segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Roma – Crítica – Maratona Oscar 2019


Todos os anos tento assistir a todos os filmes que concorrem na categoria Melhor Filme do Oscar. Em 2019 eu me interessei por todos, menos um: Roma. Confesso que fui relutante assistir a produção do diretor Alfonso Cuarón, disponível na Netflix (Bom, pelo menos eu não ia gastar no cinema com um filme que não estava a fim de assistir). No fim das contas, não odiei, como achei que detestaria, mas também não gostei. Ficou naquele limbo de "ok, mas não veria de novo".


O pior foi o comecinho. Quando o letreiro começou, já revirei os olhos, porque até ele é devagar. Muito devagar. E o filme foi indo lento, num ritmo que me fez indagar para onde a história estava indo. Depois de um tempo me acostumei e inclusive me interessei pela história de Cleo (Yalitiza Aparicio). 

Roma segue um ano na vida dela, uma empregada doméstica de origem indígena, que no México dos anos 1970 trabalha para uma família de classe média e tem um carinho gigante pelas crianças da casa e é bem tratada por todos, mas ainda assim é quem faz todo o trabalho pesado, junto com Adela (Nancy García García).



Apesar de ser Cleo a protagonista, vemos outra mulher que lutar para se reerguer após tristezas, que é a sra. Sofía (Marina de Tavira), patroa. Ela e Cleo passam por situações semelhantes, apesar de cada uma com a sua particularidade, e tentam fazer o melhor com o que a vida deu e de certa forma se apoiam, o que é bonito de assistir.

O movimento da câmera – às vezes até mesmo inexistente -, a falta de cores, o jogo de sombra e luz, a importância dos filmes dentro do filme e a imobilidade dão um ar de realmente ser uma produção dos anos 1970. Uma cena em particular, dentro do hospital, com todos esses elementos, gera uma sensação de impotência tão grande que sofremos junto com a personagem.


No fim, fiquei com aquela cara de interrogação, de "ué, acabou?". Entendi o filme, mas sabia que ele tinha muito mais camadas psicológicas do que eu peguei de primeira, então pesquisei sobre a produção e passei inclusive a gostar mais dela e a entender melhor o propósito da obra.

Roma é quase autobiográfico. Cuarón escreveu pensando na sua infância e em Libo, a quem ele dedica o filme. Ela trabalhou com a sua família desde que ele tinha 9 meses e foi a sua versão real de Cleo. A casa em que o diretor cresceu ficava no bairro Roma (e eu aqui pensando que era na cidade italiana!), e o filme inclusive foi filmado numa construção que foi toda alterada para parecer a que ele morou. E essas são apenas algumas das particularidades da obra.


Roma é lento, é quase a vida real mesmo, todo em preto e branco e cheio de simbolismos. Definitivamente não é um filme para qualquer pessoa. Não achei que tem todo o esplendor que está sendo alardeado, mas também não é ruim como achei que seria. É apenas muito diferente do que estamos acostumados, tanto no ritmo quanto na temática. Acho que no fim das contas sou uma pessoa muito mais "filme pipoca" mesmo.

Roma é o primeiro filme da Netflix que chegou a maior premiação mundial do cinema. Isso só mostra a força do serviço de streaming.


Roma está concorrendo a: Melhor Filme, Melhor Atriz (Yalitiza Aparicio), Melhor Atriz Coadjuvante (Marina de Tavira), Melhor Diretor, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Mixagem de Som, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição de Som.

Recomendo, mas não para todo mundo.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019
Teca Machado

4 comentários:

  1. Oi Teca!
    Todo ano prometo a mim mesma de assistir aos filmes do Oscar. Todo ano não cumpro a promessa. Vi alguns trechos e propagandas por cima de Roma, mas jamais imaginei que a trama seria essa. Historia lindíssima. E veio bem a calhar no momento geopolítico que o México enfrenta. Mesmo assim, fico com receio de vê-lo em um momento não muito apropriado e acabar desgostando da produção, até porque, como você disse, não é um filme que todo mundo irá gostar. Beijos!

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  2. Oi Teca!
    Parabéns p/ a netflix pela indicação né 👏
    Olha, diferentão msm esse filme.
    Não sei se veria, acho que não combina muito com meu estilo.
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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  3. Oi, amiga! Pela sua resenha, acho que não é um filme que tem muito a ver com o meu estilo não. :( Acho que também sou dessas que prefere "filme pipoca", como você falou hahaha. Mas fiquei feliz pela Netflix! :) Esses dias eu assisti "A Favorita" e sério: não curti nada! Mas outros, como Green Book, eu amei e é o meu favorito do Oscar! ♥

    Beijos, Carol.
    www.pequenajornalista.com

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  4. eu sempre prometo ver os filmes que participaram do oscar e acabo não assistindo nem a metade mas vou tentar isso em 2019

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