quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Good Girls - Crítica


Good Girls é aquela série que entrou de fininho na Netflix, mas que deveria ganhar a sua atenção. Algumas pessoas estão chamando de Breaking Bad às avessas, outras dizem que é uma mistura de Desperate Housewives com Oito Mulheres e Um Segredo e até mesmo há quem fale que é uma nova versão de Thelma & Louise. Só sei que é divertida, com protagonistas fortes e prende a atenção com um roteiro inteligente.


Em Good Girls três amigas estão passando por dificuldades financeiras, além de problemas nas vidas pessoais. Meio que na brincadeira uma delas fala que poderiam assaltar um supermercado, afinal, seria fácil, mas acabam colocando o plano em prática. Elas precisavam de U$ 30 mil para resolver os problemas, só que a quantia arrecadada é de meio milhão de dólares, que veio de um sistema corrupto do qual a empresa participava. Agora elas estão envolvidas com o esquema e precisam se aprofundar no mundo de crime, mesmo contra a vontade. Ou não.

Lançada pela NBC e comprada e distribuída pela Netflix, pelo trailer Good Girls pode parecer uma série leve, superficial para você ver rapidinho e se divertir. Sim, ela diverte, mas é muito mais do que aparenta à primeira vista. Temas mais sérios são discutidos, mesmo que de forma sutil às vezes, como quando ao fingirem ser ajudantes de uma senhorinha as duas garotas brancas ficam sentadas enquanto a negra trabalha e aponta esse fato, a doença da filha de uma das mulheres, assim como o tratamento público de saúde, infidelidade, luta por custódia,  bullying, assédio sexual – e um quase estupro e não se identificar com o próprio gênero. E tudo isso apenas nos primeiros episódios. E não podemos não falar do girl power que a série mostra, em que três mulheres tomam as rédeas da situação e transformam o limão que a vida deu numa belíssima caipirinha (ainda que uma caipirinha ilegal, mas, enfim).



Além de um ótimo roteiro de Jenna Bans, que também é a criadora da série, Good Girls tem um elenco que nos envolve na história. Christina Hendricks (Mad Men) é Beth, mãe de quatro, dona de casa e se desespera ao saber que o marido tem um caso e não vem pagando as contas da casa. Mae Whitman (The Duff) é Annie, irmã mais nova de Beth, trabalha no supermercado e pode perder a custódia da filha para o ex-marido rico e bem sucedido. Retta (Parks and Recreation) é Ruby, garçonete que luta todos os dias para que sua filha consiga ter um tratamento bom para uma doença muito séria de pulmão. É muito difícil falar mal do trabalho das atrizes, porque elas estão muito bem na série, e tem uma química muito bacana. As personagens não têm nada de parecidas, são opostos, mas funcionam muito bem juntas nesse trio desajustado.

As três são extremamente carismáticas, tanto que nos pegamos torcendo por elas, mesmo quando elas tomam gosto pelos assaltos e talvez não sejam mais tão good girls. As motivações iniciais são válidas, por isso não torcemos o nariz para o assalto (La Casa de Papel feelings). Há uma linha bem tênue e muito borrada entre ser mocinha e ser vilã e acaba que as três protagonistas não são nem uma coisa, nem outra. Elas são apenas mulheres tentando resolver os problemas nos quais se encontram.



Good Girls pode ser descrita como uma comédia dramática. Algumas situações beiram o nonsense (tipo o primeiro assalto delas e o fato de manterem um refém na casa da árvore dos filhos de Beth) e arrancam algumas risadas. Mas há também momentos mais tristes, mais tensos, que dão aquele nozinho na garganta da gente.

A série tem um ritmo bom, sem cair num ritmo mais lento e sem encher de ação demais. Há plot twists aqui e ali, o que nos deixa sempre interessado. O final da temporada deixa pontas soltas, mas isso é extremamente normal para séries, principalmente para uma que já está confirmada uma segunda temporada, ainda sem data. São 10 episódios de 40 minutos para serem assistidos rapidinho.

Recomendo.

Teca Machado


7 comentários:

  1. Oi, Teca!
    Eu só assisti o primeiro ep mas já estou me organizando para maratonar tudo!
    Beijos
    Balaio de Babados

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  2. Olá, ainda não vi essa serie,.
    Adorei a resenha, ja quero ver!
    Bjs

    http://www.modaimagem.com.br

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  3. Oi Teca!
    Eis uma série que pelo título e pelo postar eu jamais assistiria. Mas aí fiquei curiosa quando vi o comentário do primeiro parágrafo mencionando Breaking Bad, Desperate Housewives, Oito Mulheres e Um Segredo e Thelma & Louise e pensei: "Como é que isso se conecta?!". Aí li o post e fiquei curiosa. Não digo que seja uma prioridade, mas sou capaz de dar uma chance.
    Beijos,
    Alem da Contracapa

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  4. Oi Teca, tudo bem?
    Adoreeei essa resenha! Já tinha visto o trailer, mas gostei mais de saber sobre a série lendo seu texto.
    Eu gosto muito de comédias, e essas que trabalham temas relevantes me conquistam. Assim que puder, vou dar uma chance ao primeiro episódio pra ver se me conquista. ;)
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  5. Oi, Teca!

    Apesar de a série não fazer o meu gênero e a moça da direita parecer ser irmã gêmea da Madonna, sua resenha me despertou a curiosidade com a história. Qualquer hora dessas dou uma chance!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com/

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  6. Oi, Teca
    Eu acho tão estranha a Mae fazendo papel de adulta, acho que não consigo desassociar a imagem dela de adolescente. Eu vi algumas indicações e amei o tipo de enredo, pode ser algo que eu assista qualquer dia.
    Beijo
    http://www.suddenlythings.com

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  7. Oi Teca, bom saber dos dramas "extras" de Good Girls, sinceramente eu não me empolguei somente com o lance do assalto, me interesso muito mais por series que tragam reflexões importantes como o racismo, gênero, desigualdades e etc. Adorei saber um pouquinho mais sobre a série, muito obrigada.

    Abraços,

    Jess
    www.revelandosentimentos.com.br

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