sexta-feira, 14 de junho de 2019

Chernobyl - Crítica


A HBO é hoje muito mais conhecida como uma produtora de séries do que como um canal que passa filmes. É até difícil achar uma pessoa que assine a HBO para ver longas. O que todos querem mesmo é ver suas produções originais. Há anos tem todo o alvoroço com Game of Thrones, que foi crucial para levantar o canal, e foi seguido por Westworld, Big Little Lies e, agora Chernobyl, além de várias outras com menor expressão, mas tão boas quanto.


Chenobyl, criada por Craig Mazin (surpreendentemente roteirista de Se Beber Não Case) e dirigida por Johan Renck, é um retrato sobre o maior acidente nuclear da humanidade. Na madrugada de 25 para 26 de abril de 1986, o reator nuclear número 4 da usina explodiu e espalhou material radioativo pela região, alcançando vários países da Europa. Apenas duas pessoas morreram na hora da explosão, mas nos dias seguintes 31 trabalhadores das equipes de emergência perderam a vida. O impacto da radiação só seria visto muito depois. A Rússia não apresenta dados sobre o assunto, mas um relatório publicado pela ONU estima em cerca de 4 mil vítimas, enquanto o Greenpeace situa o número em 100 mil.

A minissérie tem muitos acertos, mas um dos maiores pontos positivos foi a quantidade de informações sobre o desastre, já que a Rússia nunca foi muito aberta em relação a isso. Temos um relato cru, muito real – ainda que com algumas alterações sobre a realidade – e que em momento nenhum perde o ritmo. 



O roteiro é muito amarrado e coeso. Temos informações sobre o antes, o durante e o depois, tudo respaldado por muita pesquisa. Apesar de ser uma produção dos EUA sobre a Rússia – USRR na época -, não há a caça por vilões e o heroísmo americano tão comum. Claro, procura-se os culpados pelo desastre, mas o foco está muito mais naqueles que tentaram reverter a situação, nas pessoas que trabalharam e em muitos casos literalmente deram as suas vidas para diminuir o impacto da radiação.

O trio principal faz muito pela série. Valery Legasov, um cientista convocado a ajudar quando a explosão acontece é vivido por Jared Harris. Stellan Skarsgard interpreta Boris Scherbina, vice-primeiro-ministro responsável por conter a crise. E Emily Watson vive Ulana Khomyuk, única entre os três que não existiu na vida real, mas representa as dezenas de cientistas que trabalharam junto a Legasov e Scherbina. Ela é a voz da razão, teimosia e desafio e vai contra as ordens do governo, que tenta esconder o impacto. Os três atores têm uma interação e química excelente, naquele tipo de trabalho que não podemos colocar defeito. E há ainda os dramas pessoais, exemplificados principalmente por Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buclkey).



Há todo um cuidado da produção com fotografia e ambientação. Não há os russos estereotipados que estamos acostumados, mas sim pessoas comuns que tentam fazer o melhor que podem num desastre ambiental e humano de proporções inimagináveis. O figurino, o cenário e mesmo as cores levemente esmaecidas que lembram os anos 1980 são impecáveis.

Apesar tantos de elogios, não pense que Chernobyl é uma série fácil de ser assistida. O tema é pesado, as atitudes dos personagens muitas vezes são indigestas (não consegui ver a cena do controle de animais) e não há flores, sorrisos ou finais felizes. Mas vale a pena, principalmente o último episódio, que fecha com chave de ouro.



Com apenas 5 episódios de uma hora de duração, Chernobyl te prende do começo ao fim. E apesar de ter como tema um acidente de 33 anos atrás, é extremamente atual. A USRR tenta esconder o máximo que pode e diminuir o efeito do desastre. As notícias falsas, o acobertamento de informações, tudo isso a série mostra como o custo da mentira e o ego pode alcançar patamares catastróficos.

Chernobyl está com a maior nota já vista no IMDb e não é para menos.

Recomendo muito.

Teca Machado


5 comentários:

  1. Oi Teca!
    As séries da HBO são realmente de bastante qualidade!
    Eu ainda não assisti Chernobyl, mas já quero! Apesar da temática pesada, vai ser bom ter mais informações sobre!
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com
    ps: tem sorteio rolando no blog ;)

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  2. Oi Teca,
    Sei que vou sofrer e não vai ser fácil, mas quero conferir essa série sim.
    Ainda mais que agora já acabou, então dá para ver com mais calma, sem tanta pressão.
    Apesar que os comentários estão em alta, aí a curiosidade aperta mais.
    beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com/

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  3. Bom dia :)
    Tudo bem?
    eu já vi 3 episódios e gostei bastante! É bem duro e realista até.
    Super recomendo também :)

    Beijos e tenha uma excelente semana
    www.rimasdopreto.com

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  4. Oi, Teca!
    Eu estava esperando sair tudo para maratonar, mas coincidiu de ter terminado e eu estar viajando de férias. Mas quando eu voltar, vai ser a primeira coisa que irei conferir.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  5. Essas histórias são bem realistas, né? Ficamos impactados. Quero muito assistir essa série!

    https://www.kailagarcia.com

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