quinta-feira, 21 de maio de 2020

Hollywood - Crítica


Hollywood. 

Muitos querem chegar lá, mas poucos são os escolhidos.

É lindo, glamouroso, rico e estupendo, mas sabemos que Hollywood tem seu lado feio. Na verdade, seu lado horrível. Seu lado machista, racista, homofóbico, cruel, cheio de drogas, brigas e álcool, que segue padrões inalcançáveis e destrói pessoas e reputações.

E, apesar de um viés mais otimista, a série Hollywood, da Netflix, criada por Ryan Murphy e disponível no catálogo há algumas semanas, mostra essa faceta do mundo dos filmes.


Hollywood acompanha alguns personagens que lutam pelo estrelato na época de ouro do cinema, lá pelos idos dos anos 1940 e 1950, seja ele a frente ou atrás das câmeras. Um dos pontos mais interessantes é a mistura de figuras reais, como Rock Hudson, Henry Willson e Vivien Leigh, e personagens fictícios, muitas vezes baseados em uma mistura de pessoas que realmente existiram, como é o caso de Jack Costello, vivido por David Corenswet e livremente baseado em Marlon Brando, Montgomery Clift e James Dean, e Ernie West, inspirado em Scott Bowers, um ex-fuzileiro naval que tinha um posto de gasolina de fachada para prostituição, interpretado por Dylan McDermott.

Jack, que deseja ser ator, e Archie (Jeremy Pope), cujo sonho é ser roteirista, se conhecem num posto de gasolina que é fachada para ponto de prostituição masculino. Até que o filme escrito por Archie começa a ser produzido e a vida dos dois rapazes, assim como o de outras pessoas, ganha uma reviravolta. Em plena época de atuação do Ku Klux Klan nos EUA e quando homossexualidade era crime, a produção é polêmica e conta com roteirista negro e gay, diretor mestiço, protagonista negra e muitos outros aspectos que chocam a sociedade.




Todo mundo que assistiu Glee reconhece esses nomes: Ryan Murphy e Ian Brennan, assim como Brad Falchuk. O trio (ou pelo menos parte dele de forma alternada) foi responsável pela série adolescente musical, por Scream Queens, por The Politician, da Netflix, e pela mais adulta American Horror Story. E agora é a vez de Murphy e Brennan se jogarem no glamouroso, ainda que sombrio, mundo de Hollywood no pós-guerra. E como já conhecemos os roteiristas e produtores, podem esperar figurinos lindíssimos, design de produção extremamente bem feito, uma história interessante e bastante cenas com nudez – principalmente masculina – e homoafetividade.

O elenco é muito coeso e trabalha bem. Acho que podemos falar que o protagonista é David Corenswet. Ele fez uma ponta em The Politician e Murphy logo o escolheu para virar astro em Hollywood, onde interpreta muito bem seu papel de jovem ingênuo que deseja a todo custo o estrelado, inclusive se prostitui enquanto isso não acontece. A equipe jovem e ainda pouco conhecida tem muita química, como Darren Criss (famoso por Glee), Laura Harrier, Jeremy Pope, Jack Picking (numa versão bem livre do galã real Rock Hudson) e Samara Weaving. Mas podemos dizer que os atores mais maduros brilham tanto – ou mesmo mais – que os jovens. Jim Parsons, nosso eterno Sheldon, é o detestável agente que existiu e aterrorizou muitos atores. Holland Taylor, Joe Mantello, Dylan McDermmott e Patti Lupone são fantásticos e com excelentes arcos dramáticos.




Hollywood tem um quê meio Tarantino e da série The Man In The High Castle no sentido de reescrever o passado. Como mistura ficção realidade, Murphy altera o desfecho de vários fatos reais. E isso é o tipo de roteiro que alguns amam e outros odeiam. Eu, no caso, gostei muito, ainda que tenha achado o final tão feliz e otimista que chega a ser ingênuo. Mas acredito que essa tenha sido a intenção do roteirista desse o começo: criar um mundo onde o racismo, a homofobia e a maldade são esmagados no fim. Produções do Murphy sempre tem esse olhar mais bondoso para o mundo, procurando um final feliz – ou pelo menos o mais feliz possível.

Rapidinha de assistir, são apenas 7 episódios com cerca de 50 minutos cada. Hollywood é considerada uma minissérie, então não esperem mais temporadas. E nem mesmo acho que precise, já que os arcos foram fechados. 



Recomendo.

Teca Machado

3 comentários:

  1. Oi, Teca tudo bem? Me parece uma minisérie muito boa de ser assistida. O elenco está incrível. Gostei da dica. Ótima resenha. Abraço!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  2. Eu escutei falar dessa série e até fiquei animada para assistir.
    Tipo ver o nosso eterno Sheldon e tal. Mas mesmo com um final feliz (na medida do possível), não sei se assistiria agora. Tô tentando ver algumas coisas mais leves! Ainda mais depois de terminar La Casa de Papel, que me irritou um pouco. Já assistiu essa última temporada?

    Beijos amiga!!
    Carol
    www.pequenajornalista.com

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