sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Síndrome de Salvador no Sweek – Novo livro da Clara Savelli


Ler livros bons já é ótimo.

Ler livros bons e de graça é melhor ainda.

E a Clara Savelli, parceira do blog e autora de muitas obras bacanas - Mocassins e All Stars, Acampamento de Inverno Para Músicos (nem tão) Talentosos, Tiete! e outras - acabou de postar um livro todinho e muito bacana no Sweek (plataforma de leitura), o Reações Químicas, e vai começou outro, chamado Síndrome de Salvador, que é do mesmo universo.

O Reações Químicas foi considerado um estouro na plataforma, que é super bacana e está investimento muito no Brasil e sempre tem concursos literários, eu mesma já participei de alguns. Então podemos esperar o mesmo de Síndrome de Salvador.

Vem ver a sinopse:



Nicole tinha o colégio inteiro nas mãos... Até tudo começar a ruir.

Seu reinado como líder dos herbalistas começa a ser questionado quando Liz, uma novata, dá com a língua nos dentes e estraga o que era para ter sido o plano perfeito.

Em uma conspiração da vida, seu pai resolve escolher logo esse momento para avisar que vai se casar de novo e que, pior, quer que ela seja a madrinha.

Como cereja do bolo, seu novo parceiro no laboratório de biologia é o maior pé no saco da história. Nicole acredita que ela e Tiago só podem ter algum tipo de incompatibilidade biológica, mas então por que toda vez que está ao seu lado parece que ela está desenvolvendo uma síndrome? 

*** 

As postagens de capítulos serão todas as quintas-feiras e você já pode ler o primeiro aqui.

Enquanto Síndrome de Salvador não termina, a gente pode ir lendo Reações Químicas que está completo aqui.

Teca Machado

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Três Anúncios Para Um Crime – Crítica (Maratona Para o Oscar 2018)


Podemos dizer que Três Anúncios Para Um Crime é um filme sobre raiva. Raiva, dor, vingança, culpa e medidas desesperadas, tudo isso pontuado por um humor negro que aparece em momentos estratégicos. Não espere leveza, sensibilidade e muito menos redenção. O foco aqui é o pós-tragédia, é como a pessoa fica depois de um crime tão bárbaro e cruel que ficou sem solução. O diretor Martin McDonagh não poupa o público, assim como seus atores entregam todo sentimento presente nos personagens.


Mildred Hayes (Frances McDormand) é uma mãe de luto e com muito ódio. Sete meses se passaram desde que sua filha foi estuprada, morta e queimada. As autoridades locais não encontraram nem mesmo um suspeito e parece que deixaram o caso de lado. Mildred, então, coloca anúncios em três outdoors para cobrar justiça do xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson). O pequena cidade de Ebbing repudia a ideia, porque o xerife é amado e está com câncer terminal, mas Mildred não mete as consequências para aliviar a dor do luto e da culpa.

Frances McDormand se entrega. A sua Mildred é completamente crível. É cheia de dor, raiva, exala culpa, não tem medo de ninguém, é rude e tem um humor negro e uma força que não se vê todos os dias. Seu papel é complexo, cheio de nuances e questionamentos e muitas vezes diz muito com o silêncio. Ela não é uma personagem para o público gostar, mas faz com que a gente sinta muito pela sua dor, pela vida desgraçada que tem levado. É capaz que leve para casa o Oscar de Melhor Atriz, já que ganhou o Globo de Ouro, o Bafta e outros prêmios.



Apesar de ser o foco de Três Anúncios Para Um Crime, nem só de McDormand se faz o filme. Woody Harrelson está ótimo, com muita gente dizendo que está no melhor papel da sua carreira. Apesar de ser o foco dos outdoors de Mildred, ele é quem mais compreende os atos da mãe de luto, inclusive pede para que ela continue, e sente culpa por não conseguir levar o caso em frente. Em meio a tudo isso, luta contra seu câncer terminal e sofre por saber que em breve irá deixar a esposa e as filhas que tanto ama. E há ainda a ótima atuação de Sam Rockwell, como o policial Dixon. É cheio de ódio, raiva e desequilíbrio. É fácil desgostar do personagem logo de cara, apesar de ser uma espécie de alívio cômico em certos momentos. Mas quando conhecemos o ambiente em que vive e foi criado, compreendemos – apesar de não perdoar – seus atos. 

Um ponto negativo foi o pouco uso de Pete Dinklage (O Tyrion, de Game of Thrones). Tive a impressão de que o seu papel era maior, mas na edição acabaram cortando suas cenas. Ele basicamente foi apenas o “anão da cidade”, um cara que foi álibi de Mildred em certo momento e pronto. Um ator tão bom num papel tão sem propósito.



Três Anúncios Para Um Crime não é uma história policial, onde o roteiro busca solucionar o caso. Ele quase é um pano de fundo para o tema principal: raiva. Não sobre o perdão, mas sobre se apegar a raiva e deixar com que ela te amadureça, te faça buscar autoconhecimento, para, quem sabe, seguir em frente.

Esse é um filme interessante, diferente do que estamos acostumados a ver e que vai te fazer questionar muito ao final. Ele não chega a ser baseado numa história real, mas tem um fundo de verdade. Um pai nos anos 1990 perdeu a filha no Texas e começou a colocar cartazes cobrando justiça, pois tudo levava a crer que o marido havia matado, mas ninguém havia sido preso.



A produção está concorrendo ao Oscar nas categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz – Frances McDormand, duplamente em Melhor Ator Coadjuvante - Woody Harrelson e Sam Rockwell, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Trilha Sonora Original. Ele já ganhou três Globos de Ouro (Melhor Atriz para McDormand, Melhor Ator Coadjuvante para Sam Rockwell, Melhor Filme Dramático), cinco Baftas (Melhor filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Original) e outros.

Recomendo.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação – Assistido! (Crítica aqui)
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
Três Anúncios Para Um Crime – Assistido!
Corra!

Teca Machado

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

A Geografia De Nós Dois - Resenha


Há alguns anos comecei a ler A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista, da Jennifer E. Smith, à tarde e terminei à noite, de tanto que gostei. Foi uma leitura fofa, divertida, bonitinha que me encantou, por isso desde então compro os livros da autora, publicados no Brasil pela Galera Record, sem nem ao menos me preocupar se gostei da sinopse ou não. E esse foi o caso do livro A Geografia De Nós Dois.

Fotos instagram @casosacasoselivros

Lucy mora num luxuoso prédio em Nova York, no vigésimo quarto andar, e Owen no subsolo, já que seu pai é o administrador do edifício, mas não se conhecem. Num dia particularmente quente em Manhattan acontece um apagão e os dois se veem presos no elevador. Depois que são resgatados passam o resto do dia juntos, entre sorvetes distribuídos de graça, lances de escada, festas nas ruas sem energia elétrica e terraços olhando as estrelas. No manhã seguinte cada um segue seu caminho, não em NY, pois a vida leva os dois jovens a lados opostos dos oceanos. Por meio de poucos e-mails e vários cartões postais, Lucy e Owen descobrem que mesmo longe fisicamente não conseguem esquecer as deliciosas horas do blecaute.

A Geografia De Nós Dois foi uma leitura muito bonitinha, ainda que A Probabilidade Estatística do Amor À Primeira Vista seja o meu preferido. A autora alterna os pontos de vistas e somos apresentados à realidade, medos, inseguranças e alegrias tanto de Lucy quanto de Owen, o que deixou a história mais rica, até porque eles passaram o livro quase todo separados, com comunicação escassa, e seria impossível um saber o que o outro estava vivendo.

Jennifer E. Smith
Tanto Lucy quanto Owen vão amadurecendo durante as páginas, já que a vida dos dois vira de ponta cabeça e eles precisam se adaptar a novas realidades, tanto familiares quanto de moradia. Ao mesmo tempo que o leitor torce pelo casalzinho que se viu poucas vezes, também fica com vontade de dar umas boas sacudidas neles. Tem hora que tudo o que eu queria fazer era falar “vem cá, meu bem, deixa eu explicar para você sobre como as coisas são”.

Claro que o amor entre o casal é parte importantíssima do livro, mas enxergo muito mais como foco o crescimento de cada um, assim como a relação familiar deles. Lucy, apesar de ter 16 anos, praticamente mora sozinha. Os pais viajam muito, os irmãos já foram para a faculdade, e ela passa muitos dos seus dias solitária, até que os pais se mudam e a levam com eles. Há muito amor ali, mas falta de comunicação, daí vem um relacionamento truncado, cheio de altos e baixos. Já Owen acabou de perder a mãe e com isso o pai ficou sem rumo. Enquanto ele tenta se recuperar do baque, o garoto pega a responsabilidade de tentar manter as coisas estáveis. Tanto Lucy quanto Owen passam a conhecer melhor os pais, a si próprios e a entender que a distância pode ser necessária para crescerem.

É uma história simples, sem grandes reviravoltas, mistérios ou um romance trágico, mas é escrito com delicadeza, sensibilidade e muito amor. A Geografia De Nós Dois foi uma leitura Young Adult que me deixou suspirando, ainda que por vezes angustiada (poxa, vida, precisa ser tão maldosa assim de vez em quando?), mas que aqueceu o coração.

Veja aqui as resenhas de outros livros de Jennifer E. Smith:

Recomendo.

Teca Machado

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Like a Woman: Livraria comemorativa do Dia da Mulher


A gente sabe que tem muito mais autores homens do que mulheres por aí. Inclusive, muitas mulheres usam pseudônimos ou apenas as iniciais para conseguir entrar no mundo literário sem sofrer preconceito, tanto por parte de editoras quanto de leitores. Faça um teste: Vá até a sua estante e veja quando dos livros são de escritoras. Depois veja quantos deles são de outro gênero que não romance ou poesia. Poucos, né?

Pensando na representatividade feminina na literatura – não só em romances, mas em todos os gêneros – a Editora Penguin, do Reino Unido, vai abrir uma livraria temporária chamada Like a Woman em Londres. Ela vai funcionar de 5 a 9 de março para comemorar o Dia Internacional da Mulher e o centenário do Representation of the People Act, que foi uma reforma eleitoral do país que permitiu, entre outras coisas, que as mulheres votassem.


Segundo os organizadores, serão livros de mais de 200 escritoras que “irão celebrar a persistência das mulheres que buscaram mudanças: aquelas que lutam, que são rebeldes e que gritam #comouma mulher”.

Os títulos serão divididos em grupos, como “o impacto que a autora teve na sociedade, História ou cultura”, “leitura essencial feminista”, “para inspirar jovens leitoras”, “mulheres para prestarmos atenção” e “aquelas que realizam mudanças”.

Zaina Juma, gerente criativa da Penguin. disse que esse é um espaço onde leitores poderão encontrar escritoras incríveis, ativistas e pioneiras para se inspirar a seguir em frente e promover mudanças como uma mulher. “A voz de mulheres sendo ouvidas e levadas a sério é a chave para conseguirmos igualdade de gênero e com a livraria Like a Woman estamos criando um local onde essas vozes serão elevadas e celebradas”. 

Vários eventos literários vão acontecer no local e parte dos lucros irão para a Solace Women’s Aid, uma instituição de suporte a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Os consumidores poderão também comprar livros e doar para a instituição.

Com informações de The Guardian UK.

E você, tem o costume de ler autoras mulheres?

Teca Machado


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O Destino de Uma Nação – Crítica (Maratona para o Oscar 2018)


Há alguns meses quando assisti Dunkirkcrítica aqui - fiquei fascinada com essa história da II Guerra Mundial que nem foi citada nos meus tempos de escola. E agora, com O Destino de Uma Nação, do diretor Joe Wright, temos o mesmo enredo, sob outra perspectiva: a política. E mesmo sendo um filme que poderia ser denso, altamente focado em estratégias de guerra, temos uma produção que humaniza uma figura histórica e nos mostra como Churchill não fez um tratado de paz com Hitler, conseguiu salvar 400 mil soldados britânicos e, assim, ter avançado na batalha contra os nazistas.


O Destino de Uma Nação é baseado em fatos reais e tem Winston Churchill como protagonista, incrivelmente interpretado por Gary Oldman, irreconhecível. No meio da II Guerra Mundial, Hitler ganhava terreno na Europa, inclusive estava muito melhor posicionado do que os Aliados. Após ser convocado a substituir o primeiro-ministro que estava no poder, mesmo contra a vontade de muitos, inclusive do Rei George VI (Ben Mendelsohn) – pai da Rainha Elizabeth e o mesmo vivido por Colin Firth em O Discurso do Rei – Churchill assumiu o cargo no momento mais sombrio da batalha, daí o nome do filme em inglês, Darkest Hour. A Inglaterra estava quase a mercê dos nazistas, rodeada por tropas inimigas, que já tinham atingido a França e encurralado centenas de milhares de soldados na praia de Dunquerque, do outro lado do Canal da Mancha. Coube a Churchill tomar decisões extremas e muito ousadas, tanto que não tinha apoio nem mesmo do seu conselho de guerra.



Mais do que uma maquiagem impecável que transformou Oldman em Churchill (se você não lembra quem é o ator, ele é o Comissário Gordon do Batman de Christopher Nolan), a atuação dele é também impecável. A maneira como se porta, fala, murmura, anda, para em pé, é o Churchill quase sem tirar nem por. Claro que o roteiro deu uma romantizada na personalidade caótica que era o político, mas ainda assim é bem real de acordo com os livros e as reportagens da época. Churchill era um homem ousado, quase louco, que não era bem quisto pelos seus colegas, mas que conquistou a população britânica com as suas manobras na II Guerra. É quase certo que Oldman leve o Oscar na categoria Melhor Ator (Além de Melhor Filme e Melhor Ator, O Destino de Uma Nação está concorrendo a Melhor Design de Produção, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Cabelo e Maquiagem).

Apesar de ser o protagonista e sem dúvida a estrela do filme, nem só de Oldman vive O Destino de Uma Nação. Lily James, muito carismática e doce, se transforma numa espécie de olhos do povo. Como secretária pessoal de Churchill, que aprende a lidar com a sua personalidade única, entendemos como a população da época enxergava o primeiro-ministro. Há também a excelente Kristin Scott Thomas, no papel de Clemmie, esposa dele, e Stephen Dillane como o Visconde Halifax, que era a primeira opção para ocupar o cargo antes de Churchill.




Não é a toa que o filme está concorrendo como Melhor Design de Produção e Fotografia. O visual de O Destino de Uma Nação é denso, é muito britânico, é real. O diretor brinca com as cores sóbrias, com as luzes, com o jogo de câmeras, ora por cima de tudo, ora por baixo, ora perto, ora longe, e com a própria figura de Churchill.

O roteiro pegou uma história real e a transformou palatável para o público, que por vezes poderia se sentir perdido com assuntos estratégicos de guerra e política de um país que não o seu. Os diálogos são densos e há sempre uma tensão no ar, afinal, Hitler está chegando à Inglaterra com toda sua força e os soldados britânicos estão esperando e morrendo na praia de Dunquerque. É um filme histórico que entretêm, ainda que não seja considerado tão comercial.



O Destino de Uma Nação e Dunkirk se complementam de forma magnífica, cada um mostrando um lado da História, mesmo que Joe Wright e Christopher Nolan tenham estilos tão distintos.

Recomendo muito.

*** 

Maratona do Oscar 2018 – Concorrentes a Melhor Filme

Me Chame Pelo Seu Nome
O Destino De Uma Nação - Assistido
Dunkirk – Assistido  (Crítica aqui)
Lady Bird: É hora de voar
Trama Fantasma
The Post: A Guerra Secreta – Assistido! (Crítica aqui)
A Forma da Água
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Teca Machado

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Canal Teca Machado: Autores que devastam meu coração


Você já teve o coração destruído por um autor desalmado?

Eu já!

Milhões de vezes na verdade.

E foi pensando nisso que hoje fiz para o Canal Teca Machado um ranking com os cinco autores mais destruidores de corações.



Algum desses cinco já te partiu o coração?

Quem mais fez isso com você?

Aproveite para se inscrever aqui no canal e assistir aos vídeos antigos e aos novos, que aparecem toda sexta.

Teca Machado

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pets – A Vida Secreta dos Bichos: Crítica


Se eu já sempre gostei de animações, depois que tive sobrinhas e elas passaram da fase Peppa Pig e Backyardigans para os desenhos mais interessantes, passei a ver ainda mais dessas produções. Há um tempão elas me pediam para assistir Pets – A Vida Secreta dos Bichos, do diretor Chris Renaud e da Illumination Entertainment, a mesma que nos presenteou com Meu Malvado Favorito e seus minions. Demorei, mas finalmente vi o longa e me apaixonei loucamente (até porque eu amo cachorros!).


Pets – A Vida Secreta dos Bichos mostra que quando os donos saem de casa os animais têm uma vida ativa e altamente social. Fazem festas, vão para o apartamento dos amigos, saem de casa, se divertem, roubam comida e muito mais. E um deles é o cão Max, que tem uma vida perfeita em NY com sua dona. Só que um belo dia ela adota mais um cachorro, Duque, um gigante desastrado que Max odeia na mesma hora. Os dois disputam território e numa reviravolta se perdem e se afastam do conforto do lar. Enquanto tentam voltar para casa e encontram uma gangue de bichinhos desprezados e revoltados que moram no esgoto, os amigos da dupla, principalmente Gigi, tentam a todo custo encontrar os cachorros perdidos.



O humor está presente, mas não é do tipo inteligente e adulto, como vemos em Meu Malvado Favorito, Shrek, Divertidamente e outras animações cheias de piadas que apenas o público mais velho vai entender. Não chega a ser um filme totalmente infantil, porque a história fofa e engraçada atinge todas as idades, mas as tiradas cômicas são mais simples. Só que isso não tira mérito da história super divertida e que entretêm em todos os minutos, seja com fofura, seja com nonsense, seja com bom humor.

O visual é uma gracinha, lembrando bastante Meu Malvado Favorito (em certo momento dá para ver um easter egg: Gru passeando no parque em que os cachorros estão). Muitas cores, muita iluminação e muitos animais bonitinhos, mesmo o pessoal da gangue do esgoto.




Cada animal tem uma personalidade única e bem trabalhada, ainda que de certa forma caricata. Max é bonzinho, popular, mas às vezes egoísta, o típico protagonista que é bom, mas erra e em seguida busca redenção. Duque é o grandão que passou por situações difíceis, mas tenta não se abalar. Gigi é fofa, inocente e maluca. Bola de Neve é o coelhinho mais surtado e doidão que você já viu e que merece um filme só dele contando como foi sua vida, desde que foi abandonado pelo dono que trabalhava com mágica até virar o chefe do esgoto.

As vozes no português são de Danton Mello, Luis Miranda, Tatá Werneck (irreconhecível) e Tiago Abravanel. Fizeram um bom trabalho. Mas vou querer assistir de novo no legendado, porque tem grandes nomes da comédia, como Louis C.K., Eric Stonestreet (o Cam de Modern Family), Kevin Hart, Jenny Slate e Ellie Kemper (de Unbreakable Kimmy Schmidt).



As situações pelas quais os pets passam enquanto tentam voltar para casa ou enquanto procuram os amigos perdidos são completamente absurdas e altamente divertidas. É aquela animação que não veio com grandes pretensões e por isso mesmo é tão maravilhosa. Não tenta ser mais do que é, é incrível naquilo que se propôs e promete um final feliz e bonitinho.

E quando termina é impossível não se perguntar o que o seu animal faz quando você não está em casa.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Livros que me fizeram sentir ressaca literária


O carnaval acabou e fica aqui a ressaca

E ela pode ser moral, física ou apenas literária, que é o meu caso!

Você sabe o que é ressaca literária?

Fotos @casosacasoselivros

Você pode ver um post mais explicativo aqui ou ficar só no resumão: É quando após terminar um livro que mexeu muito com seus sentimentos você não conseguir começar outro logo em seguida. É um período de hiato em que o leitor fica ali só curtindo a dor e a alegria de ter terminado uma história fantástica – ou desoladora. É não ter ânimo ou coragem de entrar em outro universo literário, porque você está profundamente imerso no anterior. (Veja aqui um post sobre como curar a ressaca)

Até que eu não sou de fazer hiatos no período de ressaca, mas fica aquele sentimento de “nunca mais vou ler algo tão incrível” e o livro seguinte perde um pouco do brilho.

E para aproveitar esse período de quarta-feira de cinzas e toda ressaca moral, física e literária, nada mais propício do que falar hoje sobre cinco livros que com certeza vão te ressacar:

1- Corte de Névoa e Fúria – Sarah J. Maas (Editora Galera Record)


S.O.C.O.R.R.O. Essa palavra define. Na verdade, toda a série deixa a gente de ressaca literária, mas o livro 2 está de parabéns. Eu nem tinha terminado ainda a leitura e já me sentia atropelada por sentimentos, esmagada, incrível, revoltada, angustiada, suspirando e cheia de amor. Eu terminei de ler há mais de um mês e simplesmente não consigo seguir em frente sem a Feyre e sem o maravilhoso Rhysand. Se prepare que essa ressaca é de matar, então é melhor tomar uns Engovs antes!


2- A Viajante do Tempo – Outlander – Diana Gabaldon (Editora Arqueiro)


Se eu falasse palavrão teria soltado pelo menos mil quando terminei essa leitura. Minha nossa! O que foi esse livro? Diana Gabaldon me deu quase 700 páginas de um enredo incrível, maravilhoso, desolador e cheio de reviravoltas. Devastada é uma boa palavra para descrever como me senti no fim. Já li até o 4 da série e, apesar de muito bons, nenhum volume chegou aos pés de A Viajante do Tempo. E só de lembrar dos efeitos da história sobre mim já sinto a ressaca de novo.


3- A Culpa é das Estrelas – John Green (Editora Intrínseca)


Esse é antigo, é clichê e já passou a modinha, mas, meu Deus, como eu fiquei de ressaca! Quando terminei chorava tanto que a minha mãe perguntou se eu estava bem. Senti que um caminhão de sentimentos tinha me atropelado e eu fiquei feliz em continuar deitada no asfalto pensando na dor e na alegria que senti ao ler esse livro. John Green pegou meu coração, rasgou, emendou e pisoteou de novo. E eu deixo ele fazer isso quando quiser de novo.


4- Ninfeias Negras – Michel Bussi (Editora Arqueiro)


Quem gosta de um bom thriller e uma história com reviravoltas de cair o queixo vai se deixar embebedar e ressacar por esse enredo de Bussi. Eu simplesmente não esperava aquele final e tudo o que aconteceu. Parecia que eu tinha bebido e ele sacudido a minha cabeça. Quando terminei a leitura passei alguns minutos parada olhando para a parede pensando “realmente, livros assim me fazem amar ainda mais a literatura”.


5- Um Caso Perdido – Colleen Hoover (Editora Galera Record)


Já que estamos falando aqui sobre ficar devastados, dona Colleen tem o dom divino de fazer isso com a gente, não importa em qual livro. Mas o que me deixou com mais ressaca e sem vontade de seguir em frente por causa de uma história tão impactante foi Um Caso Perdido. Eu não estava esperando. Um trem descarrilhado me pegou sem eu nem saber que estava sentada nos trilhos. A ressaca foi brava. E quando li Sem Esperanças, que é o mesmo enredo sob outro ponto de vista, senti tudo como na primeira vez.

*** 



Vocês já leram esse livros e ficaram com ressaca? 
Quais obras te ressacaram?

Teca Machado

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Canal Teca Machado: Papel, Caneta e Ação


Sexta-feira é dia de vídeo novo no Canal Teca Machado!

E hoje eu trouxe uma resenha super amorzinha: Papel, Caneta e Ação, de Aimee Oliveira, Clara Savelli – que é parceira do blog – e Thati Machado.

Essa história divertida três em um estava na minha estante desde 2015 e eu achei que já estava mais do que na hora de deixar os personagens povoarem a minha mente. Melhor coisa que eu fiz!

Vem ver!




E você já segue o canal? É só se inscrever aqui. Toda semana tem um vídeo novo sobre literatura e de vez em quando cinema.

E bom início de carnaval para vocês! Divirtam-se e leiam muito!

Teca Machado



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

The Crown: 2ª temporada - Crítica


Se tem uma coisa que a Netflix sabe fazer (além de um marketing sensacional) são suas séries originais, sendo The Crown uma das melhores. Peter Morgan já tinha consagrado a produção em sua primeira temporada e agora na segunda nos mostrou que aquele era, realmente, só o começo. Depois de contar  como Elizabeth (Claire Foy) chegou prematuramente ao trono da Inglaterra e como teve que lidar com o peso da coroa, vemos agora a rainha que conhecemos tomando forma. Temos aqui um retrato intimista não só da monarca, mas de toda a sua família e de como ter o maior cargo não é sinônimo de felicidade, e sim de sacrifícios e abnegação.


Se na primeira temporada você já tinha raiva de Phillip (Matt Smith), prepare-se para seu ódio ganhar contornos supremos, principalmente nos três primeiros episódios, que formam uma tríade completa. Se antes a infidelidade do Duque de Edimburgo ficava nas entrelinhas, agora ela está clara, ainda que não tão explícita. Aparentemente ele aceita melhor o papel de mero enfeite da monarquia, mas a verdade é que ele se sente inferior, rebaixado e infeliz por ter que se submeter a sua mulher, não o contrário. E Matt Smith e Claire Foy fazem um trabalho exemplar nessa crise conjugal que não permite que eles se divorciem, afinal, são a realeza.

Antes o foco era a Rainha e a Rainha apenas, mas agora as pessoas ao seu redor também têm destaque, como o Duque e Margaret (Vanessa Kirby), irmã mais nova de Elizabeth que se sente devastada desde a proibição do seu casamento com Peter (Ben Miles). A princesa tem um arco dramático só dela, com suas loucuras e o seu envolvimento com o polêmico fotógrafo Tony (Matthew Goode). O roteiro – e a própria Kirby – mostram sua solidão e seu descontentamento com a vida da monarquia, ainda que adore as regalias que o título traz.




Claire Foy faz um trabalho exemplar. Vemos em seu modo de andar, de falar ou mesmo nas pequenas expressões do seu rosto a simpática senhora que Elizabeth é hoje. O mais impressionante é como a caminhada é idêntica. Mesmo que sua personagem não tenha sido o foco em todos os episódios, a atriz brilhou muito. Sua Rainha passou da menina que estava aprendendo a segurar a coroa a uma mulher forte, ainda que introspectiva.

Os dez episódios são envolventes – ainda que com pouca ação – e interessantes. Provavelmente é o retrato mais fiel já feito da família Windsor. E muitos deles foram impactantes (a descoberta do envolvimento do antigo rei com o nazismo, o ataque de um lorde a Elizabeth, a ida do príncipe Charles para uma terrível escola, o passado de Phillip, a polêmica do osteopata e suas festinhas, os problemas dos primeiros-ministros e mais), mas talvez mais esperado e mais bem trabalhado tenha sido o da visita de John e Jackie Kennedy (Michael C. Hall e Jodi Balfour) à Inglaterra. Jackie, depois de brilhar na França e encantar todo o mundo com sua beleza, carisma e sorriso, encontra Elizabeth, que se sente inferior, sem graça e velha ao lado da primeira-dama americana. Então, mesmo com desavenças, elas têm semelhanças, e a inveja reprimida se torna carinho e respeito mútuo, principalmente depois de reviravoltas.




O design de produção de The Crown é fantástico. O castelo, o figurino, os cenários, tudo foi pensado para se parecer o máximo possível com a realidade. É incrível, por exemplo, como os atores são semelhantes com as pessoas reais que representam. Chega ao ponto de acharmos que os conhecemos a fundo. Vemos os problemas de Elizabeth e temos vontade de abraçá-la e dizer que vai ficar tudo bem.

Infelizmente – ou não – a terceira temporada já irá contar com outros atores. A ideia de Peter Morgan é que cada uma das seis temporadas mostre o período de dez anos de reinado de Elizabeth II e, é claro, ela irá envelhecer. Então a cada duas temporadas o elenco será alterado. Nem todos os atores estão confirmados, mas já sabemos que a Rainha será interpretada por Olivia Colman (de O Assassinato no Expresso Oriente) e Margaret será Helena Bonham Carter (de Os Miseráveis). E acredita-se que a Princesa Diana aparecerá na quarta temporada, mas não se sabe quem será a icônica esposa de Charles.




The Crown é a todo momento um deleite para o espectador.

Recomendo.

Teca Machado


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Trono de Vidro – Resenha (por Sarah Bailey)


A partir dessa semana, o Casos, Acasos e Livros vai ter uma colunista nova: Sarah Carvalho Bailey!

Ela é uma das minhas amigas mais antigas e é maníaca por leituras! Hoje ela mora em Londres (manda um alô para a Rainha, por favor), mas a gente conversa basicamente todos os dias sobre livros, principalmente os da Sarah J. Maas, tanto que a primeira resenha dela é sobre o primeiro volume da sua série mais famosa, Trono de Vidro (que eu não li ainda, mas estou alucinada!).

Há pouco tempo, Sarah resolveu começar a espalhar seu amor por literatura pelo mundo, então criou o instagram @sarahsbookclub. E vai ter fotos lindas por lá, porque ela é apaixonada por livros e o marido é fotógrafo. Melhor mistura, né?

Vamos lá?

TRONO DE VIDRO – RESENHA

Créditos: @sarahsbookclub

O livro conta a história de Celaena Sardothien, a assassina mais temível de Adarlan. Bom, talvez, a assassina mais temível de toda a Erileia.

Após um ano de escravidão nas minas de sal de Endovier, Celaena recebe a inesperada visita do príncipe herdeiro do trono de Adarlan, Dorian Havilliard, e seu fiel amigo e também Capitão da Guarda Real, Chaol Westfall.

Esta inesperada visita trouxe consigo uma proposta inimaginável e irrecusável que Celaena nem em seus sonhos mais fantasiosos pensou em ouvir. Se ela concordasse em representar o príncipe herdeiro numa competição que nomearia o vencedor o campeão do Rei e ela vencesse, teria sua liberdade de volta após 4 anos de serviços prestados à coroa.  

A assassina, que não é boba nem nada, aceitou e mudou-se para Forte Fenda, instalando-se no Castelo de Vidro assim como todos os outros 23 competidores e seus patrocinadores.

Em meio a competição, Celaena encontrará seu espaço naquele jogo de interesses e fará novas amizades, dentre elas, a mais importante de todas, com Nehemia Ytger, a princesa de Eyllwe.

Celaena Sardothien começa ver sua vida e destino mudarem e abraça aquela oportunidade como nunca, aventurando-se na jornada mais perigosa (não poderia ser diferente para ela) e desafiante que ela já enfrentara em toda a sua vida e, principalmente, encarando temores que jamais havia encarado, descobrindo mistérios que anteriormente acreditava ser apenas lendas e fazendo renascer em si algo há que muito achou estava perdido.

Trono de Vidro de Sarah J. Maas promete encantar seus leitores, fazendo-os mergulhar num mundo onde a magia apesar de banida ainda permanece viva. Um mundo obscuro e cruel, mas ainda passível de encontrar amor e apoio, bem como esperança!



 TRONO DE VIDRO – CITAÇÕES/QUOTES

– O que é aquilo? – sussurrou ela, e apontou para um par de portas de carvalho de 6 metros de altura.

– A biblioteca – respondeu Chaol.

– A... – Celaena olhou para as maçanetas em forma de garra. – Nós podemos... Podemos entrar?

O capitão da guarda abriu as portas com relutância, o músculo das costas dele se tencionaram ao empurrar o carvalho ancestral.

(...)

– Por que nenhum de vocês está aqui?

– Guardas são inúteis em uma biblioteca.

Ora, como ele estava errado! Bibliotecas estavam cheias de ideias. Talvez as mais perigosas e poderosas armas.

*** 

Sarah Carvalho Bailey

P.S.: E aproveite para dar uma passadinha lá no Canal Teca Machado para ver o primeiro vídeo de 2018 – 5 livros clássicos para ler esse ano.




terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Roda Gigante - Crítica


Woody Allen e eu temos uma relação cheia de altos e baixos (deixando de lado toda a questão pessoal dele, estou falando especificamente de seus filmes). Algumas das suas produções eu amo de paixão, como Meia Noite em Paris – um dos meus filmes preferidos – e Match Point, e outros eu simplesmente não consigo gostar, como Vicky Cristina Barcelona – meu julguem – e Scoop. Sempre bate aquele receio quando vou assistir a algo dele e não foi diferente com Roda Gigante, escrito e dirigido por ele, que já foi lançado há um tempo, mas está agora nos cinemas.


Fui ao cinema sem nem mesmo ver o trailer – até porque eu ia assistir outro filme e não deu certo -, mas sabia que tinha a Kate Winslet e o Justin Timberlake, dois atores que eu adoro, então resolvi dar uma chance. O veredicto final foi que eu gostei. Não amei, mas gostei bastante, principalmente de todo visual da produção, das atuações e da metáfora que é o nome do filme.

Roda Gigante tem como foco Ginny (Kate Winslet), uma atriz fracassada que trabalha como garçonete e vive com o segundo marido Humpty (Jim Belushi) e o filho do primeiro casamento na região de Coney Island, praia e parque de diversões do Brooklyn, em NY. Quando o verão tem início, Ginny começa um caso com Mickey (Justin Timberlake), um salva-vidas bem mais novo do que ela e que tem a ambição de se tornar um escritor de sucesso. Quando Carolina (Juno Templo), filha de Humpty, aparece pedindo abrigo, Ginny não vê outra alternativa que não acolher a enteada que está fugindo da máfia e que passa a se interessar pelo amante da madrasta. 




Apesar de Ginny ser a protagonista cuja vida triste acompanhamos, quem narra é Mickey, usando muito o recurso de falar olhando para a câmera, diretamente com o espectador. Ele e o filho piromaníaco de Ginny acabam sendo uma espécie de alívio cômico na história dramática, cheia de problemas familiares e de relacionamentos. Timberlake é ótimo e carismático, apesar de toda canalhice do personagem, que se interessa muito mais pela tragédia grega que está se desenrolando em frente a ele do que pelas pessoas que estão sendo afetadas por suas ações e inconsequências.

Kate Winslet é uma atriz de peso, talvez uma das melhores da sua geração, e sentimos toda a frustração e dor da personagem, toda culpa pelos erros do passado e do presente, assim como os fugazes momentos de alegria que tem com Mickey. E todos os sentimentos, principalmente dela, são retratados pelas cores e pelas luzes de Roda Gigante.




O trabalho de fotografia é excepcional, com a aura quase artificial do parque de diversões permeando toda vida de Ginny. O enredo se passa nos anos 1950/60 e tudo remete à década, sem ser caricato, mas ao mesmo tempo fugindo um pouco da realidade. As cores, os tons, as luzes e os cenários são parte da história, quase como um personagem e refletem muito do humor da cena.

A trama, de modo geral, é simples: os dramas familiares de uma família disfuncional que vive altos e baixos, assim como uma roda gigante. Mas os diálogos, as interações, todo fundo psicológico, as expressões do rosto e todo gestual fazem a diferença quando falamos sobre Woody Allen. E mesmo Jim Belushi, conhecidamente um ator de comédia, não deixa a desejar.




Meu marido detestou Roda Gigante (até mesmo ficou olhando o G1 durante o filme, haha), mas eu gostei. Entendo que Woody Allen e seus roteiros não sejam do gosto de todo mundo, mas se geralmente você se afeiçoa aos filmes deles pode gostar desse também.

Recomendo.

Teca Machado