segunda-feira, 28 de maio de 2018

Um Contratempo - Crítica


Algo que a Netflix tem feito é abrir meus horizontes cinematográficos. Acostumados a assistir apenas produções de Hollywood, no máximo uma ou outra brasileira, nós agora temos com muita facilidade outros filmes estrangeiros. E no sábado, já que ninguém queria sair de casa para não gastar gasolina, meus vizinhos foram na minha casa e decidimos assistir a um filme. Não sei porque, mas paramos na seção de estrangeiros. Ao ler a sinopse do espanhol Um Contratempo, do diretor e roteirista Oriol Paulo, decidimos que talvez fosse uma boa escolha sem nem mesmo assistir ao trailer. Mas Estávamos errados, já que não foi uma boa escolha: foi ótima!

Pode se jogar na resenha que é livre de spoilers!


Posso dizer que Um Contratempo foi um dos melhores suspenses que vi nos últimos tempos. O enredo parece simples, mas é complexo, recheado de nuances e traz muitas reviravoltas, até o último minuto, literalmente. Temos um quebra-cabeça onde vão surgindo peças que nem imaginávamos que estavam faltando e tudo vai se juntando de uma forma que vai ser totalmente mind blowing. No fim das contas, você nunca está prestando atenção o suficiente.

Adrián (Mario Casas), acorda num quarto de hotel e encontra sua amante morta (Bárbara Lennie) e muitas notas de dinheiro espalhadas, sem saber ao certo como isso aconteceu. O quarto estava trancado por dentro, sem nenhum tipo de saída alternativa, então ele é o suspeito óbvio. Acusado pelo assassinato e esperando julgamento, se reúne com Vírginia Goodman (Ana Wagener), uma das melhores advogadas criminais da Espanha, para juntar as peças, descobrir o que aconteceu e montar sua defesa.



Falando assim parece quase clichê, uma trama onde ele vira o próprio detetive para resolver seu caso, já que a polícia não acredita na sua versão. Mas há uma subtrama, contada por meio de flashbacks, que se entrelaça profundamente com a principal, nos trazendo um enredo diferente, surpreendente e muito bem amarrado. A cada hora o espectador cria uma teoria, que cai por terra nos minutos seguintes, pois Oriol consegue nos enganar todo o tempo. É uma espiral de acontecimentos que nos leva muito mais profundamente do que de início acreditávamos.

As atuações são excelentes, principalmente de Bárbara Lennie e Ana Wagener. Bárbara diz muito com o olhar, com as micro expressões do rosto. O espectador sente raiva, sente pena, sente nojo da sua personagem. Ela desperta emoções em quem a assiste e faz um trabalho excelente. Já Ana Wagener criou uma personagem feroz, uma advogada que não tem papas na língua e não se deixa manipular por ninguém. Seus momentos em tela são inspiradores. Ela pressiona Adrián, dizendo que não pode ser mole, já que promotores e juízes não serão. Mario Casas é competente, mas perde um pouco o brilho ao lado de mulheres tão notáveis.



Nem de longe é uma história que dá medo. É um thriller policial cheio de tensão, sobre o ser humano e as consequências do seu atos, que geram bolas de neve imparáveis. As cores são frias e sóbrias, como o enredo pede. Há sempre aquele clima de que algo irá dar errado em breve. Muito errado.

Um Contratempo é um excelente suspense para quem gosta de uma história inteligente que vai dar um tilt no seu cérebro.

Recomendo muito.

Teca Machado

2 comentários:

  1. ah que super boa indicação! eu já vi esse filme e é msm ótimo, cheio de reviravoltas, o final é surpreendente!

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