quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O Conde Enfeitiçado – Os Bridgertons


Eu esperei ansiosamente pelo volume de Francesca da série Os Bridgertons, de Julia Quinn, publicado pela Editora Arqueiro. Muita gente me disse que o livro era o mais diferente da série - o que fez com que algumas pessoas não gostassem dele - e que seria o mais apaixonante de todos. E posso dizer que não estou decepcionada. O livro seis, O Conde Enfeitiçado, é de uma beleza, delicadeza e amor tão incrível que é impossível não se apaixonar pela história de Francesca, Michael e John.


Ao contrário de todos os livros de Os Bridgertons que vieram até agora, Francesca já começa viúva. Casar-se com John foi tão cheio de amor que a garota sabe que era o tipo de coisa que só acontece uma vez na vida. John viveu poucos anos ao seu lado e apesar de saber que sua existência agora será solitária, ela vive sabendo que não encontrará amor outra vez. Enquanto isso, Michael, primo de John, sofre calado desde a primeira vez que viu Francesca. Ele se apaixonou pela esposa do primo desde que colocou os olhos nela e mesmo com a morte dele, que além de tudo era seu melhor amigo, Michael sabe que nunca irá poder ficar com Francesca. Mas os anos passam e os caminhos dos dois se cruzam mais uma vez.

A mensagem principal de O Conde Enfeitiçado é que o amor é maior do que tudo e que ele é mutável e imprevisível, sempre pronto para recomeços. Não é porque amamos alguém que já se foi que não podemos amar uma nova pessoa. O livro lida com luto, com dor, com culpa que corrói, com amor não correspondido, com amizade e com relacionamentos familiares. Não apenas Francesca sofreu com a morte de John, mas também toda família dela e dele. E todos precisam aprender a viver sem ele.


Desde o comecinho eu sabia que iria me apaixonar por Michael (periguete literária feelings!). Sempre sedutor, devasso e alegre, tudo isso era uma encenação para que as pessoas – principalmente Francesca – não soubessem que ele sofria calado por um amor que nunca seria seu. Ele é um personagem incrível e complexo, com uma linha ética muito bem definida. Qualquer outra pessoa iria correr atrás do seu grande amor assim que ela ficasse viúva, mas ele tinha consciência que nunca poderia fazer isso com o primo falecido. Então Michael decidiu se afastar e viver esse tormento sozinho. E isso faz com que os leitores torçam loucamente por um final feliz para o rapaz, que teve uma evolução muito grande no livro.

Francesca é diferente das irmãs Bridgertons, ainda que de certas maneiras igualzinha a elas. Mais calada, centrada e independente, Francesca ama a família, mas prefere viver na Escócia, longe de todos, principalmente da temporada de Londres. Sua língua é afiada e o seu senso de humor muito divertido, ainda que guardado para apenas algumas pessoas.

Julia Quinn
Claro que temos participação de outros integrantes do clã Bridgerton. Colin foi uma ótima aparição, imprescindível para o caminhar da história, assim como Violet, a mãe. Temos um vislumbre maior da sua personalidade e de como foi a sensação de ficar viúva muito nova e com oito filhos nos braços. Outros irmãos também aparecem, como Hyacinth, impagável, como sempre, Eloise e as cunhadas. É sempre uma delícia quando eles surgem!

Julia Quinn nunca nos decepciona com uma boa história de amor e isso acontece com o envolvimento de Francesca e Michael. Foi doce, no momento certo e com eles tentando resolver várias questões importantes para que algo pudesse florescer de verdade. E essa delicadeza foi algo que entrou no meu coração. E sempre temos algumas cenas mais “calientes”, ainda que poucas, porque os livros da série não são centrados nisso. Mas em O Conde Enfeitiçado Julia Quinn criou uma tensão sexual que, ai, minha nossa, até eu senti! Hahaha.

O Conde Enfeitiçado é divertido, ainda que em alguns momentos fiquei com vontade de chorar, doce e muito, muito fácil de ler. 

A série Os Bridgertons é composta por 9 livros – 8 sobre os irmãos e um com epílogos – e apesar de poderem ser lidos separadamente é muito mais interessante ler na ordem.


Recomendo muito.

Teca Machado

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