sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Crônicas de Natal - Especial Filmes de Natal 2018


Estamos quase no Natal e cheguei com mais uma resenha natalina! Hoje o filme é Crônicas de Natal, do diretor Clay Kaytis, com Kurt Russel no papel de Papai Noel e também produção original Netflix.


Seguindo uma linha bem diferente dos últimos filmes temáticos que comentei no blog (A Princesa e a Plebeia aqui e O Feitiço de Natal aqui), Crônicas de Natal não tem a vibe Halmmark e nem é um romance. Ele é aquele filme natalino para toda família com um Papai Noel badass, crianças fofas, elfos bonitinhos e mensagem de amor e família, típico dessa época do ano.

O filme conta a história dos irmãos Pierce. Kate (Darby Camp) é uma garotinha de 11 anos que ainda acredita em Papai Noel e Teddy (Judah Lewis) é um adolescente revoltado desde que perdeu o pai. Esse é o primeiro Natal da família sem ele, que amava as comemorações e era a alma dos Pierces. Na véspera de Natal, a mãe (Kimberly Williams-Paisley) precisa trabalhar, deixando os irmãos sozinhos. Após uma chantagem, Kate convence Teddy a tentar filmar o Papai Noel e eles surpreendentemente conseguem, tanto que fazem com que ele sofra um acidente de trenó, o que atrasa a entrega de presentes e pode acabar com o espírito natalino no mundo.



Crônicas de Natal é fofo e divertido, mas ele não seria nem metade do que é se não fosse pelo carisma de Russel. Seu Papai Noel é mais moderno, mais esbelto ("por que eles insistem em me desenhar tão grande? Minha bunda não é desse tamanho"), que não fala Ho Ho Ho ("isso é mito!"), que dirige carros esportes e canta Blues na cadeia com uma galera presa na véspera de Natal (e que é uma banda de verdade). Ele é bonzinho, afinal, o Papai Noel precisa ser o bom velhinho, mas não é ao extremo, o que o deixa muito mais humano e identificável. O papel caiu como uma luva nesse sessentão que está voltando à Hollywood. Com uma barba que disseram ser 80% natural, roupa de couro que em muito lembra a original, mas com um ar muito mais bonito e descolado, Russel é o melhor Papai Noel.

O roteiro não tem nada de extremamente original, mas é divertido e com doses certas de emoção e de comédia, vinda principalmente das ótimas tiradas de Russel. Várias vezes ele encontra adultos que se recusam a acreditar que ele é o verdadeiro Papai Noel, mas ele os convence ao saber de tudo de suas vidas e trazendo presentes que queriam na infância. O único problema foi a sensação de que o espírito natalino só existe se houver presentes. Ali, sem eles o Natal não acontece, mas a gente releva, porque afinal é um filme sobre o Papai Noel, né?



O visual de Crônicas de Natal é muito bonito, mesmo ao usar muito CGI. Tem quase um ar de história em quadrinhos, com muitas cores. O escritório de São Nicolau no Polo Norte é aconchegante, do jeito que deveria ser. E a direção de arte na cena musical da cadeia é quase brega e deliciosa de assistir.

Kurt está tão inserido no filme que parte dele gira em torno da sua vida real. Temos uma pequena participação de Goldie Hawn, sua esposa, como a Sra. Noel e muitos dos nomes das crianças em sua lista de presentes são de seus filhos e netos. Achei esse um toque fofo.

A Netflix divulgou que na primeira semana que o filme estava disponível foi visto mais de 20 milhões de vezes. Isso é um marco para carreira de Russel, porque nunca uma produção em que esteve teve uma estreia tão boa. Isso só mostra a força do streaming.



O sentimento que fica ao final de Crônicas de Natal é o de coração quentinho e de que se existisse mesmo o Papai Noel, ele deveria ser Kurt Russel. O filme é fofo e daqueles que vou querer ver mais algumas vezes em outros Natais.

Recomendo bastante.

Teca Machado

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O Feitiço do Natal - Especial filmes de Natal 2018


Na segunda-feira comecei uma série de postagens sobre filmes de Natal disponíveis na Netflix – para facilitar nossa vida – com A Princesa e a Plebeia. E hoje trago mais uma produção, também do próprio streaming: O Feitiço de Natal.


Como sobre o longa anterior, posso dizer que é ruim, mas é bom. Tem toda aquela aura de filmes do Hallmark (aquele canal cheio de histórias feitas para televisão, com cenários tão lindos e perfeitos que soam superficiais, histórias clichês cheias de romances inocentes e pessoas bonitas e sorridentes). E O Feitiço de Natal, do diretor Bradley Walsh, não foge a regra. Tanto que meu marido está me julgando, hahaha. Disse que eu estava vendo um filme muito ruim, isso porque ele só pegou os 10 minutos finais.

Mas O Feitiço de Natal é fofo, altamente clichê em vários aspectos, muito bonitinho e que nos insere no clima natalino facilmente com mensagens de amor, esperança e união. O elenco trabalha meio mal, mas quem se importa quando está nessa vibe de filmes estilo Hallmark?



A história gira em torno de Abby (Kat Graham, que sorri o tempo todo), uma fotógrafa completamente insatisfeita com a vida profissional que leva. Além de não estar usando todo o seu potencial no emprego em um estúdio onde tudo o que faz é tirar fotos de família e crianças com o Papai Noel vestida de elfa, perdeu a paixão pela fotografia e a sua família não apoia sua escolha de carreira. A volta do seu melhor amigo Josh (Quincy Brown) ajuda a reacender um pouco a fagulha da profissão, mas nem tanto. Até que seu avô (Ron Cephas Jones), lhe dá um calendário do Advento (que conta com 25 dias, e que faz a contagem regressiva de 10 de dezembro até o Natal, em que cada dia uma portinha abre). Abby começa a perceber que diariamente o calendário lhe dá pequenos presentes que preveem o futuro daquele dia e passa a se perguntar se ele é mágico, ainda mais porque ele te leva até Ty (Ethan Peck), um médico bonitão que parece perfeito para ela.

O Feitiço do Natal tem vários problemas de roteiro, mas ele nunca se propôs a ser um filme profundo, realmente coeso e instigante. Ele é comédia romântica fofa para essa época do ano e não busca grandiosidade e nem ser o filme mais incrível de Natal de todos os tempos (deixamos isso para Simplesmente Amor, O Amor Não Tira Férias e Esqueceram de Mim 1 e 2). Abby, por exemplo, reclama que é uma artista que quase passa fome, mas seu loft é incrível, muito bem mobiliado e nem de longe simples como ela aparenta. Além disso, seu relacionamento com Ty e o motivo da briga deles parece sem graça e preguiçoso.



Podemos esperar do filme uma cidade bonitinha, neve nos dias que antecedem o Natal, triângulo amoroso, amizade real e cúmplice, uma relação de avô e neta muito linda, pessoas felizes e boas e aquela sensação de “é mágica ou é destino?”.

O Feitiço do Natal é uma gracinha e bem fofo, ótimo para ver essa semana e indicado para qualquer idade.



Recomendo.

Teca Machado


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A Princesa e a Plebeia - Especial filmes de Natal 2018


Daqui uma semana vamos comemorar o Natal (bom, comemorar oficialmente, porque não sei vocês, mas eu estou curtindo a data já tem umas boas semanas), então resolvi fazer posts especiais com filmes sobre o tema. E para facilitar a vida de todo mundo, vou falar de produções que estão na Netflix.

Na verdade, o melhor filme de Natal de todos os tempos é Simplesmente Amor (mas também amo Esqueceram de Mim). Anualmente assisto essa lindeza incrível para encher o meu coração da sensação de quentinho que essa história me traz. Não vou fazer resenha sobre ele porque é antigo e todo mundo já conhece, mas tem bem aqui, se você quiser ler.

O primeiro post especial de Natal de 2018 é sobre A Princesa e a Plebeia, do diretor Mike Rohl.


Sabe quando é ruim, mas é bom? É clichê até onde não pode mais, é meio cafona e a gente tem certeza absoluta de tudo o que vai acontecer, mas A Princesa e a Plebeia é fofinho, encantador e nos mergulha nesse ambiente natalino do reino fictício de Belgravia. A produção é mais uma adaptação do clássico de Mark Twain, O Príncipe e o Mendigo, por isso a história nos parece tão conhecida.

Stacy (Vanessa Hudgens) é uma confeiteira de Chicago que ainda não esqueceu o ex e está triste porque o Natal era uma época especial para eles. Então quando seu melhor amigo e parceiro de trabalho Kevin (Nick Sagar) os inscreve na competição anual de bolos de Belgravia, eles embarcam para o país. Mas o que Stacy não imaginava era que uma duquesa (também vivida por Hudgens), de casamento marcado com o príncipe Edward (Sam Palladio), era idêntica a ela. Então Lady Margareth faz uma proposta a Stacy: que elas troquem de lugar por três dias. Margareth quer viver como uma pessoa normal e a confeiteira pode passar um tempo como realeza.


Acho que adorável é uma palavra que descreve bem A Princesa e a Plebeia. A história fala muito ao público, porque qual menina nunca quis ser uma princesa, pelo menos por uns dias? Tudo bem que o título fala sobre princesa, mas na verdade a personagem é uma duquesa. Enfim. Vanessa Hudgens não é uma atriz das mais excelentes do mundo, mas leva bem Margareth e Stacy ao mesmo tempo. Ambas são bem diferentes e é possível ver quão opostas são. O sotaque de Margareth é um pavoroso inglês britânico que até ele nos diverte, tão envolvidos ficamos com o filme fofinho.

O filme tem cenas engraçadas, fofas e que te fazem sorrir. A filha de Kevin (Alexa Adeosun) tem ótimas tiradas e nos traz ótimos momentos. E é bem legal que Stacy, na pela de Margareth, se recusa a ser uma mulher que vive a sombra do príncipe, sem papel ativo no país. Tem um pouquinho de girl power, já que ela não é alguém indefesa em busca de proteção.E é bem legal que Stacy, na pela de Margareth, se recusa a ser uma mulher que vive a sombra do príncipe, sem papel ativo no país. Tem um pouquinho de girl power, já que ela não é alguém indefesa em busca de proteção. Podemos dizer que essa é uma comédia romântica no melhor sentido da palavra.



Claro que o enredo envolve romance e o legal é que não é de Stacy com o melhor amigo, como pareceria óbvio. Ali não rola sentimentos platônicos, nem nada. Eles são amigos. Ponto. Mas é claro que o amor vai rolar é com o príncipe. E apesar de passar no Natal, não temos Papai Noel propriamente dito no filme, mas um senhor gentil que de certa forma orquestra tudo para que as pessoas fiquem felizes.

O cenário natalino do fictício reino de Belgravia é impressionante. Parece um local de contos de fadas, com uma fotografia que você tem certeza que se tem um lugar onde o Natal existe é ali. Gostaria de morar lá, não só no Natal, mas em todo o ano!


Recomendo.

Teca Machado


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Graça e Fúria - Resenha


Uma frase que pode descrever Graça e Fúria, de Tracy Banghart, é “mulheres fortes inspiram medo”.

Foto @casosacasoselivros

Em tempos de histórias como O Conto da Aia (The Handmaid’s Tale), de Margareth Atwood, vemos a importância de quando mulheres são resistência e lutam contra o domínio masculino que as inferiorizam. Vemos no mundo real sociedades em que elas são tratadas como nada, assim como livros e filmes. E Graça e Fúria, que recebi da Editora Seguinte (Companhia das Letras), segue essa premissa de forma envolvente. 

No reino de Virídia, as mulheres não podem aprender a ler e escrever, não podem escolher seus maridos, não têm voz. Suas únicas opções são trabalhar em fábricas, serem criadas ou aias. A não ser aquelas mais bonitas e delicadas, que treinam a vida inteira para serem Graças. O superior, rei nesse universo, a cada ano escolhe três Graças, mulheres para servi-lo, construindo assim um harém.

Tracy Banghart
É uma honra e uma vida de luxo que dificilmente conheceriam em outro lugar. Serina é uma garota que nasceu para o cargo. Sua vida foi dedicada a ser a melhor Graça possível. Já sua irmã Nomi nunca entendeu essa obsessão. Ela é uma rebelde. Aprendeu a ler escondido, não aceita as regras e deseja ardentemente poder fazer tudo o que seu irmão gêmeo faz. E então Serina vai para a primeira seleção de Graças do herdeiro, com Nomi como sua aia. Mas ele faz o impensável: escolhe Nomi ao invés de Serina, que acaba sendo enviada para a prisão. As duas irmãs, então, se veem presas numa vida que não desejam.

Graça e Fúria é um young adult bem empoderado. Quando comecei a ler imaginei que iria gostar da leitura. A capa, apesar de bonita, não me chamou tanto a atenção, me passou um ar quase infantil. Ainda assim, fiquei curiosa e havia visto uma resenha muito positiva. Então escolhi como a leitura da vez e posso dizer que não me arrependi nem um pouco. Depois das primeiras 40 páginas, que não me envolveram muito porque estava inserindo o contexto e o universo ao leitor, devorei o livro em poucos dias.

De início você pensa que vai se apaixonar apenas pelo espírito rebelde e desafiador de Nomi e que Serina será uma personagem chata que teremos que engolir (me lembrou Sansa no início de Game of Thrones). Mas com o passar dos capítulos, ambas as garotas precisam de moldar para sobreviver, ao mesmo tempo que sentem a necessidade de mudar, de alguma maneira, a realidade das mulheres de Virídia. E assim é impossível não gostar das duas, talvez um pouco mais de Serina porque sua situação é pior e o seu crescimento maior.

As personagens são muito bem trabalhadas, assim como o ambiente em que cada uma está inserida. É um contraste muito grande. Enquanto Nomi quase se afoga em rendas e sedas, se sente presa no meio do luxo e fartura, Serina está num inferno na terra, lutando para ter o que comer e beber, mas de certa forma livre de todas as obrigações que foi imposta durante a vida. E ainda há os personagens secundários, que são bem interessantes. As mulheres presas com Serina são um ponto forte do livro, assim como Val, o guarda que está sempre por perto. E no núcleo de Nomi não podemos deixar de destacar o herdeiro, Asa, seu irmão mais novo, e Maris, uma das outras Graças.

Frase de abertura de Graça e Fúria

Ainda que com alguns clichês do gênero, como um triângulo amoroso – mas não se preocupe, isso está longe de ser o foco ou ter muito destaque na história -, e o crescimento principalmente de Serina, Graça e Fúria tem plot twists e reviravoltas, algumas surpreendentes e outras nem tanto. Me envolvi totalmente na história das irmãs e não conseguia parar de ler, principalmente nas páginas finais.

E por falar nisso, ai, céus! Tracy Banghart nos deixa um cliffhanger daqueles dos mais absurdos possíveis e tudo o que eu consegui pensar por uns dois dias foi “eu preciso logo do segundo livro”, que felizmente está quase sendo lançado lá fora e em breve a editora deve trazer para nós.

Graça e Fúria é feminista, empoderado, cheio de girl power, envolvente e ótimo. É uma daquelas leituras que te deixa feliz por existir a literatura e não viver em Virídia, onde se você for mulher nunca poderia ler.


Recomendo bastante.

Teca Machado

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Aquaman - Crítica


"Aquaman sucks", disse o Raj em The Big Bang Theory em determinado episódio (aquele do concurso de fantasias em que ele se veste como o personagem e usa um cavalo marinho como montaria). Bom, mal sabia ele que a Warner ia transformar o herói em algo totalmente diferente. Naquela época Aquaman não era o Jason Momoa e nem tinha virado esse badass rebelde cabeludo com olhos âmbar.


A convite de amigos, que ganharam ingressos da Warner, assisti Aquaman, do diretor James Wan, ontem numa sessão especial em Brasília e posso dizer que fiquei encantada. Tá, o roteiro não é dos mais profundos ou criativos e há muitos dos clichês da jornada do herói, mas a história é boa e prende a atenção.

Arthur (Momoa), conhecido como Aquaman, é filho de dois mundos opostos. Sua mãe é Atlanna (Nicole Kidman), rainha de Atlântica, o reino aquático, e seu pai é Tom (Temuera Morrison), um faroleiro da terra firme. Depois dos acontecimentos de Liga da Justiça, ele é procurado por Mera (Amber Heard), uma princesa dos mares que pede que reivindique seu trono, já que seu meio-irmão Orm (Patrick Wilson), rei de Atlântida, está juntando um exército para atacar a superfície, que polui suas águas, mata seus animais e é uma ameaça aos oceanos. Ao mesmo tempo um pirata que tem raiva de Aquaman deseja ardentemente vingança pela morte do pai.



O que mais chama a atenção em Aquaman é o visual. Digo sem sombra de dúvidas que é um deleite para os olhos. James Wan criou um mundo lindíssimo dentro das águas, com cores berrantes, luzes neons e escolhas nem sempre ortodoxas de paletas. E eu vi em IMAX, então vocês podem imaginar a explosão de imagens alucinantes que foi. Com suas cores, figurino (que dizem ser extremamente fiel ao original das HQs) e maquiagem (o que é aquele cabelo vermelho de A Pequena Sereia de Mera?), o filme flerta com o cafona. Mas é totalmente proposital e no fim das contas tudo combina, toda aquela mistura psicodélica. É tipo aquela sensação dos anos 1980: Era quase ridículo e brega, mas muito divertido e não podemos negar que adoramos. E mesmo que em alguns momentos, principalmente os de nado mais calmo, os efeitos de computação pareçam muito artificiais, de modo geral é muito bom.

Nunca imaginei que uma produção no fundo do mar teria tanta explosão, quebra pau e pancadaria. E fez sentido, mesmo que pareça estranho. As cenas de ação e luta (são várias, afinal, o Momoa é especialista nisso) são muito bem coreografadas e a câmera de Wan é frenética. Tanto que fiquei meio tonta em algumas sequências. O problema é que o diretor repete a fórmula de filmagem de batalhas várias vezes, o que quase transforma as lutas em algo cansativo.



Momoa é extremamente carismático e personifica perfeitamente o bruto, mas fofo, Arthur. Podemos dizer que ele nasceu para interpretar Aquaman e Khal Drogo de Game of Thrones. Se ele ficar só nesses mesmos papeis o resto da vida tudo bem para mim. Ele nem é de longe um bom ator, mas todo o seu charme e tamanho compensam, até porque o personagem não pede intensidade demais. E até a Amber Heard, que eu não morro de amores, me conquistou. A química entre eles não é a mais maravilhosa do mundo, mas funciona. Patrick Wilson faz um bom Orm. O ator definiu o personagem como um terrorista ecológico, só que eu ainda acrescento que é um megalomaníaco por poder. Ele é totalmente o contraste de Aquaman, tanto visualmente quanto de personalidade. E o outro vilão, Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II), tinha tudo para ser um arco interessante, mas é deixado de lado, com pouco espaço para crescimento.

Um ponto que chama a atenção em Aquaman é o tom do filme, que pela primeira vez aproximou a DC do Universo Marvel. Ele é bem mais leve, com um toquezinho de comédia, completamente diferente de todo enredo e cores sombrias e sisudas demais, características do Zack Snyder. Arthur se leva a sério sem levar, por mais paradoxal que isso seja. Ele é bem-humorado, tem um coração do tamanho do mundo e faz mais cara de bravo do que é de verdade – a não ser quando está lutando pelo que acredita. Um pouco de risadas e sorrisos não tiram o brilho de um filme da DC e nem a ameaça de um fim do mundo.


E não posso deixar de falar da trilha sonora! Ela está sempre presente e tem ótimas músicas, que combinam perfeitamente com toda a ambientação do filme.

Aquaman é um filme ótimo (dentro da categoria de filmes de heróis, não espere uma produção para Oscars ou atuações dramáticas) e foi uma grata reformulação de um personagem que mesmo nas HQs era relegado ao segundo plano. A DC acertou e só nos resta esperar que continue assim.


Recomendo bastante.

Teca Machado

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Projeto um ano sem comprar livros – Mês 7



E o mês mais temido por mim do projeto um ano sem comprar livros chegou, passou e eu nem percebi. Estamos no mês 7 e até agora foi muito mais tranquilo do que eu imaginei que seria, mas o meu grande medo se chamava novembro, mais especificamente Black Friday.

Há anos tenho o costume de comprar muitos livros nessa data. Inclusive teve uma vez que comprei 21 exemplares. E imaginei que com os preços maravilhosos e uma lista de obras que quero ler que não para de crescer, fora o fato de que eu amooooo comprar, achei que seria uma prova de fogo cruel, mesmo tendo prometido para mim mesma que não iria cair em tentação. Bom, no fim das contas eu nem precisava ter medo porque foi bem facinho passar por isso, porque eu meio que esqueci e bloqueei o evento.

A minha sorte foi que eu trabalhei muito na semana pré-Black Friday, no dia específico e nos dias seguintes. E o melhor de tudo é que não trabalhei usando computador, porque se fosse a vontade de pelo menos dar uma olhadinha nas promoções seria maior do que eu. Tenho uma loja, então eu e meu marido ficamos por conta disso no período, enfurnados no shopping o dia todo. Na sexta-feira mesmo eu nem lembrei de olhar sites de nada e acabei perdendo descontos de algumas coisas que queria comprar, o que no fim das contas foi bom, porque não adquiri absolutamente nada.

Bom, para não dizer que não foi nada de nada, porque comprei marca-páginas de imã lindos que vendem na minha própria loja. (Relacionado a livro, mas não é livro, que fique bem claro).

Dizem que ignorância é uma benção e nesse caso foi bom demais. O que meus olhos não viram, meu coração e nem o meu projeto sentiram.

Confesso que vi no Facebook alguns amigos divulgando uma promoção do Submarino que dizia que os livros estavam a 99 centavos. Quase abri o link, mas fui firme e nem olhei.

Ponto para mim.


Foram 7 meses. Só faltam 5.

Teca Machado

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

As Viúvas - Crítica

Se tem Viola Davis e Liam Neeson no elenco, Steve McQueen (de 12 Anos de Escravidão) na direção e Gillian Flynn (autora de Garota Exemplar, um dos livros mais geniais que eu li já) no roteiro, pode ter certeza que vai ser um filme bom. Por isso mesmo sem ter visto nem ao menos o trailer, fui ao cinema assistir As Viúvas. E eu estava certa: O filme é muito bom! Com uma cena de abertura que mostra a força tanto do diretor quanto do enredo, a produção prende do início ao fim.


Inicialmente pode parecer que esse é apenas mais um filme de roubo. E roubo com mulheres, seguindo a onda de Oito Mulheres e Um Segredo. Mas As Viúvas é tão mais do que isso que é impossível comparar. Sim, há roubo na trama e mulheres que o realizam, mas há muito mais por trás disso, com uma história interessante, de empoderamento – ainda que sem levantar bandeira alguma do feminismo – e de se tornar protagonista da própria história em meio a homens fortes.

Logo após enterrar seu marido, Veronica (Viola Davis) recebe a visita de Jamal (Brian Tyree Henry), candidato a vereador de um distrito de Chicago. Segundo ele, Harry (Liam Nesson), falecido esposo dela, tinha uma quadrilha e morreu ao roubar U$ 2 milhões dele. Agora Veronica herdou a dívida e tem um mês para saldar o débito. Em posse de um caderno de Harry, onde explicava todos os golpes que já deu e que pretendia dar, ela vai atrás das outras viúvas, afirmando que juntas elas podem realizar um assalto que irá pagar a quantia e sobrar um bom montante para elas.



Por mais interessante que seja o roubo, a história das viúvas é muito mais instigante. Temos quatro mulheres diferentes – e mais uma que entra no grupo sob outras circunstâncias – que perdem com a morte do marido. Para começar, elas não sabiam ao certo o que eles faziam. Veronica tinha um casamento feliz, ainda que marcado por uma tragédia, e uma vida muito confortável financeiramente. Linda (Michelle Rodriguez) é mãe de dois filhos e vê sua loja ser tirada de si porque seu falecido marido a perdeu para o vício em jogo. Alice (Elizabeth Debicki) vivia um casamento abusivo e no qual dependia totalmente do marido, então passa a vender seu corpo para não perder o padrão. E Amanda (Carrie Coon) é uma dona de casa que ficou sozinha com um filho de quatro meses e não quer se envolver. E temos ainda Belle (Cynthia Erivo), que se torna a motorista do assalto. Logo no início McQueen criou uma montagem de cenas que mostra o assalto que deu errado e levou à morte dos cônjuges mesclada com a vida que levavam em família. Em poucos segundos o diretor e o roteiro mostram para o espectador o necessário para entender cada um dos núcleos. 

Ao mesmo tempo em que as mulheres se organizam, há q trama que envolve Jamal e Jack (Colin Farrell), também candidato a vereador, que é de família política, envolvido em corrupção. Apesar de parecer que tais histórias não se cruzam, elas são intrínsecas uma a outra e se amarram de maneira surpreendente.



O foco em As Viúvas são as mulheres. As protagonistas, principalmente Davis e Debicki, brilham. Elas crescem, se fortalecem e mostram que mesmo odiando tudo o que os maridos fizeram, não vão abaixar a cabeça para homens e sua vontade de intimidação. Viola Davis parece no mesmo papel de sempre, mas equilibrou uma mulher fria e racional, por vezes até mesmo grossa, com uma esposa que sofre e que tem um lado muito emocional, principalmente na relação com seu cachorrinho (um westie como o meu. Quase morri de paixão!). É um momento importante quando Veronica diz que elas irão fazer o roubo e ser bem-sucedidas porque ninguém acredita que são capazes. E elas são, com certeza são.

Além das quatro mulheres protagonistas, temos uma atuação sólida, ainda que curta, de Liam Neeson e Colin Farrell. E Daniel Kaluuya, de Corra!, mostra um lado psicopata e terrível. Sempre que ele estava em tela eu ficava muito nervosa, prova de que é um excelente ator.



As Viúvas mistura ação, reviravoltas, roubo, política, relacionamentos, momentos de tensão e mulheres incríveis. Mas a produção ainda toca em temas importantes, mesmo que por vezes de forma sutil. Há racismo, relação inter-racial, o estereótipo do negro pobre, a facilidade da compra de armas nos EUA, a violência policial contra negros e mães solteiras que precisam deixar seus filhos em casa para cuidar dos filhos de outras pessoas.

É um excelente filme que está sendo cotado ao Oscar, principalmente por roteiro, pela atuação de Viola – maravilhosa - Davis e direção de McQueen.



O filme se passa em Chicago, uma cidade linda e que muitas vezes fica fora do roteiro de viagem de quem visita os EUA. E eu posso dizer por experiência própria que é um dos lugares mais bonitos onde já fui. Vale a pena, viu? Se quiser passar uns dias por lá e reservar um hotel em Chicago é só pesquisar aqui as melhores opções.

Recomendo muito.

Teca Machado

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Leituras de novembro


Olá, dezembro!

Novembro acabou e o último mês do ano já fez sua entrada triunfal (isso significa que já posso assistir Simplesmente Amor, o melhor filme de Natal de todos os tempos?). E apesar de ter lido pouco esse ano até agora, porque eu trabalhei um monte e faltou tempo, mas sobrou livro, tive a sorte de ler histórias muito boas.

Novembro foram só duas leituras, mas adorei as duas.

Foto @casosacasoselivros


Quer ler as resenhas? É só clicar ali em cima no nome dos livros.

Uma Coisa Absolutamente Fantástica é uma ficção-científica super bacana e atual do irmão do John Green (se você não gosta do estilo do autor de A Culpa é das Estrelas, não se preocupe, porque Hank não tem nada a ver com ele) e Em Pedaços é uma releitura de A Bela e a Fera com um veterano de guerra com cicatrizes físicas e psicológicas e uma garota que busca redenção pelos seus erros. Lindo!


E vocês, quais livros leram em novembro? Algum desses?

Teca Machado


sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Em Pedaços, série Recomeços - Resenha


Quando li Mais Que Amigos, da Lauren Layne, que recebi da Editora Paralela (Companhia das Letras) – resenha aqui – fiquei tão apaixonada pelo modo dela escrever e pela maneira deliciosa que construiu o maior dos clichês, que soube que queria ler muito mais da autora. Por sorte o grupo editorial me enviou logo depois Em Pedaços, também dela, o primeiro volume da série Recomeços. E posso dizer que gostei ainda mais desse do que do anterior.


Em Pedaços é uma releitura moderna de A Bela e a Fera. Temos aqui um veterano de guerra com sequelas físicas e emocionais do seu tempo no Afeganistão e uma garota que deseja fugir da sua vida depois de partir o coração das duas pessoas que mais amava. Ele deseja se afundar em autopiedade e desespero. Ela procura uma espécie de redenção.

Paul voltou do Iraque há alguns anos, mas simplesmente não consegue seguir em frente. Seu rosto possui cicatrizes, uma das suas pernas sofreu danos e ele viveu momentos de horrores em que perdeu amigos e parte da sua vontade de viver. Já Olivia faz parte da nata da sociedade nova-iorquina, mas decepcionou seu namorado e seu melhor amigo e simplesmente não consegue mais ficar na cidade, perto de tudo e todos. Ela quer absolvição dos pecados, então vai para o Maine, no cargo de cuidadora de um veterano de guerra. Imagina que irá encontrar algum homem com sérias restrições físicas, mas na verdade trabalha para Paul, que apesar das marcas e de um mau-humor terrível, é um homem lindo e que desperta emoções que ela nunca sentiu.

A leitura de Em Pedaços é fluida e deliciosa, me conquistando logo no começo. Como a história é contada em primeira pessoa em capítulos alternados entre os dois protagonistas, temos uma visão bem mais intimista e completa do enredo. Conhecemos Paul a fundo e todo o motivo por ter aparentemente desistido do mundo, assim como Olivia e tudo o que essa jornada pelo Maine muda nela.

Lauren Layne
Tanto Olivia quando Paul são bem construídos. Claro que as feridas emocionais dele são muito mais profundas e complexas do que as dela, mas nem por isso a autora desmerece o sofrimento que a personagem tem. Ambos se encontram num momento em que precisam de cura e de alguém que os diga que são bons, e encontram isso um no outro. Paul é terrível, mau humorado, grosso e mesmo manipulador, mas seu coração é enorme – ainda que destruído – e a mudança que a chegada de Olivia tem nele é visível. Aos poucos e de maneira muito natural Lauren Layne nos apresenta o Paul verdadeiro, por baixa das armaduras da dor. E Olivia era a moça fofa, boa e doce, que perto do seu veterano de guerra descobre um lado atrevido, sarcástico e sexy, além de tudo o que já era. Sim, ela errou, mas quem nunca? Ela se pune diariamente e quer pagar pelos problemas que causou.

Em Pedaços é considerado um livro adulto, por conter cenas de sexo. Tem até mesmo um aviso na capa do livro, mas já li outros muito mais “pesados” que não continham essa recomendação. Lauren Layne não pesa a mão, não coloca cenas calientes só por colocar. Pelo contrário, todas as vezes que há algo nesse sentido tem um motivo para o enredo. Não é só sexo por sexo, como aconteceu em Despertar, de Nina Lane, e me incomodou muito. E fiquei muito feliz que a autora não exagerou em quantidades de cenas do tipo, o que é ótimo para o desenrolar da história.

Esse primeiro volume da série Recomeços me fez suspirar em vários momentos e mesmo emocionar em outros. A dor deles foi mostrada de uma maneira que fez com que eu me importasse. E isso é um dos pontos positivos do livro. Quando o autor faz com que você se importe com os personagens, cumpriu seu objetivo.

Não consegui achar notícias do livro dois de Recomeços, mas há o e-book de Como Num Filme, que é o prequel da série e, é claro, me deixou muito interessada. Porque como eu disse quando li Mais Que Amigos, quero tudo de Lauren Layne.

Em Pedaços se passa no Maine, uma região dos Estados Unidos lindíssima, com praias muito bonitas e que valem a pena receber uma visita. Se for passar uns dias no local, que tal procurar seu hotel no Booking?

Praia na região do Maine

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Elite - Crítica


Impossível não lembrar de Gossip Girl ao assistir Elite, da Netflix, com toda a questão de uma escola de alta classe, figurinos bonitos e enredo que mistura de alunos muito ricos com outros que não são do mesmo nível da pirâmide social. E é impossível também não lembrar de La Casa de Papel, já que três atores dela estão no elenco e é uma produção espanhola. Confesso que comecei a assistir Elite acreditando que seria uma série bem adolescente, com os dramas e problemas da idade, de certa forma leve, mas encontrei algo muito mais profundo, misterioso e mesmo “pesado”. E isso foi uma grata surpresa, por ser realmente inesperado.


Após o desabamento do teto da escola em que estudavam, três adolescentes – Samuel (Itzan Escamilla), Christian (Miguel Herrán, o Rio de La Casa de Papel) e Nadia (Mina El Hammani) – ganham bolsa para um colégio de elite, onde os líderes do futuro da Espanha estão. Em meio a todo estranhamento causado ao inserir novos “espécimes” no habitat, como uma das alunas diz em certo momento e todos os dramas de relacionamentos da idade, o assassinato de Marina (María Pedraza, a Alison de La Casa de Papel) acontece. Com uma cena inicial mostrando Samuel todo ensanguentado dizendo ser inocente e flashbacks e cenas do presente, Elite vai construindo um enredo que prende e surpreende o espectador e nos leva até a descoberta de quem matou Marina.

O grande acerto da série foi colocar temas importantes em meio a uma série que poderia ser superficial. Em basicamente todos os episódios da primeira temporada há alguma crítica social, ou pelo menos um apontamento de problema. Temos Marina, que é portaria do vírus HIV, Nano (Jaime Lorente, o Denver, de La Casa de Papel), um ex-presidiário que está afundado até o pescoço em problemas com dívidas, Guzmán (Miguel Bernardeau), o típico playboy valentão, irmão de Marina que convive com o fato de que o pai é um corrupto, Omar (Omar Ayuso), mulçumano, gay e traficante, que precisa esconder dos pais quem é de verdade, Nadia que sofre preconceito por usar o véu da religião nos cabelos, Lucrecia (Danna Paola), que acredita que sua posição social a coloca acima de todos, Polo (Álvaro Rico) e Carla (Ester Expósito) que tem uma relação amorosa tediosa e desejam voyeurismo e poligamia e outros.




O elenco foi bem escolhido e há bons atores ali. Miguel Herrán e Jaime Lorente já conhecia de La Casa de Papel, mas se mostraram ainda mais versáteis. Nem mesmo lembramos do apaixonado Rio e do maluco Denver, tão bem eles trabalham aqui. E não podemos deixar de citar Miguel Bernardeau e Ester Expósito, na minha opinião dois dos destaques.

E Elite não poupa o espectador da verdade. Há cenas de sexo sem muito pudor com heterossexuais, homossexuais e mesmo de trios, um pouco de violência e sangue, uso de drogas e investigação criminal. Os personagens não são bons ou maus. Todos têm mais de uma faceta e as mostram. Marina começa doce e fofa para você se apaixonar, até que descobrimos que não é bem assim (eu mesma terminei só o ódio por ela!). Guzmán dá a entender no início que seria o antagonista de Elite, mas descobrimos muito mais nele. Nano fica entre a vontade de se redimir e da facilidade do crime. Acredito que apenas Christian não tem segredos. Desde o primeiro momento mostra quem é, o que quer, sem joguinhos, sem máscaras.




Elite usa como recurso para nos manter interessados os cliffhangers. Geralmente no fim de cada episódio, em meio a investigação do assassinato, recebemos alguma informação vital que traz curiosidade para continuar. E é rápido de assistir. São apenas oito episódios de uma hora nessa primeira temporada. E o sucesso foi tão grande que apenas 12 dias após o lançamento a série já foi renovada, o que é ótimo, porque o último episódio nos deixa com cara de “!!!!!!!!!”. Foi realmente inesperado.

Costumo dizer que produções espanholas tem um quê de mexicanas, pelo dramalhão e exagero, com um pezinho do cafona, mas não chegam a ser Maria do Bairro ou A Usurpadora. E Elite não foge disso. É o tipo de série que posso chamar de guilty pleasure (prazer culposo), aquele programa que pode até dar um pouquinho de vergonha de assumir que gosta, mas não deixa de assistir. Quando me perguntam o que eu achei respondo com um “é ruim, mas é bom”, que acho que define bem.


Além de amar as produções espanholas, eu amo a Espanha! O país tem cidades lindíssimas, muita cultura e bastante lugares para conhecer. Recomendo que visite Barcelona e Madrid, para começo de viagem, mas tem vários locais que você pode ir. E não esqueça de fazer a sua reserva de hotel aqui.

Recomendo.

Teca Machado