quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa - Crítica


Você percebe que um filme de ação tem as mãos de uma mulher quando no meio de uma sequência de luta uma personagem oferece à outra um elástico de cabelo. E há essa cena em Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa, da diretora Cathy Yan, nos cinemas desde o último final de semana.


Na verdade, a produção como um todo foi pensada com uma pegada mais feminista – ou mesmo feminina. É só termos como exemplo o próprio título: A emancipação de Arlequina. No enredo, a protagonista, vivida por Margot Robbie, e o seu “pudinzinho”, também conhecido como Coringa, terminaram seu relacionamento. Ela quer se livrar da fossa, do sentimento de ter sido largada (ainda que aquela seja uma relação totalmente tóxica e problemática), e assim se emancipar e ser dona do próprio nariz. O problema é que enquanto estava com o Coringa, Arlequina colecionou inimigos, pois fazia o que queria sem consequências, já que tinha a proteção de um dos maiores vilões de Gotham. Agora precisa sobreviver a todos. Enquanto isso, ela se junta a policial Renee Montoya (Rosie Perez), a Canário (Jurnee Smollett-Beel) e Caçadora (Mary Elizabeth Winstead) para ajudar Cassandra Cain (Ella Jay Basco).

Um dos pontos mais bacanas desse filme, que é uma espécie de spin-off de Esquadrão Suicida, de 2016, é mostrar uma nova versão de Arlequina. Enquanto no primeiro ela era uma mulher que mudou tudo em si para agradar o Coringa e foi extremamente sexualizada, agora a personagem se liberta, se encontra e reescreve o próprio destino, tudo isso ao lado de outras anti-heroínas fortes, poderosas e totalmente badass.



Para conseguir esse feito, Margot Robbie, que além de protagonizar é uma das produtoras, lutou para que tudo fosse muito diferente do que foi visto em Esquadrão Suicida. Sua intenção era que a personagem não fosse mais vista como um objeto de desejo, por isso a atriz exigiu do estúdio que toda equipe fosse feminina, com diretora, produtora, figurinista e trilha sonora cantada apenas por mulheres. Além disso, doou parte de seu dinheiro como produtora para que o filme pudesse acontecer. E valeu a pena.

Aves de Rapina é um filme muitíssimo divertido, despretensioso e ousado. O público não chega a gargalhar, mas ri e dá vários sorrisos. Ao contrário do que estamos acostumados a ver em Gotham – sempre sombria, escura, lúgubre, triste -, aqui conhecemos o lado leste da cidade, com mais cor, brilho e vida. A direção de arte e fotografia merece destaque, principalmente em cenas de luta. Quando Arlequina chega atirando com balas de confete, glitter e fumaça colorida é um deleite para os olhos (assim como o figurino amalucado da protagonista).



Margot Robbie tem um carisma enorme se esbalda como Arlequina, parece se divertir a cada momento e a produção tem a personalidade dela. A personagem ao mesmo tempo que é infantilizada e avoada, tem uns lapsos de brilhantismo e coerência. Várias críticas negativas disseram que o ritmo acelerado e com falta de foco da protagonista era um ponto negativo, mas eu vi como positivo. E todo o elenco, principalmente o feminino, foi bem escolhido. Rosie Perez, Jurnee Smollett-Beel, Mary Elizabeth Winstead e Ella Jay Basco vivem personagens completamente diferentes, mas juntas têm química, sororidade e exalam ar de amizade, juntamente com Robbie. Ewan McGregor vive o vilão, de forma caricata, mas que funciona com a pegada do filme.

A cenas de luta foram muito bem coreografadas e fazem todo sentido. As mulheres usam suas características físicas, como serem mais leves e ágeis, a seu favor. Usam o peso do próprio homem como alavanca, por exemplo. Quem coordenou todas as sequências do tipo foi Chad Stahelski, diretor da franquia John Wick, por isso há tantas cenas de lutas fantásticas.



Aves de Rapina: Arlequina e sua emancipação fantabulosa é irreverente, divertido e colorido. Vale muito a ida ao cinema.

Recomendo.

Teca Machado


3 comentários:

  1. Oi, Teca como vai? Este filme parece mesmo bastante divertido, esse detalhe já vale a ida ao cinema assistí-lo. Gostei da dica. Abraço!



    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Ah! A Margot arrasa, né? ♥ Pelo trailer, acho que vou gostar bastante, apesar de não ter acompanhado a história e tal (e nem vi Coringa). E depois dessa resenha maravilhosa, vou embarcar nesse filme com certeza! :)

    Beijos, Carol.
    www.pequenajornalista.com

    P.S: parabéns mega atrasado. Tudo que há de melhor, sempre! ♥

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  3. a Margot é mt boa e arrasa mesmo nessa interpretação da arlequina né, adorei sua resenha e deu mesmo vontade de ir assistir

    www.tofucoloriodo.com.br
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