quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Gilmore Girls: A Year in the Life - Crítica


Depois do incentivo de várias amigas, passei cerca de dois anos assistindo Gilmore Girls. Demorei porque são mil livros para ler, 500 séries para assistir e mais o trabalho, cuidar da casa, brincar com o cachorro e sair com o marido. Mas no fim do ano passado consegui terminar. E eu dei muita sorte: Enquanto todo mundo que assistiu quando passou, de 2001 a 2007, precisou esperar 10 anos para um revival, eu logo em seguida fui para os novos episódios produzidos pela Netflix e que contaram com a volta da criadora Amy Sheman-Palladino.


Gilmore Girls: A Year in the Life tem apenas quatro episódios, escritos e dirigidos por Amy e Daniel Palladino. Cada um deles foca em uma das estações do ano de Rory (Alexis Bledel) e Lorelai Gilmore (Lauren Graham), que mesmo passada uma década continuam falando rápido, muito sarcasticamente, são cheias de referências e fazendo as escolhas que querem, não que as sociedade impõe a elas.

Lorelai está com Luke (Scott Patterson), continua cuidando da Pousada Dragonfly Inn, mas está se sentindo triste porque Sookie (Melissa McCarthy) abandonou o empreendimento e Michel (Yanic Truesdale) está pensando em fazer o mesmo. E apesar de feliz no relacionamento, acredita que ele está estagnado. Os problemas com a mãe Emily (Kelly Bishop) continuam e se intensificaram depois da morte do pai Richard (Edward Hermann, que realmente faleceu e deixou todo mundo tristíssimo), mesmo que ambas comecem a fazer terapia.




Enquanto isso, Rory está perdida na vida e a encaixam no que chamam de Gangue dos 30 e Poucos, que são os jovens adultos que acreditavam ter o mundo nas mãos, mas o mundo os cuspiu de volta sem piedade. Rory fez alguns trabalhos esporádicos de sucesso, mas não o suficiente para ter um emprego fixo. Não tem ao certo onde morar, não tem um relacionamento sério – apenas um namorado do qual sempre se esquece e um amante -, não tem trabalho e está se sentindo mais perdida do que nunca, ainda mais porque no término da sétima temporada ela acreditava que iria alcançar grandes alturas.

Preciso confessar que nunca morri de amores pela Rory. Prepotente e chata, sempre achei que suas escolhas não foram as melhores (é só se lembrar que a primeira vez dela foi com o ex-namorado que era casado!) e nunca a achei a oitava maravilha do mundo que as pessoas de Stars Hollow acreditavam. E nessa temporada ela continua a mesma pessoa, só que ainda mais perdida do que o normal. Não é que a odeie, mas também não amo.



Lorelai, apesar de imatura e muito egoísta (hoje estou com a língua afiada, haha), sempre foi uma personagem melhor para mim, mais bem trabalhada. Ela sofreu bastante na vida e mesmo tomando milhões de decisões erradas, encontrou o seu caminho – mesmo que agora ela ache que o perdeu. Seu relacionamento com a mãe é o ponto alto dos episódios, como sempre foi. Kelly Bishop é maravilhosa e sua Emily não perdeu a majestade, mesmo que tenha perdido o marido e a alegria de viver.

Temos a participação de praticamente todos os personagens que passaram por Gilmore Girls ao longo dos anos, como Kirk (Sean Gunn), Taylor (Michael Winters), Ms. Patty (Liz Torres), Christopher (David Sutcliffe), a maravilhosa Paris Geller (Liza Weil), Lane (Keiko Agena), os ex-namorados de Rory, Dean (Jared Padalecki), Logan (Matt Czuchry) e Jesse (Milo Ventimiglia – insira aqui gritinhos, porque ele sempre foi meu preferido) e todos os outros habitantes da incrível Stars Hollow, um lugar que eu ainda tenho vontade de morar e continua charmosa, fofa e colorida.




Gilmore Girls: A Year in the Life foi um ótimo revival de uma série que gostei muito, ainda que durante algumas temporadas eu tenha ficado cansada. A volta de Amy Sherman-Palladino fez toda a diferença, principalmente no final. A criadora disse que sempre quis terminar a série com as últimas quatro palavras que finalizaram esses novos episódios e que deixou todo mundo de queixo caído e alucinado por uma continuação. Ela não falou nada sobre um possível desenrolar, mas cabe a gente ficar na expectativa.

Como nunca se tratou de um conto de fadas, não espere apenas situações felizes, e sim reais. Tem felicidade, tem tristeza, tem lágrimas, tem risadas e tem um relacionamento entre mãe e filha que nunca acabará, ainda que possa ficar abalado algumas vezes. Gilmore Girls: A Year in the Life foi uma montanha-russa de emoções na qual me diverti. E ainda quero mais.



Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

The Post: A Guerra Secreta – Crítica (Maratona para o Oscar 2018)


Temos aqui um forte candidato ao Oscar 2018!

Assisti ontem The Post: A Guerra Secreta, de Steven Spielberg, como parte da minha maratona anual pré-Oscar e posso dizer que de certa forma me lembrei de Spotlight – Segredos Revelados, que ganhou o prêmio em 2016, devido ao cunho jornalístico investigativo e de como a imprensa pode moldar e mudar a sociedade.


O enredo se passa nos anos 1960 e 1970 e gira em torno do jornal The Washington Post, que passa por um momento delicado. Apesar de ser de grande porte, ele está se transformando de uma empresa familiar numa instituição de capital aberto, mesmo que Kay Graham (Meryl Streep), publisher e presidente, tenha suas dúvidas quanto a isso. Quando informações sigilosas do alto escalão do governo americano sobre a Guerra do Vietnã caem nas mãos do editor Ben Bradlee (Tom Hanks), há todo o dilema de publicar ou não. O embate fica entre defender a liberdade de imprensa e não deixar o governo ditar o que pode ser publicado e entre o bem-estar econômico e militar do país, principalmente em relação às outras nações.

É interessante ver Kay, uma senhora que não tinha pretensões de estar a frente de um jornal e teve que assumir as rédeas quando o marido falece, tentar sobreviver num ambiente majoritariamente masculino, ainda mais numa época em que as mulheres tinham menos visibilidade profissional do que hoje. Meryl Streep, belíssima em sua atuação que está concorrendo ao Oscar de Melhor Atriz, não tem grandes momentos na personagem ou cenas de grandíssimo destaque, mas leva Kay a mudanças sutis, de lacrimejosa e incerta a tomadora de decisões no momento mais crítico possível. A personagem cresce, evolui e se torna uma das peças principais nesse episódio real que transformou o Washington Post na potência que é hoje.




Tom Hanks e seu Bradlee são a personificação de um editor de jornal diário. Combativo, por vezes rude, acelerado, mas leal a sua equipe e a seu trabalho de uma maneira que é impressionante. E que apesar de todo trabalho duro e de ir contra o governo, é um homem de família que se preocupa com o bem-estar dela e da sociedade. A química dele e de Meryl Streep é muito boa e natural.

The Post passa por momentos alternados de Bradlee e sua equipe fazendo todo trabalho de investigação de documentos que acumulam mais de quatro mil páginas e entre Kay, sua família, suas festas e seus amigos no governo. Spielberg debate muito no filme sobre o papel da imprensa e da amizade que ela pode fazer com membros do alto escalão. Kay era amiga do secretário que produziu o estudo polêmico que gerou todo o filme e Bradlee era íntimo de John e Jackie Kennedy. Como conciliar ser imparcial nas notícias ao mesmo tempo que os noticiados são pessoas que você gosta e tem relacionamento? Como não deixar uma coisa afetar a outra?



O longa tem um ótimo ritmo e não é altamente didático, não fica explicando ao espectador tudo o tempo todo. É preciso prestar atenção para acompanhar certos trechos, principalmente os mais políticos (e saber um pouquinho de história também ajuda muito). E é interessante como o diretor optou por mostrar o presidente Nixon, sempre de costas, irado, com gestual exagerado, um tanto caricato, como os americanos na verdade o enxergam.

O desfecho de The Post, já interligando outro escândalo político – o maior de todos - que envolveu Nixon, é interessante, inteligente e que pode até dar margem para uma continuação (talvez um remake do famoso Todos Os Homens do Presidente, mas essa sou só eu divagando, não existe nada sobre o assunto).

Fan art com trechos do filme
Apesar de ser uma história tipicamente americana e que faz parte do país, The Post é um filme que pode e deve ser apreciado por todo mundo, porque liberdade de imprensa, família e governo são temas globais.

Recomendo bastante.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido!
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime
Corra!

Teca Machado

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Dicas para ler mais livros durante o ano


Se uma das suas resoluções de ano novo foi ler mais (a minha sempre é!), o BuzzFeed Books separou algumas dicas para conseguir alcançar seu objetivo. Eu traduzi, adaptei e coloquei alguns comentários meus mesmo. 

Sei que 2018 já começou há quase um mês, mas para muita gente tudo só realmente começa depois do carnaval, que já é daqui uns dias, então que tal já ir se preparando?

1- Coloque como meta um número realista de livros que você deseja ler.


Redes de leituras, como Skoob e Goodreads, possuem seções para você colocar metas de leituras. E você pode se sentir intimidado vendo amigos colocando em sua lista 50 ou 60 livros por ano. Mas se você nunca leu tanto assim, mas planeja entrar no ritmo, uma dica é colocar 12 obras como meta, o que dá um por mês e é bem tranquilo. E se for lendo mais rápido do que isso, é sempre possível reajustar o objetivo e colocar mais. (Eu, particularmente, não gosto de metas literárias porque leio por prazer, e se eu vir meta como obrigação pode perder a mágica. Mas isso é para mim. Para você isso pode funcionar).


2- Determine um tempo de leitura ou número de páginas por dia.


Não ache que você já vai começar lendo 200 página por dia – apesar de que isso pode acontecer -, então, para criar o hábito, determine tempo, páginas ou capítulos por dia. Em pouco tempo vai fazer parte da sua rotina e você não vai conseguir ficar sem.


3- Descubra qual horário do dia é melhor para você ler.


Algumas pessoas gostam de ler antes de dormir, outras sentem muito sono. Tem gente que prefere ler durante o café-da-manhã, no almoço, no caminho para o trabalho no metrô ou no ônibus. Quando descobrir qual seu melhor horário de leitura, vai conseguir ler muito mais.


4- Crie um ambiente aconchegante para a leitura.


Não precisa criar um espaço especial para ler, o que é mais complicado, mas simples mudanças ajudam, como colocar seus livros em locais visíveis, o que vai te incentivar a tirar as obras da prateleira e começar a ler, ou tirar sua televisão do quarto e usar o tempo de antes de dormir para ler.


5- Tenha um cartão de biblioteca.


Ok, no Brasil esse conceito não funciona muito bem. Mas se você for estudante e na faculdade/escola tiver uma biblioteca bacana, comece a pegar livros emprestados na instituição.


6- Carregue sempre um livro aonde for.


Ter um livro sempre em mãos vai facilitar seu tempo de leitura, porque você vai descobrir pequenos momentos no seu dia-a-dia que poderiam ser preenchidos com leitura. E se carregar peso não é com você, experimente ter a obra em e-book. (Eu SEMPRE faço isso, não importa o tamanho do livro tenho um na bolsa. E no fim do mês minha conta de livros lidos aumenta porque fui lendo de pouquinho em pouquinho e acabei lendo um montão).


7- Considere usar o seu telefone para ler.


Levar livros no seu smartphone significa sempre ter em mãos algo para ler, mesmo que não seja o seu meio favorito de leitura. Pode ajudar em momentos que você é pego desprevenido ou apertado, como dentro do metrô.


8- Comece a ouvir audiobooks.


Não chega a ser a mesma coisa que ler um livro em papel ou e-book, mas já é de grande ajuda, principalmente se você passa muito tempo dentro do carro. Podem ser histórias curtas ou livros gigantescos, depende do que você preferir.


9- Compre livros usados em sebos.


Às vezes você quer um livro mas não tem dinheiro para comprar ou mesmo quer uma obra que não é mais fabricada ou tão famosa, o que a torna difícil de ser achada. Sebos são ótimos locais para encontrar livros e passar muito tempo se inspirando por literatura. 


10- Participe ou crie um clube do livro.


Se você gosta de comentar livros que leu e gostou, ter um clube do livro é a melhor coisa do mundo! Vocês trocam informações, trocam livros, fortalecem amizades, se encontram com regularidade e apreciam a experiência de leitura ao mesmo tempo. (Criei um com amigas e foi maravilhoso!)


11- Ou entre numa comunidade virtual de leitores.


Na internet há inúmeras páginas de leituras, onde você conversa, debate e pega indicações de leituras, além de muitas vezes ser até mesmo uma espécie de clube do livro. É uma troca muito bacana com pessoas que você nem mesmo conhece, mas têm os mesmos interesses que você.


12- Tenha o hábito de trocar livros com seus amigos.


Você lê obras novas, seus amigos também e todo mundo fica feliz (além de você saber que são pessoas que vão cuidar bem do seu bebê). E se encontrar para fazer isso é melhor ainda.


13- Leia o livro antes de assistir ao filme.


2018 está cheinho de filmes que são adaptações de livros, então você pode usar isso como desculpa para ler antes de ir ao cinema. E é sempre bom – e terrível – comparar o original com a produção. E tem aqui uma lista de filmes desse tipo que serão lançados para você já se programar.

14- Não tenha medo de desistir de um livro.


A vida é curta, então leia apenas aquilo que você realmente quer e que te interessa. (Essa dica não faz muito sentido para mim porque eu não consigo largar a leitura pela metade e vou até o fim, nem que seja para falar mal com propriedade).


15- Se inscreva em alguma caixa de assinatura literária.


No Brasil temos várias, como a do Skoob, do Turista Literário, da TAG – Experiências Literárias, da Garimpo, e muitas outras. Todo mês você recebe uma caixa com um ou dois livros, brindes que tenham a ver com o tema do mês e muito mais, dependendo do que você assinou. Você “ganha” livros todos os meses e se delicia com um unboxing!

*** 

E aí, você já coloca em prática alguma dessas dicas?

E que tal ler esse ano I Love New York e Je T’aime, Paris, os livros que eu escrevi? Se você tiver interesse, estão em e-book na Amazon e físicos direto comigo.

Que em 2018 possamos ler muito e nos divertir e emocionar com histórias incríveis!

Teca Machado

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

The Sinner - Crítica


A senhorita atrasada nas séries ataca novamente!

The Sinner, da Netflix, foi lançada em setembro, mas eu assisti em dezembro e só agora fim de janeiro venho trazer a crítica. Antes tarde do que nunca, ainda mais porque essa produção com certeza vai fisgar sua curiosidade. E aqui não rola spoilers, então vem sem medo!

"Todos sabem que ela fez. Ninguém sabe o porquê"

Eu não imaginava, mas The Sinner foi baseada no livro de Petra Hammesfahr, com o mesmo nome, no português A Pecadora. O enredo conta a história de Cora, vivida por Jessica Biel. Ela é uma mulher aparentemente normal, casada, mãe e que ajuda na empresa do marido, mas que num dia de sol na praia tem um surto e ataca de modo brutal um estranho, dando-lhe facadas por todo corpo, em frente de centenas de testemunhas, inclusive do marido e do filho pequeno. Quando indagada do motivo do assassinato, Cora não sabe dizer o que aconteceu. Todos estão certos de que ela sabia o que estava fazendo, inclusive a própria Cora, que nem ao menos se defende, mas o detetive Harry (Bill Pullman) não está convencido e sabe que há algo por trás desse mistério e começa uma investigação. E é assim, com um assassinato sem motivação aparentemente nenhuma que o espectador é fisgado.

Nada fica claro desde o início e esse é o grande tcham da série. As informações concretas vão sendo exploradas devagar, cheias de complexidade, mas sempre fica óbvio que o que Cora fez tem raízes no seu passado conturbado, vivendo em um ambiente repressor religioso – daí o nome da produção. 



Por meio de flashbacks, muitas vezes confusos, dos anos de juventude de Cora, em alguns momentos não entendemos como tudo aquilo pode estar relacionado com o assassinato brutal, mas tudo se interliga. E por mais que algumas pessoas tenham achado o desfecho sem graça, eu achei um fechamento inteligente, inesperado e altamente coerente com tudo o que foi mostrado e vivido pelos personagens.

A história vai acontecendo e muitas vezes o espectador fica com cara de “que porcaria é isso que está acontecendo?”. Os fatos são crueis e muito questionáveis, criando um sentimento de compaixão por Cora, mesmo que seja considerada uma assassina. Em alguns momentos é possível pensar que o autor não vai conseguir amarrar todas as pontas, mas consegue.



Por vezes meio lenta, The Sinner não é a série mais alucinante e corrida que você vai assistir. Tanto que é o que chamam de “slow burn”, que seria algo como “cozinhar lentamente”. O roteiro vai devagar, mas sempre com fatos importantes, com um mistério instigante que vai te fazer assistir a um episódio atrás do outro (e são apenas oito, então você pode até terminar numa sentada só).

Jessica Biel, que também é produtora executiva, passa The Sinner inteiro com a mesma cara, mas é compreensível. Ela trabalha muito bem, dá o tom melancólico, culpado e atordoado que a personagem pedia. Suas expressões, seus pequenos gestos, dizem mais do que as poucas palavras que fala. Assim como Bill Pullman (que eu assustei como está velho! Eu sempre me lembro dele como o presidente dos EUA em Independecy Day), que vive o detetive, ótimo em seu trabalho, mas um fiasco na vida pessoal. Merece destaque Nadia Alexander, como Phoebe, a irmã doente, mas altamente sexual, que incita Cora a pecar sempre que possível.



As cores, os ambientes, tudo tem um quê de claustrofobia. E não só fisicamente falando, mas psicologicamente também. Cora, desde que nasceu, vive uma claustrofobia crescente. A mãe opressora, que cria uma espécie de campo de concentração em casa, a irmã que não a deixa ter uma vida, o casamento, que apesar de ela amar o marido, não é o auge da felicidade. Tudo cria não só na personagem, mas no espectador, um sentimento de prisão.

The Sinner foi apresentado como série na Netflix (Explicação rápida: Sempre que aparecer série, tem possibilidade de mais temporadas – a não ser se for cancelado. Minissérie, como foi o caso de Alias Grace, será uma só). E apesar da história de Cora estar fechada, a única possibilidade de uma continuação seria com o detetive Harry, que nos dá dicas do seu passado conturbado e que talvez possa ser uma linha para a segunda temporada. Mas não há nenhuma informação concreta ou oficial sobre o assunto.



Recomendo bastante.

Teca Machado


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Oscar 2018: Lista de concorrentes


E chegou aquela época do ano que eu amo, adoro e venero: premiações!

E ontem saiu a lista do Oscar 2018, que está em sua 90ª edição e vai ser apresentada pelo Jimmy Kimmel – que eu sempre confundo com o Jimmy Fallon -, o mesmo apresentador do ano passado. 

Como sempre, farei maratona pelo menos com os concorrentes de Melhor Filme. Até o momento só assisti Dunkirk, que amei!

Então vamos ver quais produções podem levar a estatueta para casa no dia 4 de março:


MELHOR FILME:
Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação
Dunkirk (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime
Corra!

MELHOR DIRETOR:
Martin McDonagh — Três Anúncios Para Um Crime
Jordan Peele — Corra!
Greta Gerwig — Lady Bird: É Hora de Voar
Paul Thomas Anderson — Trama Fantasma
Guillermo del Toro — A Forma da Água

MELHOR ATRIZ:
Sally Hawkins — A Forma da Água
Frances McDormand — Três Anúncios Para Um Crime
Margot Robbie — Eu, Tonya
Saoirse Ronan — Lady Bird: É Hora de Voar
Meryl Streep — The Post: A Guerra Secreta

MELHOR ATOR:
Timothée Chalamet — Me Chame Pelo Seu Nome
Daniel Day-Lewis — Trama Fantasma
Daniel Kaluuya — Corra!
Gary Oldman — O Destino De Uma Nação
Denzel Washington — Roman J. Israel, Esq.

MELHOR ATOR COADJUVANTE:
Willem Dafoe — Projeto Flórida
Woody Harrelson — Três Anúncios Para Um Crime
Richard Jenkins — A Forma da Água
Sam Rockwell — Três Anúncios Para Um Crime
Christopher Plummer — Todo o Dinheiro do Mundo

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:
Mary J. Blige — Mudbound
Allison Janney — Eu, Tonya
Lesly Manville — Trama Fantasma
Laurie Metcalf — Lady Bird: É Hora De Voar
Octavia Spencer — A Forma da Água

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO:
Me Chame Pelo Seu Nome — James Ivory
Artista do Desastre — Scott Neustadter e Michael H. Weber
A Grande Jogada— Aaron Sorkin
Logan — Scott Frank, James Mangold e Michael Green
Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi — Virgil Williams and Dee Rees

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:
Doentes de Amor — Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani
Corra! — Jordan Peele
A Forma da Água — Guilermo Del Toro
Lady Bird: É Hora de Voar — Greta Gerwig
Três Anúncios Para Um Crime — Martin McDonagh

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
Uma Mulher Fantástica — Chile
The Insult — Líbano
Loveless — Rússia
On Body and Soul — Hungria
The Square — Suécia

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO:
A Bela e a Fera
Blade Runner 2049
O Destino De Uma Nação
Dunkirk
A Forma da Água

MELHOR FOTOGRAFIA:
Blade Runner 2049
O Destino De Uma Nação
Dunkik
Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi
A Forma da Água

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO:
Dear Basketball
Garden Park
Lou
Negative Space
Revolting Rhymes

MELHOR CURTA-METRAGEM:
Dekalb Elementary
The 11 o' clock
My Nephew Emmett
The Silent Child
Waty Wote/All of us

MELHOR ANIMAÇÃO:
O Poderoso Chefinho
Viva – A Vida é Uma Festa
O Touro Ferdinando — Dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha 
Com Amor, Van Gogh
The Breadwinner


Andy Serkis e Tiffany Haddish durante o anúncio do Oscar 2018
MELHOR DOCUMENTÁRIO:  
Os Últimos Homens em Aleppo 
Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar 
Strong Island
Ícaro
Visages villages

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:
Remember Me — Viva - A Vida é Uma Festa
Mighty River — Mudbound
Mystery Of Love — Call Me By Your Name
Stand Up For Something — Marshall
This Is Me — O Rei do Show

MELHOR FIGURINO:
A Bela e a Fera
O Destino De Uma Nação
Trama Fantasma
A Forma da Água
Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha

MELHOR TRILHA SONORA:
Dunkirk
Trama Fantasma
A Forma da Água
Star Wars: Os Últimos Jedi
Três Anúncios Para Um Crime

MELHOR EDIÇÃO DE SOM:
Em Ritmo de Fuga - Julian Slater
Blade Runner 2049 - Mark Mangini, Theo Green
Dunkirk - Alex Gibson, Richard King
A Forma da Água - Nathan Robitaille
Star Wars: Os Últimos Jedi - Ren Klyce, Matthew Wood

MELHOR MIXAGEM DE SOM:
Em Ritmo de Fuga
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Forma da Água
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHORES EFEITOS VISUAIS:
Blade Runner 2049
Guardians of the Galaxy Vol. 2
Kong: Skull Island
Star Wars: Os Últimos Jedi
Planeta dos Macacos: A Guerra

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM:
Edith+Eddie
Heaven Is a Traffic Jam on the 405
Heroin(e)
Knife Skills
Traffic Stop

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM:
O Destino de Uma Nação
Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha
Extraordinário

MELHOR MONTAGEM:
Em Ritmo de Fuga
Dunkirk
Eu, Tonya
A Forma da Água
Três Anúncios Para um Crime

*** 

Confesso, fiquei bem chateada de não ver indicações para O Rei do Show, que foi apenas para Melhor Música, This Is Me. Nem ao menos Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator lembraram do filme.

Enfim.

Que comece a maratona de filmes!

Teca Machado

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Tartarugas Até Lá Embaixo - Resenha


Meu primeiro encontro com o John Green aconteceu em 2012, acho que como todo mundo, quando ele lançou A Culpa é das Estrelas e saiu quebrando corações mundo afora (sei que eu chorei tanto que minha mãe chegou a perguntar se eu estava bem). Desde então ele não lançou mais livros, - as editoras que publicaram os anteriores que ele havia escrito – até que chegou ao público no final do ano passado Tartarugas Até Lá Embaixo, da Editora Intrínseca. E, como sempre podemos esperar do John Green, esse não é apenas mais um young adult comum.


A graça no autor é que ele nunca entrega algo clichê – não que haja problema com clichês, eu mesma amo. Seus personagens são reais, com problemas, cheios de peculiaridades. Aza Holmes, por exemplo, protagonista de Tartarugas Até Lá Embaixo, é uma garota com um grave caso de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), assim como o próprio John Green, que afirma ser esse livro uma espécie de espelho de si próprio.

Aza é uma garota de 16 anos que, junto com a amiga Daisy, decide tentar solucionar o misterioso desaparecimento de um milionário de Indiana, onde vivem. Quem tiver qualquer pista sobre seu paradeiro irá receber uma quantia em dinheiro, o que ajudaria as duas garotas a irem para a faculdade. Davis, o filho do tal milionário, por quem Aza sempre teve uma quedinha, participou de um acampamento com ela anos antes, e acaba se reaproximando dele. E enquanto questões sobre a investigação, amizade, amor e até mesmo um réptil raro neozelandês acontecem, Aza precisa lidar com o seu maior problema: o TOC que muitas vezes a incapacita de viver, devido aos pensamentos que formam espirais infinitas sobre doenças, germes, bactérias e morte.

John Green
Muito mais do que um romance adolescente, Tartarugas Até Lá Embaixo é sobre conviver com uma doença que quase te leva ao extremo do desespero. Acompanhamos Aza e suas espirais de pensamento, em como ela consegue conectar tudo ao ponto de chegar a ter sérias crises de ansiedade. E como o próprio John Green explica que sempre conviveu com o TOC ele sabe do que escreve. Como sempre fez em seus outros livros, ele não romantiza o problema, mas fala de uma maneira muito real, crua, mas ainda assim sensível. Eu, que não sofro de TOC, ansiedade ou de outros distúrbios, me sentia aflita durante a leitura, dividindo com Aza seu sofrimento e entendendo porque ela simplesmente não conseguia parar. Até porque a história é contada do ponto de vista da garota e temos um acesso imenso ao seu íntimo, medo e obsessões (ou seria dos medos do próprio John Green?).

A história é interessante, mesmo que o caso do desaparecimento do milionário não tenha sido tão bem explorado. Ele foi realmente um pano de fundo para Aza, seus relacionamentos e seu TOC, não a parte mais importante da obra, mas ainda assim senti falta de algo mais profundo, talvez porque eu esteja acostumada a ler muitos thrillers policiais. Mas isso não tira em nada o brilho do livro. 


Aza é uma excelente personagem. É uma adolescente que sofre com os problemas normais da idade e ainda precisa lidar com o TOC e com a morte prematura do pai. Nos compadecemos dela várias vezes, mas enxergamos uma garota forte por trás disso tudo. Daisy me deu sentimentos contraditórios. Muitas vezes foi uma vaca, mas é uma amiga leal e doida por Aza, totalmente o oposto dela. Enquanto Aza se dobra em si mesma, chamando o mínimo de atenção possível e falando apenas o necessário, Daisy ama a própria voz, é extrovertida e é conhecida na internet por escrever fanfics de Star Wars onde Rei e Chewbacca vivem um romance. E ela sabe de todos os problemas de Aza e ainda assim tenta ao máximo diminuir as consequências que isso traz para a amizade entre elas. Davis é outro ótimo personagem. Mesmo que riquíssimo, é um rapaz humilde, que se importa com o irmão, com poesia e com as estrelas. Ele soube lidar com Aza e nunca quis mais dela do que a garota podia oferecer.

Claro que como falamos de John Green, há muitas filosofias – inclusive sobre o nome do livro -, pensamentos sobre vida, morte e mundo, referências ao universo pop, algo que o autor ama, e tudo isso de uma forma muito acessível a todo tipo de leitor. E, por mais incrível que pareça, mesmo falando de assuntos tão sérios, é um livro leve, engraçadinho, que ao mesmo tempo te deixa com um nó na garganta e triste quando acaba.

Quote do livro

Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Escritores famosos que tiveram dificuldades em ser publicados


Como sei que muitos blogueiros também são escritores (olha eu aqui também!), tenho a total certeza de que de vez em quando a carreira na literatura parece sem esperanças. Você trabalha arduamente, escreve, revisa, edita, procura alguém para publicar, depois tenta conseguir leitores e tudo isso é complicado. É um trabalho longo, difícil, quase impossível fazer o nome no meio editorial. Mas o segredo é não desistir.

Por exemplo, você acha que todos os autores que hoje são considerados best-sellers já começaram grandes? Claro que não. Para você ter ideia, a maioria demorou anos até alguém decidir publica-los, ouviu muitos nãos no meio do caminho e batalhou muito para chegar lá.

Para te inspirar a não desistir, veja alguns autores que tiveram uma longa jornada:

1- J. K. Rowling


Essa é uma das escritoras mais famosas do mundo e seu currículo de rejeição já foi bastante divulgado. Mas a autora de Harry Potter teve o manuscrito do primeiro livro recusado não uma ou duas vezes, e sim 12 vezes! Até que uma editora resolveu dar a chance e virou um fenômeno rapidamente no mundo inteiro, com série de livros, filmes, brinquedos, roupas, peça de teatro e até mesmo parques temáticos. Acho que tem alguns editores por aí chorando...


2- Robert Galbraith


Para quem conhece um pouco sobre J. K. Rowling sabe que esse é o seu pseudônimo na série The Cormoran Strike Mysteries. A autora quis permanecer anônima durante um tempo para ver a recepção do seu novo livro sem o peso do nome Rowling por trás, mas o mistério permaneceu por apenas três meses. De qualquer modo, o estreante Galbraith também foi rejeitado várias vezes, inclusive Rowling mostrou as cartas de recusa que recebeu, algumas dizendo até mesmo que para melhorar seria preciso fazer um curso de escrita! Se arrependimento matasse tinha gente morta por aí.


3- John Green


O autor de A Culpa é das Estrelas também demorou a estourar no mundo editoral. Seu livro mais conhecido foi o sexto que escreveu, e o que enfim o lançou no mercado editorial internacional. Foram quase 10 anos da primeira publicação – Quem é Você, Alasca? – até A Culpa é das Estrelas. Depois que sua obra vendeu bastante, as editoras correram atrás para conseguir os direitos dos livros anteriores.


4- Agatha Christie


A Rainha do Crime que, segundo o Guiness Book, é a romancista mais bem sucedida da história da literatura popular mundial, uma vez que suas obras venderam cerca de quatro bilhões de cópias ao longo dos séculos XX e XXI, foi rejeitada por seis editoras antes que uma a aceitasse. E, mesmo assim, quando seu primeiro livro foi publicado, vendeu apenas 2 mil cópias. Apenas seis anos e três romances depois Agatha começou a se tornar o fenômeno editorial que nos encanta quase 100 anos depois.


5- Stephen King


O mestre do terror teve um início difícil. Carrie foi seu primeiro livro, cujo esboço ele jogou no lixo por não gostar da história. Até que sua esposa tirou os papeis da lixeira e o mandou terminar. No entanto, 30 editoras recusaram seu original por acharem a história fraca e com tendência ao fracasso. Até que uma editora de médio porte aceitou a publicação, que não vendeu muito de início. Em seguida ele teve dificuldades de publicar um dos seus maiores sucessos, O Iluminado. Alguns anos depois King alcançou o sucesso que perdura até hoje.

*** 

E aí, esse era o ânimo que você precisava? Era o que eu queria!

Teca Machado