segunda-feira, 18 de julho de 2016

A livraria sem livros


Já pensou em entrar numa livraria sem livros?

Pois é, isso já existe em Paris, na Librairie des Puf.

Esquisito, né? Mas tem um motivo e é super interessante. Talvez algo que irá revolucionar a venda de livros no mundo. 

Leia essa matéria do New York Times, que saiu na Folha de São Paulo, e entenda:

Em Paris, livraria troca estoque por máquina que imprime obras na hora


Gauthier Charrier, estudante de design gráfico, entrou em uma livraria de Paris e ficou se perguntando onde estavam os livros.

"Vi aquele enorme espaço aberto, com apenas um par de banquinhos, e fiquei imaginando que tinham esquecido alguma coisa", conta.

A escassez de estoque da Librairie des Puf, operada pela editora Presses Universitaires de France, não é um problema com distribuidores e sim o seu modelo de negócio.

A loja vende livros impressos na hora, de acordo com o pedido do cliente e diante de seus olhos. Eles são feitos na Espresso Book Machine (algo como máquina expressa de livros em inglês).

A On Demand Books, empresa americana que fabrica a máquina, escolheu seu nome inspirada por uma atividade que dura o mesmo tempo que fabricar um livro: tomar um cafezinho.

Interior da livraria, onde você esperar o livro ficar pronto

A máquina fica nos fundos da loja e zumbe discretamente ao transformar arquivos PDF em livros de capa mole.

Os clientes usam tablets para selecionar os títulos que desejam e podem ainda acrescentar dedicatórias.

Alexandre Gaudefroy, diretor da livraria, confessa que, no começo, os clientes ficam desconfortáveis com a ausência das obras físicas para olhar e folhear. Mas, no fim, "todos os fregueses se surpreendem."

Do ponto de vista dos negócios, a economia é evidente. "Não me preciso preocupar com estoque. Estamos em uma loja de menos de 80 m² e posso oferecer todos os títulos que quiser", diz Gaudefroy.

Um dos títulos impressos pela Espresso Book Machine

E são muitos títulos. O catálogo da Les Pufs inclui 5.000 obras, além de outras 3 milhões compiladas pela On Demand Books.

Entre elas, algumas antigas que não estão em livrarias convencionais. "Graças ao modelo de impressão a pedido, podemos reviver velhos títulos que não seriam reimpressos pela editora porque venderiam apenas cinco ou dez cópias por ano", explica Gaudefroy.

TRANSFORMAÇÃO

A impressão na hora é uma reinvenção radical de uma loja que foi inaugurada em 1921.

A Librairie des Puf original ocupava diversos pavimentos e tinha vitrines repletas de livros, atraindo uma multidão de leitores das universidades parisienses.

Por muito tempo, ela foi um símbolo cultural e acadêmico. Até que se viu forçada a fechar, há cerca de dez anos, devido à queda dos lucros e alta dos aluguéis.

Não foi a única. De 2000 a 2014, 28% das livrarias de Paris fecharam as portas, de acordo com levantamento da Agência de Planejamento Urbano da capital francesa.



A máquina
O aumento dos aluguéis na região central densamente povoada da cidade foi o principal responsável pela crise. Outro grande fator foi a crescente concorrência dos sites de comércio eletrônico.

A Librairie des Puf reabriu em março passado, beneficiada por um programa municipal que oferece aluguel de espaços no bairro parisiense de Quartier Latin a preços abaixo do valor de mercado para empresas consideradas culturalmente significativas.

"Imaginávamos que venderíamos 10 a 15 livros por dia, mas estamos vendendo 30 ou 40", diz Gaudefroy. "Já estamos pensando em abrir lojas em outras grandes cidades universitárias da França, como Lille, Bordeaux e Lyon."


Quer mais aí quer conhecer essa livraria?

Teca Machado

7 comentários :

  1. Ideia simplesmente revolucionária e maravilhosa. Sem dúvidas, uma sacada bem inteligente.
    Essa moda poderia chegar no Brasil.

    Desbravador de Mundos - Participe do top comentarista de julho. Serão quatro livros e dois vencedores!

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    1. Podia, né?
      Eu ia amar!
      Livro sob demanda!

      Beijooos

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  2. Que ótima ideia!
    Amei!!!!!! Queria uma dessa no Brasil...
    Beijos,

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  3. Oi, Teca!!

    Adorei a ideia. Com certeza é uma forma de manter um lucro muito maior que com as livrarias tradicionais.
    Uma pena que dessa forma você deixaria de ter aquelas edições super trabalhadas, né? Acho que sentiria falta de algumas assim. xD

    Bjs

    http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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    1. Com certeza!
      Desse jeito as livrarias nunca vão à falência com livros encalhados.

      Beijooos

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  4. Eu achei a ideia bem bacana, mas eu não trocaria uma livraria convencional por essa de jeito nenhum. Como ficam os livros de capa dura? E os com algum detalhe a mais? Onde ficam aqueles livros maravilhosos e bem diagramados que mais parecem uma obra de arte? Não, prefiro eles.. rs
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

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