terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Tartarugas Até Lá Embaixo - Resenha


Meu primeiro encontro com o John Green aconteceu em 2012, acho que como todo mundo, quando ele lançou A Culpa é das Estrelas e saiu quebrando corações mundo afora (sei que eu chorei tanto que minha mãe chegou a perguntar se eu estava bem). Desde então ele não lançou mais livros, - as editoras que publicaram os anteriores que ele havia escrito – até que chegou ao público no final do ano passado Tartarugas Até Lá Embaixo, da Editora Intrínseca. E, como sempre podemos esperar do John Green, esse não é apenas mais um young adult comum.


A graça no autor é que ele nunca entrega algo clichê – não que haja problema com clichês, eu mesma amo. Seus personagens são reais, com problemas, cheios de peculiaridades. Aza Holmes, por exemplo, protagonista de Tartarugas Até Lá Embaixo, é uma garota com um grave caso de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), assim como o próprio John Green, que afirma ser esse livro uma espécie de espelho de si próprio.

Aza é uma garota de 16 anos que, junto com a amiga Daisy, decide tentar solucionar o misterioso desaparecimento de um milionário de Indiana, onde vivem. Quem tiver qualquer pista sobre seu paradeiro irá receber uma quantia em dinheiro, o que ajudaria as duas garotas a irem para a faculdade. Davis, o filho do tal milionário, por quem Aza sempre teve uma quedinha, participou de um acampamento com ela anos antes, e acaba se reaproximando dele. E enquanto questões sobre a investigação, amizade, amor e até mesmo um réptil raro neozelandês acontecem, Aza precisa lidar com o seu maior problema: o TOC que muitas vezes a incapacita de viver, devido aos pensamentos que formam espirais infinitas sobre doenças, germes, bactérias e morte.

John Green
Muito mais do que um romance adolescente, Tartarugas Até Lá Embaixo é sobre conviver com uma doença que quase te leva ao extremo do desespero. Acompanhamos Aza e suas espirais de pensamento, em como ela consegue conectar tudo ao ponto de chegar a ter sérias crises de ansiedade. E como o próprio John Green explica que sempre conviveu com o TOC ele sabe do que escreve. Como sempre fez em seus outros livros, ele não romantiza o problema, mas fala de uma maneira muito real, crua, mas ainda assim sensível. Eu, que não sofro de TOC, ansiedade ou de outros distúrbios, me sentia aflita durante a leitura, dividindo com Aza seu sofrimento e entendendo porque ela simplesmente não conseguia parar. Até porque a história é contada do ponto de vista da garota e temos um acesso imenso ao seu íntimo, medo e obsessões (ou seria dos medos do próprio John Green?).

A história é interessante, mesmo que o caso do desaparecimento do milionário não tenha sido tão bem explorado. Ele foi realmente um pano de fundo para Aza, seus relacionamentos e seu TOC, não a parte mais importante da obra, mas ainda assim senti falta de algo mais profundo, talvez porque eu esteja acostumada a ler muitos thrillers policiais. Mas isso não tira em nada o brilho do livro. 


Aza é uma excelente personagem. É uma adolescente que sofre com os problemas normais da idade e ainda precisa lidar com o TOC e com a morte prematura do pai. Nos compadecemos dela várias vezes, mas enxergamos uma garota forte por trás disso tudo. Daisy me deu sentimentos contraditórios. Muitas vezes foi uma vaca, mas é uma amiga leal e doida por Aza, totalmente o oposto dela. Enquanto Aza se dobra em si mesma, chamando o mínimo de atenção possível e falando apenas o necessário, Daisy ama a própria voz, é extrovertida e é conhecida na internet por escrever fanfics de Star Wars onde Rei e Chewbacca vivem um romance. E ela sabe de todos os problemas de Aza e ainda assim tenta ao máximo diminuir as consequências que isso traz para a amizade entre elas. Davis é outro ótimo personagem. Mesmo que riquíssimo, é um rapaz humilde, que se importa com o irmão, com poesia e com as estrelas. Ele soube lidar com Aza e nunca quis mais dela do que a garota podia oferecer.

Claro que como falamos de John Green, há muitas filosofias – inclusive sobre o nome do livro -, pensamentos sobre vida, morte e mundo, referências ao universo pop, algo que o autor ama, e tudo isso de uma forma muito acessível a todo tipo de leitor. E, por mais incrível que pareça, mesmo falando de assuntos tão sérios, é um livro leve, engraçadinho, que ao mesmo tempo te deixa com um nó na garganta e triste quando acaba.

Quote do livro

Recomendo bastante.

Teca Machado

12 comentários:

  1. Oi, Teca!
    Eu queria até estar na vibe do John Green, mas saturei do autor. Pior que todo mundo está falando que esse é o melhor livro dele... e eu fico naquela se leio ou não
    Beijos
    Balaio de Babados

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    1. Eu fico saturada com alguns autores também, mas tinha muito tempo que não lia nada dele.
      É uma leitura bem bacana, mas A Culpa é das Estrelas é o meu preferido ainda.

      Beijooos

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  2. Oi, Teca.
    Depois de A culpa é das estrelas, o autor passou por um hiato grande e espero que tenha sido por causa dessa obra, que parece ter algo autobiográfico.
    Parece que o livro não foca muito na resolução do desaparecimento do milionário e isso talvez não agrade algumas pessoas, mas o que talvez mais importe seja o problema de TOC da protagonista e suas ligações de amizade e de possível envolvimento amoroso com Davis.
    Bela resenha.
    Abraços.
    Diego || Diego Morais Viana

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    1. Acho que a história do desaparecimento é totalmente secundária nesse caso.
      Que bom que gostou da resenha.

      Beijooos

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  3. Oi Teca, tudo bem? Por incrível que pareça não sou tão fã assim do autor rsrsrs mas estou bem curiosa pra conferir esse livro, acho bem interessante abordar o TOC!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi, Mi.
      Ele é assim, ou todo mundo ama muito ou ama pouco, hahaha.
      Esse é um livro bem diferente.

      Beijooos

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  4. Esse livro está fazendo sucesso e gostei de saber ainda mais sobre esta leitura na sua resenha.
    Bjs
    https://eternamente-princesa.blogspot.com.br

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  5. Oii Teca, tudo bem? Quero muito ler esse livro, amo os livros do John, justamente por não serem clichês, e nesse eu estou bem curiosa para saber como ele vai tratar o TOC da protagonista.
    - Beijos, Carol!
    http://entrehistoriasblog.blogspot.com.br

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    1. Oi, Carol!
      E esse tem uma pegada bem diferente.
      Vale muito a pena, viu?

      Beijooos

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  6. Olá!
    Essa foi a primeira resenha que li do livro e confesso que me interessei ainda mais sobre a história. Como eu disse em um comentário anterior aqui no seu blog, eu adoro os livros do John Green (tirando o livro O Teorema Katherine...). Também chorei até quase desidratar com A Culpa é das Estrelas, o pior de tudo é que eu estava dentro de um ^nibus do transporte público quando isso aconteceu. Hehehe
    Enfim, sua resenha só aumentou minha vontade de desvendar a mente de Aza e o quanto o TOC a torna diferente. Bela resenha!

    Blog Enquanto Leitora

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    1. Oi!
      Quem não chorou não tem coração!
      Hahahahaha.
      Eu também não gosto de O Teorema de Katherine. Foi uma decepção!
      Você vai gostar desse, tenho certeza.

      Beijooos

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