terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Mindhunter - Livro


Vamos continuar falado sobre assassinos em série? Tema leva, né?

Ontem o post foi sobre a série Mindhunter, hoje vamos falar sobre o livro que inspirou a produção, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. A obra, escrita por John Douglas com coautoria de Mark Olshaker, conta toda a trajetória de Douglas, desde que começou a trabalhar até os seus dias de mega agente do FBI quase vidente.


Douglas foi um dos primeiros agentes a estudar os serial killers, muito mesmo antes de eles terem essa nomenclatura. Muito jovem, ele entrou no FBI e foi trilhando seu caminho na Ciência Comportamental, área que tinha pouquíssimo prestígio na instituição nessa época, nos idos dos anos 1970. Mas Douglas sempre se interessou pelos aspectos psicológicos das pessoas, principalmente no seu trabalho. E, então, junto com uma equipe que foi montando ao longo dos anos, revolucionou o mundo da psicologia criminal.

Mindhunter é um livro quase biográfico, pois temos acesso a toda vida de John Douglas ao mesmo tempo que eles nos revela segredos do seu trabalho com as mentes assassinas e do próprio FBI. É basicamente uma incursão à sua mente, que podemos dizer que é extraordinária. A vida dos protagonistas da série é bem diferente da de Douglas, ainda que em alguns aspectos é possível enxergar o homem por trás do original.

Mark Olshaker e John Douglas
Os primeiros capítulos são um pouco mais lentos para aqueles que querem logo imergir na mente dos serial killers, que é o que o livro promete. Porque antes de John Douglas nos contar como resolveu os casos é preciso conhecer a sua trajetória, entender como ele chegou lá para poder respeitar seus conselhos e suas intuições, saber que ele realmente tem uma bagagem de conhecimento. E deixa eu falar uma coisa para vocês: Sempre que ele se propôs a criar o perfil de um suspeito, ele acertou quase tudo – senão tudo.

John Douglas e Mark Olshaker não nos poupam de detalhes, mas também não são sensacionalistas em relação a isso. Descrevem os casos – as vítimas, as cenas do crime - como eles são, assim como os assassinos. Talvez os mais sensíveis não consigam seguir em frente (eu não sou e mesmo assim demorei muito para ler porque em alguns dias eu simplesmente não conseguia ler tantas páginas sobre estupros, abusos, assassinatos, tudo isso com os criminosos muito bem descritos). Há casos terríveis, como do padeiro do Alasca que sequestrava prostitutas, estuprava, as colocava no meio da mata e depois as caçava com um rifle, do homem que era fascinado por sapatos, matava mulheres e depois cortava seus pés com os saltos altos e os congelava, do assassino que matava prostitutas, fazia um rasgo em seu abdômen e depois ejaculava dentro, do que sequestrava e matava crianças negras em Atlanta e muito mais.

Os autores não demonizaram os criminosos, mas os descreveram pura e simplesmente (e se você quiser demonizar, aí é com você). Além disso, Douglas ensina que para resolver um caso é preciso pensar como o assassino, assim como pensar igual a vítima. E em nenhum dos casos é algo fácil de se fazer, porque há muita emoção envolvida. Várias vezes ele afirma que para entender o pintor é preciso estudar suas obras, e o mesmo acontece com o assassino: para entender quem é o autor do crime, é preciso estudar o que ele fez.


O livro realmente engata quando chegamos na parte das entrevistas com os criminosos e quando ele já tem um know-how tão grande que resolve casos mesmo a distância. Em alguns momentos chega a cansar, porque você fica cheio de tanta morte, violência, tortura e tudo o mais – e em 99% dos casos tudo isso é feito contra mulheres. Ele conta como faz para caçar serial killers, mas não ache que após terminar as quase 400 páginas você é um especialista em criar perfis de criminosos, assim como o livro não é um manual para bandidos descobrirem como cometer o crime perfeito.

Mindhunter é uma leitura interessante, fora da zona de conforto e que vai te abrir os olhos para os horrores do mundo. É instigante ver todo trabalho psicológico, acadêmico e empírico por trás da atuação de John Douglas e de todo FBI e descobrir que ainda há pessoas que querem fazer o bem no mundo. 

E a pergunta que fica é: Como alguém pode cometer tantas atrocidades? Dá medo.

Recomendo.

Teca Machado

6 comentários:

  1. Oi Teca. Eu me interessei muito pela série depois que vi um post, não sei se foi o seu, enfim, eu amo esse negócio de serial killers, acho que estudar a mente deles é algo fantástico e ao mesmo tempo esclarecedor. Eu adoraria ler o livro! Fico até empolgada só de pensar.
    Beijos
    http://suddenlythings.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Mika!
      É esclarecedor e amedrontador.
      Acho que foi aqui que você viu o post mesmo.
      :)

      Beijoooos

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  2. OI BISTEQUINHA

    não sei se isso vem por destruir a minha imagem de sã, mas eu adoro o tema :(
    não posso ver um livro sobre psicopatas ou essas coisas que já quero ler HAHAHA
    alias, esse livro tá na minha listinha faz tempo juunto com a série da netflix!

    beijo
    www.beinghellz.com.br

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    1. Se acabou com a sua imagem, acabou com a minha também, hahahaha.
      Mas eu também gosto do tema.
      :P

      Beijooos

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  3. ah legal demais! como falei no post anterior eu adorei a serie da netflix, e com certeza queria ler o livro tbm!

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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