quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Green Book: O Guia – Crítica – Maratona Oscar 2019


Eu imaginava que Green Book: O Guia, do diretor Peter Farelly, seria bom. Mas a sensação que fiquei ao final do filme foi a de que ele foi muito mais do que isso. Incrível descreve melhor. Me deixou com o coração quentinho. É aquela produção que eu recomendo de olhos fechados.


Com Viggo Mortenssen (nosso eterno Aragorn, que em nada lembra o personagem, agora envelhecido e com uma barriga imensa) e Mahershala Ali, dois atores sensacionais, Green Book é uma história real. Nos anos 1960, período altamente racista nos EUA (E por acaso deixou de ser?), Doc Shirley (Ali), um negro gênio da música, famoso no meio erudita, vai fazer um tour pelo país e precisa de um motorista que o leve aos concertos. Contrata Tony Vallelonga (Mortenssen), um descendente de italianos brutamontes que trabalhava em boates de NY. Ao passar principalmente nos estados do Sul, ambos não podem ficar nos mesmos hotéis, já que “pessoas de cor” não tinham permissão de se misturar com os brancos. Por isso levam na viagem o Green Book, um guia para que negros pudessem saber onde eram bem-vindos. 

Apesar do tom engraçado do filme, trazido na maior parte das vezes por Tony, seu apetite infinito e tiradas sem noção, Green Book deixa um nó na garganta em vários momentos (a cena da discussão na chuva dói na alma). Doc é um gênio, incrível, educado e um lorde, mas é tratado de forma terrível por causa da sua raça.



O mais interessante do filme é a interação entre Doc e Tony, interpretada de maneira sublime por Mortenssen e Ali. A química é muito forte entre eles. Enquanto o músico é erudito, fino e inteligente ao extremo, Tony é um falastrão, sem modos, mas carismático. Difícil não sorrir com ele. Vemos a evolução de ambos. Tony, antes um racista velado, se torna o maior defensor de Doc. E Doc, tão rígido e sério, passa a se divertir com Tony. E o psicológico dos personagens é bem trabalhado, principalmente de Doc. Com o passar do tempo ele começa a se abrir com Tony e temos um vislumbre de quem é o homem por trás do talento ao piano, o que o moldou.

Num ano que o tema racismo está sendo muito falado no Oscar e com muitos atores, diretores e histórias negras sendo celebradas, Green Book se diferencia dos outros concorrentes (Pantera Negra, Infiltrado na Klan, Se a Rua Beale Falasse) por ser dirigido por um homem branco e contado pela perspectiva de um branco, o que gerou críticas antes do filme ser lançado e amenizadas depois. E quando descobri que Peter Farelly era o diretor, fiquei muito surpresa, porque ele é conhecido por filmes pastelões e nada sérios, como Débi e Lóide, Quem Vai Ficar Com Mary?, O Amor é Cego e Eu, Eu Mesmo e Irene. Quem diria que faria um filme tão delicado e sentimental quanto esse?


Apesar de ser baseado numa história real, parentes de Doc, ainda vivos, afirmam que a amizade entre a dupla nunca existiu e que o filme foi uma “cascata de mentiras”. Ao mesmo tempo, a família de Tony afirma o contrário, usando inclusive trechos de entrevistas do músico que confirmam isso. Seu filho, Nick Vallelonga, é um dos roteiristas.

Sendo verdade ou não, o que importa é que Green Book: O Guia é um excelente filme, um tapa na cara da plateia e divertido ao mesmo tempo que emociona. 


Não deixe de ouvir a trilha sonora. Está linda.

A produção está concorrendo ao Oscar 2019 por Melhor Filme, Melhor Ator (Mortenssen), Melhor Ator Coadjuvante (Ali) e Melhor Roteiro Original.

Lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2019

A Favorita
Roma
Vice
Green Book - O Guia (Assistido)

Teca Machado

18 comentários:

  1. parece otimo orbigado por compartihar

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  2. Oi!
    Vi outras resenhas sobre o filme, e não me interessei em assistir. Mas com a sua resenha, me interessou demais! Parece ser um filme muito emocionante, e retratando um periodo tao dificil da nossa história... com certeza vou querer assistir!

    bjão
    Início de Conversa

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    1. Oi, Janaina!
      Que bom!
      Esse filme faz a gente pensa.
      É maravilhoso.

      Beijoooos

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  3. gostei mt do filme, otimos atores e uma historia real que nos mostra essa tao linda amizade improvavel...

    www.tofucolorido.com.br
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  4. Oi teca, eu gostei muito do filme, achei lindo em muitos momentos e sai com fome por causa do Tony hehehehehe

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Nossa, eu super saí com fome do cinema.
      Ele come o tempo todo, hahahahahaha.

      Beijooos

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  5. Oiii Teca

    Eu amo qualquer história ambientada nos anos 40/50 ou 60, acho essas três décadas meio mágicas, possuíam um charme nostálgico. Eu gostei demais d apremissa de Green Book, esse tema do racismo principalmente nos anos 60 era bem tabu, Kennedy dizem que foi morto porque lutava contra isso, então foi um periodo conturbado mas ainda assim que possuia um charme no ar (ah os figurinos daquela época!!).
    Quero assistir, amo o Viggo aliás, saudades de assistir ele

    Beijos

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    1. Eu também amooo!
      Que décadas lindas demais, gente!
      Você vai gostar do filme.
      É ótimo!

      Beijooos

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  6. Oi Teca.
    Eu sempre gosto de ver os filmes indicados ao oscar e esse parece ser sensacional mesmo. Engraçado pensar que a família afirma que essa amizade nunca aconteceu, e que mesmo havendo essa possibilidade, ainda sim é uma amizade bonita de acompanhar.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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    1. Oi, Jessica!
      Mesmo se não for de tudo verdade, é um filme bem bonito.

      Beijooos

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  7. Cara, não sabia da existência desse filme. Já vai pra minha lista de interesses.
    É muito importante esse debate que está sendo abordado também através da arte em relação ao racismo. É lindo ver que o filme é baseado em um historia real. Espero que esse contestamento entre as famílias sobre a realidade dos fatos, seja verídica para o lado do bem.
    Beijos!!


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    1. Oi, Hozana!
      É beeeem legal mesmo.
      Vale super a pena, viu?

      Beijoooos

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  8. Quero muito assistir!

    Beijos,
    www.thalitamaia.com

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