quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Vice – Crítica – Maratona Oscar 2019


Rami Malek, eu estou torcendo por você, mas acho que o Oscar não será seu esse ano. Cheguei a essa conclusão ao final de Vice, do diretor Adam McKay, que está concorrendo à principal categoria do Oscar 2019. O Christian Bale no papel do protagonista está espetacular e eu não vou ficar nenhum pouco surpresa se ele ganhar.


Vice é um filme biográfico que mostra a trajetória de Dick Cheney (Bale), vice-presidente dos Estados Unidos no governo George W. Bush (Sam Rockwell). Aí você pensa: qual a importância de um vice-presidente para se feito um filme sobre ele, afinal, o cargo é quase simbólico – ou como dizem na produção, “é ficar sentado esperando o presidente morrer”? Bom, Dick Cheney foi muito mais do que apenas simbólico.

No longa, acompanhamos Cheney desde a juventude, quando teve muitos problemas com álcool, drogas e falta de compromisso. Era mediano apenas. Até que Linney (Amy Adams), sua esposa, lhe dá um ultimato e ele cria juízo. E começa aí a trajetória que o levou até a Casa Branca e o tornou responsável pela Guerra do Iraque e muitas outras coisas mais.



Muitos se perguntam como um homem como Cheney não chegou ao cargo máximo do país mais poderoso do mundo. Será mesmo que não chegou? Para aceitar ser vice, ele fez um acordo com Bush, no qual se tornou responsável por decisões mais importantes que o próprio presidente. E é impressionante como Bush foi retratado como um mané (essa é a melhor palavra que o descreve), manipulável e, basicamente, um burro – assim como toda população americana.

Geralmente biografias são com personalidades minimamente populares. É só lembrar do ano passado, quando Churchill foi celebrado em dois filmes e lutou contra vilões na II Guerra Mundial. Bom, aqui Cheney é o vilão. Se você pesquisar um pouquinho que seja sobre ele, vai descobrir fatos pouquíssimos lisonjeiros. E segundo dize, ele é ainda pior do que o filme mostrou. O filme, cujo roteiro também é de McKay, não tenta amenizar seus atos e nem humanizar a persona. Mostra seu lado ardiloso, manipulador, sedento de poder e frio (é, galera, ele foi o responsável pela tortura ser permitida, usando apenas um outro nome menos pesado). Em uma excelente cena final, com a quebra da quarta parede (quando o personagem fala diretamente com o público), isso fica ainda mais claro.


Claro, Cheney não é uma pessoa boazinha, mas podemos dizer que Linney é farinha do mesmo saco. Naquela relação um puxa o outro e estou para ver um casal que se merece mais do que eles.

Claro que a direção e o roteiro de Mckay são imprescindíveis, mas Vice não seria nada sem um elenco coeso e entregue. Christian Bale está, como eu disse lá em cima, nada menos do que espetacular. Sua atuação, seus trejeitos, seu olhar, tudo, é muitíssimo real. Fora que a forma física também, porque ele ganhou 33 quilos para viver esse papel e fez exercícios específicos para engrossar o pescoço. Amy Adams não fica atrás, assim como Sam Rockwell. Os três atores estão concorrendo ao Oscar, não é por menos. E apesar de não ter sido nomeado à premiação, Steve Carell merece elogios pela interpretação de Donald Rumsfield, mentor de Cheney.




Vice segue o estilo de Mckay que conhecemos em sua outra produção que concorreu ao Oscar: A Grande Aposta. Ele tem uma pegada engraçada, ácida, satírica e que muitas vezes foge da realidade (como a cena em que Cheney e Linney conversam na cama com frases shakespearianas ou quando no meio do filme créditos finais sobem). No letreiro inicial, afirmam que o filme é baseado numa história real. Bom, o máximo possível, porque Cheney é furtivo e eles fizeram seu melhor trabalho de pesquisa apesar de tudo. Acho que podemos dizer que McKay é um zueiro.

Cheney e Linney ainda estão vivos e muitíssimo bem. Eu gostaria muito de saber como eles se sentiram ao assistir Vice – se é que assistiram – e se viram retratados como a personificação do mal na Terra.


Vice está concorrendo ao Oscar 2019 nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Christian Bale), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams), Melhor Ator Coadjuvante (Sam Rockwell), Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Maquiagem e Penteado.

Recomendo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado

2 comentários:

  1. Que delícia essa maratona do Oscar! Estou aqui com as abas abertas para conferir as outras críticas. Fiquei apaixonada pelos detalhamentos da complexidade do personagem da trama (Vice). São tantas críticas políticas, sociais e humanas... adorei!

    semquases.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Vanessa!
      Esse filme é intenso mesmo.
      É bem legal!

      Beijoooos

      Excluir