After Life - Crítica


Como superar o luto? Como seguir em frente quando você perde o amor da sua vida? Cada pessoa lida com a situação de uma maneira. Tony (Ricky Gervais), escolheu o amargor, a raiva, o ódio desenfreado contra o mundo. 


After Life, série da Netflix roteirizada pelo próprio Gervais, ganhou recentemente sua terceira – e provavelmente última - temporada e fala sobre morte, vida, luto, alegria, tristeza, raiva, filosofia e mais. É possível caracterizá-la como uma dramédia. Bom, mais drama do que comédia, mas é, fundamentalmente, uma comédia, afinal, é do Ricky Gervais e seu humor peculiar de que estamos falando.



After Life


Quase nada traz felicidade para Tony (Gervais) desde que Lisa (Kerry Godliman) se foi. Ela era a luz da sua vida: feliz, engraçada, divertida, era quem trazia o sorriso ao seu rosto – e de todos ao seu redor. Mas quando ela morreu essa luz de apagou. Apagou tanto que suicídio é algo que ronda seus pensamentos dia e noite. E se ele não se importa nem consigo mesmo, por que deveria se incomodar com o que os outros pensam a seu respeito? Então começa a falar tudo o que pensa e fazer tudo o que tem vontade, doa a quem doer. Critica a tudo, a todos, não tem medo de ameaçar bandidos e até mesmo crianças. Essa sinceridade sem limites, a falta de tato social, é equilibrada pelos seus amigos e colegas, que tentam a todo instante transformá-lo numa pessoa melhor, mesmo contra sua vontade.


Festival de grosserias – na dose certa


Quando Tony está em cena, é um festival de grosserias, em alguns momentos altamente incômodo, mas o roteiro coloca na dose certa, já que ele é apoiado por personagens coadjuvantes que são o seu oposto. Em alguns momentos o protagonista até coloca o seu cinismo de lado e assume que algumas pessoas são simplesmente boas.




Ele poderia simplesmente ser um personagem detestável (acredite em mim, ele tenta com unhas e dentes!), mas o espectador consegue se conectar com ele e até mesmo ter empatia pela sua dor. No fim das contas, ele não é de todo ruim. Assim como nenhum personagem da série. E não há ninguém de todo bom. Há um equilíbrio muito bem construído no roteiro, que fica melhor ainda quando se vê o elenco escolhido.


Gervais


Nunca fui muito fã do Ricky Gervais. Seu humor inglês e seco não é dos meus preferidos. Nunca vi muita graça nele. Mas gosto do comediante em After Life. Tony combinou com ele, já que parece muito confortável no papel.


E descobri que o ator é filósofo de formação, ateu convicto e assumidamente progressista, por isso senti tanto que Tony parecia com ele, com todo esse cinismo incessante. Posso dizer que caiu como uma luva.



After Life é agridoce, quase lúdica, é intensa, é triste, é engraçada, é incômoda, é doce, é irritante, é pesada – mas também leve – e é interessante. A série conta com três temporadas, com 6 episódios de meia hora em cada. É rapidinha de assistir.


Recomendo muito.


Teca Machado


2 comentários:

  1. Não a conhecia. Obrigado pela resenha.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está em Hiatus de verão de 18 de janeiro à 04 de março, mas comentaremos nos blogs amigos nesse período!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Olá!
    Amei conhecer essa série, já que não é tão grande vou assistir.
    beijos.



    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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