quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Elite - Crítica


Impossível não lembrar de Gossip Girl ao assistir Elite, da Netflix, com toda a questão de uma escola de alta classe, figurinos bonitos e enredo que mistura de alunos muito ricos com outros que não são do mesmo nível da pirâmide social. E é impossível também não lembrar de La Casa de Papel, já que três atores dela estão no elenco e é uma produção espanhola. Confesso que comecei a assistir Elite acreditando que seria uma série bem adolescente, com os dramas e problemas da idade, de certa forma leve, mas encontrei algo muito mais profundo, misterioso e mesmo “pesado”. E isso foi uma grata surpresa, por ser realmente inesperado.


Após o desabamento do teto da escola em que estudavam, três adolescentes – Samuel (Itzan Escamilla), Christian (Miguel Herrán, o Rio de La Casa de Papel) e Nadia (Mina El Hammani) – ganham bolsa para um colégio de elite, onde os líderes do futuro da Espanha estão. Em meio a todo estranhamento causado ao inserir novos “espécimes” no habitat, como uma das alunas diz em certo momento e todos os dramas de relacionamentos da idade, o assassinato de Marina (María Pedraza, a Alison de La Casa de Papel) acontece. Com uma cena inicial mostrando Samuel todo ensanguentado dizendo ser inocente e flashbacks e cenas do presente, Elite vai construindo um enredo que prende e surpreende o espectador e nos leva até a descoberta de quem matou Marina.

O grande acerto da série foi colocar temas importantes em meio a uma série que poderia ser superficial. Em basicamente todos os episódios da primeira temporada há alguma crítica social, ou pelo menos um apontamento de problema. Temos Marina, que é portaria do vírus HIV, Nano (Jaime Lorente, o Denver, de La Casa de Papel), um ex-presidiário que está afundado até o pescoço em problemas com dívidas, Guzmán (Miguel Bernardeau), o típico playboy valentão, irmão de Marina que convive com o fato de que o pai é um corrupto, Omar (Omar Ayuso), mulçumano, gay e traficante, que precisa esconder dos pais quem é de verdade, Nadia que sofre preconceito por usar o véu da religião nos cabelos, Lucrecia (Danna Paola), que acredita que sua posição social a coloca acima de todos, Polo (Álvaro Rico) e Carla (Ester Expósito) que tem uma relação amorosa tediosa e desejam voyeurismo e poligamia e outros.




O elenco foi bem escolhido e há bons atores ali. Miguel Herrán e Jaime Lorente já conhecia de La Casa de Papel, mas se mostraram ainda mais versáteis. Nem mesmo lembramos do apaixonado Rio e do maluco Denver, tão bem eles trabalham aqui. E não podemos deixar de citar Miguel Bernardeau e Ester Expósito, na minha opinião dois dos destaques.

E Elite não poupa o espectador da verdade. Há cenas de sexo sem muito pudor com heterossexuais, homossexuais e mesmo de trios, um pouco de violência e sangue, uso de drogas e investigação criminal. Os personagens não são bons ou maus. Todos têm mais de uma faceta e as mostram. Marina começa doce e fofa para você se apaixonar, até que descobrimos que não é bem assim (eu mesma terminei só o ódio por ela!). Guzmán dá a entender no início que seria o antagonista de Elite, mas descobrimos muito mais nele. Nano fica entre a vontade de se redimir e da facilidade do crime. Acredito que apenas Christian não tem segredos. Desde o primeiro momento mostra quem é, o que quer, sem joguinhos, sem máscaras.




Elite usa como recurso para nos manter interessados os cliffhangers. Geralmente no fim de cada episódio, em meio a investigação do assassinato, recebemos alguma informação vital que traz curiosidade para continuar. E é rápido de assistir. São apenas oito episódios de uma hora nessa primeira temporada. E o sucesso foi tão grande que apenas 12 dias após o lançamento a série já foi renovada, o que é ótimo, porque o último episódio nos deixa com cara de “!!!!!!!!!”. Foi realmente inesperado.

Costumo dizer que produções espanholas tem um quê de mexicanas, pelo dramalhão e exagero, com um pezinho do cafona, mas não chegam a ser Maria do Bairro ou A Usurpadora. E Elite não foge disso. É o tipo de série que posso chamar de guilty pleasure (prazer culposo), aquele programa que pode até dar um pouquinho de vergonha de assumir que gosta, mas não deixa de assistir. Quando me perguntam o que eu achei respondo com um “é ruim, mas é bom”, que acho que define bem.


Recomendo.

Teca Machado



8 comentários:

  1. Oi, Teca!
    Meu Deus, a vida do Omar, gente hahhahahah Rindo mas meu coração sabe que é errado.
    Eu estou com pé atrás com essa série porque eu acho que é filho de Rebelde e La Casa de Papel, mas estou disposta a dar uma chance.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Oi, Teca
    Pude conferir a série e gostei bastante, mas ainda com aquele final chocante (que na verdade não foi tão chocante assim). Eu só detestei de cabo a rabo a Marina, que guria insuportável, apelava demais pra compaixão dos outros.
    Mas super shippei o Omar e o Ander, pra mim melhor casal. Eu também adorei a Nadia, mas confesso que entendi muito a Lucrecia, principalmente no final porque vi que ela realmente amava o Guzmán e o cara tava foda-se pra ela.
    Espero que a segunda temporada não demore a chegar!

    Beijo
    http://www.capitulotreze.com.br/

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  3. Oi Teca tudo bem? Eu ainda não vi, mas eu tenho problemas em gostar de séries adolescentes do tipo, mas é algo muito pessoal meu!! Fico feliz que vc tenha curtido!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. nossa eu tbm acho as produções espanholas super mexicanas haha ja ouvi falar da serie mas ainda nao assisti; acho interessante e importante certos temas que ela aborda, curti sua resenha

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  5. Oi Teca!
    Eu assisti a série por indicação da minha prima e curti, em partes. Eu gosto muito de produções espanholas, acho incríveis e amo demais a língua, rs. Então fico meio fascinada. Mas achei Elite pesado deeeemais, pelo menos para mim. Muitas cenas intensas. O que me motivou a ver até o final foi mesmo o mistério e até hoje não sei ainda o que achar do final, em parte curti por ser tão inesperado, em parte não gostei também porque achei a motivação um tanto fraca. Os Delírios Literários de Lex

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  6. Muito bom! Seu blog é muito bom mesmo, estou amando ler os seus artigos..

    Já salvei seu Blog em meus favoritos.


    Estou amando seu blog ❤️ ..



    Meu Blog: Ana Clara

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  7. Eu estou amando as produções espanholas, os atores são incríveis os roteiros são fantástico! Quero aproveitar as férias para assistir essa série, vir algumas cenas no Youtube e fiquei bem curiosa, por todo o mistério que tem!
    Parabéns, pela crítica...
    Beijos,
    www.dosedeilusao.com

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  8. É quase a mesma resposta que dou quando falo da série, não é ruim, tem apenas algumas coisas que não é bom. Ou seja, ao mesmo tempo em que é interessante deixa de ser por conta de detalhes que se tivessem mudado ou sido melhor trabalhado faria a série ser muito melhor.
    Mesmo assim, já estou no aguardo de uma possível temporada.
    Beijos
    https://recolhendopalavras.blogspot.com

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