quarta-feira, 25 de março de 2020

A Luz Entre Oceanos - Crítica


Certa vez meus pais assistiram por acaso um filme e passaram anos me dizendo que era minha cara e que eu deveria assistir também. Finalmente vi e eles tinham razão: adorei. Eles estavam falando de A Luz Entre Oceanos, do diretor Derek Cianfrance, com Michael Fassbender e Alicia Vikander nos papeis principais. A produção é baseada no livro de mesmo nome de L. Stedman, publicado no Brasil pela Editora Rocco.


Em 1919, depois de participar da I Guerra Mundial, ver tanta morte e destruição, Tom (Fassbender) precisa recuperar sua alma, sua sanidade e seus traumas. Desse modo, aceita o solitário emprego de faroleiro na pequena e extremamente remota ilha de Janus, na Austrália. Para alguns pode parecer um tédio, mas para Tom é extremamente terapêutico. Faz trabalho manuais, cuida da ilha, do farol, da casa e tudo. Então numa visita ao continente se apaixona por Isabel (Vikander), com quem se casa. Tudo é lindo, idílico, apaixonado e os dois vivem num mundo só deles. Isabel engravida, mas perde o bebê. E isso acontece mais de uma vez. Até que o acaso intervém. Um barco com um homem morto e um bebê aos berros aporta na ilha e o casal adota a criança, como se fosse deles. Anos depois descobrem quem é a mãe da criança e começa o dilema moral de manter segredo sobre a identidade da filha ou acabar com o sofrimento da mãe que acredita que a menina morreu.

O grande conflito do filme é a culpa que Tom sente em relação a ter pegado a criança a pedido da esposa. Ao descobrir que Lucy é na verdade filha de Hannah (Rachel Weisz), não há mais sossego e felicidade em seu coração. Ele ama tanto a menina e só consegue imaginar o sofrimento pelo qual Hannah passa. Mas igual sofrimento pode acometer sua esposa, que corre o risco de perder a filha que tanto quis.



É uma questão que o espectador se solidariza com ambos os lados. Tom e Isabel apenas acolheram uma órfã, ainda que deveriam tem informado às autoridades. Ao mesmo tempo, Hannah perdeu o marido e a filha, tudo numa tragédia só. 

Não podemos negar que A Luz Entre Oceanos é delicado, com uma temática frágil, mas é um drama que mexe com a gente. Não chega a ser uma novela mexicana graças ao roteiro muito bem escrito pelo próprio diretor, que foi quem adaptou do livro, e ao trio de atores que conduz muitíssimo bem a história.



Michael Fassbender a todo o momento traz o olhar de um homem quebrado e traumatizado, que se ilumina a partir do momento que sua filha chega. E essa tortura interior volta quando descobre que sua filha tem uma mãe biológica. Alicia Vikander mostra uma fragilidade incrível, quase palpável. Sua Isabel tem uma enorme profundidade. O mesmo podemos dizer de Rachel Weizs, que sempre entrega o melhor de si. Mesmo aparecendo apenas no terço final do filme, seu trabalho é irretocável.

Com uma fotografia muito bonita, A Luz Entre Oceanos é sobre perdão, sobre o que somos capazes de fazer por amor, sobre perda, sobre luto e sobre a moralidade. É difícil não deixar cair umas lágrimas à medida que o filme se encaminha para o final.


E só uma curiosidade: Fassbender já havia sido escalado como Tom. Alicia Vikander admirava o trabalho do ator e se ofereceu ao papel de Isabel. Conseguiu. E poucos meses após o início da produção eles anunciaram que estavam juntos. O casal está casado desde então. 


Recomendo.

Teca Machado


3 comentários:

  1. Oi
    esse parece ser um filme emocionante, fiquei com dó das duas famílias, pois é uma questão delicada contar a verdade e ficar sem a filha, ou esconder porém deixar uma mãe sofrendo. Eu vi o trailer do filme e fiquei interessada.


    http://momentocrivelli.blogspot.com/

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  2. Oi, Teca como vai? Este filme me parece ter uma estória emocionante. Eu assisti ao trailer e me agradou. Ao ler sua resenha constatei que o filme me agradará. Abraço!


    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Uau, não conhecia esse filme, mas a história me chamou muita atenção, deve ser bem emocionante! ❤

    https://www.kailagarcia.com

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