segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

La Casa de Papel - Crítica

“Você precisa assistir La Casa de Papel”.

A essa altura você com certeza já escutou essa frase de alguém. E vai escutar de mim também: Você precisa assistir La Casa de Papel.


A Netflix comprou os direitos de exibição da série espanhola, criada por Alex Pina, sem muito alarme, e a disponibilizou no catálogo no finzinho do ano passado, mas em pouquíssimo tempo se tornou um fenômeno no Brasil e no mundo. A Netflix reestruturou os episódios: antes tinham 1h10 cada, mas passou a ter de 40 a 50 minutos, o “normal” de séries. Os 9 episódios originais da primeira parte viraram 13, que já estão disponíveis no serviço de streaming, e os próximos vem em abril, apenas mais seis, que hoje estão disponíveis apenas na Espanha enquanto a gente fica aqui se coçando para saber como vai terminar.

Em La Casa de Papel um grupo de bandidos invade a Casa da Moeda espanhola para realizar o maior roubo já visto: mais de 2 bilhões de euros. O Professor (Álvaro Morte, que é a cara do Bruno Mazzeo) juntou oito pessoas com habilidades específicas - como força bruta, hacker, falsificação, arrombamento, liderança e muito mais - para que colocassem o plano perfeito e milimetricamente planejado em ação. Todos os assaltantes têm nomes de cidades para que suas identidades sejam protegidas: Tokio (Úrsula Corberó, uma das atrizes de maior sucesso hoje na Espanha), Rio (Miguel Herrán), Nairóbi (Alba Flores), Berlim (Pedro Alonso), Moscou (Paco Tous), Denver (Jaime Lorente), Helsinque (Darko Peric) e Oslo (Roberto García Ruiz). Eles tomam a instituição, fazendo 67 pessoas de reféns, enquanto a polícia tenta resolver a situação com o menor número possível de baixas, principalmente civis.




O grande tcham de La Casa de Papel foi como o roteiro conseguiu fazer com que o público torcesse tanto pelos bandidos quanto pelos mocinhos. É impossível assistir aos episódios sem querer que os assaltantes se deem bem, porque além das interações dentro da Casa da Moeda temos flashbacks do passado de cada um deles, criando assim uma empatia com o espectador ao conhecermos suas histórias. Ao mesmo tempo, do outro lado da lei temos a inspetora Raquel (Itziar Ituño), uma mulher forte, que vive num ambiente profissional machista, que denunciou o marido por maus tratos e que lida com o descrédito a todo tempo e tenta a todo custo liderar a operação que pretende acabar com o assalto. Então acabamos torcendo por ela também, que além de tudo começa um relacionamento com Professor, sem saber que ele é o cérebro de tudo.


La Casa de Papel fez sucesso devido a um número imenso de acertos, a começar pelo roteiro. O enredo em muito lembra os grandes filmes de Hollywood de assalto – como Onze Homens e Um Segredo e Um Golpe de Mestre -, mas ao mesmo tempo tem a alma latina em si, com dramas familiares e de relacionamento acontecendo enquanto todo o plano se desenrola. Cada dia dentro da Casa da Moeda é repleto de emoções. Cheio de tiros, ação e muitas, mas muitas reviravoltas de cair o queixo, o espectador se vê compelido e assistir mais um episódio e mais um e mais outro e assim por diante, até que, quando percebe acabou.




As atuações são outro ponto muito positivo. Entre os reféns há muitos figurantes, mas os oito assaltantes, Professor, Raquel, Arturo (Enrique Arce) - aquela praga que só estraga tudo! -  e Mônica (Esther Acebo) são o centro. Em nenhum momento eles deixam perder a emoção do assalto do século e nos fazem acreditar, mesmo que em momentos o plano beire o absurdo. A maioria deles é surtada (gente, tem homem mais louco do que o Berlim ou risada mais louca que a do Denver?), mas a gente se apega totalmente.

A produção tem toda a qualidade de um filme Hollywoodiano, seja nas cenas coreografadas de lutas e tiros, seja nos relacionamentos. A fotografia condiz muito com a história, assim como toda identidade visual (aquela máscara de Dali me dá agonia, haha).




A trama de La Casa de Papel é complexa, mas muito genial, e faz com que o certo e o errado se confundam o tempo inteiro. Há mesmo entre os assaltantes discussões sobre ética, como por exemplo: eles podem até sequestrar, mas nunca matar, assim como eles irão produzir o próprio dinheiro, para, no fim das contas, não roubar realmente ninguém. Por toda essa espécie de moralidade que Tókio, Rio, Berlim, Nairóbi, Moscou, Denver, Helsinque, Oslo e o Professor mostram acabamos torcendo para que o plano perfeito dê certo.

Recomendo muito.

Teca Machado


2 comentários:

  1. Oi, Teca!

    Pois é, o que mais escuto e vejo pela internet atualmente é sobre essa série. Mesmo com todos os elogios, não é o tipo de série que faz meu gênero, então quem sabe um dia quando eu não tiver nada pra fazer da vida eu assista, mas por enquanto vou deixar passar hahaha

    xx Carol
    Vem participar do booktour do meu livro O poder da vingança!
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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  2. Olá, tudo bem?
    Sempre vejo no netflix, mas ainda não peguei pra assistir, uma colega me recomendou, mas sua crítica fez com que eu ficasse curiosa.
    beijos
    http://amandastale.blogspot.com

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