sábado, 26 de outubro de 2013

Gravidade: Murphy explica


Confesso que quando li sobre o tão esperado filme Gravidade fiquei com um pouco de preconceito. “Nossa”, pensei, “deve ser muito chato um filme só com dois personagens e a protagonista vagando pelo espaço totalmente à deriva”. Imaginei que se tratava daquelas produções reflexivas e sem graça, onde se busca o sentido da vida e do universo. Ai, como eu estava errada. Gravidade, do visionário diretor Alfonso Cuarón, é, sem dúvida, um filme que prende o espectador, que provoca tensão e que conta uma história surpreendente.


Mais do que o roteiro ou qualquer outra coisa, Gravidade chama atenção pelo visual, ainda mais se for assistido em 3D. O que não gastaram em elenco, gastaram em efeitos especiais. A alternância de som e silêncio também é forte. Num momento, gritos, barulhos, coisas explodindo, no outro, tudo no mais completo silêncio, como o Universo no vácuo deve ser.

Sandra Bullock, George Clooney e a Terra

É tão realista que você tem a sensação de estar no espaço, lá no satélite Hubble. O noção de realismo e da falta de gravidade a 600 quilômetros de altura é tão grande que eu e a Marcinha, minha companheira de cinema de todas as semanas, ficamos completamente tontas no início. A labirintite bateu e eu precisava me concentrar em olhar apenas para a legenda para não sentir o mundo rodar. Depois de um tempo você acaba se acostumando e passa aproveitar esse deleite visual (Não consigo achar expressão melhor para explicar a fotografia desse filme).

Efeitos especiais realistas

Uma das características mais marcantes de Gravidade são as cenas sem cortes, principalmente a inicial. São cerca de 15 minutos com a câmera flutuando entre a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock, sendo excepcional) e o Comandante Matt Kowalsky (George Clooney, irresistível e charmoso como nunca). Ela gira e rodopia, dá a sensação de realmente flutuar no espaço, sem um eixo central, sem a - tcharam! - gravidade. É algo antes nunca visto no cinema.

Momento de ação

O enredo do filme é muito simples: Numa missão espacial de reparo, a Dra. Stone está instalando um dispositivo novo no satélite Hubble. Enquanto isso, o comandante Kowalsky e um terceiro astronauta nunca mostrado de perto estão brincando alegremente ao redor e conversando com Houston, a Nasa. Em certo momento, começa uma chuva de detritos que atinge a nave deles e o satélite, o que faz com que sobrevivam apenas Stone e Kowalsky. 

Sandra Bullock

Eles têm duas opções: Morrer perdidos no espaço ou buscar abrigo na Estação Espacial Internacional e em outros satélites que ficam na órbita terrestre. Começa aí uma luta pela sobrevivência num dos cenários mais inóspitos a que o ser humano tem acesso.

Tem muito simbolismo em Gravidade, como a solidão do espaço, o “renascimento” da Dra. Stone (Que ela até fica em posição fetal), a questão de tentar fugir dos problemas do dia a dia e mesmo a uma distância tão grande ser perseguido por eles e também passar o conhecimento dos mais experientes para os novatos.

O renascimento

Apesar de ser praticamente um filme de uma pessoa só, Gravidade é uma ação quase sem fim, não te dá sono. É a Lei de Murphy em seu estado mais puro: Se tem como dar errado, vai dar errado, pode ter certeza. E Sandra Bullock desempenha seu papel tão bem que a falta de esperança dela em certos momentos é quase palpável, assim como é em seus surtos de determinação. O espectador sente tudo o que ela sente, até mesmo a falta de ar quando o seu oxigênio está no fim.

Sandra Bullock, assim como Hugh Jackman por Os Suspeitos (Falo sobre esse filme semana que vem), já está sendo cotada para o Oscar do ano que vem. Além de trabalhar muito bem suas emoções faciais (Já que a câmera fica grande parte do tempo grudada em seu rosto), disseram que o trabalho para flutuar no pretenso espaço e mesmo dentro da Estação Espacial Internacional foi algo que exigiu muito do seu controle físico e psicológico. Não era para qualquer um. O próprio diretor falou que ele mesmo não conseguiria.

Alfonso Cuarón nas filmagens

Eu, como uma boa amante do espaço e do universo, fiquei de queixo caído com Gravidade.

Recomendo muito.

Teca Machado

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