos. Já Owen acabou de perder a mãe e com isso o pai ficou sem rumo. Enquanto ele tenta se recuperar do baque, o garoto pega a responsabilidade de tentar manter as coisas estáveis. Tanto Lucy quanto Owen passam a conhecer melhor os pais, a si próprios e a entender que a distância pode ser necessária para crescerem.

É uma história simples, sem grandes reviravoltas, mistérios ou um romance trágico, mas é escrito com delicadeza, sensibilidade e muito amor. A Geografia De Nós Dois foi uma leitura Young Adult que me deixou suspirando, ainda que por vezes angustiada (poxa, vida, precisa ser tão maldosa assim de vez em quando?), mas que aqueceu o coração.

Veja aqui as resenhas de outros livros de Jennifer E. Smith:

Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Like a Woman: Livraria comemorativa do Dia da Mulher


A gente sabe que tem muito mais autores homens do que mulheres por aí. Inclusive, muitas mulheres usam pseudônimos ou apenas as iniciais para conseguir entrar no mundo literário sem sofrer preconceito, tanto por parte de editoras quanto de leitores. Faça um teste: Vá até a sua estante e veja quando dos livros são de escritoras. Depois veja quantos deles são de outro gênero que não romance ou poesia. Poucos, né?

Pensando na representatividade feminina na literatura – não só em romances, mas em todos os gêneros – a Editora Penguin, do Reino Unido, vai abrir uma livraria temporária chamada Like a Woman em Londres. Ela vai funcionar de 5 a 9 de março para comemorar o Dia Internacional da Mulher e o centenário do Representation of the People Act, que foi uma reforma eleitoral do país que permitiu, entre outras coisas, que as mulheres votassem.


Segundo os organizadores, serão livros de mais de 200 escritoras que “irão celebrar a persistência das mulheres que buscaram mudanças: aquelas que lutam, que são rebeldes e que gritam #comouma mulher”.

Os títulos serão divididos em grupos, como “o impacto que a autora teve na sociedade, História ou cultura”, “leitura essencial feminista”, “para inspirar jovens leitoras”, “mulheres para prestarmos atenção” e “aquelas que realizam mudanças”.

Zaina Juma, gerente criativa da Penguin. disse que esse é um espaço onde leitores poderão encontrar escritoras incríveis, ativistas e pioneiras para se inspirar a seguir em frente e promover mudanças como uma mulher. “A voz de mulheres sendo ouvidas e levadas a sério é a chave para conseguirmos igualdade de gênero e com a livraria Like a Woman estamos criando um local onde essas vozes serão elevadas e celebradas”. 

Vários eventos literários vão acontecer no local e parte dos lucros irão para a Solace Women’s Aid, uma instituição de suporte a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Os consumidores poderão também comprar livros e doar para a instituição.

Com informações de The Guardian UK.

E você, tem o costume de ler autoras mulheres?

Teca Machado


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O Destino de Uma Nação – Crítica (Maratona para o Oscar 2018)


Há alguns meses quando assisti Dunkirkcrítica aqui - fiquei fascinada com essa história da II Guerra Mundial que nem foi citada nos meus tempos de escola. E agora, com O Destino de Uma Nação, do diretor Joe Wright, temos o mesmo enredo, sob outra perspectiva: a política. E mesmo sendo um filme que poderia ser denso, altamente focado em estratégias de guerra, temos uma produção que humaniza uma figura histórica e nos mostra como Churchill não fez um tratado de paz com Hitler, conseguiu salvar 400 mil soldados britânicos e, assim, ter avançado na batalha contra os nazistas.


O Destino de Uma Nação é baseado em fatos reais e tem Winston Churchill como protagonista, incrivelmente interpretado por Gary Oldman, irreconhecível. No meio da II Guerra Mundial, Hitler ganhava terreno na Europa, inclusive estava muito melhor posicionado do que os Aliados. Após ser convocado a substituir o primeiro-ministro que estava no poder, mesmo contra a vontade de muitos, inclusive do Rei George VI (Ben Mendelsohn) – pai da Rainha Elizabeth e o mesmo vivido por Colin Firth em O Discurso do Rei – Churchill assumiu o cargo no momento mais sombrio da batalha, daí o nome do filme em inglês, Darkest Hour. A Inglaterra estava quase a mercê dos nazistas, rodeada por tropas inimigas, que já tinham atingido a França e encurralado centenas de milhares de soldados na praia de Dunquerque, do outro lado do Canal da Mancha. Coube a Churchill tomar decisões extremas e muito ousadas, tanto que não tinha apoio nem mesmo do seu conselho de guerra.



Mais do que uma maquiagem impecável que transformou Oldman em Churchill (se você não lembra quem é o ator, ele é o Comissário Gordon do Batman de Christopher Nolan), a atuação dele é também impecável. A maneira como se porta, fala, murmura, anda, para em pé, é o Churchill quase sem tirar nem por. Claro que o roteiro deu uma romantizada na personalidade caótica que era o político, mas ainda assim é bem real de acordo com os livros e as reportagens da época. Churchill era um homem ousado, quase louco, que não era bem quisto pelos seus colegas, mas que conquistou a população britânica com as suas manobras na II Guerra. É quase certo que Oldman leve o Oscar na categoria Melhor Ator (Além de Melhor Filme e Melhor Ator, O Destino de Uma Nação está concorrendo a Melhor Design de Produção, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Cabelo e Maquiagem).

Apesar de ser o protagonista e sem dúvida a estrela do filme, nem só de Oldman vive O Destino de Uma Nação. Lily James, muito carismática e doce, se transforma numa espécie de olhos do povo. Como secretária pessoal de Churchill, que aprende a lidar com a sua personalidade única, entendemos como a população da época enxergava o primeiro-ministro. Há também a excelente Kristin Scott Thomas, no papel de Clemmie, esposa dele, e Stephen Dillane como o Visconde Halifax, que era a primeira opção para ocupar o cargo antes de Churchill.




Não é a toa que o filme está concorrendo como Melhor Design de Produção e Fotografia. O visual de O Destino de Uma Nação é denso, é muito britânico, é real. O diretor brinca com as cores sóbrias, com as luzes, com o jogo de câmeras, ora por cima de tudo, ora por baixo, ora perto, ora longe, e com a própria figura de Churchill.

O roteiro pegou uma história real e a transformou palatável para o público, que por vezes poderia se sentir perdido com assuntos estratégicos de guerra e política de um país que não o seu. Os diálogos são densos e há sempre uma tensão no ar, afinal, Hitler está chegando à Inglaterra com toda sua força e os soldados britânicos estão esperando e morrendo na praia de Dunquerque. É um filme histórico que entretêm, ainda que não seja considerado tão comercial.



O Destino de Uma Nação e Dunkirk se complementam de forma magnífica, cada um mostrando um lado da História, mesmo que Joe Wright e Christopher Nolan tenham estilos tão distintos.

Recomendo muito.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação - Assistido
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
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Teca Machado

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Canal Teca Machado: Autores que devastam meu coração


Você já teve o coração destruído por um autor desalmado?

Eu já!

Milhões de vezes na verdade.

E foi pensando nisso que hoje fiz para o Canal Teca Machado um ranking com os cinco autores mais destruidores de corações.



Algum desses cinco já te partiu o coração?

Quem mais fez isso com você?

Aproveite para se inscrever aqui no canal e assistir aos vídeos antigos e aos novos, que aparecem toda sexta.

Teca Machado

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pets – A Vida Secreta dos Bichos: Crítica


Se eu já sempre gostei de animações, depois que tive sobrinhas e elas passaram da fase Peppa Pig e Backyardigans para os desenhos mais interessantes, passei a ver ainda mais dessas produções. Há um tempão elas me pediam para assistir Pets – A Vida Secreta dos Bichos, do diretor Chris Renaud e da Illumination Entertainment, a mesma que nos presenteou com Meu Malvado Favorito e seus minions. Demorei, mas finalmente vi o longa e me apaixonei loucamente (até porque eu amo cachorros!).


Pets – A Vida Secreta dos Bichos mostra que quando os donos saem de casa os animais têm uma vida ativa e altamente social. Fazem festas, vão para o apartamento dos amigos, saem de casa, se divertem, roubam comida e muito mais. E um deles é o cão Max, que tem uma vida perfeita em NY com sua dona. Só que um belo dia ela adota mais um cachorro, Duque, um gigante desastrado que Max odeia na mesma hora. Os dois disputam território e numa reviravolta se perdem e se afastam do conforto do lar. Enquanto tentam voltar para casa e encontram uma gangue de bichinhos desprezados e revoltados que moram no esgoto, os amigos da dupla, principalmente Gigi, tentam a todo custo encontrar os cachorros perdidos.



O humor está presente, mas não é do tipo inteligente e adulto, como vemos em Meu Malvado Favorito, Shrek, Divertidamente e outras animações cheias de piadas que apenas o público mais velho vai entender. Não chega a ser um filme totalmente infantil, porque a história fofa e engraçada atinge todas as idades, mas as tiradas cômicas são mais simples. Só que isso não tira mérito da história super divertida e que entretêm em todos os minutos, seja com fofura, seja com nonsense, seja com bom humor.

O visual é uma gracinha, lembrando bastante Meu Malvado Favorito (em certo momento dá para ver um easter egg: Gru passeando no parque em que os cachorros estão). Muitas cores, muita iluminação e muitos animais bonitinhos, mesmo o pessoal da gangue do esgoto.




Cada animal tem uma personalidade única e bem trabalhada, ainda que de certa forma caricata. Max é bonzinho, popular, mas às vezes egoísta, o típico protagonista que é bom, mas erra e em seguida busca redenção. Duque é o grandão que passou por situações difíceis, mas tenta não se abalar. Gigi é fofa, inocente e maluca. Bola de Neve é o coelhinho mais surtado e doidão que você já viu e que merece um filme só dele contando como foi sua vida, desde que foi abandonado pelo dono que trabalhava com mágica até virar o chefe do esgoto.

As vozes no português são de Danton Mello, Luis Miranda, Tatá Werneck (irreconhecível) e Tiago Abravanel. Fizeram um bom trabalho. Mas vou querer assistir de novo no legendado, porque tem grandes nomes da comédia, como Louis C.K., Eric Stonestreet (o Cam de Modern Family), Kevin Hart, Jenny Slate e Ellie Kemper (de Unbreakable Kimmy Schmidt).



As situações pelas quais os pets passam enquanto tentam voltar para casa ou enquanto procuram os amigos perdidos são completamente absurdas e altamente divertidas. É aquela animação que não veio com grandes pretensões e por isso mesmo é tão maravilhosa. Não tenta ser mais do que é, é incrível naquilo que se propôs e promete um final feliz e bonitinho.

E quando termina é impossível não se perguntar o que o seu animal faz quando você não está em casa.

Recomendo.

Teca Machado