sexta-feira, 6 de abril de 2018

Doce Perdão - Resenha


Há uns anos li A Lista de Brett, de Lori Nelson Spielman, publicado no Brasil pela Verus Editora, e naquele ano considerei uma das melhores leituras do período. E agora li outro livro da autora, Doce Perdão,  e posso dizer que não me decepcionei nem um pouco. Ela continua fiel ao seu estilo e a uma história doce, sensível, delicada, mas nem por isso leve.

Fotos @casosacasoselivros

Doce Perdão, como o próprio título já diz, é uma história sobre perdão. Mas e quando o perdão que você precisa dar não é para outra pessoa e sim para si mesmo? Acho que é o caso mais difícil. Nossa protagonista é Hannah, uma apresentadora de TV de New Orleans que tem uma vida perfeita. Faz sucesso na cidade e tem fãs, namora o prefeito e conta com amigos fieis. Mas duas pedras mudam tudo. O país está viciado nas Pedras do Perdão. Quando você magoou alguém, envia a essa pessoa duas pedras com uma carta. Se ela te devolver, significa que você está perdoado. Hannah as recebe da criadora da mania, uma garota que na infância fez bullying com ela e de certa forma destruiu sua vida. Mas as pedras não fazem a apresentadora pensar apenas nisso, mas em todos os erros que cometeu pelo caminho, inclusive o afastamento da mãe, que não vê há 16 anos e que precisa desesperadamente perdoar. Hannah, então, é forçada a mergulhar no seu passado, que não é tão bonito quanto tenta aparentar na TV e para o namorado, e isso abala as estruturas da vida que tão cuidadosamente criou.

Lori Nelson Spielman
A capa fofa pode te fazer pensar que esse é um chick-lit divertido, com um romance bacana e que te arranca algumas risadas pelo meio do caminho. Desculpa te decepcionar, não é isso. Lori Nelson Spielman, com naturalidade e sem forçar a barra, fala de alguns temas pesados, que não posso revelar para não dar spoilers para vocês, afinal, a própria Hannah, que é a narradora, não nos conta logo de cara toda sua história. Pelo contrário. Assim como ela esconde das pessoas tudo aquilo que acredita ter acontecido – ou que a levaram a acreditar - , ela esconde do leitor. É como se a personagem fosse uma cebola e fôssemos tirando camada por camada, desnudando partes da alma de Hannha que nem mesmo ela sabia que existiam.

Hannah faz o leitor passar raiva com a sua imaturidade, mesmo para uma mulher adulta de 34 anos. Assim como queremos sacudir a sua versão adolescente, que aparece em vários flashbacks. Mas ninguém pode negar que a personagem cresce. Ela amadurece, evolui, sofre muitas pancadas ao longo do caminho, e vai encontrando seu lugar no mundo como uma pessoa real e livre do peso da culpa. Mas não só Hannah é uma ótima personagem. Os secundários conquistam seu coração, principalmente Dorothy, uma idosa que é sua melhor amiga e – pasmem! – ex-sogra, Jade, sua maquiadora, sua mãe, Jack, o ex-noivo que aparece muito pouco, mas que eu queria mais, muito mais, e RJ, aquele fofo que eu quero para mim. Até mesmo Fiona, a criadora das Pedras do Perdão e que tanto machucou Hannah tem seu lugar na história e sua redenção.

Doce Perdão não me fez chorar, mas me deu vários nós na garganta. Fiquei triste, magoada, com aquela sensação de impotência por muitas coisas não terem conserto, por mais que haja o perdão. A mensagem da importância dele não é piegas, ou forçada, mas mostra que todos os atos geram consequências, algumas irreversíveis e você precisa aprender a lidar com isso.



Doce Perdão tem algumas reviravoltas, algumas que fizeram a minha cabeça explodir, e apesar de clichê em vários momentos, tem situações imprevisíveis e um final inesperado. E por falar no final (Calma, pode continuar, não vou dar spoiler), achei inteligente da parte da autora deixar um aspecto muito importante da história em aberto. Não cabe ao leitor julgar, não cabe a ninguém, na verdade. Ficamos na dúvida, assim como Hannah, e a verdade nunca será realmente descoberta. E isso, de certo modo, não tem importância.

Doce Perdão é aquele livro que vai te deixar com um sorriso ao terminar e um coração quentinho. Lori Nelson Spielman mais uma vez acertou em uma história para entrar na nossa alma e não sair mais.

Recomendo.

Teca Machado


13 comentários:

  1. Oi Teca!! Uma as melhores leituras da vida com certeza! Eu sou muito rancorosa e tive vontade de jogar as pedras no perdão na cara de muita gente kkkkkkkkkk Eu queria que a autora tivesse nos contado a parte que ficou em aberto, eu realmente queria fazer o julgamento, mas me conformei como ela conduziu a história. Preciso ler A lista de Brett que deve ser muito bom também!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  2. Oi Teca,
    Eu amo a Lori!!! Todos os livros dela são maravilhosos e cheio de reflexões.
    Tanto este, quanto a Lista de Brett são aquele tipo de livro que todos deveriam ler, pelo menos uma vez na vida.
    Beijos
    https://estante-da-ale.blogspot.com.br

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  3. Oi, Teca!

    Faz um tempinho já que li esse livro, mas lembro ter gostado bastante das duas obras da autora, assim como lembro de também ter ficado com raiva da protagonista em certos momentos hahaha mas a mensagem transmitida faz a história toda valer a pena!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br

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  4. Oiii Teca

    Os dois livros dessa autora parecem ser aquelas histórias ótimas, doces, reflexivas e tocants que fazem a gente se sentir abraçado ao final. Eu quero ler ambos, e ja tenho anotado faz um tempinho.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  5. oi linda, amei esse post porque eu não conhecia a escritora e ja estou com muita curiosidade de ler o livro dela.
    adorei seu blog

    https://dicasdachil.blogspot.com.br/2018/04/introducing-spring-zaful.html

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  6. Oi
    realmente pela capa aparenta ser uma história mais leve, bom saber que no é, pelo que falou parece ser uma bela história, e legal que apresenta uma mensagem .

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  7. Oi Teca, tudo bem?
    Adorei a resenha! Deu pra sentir quais os aspectos do livro tocaram você, e acho que é uma leitura de fato muito proveitosa.
    Não costumo gostar de finais abertos, mas fiquei bem curiosa em relação a esse.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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  8. Oi Teca, tudo bem??

    Confesso que o livro não me chama atenção para a leitura, mas achei a sua resenha bem escrita e traduziu os sentimentos que teve durante a leitura... pelo jeito o livro te tocou de uma maneira mais profunda, porque falar de passado e crescimento realmente toca a gente. Xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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  9. Oi Teca,

    Já ouvi falar muito bem da autora e sua escrita, porem esse livro ainda não me atraiu a ponto de ler, nesse momento estou focando em outros gêneros, mas não descarto a leitura.
    Bjs e um bom Domingo!
    Diário dos Livros
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  10. Tequinha!!!!
    Simmmm eu morro de vontade de ler A lista de Brett! E doce perdão parece ter exatamente a mesma pegada UAU! Perdão pessoal? Acho que eu ia gostar mais desse do que o que estou lendo (e esta dificil sair da leitura, ja viu Voce nao é o homem da minha vida? ) e estou querendo fugir dele.
    Mas no momento acho que esse livro me deixaria um pouco triste, eu acho...Tem uma pegada pesada, parece, mas deve ser MUITO BOM!!!!
    E o quote? Meu Deus!!!
    eLA DEIXA EM ABERTO ALGUMA COISA? AI MEU DEUS!!!

    Beijocas da Pâm
    Blog Interrupted Dreamer

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  11. Oi, Teca

    Menina, não lembro de ter lido nenhuma resenha sobre esse livro. Por isso me surpreendi, pois eu realmente pensava, como você falou, que era um chick-lit fofinho. Não ia pensar nunca que ia ter uns temas pesados no meio. Pintou aquela vontade de ler!

    Beijos
    - Tami
    https://www.meuepilogo.com

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  12. Oi Teca!
    Pela capa eu imaginava mesmo que era um chick-lit mais levinho. Depois da sua resenha fiquei com mais vontade de ler!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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  13. Realmente pela capa (lindaaa por sinal) aparentava mesmo ser desses livros mais levinhos, mas realmente parece ser mais complexo! Fiquei com vontade de ler!

    Beijos
    Mari Dahrug
    https://www.rabiskos.com.br/

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