segunda-feira, 26 de junho de 2017

Desventuras em Série – Tragédia em noir


Pobres Baudelaires!

Se têm crianças que sofrem na literatura – e na televisão – são essas. O trio formado por Violet, Klaus e Sunny, dos livros Desventuras Em Série, de Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), ganhou há alguns meses uma produção original Netflix. E por mais que tenha assistido na época que lançou, acabei esquecendo de fazer a crítica por aqui. #ShameOnMe


Depois de perder os pais num incêndio, a inventiva Violet (Malina Weissman), o inteligente Klaus (Louis Hynes) e a mastigadora Sunny (Presley Smith) ficam órfãos. À procura de um tutor, são encaminhados para o parente mais próximo – no caso próximo mesmo, que mora a apenas alguns quilômetros da antiga casa – o Conde Olaf (Neil Patrick Harris). O problema é que o Conde é malvado, charlatão e quer de qualquer modo roubar a herança deixada aos Baudelaires. Segredos, mistérios e uma organização secreta permeiam a história dos irmãos e de Olaf.

Com oito episódios com 50 minutos cada, a primeira temporada da série abrange quatro dos 13 livros e parte nossos corações diversas vezes. O próprio narrador, Lemony Snicket, nos alerta a todo tempo que essa é uma história triste, que se você tem escolha e juízo não deveria assistir. O nome Desventuras Em Série faz muito jus ao enredo, porque os pobres Baudelaires passam por inúmeras situações tristes. Eu mesma quase chorei várias vezes, principalmente no fim da temporada quando tomamos um baque muitíssimo grande. Mas, ao mesmo tempo, em alguns momentos eu sorri e me peguei dando umas risadas dos absurdos que faz o Conde Olaf.




E é engraçado, porque apesar de ter uma pegada infantil, os diálogos são muitas vezes irônicos, sombrios e obscuros, com muita tristeza, ainda que engraçados, principalmente quando Neil Patrick Harris está em cena. A série – e os livros – são cheios de referências inteligentes, anagramas e pequenas pistas de enredo dificílimas de desvendar. Então, Desventuras Em Série é e não é para crianças.

A fotografia é bem diferente, com uma pegada fantasiosa e cenográfica muito sombria. A referência é bem noir. As cores predominantes são sempre escuras e mesmo os dias mais ensolarados não tem brilho ou céu azul. As roupas dos irmãos até possuem cores mais alegres, mas é só isso. As crianças são tristes, assim como seus semblantes.



O trio de jovens atores trabalha muito bem, principalmente Malina Weissman e Louis Hynes, já que Presley Smith é apenas um bebê e que passa por muitos efeitos especiais. Malina e Louis dão o tom certo: triste e melancólico, mas determinado, inteligente e que tenta sempre não se deixar abalar. Neil Patrick Harris é sempre teatral e incrível, ainda que por vários momentos eu tenha achado um pouquinho forçado... Tudo bem que é o que o papel pedia, mas às vezes eu só queria dar um soco na cara dele, haha. Nesse caso, acho que prefiro o Conde Olaf de Jim Carrey, da adaptação cinematográfica de 2004. 

Temos ainda como personagens recorrentes a Mãe e o Pai, Will Arnett e Colbie Smulders, que apesar de ter uma história paralela a cada fim de episódio são super importantes. Lemony Snicket, como narrador, aparece constantemente e é interpretado muito bem por Patrick Warburton.



A Netflix e o próprio Daniel Handler, que além de autor dos livros é o roteirista da série, confirmou a segunda temporada, que deve ir ao ar em janeiro do ano que vem.

Recomendo.



Teca Machado

12 comentários:

  1. Oi, Teca!!

    Eu já li essa série até o 5º livro, depois parei e não consegui voltar a pegar para ler. E, sendo sincera, por mais que queira ver essa série, tem tantas outras na frente que não faço ideia de como me organizar para assistir tudo!! Hahahahaha

    Mas acho que talvez gostaria de terminar a série de livros para checar a série da Netflix. Vamos ver o que dará tempo de fazer primeiro... Hahahaha

    Bjs!!

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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    1. Carol, acho que você precisa de um ano de férias só para ver e ler tudo o que você quer, hahaha.

      Beijooos

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  2. Olá Teca,
    Confesso que não é muito minha praia esse tema. Fica a dica pra quem curte.
    Big Beijos,
    Lulu
    BLOG | YOU TUBE

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    1. Oi, Lulu!
      E esse tema é bem específico, né?

      Beijooos

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  3. Confesso que esse não é meu gênero favorito, mais amei seu post! ❤

    www.kailagarcia.com

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    1. Não é o meu também, mas adorei a série!

      Beijooos

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  4. Oi, Teca

    Meu recebi o box da editora e como não é a minha praia quem está lendo e resenhando é o meu sobrinho. Ele está no livro 8 e falou que está muito igual ! Hahahaha
    Sobre a série, assisti apenas aos dois primeiros episódios e, ao contrário de você, curti mais o Olaf do Neal... detesto o Jim.
    Espero que a segunda temporada fiquei boa!


    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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    1. Oi, Tami!
      Seu sobrinho está lendo?
      Que fofo!
      Hahahaha
      Mas parece meio tudo igual sempre.
      Não gosta do Jim? Eu adoro!

      Beijooos

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  5. Oi, Teca!
    Eu comecei a ver a série, mas parei no ep dois... Eu tenho raiva do Olaf e mais raiva ainda da galera que nunca sabe que é ele e isso atrapalha eu curtir a série. Não sou normal, eu sei
    Beijos
    Balaio de Babados
    Sorteio Três Anos do blog A Colecionadora de Histórias

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    1. Oi, Lu!
      Hahahaha
      Te entendo!
      Que bando de adulto burro, né?
      Isso me irritava também.
      :P

      Beijoooos

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  6. Oi Teca, sua linda, tudo bem?
    Eu li que a série agradou muito mais do que o filme. Acho essa história super criativa, ter um narrador que tenta nos convencer a não ver, foi uma sacada genial, quem depois desse aviso não fica curioso? Já vi que irei me emocionar com eles. Não vejo a hora de ver. Sua crítica ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Cila!
      Então, eu nem lembro do filme, sendo bem sincera, hahaha.
      Que bom que gostou da crítica.
      Fico feliz!

      Beijooos

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