segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Missão no Mar Vermelho - Crítica


Chris Evans pode eternamente ser nosso Capitão América, mas ele se recusa a ser reconhecido apenas como o herói da Marvel. Há anos ele trabalha em todo tipo de produção - inclusive é roteirista, diretor e produtor - e mostra todas as suas facetas. Apesar de que em Missão no Mar Vermelho, do diretor Gideon Raff, ele seja uma espécie de herói, aqui o tom é muito mais realista. 


O filme original Netflix que entrou no catálogo no dia 31 de julho, passa no final dos anos 1970, início dos anos 1980, e conta a história real de um grupo altamente qualificado do Mossad - serviço secreto israelense - que gerenciava de fachada um hotel no Sudão, mas que na verdade transportava por água refugiados judeus etíopes para Jerusalém. Na época, o país vivia uma guerra civil na qual nem mesmo crianças eram poupadas de violência e assassinato, como é mostrado na primeira sequência da produção.

O diretor soube criar momentos de tensão. Em várias cenas me peguei prendendo a respiração ou quase levantando do sofá. Com um tema tão delicado quando perseguição religiosa e refugiados, tudo o que o espectador quer é que dê tudo certo.



De certa forma, Missão no Mar Vermelho não foge muito dos filmes do tipo, já que temos aqui um plano mirabolante, com personagens corajosos (e sem juízo algum!) e resgates. Mas o roteiro foi bem estruturado, de forma que nos envolve e nem ao menos vemos o tempo passar.

O elenco é bem afiado e o grupo principal de agentes, chefiado por Evans, conta com Haley Bennett, Alessandro Nivola, Alex Hassel e Michiel Huisman. Há o sempre ótimo Ben Kingsley, ainda que num papel relativamente pequeno, e Greg Kinnear. E não posso deixar de citar Thabo Bobape, como um capitão sudanês responsável pelos momentos mais intensos do filme (a cena do jantar!) e Michael Kenneth Williams, na pele de Kabede, incumbido pelo transporte dos refugiados da Etiópia até Jerusalém.



Mas um problema em relação aos personagens é a falta de desenvolvimento pessoal. No caso de Evans, que vive Ari/Guy, há um “ensaio” de falar sobre sua vida além da missão e sobre como ele chegou até lá, mas não é o suficiente para mostrar toda a complexidade do protagonista. Sobre o resto do esquadrão do hotel pouco se sabe, assim como de Kabede, que merecia mais destaque.

Extremamente bem feito e cativante, uma crítica em relação ao filme é o fato de que ele foca apenas na operação, enquanto o tema da perseguição política e religiosa aos judeus é um pano de fundo. Com mais fatos sobre o assunto, quem assiste e nem ao menos conhece o que acontece na região poderia ter uma dimensão mais apurada do terrores que aconteciam - e ainda acontecem - na Etiópia e no Sudão. Mas o filme já tem pouco mais de duas horas e isso talvez o deixasse ainda mais longo.

O legal é que ao final temos cenas reais dos resgates e da equipe de agentes do Mossad, o que torna tudo ainda mais incrível.


Missão no Mar Vermelho é um filme muito bom e que fala de uma história heróica e interessante que pouca gente conhece. Vale a pena. 

Recomendo.

Teca Machado

4 comentários:

  1. assisti esses dias sem nenhum tipo de indicação e gostei bastante; sempre bom estarmos conscientes de horrores da guerra que aconteciam e continuam acontecendo no mundo td

    www.tofucolorido.com.br
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  2. Oi, Teca como vai? Eu estou querendo assistir esse longa metragem, após ler sua análise sobre o filme tive certeza de que preciso assistí-lo. Abraços!

    https://lucianootacianopensamentosolto.blogspot.com/

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  3. Oiii Teca

    Eu acho bem legal usarem cenas reais do Mossad e a premissa do filme no geral é genial, mas queria mais sobre os próprios judeus e a perseguicão religiosa que eles vem sofrendo no Sudão e em outros países (no Oriente Médio como na Síria, Líbano e Iraque eles praticamente não existem mais e há séculos foram comunidades grandes e prósperas). Sinto que se o filme tivesse explorado mais a parte politica e religiosa talvez se tornasse mais completo, mas parece que o foco ficou só pro resgate e os com certeza efeitos usados. Legal ver o Evans sendo muito mais que o Capitão América, mostrando que é ator de mais de um personagem e se dedicando em mostrar várias facetas.

    Beijos, Ivy

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  4. Não conhecia mas, gostei dos atores que participam do filme e vou tentar assistir hoje ainda para não esquecer. Obrigada pela dica de filme.
    Beijocas.

    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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