quarta-feira, 12 de junho de 2019

Rocketman - Crítica


Apesar de não ter sido um cantor muito presente na minha vida, como a banda Queen, Elton John sempre esteve rodeando minha formação musical. Algumas músicas dele estão entre as minhas preferidas, mas nunca acompanhei tão de perto. Mas agora que assisti Rocketman, do diretor Dexter Fletcher, quero mais de Elton John (tanto que a playlist do filme e os álbuns dele agora não saem do meu Spotify).


Rocketman é uma cinebiografia do cantor. Mas mais do que apenas mostrar os fatos da atribulada vida daquele que antes da fama se chamava Reginald Dwight, o filme é uma fantasia musical. O diretor, também responsável por nos trazer Bohemian Rhapsody, conta a história de forma cronológica, mas não tanto, e com elementos que flertam com o nonsense, mas que casam perfeitamente com a personalidade e trajetória de Elton John.

O filme tem início com o cantor (Taron Egerton) vestido de forma extremamente espalhafatosa chegando numa reunião com um grupo de reabilitação. Então ele começa a contar quais são seus problemas (álcool, drogas, compras, bulimia, raiva) e como chegou até lá. Então conhecemos sua infância, com o pai (Steven Mackintosh) que não demonstra emoções, a mãe (Bryce Dallas Howard) desmotivadora e a avó (Gemma Jones), única que acredita no seu incrível potencial. Em seguida passamos para a juventude, quando se insere realmente na cena musical dos anos 1960 e ao mesmo tempo que se torna uma estrela e vive extremos problemas de relacionamentos e abuso de substâncias.




Taron Egerton está impressionante (já estão falando de uma possível indicação ao Oscar). Ele vive realmente Elton John. Não é uma versão literal, mas uma leitura só dele. E é totalmente crível. O mais bacana é que ele mesmo canta todas as músicas. Mas o elenco de apoio é tão espetacular quanto o protagonista. Jamie Bell é Bernie, seu melhor amigo e parceiro de composição. Elton fazia melodia, enquanto Bernie era o letrista. A amizade dos dois é muito linda de se acompanhar. E não podemos deixar de falar de Richard Madden, empresário e amante do cantor, que não tinha uma célula carinhosa e bondosa no corpo. Tudo o que podemos sentir é ódio. E há ainda Bryce Dallas Howard, a mãe que nunca apoiou ou compreendeu o filho. A cena em que ele assume sua preferência sexual para ela é de partir o coração.

Um dos maiores acertos do roteirista Lee Hall foi não suavizar a vida de Elton John. Pesquisando, vi que os produtores queriam fazer um filme com censura PG-13 (categoria americana para ser vista por quem tem acima de 13 anos, mas que avisa aos pais que pode ter cenas um pouco fortes), mas o próprio cantor disse que não viveu uma vida PG-13, então o filme não deveria ser brando: deveria ser real. Por isso Rocketman mostra uso – e muito abuso – de drogas, bebidas alcoólicas, cenas de sexo entre dois homens, uma espécie de metáfora para orgias e tentativa de suicídio. Elton John está ali verdadeiro, vulnerável e exposto mostrando seus piores lados. Isso faz com que o público se identifique e importe com ele de forma profunda.




Com um enredo muito interessante, com momentos sérios e dramáticos, divertidos e mesmo engraçados, Rocketman te prende na cadeira do cinema nas suas duas horas de duração. Os números musicais são ótimos. As canções não são colocadas na ordem cronológica em que foram criadas, mas o roteiro as insere para contar a história. Algumas são animadas e um espetáculo, outras introspectivas e sentimentais. Um dos momentos mais bonitos do filme, por exemplo, é quando ele toca pela primeira vez Your Song e o vemos se conectar com a música e com Bernie.

Além das cenas de música maravilhosas, Rocketman é um deleite visual. A história é contada por meio do figurino, principalmente de Elton John. Suas roupas de palco extremamente espalhafatosas, os óculos enormes, os sapatos chamativos e mesmo as vestimentas do “dia a dia”. Tudo ajuda a criar quem é Elton John, o garoto que era tímido e se transforma no deslumbre que ele é até hoje, ainda que mais contido


De certa forma, Rocketman é uma história de superação e mostra que não há problema em pedir ajuda. Saí do cinema fã e com o coração quentinho por Elton John. 

Recomendo muito.

Teca Machado






2 comentários:

  1. Já tinha muita curiosidade em ver o filme mas agora ainda fiquei com mais vontade de ver :-)

    ResponderExcluir
  2. ah quero mt assistir o filme, vi o trailer e parece mesmo incrível mostrando tds as facetas da vida do cantor

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

    ResponderExcluir