segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Buscando... - Crítica


De vez em quando você assiste a algo despretensiosamente e encontra uma boa surpresa. Foi o que aconteceu com Buscando..., do diretor Aneesh Chaganty. Queria ir ao cinema sexta-feira, não tinha nada que me interessasse, mas acabamos assistindo Buscando..., porque meu marido escutou na CBN uma crítica boa do Thiago Bellotti, do canal Meus Dois Centavos. E como confiamos nele, fomos ao cinema. Melhor decisão.


A história não é revolucionária, mas a maneira como é contada, assim como as reviravoltas, são, o que o transformam num filme muito bom e muito diferente.

Em Buscando... somos apresentados à família Kim. Após perder a esposa para o câncer, David (John Cho) cuida sozinho da filha Margot (Michelle La). Eles possuem uma relação boa, mas distante desde que a mãe se foi. Quando a garota de 16 anos, desaparece e a polícia não consegue respostas, David decidi fazer uma investigação por si próprio, buscando informações no computador de Margot ao traçar seu rastro digital. David descobre que pouco conhecia da filha, dos seus amigos e da sua vida.


Um dos pontos principais do filme é que ele é todo contato por meio de telas de computador, estilo o terror Amizade Desfeita. Todas as conversas acontecem por Facetime, e-mails, vídeos, fotos, iMessage, ligações de Skype e outros recursos tecnológicos. No começo isso pode parecer estranho – eu mesma ficava pensando que sentiria falta de planos cinematográficos mais tradicionais -, mas Chaganty tocou isso de forma genial. Tanto que o tempo de filmagem foi curtíssimo: 13 dias. Mas a pós-produção demorou dois anos, porque foi preciso animar por tecnologia todo o longa, que vai desde o sistema operacional do Windows 95 até o macOS da Apple.

Além de ser extremamente bem feito, o roteiro é muito inteligente. O diretor, que também é um dos roteiristas, nos leva a pistas falsas, pistas verdadeiras e caminhos tortuosos, que muitas vezes nos deixam de queixo caído. Em todo o tempo há tensão, até porque o espectador constantemente é enganado pelo enredo. É difícil descolar os olhos da tela.

É interessante ver muitas semelhanças com a internet real: mobilização por meio de hashtags, pessoas que mentem para atrair atenção, teorias da conspiração, pessoas que atacam outras gratuitamente, adolescentes que postam vídeos idiotas para conseguir audiência, fakenews e muito mais. Buscando... é altamente atual, o que de certa forma faz com que não seja um filme atemporal. Talvez daqui 5, 10, 15 anos, as pessoas vão olhar os programas, o Facebook e outras tecnologias e achar altamente ultrapassado.


John Cho é uma surpresa. Conhecido pelos besteiróis que fez mais novo (Madrugada Muito Louca e American Pie) e mais recentemente por ser Sulu, na nova franquia de Star Trek, ele realmente interpreta um pai atormentado. Sua dor o deixa um pouco entorpecido, ao mesmo tempo que maníaco para descobrir o paradeiro de Margot. Ele faz loucuras e toma atitudes perigosas, mas é impossível não pensar que ele está fazendo certo, já que precisa tomar as rédeas da situação. Vale comentar também a atuação de Debra Messing, a eterna Grace de Will & Grace, a detetive responsável pelo caso da família Kim. Ela mostra que não é uma atriz apenas de comédia, em um trabalho que mostrou seu potencial para abrir horizontes para novos gêneros.

Buscando... parece um quebra-cabeça que vai se construindo aos poucos, até formar um quadro completo e inesperado. A maneira de contar a história por meio de telas de dispositivos pessoais torna o enredo mais intimista, o que faz o espectador se sentir parte da família Kim. E mesmo sendo um filme de ficção, ele poderia muito bem ser real.


Vale ressaltar que a Sony Pictures fez um trabalho imenso ao traduzir TUDO o que aparece em tela para o português, não apenas as legendas. Em poucos países a distribuidora trabalhou dessa maneira, então podemos nos considerar sortudos. Quem sabe inglês não ficaria tão perdido se não estivesse na nossa língua, mas como muitas vezes as imagens passam rápido, apenas alguém fluente no idioma pegaria tudo – e olha lá. Então o estúdio optou por nos dar uma experiência mais incrível para o filme, e posso dizer que valeu muito a pena.

Recomendo muito.

Teca Machado

Nenhum comentário:

Postar um comentário