terça-feira, 29 de outubro de 2013

Os Suspeitos: O show de Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal


Alguns diretores têm o dom de literalmente fazer o público perder o ar. Às vezes eles fazem isso por nos dar sustos (Odeio). Em outras ocasiões por mostrar cenários onde o oxigênio é escasso (Como em Gravidade, que comentei aqui). E, no caso do filme Os Suspeitos, do diretor Denis Villeneuve, por causa da tensão provocada devido a uma situação pavorosa que de tão real pode acontecer com qualquer pessoa no mundo.


No Dia de Ação de Graças, duas famílias vizinhas, Keller e Grace Dover (Hugh Jackman e Maria Bello) e Franklin e Nancy Birch (Terrence Howard e Viola Davis), se reúnem para festejar. Depois de um tempo, Anna (Erin Gerasimovich) e Joy (Kyla Drew Simmons), filhas pequenas dos casais, vão brincar sozinhas na rua e desaparecem sem deixar vestígios. Quando a polícia é acionada, o detetive Loki (Jake Gyllenhaal) é designado para o caso.

Família Dover antes do desaparecimento de Anna

Enquanto as duas famílias se desesperam e cada um dos quatros pais reage de uma maneira para lidar com a dor e o desespero, Loki faz o seu trabalho, mas não parece muito comprometido. Prova disso é quando a família Dover lhe passa informações e ele fica olhando o celular. Quando Alex Jones (Paul Dano), o único suspeito do caso, é liberado pela polícia, Keller resolve que paralelamente ao trabalho oficial é hora de fazer justiça com as próprias mãos e inicia um processo de tortura de deixar ditadores com inveja.

Keller e Alex Jones

Os dias vão passando e a chance de encontrar as garotas com vida vai ficando menor. Enquanto Keller fica cada vez mais transtornado, Loki se envolve na investigação e passa a ter uma obsessão quase tão doentia quanto o pai da menina.

O que faz Os Suspeitos ser o melhor filme policial de 2013 são dois fatores: Os atores e o roteiro de Aaron Guzikowski, praticamente um estreante.

Os atores Jake Gyllenhaal e Hugh Jackman

Hugh Jackman dá um show e já está sendo cotado para o Oscar do ano que vem (Fora que é incrivelmente sexy, haha). É possível sentir junto com ele o desespero de ter a filha tirada do seu convívio e o seu martírio por causa das torturas. Seu personagem é um homem religioso e o tempo todo cita Deus e orações. A sua culpa pelos atos é enorme, mas o seu desespero é maior. O ator se deu de corpo e alma pelo filme. Jake Gyllenhaal é outro que está mais do que excelente. Seus descaso inicial vai dando lugar gradativamente a uma obsessão louca para resolver o caso, já que ele é um detetive com uma taxa de 100% de sucesso. Bato palmas para os dois. 

Família Birch com o detetive Loki

O resto do elenco, principalmente Paul Dano e Melissa Leo (Que interpreta a tia de Alex Jones), é muito bom, mas fica obscurecido pelo trabalho excepcional de Jackman e Gyllenhaal.

Não é fácil escrever um roteiro de suspense policial, pois a história, para fazer sentido, precisa ser bem amarrada e o tempo todo jogar pistas verdadeiras e falsas para que o espectador tente adivinhar juntamente com os personagens o que aconteceu. E esse é o caso de Os Suspeitos. O quebra-cabeça que vai sendo criado ao longo das duas horas e meia de filme em certo momento parece insolúvel. Reviravoltas vão acontecendo a todo instante. Como diz o título, o papel de suspeito vai sendo transferido de uma pessoa para outra. 

Interrogatório policial

Há em quase todos os personagens aquela dualidade de caráter. Ninguém é 100% bom, ninguém é 100% mau. E mesmo quando fazem o que é errado, principalmente Keller e Franklin, é clara a briga da consciência. Loki fica preso em burocracias das leis e vive o dilema de seguir as regras e deixar suspeitos e pistas escaparem ou burlar o sistema, mas resolver o caso.

Um aspecto que me deixou um pouco incomodada foi o fato da trilha sonora ser quase inexistente. Eu gosto de filmes com mais do que o som ambiente. Mas ser silencioso cria ainda mais a atmosfera de tensão e terror vivida pelos personagens.

A procura de pistas

Os Suspeitos é um suspense de fazer pensar. Está sendo chamado de O Novo Seven (Aquele sensacional de 1995 com Brad Pitt, do diretor David Fincher).

Recomendo.

Teca Machado 

5 comentários:

  1. assisti ontem, fazia tempo (muitoooo tempo) que não via um suspense tão bom, bem feito, impecável!! de tirar o folego!!Super recomendo!!

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  2. assisti ontem, fazia tempo (muitoooo tempo) que não via um suspense tão bom, bem feito, impecável!! de tirar o folego!!Super recomendo!!

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  3. Que final horrível !!! Ridículo nao recomendo

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