sexta-feira, 3 de abril de 2020

Persépolis - Resenha


Imagine ser livre, fazer o que bem entende e, de repente, quase toda sua liberdade de ir e vir, de vestuário, de relacionamentos e tudo aquilo que faz parte da sua vida ser tirado de você. Essa foi a realidade de Marjane Satrapi – e de milhões de outras pessoas – quando em 1979 começou a revolução que levou o Irã ao opressor regime xiita. E toda sua trajetória, dos 10 anos até a idade adulta é contada na HQ autobiográfica Persépolis, publicada pela Quadrinhos da Cia, do grupo Companhia das Letras.

Foto @casosacasoselivros

No livro, que é um compilado dos quatro volumes publicados por Marjane Satrapi, acompanhamos três fases da sua vida: a infância no Irã, a adolescência em Viena e a vida adulta já de volta ao Irã. Vemos de forma clara aspectos importantes da história, como as guerras que aconteceram nas décadas em que se passa a obra, a discriminação e a opressão direcionada às mulheres e o quanto as batalhas e a ditadura podem marcar profundamente um povo.

Marjane Satrapi
Criada numa família moderna e com a mente aberta, Marjane desde muito nova era politizada. Desse modo, foi muito difícil para a garota se adaptar ao novo ambiente arbitrário, extremamente conservador e ditatorial. E sua personalidade combativa e rebelde, como vemos ao longo da história, a levou a passar por vários problemas, assim como a levou por caminhos libertadores.

Seus pais nunca a privaram de educação e informação, por isso Marjane teve acesso ao conhecimento, a livros, a filosofia, e cresceu com pensamento crítico e reflexivo bem apurado. E o fato de viver numa sociedade em constante guerra, repressão e medo fez com que desenvolvesse um senso apurado de justiça e em busca de saber quem realmente era.

Apesar do tema pesado, com todas as perseguições políticas, mortes, mártires, prisões e repressões, Marjane Satrapi conta sua vida de forma bem-humorada e bem criativa. Ao longo das páginas nos deparamos com situações até mesmo engraçadas em meio a outras extremamente tristes. A narrativa é fluida, divida em pequenos capítulos, e quando percebemos já lemos páginas e mais páginas.

A autora poderia mostrar apenas o seu lado bom, político, rebelde com causa e com sede de justiça. Mas não priva o leitor dos seus defeitos. Principalmente a medida que vai crescendo, enxergamos outro lado de Marji, com o uso de droga, as más companhias e mesmo acusar um inocente de indecências para que guardas da revolução não reparassem na sua maquiagem, algo proibido na época.



O livro é riquíssimo em contexto histórico e nos mostra uma realidade muito longe da brasileira, com repressão, guerras e dificuldades quase inimagináveis para nós. Por vezes a gente fica um pouco perdido nas questões políticas e territorialistas da obra, mas nada que prejudique a leitura ou o entendimento.

Os quadrinhos em preto e branco têm traços simples, bonitos e fáceis de acompanhar. Além disso, Persépolis ganhou uma versão cinematográfica em 2007, seguindo a mesma estética das HQs originais. A produção francesa foi nomeada ao Oscar de Melhor Animação e ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.


Persépolis é uma leitura diferente, boa para abrir a mente e conhecer outras realidades.


Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 1 de abril de 2020

Midway: Batalha em Alto-Mar – Crítica


Um dos eventos mais retratados pela humanidade em filmes, livros e séries é a II Guerra Mundial. Todos nós sabemos o básico: Hitler, nazismo, campos de concentração, Pearl Harbor, bomba atômica, Aliados vencem. Mas os anos de 1939 a 1945, período que durou o embate, é recheado de detalhes, pequenos – ou mesmo grandes – acontecimentos que mudaram o rumo da guerra e que nós muitas vezes não estudamos na escola. Não sei vocês, mas antes de Dunkirk, de Christopher Nolan, e O Destino de Uma Nação, de Joe Wright, ambos de 2017, eu não sabia sobre a Operação Dínamo, do Reino Unido, que resgatou cerca de quatrocentos mil soldados cercados por tropas da Alemanha Nazista. E o mesmo aconteceu para mim sobre Midway, batalha retratada no filme de mesmo nome do diretor Roland Emmerich, que assisti no fim de semana pela Amazon Prime.


Até o atentado contra Pearl Habor, em 1941, os Estados Unidos estavam relativamente neutros na II Guerra Mundial. O Japão, aliado à Alemanha, estava expandindo freneticamente o seu império nos territórios ao redor. Até que os EUA fizeram uma sanção de fornecimento de petróleo ao país oriente, que já havia avisado que retaliaria caso isso acontecesse. E foi esse o motivo do ataque à ilha havaiana. Começou, então, o embate entre EUA e Japão que terminou com o lançamento das duas bombas atômicas. Mas nesse meio tempo aconteceu a batalha de Midway, uma pequena ilha no Pacífico que pertencia aos EUA, mas que o Japão queria tomar.

Quando falamos sobre a questões políticas, militares e estratégicas, Midway: Batalha em Alto-Mar é um filme muito bom, mostrando bastante o trabalho da Marinha americana e a importância do serviço de inteligência. Apesar de não ser um fato muito conhecido sobre a guerra foi um acontecimento que mudou o rumo das vitórias do Japão. E logo depois que o filme terminou, assisti ao episódio sobre o tema do documentário da Netflix Grandes Momentos da Segunda Guerra em Cores (muito bom! Recomendo). E pude ver que a produção de Emmerich foi fiel ao que realmente aconteceu.




Entretanto Midway: Batalha em Alto-Mar falha um pouco na construção dos personagens. Eles foram pessoas reais, mesmo os protagonistas do filme, mas de certa forma o espectador não se conecta com eles. Tem um tanto de caricatura entre os soldados, como o novato com medo, o que não teme a morte, o audacioso, o arrogante, entre outros. E mesmo os protagonistas Dick Best (Ed Skrein) e Edwin Layton (Patrick Wilson), quando o roteiro tenta mostrar um pouco da sua humanidade e vida em família não aprofunda muito. Mas isso não chega a incomodar, porque o filme não se propõe a ser uma história romântica e densa, como foi com Pearl Habor, em 2001. Midway é um filme de batalha, guerra e estratégias, não dramas humanos. 

O elenco conta com nomes muito bons e conhecidos, como os já citados Ed Skrein, Patrick Wilson, Luke Evans, Woody Harrelson, Mandy Moore, Dennis Quaid, Aaron Eckhart, Nick Jonas e Darren Criss. Mas como o roteiro não foca em realmente nenhum deles ou nas suas subtramas seus papeis são pequenos. Todos retratam pessoas reais que deixaram o seu nome na História por causa das suas ações em Midway e em outros acontecimentos da guerra.




Rolland Emmerich tem em seu currículo vários filmes de destruição e patriotismo americano (ainda que ele seja alemão), como Independence Day, Godzilla, O Dia Depois de Amanhã e Soldado Universal. E Midway não deixa der seguir essa linha. O filme tem características muito próprias do diretor em suas cenas de ação, caos, destruição e esquema de cores. É um show visual, principalmente nas cenas em que acontecem as batalhas aéreas, nos dando uma sensação de aturdimento e cegueira que provavelmente os pilotos tinham.

Midway: Batalha em Alto-Mar é um ótimo filme de ação que nos mostra de maneira bem fiel os acontecimentos desse embate importante, mas pouco conhecido, da II Guerra Mundial.

Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 30 de março de 2020

A Vida e a História de Madam C.J. Walker - Crítica


Imagine ser uma mulher negra, lavadeira, filha de escravos logo depois da abolição, com falhas no cabelo devido à vida que leva e com um marido que a espanca. Essa é uma trama com todo o potencial para ser um drama extremamente triste. Mas estamos falando de Madame C. J. Walker, a primeira mulher milionária por méritos próprios dos EUA, feito que a levou a entrar no Livro dos Recordes. E toda trajetória dela é contada na minissérie da Netflix A Vida e a História de Madam C.J. Walker, que entrou há poucos dias no catálogo.


Esse enredo parece fantasia, mas é baseado em fatos reais. Sarah Breedlove (Octavia Spencer), que depois se tornou Madame C. J. Walker, vivia quase na miséria e, para piorar, sofria com o cabelo caindo, cheio de falhas. Até que Addie (Carmen Ejogo) bate em sua porta. Ela apresenta seu produto milagroso que cuida do cabelo de mulheres negras. Sarah reconquista as madeixas e a autoestima. E decide que quer fazer o mesmo por outras mulheres. Então Sarah começa a construir um império da beleza e cosméticos para mulheres negras em pleno início do século XX.

Um dos maiores trunfos da série é que ela não foca apenas no fato de que uma mulher negra e pobre deu a volta por cima e mudou a suas circunstâncias e a de milhares de mulheres na época. A Vida e a História de Madam C.J. Walker navega por vários temas importantes e mesmo atuais. Fala sobre feminismo e o lugar da mulher no mercado de trabalho, já que naquele tempo era quase impensável uma empreendedora, ambiciosa e perspicaz. Assim como o machismo, porque se hoje muitos homens se sentem diminuídos pelo sucesso de uma mulher, imagina naquela década? Também é sobre a força e o empoderamento negro, principalmente das mulheres, já que ela não vendia apenas produtos de beleza, era autoestima e reconhecimento. E até mesmo sexualidade e saber quem é você e aceitar.




Outro acerto muito grande da minissérie é o elenco. Se tem a Octavia Spencer eu já fico interessada. Para mim ela é sempre sinônimo de uma excelente atuação em uma boa história. E eu não estava errada aqui. Madame C. J. Walker é retratada com seus defeitos, falhas, e, é claro, as qualidades. Além dela, temos Carmen Ejogo, Tiffany Haddish, Kevin Carroll e Blair Underwood, que trabalham muitíssimo bem.

A ambientação e figurinos são muito bonitos. A gente se sente no sul dos EUA no período de 1910. O design de produção é sem defeitos, tirando as músicas, que nem sempre combinaram com o século em que passa.

Há alguns probleminhas de roteiro, mas nada que incomode muito. Além do clima um tanto melodramático em alguns momentos, por terem sido apenas quatro episódios com cerca de 50 minutos cada parece em alguns momentos que tudo ficou corrido. Por exemplo: no terceiro capítulo ela está batalhando para crescer e se firmar. No começo do quarto já é milionária. Outro ponto é o tom fantasioso em alguns momentos, como quando ela sonha acordada com a sua fábrica ou as cenas de luta de boxe com Addie, sua concorrente, que tiram um pouco do brilho da história real de Madame C. J. Walker.



A verdadeira Madam C. J. Walker

E por falar na história, a maior reclamação que vi sobre a produção é a falta de comprometimento com a realidade. A “inimiga” Addie, retratada quase como uma vilã cartunesca que tem como objetivo de vida acabar com Madame C. J. Walker. Os registros mostram que na verdade elas trabalharam juntas e foram de certa forma colegas. Além disso, muitas pessoas afirmam que muito da trajetória da protagonista foi diferente e nos incentivam a pesquisar um pouco mais sobre ela, inclusive a ler o livro no qual foi baseada a trama, escrita por A'lelia Bundles, uma descendente da empresária.

A Vida e a História de Madam C.J. Walker é uma excelente minissérie. Assisti numa sentada só, como se fosse um filme de 3h ao invés de episódios. O espectador fica fascinado com a coragem, empreendedorismo e mente dessa mulher que se fez sozinha mesmo em meio a uma sociedade masculina, branca e que pouco espaço dava para o mercado da beleza.


Recomendo.

Teca Machado


sexta-feira, 27 de março de 2020

Daisy Jones & The Six - Resenha


Como falo com frequência, sigo o clube do livro da Reese Whiterspoon (@reesesbookclub), que todos os meses traz dicas de obras escritas por mulheres de todo mundo. E posso dizer que as indicações dela são maravilhosas. Uma das que mais me chamou a atenção no último ano foi Daisy Jones & The Six, da Taylor Jenkins Reid. Logo em seguida a Editora Paralela, do grupo Companhia das Letras, publicou a obra no Brasil e depois o outro livro da autora, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (resenha aqui), que eu li e digo que foi uma das melhores leituras de 2019. E esse ano finalmente consegui ler Daisy Jones & The Six. E posso dizer que fiquei completamente apaixonada e provavelmente será uma das melhores leituras de 2020.

Foto @casosacasoselivros

Daisy Jones & The Six: Uma História de Amor e Música, é exatamente o que diz o título. A banda foi a voz de uma geração nos anos 1970, encheu estádios e vendeu milhões de discos com músicas de rock que falavam fundo à alma. Daisy Jones era a personificação da garota descolada, linda e livre e The Six era o grupo do momento, com potencial para ser o maior de todos os tempos. Quando o caminho da cantora se cruza com a banda o resultado é explosivo, sucesso imediato. Mas após o show de 12 de julho de 1979 a banda se desfez em pleno auge, e ninguém nunca soube o porquê. Pelo menos até agora. Narrado por meio de entrevistas com todos da banda e com pessoas que fizeram parte da sua trajetória, podemos conhecer toda a história, do começo ao fim.

Algo que Taylor Jenkins Reid faz com maestria tanto em Daisy Jones & The Six quanto em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é falar de personagens fictícios de uma maneira que temos certeza de que são reais. Nos dois livros a todo momento eu tinha certeza de que estava lendo uma biografia, tão bem a autora constrói seu enredo. A vontade é jogar no Google para ver fotos de Daisy durante os shows, ver a capa dos discos, conhecer o rosto de todos os The Six, ouvir gravações das músicas tão incríveis. E aí você lembra – um pouco frustrado! - que não são pessoas que existiram. Poucos autores têm essa técnica tão aprimorada.

E por falar nos personagens, são extremamente bem elaborados. Como o livro é escrito em forma de entrevista, conhecemos cada um e os fatos de acordo como eles enxergaram a situação, então em vários momentos o mesmo fato tem duas ou três versões, o que deixa o enredo muito mais rico e diverso. Taylor Jenkins Reid não perde muito tempo descrevendo cenários, o que no fim das contas não faz diferença e deixa com que foquemos no que realmente importa: nas pessoas.

Taylor Jenkins Reid

“Os seis que deveriam ser sete.”

Apesar de todos da banda terem um papel fundamente na narrativa, os embates e sentimentos de Daisy e Billy, o vocalista do The Six, têm mais espaço. "Nós adoramos gente linda e destruída por dentro. E não dá para ser mais claramente destruída por dentro e ter uma beleza mais clássica que a Daisy Jones”. Essa é uma boa maneira de descrever ambos os protagonistas. Acredito que falar mais do que isso deles pode estragar a experiência de leitura de quem ainda não leu. Eles são complexos, ambíguos, bons, maus, talentosos, com defeitos, qualidades e muito mais. E o mesmo pode ser dito de Graham, Karen, Warren, Pete, Eddie e Camila, que apesar de não ser da banda é parte importante da trajetória deles. 

E um ponto importante é a força e a liberdade feminina, trazida por Daisy, Karen e Camila. Cada uma a sua maneira é empoderada e não deixa de fazer o que quer por causa do gênero. Uma das frases do livro exemplifica bem: "Os homens parecem achar que merecem um prêmio quando tratam as mulheres como seres humanos."

É bem claro a todo instante que a autora pesquisou muito o universo efervescente da música, principalmente do rock, nos anos 1970 e é uma mistura de realidade com ficção. E ao final do livro a autora disponibiliza a letra de todas as músicas da banda. E como participamos do processo criativo delas, ficamos morrendo de vontade de escutar. Gostaria que tivessem feito como em Talvez Um Dia, da Colleen Hoover, e As Cordas Mágicas, de Mitch Albom, em que as músicas foram gravadas e disponibilizadas no Spotify.


Descobri depois da leitura que a Reese Whiterspoon está produzindo para a Amazon Prime uma série de 13 episódios baseada no livro e já foram escalados Sam Claflin para viver Billy Dunne e Riley Keough como Daisy Jones. Ainda estamos sem maiores informações de datas, mas eu já estou quicando de ansiedade.

Daisy Jones & The Six é uma história de amor à música e pessoas quebradas, mas fortes. 

Recomendo demais!

Teca Machado

quarta-feira, 25 de março de 2020

A Luz Entre Oceanos - Crítica


Certa vez meus pais assistiram por acaso um filme e passaram anos me dizendo que era minha cara e que eu deveria assistir também. Finalmente vi e eles tinham razão: adorei. Eles estavam falando de A Luz Entre Oceanos, do diretor Derek Cianfrance, com Michael Fassbender e Alicia Vikander nos papeis principais. A produção é baseada no livro de mesmo nome de L. Stedman, publicado no Brasil pela Editora Rocco.


Em 1919, depois de participar da I Guerra Mundial, ver tanta morte e destruição, Tom (Fassbender) precisa recuperar sua alma, sua sanidade e seus traumas. Desse modo, aceita o solitário emprego de faroleiro na pequena e extremamente remota ilha de Janus, na Austrália. Para alguns pode parecer um tédio, mas para Tom é extremamente terapêutico. Faz trabalho manuais, cuida da ilha, do farol, da casa e tudo. Então numa visita ao continente se apaixona por Isabel (Vikander), com quem se casa. Tudo é lindo, idílico, apaixonado e os dois vivem num mundo só deles. Isabel engravida, mas perde o bebê. E isso acontece mais de uma vez. Até que o acaso intervém. Um barco com um homem morto e um bebê aos berros aporta na ilha e o casal adota a criança, como se fosse deles. Anos depois descobrem quem é a mãe da criança e começa o dilema moral de manter segredo sobre a identidade da filha ou acabar com o sofrimento da mãe que acredita que a menina morreu.

O grande conflito do filme é a culpa que Tom sente em relação a ter pegado a criança a pedido da esposa. Ao descobrir que Lucy é na verdade filha de Hannah (Rachel Weisz), não há mais sossego e felicidade em seu coração. Ele ama tanto a menina e só consegue imaginar o sofrimento pelo qual Hannah passa. Mas igual sofrimento pode acometer sua esposa, que corre o risco de perder a filha que tanto quis.



É uma questão que o espectador se solidariza com ambos os lados. Tom e Isabel apenas acolheram uma órfã, ainda que deveriam tem informado às autoridades. Ao mesmo tempo, Hannah perdeu o marido e a filha, tudo numa tragédia só. 

Não podemos negar que A Luz Entre Oceanos é delicado, com uma temática frágil, mas é um drama que mexe com a gente. Não chega a ser uma novela mexicana graças ao roteiro muito bem escrito pelo próprio diretor, que foi quem adaptou do livro, e ao trio de atores que conduz muitíssimo bem a história.



Michael Fassbender a todo o momento traz o olhar de um homem quebrado e traumatizado, que se ilumina a partir do momento que sua filha chega. E essa tortura interior volta quando descobre que sua filha tem uma mãe biológica. Alicia Vikander mostra uma fragilidade incrível, quase palpável. Sua Isabel tem uma enorme profundidade. O mesmo podemos dizer de Rachel Weizs, que sempre entrega o melhor de si. Mesmo aparecendo apenas no terço final do filme, seu trabalho é irretocável.

Com uma fotografia muito bonita, A Luz Entre Oceanos é sobre perdão, sobre o que somos capazes de fazer por amor, sobre perda, sobre luto e sobre a moralidade. É difícil não deixar cair umas lágrimas à medida que o filme se encaminha para o final.


E só uma curiosidade: Fassbender já havia sido escalado como Tom. Alicia Vikander admirava o trabalho do ator e se ofereceu ao papel de Isabel. Conseguiu. E poucos meses após o início da produção eles anunciaram que estavam juntos. O casal está casado desde então. 


Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 23 de março de 2020

Para ler na quarentena: Je T’aime, Paris – E-book grátis na Amazon


“Com um pai milionário encrencado com a Justiça e seus bens bloqueados, Ana Helena precisa aprender a viver com poucos recursos e decide se refugiar em Paris. Peraí! Como viver com pouco dinheiro em Paris? Não tem jeito! Arles acaba sendo a alternativa mais modesta. Mas a tranquilidade dessa pacata, porém charmosa, cidade do interior da França logo dá lugar a um turbilhão de acontecimentos envolvendo um novo amor, obras de arte importantes e homens tão ambiciosos que farão de tudo para colocar as mãos no que desejam.

A grande aventura leva Ana Helena de volta a Paris, com perseguições alucinadas, romance, estratégia, muita ação, drama e reviravoltas.

O que você faria para salvar um grande amor e alguns milhões de euros?”

Venha descobrir comigo em Je T’aime, Paris, meu livro, que está de graça AQUI na versão e-book. (https://amzn.to/3dmHLzB)


Se você gosta de comédias românticas, histórias leves e divertidas, essa obra é para você.

Vai ser uma viagem literária por Paris e por Arles com muita história da arte e amor.

E não precisa ter um Kindle para acessar o livro. Com o app você consegue ler tanto pelo celular quanto por tablet ou computador.

Enquanto o mundo está tão complicado e tenso, leia algo leve, divertido e que vai te trazer sorrisos. Aproveite a quarentena para mergulhar nessa história!

O e-book fica disponível sem custo até dia 25.

E se você é da turma que prefere o livro físico, pode adquirir Je T’aime, Paris e meu outro livro, I Love New York, juntos com muitos brindes, diretamente comigo.


E aí, vamos fazer limonada do limão da quarentena e ler bastante?

Divirtam-se na leitura!

Teca Machado

sexta-feira, 20 de março de 2020

O Último Desejo – Saga The Witcher – Livro 1 - Resenha


Depois que assisti – na verdade engoli – os episódios de The Witcher, da Netflix, e ter gostado muito (Ah, Cavill, seu lindão!), uma amiga insistiu que eu lesse os livros. Disse que apesar da série ser muito boa e condizer com a obra original, eles eram muito melhores, como geralmente acontece. Então me aventurei no primeiro volume, O Último Desejo, do polonês Andrzej Sapkowski. E posso dizer: Minha amiga tinha razão. O livro é excelente.

Foto @casosacasoselivros

O Último Desejo acompanha Geralt de Rívia, um bruxo que vai de cidade em cidade em busca de trabalho. No universo do livro, recheado de monstros e outras criaturas perversas que matam seres humanos, os bruxos são pessoas modificadas, mutantes, que têm seus sentidos realçados para que sejam caçadores desses seres em troca de recompensas. Geralt passa por inúmeros reinos, luta com monstros, tem problemas com pessoas, mas não quer ser o assassino frio e cruel que muitos pensam que os bruxos são.

Para quem viu a série, vai encontrar os mesmos contos e mais alguns que foram deixados de fora (se realmente não vão entrar ou se vão deixar para a segunda temporada ainda não sabemos). Assim como na produção da Netflix, o autor nos apresenta contos fora de ordem cronológica, mas com um pouquinho de atenção é possível encaixar as peças desse quebra-cabeças.

 Andrzej Sapkowski
Não sou uma pessoa muito fã de contos. Prefiro prosa, mas Sapkowski faz com maestria a costura dessas histórias. Você se vê imerso no mundo do livro, com tramas curtas, mas muito bem construídas, todas com início, meio e fim satisfatórios. Em momento nenhum tive a impressão de que o escritor correu com o enredo ou esticou demais.

As histórias são mais bem trabalhadas do que na série da Netflix. Entendemos com mais clareza o que é aquele líquido que ele toma e fica com o olho preto e porque fica super forte, do que são feitos os bruxos e porque ele é um bruxo, assim como temos mais acesso aos pensamentos e convicções de Geralt.

De modo geral, a série foi bem fiel ao livro, com um ou outro detalhe diferente. E, inclusive, uma das mudanças que a série fez – sobre a questão da criança surpresa – foi melhor. Para mim até foi mais coerente com quem é Geralt.

E por falar no protagonista, no livro ele é menos ranzinza do que na série da Netflix, principalmente no seu relacionamento com Jaskier. Aqui o bruxo parece gostar – e aceitar – muito melhor o bardo e suas excentricidades. E Jaskier continua sendo um dos melhore personagens, logicamente. No último conto temos a introdução da feiticeira Yennerfer, que também sempre é muito interessante.

Sapkowski escreve muito bem e nos conta uma história fluida, com bom ritmo. Muitas vezes livros com cenas de ação e lutas ficam cansativos ou confusos (como essa perna foi parar ali? Como que a pessoa deu esse salto mortal?), mas não foi o caso. É tranquilo de acompanhar, até porque o foco do livro não são necessariamente as batalhas.

Saga The Witcher em edições diferentes

Algo que eu achei legal em O Último Desejo é que várias vezes senti que era talvez uma releitura extremamente sombria de contos de fadas. Por exemplo, todo o enredo da Renfri tem um quê de Branca de Neve maligna. Vi inclusive que tem muitas referências a lendas polonesas.

Posso dizer que O Último Desejo foi uma ótima introdução ao universo e aos personagens. Ao todo são sete livros na série literária, sendo que os dois primeiros são no estilo contos e a partir daí a saga vira prosa. Além disso, The Witcher virou game e série da Netflix com o Henry Cavill e que já está sendo produzida a segunda temporada.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 18 de março de 2020

Hunters - Crítica


Não sei na cidade de vocês, mas aqui em Brasília a Amazon Prime investiu pesado em divulgação da série Hunters, com Al Pacino, que entrou no canal de streaming no final de fevereiro. Já fazia uns dias que estava assistindo a primeira temporada, que conta com 10 episódios com cerca de uma hora cada, e ontem terminei. Mais alguém aí assistiu?


Hunters é produção executiva de Jordan Peele, escritor e diretor de filmes como Corra! e Nós e dá para sentir o dedo nele na série, com aquele toque do suspense, do quase bizarro e das reviravoltas. No enredo que se passa nos anos 1970, acompanhamos Jonah (Logan Lerman, o Percy Jackson), um rapaz de descendência judia que após investigar a morte da sua avó (Jeannie Berlin) se vê envolvido com os Caçadores, um grupo de judeus que descobriu nazistas infiltrados nos Estados Unidos e os caça impiedosamente.

Gostei muito de Hunters, principalmente da premissa. Afinal, quem não quer ver um bando de nazistas se dando mal, sentindo na pele – literalmente – a vingança daqueles que foram perseguidos por eles tão violenta e cruelmente? E é nesses momentos que a série brilha, quando mostra a caçada em si, o encontro dos oprimidos, dessa vez com o poder, com os opressores.



A produção tem um quê de realidade. Além de falar sobre acontecimentos históricos da II Guerra Mundial, como os campos de concentração, a Noite dos Cristais e até mesmo a Operação Paperclip (quando o governo americano trouxe engenheiros e cientistas da Alemanha nazista no período pós-guerra para trabalhar para eles – e um deles inclusive foi um dos responsáveis a leva o homem à Lua), os caçadores de nazistas realmente existem. Não da maneira retratada lá – até onde a gente saiba -, mas eles são reais.

Mas o que tem levado um pouco de polêmica para Hunters são as atrocidades dos campos de concentrações. Sim, elas aconteceram e foram malignas de uma maneira que a gente nem consegue imaginar, mas o roteiro de Hunters criou fatos, como o xadrez com prisioneiros e o concurso de canto.  O Memorial de Auschwitz soltou uma nota dizendo que fatos como esse podem fazer com que no futuro as pessoas neguem o Holocausto e os horrores feitos nos campos, assim como é perigoso e caricaturado.



Além do núcleo principal, com Jonah, Meyer (Al Pacino) e toda equipe de caçadores, há duas tramas separadas, que são tão interessantes quanto. De um lado temos Millie (Jerrika Hinton), agente do FBI que descobre a conspiração nazista nos EUA e luta tanto para desmascarar o governo quanto para pegar os caçadores, e do outro lado está o americano Travis (Greg Austin), que deseja entrar no grupo nazista extremamente bem organizado no país, liderado pela Coronel (Lena Olin), que tem como objetivo começar o Quarto Reich.

A atuações são boas – ainda que em vários momentos eu tive a sensação de que o Al Pacino estava sendo canastrão, talvez de propósito, talvez por ser a pegada de Hunters. Não é nada espetacular, mas está bom. A equipe de Caçadores é coesa, com boa química e trabalha bem mesmo quando o seu personagem não é dos mais desenvolvidos. O mesmo pode ser dito de Jerrika Hinton. Mas quem rouba o show com atuação é Greg Austin. Seu neonazista é sádico, com um carisma extremamente sombrio e um olhar gélido que chega a dar medo.



A série tem uma fotografia bonita. Uma vibe totalmente anos 1970. O design de produção acertou em cheio em toda a ambientação, das roupas até em mostrar imagens de NY com aquele ar de filmagem de décadas atrás.

O maior problema de Hunters foi o fato de muitas vezes ficar confuso para o espectador que tipo de série estamos vendo. Vi uma crítica no Omelete que disse: “Uma cena dos caçadores torturando um nazista pode ser seguida por um flashback emotivo do Holocausto. É como tentar juntar Bastardos Inglórios e A Lista de Schindler em uma obra só”. E essa é realmente a sensação que fica. Ao mesmo tempo que explora graficamente a tortura, o sangue, a violência, de repente temos um momento de reflexão, introspecção e altamente emocional. Isso dá uma quebra de ritmo absurdo, além de fazer um mix de temas que às vezes não funciona.


Apesar disso, Hunters é uma série muito boa. Começa extremamente interessante, dá uma caída pelo meio, mas nos dois últimos episódios volta a brilhar, principalmente nos minutos finais. Não há ainda confirmação da segunda temporada, mas ficamos no aguardo, principalmente depois das pontas soltas que ficam e do último minuto, que dá uma sensação de cena pós-crédito da Marvel.

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Recomendo.

Teca Machado

segunda-feira, 16 de março de 2020

Viver Duas Vezes - Crítica


Nessa época de quarentenas e todo mundo ficando mais em casa, Netflix e Amazon Prime, além de livros, obviamente, são a saída para não morrer de tédio.

Esses tempos atrás descobri na Netflix o filme Viver Duas Vezes, da diretora Maria Ripoll, uma dramédia espanhola para deixar o seu coração quentinho e despedaçado, tudo ao mesmo tempo.


Emilio (Oscar Martínez) é um professor de matemática aposentado e viúvo muito independente e metódico. Todas as manhãs vai numa cafeteria, faz Sudoku – que ele chama de quadrado mágico – e vive sua vida de forma ranzinza. Mas quando é diagnosticado com Mal de Alzheimer, Emilio percebe que enquanto ainda está bem é a sua última chance de ir atrás da mulher que era o seu amor de infância – e provavelmente o amor da sua vida. Mesmo a contragosto recebe ajuda da sua família nessa empreitada e numa viagem de carro para o outro lado da Espanha vão em busca de Margarita.

Viver Duas Vezes é um road movie extremamente delicado, sensível e que muito mais do que falar sobre o amor romântico foca nas relações familiares. A família de Emilio é pequena, conta apenas com a sua filha Julia (Inma Cuesta), a neta Blanca (Mafalda Carbonell) e o genro Felipe (Nacho López). O protagonista nem ao menos gosta de estar perto deles. Mas a enfermidade acaba aproximando a todos de uma maneira linda.



O enredo não é inovador, diferentão ou extremamente criativo. Mas a proposta da produção nunca foi essa. É para mostrar que muitas vezes, mais importante do que o destino é a jornada. É no caminho que Emilio se conecta de verdade com a sua filha e pela primeira vez dá atenção à sua neta. Foi feito para emocionar mesmo e eu que tive caso de Alzheimer na família – meu avô foi diagnosticado e viveu cerca de 10 anos com a doença – chorei em vários momentos, principalmente nos minutos finais.

Viver Duas Vezes fala com ternura sobre esse tema sensível, sobre perder a si mesmo de forma lenta, mas gradual, e extremamente dolorosa. E tem atuações boas e com boa química. Emilio é carrancudo, chato e mesmo grosso com a sua família. Mas a sua casca grossa vai sendo quebrada e Julia e Blanca vão ganhando espaço em seu coração de forma muito natural. Ainda que o papel de Oscar Martínez seja “chato”, o público começa a se conectar com ele e é impossível não se render ao carisma de Mafalda Carbonell. De início acreditei que seria a personagem mais insuportável do filme, mas a sua Blanca é doce e fofa. Inma Cuesta está muito bem também e, apesar de insistente em querer uma relação mais próxima com o pai, sabemos que tudo o que ela faz é para manter a família unida.


Emilio e Margarita na infância

A fotografia do filme é muito bonita. A diretora explora bem as paisagens espanholas e tudo fica com um ar quase intimista. A sensação que dá é que estamos com Emilio e sua família na sua viagem de carro.

Viver Duas Vezes é um filme espanhol despretensioso, emocionante, delicado e que trata de forma real o Alzheimer, já que é um tema que exige certa prudência.

Recomendo.

Teca Machado

sexta-feira, 6 de março de 2020

O Príncipe dos Canalhas - Resenha


Quem é fã de romance de época e lê bastante o gênero, depois de um tempo e de muitos livros lidos começa a ver bastante similaridades entre as histórias. E mesmo que muitos dos fatos sejam parecidos e várias vezes encontremos clichês, continuamos amando. Mas não nego que é uma delícia infinita quando damos de cara com uma obra mais diferente, com um enredo inovador. E foi assim no caso de O Príncipe dos Canalhas, da Loretta Chase, publicado pela Editora Arqueiro.

Foto @casosacasoselivros

Já tinha visto inúmeras – inúmeras mesmo – resenhas positivas sobre o livro. E isso é bom ao mesmo tempo que é ruim. No que as expectativas vão lá em cima, muitas vezes não são superadas. Só que nesse caso foi. Encontrei uma leitura típica do gênero ao mesmo tempo que é divertida, emocionante, diferente, com personagens inovadores, bastante irônica e mesmo debochada. Me prendeu do início ao fim e eu simplesmente não conseguia parar de ler.

Sebastian Ballister, o marquês de Dain, é mais conhecido como lorde Belzebu. E gosta desse título. Depois de ter uma relação muito conflituosa com os pais e sofrer no colégio interno, ele se tornou o perfeito dos canalhas. Decidiu que por ser tão feio, uma mistura de ingleses com italianos, e com o diabo no corpo, segundo sempre disseram a ele, viveria de acordo. É inclusive o líder de um bando de libertinos e depravados que vive em Paris. Um deles é Bertie Trent, um tanto imbecil e que está jogando o nome da sua família no buraco. Mas sua irmã Jessica vai ao resgate para a todo custo tirar Bertie das garras de Dain. Diferente de outras damas que conheceu, Dain percebe que Jessica não se escandaliza com facilidade, não tem intenção de se casar, é inteligente e quer viver pelos seus próprios meios. Ele, que sempre se interessou só por prostitutas, percebe que está sem querer se entregando a uma mulher de sociedade, algo que ele sempre abominou.

Loretta Chase
Apesar da sinopse, O Príncipe dos Canalhas não é um livro sobre uma moça virginal que muda o coração de um cafajeste e o faz se apaixonar por ela. A relação deles é muito mais do que isso e é maravilhoso acompanhar como ambos vão derrubando os muros ao redor dos seus sentimentos, se conhecendo, brigando a ponto de quase se matar e se gostando. Dain é irritante e cabeça dura, mas a sua dor é compreensível. O abandono da mãe, a relação terrível com o pai, o preconceito contra a sua aparência fora dos padrões ingleses, a falta de carinho e amor pela qual passou a vida inteira. Ele é terrível e um canalha arrogante, mas que esconde inseguranças num nível muito profundo e tristezas em igual medida.

E Jessica é maravilhosa. Ela é diferente das outras mocinhas que já vimos. Claro que muitas delas são “rebeldes” e não querem seguir as regras impostas pela sociedade de 1830. Mas ela é realmente a frente do seu tempo e de forma muito natural. Perdeu os pais muito nova, aprendeu a se virar e vive com a avó que é tão doida quanto ela. É uma personagem cativante, irônica e de bom coração. 

E essa é uma das melhores qualidades de Loretta Chase como escritora. Além de romances de época que tem um cenário social diferente, criatividade com uma década já explorada por muitos autores, ela cria personagens maravilhosos. Cheinhos de defeitos, mas totalmente relacionáveis com o leitor. Dificílimo não os amar, ao mesmo tempo que queremos dar uma sacudida bem dada em cada um. Foi assim também com a sua outra série que li, As Modistas, que é excelente do começo ao fim.

E no fim das contas, um dos pontos mais positivos de O Príncipe dos Canalhas é mostrar que no fundo maior desejo de todos é ser amado, mesmo que seja algo que não externamos para o mundo. Além disso, fala que mesmo aqueles que são os mais terríveis (sim, Dain, estou falando de você) merecem uma chance e que alguém os veja por quem realmente são.

O Príncipe dos Canalhas faz parte da série Canalhas, que formam quatro livros independentes e um conto que podem ser lidos fora de ordem. Tanto que a Editora Arqueiro lançou o terceiro e o quarto, mas ainda não o primeiro e o segundo. Os volumes são:

1- The Lion's Daughter - Esme Brentmor e Varian St. George (Lord Edenmont)
2- Captives Of The Night - Leila Beaumont e Ismal Devina (Conde D’Esmond)
3- O Príncipe dos Canalhas (Lord of Scoundrels) - Jessica Trent e Sebastian Ballister (Marquês de Dain)
3.5- The Mad Earl's Bride - Gwendolyn Adams e Dorian Camoys (Conde de Rawnsley)
4- O Último dos Canalhas (The Last Hellion) - Lydia Grenville e Vere Mallory (Duque de Ainswood)


O Príncipe dos Canalhas foi uma leitura ótima e que se tornou um dos meus preferidos do gênero. Recomendo muito.

Teca Machado