segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Papillon – Filme - Crítica


Quando eu era bem novinha, meu pai disse que Papillon, de Henri Charrière, baseado em fatos reais, era o melhor livro que ele tinha lido na vida. Sempre fiquei curiosa com a história e até mesmo lembro da capa do livro, mas não podia ler, ainda era muito criança. Meu pai perdeu o livro, esqueci dele, até que há dois meses vi o trailer do remake (em 1973 foi lançada a primeira versão cinematográfica da história, com Dustin Hoffman) e voltei a me interessar. Ganhei o livro do meu pai, mas o filme foi lançado no final de semana passado e não deu tempo de ler, afinal, são 800 páginas. Então decidi assistir antes de me aventurar pela obra literária.


Papillon, do diretor Michael Noer, é muito bonito visualmente. Os planos em que pega as paisagens da América Latina, a fotografia, os detalhes dos desenhos de um dos personagens, tudo é da qualidade hollywoodiana que estamos acostumados. O cineasta soube dosar momentos de ação, com lutas e correria, com cenas psicológicas e mais introspectivas – destaque para a sequência em que o protagonista está quase enlouquecendo na solitária. O roteiro tem um ótimo ritmo, sem correr demais e sem ser muito lento, nos dando tempo para absorver todas as nuances da história.

Charlie Hunnam – que me lembra demais o Channing Tatum -, vive Henri Charrière, conhecido como Papillon, por ter uma borboleta (papillon é o nome do animal em francês) tatuada no peito. Na Paris de 1931, Papillon é um golpista, assaltante, que vive rodeado de gangsters e do submundo. Ele é bem-sucedido em seus roubos, até que armam para que seja acusado de um assassinato. A pena naquela época era ser enviado para a Guiana Francesa, colônia do país, para que fizesse trabalhos forçados em condições pavorosas até o fim da sua vida. No caminho, Papillon conhece Degas (Rami Malek), um falsário milionário, a quem ele protege em troca de dinheiro para uma fuga mirabolante.



O enredo é muito interessante. A verdade é que o público gosta de uma história de fuga – e quanto mais mentirosa, melhor. E Papillon foi incansável em suas tentativas. Cada escapada frustrada resultava em anos de solitária, mas ele se recusou a ficar trancafiado, ainda mais injustamente (bom, mais ou menos, né, porque ele era criminoso). Apesar de ser um malandro, o público se pega torcendo para que o protagonista escape e deixe tudo aquilo para trás.

Charlie Hunnam está muito bem como Papillon. Ele é um ator que ainda não é muito conhecido, apesar de papeis importantes em grandes produções. Ainda não emplacou, mas acredito que é só uma questão de tempo. Ele tem a habilidade necessária para filmes de ação – é só ver a cena de luta, em que ele briga com uma galera totalmente pelado -, mas soube dar a fragilidade necessária para os momentos mais profundos, psicológicos e sentimentais. Seu corpo passa por transformações, devido aos anos de confinamento, e é visível em seus olhos e em seu porte todo o peso da prisão. Rami Malek também faz um bom trabalho, apesar de que sempre pega papeis “esquisitos” (mal posso esperar para vê-lo como Freddie Mercury dia 1º de novembro).


 

A amizade de Papillon e Degas é muito bonita, assim como a sintonia entre os dois atores. Ela começa como oportunismo, mas a dupla se torna amiga, sendo extremamente leais – e algumas pessoas dizem que até algo mais, mas não sexualmente, apenas com um sentimento muito intenso de pessoas em situações terríveis. Essa interação foi bem trabalhada por todo o filme, e acredito que mais do que sobre as tentativas de fuga, Papillon é sobre a relação dos dois.

Papillon tem alguns problemas, como o fato de que todo mundo fala um inglês maravilhoso mesmo sendo francês (cadê aquele sotaque lindo, minha gente?). Mas isso é normal de Hollywood e a gente deixa passar esse detalhe, até mesmo esquece depois de alguns minutos. Outra coisa, que reclamaram em relação ao filme anterior, é que tudo é muito limpo. Sim, as prisões são terríveis e pavorosas, mas as cenas não mostram sujeira, imundície e podridão, apesar de dar a entender. Até mesmo quando Papillon passa anos na solitária, sem colocar o pé para fora, sua cela parece limpa, assim como ele mesmo.



Algo muito questionado, aí sendo um problema da história em si, não do filme, é que hoje sabe-se que Charrière deu uma exagerada boa em vários trechos da sua biografia. Ele mesmo assumiu um tempo depois que apenas 70% era real, e depois que usou história de outros prisioneiros como sua. Sendo verdade ou não – e provavelmente não é – a narrativa de Papillon é interessante, prende o espectador e fala sobre determinação, amizade, lealdade, resiliência e não se deixar abalar.

Recomendo muito.

Teca Machado


6 comentários:

  1. nossa, eu adoro o rami malek, eu ainda nao tinha ouvido falar nesse filme e achei todo o tema super interessante, com certeza fiquei curiosa pra assistir!

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  2. Não conhecia o livro nem o filme, mas fiquei muito interessado e curioso e choquei ao saber que é esse actor a interpretar o Freddie, ele está bem diferente! 🙂

    MRS. MARGOT

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    1. É muito interessante a história.
      O Rami é incrível!

      Beijooos

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